Linhas especiais de financiamento do Plano Safra 2021/22 já poderão refletir o movimento de alta da taxa de juros
“O novo ciclo de aumento da Selic está encarecendo o crédito rural nas instituições financeiras, dificultando sua contratação pelos produtores, podendo reduzir os investimentos no campo”, alerta Fábio de Salles Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). A preocupação é que o Plano Safra 2021/22, cujo anúncio deverá ser feito na próximo semana pelo Governo Federal, já possa refletir o movimento de juros mais elevados nas distintas linhas de financiamento.
Além disso, as dificuldades orçamentárias da União deverão limitar a disponibilidade de recursos para as linhas especiais de crédito, fazendo com que muitos produtores tenham de procurar diretamente o mercado financeiro para contratar empréstimos, a juros de mercado. “Assim, a Selic mais elevada causa problemas para o setor”, avalia Meirelles.
O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa básica em 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira (16). Com isso, a Selic passou de 3,50% para 4,25% ao ano. Para agosto, é esperada uma nova alta, talvez nos mesmos patamares, chegando a 5%.
Esse movimento de alta é uma tendência que se verifica desde março deste ano, quando se iniciou um ciclo de aperto monetário na economia, elevando a Selic de 2% em janeiro, para 2,75% em março, até 3,5% e agora 4,25%. Até o final de 2021, a expectativa do Boletim Focus do Banco Central é de 6,25% ao ano.
“Como se sabe, a razão da elevação dos juros é a preocupação com o comportamento da inflação no País, que, nos últimos 12 meses, acumula alta de 8,06%, bem acima da meta de 3,75% estipulada pelo Banco Central”, comenta Meirelles. Na última prévia do IPCA divulgada pelo IBGE, em maio, o índice registrou alta de 0,83%, puxado pelas altas nos preços da energia elétrica (reajustes tarifários e a pressão adicional provocada pela crise hídrica) e dos combustíveis. Foi a maior taxa para o mês desde 1996. No ano, de janeiro a maio de 2021, o IPCA acumula alta de 3,22%.


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