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Novos tratores aumentam a eficiência, economia e produtividade

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Por Gustavo Paes

No Brasil, existem atualmente 278 modelos de tratores agrícolas disponíveis no mercado, de 21 marcas, com diversas faixas de potência. São 31 tratores com até 49 cv de potência, 122 de 50 a 99 cv; 39 máquinas de 100 a 149 cv; 38 modelos de 150 a 249 cv e 48 tratores de mais de 250 cv.

O maior número de tratores é na faixa de potência de até 99 cv, e não é por acaso. Os modelos com até 100 cv respondem por 47% das vendas de tratores agrícolas no Brasil, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Já os tratores de 40 até 130 cv de potência abocanham cerca de 70% do mercado no País. Um volume considerável, já que o Brasil é o quarto maior mercado de tratores agrícolas do mundo, atrás apenas da Índia, China e dos Estados Unidos.

Os tratores passaram por grandes mudanças nas últimas quatro décadas e incorpam tecnologias que permitiram aumento da produção, no que se refere à quantidade de área cultivada e produtividade. Também se tornaram mais confortáveis, com cabines com ar-condicionado, direção hidráulica e controles de mais fácil operação. Mas a indústria também busca produzir equipamentos mais eficientes, econômicos e menos poluentes.

Monitoramento das atividades O diretor de Marketing da LS Tractor, Astor Kilpp, diz que, na última década, o mercado brasileiro viu uma invasão de novas tecnologias incorporadas em tratores agrícolas. Estas inovações começam por projetos de cabines originais de fábrica para tratores a partir de 60 cv, até novas transmissões com reversão mecânica e eletro-hidráulica e com dispositivos de troca de marcha sem utilizar a embreagem do trator. Além de novos motores com sistema de controle de emissão de poluentes com menores teores de NOx.

Entretanto, ele salienta que a principal inovação é o GPS, que, aliado a sensores de funcionamento da máquina, possibilitam o monitoramento das atividades das máquinas no campo e permitem uma nova realidade para a gestão de frota. “Agora é possível obter relatórios diários da eficiência das máquinas no campo, assim como monitorar online o que elas estão fazendo e onde estão”, afirma.

Kilpp diz que os tratores estão mais potentes e equipados com maior tecnologia não apenas nos modelos de maior porte. Os pequenos e médios estão recebendo tecnologias antes encontradas apenas nos ‘irmãos maiores’. “Como, por exemplo, os tratores usados em pomares e nos cafezais, onde o espaço para mecanização é restrito, mas as necessidades técnicas são igualmente importantes”, declara.

Controle de emissões A Agrale conta com uma linha de tratores que vai de 15 cv a 215 cv. São máquinas usadas na agricultura familiar, cultivo de frutas, pecuária e grãos. “Temos uma participação muito interessante no mercado do café, onde o trator 575 Compact foi especialmente desenvolvido para obter o melhor rendimento e baixo custo de operação”, destaca o Gerente de Vendas de Tratores, Adriano Chiarini.

O executivo observa que muitas tecnologias foram incorporadas aos tratores, mas destaca o controle de emissões de gases para os motores, que tem como objetivo reduzir os poluentes enviados para a atmosfera. Também foram incorporados às máquinas  itens de conforto, segurança e operação, como cabines com ar-condicionado e filtro de carvão ativado, transmissões automáticas e diversos sensores e instrumentos para o controle do trator e da operação, sempre com o objetivo de reduzir custos da operação.

Chiarini acredita que o aumento da potência nos tratores focados na agricultura familiar é uma tendência que deve se consolidar, em função dos altos custos da produção. “Com um trator de maior potência é possível acoplar um implemento maior ou até mesmo dois implementos, o que racionaliza a operação com um maior rendimento e velocidade por hectare”, pondera.

Rendimento operacional  Na Massey Ferguson, as principais mudanças nos tratores foram nas transmissões (número de marchas, transmissões Power Shift, CVT), nos motores (precisão de injeção, motores eletrônicos, menos poluentes), nos sistemas hidráulicos (maiores vazões e capacidades de levante) e, principalmente, no posto de operação (uso de cabine com ar-condicionado e comandos ergonomicamente posicionados). “Tudo foi projetado para permitir um maior rendimento operacional”, ressalta o coordenador de Marketing do Produto Tratores, Eder Pinheiro.

A companhia possui 28 modelos divididos em nove séries disponíveis no Brasil e entende que todos os equipamentos precisam ter foco no máximo desempenho e versatilidade, independentemente do tamanho da máquina. O destaque é a série de tratores compactos MF 3300, ideais para uso em cafezais, fruticultura e vinicultura. Nas versão plataformada e cabinada há tratores de 69 cv, 78 cv e 89 cv. “Os modelos estão equipados com o motor AGCO Power de três cilindros eletrônico, que atende ao Proconve MAR-1”, explica.

Pinheiro acredita que a potência nos tratores seguirá aumentando, não só nos grandes produtores. Clientes que há pouco tempo utilizavam tratores de 75 cv, hoje estão usando modelos de 100 cv. “Cada vez mais, os clientes buscam cobrir mais áreas em menos tempo”, diz. Pinheiro aposta na inteligência. “Provavelmente veremos mais tratores com algum tipo de inteligência, seja na transmissão, no motor, no posto de operação, na ajuda na direção”, encerra.

Agricultura familiar A Agritech se destaca por sua linha de tratores para café, horticultura e fruticultura. A empresa possui cinco modelos, em cinco níveis de potência de 33 a 82 cv. No entanto, para cada potência há pelo menos sete versões. O destaque de vendas é o modelo 1155 Plus, que possui 35 versões adequadas a várias culturas.

O coordenador de Negócios da Agritech, César de Oliveira, diz que a evolução dos tratores foi grande, principalmente na última década, com a nova geração de produtores. A necessidade de buscar maior produtividade com menor custo criou uma sistematização dos controles de trabalho, como horas efetivas trabalhadas, tempo gasto com deslocamento, logística de abastecimento e automação.

O produtor exigiu a necessidade de incorporação de acessórios tecnológicos nos tratores, como redutor de velocidade e reversor de direção. E, por último, para atender às normas vigentes, veio a incorporação dos motores eletrônicos, proporcionando ganho, devido ao melhor rendimento e economia para o produtor.

Tecnologias de navegação A Landini disponibiliza para o mercado brasileiro equipamentos de 45 cv a 230 cv. Os destaques são os tratores Série 2 e Rex, na faixa de 45 cv a 75 cv, modelos voltados para a fruticultura e operações em espaço reduzido. A linha Brutus, de 75 cv a 95 cv, é usada na agricultura e pecuária. Já acima de 100 cv, a Landini tem em seu portfólio as linhas Landforce 120 – 130, Landpower 145 – 175, modelos com motor mecânico, alta economia de combustível e produtividade, em função da transmissão, que possibilita um grande escalonamento de marchas. O Série 7-230, trator com uma transmissão automática de 81 velocidades, fecha a gama de tratores disponibilizada para o País.

O presidente da Landini Brasil, Tiago Bonomo, afirma que os tratores incorporaram transmissões mais tecnológicas (semiautomática, automática e CVT), reversores eletro-hidráulicos, circuitos hidráulicos com vazões maiores, suspensão, cabines mais espaçosas e silenciosas. “As tecnologias de navegação, agricultura de precisão e conectividade também evoluíram significativamente”, diz.

O executivo explica que o aumento da tecnologia embarcada nos tratores pequenos e médios atende à demanda dos agricultores, que também está buscando mais tecnologias e ferramentas que possibilitem uma maior rentabilidade da atividade. “Potência não é tudo, o produtor hoje tem que dimensionar corretamente o valor do seu investimento e o custo de operação da máquina ao que precisa, o que nos leva a oferecer uma gama de opções tecnológicas e de desempenho em diferentes segmentos de potência”, destaca.

Fácil operação  Maior fabricante de tratores do mundo, a Mahindra comercializa no Brasil modelos de 25 cv a 95 cv de potência. Desde 2016, quando assumiu a operação no País, vem expandindo e reforçando o portfólio. A preocupação é atender, com soluções eficientes, o agricultor familiar, o pequeno e médio produtor. “O foco da Mahindra é o agricultor familiar, produtor de pequeno e médio porte, que demanda tecnologias modernas, mais produtividade e rentabilidade nas lavouras”, diz o gestor de Marketing e Engenharia da Mahindra no Brasil, Ricardo Barbosa.

O executivo destaca que os tratores da marca têm como características tecnologia de fácil operação, baixa manutenção e economia de combustível. Além de robustez e maior durabilidade. “Com isso, o produtor pode extrair o máximo de seu trator no campo, potencializar o uso e minimizar o tempo de parada, aumentando produtividade e renda”, frisa.

Neste ano, os destaques da Mahindra foram os modelos 2025, de 25 cv, e o modelo 6075, de 75 cv. “Produtos já comercializados em mercados como Estados Unidos, México, Ásia e Austrália, e que são extremamente adequados às condições brasileiras”, completa o gestor de Marketing.

Transmissão HiTech3 Na Valtra, a evolução dos tratores é constante desde a década de 1960. O Coordenador de Marketing de Tratores, Flávio Pastori, observa que é difícil citar tecnologias pontuais, mas, no contexto geral, diz que a companhia evoluiu do radiador para a transmissão automática. “Temos a mais alta tecnologia embarcada em cada item que compõem nossos equipamentos”, assegura.

A companhia possui nove linhas de tratores, com 39 modelos diferentes. O mais vendido atualmente é o BH 194 HiTech. O modelo possui 195 cv e transmissão HiTech3 PowerShift, com troca automática dentro dos grupos, com 18 velocidades para frente e 18 para trás. A transmissão Powershift pode ser operada manualmente com trocas de velocidade por botões ou por um dos dois modos de programação automáticos, que alteram a velocidade automaticamente, conforme a rotação pré-definida.

A empresa tem a mesma tecnologia embarcada em todo o portfólio de tratores, de 75 cv a 370 cv, e também mira o agricultor familiar. “O que motivou essa mudança foi a necessidade de garantir que os pequenos e médios produtores tenham em mãos a tecnologia necessária para que continuem sendo responsáveis pelas maiores produções em toneladas/hectares”.

Comunicação remota Na John Deere as máquinas evoluíram não somente na parte da engenharia, mas principalmente em softwares e comunicação remota integrada. O especialista em Soluções John Deere, Tiago Dickel, lembra que estamos na fase do big data, que entrega ao cliente análises de dados precisas, e impacta diretamente na produtividade, já que a informação é fundamental para a tomada de decisão inteligente. “As máquinas são cada vez menos ferro e mais inteligência, e os produtores têm acesso a sistemas integrados e a todos os seus benefícios”, enfatiza.

Ele diz que, para se manter mais competitivo no mercado, o produtor tem investido em tecnologia. Os recursos da Agricultura 4.0 permitem inúmeras vantagens, entre elas aumentar a produtividade, criar valor agregado ao produto, reduzir custos operacionais e acelerar a produção. “Dentro de poucos anos, teremos a quase totalidade dos produtores adaptados para a aplicação do que há de mais moderno no campo. Se o produtor não se moldar aos novos tempos correrá o risco de ter perdas produtivas na lavoura e custos de produção mais elevados.”

A John Deere prevê que a tecnologia deve estar presente em todas as propriedades brasileiras, independentemente de seu tamanho, localização ou cultura. A empresa conta em seu portfólio com 18 modelos de tratores e tem soluções para todos os portes de agricultores. Um exemplo é o lançamento da Série 5E. “São tratores utilitários, com potência abaixo de 100 cv, ideais para pequenos produtores, que precisam de uma máquina versátil e eficiente”, completa.

Trator de esteiras Case IH tem um portfólio completo de tratores, com potências de 75 cv a 629 cv, que atende a todos os perfis de produtores. A agricultura familiar tem necessidades diferentes da agricultura de larga escala e, por isso, os produtores buscam máquinas menores, com potências intermediárias, segundo Bruno Belorini, especialista de Marketing de Produto da Case IH. “Essa tendência não deve mudar nos próximos anos”, garante.

O perfil do agricultor, porém, está mudando. O pequeno e o médio produtor também procuram mais tecnologias embarcadas na hora de adquirir o maquinário. Eles se inspiram nos grandes produtores, pois sabem que a produtividade aumenta com equipamentos de agricultura de precisão e piloto automático, por exemplo. “Nossas máquinas indicadas para o pequeno agricultor também são equipadas com o que há de mais moderno em termos de tecnologias”, ressalta.

A empresa apresentou este ano o Quadtrac, trator articulado com esteiras. São dois modelos, sendo um com potência de 507 cv e o outro, 629 cv. As máquinas são equipadas com motor FPT Cursor 13. A motorização já faz parte da resolução MAR-I (Tier 4b), que determina a redução de poluentes com baixo consumo de Arla (Agente Redutor Líquido de Óxido de Nitrogênio Automotivo). A reserva de torque é de 40%, com 12,9 litros, 24 válvulas e seis cilindros.

Agricultura de precisão A mecanização agrícola vem evoluindo para possibilitar que pequenos, médios e grandes produtores alcancem patamares maiores de produtividade e eficiência nas lavouras. O gerente de Marketing de produto da New Holland, Saulo Silva, destaca que as principais tecnologias incorporadas estão relacionadas à agricultura de precisão, como as aplicações de fertilizantes e insumos a taxas variáveis, georreferenciamento e piloto automático.

“É importante destacar o avanço na tecnologia empregada nas transmissões, atualmente com um alto nível de sofisticação e automação. E mais tecnologia dos sistemas hidráulicos, cada vez de maior vazão, capacidade e número de remotos”, avalia. Os motores também  vêm passando por uma grande evolução, e estão alcançando níveis nunca obtidos de potência nominal, torque máximo e reserva de torque, aliados a um menor consumo de combustível específico e respeitando o nível de emissão de poluentes MAR-1 Tier3 de nível internacional.

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