
A agropecuária deve crescer 2,8% em 2026, segundo projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda divulgada no Boletim MacroFiscal de setembro. A estimativa representa uma revisão para cima em relação à previsão anterior, de 1,8%. A elevação ocorre em meio à redução das projeções para os serviços e a indústria, que levaram a Fazenda a revisar de 2,3% para 2% a expectativa de crescimento do PIB brasileiro neste ano.
Apesar da revisão positiva para o resultado anual, a agropecuária deve perder ritmo no segundo semestre. Para o terceiro trimestre, a SPE projeta crescimento de 3,7% na comparação com o mesmo período de 2025, ante 6,8% no segundo trimestre. Na comparação com o trimestre anterior, com ajuste sazonal, a previsão é de recuo de 0,7%.
Segundo a Fazenda, a desaceleração está relacionada principalmente ao encerramento da colheita da soja e à dissipação do efeito da safra de 2025 sobre a base de comparação. A moderação também considera a retração no abate de bovinos, a queda das lavouras de algodão e trigo e a desaceleração da produção de café e cacau.
Desempenho no segundo semestre
A projeção da Fazenda indica que o resultado da agropecuária em 2026 ficará apoiado no desempenho do primeiro semestre, período em que a participação do setor no produto é mais elevada. Para o quarto trimestre, a atividade agrícola deve contribuir negativamente para o crescimento na comparação interanual.
No cenário geral da economia, a revisão para cima da agropecuária compensa apenas parcialmente as reduções nas estimativas para os demais setores. A projeção de crescimento dos serviços passou de 2,4% para 1,8%, enquanto a da indústria caiu de 2,1% para 1,7%. Com isso, a previsão para o PIB brasileiro em 2026 passou de 2,3% para 2%.


