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Plano Safra será lançado nesta terça em meio a juros altos e preocupação com acesso ao crédito

Setor cobra mais recursos e juros menores no Plano Safra 2026/27

Plano Safra será lançado nesta terça em meio a juros altos e preocupação com acesso ao crédito

Clarisse Sousa – O anúncio do Plano Safra 2026/27 ocorre em Brasília nesta terça-feira (30), em meio a um momento desafiador para o agronegócio brasileiro. Os juros elevados e o aumento do endividamento rural, uma das principais preocupações do setor, devem dificultar o acesso ao crédito.

As projeções do mercado apontam para um Plano Safra entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, considerando os recursos destinados à agricultura empresarial e familiar. No ciclo anterior, apenas a agricultura empresarial contou com R$ 516,2 bilhões. A expectativa é de um aumento próximo a 10% no volume total de recursos disponibilizados.

Embora haja expectativa de ampliação dos recursos para financiamentos, a principal preocupação do setor não está apenas no montante anunciado pelo governo, mas na capacidade efetiva de esses recursos chegarem ao produtor em um ambiente de maior cautela por parte das instituições financeiras.

“O Plano Safra é um instrumento fundamental para o agronegócio, mas a necessidade de recursos do setor é muito superior ao que tradicionalmente é disponibilizado. O agro brasileiro demanda algo entre R$ 1,2 trilhão e R$ 1,3 trilhão por ano para financiar suas operações”, avalia Wolney Arruda, CEO da Plantae Agrocrédito.

O executivo explica que o estoque de dívidas do setor se aproxima de R$ 800 bilhões, cenário que tem levado bancos e agentes financeiros a reforçar critérios de análise, garantias e capacidade de pagamento. Essas medidas têm dificultado o acesso ao crédito por parte dos produtores rurais, muitos deles já endividados.

“O produtor vive um paradoxo. Ele precisa de crédito para manter a atividade e financiar a próxima safra, mas muitas vezes já carrega obrigações relevantes contratadas em ciclos anteriores. Ao mesmo tempo, as instituições financeiras precisam encontrar mecanismos para financiar o novo ciclo sem ignorar esse passivo”, explica.

Taxa de juros

No ciclo atual (2025/26), as taxas para a agricultura empresarial chegam a 14% ao ano. Com a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano, o custo da equalização dos financiamentos é pressionado, o que dificulta a redução das taxas ao produtor.

Ainda assim, o setor espera uma redução nas taxas do novo Plano Safra. Segundo negociações prévias divulgadas pelo Ministério da Agricultura, os juros podem variar entre 6% e 11% ao ano, dependendo da linha de crédito e do perfil do produtor. Também há expectativa de manutenção de juros em um dígito para operações de custeio e de redução média de até dois pontos percentuais nas linhas voltadas à agricultura empresarial.

Mesmo com a perspectiva de cortes graduais na Selic ao longo do segundo semestre, o custo do financiamento continua pressionando as decisões de investimento dentro das propriedades.

“A principal palavra neste momento é disciplina. O crédito precisa estar conectado à capacidade de geração de receita da fazenda. O produtor precisa olhar para fluxo de caixa, custo de produção e capacidade de pagamento antes de assumir novas obrigações”, aconselha Arruda.

Outro tema considerado prioritário por entidades do setor é a ampliação dos recursos destinados à equalização dos juros. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende que o governo reserve R$ 27 bilhões, praticamente o dobro do orçamento atual, estimado em cerca de R$ 13,5 bilhões. O objetivo é garantir taxas mais competitivas e evitar novas suspensões temporárias das linhas equalizadas, como ocorreu neste ano.

Moderfrota

Representantes da indústria e produtores rurais também defendem a ampliação dos recursos destinados ao Moderfrota, programa estratégico para a modernização do parque de máquinas agrícolas. Nos últimos anos, as contratações do Moderfrota vêm desacelerando em função dos juros elevados e da redução da capacidade de investimento dos produtores.

Entre os principais pleitos do setor estão a redução das taxas de juros, maior previsibilidade na liberação dos recursos ao longo da safra e o reforço da equalização pelo governo, medida considerada essencial para garantir a competitividade das linhas de financiamento e estimular a renovação da frota agrícola.

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