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Notícias

Cooperativas do sul buscam conhecimento sobre trigo do Cerrado

Por Daniel Santos 13/08/2019
Escrito por Daniel Santos

Com uma produtividade de seis mil quilos por hectare, enquanto a média nacional é de 2,8 mil, o trigo do Cerrado chama atenção de técnicos e agrônomos do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, estados que tradicionalmente cultivam o grão no País. Inapto para a produção do grão há algumas décadas, o bioma hoje também se destaca pela qualidade do produto que oferece à indústria de panificação.

O aumento expressivo da produtividade, que passou de 2,5 mil quilos por hectare em 1970 para 6 mil quilos em 2016, com a adoção das cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados (DF), centro de pesquisa que possibilitou a implantação das lavouras na região, foi um dos pontos apresentados pelo pesquisador Julio Albrecht aos 24 representantes da região Sul ligados à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

“O Cerrado tem recorde de produtividade no Brasi e hoje é a terceira maior região produtora do Brasil, com cerca de 450 mil toneladas em 2017. E ainda temos os trigos de melhor qualidade para panificação do País, em função da genética que conseguimos e também das condições climáticas daqui”, garante o pesquisador.

Albrecht explica que esse resultado é fruto do trabalho de melhoramento genético, iniciado na década de 1970, a partir de variedades trazidas do sul do Brasil e do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (Cimmyt), do México, aliado ao clima diferenciado da região. Isso porque a colheita do grão em período de seca garante a qualidade industrial da produção, o que não ocorre nos estados do Sul.

O desafio da pesquisa foi justamente esse – desenvolver cultivares adaptadas à região do Cerrado. Além desse objetivo, os pesquisadores conseguiram ainda agregar às variedades uma força de glúten que as transformaram nas preferidas pela indústria de panificação. O pesquisador apresentou os diferenciais de algumas cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados, como a BRS 264, mais plantada na região, indicada para lavouras de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, onde alcança produtividades de oito mil quilos por hectare, respectivamente. Ela é de ciclo super precoce, com desenvolvimento em 105 dias, e recomendada para plantio no sistema de produção integrado.

Outro ponto abordado por Albrecth foi a ausência de toxinas na farinha de trigo produzida no Cerrado do Brasil Central, porque nessa região não ocorre uma doença causada por fungo, chamada giberela, responsável por essa toxina. E mais uma vez o trigo produzido no Cerrado leva vantagem: “Nós somos livres dessa toxina. A nossa farinha é produzida dentro dos níveis internacionais, com quase zero da toxina produzida por esse fungo. Essa é outra grande vantagem no Cerrado do Brasil Central, produzir um trigo sem essas toxinas que são prejudiciais à saúde em determinados níveis”.

Sistemas integrados como opção
Aos integrantes da OCB o pesquisador Lourival Vilela abordou o uso de sistemas integrados, especialmente de lavoura e pecuária, como tecnologia capaz de aumentar a produtividade das áreas agrícolas. Ele falou da necessidade de os produtores rurais cuidarem dos pastos e realizarem os manejos adequados para garantir a sustentabilidade dos sistemas.

Vilela mostrou resultados de diferentes experimentos realizados no Centro-Oeste, com ênfase nos resultados obtidos em termos de produtividade. Em uma das propriedades onde foi implantado o sistema lavoura-pecuária, foram alcançadas as seguintes rentabilidades por hectare: soja – R$ 1.902,56; milho de verão – R$ 2.411,17; feijão – R$ 1.015,46; milho e gado – R$ 4.415,17; soja e gado – R$ 3.605,56.

Além de maior lucro, o pesquisador apresentou outras vantagens obtidas pelos sistemas integrados, como a intensificação do uso de mão de obra e maquinário. “A lavoura de soja ocupa apenas 42% do tempo das máquinas da propriedade. Já com o ILPF, os empregados e as máquinas ficam ocupadas 92% do tempo, praticamente o ano inteiro”, ressalta. Além disso, há uma melhoria já comprovada da qualidade química, física e biológica do solo com a implantação de pastagem nas lavouras.

A opção se mostrou interessante para os cooperados. “Conhecemos um pouco da tecnologia que é utilizada aqui para ver o que conseguimos extrair e levar para a nossa região, principalmente na questão relacionada ao manejo. Da própria palestra do Vilela, achei muito interessante o manejo da integração pecuária e agricultura. É isso o que temos que buscar, essa adaptação da realidade do Cerrado para a nossa realidade climática, os manejos diferenciados e a adaptação para o nosso nicho de mercado”, explica Leonardo Mafinni, gerente regional sul da Coperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), de Ibirubá (RS).

Jeferson Muhl, da Cooperativa dos Agricultores de Chapada (Coagril), também no Rio Grande do Sul, ressaltou a importância de buscar novos conhecimentos para melhorar seus trabalhos. “Nós viemos para conhecer uma outra realidade diferente da nossa. O conhecimento é muito importante e vimos muitas coisas proveitosas para usarmos lá”, afirma.

As palestras dos pesquisadores da Embrapa fazem parte da Capacitação na Cadeia Produtiva de Cereais de Inverno, organizada pelo Sistema OCB. A programação dos dias 6 e 7 de agosto incluiu ainda visitas técnicas a duas cooperativas, Cooperativa Agropecuária do Distrito Federal (Coopa-DF) e Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cocari), em Cristalina (GO), para conhecer as lavouras, o moinho e o trabalho dessas instituições.

Fonte: Embrapa Cerrados

13/08/2019 0 Comentários
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Notícias

Brasil exportou 3,2 mi de sacas de café em julho

Por Daniel Santos 13/08/2019
Escrito por Daniel Santos

O Brasil exportou o maior volume de café para o mês de julho nos últimos cinco anos. No mês passado, o país embarcou embarcou 3,2 milhões de sacas, um crescimento de 28,2% em comparação com o mesmo mês em 2018, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira (9/8) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

O faturamento aumentou 5,1% na mesma comparação, totalizando US$ 378,2 milhões. Um desempenho determinado pelo maior volume embarcado, já que o preço médio registrado em julho, de US$ 119,7 a saca de 60 quilos, foi 18% inferior ao do mesmo mês em 2018.

“Mais uma vez, os negócios do café brasileiro com o exterior se mostram
consolidados, graças à eficiência e forte compromisso com a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva e comercial do Brasil”, afirma o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes, no comunicado divulgado pela entidade.

De janeiro a julho deste ano, os embarques totalizaram 23,5 milhões de sacas, 37,6% em comparação com o mesmo intervalo em 2018. O faturamento foi 11% superior na mesma comparação, com os exportadores contabilizando US$ 2,9 bilhões. No intervalo de 12 meses encerrado em julho, foram 42,1 milhões de sacas de café brasileiro para o mercado internacional, volume recorde para o período.

De janeiro a julho, os principais destinos do café brasileiro foram os Estados Unidos, que importaram 4,4 milhões de sacas de café (18,7% do total embarcado no período); Alemanha, com 3,9 milhões de sacas importadas (16,7% da participação total no período) e Itália, com 2,1 milhões de sacas (9%).

Depois aparecem Japão, com 1,7 milhão de sacas (7,3%); Bélgica, com 1,5 milhão de sacas (6,5%); Turquia, com 719,9 mil sacas (3,1%); Reino Unido, com 621,6 mil sacas (2,6%); Federação Russa, com 603,6 mil sacas (2,6%); Canadá, com 514 mil sacas (2,2%); e Espanha, com 500,3 mil sacas (2,1%).

“Quase todos os principais países consumidores de café brasileiro registraram, no ano civil, aumento na importação do produto, comparando com o mesmo período do ano passado. Os destinos que registraram maior crescimento no consumo de café brasileiro foram a Espanha (crescimento de 51,5%); Bélgica (crescimento de 50,8%); EUA (49,6%); e Alemanha (45,9%)”, diz o relatório do Cecafé.

Fonte: Globo Rural

 

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Notícias

FPT Industrial bate marca de 500 mil motores produzidos na América do Sul

Por Daniel Santos 13/08/2019
Escrito por Daniel Santos

A FPT Industrial, marca de motores, eixos, transmissões e geradores de energia da CNH Industrial superou os 500 mil motores fabricados na América do Sul. A marca histórica foi alcançada graças ao empenho das fábricas de Córdoba, na Argentina, e Sete Lagoas, em Minas Gerais, que produziram nos últimos dez anos 508.511 motores, para os segmentos de veículos comerciais, agricultura, construção, geração de energia e marítimo.

Somente em 2018 deixaram a linha de produção 25.008 unidades na planta brasileira e 17.036 na planta argentina. O Brasil é responsável pela fabricação das famílias F1, NEF e S8000, ao passo que o país vizinho fica a cargo dos motores NEF e Cursor.

Um a cada quatro tratores vendidos no Brasil é movido por motores da FPT Industrial, o que demonstra a força da marca, líder em motores movidos a gás natural com mais de 40 mil unidades comercializadas no mundo e preparada para atender os diversos requisitos dos mercados latino americanos. Os motores da FPT Industrial são exportados e comercializados para diversos países do continente, como Chile, Cuba, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai, além do México, na América Central.

Desde 2015 a FPT Industrial realiza investimentos significativos no desenvolvimento da tecnologia e preparação das unidades para a produção dos motores MAR-I/Tier 3. Os investimentos em otimização e melhorias dos processos levaram as fábricas de Sete Lagoas e Córdoba a obter, em 2016 e 2018, as certificações do World Class Manufacturing (WCM), sistema da CNH Industrial estruturado na melhoria contínua, projetado para eliminar desperdícios e perdas do processo de produção.

No ano passado a FPT Industrial lançou a linha de geradores de energia, solução completa que atende a uma ampla gama de aplicações, nas configurações Aberto e Cabinado. Ainda em 2018, a marca iniciou a produção do motor F1A com calibrações específicas de potência e transmissão para o IVECO Daily City, obtendo ganho em desempenho e menor consumo de combustível.

Para os próximos anos, os planos da FPT Industrial são de expansão na América do Sul, por meio da ampliação da participação em diferentes segmentos e o desenvolvimento da Rede de Distribuidores. “A FPT Industrial segue em seu processo de crescimento de forma estruturada, com investimento contínuo em tecnologia e inovação de motores, além da ampliação das ações de marketing promocional e relacionamento com clientes”, afirma o presidente da FPT Industrial para América do Sul, Marco Rangel.

 

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Notícias

Massey Ferguson conclui ciclo de apoio ao Lavoura de Resultados, da Emater/RS

Por Daniel Santos 13/08/2019
Escrito por Daniel Santos

A Massey Ferguson, por meio de sua rede de concessionários, acaba de concluir mais um ciclo de apoio ao projeto “Lavoura de Resultados”, da Emater/RS (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural no Rio Grande do Sul), criado para estimular a adoção de estratégias que qualifica as atividades de pequenos produtores de soja.

Com atuação da Massey Ferguson e em parceria com empresas, autarquias e prefeituras municipais, ao longo do ano-safra 2018/2019 foram realizados vários “Dias de Campo” em diferentes regiões agrícolas do estado, como Bagé, Caxias do Sul, Ijuí e Porto Alegre, levando informação para mais de 680 agricultores.

Nesses encontros, o público pôde conhecer um pouco mais sobre manejo para melhorar a qualidade do solo e Manejo Integrado de Pragas (MIP), e avaliação de perdas na colheita. Os participantes tiveram acesso a engenheiros agrônomos, técnicos e pesquisadores para entender melhor como usar as novas tecnologias e, principalmente, como reduzir o número de aplicações de defensivos agrícolas, utilizando-os de forma consciente, sem agressão à natureza e sem perda de produtividade. 

Para estimular o uso dessas técnicas, a Emater/RS designou 52 propriedades para a instalação das URTs (Unidades de Referência Tecnológica), com suporte da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e instituições superiores de ensino. Desde sua criação, a iniciativa já conseguiu reduzir, de modo geral, em até 50% a utilização de defensivos agrícolas nas lavouras, se comparadas com propriedades que não tiveram acompanhamento. Nos municípios gaúchos de Venâncio Aires e Soledade, esse percentual foi ultrapassado: as aplicações nas áreas monitoradas, em comparação com as não monitoradas, registraram queda entre 50% e 60% nas de inseticidas e de 25% a 35% nas de fungicidas, conforme dados da Emater.

Um trabalho de conclusão de curso de Dalvo Roberto Arcari, estudante do curso de Agronomia do Instituto de Desenvolvimento Educacional de Passo Fundo, da Faculdade IDEAU, intitulado “Manejo Integrado de Pragas: Um Estudo de Caso na Cultura da Soja, no município de Mormaço (RS), também apontou uma redução do número de aplicações de inseticidas para controle de lagarta de 96% e de 50% para o controle de percevejos, enquanto que a redução no custo dos inseticidas foi de 76,2%, na média, das cinco safras monitoradas, quando comparado com o manejo realizado pelos mesmos produtores rurais nas demais áreas de suas propriedades, bem como o dos demais agricultores.

Na conclusão de seu estudo, apresentado neste ano, Arcari destaca que a produtividade da soja não depende e não sofre interferência do Manejo Integrado de Pragas (MIP), visto que as áreas monitoradas produziram igual ou superior as médias de produtividade em Mormaço, sendo este tipo de manejo uma técnica benéfica, econômica e sustentável para a agricultura brasileira.

“Por meio da parceria com a Emater/RS, queremos reforçar nossos laços com os agricultores gaúchos e estimular boas práticas de gestão da lavoura, onde a integração dessas práticas com a tecnologia embarcada nos pulverizadores Massey Ferguson são fundamentais para gerar ganhos de produtividade com menor impacto ao meio ambiente”, afirma Vitor Kaminski, gerente de Marketing Tático da AGCO, empresa detentora da marca Massey Ferguson.

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Coluna

Agro usa tecnologia para driblar desafios logísticos e econômicos

Por Daniel Santos 13/08/2019
Escrito por Daniel Santos

Por Cintia Leitão de Souza *

Começaria a valer no último dia 20 de julho as novas regras para o cálculo do frete mínimo de transporte de cargas publicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Nessa nova edição da MP, a metodologia para o cálculo do frete mínimo deveria considerar 11 tipos de categorias de cargas. Deveriam ser considerados também o tipo de carga, os custos de deslocamento, os custos de carga e descarga, além de o número de eixos carregados. Haveria a aplicabilidade de multas para o descumprimento do pagamento dos pisos mínimos instituídos. Não obstante, ainda seria levada em consideração a distância percorrida pelo caminhoneiro. Digo seria porque, no dia 21, segunda-feira, dois dias depois da data prevista para as novas regras de cálculo entrarem em vigor, o governo voltou atrás e resolveu suspender as mudanças.  Essa atitude, de lançar uma nova tabela com novas regras em um dia e 48 horas mais tarde anunciar o seu fim, é provavelmente o maior problema que o Brasil enfrenta para o seu crescimento. Não existe maior trava para o desenvolvimento do que a instabilidade e incerteza nas regras da economia.

Estabilidade: um bem necessário

Vamos pensar na Austrália, por exemplo.  O PIB australiano tem uma variação de 0.9% ao ano desde 1991. Você não irá encontrar a Austrália em nenhuma lista dos países que mais crescem no mundo, na verdade o seu PIB se mantém estável em 2,5% ano em média por mais de três décadas, mas é um dos países mais previsíveis do mundo para o empresário. Ele sabe exatamente quando e onde investir pois tem a confiança na estabilidade do país e certeza do seu crescimento, mesmo que modesto. Com isso podem fazer algo que para nós aqui do Brasil parece uma missão impossível: planejar o futuro. 

Para nós do agronegócio, sem planejamento, não existe safra. A comida que vai para a sua mesa hoje foi planejada com anos de antecedência. Um fazendeiro ou uma empresa do agro só pode investir em ações para melhorar a safra do próximo ano com uma avaliação que considere planejamento e estratégia, algo que envolve logística. Para planejamento de safras, existem tecnologias e soluções específicas que podem atender este empreendedor agro de forma específica, de acordo com seus objetivos e planejamento, incluindo a gestão de toda a logística que esse mercado necessita. Porém, para isso a visão de futuro se faz essencial.  

Logística no agronegócio x desafios do país

O Brasil ocupa a terceira posição de maior produtor mundial, liderando a produção dos principais cultivos como soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão. Toda essa complexa dinâmica de negócio e produção englobam uma cadeia que mais se adequa a um emaranhado de rotas ou de redes interligadas, de ponta a ponta, que passam por várias decisões logísticas. 

Porém, quando falamos sobre a infraestrutura logística no Brasil como um todo, na lista de transportes modais, as rodovias são as opções mais caras, só perdem para o transporte aéreo. Hidrovias e ferrovias deveriam — mas não são — os meios mais lógicos e econômicos para o transporte de carga, principalmente se estamos falando de produtos alimentícios. Falta, entretanto, investimento para a construção de uma infraestrutura compatível com o montante dos commodities que produzimos e exportamos. Ferrovias necessitam de grandes investimentos e demoram anos, muitas vezes décadas, para estarem prontas. 70% do que produzimos utilizam-se ainda de rodovias. E essa é a discussão que realmente interessa ao futuro do nosso país. Como criar, de forma consistente e planejada uma infraestrutura nacional que atenda as demandas das nossas commodities? 

Um estudo publicado pela Fundação Dom Cabral em 2018, apontou que 12,37% do faturamento bruto das empresas têm sido corroídos pelos custos logísticos.  Em outra pesquisa de 2015, dessa vez realizada por um pesquisador da ESALQ, estimou-se que o Brasil perde em média em uma safra, algo em torno de R$ 2 bilhões de reais em grãos de soja e milho. Esse dinheiro, literalmente, fica espalhado pelas estradas brasileiras, nunca chegando ao porto de destino. R$ 2 bilhões de reais todos os anos. o

Estratégia: tecnologia

Os números assustam, e com razão. Precisamos arregaçar as mangas e assumirmos a responsabilidade dos nossos papéis de líderes e profissionais de gestão no agronegócio. Considerando tantos empecilhos, desperdícios, distâncias e custos, a eficiência operacional faz parte da nossa lição de casa. É preciso investir em gestão e, com ela, em tecnologia. Apenas com controles e planejamento eficientes teremos diferenciais competitivos que nos permitam transitar com nossas mercadorias no país internamente e em todos os continentes alçando o agronegócio brasileiro a patamares ainda mais altos. A adoção de tecnologia não é mais uma opção, é mandatória.

Cintia Leitão de Souza é head de Agronegócio da Senior Sistemas *

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ManutençãoCuriosidade

Especial trator: conheça o sistema de alimentação de ar para o motor

Por redação 13/08/2019
Escrito por redação

Especial trator: conheça o sistema de alimentação de ar para o motor

Por Joel S. Alves* – No texto anterior desta série de artigos sobre “Especial Trator” abordamos a estrutura do motor de combustão interna, cujo funcionamento depende de uma série de componentes e sistemas. Agora, trataremos especificamente do sistema de alimentação de ar, pois, como vimos anteriormente, o motor necessita de três elementos para entrar em funcionamento: ar (oxigênio), combustível e calor.

Para que o elemento ar seja fornecido constantemente e em condições adequadas é necessário um sistema. Os componentes básicos deste sistema são: bocal de captação da tomada de ar, filtro de ar, coletor de admissão, mangueiras e tubos de conexões para passagem do ar.

O ar é aspirado para dentro do cilindro do motor pela sucção criada pelo movimento de descida do pistão no cilindro (tempo de admissão). Para atender às exigências de uma boa combustão necessita desses componentes básicos, incluindo a tomada externa de ar atmosférico, passando pelo filtro e o coletor que se encontra fixado na lateral do motor, junto ao cabeçote.

Acompanhe a sequência:

1 – Bocal de captação do ar:

em muitos tratores está situada em local alto e à frente do capô do motor, sendo de fácil visualização; em alguns modelos de máquinas situa-se acima da cabine. Junto ao bocal há um dispositivo de separação de partículas maiores de impurezas que o operador deve verificar diariamente. Em alguns modelos atuais este conjunto fica no compartimento do motor, sendo necessário abrir o capô para verificação e estar atento à luz de aviso no painel que indica uma obstrução do filtro.

2 – Filtro de ar:

pode ser do tipo filtro de ar lavável e com óleo descartável ou filtro de ar seco. O lavável encontra-se em desuso, mas há muitos modelos em funcionamento. O filtro seco é confeccionado em papel fibroso com porosidade controlada e deve ser descartado periodicamente conforme recomendações do fabricante.

Especial trator: conheça o sistema de alimentação de ar para o motor

Sistema típico de alimentação de ar: motor necessita de três elementos para entrar em funcionamento: ar, combustível e calor
3 – Tubos e mangueiras com dispositivos de fixação:

interligam os componetes que se encontram em pontos distantes entre si. Um bom operador deve observar as condições destes componentes, pois qualquer ruptura ou problema de conexão provoca entrada de ar adicional (identificado como “ar falso”), não filtrado, responsável por sérios danos aos cilindros e anéis do motor e até a perda de potência e de vida útil do motor. 

4 – Coletor de admissão:

é a peça fixada junto ao cabeçote para distribuir o ar para cada cilindro do motor. Possui uma conexão de entrada e tantas saídas quantos cilindros tiver o motor.

O sistema de alimentação de ar é de fundamental para o funcionamento correto do motor, pois se estiver parcialmente obstruído faltará ar para a combustão e a mistura ar-combustível ficará desequilibrada, no caso, rica em combustível, ocasionando carbonização junto aos anéis dos pistões e válvulas do motor. Isto significa perda de potência, aumento no consumo de combustível e da poluição atmosférica, com evidente perda de vida útil.

- Especial trator: conheça o sistema de alimentação de ar para o motor

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Alimentação de ar Turbo e Turbo-cooler – São recursos tecnológicos utilizados para colocar mais ar para dentro dos cilindros e, consequentemente, mais combustível e mais força. Ao longo dos 130 anos de existência dos motores de combustão interna, a tecnologia da turbina no sistema de alimentação foi o invento que mais trouxe acréscimo de rendimento aos motores –  até 25% de ganho real de potência.

Nos motores turbo o ar deixa de ser aspirado e passa a ser comprimido para dentro do cilindro, oferecendo assim quantidade maior de ar. Neste caso, são necessárias correções nos demais sistemas e componentes para haver um ganho real de potencia do motor.

Por exemplo: como é necessário mais combustível, devem ser realizadas correções no sistema de alimentação de combustível, na abertura de válvulas, em eixo de comando de válvulas, anéis, pistões e bielas (mais reforçadas), entre outras modificações, afinal são 25% a mais de força.

Especial trator: conheça o sistema de alimentação de ar para o motor

Em motores turbo o ar é comprimido para dentro do cilindro, oferecendo maior quantidade de ar 

E como funciona a turbina? De forma bastante simples. São dois rotores centrífugos fixados no mesmo eixo que trabalham em compartimentos isolados entre si. Em um compartimento encontra-se o rotor motriz impulsionador, acionado pelos gases de escapamento.

No outro compartimento fica o rotor compressor que aspira o ar atmosférico (que passa pelo filtro e demais componentes da alimentação de ar) e comprime para os cilindros do motor através do coletor de admissão.  Situada entre o coletor de escapamento e o de admissão, a turbina é fixada entre os dois.

A grande vantagem mecânica deste componente é que não consome força do motor e usa como fonte energética os gases quentes da combustão que seriam desperdiçados no escapamento, sendo assim, há um aproveitamento de energia térmica, contribuindo também para diminuir os índices de poluição dos motores de combustão.

Turbo-cooler

A turbina é componente bastante simples, mas exige cuidados de manutenção e operação que, se não observados, trazem sérios danos e custos financeiros elevados. O principal é entender que a turbina trabalha em rotação elevada: em torno de 40.000 RPM. Possui balanceamento preciso e lubrificação bastante crítica, não podendo receber resíduos abrasivos (terra, areia ou poeira pesada).

Do ponto de vista operacional deve ser evitado o tradicional pico e repico no acelerador para não comprometer o desgaste do eixo, bem como no início de funcionamento do motor não se deve levantar o giro imediatamente e, ao desliga-lo, deve-se aguardar algum tempo com o motor em baixa rotação para manter o sistema de lubrificação em condições plenas junto ao eixo da turbina.    

Também conhecido como “inter-cooler ou motor “inter-coolado”. Quando é instalado um componente para resfriar o ar que sai da turbina, o chamado cooler pós-resfriador, temos o motor turbo-cooler. O ar que sai da turbina aquece por dois motivos: proximidade dos gases quentes do escapamento e a própria compressão exercida pelo rotor.

O funcionamento do cooler é baseado no princípio de que o ar resfriado se torna mais denso e, assim, obtém-se mais ar, combustível, combustão e força no mesmo espaço do cilindro. Exemplificando de forma prática: no caso de um motor diesel de 140 cv aspirado este mesmo motor com turbo chega a 180 cv e turbo-cooler a 205 cv.

Há um ganho significativo. Por isso, atualmente todas as máquinas e tratores utilizam motores turbo ou turbo-cooler, motores de aspiração natural fazem parte do passado.

Especial trator: conheça o sistema de alimentação de ar para o motorNota-se que o cooler nada mais é que um radiador para resfriar o ar que circula na serpentina (colméia); é um radiador conhecido como ar/ar, normalmente instalado na frente do radiador tradicional do motor (sistema de arrefecimento). Sendo assim, também necessita de tubos e mangueiras de conexões para levar o ar da turbina e devolver para o coletor de admissão, ou seja, mais pontos para serem inspecionados pelo o operador e as equipes de manutenção, pois qualquer falha nestas tubulações acarreta significativa perda de potência.

Outras tecnologias estão sendo associadas aos turbos, como válvulas de controle de pressão, turbo de configuração variável, monitoramento eletrônico e por inter-face com os demais sistemas do motor e da máquina.   

Agora que discutimos um pouco mais sobre o sistema de alimentação de ar e o quanto ele é importante para o correto funcionamento do motor, assim como para o meio ambiente e a vida útil da máquina, estamos prontos para conhecer mais o sistema de alimentação de combustível, que completa a combustão do motor. Até a próxima!

*Joel S. Alves é instrutor nas áreas de Operação e Manutenção de Máquinas e Implementos Agrícolas e Rodoviários 

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Notícias

Raven do Brasil promove conferência sobre tecnologias de aplicação

Por Daniel Santos 07/08/2019
Escrito por Daniel Santos

Campinas será palco da Conferência de Tecnologia de Aplicação, realizada pela Raven do Brasil. O evento vai discutir os desafios e as soluções existentes no agronegócio. A conferência deve reunir produtores e parceiros da empresa de todo o País e ocorre nos dias 21 e 22 de agosto.

A programação conta com painéis e palestras sobre temas como qualidade de aplicação, gestão agrícola, agricultura 4.0 e conectividade no campo, controle total de plantio e na aplicação de fertilizantes, entre outros temas.

Veja abaixo a programação:

Dia 21 (quarta-feira) – MANHÃ

  • OS DESAFIOS FUTUROS DA TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO
    André Menezes, Gerente de Estratégia Dicamba na América do Sul e Líder da Plataforma INTACTA 2 XTEND® BAYER
    Caio Fortes, Gerente de P&D e Líder do laboratório de Tecnologia de Aplicação na BASF LATAM
  • PAINEL: A IMPORTÂNCIA NA QUALIDADE DE APLICAÇÃO PARA OTIMIZAR CUSTOS
    Clientes Raven do Brasil
    José Paulo Molin, Presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão AsBraAP
  • A APLICAÇÃO PULSADA E O CONTROLE TOTAL POR BICO
    Christian Gonzalez, Vice-presidente Case IH
    New Holland
  • CONTROLE TOTAL NO PLANTIO E NA APLICAÇÃO DE FERTILIZANTES
    Fabiano Ramos, Gerente Comercial FAGRO Soluções Agrícolas

Dia 21 – TARDE

  • MERCADO E TECNOLOGIA
    Luis Cláudio R. de França, Diretor de Inovação Ministério da Agricultura
  • O USO DA TECNOLOGIA NO PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES AGRÍCOLAS
    Warsis Slywitch, Diretor Técnico TECGRAF
  • CONECTIVIDADE E AGRICULTURA DIGITAL
    Raven do Brasil

  • AGRICULTURA DE PRECISÃO
    José Paulo Molin, Presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão AsBraAP
  • QUALIDADE NA APLICAÇÃO
    Edivan Todescatto, CEO Grupo Difere
  • PAINEL: AGRICULTURA 4.0
    Clientes Raven do Brasil
    Lucas Rios, Professor Doutor Faculdade de Engenharia Agrícola da UNICAMP
  • A IMPORTÂNCIA DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, SUPORTE E TREINAMENTO NA AGRICULTURA
    Raven do Brasil
    José Paulo Molin, Presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão AsBraAP

Dia 22 (quinta-feira) MANHÃ

  • VISITA SEDE RAVEN DO BRASIL AMÉRICA LATINA
  • VISITA CNH INDUSTRIAL PIRACICABA *Apenas para clientes

Serviço
Conferência de Tecnologia de Aplicação da Raven do Brasil
Data: 21 e 22 de agosto
Local: Royal Palm Tower Anhanguera
Campinas (SP)Informações: (19) 3305-5233

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Tecnologia

Valtra apresenta o trator BH224 HiTech para cultura de cana

Por Daniel Santos 02/08/2019
Escrito por Daniel Santos

A Valtra apresentou um dos novos tratores da marca, o BH224 HiTech. O lançamento complementa o portfólio da consagrada Linha BH HiTech Geração 4. Com 210 cv e 220 cv, e motor de 6 cilindos, as novas máquinas combinam mais potência e tecnologia, com a transmissão Powershift, e atende diferentes perfis de agricultores. 

“A Linha BH é reconhecida no mercado pela liderança no segmento, com alto rendimento na melhor relação peso/potência da categoria. Em 2018 lançamos a Linha HiTech, também da Geração 4 dessa família, com cinco opções de motorização. Agora, com o BH214 HiTech e BH224 HiTech, entregamos ainda mais potência ao agricultor combinada com a transmissão HiTech3 (HiTech “three”) PowerShift que proporciona troca automática dentro dos grupos, com 18 velocidades para frente e 18 para trás”, afirma Winston Quintas, supervisor de marketing de tratores da AGCO.

Outro destaque é o reversor eletro-hidráulico Power Shuttle, que permite que as direções de condução sejam alteradas usando uma alavanca, sem necessidade de acionamento da embreagem. Isso permite que a transição seja feita sempre de forma suave, rápida e com proteção, na qual somente abaixo de 2 km/h o sistema reverte o sentido da máquina.

- Valtra apresenta o trator BH224 HiTech para cultura de cana

A linha BH HiTech é composta pelos modelos BH144 HiTech (145 cv), BH154 HiTech (159 cv) e BH184 HiTech (180 cv), com motores de 4 cilindros, e pelos modelos BH174 HiTech (179 cv), BH194 HiTech (195 cv) – e agora o BH214 HiTech e o BH224 HiTech (224 cv) -, com motores de 6 cilindros.

Toda a linha conta ainda com os recursos Auto1 e Auto2, que permitem a troca de marchas de forma automática. O Auto1 faz a troca de acordo com a carga exercida durante a operação e o Auto2 efetua a troca de acordo com parâmetros de rotação do motor, pré-determinados pelo operador.  Desta forma, a operação da máquina fica mais segura, com maior desempenho.

 

 

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Tecnologia

Disco de plantio correto aumenta eficiência na semeadura de soja

Por Daniel Santos 02/08/2019
Escrito por Daniel Santos

Os sojicultores das principais regiões produtoras do Brasil já se preparam para o início do plantio do grão que ocorre geralmente a partir de setembro. Mas, não basta apenas colocar as máquinas em campo, é preciso primeiro realizar um bom planejamento. Para ter ao fim do ciclo uma safra farta e produtiva é fundamental ter um plantio eficiente.

Vários fatores podem comprometer a eficiência da semeadura de soja, e um ponto importante é a escolha dos discos de plantio. Atualmente existem vários modelos no mercado. Isso acontece devido à diversidade de formatos de sementes, em especial da oleaginosa. Além dessa assimetria, elas também apresentam altura diversificada a cada lote, o que requer uso de discos próprios para cada safra a fim de assegurar a máxima qualidade do plantio.

Quando o produtor recebe a semente na propriedade, inicia-se a escolha dos discos e anéis. O ideal é que ele separe um pequeno volume aleatório do lote adquirido e escolha um disco, dentre as opções por cultura, onde estas sementes fiquem alojadas da forma correta, sem ficarem presas ou permitirem o encaixe de duas delas no mesmo furo.

Para ajudar o produtor nessa seleção, a J.Assy, empresa especialista em soluções tecnológicas para o agronegócio, desenvolveu os Discos Apollo. A empresa oferece discos que conseguem plantar todas as variedades de sementes de soja do mercado. “Conseguimos atender todos os lotes de sementes de soja do mercado com apenas três discos, facilitando assim a escolha do agricultor e muitas vezes até diminuindo uma operação, pois a chance de ter que trocar o conjunto de disco e anel no meio do plantio é menor, o que resulta na redução da demanda de mão de obra”, diz Wellington Casati, coordenador de vendas.

Tecnologia patenteada
Recentemente a empresa disponibilizou os Discos Apollo nos modelos de 64 e 56 furos. A opção de 64 furos é indicada para a distribuição de 10 a 16 sementes por metro. Já o lançamento de 56 furos, apresentado este ano, é uma tecnologia exclusiva para o dosador Titanium. Ele garante melhor plantabilidade em uma faixa menor de sementes por metro, seu diferencial é que ele é carreira simples, o que aumenta a precisão de distribuição da semente no solo, pois ele irá sempre percorrer o mesmo caminho no condutor. “A escolha entre os dois discos é bem simples. Se o cliente tiver o dosador Titanium ele utilizará a opção de 56 furos, se ele tiver dosador convencional mecânico ele usará o modelo de 64 furos”, destaca o coordenador.

É importante destacar que os Discos Apollo são os únicos do mercado com a tecnologia patenteada RampFlow®, uma rampa com pequenas estrias em cada furação que ajuda a eliminar duplos e falhas e ainda diminui o atrito da semente e sua quebra dentro do dosador. “A tecnologia RampFlow® tem proporcionado em média, a redução de 60% de sementes duplas e falhas no plantio em relação a qualquer concorrente do mercado”, destaca o profissional.

Somado a isso, os Discos Apollo da J.Assy possuem outra tecnologia patenteada, a chamada de Coneflow®. Com o diâmetro de saída do disco, maior que o de entrada, a semente quando entra na furação do dosador sai muito mais fácil e não fica presa no disco. Isso vai melhorar a distribuição no solo e vai causar menos dano mecânico. “Com essa tecnologia a semente sai por gravidade, é um dano mecânico a menos que a semente vai sofrer para ser depositada no solo, melhorando sua germinação, qualidade e vigor no plantio”, destaca Casati.

A orientação do fabricante é que os Discos Apollo sejam utilizados em conjunto com os Anéis Apollo. Os produtos também acompanham originalmente os dosadores mecânicos Titanium da J. Assy. Também estão disponíveis avulsos, para reposição ou aplicação no dosador universal.

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ManutençãoCuriosidade

Especial trator: entenda os ciclos de operação dos motores de combustão

Por Daniel Santos 02/08/2019
Escrito por Daniel Santos

Por Joel S. Alves * – A seguir, vamos abordar os motores de combustão neste texto que compõe a Série de Princípios Básicos. O motor, estrategicamente posicionado à frente do trator, responde pela produção da força propulsora. Aqui, trataremos do motor de combustão interna, assim chamado porque a combustão ocorre dentro dos componentes do motor, como o próprio nome indica.

Curiosidade: há também motores de combustão externa, conhecidos como máquinas a vapor e que ainda podem ser encontrados em trens de turismo (“maria-fumaça”) utilizando lenha como combustível.

Basicamente, são dois os tipos de motores de combustão interna: os de ciclo Otto e os de ciclo Diesel, batizados em homenagem a seus idealizadores, respectivamente, Nikolaus Otto e Rudolf Diesel. A principal diferença entre eles é que a combustão no primeiro é provocada por faísca elétrica, enquanto no segundo é pelo calor produzido pela alta compressão do ar. A imensa maioria dos tratores agrícolas utiliza motores ciclo Diesel, principalmente no Brasil – há países com muitos tratores com ciclo Otto e combustível a gás (GNV ou outros).

A seguir, abordaremos os motores ciclo Diesel. São motores que utilizam como combustível um líquido oleoso e inflamável conhecido comercialmente com “óleo diesel”.

Antes, vamos recordar que, para que ocorra combustão, é fundamental a presença de três elementos básicos: oxigênio, calor e combustível. Os motores de combustão só entram em funcionamento quando esses três elementos são reunidos em uma sequência e dosagem correta.

Componentes e tempos

Todos os motores de combustão interna necessitam de componentes básicos para que aconteça a combustão e transformação energética em força mecânica. Quais componentes? Cilindro, pistão, biela, virabrequim, volante, bloco, cárter, cabeçote, válvulas, eixo de comando e dispositivo de acionamento das válvulas. São peças básicas dos motores ciclo Diesel para produzir a força mecânica rotativa aplicada aos demais conjuntos mecânicos.

Os cilindros ficam alojados dentro do bloco, onde acontece a combustão, na presença de ar atmosférico (oxigênio), combustível (diesel) e mais o calor. O movimento alternativo (vai-e-vem) dos pistões, dentro dos cilindros, é que possibilita a sequência correta desses elementos para ocorrer a combustão. A sequência ocorre em quatro etapas ou tempos do motor: admissão, compressão, combustão e escape. Cada cilindro do motor deve passar por essas etapas para transformar a energia térmica da combustão em força mecânica.

Especial trator: entenda os ciclos de operação dos motores de combustão

Os pistões deslocam-se dentro dos cilindros em movimento alternativo e não podem tocar na parede do cilindro, porém é necessário que haja vedação entre pistão e cilindro. O que permite a vedação dentro do cilindro são os anéis, peças circulares alojadas em sulcos nos pistões. Esses anéis também são responsáveis pela lubrificação dos cilindros e pela retirada do óleo, para que não passe para o outro lado do cilindro, onde ocorre a combustão.

Eis a sequência dos quatro tempos que cada cilindro executa para produzir a força:

Admissão:

O pistão desloca-se dentro do cilindro no sentido descendente. A válvula de admissão (na parte superior), acionada pelo eixo de comando, é aberta e libera a entrada de ar, que é aspirado para dentro do cilindro. Ao atingir a parte inferior do cilindro, a válvula é fechada e encerra-se o tempo. A biela, que liga o pistão ao virabrequim, executa um movimento circular de 180° (meia volta).

Compressão:

O pistão desloca-se no sentido ascendente. As válvulas permanecem fechadas. O ar admitido será fortemente comprimido contra a parte superior (cabeçote), gerando calor. Dependendo do projeto do motor, a temperatura pode chegar a 700°C, possibilitando um ar altamente aquecido. A biela e o virabrequim executam outra meia volta, perfazendo 360°.

Combustão:

Neste momento é injetado o combustível através do bico injetor e de um sistema externo. O combustível de alta pressão é pulverizado no ar comprimido e aquecido, entrando imediatamente em combustão e produzindo uma violenta força de expansão que arremessa o pistão para baixo. Assim, essa força é transformada em mecânica no conjunto do pistão, biela e virabrequim. Neste momento, mais meia volta foi executada.

Escape:

O pistão desloca-se novamente no sentido ascendente. A outra válvula (de escapamento) é aberta e os resíduos da combustão são eliminados para a atmosfera pelo coletor de escapamento. Meia volta foi novamente executada, totalizando duas voltas no virabrequim no ciclo completo. Esse ciclo repete-se constantemente, em todos os cilindros, enquanto o motor estiver funcionando.

Especial trator: entenda os ciclos de operação dos motores de combustãoSequência de quatro tempos do motor: admissão, compressão, combustão e escape. Cada cilindro deve passar por essas etapas para transformar a energia térmica da combustão em força mecânica

Todo o ciclo se repete em rotação elevada. Por exemplo, estando o motor a 1800 rpm (rotações por minuto) – rotação considerada normal para operação na maioria dos tratores agrícolas – é possível converter para rps (rotações por segundo), apenas divide-se 1800 por 60 (segundos de um minuto).

Teremos assim 30 rps, ou seja, em apenas 1 segundo houve 30 voltas no virabrequim, e consequentemente 15 ciclos por segundo; as válvulas abriram e fecharam 15 vezes em um segundo, também houve 15 combustões em um segundo. É rápido!? Mas ainda há operadores que querem mais e levantam o giro para 2000 ou mais rpm.

Transformação energética, componentes básicos, e ciclo de funcionamento. Eis o conhecimento inicial para compreender o funcionamento dos motores de combustão do trator. 

Joel S. Alves é instrutor nas áreas de Operação e Manutenção de Máquinas e Implementos Agrícolas e Rodoviários *

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