
Clarisse Sousa, de Ribeirão Preto (SP) – As vendas de máquinas e equipamentos agrícolas registraram queda de 16,4% no primeiro trimestre de 2026, acompanhando o desempenho mais fraco da indústria, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta quarta-feira (29), em coletiva de imprensa realizada na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
Em março, a receita líquida total do setor somou R$ 4,8 bilhões, uma queda de 15,5% em relação ao mesmo mês de 2025. No mercado doméstico, o recuo foi ainda mais intenso, de 21,8%.
No recorte de tratores e colheitadeiras, os dados mostram avanço em março na comparação com fevereiro. No caso dos tratores, foram vendidas 3.830 unidades ao usuário final, alta de 3,9%, e 4.010 unidades na venda de fábrica, cerca de 20% de aumento. Apesar da reação no mês, o acumulado do ano segue negativo, com queda de 8,6% nas vendas ao usuário final e de 16,3% na saída de fábrica.
Entre as colheitadeiras, foram comercializadas 217 unidades ao usuário final, alta de 3,3% frente a fevereiro. Na comparação anual, porém, o segmento recua 36,2%, com queda mais acentuada na indústria: as vendas de fábrica caíram 50,8% e acumulam baixa de 42,7% no ano.
Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, afirmou que a retração observada no início do ano ocorre após um período de crescimento. Em 2025, o setor fechou com alta de cerca de 7%, resultado influenciado principalmente pelo desempenho do primeiro semestre.
Segundo o executivo, o cenário atual é impactado por fatores como a valorização do real frente ao dólar, que reduz a rentabilidade do produtor, além das taxas de juros elevadas. “Quando diminui a rentabilidade, o produtor reduz os investimentos”, disse.
O impacto é mais evidente em culturas como soja e milho, que concentram grande parte da demanda por máquinas maiores, como as colheitadeiras, que tiveram uma queda expressiva.
Bastos destacou ainda que, entre 2020 e 2023, houve expansão da área plantada, o que impulsionou investimentos em máquinas. Agora, o cenário é de ajuste. “Abriu a chamada ‘boca de jacaré’: os juros subiram, a rentabilidade caiu e parte dos produtores enfrenta dificuldade para pagar as contas”, sinalizou.
Ele também lembrou que a inadimplência do produtor rural no Brasil está acima do nível considerado normal, de cerca de 1%, o que tem levado bancos a adotarem critérios mais rigorosos na concessão de crédito. Segundo dados da Serasa Experian, a inadimplência do produtor atingiu 8,3% no terceiro trimestre de 2025.
Sobre a Agrishow 2026, Bastos afirmou que “a feira está dentro da expectativa de público”. Em relação aos negócios, os dados ainda não foram consolidados, mas ele destacou o esforço comercial das empresas. “Há muitas promoções e ações de vendas, o que concentra uma parte importante dos negócios durante a feira.”
Mais do mesmo
Sobre o Plano Safra 2026/2027, a avaliação da Abimaq é de que o programa deve ser parecido com o plano do ciclo anterior. Segundo Bastos, o volume de recursos para investimento pode ter leve aumento em relação ao ano passado, quando foram destinados cerca de R$ 70 bilhões.
“Não devemos ter novidades. A tendência é de algo parecido com o que já foi apresentado, possivelmente com um pouco mais de recurso”, afirmou.
O governo mantém diálogo com o setor produtivo e entidades como a Abimaq para avaliar as demandas do mercado. Entre os pontos defendidos pela indústria está a ampliação do volume de recursos do Moderfrota, principal linha de financiamento para máquinas agrícolas.
“Historicamente, defendemos que haja volume de recursos. Não adianta ter taxa mais baixa com pouco recurso disponível. É importante que não falte crédito”, disse Pedro Estevão Bastos.
Para 2026, a Abimaq projeta queda de cerca de 8% nas vendas, com viés de baixa. A revisão desse cenário deve ocorrer após a definição do Plano Safra, que pode impactar o desempenho do segundo semestre.
Exportações avançam
No comércio exterior, as exportações de máquinas agrícolas registraram crescimento. Em março, houve alta de 40,1% na comparação anual, somando US$ 183,4 milhões. No acumulado do trimestre, o avanço foi de 20,6%.
Já as importações apresentaram queda de 5,3% nos três primeiros meses do ano, na comparação com igual período de 2025.
ASSINE MÁQUINAS E INOVAÇÕES AGRÍCOLAS – A PARTIR DE R$ 6,90
➜ Siga a Máquinas & Inovações Agrícolas no Instagram e no Linkedin!






