Venda de máquinas cai 15,6% em janeiro e Abimaq já prevê retração em 2026

Apesar da safra robusta, valorização cambial reduz rentabilidade do produtor e leva setor a rever expectativa para 2026

IBGE prevê queda de 3% para a safra 2026, totalizando 335,7 milhões de toneladas

Clarisse Sousa – O início do ano foi mais fraco para a indústria de máquinas e equipamentos agrícolas, com retração na receita e queda nas vendas de tratores e colheitadeiras em janeiro, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abima) nesta terça-feira (3). Ao mesmo tempo, os números acumulados em 12 meses mostram desempenho positivo em parte dos indicadores, especialmente nas exportações e no nível de emprego.

De acordo com os dados apresentados, a receita líquida do setor somou R$ 3,6 bilhões em janeiro, uma queda de 13,8% em relação a dezembro e de 15,6% frente ao mesmo mês de 2025. No mercado interno, o faturamento foi de R$ 3 bilhões, com retração de 10% na comparação mensal e de 18,2% na interanual. Apesar do recuo no início do ano, o acumulado em 12 meses é positivo: alta de 4,9% na receita total e de 3,8% nas vendas internas.

A Abimaq também apresentou os dados de exportações, que atingiram US$ 117,6 milhões em janeiro, queda de 26,4% frente a dezembro, mas avanço de 14,7% na comparação com janeiro do ano passado. No acumulado de 12 meses, o crescimento é de 15,2%.

As importações somaram US$ 69,8 milhões, com retração de 21% em relação ao mês anterior e de 18,3% na comparação anual.

Setor revê expectativa para 2026

Segundo Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, o setor iniciou 2026 com desempenho abaixo do esperado. “Começamos o ano com um resultado bem ruim: queda de 15,6%”, afirmou.

Ele destacou que 2025 foi marcado por dois momentos distintos. “Fechamos o ano passado com alta de 7,4%, mas tivemos um primeiro semestre muito bom, com crescimento que chegou perto de 20%. Já o segundo semestre foi bastante fraco. A partir de agosto começou uma retração nas vendas.”

Apesar da desaceleração, a entidade optou por não revisar imediatamente as projeções. “Não fazia sentido rever a previsão sem entender primeiro o comportamento da safra. E a safra vem muito bem.”

Segundo Bastos, a colheita da soja já se aproxima de 70%, com produtividade superior à do ano passado tanto para soja quanto para milho. “É uma safra muito boa, com produto no campo. Esse é o nosso principal mercado.”

Ainda assim, os números recentes frustraram as expectativas. “Dezembro fechou com queda de 7,5%, janeiro com retração de 15,6% e, embora fevereiro ainda não tenha sido divulgado oficialmente, pelas conversas com as empresas o desempenho foi semelhante ao de janeiro.”

Diante desse cenário, a expectativa anterior de estabilidade foi revista. “Falávamos em crescimento próximo de 3%. Mas houve uma mudança importante a partir de agosto: o câmbio.” Segundo ele, a valorização do real reduziu a rentabilidade do produtor. “O câmbio caiu cerca de 13% e agora já chega perto de 15%. Como nossos principais produtos são commodities negociadas em dólar, quando o dólar se desvaloriza o produtor recebe menos. Isso impacta diretamente a decisão de investir em máquinas.”

A avaliação preliminar é de retração no mercado em 2026. “Ainda é cedo para falar em número fechado, mas algo em torno de 5% de queda parece razoável neste momento.”

Bastos ponderou que o ambiente internacional adiciona novas incertezas. “A possível escalada de conflitos internacionais pode impactar o câmbio e elevar custos, especialmente de fertilizantes e outros insumos. Se for uma Guerra [Estados Unidos, Israel e Irã] de curta duração, o efeito pode ser neutro. Mas, se for prolongada, pode alterar novamente o cenário.”

Ou seja, por ora, a projeção da Abimaq é de que 2026 registre vendas inferiores às de 2025, com os números sendo reavaliados conforme o comportamento do mercado ao longo dos próximos meses.

Abimaq passa a divulgar vendas de fábrica e ao usuário final

Pela primeira vez, a Abimaq detalhou os números de vendas de fábrica e de vendas ao usuário final para tratores e colheitadeiras.

No segmento de tratores, as vendas de fábrica totalizaram 1.897 unidades em janeiro, queda de 40,1% frente a dezembro e de 37,4% na comparação com janeiro de 2025. Já as vendas ao usuário final somaram 2.778 unidades, com retração de 15,2% em relação a dezembro e de 11,2% na comparação interanual.

As exportações de tratores alcançaram 217 unidades em janeiro, recuo de 43,6% frente a dezembro e estabilidade na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Colheitadeiras

No segmento de colheitadeiras, as vendas de fábrica somaram 171 unidades em janeiro, queda de 66% na comparação mensal e de 34,2% frente a janeiro de 2025. As vendas ao usuário final totalizaram 334 unidades, com retração de 6,7% ante dezembro e de 36,4% na comparação anual.

As exportações chegaram a 32 unidades em janeiro, queda de 25,6% frente ao mês anterior e avanço de 6,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O detalhamento dos dados reforça o início de ano mais fraco para a indústria, que agora trabalha com a perspectiva de retração nas vendas em 2026, em um cenário ainda marcado por pressão cambial e incertezas no ambiente internacional.

 
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