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Workshop apresenta benefícios da Agricultura de Precisão na fruticultura e vitivinicultura

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Zoneamento de vinhedo
Zoneamento de vinhedo

A Serra Gaúcha reuniu os principais técnicos brasileiros que estão envolvidos com a Agricultura de Precisão (AP) durante o II Workshop de Agricultura de Precisão na Fruticultura e Vitivinicultura, que ocorreu na primeira semana de julho, na sede da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS).

Promovido pela Rede de Agricultura de Precisão da Embrapa (Projeto Agricultura de Precisão – AP para sustentabilidade do sistema produtivo agrícola, pecuário e florestal brasileiro), o evento possibilitou o intercâmbio entre a pesquisa, produtores e fornecedores de equipamento e levantamentos de demandas. “A expectativa é que o setor produtivo entenda as possibilidades e a grande ferramenta que é a AP; quando surgir a demanda, nós vamos ter resposta pronta e isso também vai impactar positivamente”, projeta Luciano Gebler, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho.

AP é um conjunto de técnicas de apoio à agricultura na qual se utiliza de tecnologia de informação, sensores, mapas, baseando-se no princípio da variabilidade da planta frente ao solo, clima e práticas agrícolas. A partir de dados específicos de áreas geograficamente referenciadas, implanta-se o processo de automação agrícola, dosando-se adubos e agrotóxicos, bem como irrigação. A AP também pode auxiliar a gestão do sistema de produção e a tomada de decisão pelo produtor sobre a área de manejo, como combate às doenças.

Na avaliação de Ricardo Yassushi Inamasu, pesquisador da Embrapa Instrumentação e coordenador da Rede de Agricultura de Precisão, a maior dúvida é o momento certo para usar a ferramenta. ”O primeiro passo é encontrar as diferenças que existem na lavoura, entender essas diferenças e conseguir extrair o melhor disso. Tem regiões que o tipo do solo, a própria característica é difícil de você extrair, e requer menos insumos. Se pode reduzir o insumo e manter a produtividade, por exemplo.”

Uma opção viável são os drones, segundo Lúcio André de Castro Jorge, pesquisador da Embrapa Instrumentação. Ele acredita que os drones são “uma nova ferramenta, uma ferramenta fácil de estar sendo acessada pelo produtor, a um custo razoável, que você consegue monitorar o campo de forma completa”.

Rosemary Hoff, pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho e coordenadora do evento, considera que “a tendência na questão do uso de drone é a mais difundida, além do uso de sistemas computacionais para gestão do agronegócio, como na gestão vitícola, usando sistema de informação geográfica, imagens de satélite, imagens aéreas captadas por drones. Penso que está aumentando a demanda por esse tipo de equipamento. Existem empresas que prestam consultoria nessa área, tanto para pesquisa quanto para empresas que estão disponibilizando comercialmente aos produtores.”

Uma boa novidade para os produtores foi a divulgação da Inovagro, a linha de crédito para compra de equipamento de AP. Se o custo para investimento na AP é alto, por outro lado, o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) possui uma linha de crédito para os produtores que quiserem investir em Agricultura de Precisão. Está aberta para o Brasil todo, disponível R$ 1,6 milhão por CPF. Essa linha de crédito é para a aquisição de produtos de AP e permite que o produtor possa pagar até 5% do valor do projeto para o profissional responsável também através do financiamento. “Esse ano a linha Inovagro está com uma taxa de juros 6,5% ao ano, em comparação ao ano passado que era 8,5%. Então o governo baixou 2% para incentivar essa aquisição de tecnologia para os produtores. Tanto para o pequeno, médio e grande produtor”, diz Fabrício Juntolli, do Mapa.

Outra alternativa apresentada é direcionada aos pequenos produtores, através das cooperativas. Se uma cooperativa ou uma associação de produtores comprar um drone vai ser muito mais barato do que cada um comprar o seu; sendo compartilhado tem mais condições para que um técnico acompanhe o processo e seja melhor utilizado. “A recomendação é que o produtor tenha bastante controle da sua cultura, através de anotações, registro das ocorrências durante a safra, entressafra, época de dormência, porque tudo isso ajuda a aplicar técnicas de AP e saber por que estão ocorrendo tais fenômenos”, completa Hoff.

Durante o workshop, o produtor poôde conhecer de perto os usos e pesquisas sobre a AP. Para Tiago Tonini, enólogo e produtor vitícola, “esse tipo de tecnologia desencadeia um processo novo para poder trabalhar, diminuir os custos com pesticidas. É uma ótima experiência para se entender  a realidade que está chegando até nós.”

Gebler considera que “ainda falta serem estabelecidos parâmetros mínimos para a introdução da AP na fruticultura, em áreas produtivas que ainda não a utilizam; organizar o manejo de AP em áreas que já o iniciaram e contribuir para a organização do sistema de trabalho e padronização de ações, processos e equipamentos, dando as bases para a consolidação da Fruticultura de Precisão no Brasil”.

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