
Soluções digitais para dentro da porteira são os principais produtos ofertados pelas agtechs // Foto: Lilian Alves
A experiência do Radar AgTech no Brasil foi ampliada e, pela primeira vez, mapeou as startups do setor agropecuário na América Latina e no Caribe. Foram identificadas 2.656 agtechs em 23 países, sendo que a maior concentração está no Cone Sul.
O levantamento foi liderado pela Embrapa, em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Homo Ludens e SP Venture. Também contou com apoio do Programa Cooperativo para Desenvolvimento Tecnológico Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul (Procisur) e do Instituto Tecnológico de Monterrey (México).
O mapeamento mostrou que o Brasil concentra 78% das startups mapeadas, com um total de 2.075. Argentina, com 158; México, com 110; Chile, com 91; Colômbia, com 79; e Uruguai, com 74, vêm logo atrás na lista dos países com mais agtechs.
“Os dados do Radar Agtech LAC 2026 demonstram que a América Latina e o Caribe estão passando por um processo consistente de amadurecimento do ecossistema de inovação agropecuária. Embora ainda exista uma forte concentração regional, observa-se uma crescente capacidade de geração de soluções tecnológicas adaptadas às realidades produtivas locais”, observa um dos autores do levantamento, o analista da Embrapa Aurélio Favarin.
Para o coordenador de Digitalização Agroalimentar do IICA, Federico Bert, a junção da experiência da Embrapa elaborando o Radar Agtech com o alcance territorial do IICA na região foi fundamental para caracterizar o estado atual do ecossistema regional e conceber ações para fortalecê-lo.
“Compreender como o ecossistema se integra e evolui é o ponto de partida para fomentar seu crescimento e desenvolvimento, tanto no setor público quanto no privado”, afirma Bert, que destacou como ponto positivo o grande número de agtechs em comparação ao de outras regiões do mundo.
De acordo com o levantamento, não foram encontradas agtechs em dez dos 33 países da América Latina e do Caribe. A pequena extensão territorial de alguns, a baixa população e a incipiência do setor agropecuário explicam essa ausência. Ainda assim, os autores consideram que os números podem estar subestimados, uma vez que a falta de uma instituição de referência local que participasse do levantamento dificultou o acesso à informação. Em alguns casos, o mapeamento foi feito por meio de bases secundárias.
“É um primeiro esforço e temos agora um marco inicial, um parâmetro para um levantamento mais amplo e fidedigno no ano que vem”, afirma Favarin.
A diferença entre os países é também um reflexo do nível de adoção de tecnologias no setor agropecuário em cada um deles.
“No IICA observamos uma heterogeneidade significativa no desenvolvimento dos ecossistemas de agrotecnologia entre os países; muito ainda precisa ser feito para consolidar o ecossistema regional. O Radar serve como ferramenta de referência e inspiração, especialmente para os países que promovem o desenvolvimento de seus ecossistemas. Mais importante ainda, atua como um meio para que as partes interessadas de diferentes países se conectem e criem redes, de modo a facilitar a construção de uma estrutura que impulsione a inovação na região”, analisa Federico Bert.
O Radar Agtech América Latina e Caribe trouxe uma inovação metodológica em relação às edições do Radar Agtech Brasil. Além de classificar as agtechs em relação à atuação antes, dentro ou fora da porteira e de identificar o tipo de solução tecnológica, nesta edição as startups foram mapeadas quanto às cadeias produtivas em que atuam. No questionário era possível indicar até três cadeias.
A maior parte das agtechs, 1.480, atuam em múltiplas cadeias produtivas. Os cultivos agrícolas são o alvo de 751 empresas, e a pecuária de corte, de 136. Horticultura e fruticultura são as cadeias de produção de 88 agtechs, enquanto a silvicultura corresponde a de 84.
“A diversidade das cadeias presentes reforça o caráter heterogêneo da agricultura e da pecuária regionais e evidencia a capacidade das startups de desenvolver soluções adaptadas às especificidades produtivas locais”, analisa Aurélio Favarin.
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