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Estudo identifica 130 municípios com elevado desenvolvimento agropecuário
Mercado

Estudo da ConectarAGRO revela que apenas 69% das lavouras de café no Brasil têm acesso à internet

Por Redação 11/09/2025
Escrito por Redação

Estudo da ConectarAGRO revela que apenas 69% das lavouras de café no Brasil têm acesso à internet

O café é um dos pilares do agronegócio brasileiro. O país é o maior produtor e exportador mundial, responsável por aproximadamente um terço da produção global, e deve colher em 2025 uma safra estimada em 55,7 milhões de sacas de 60 kg, de acordo com a Conab, um crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior. Diante desse cenário, a conectividade surge como um elemento estratégico para garantir que a cafeicultura nacional siga competitiva, sustentável e preparada para atender às crescentes exigências dos mercados consumidores.

A ConectarAGRO, associação que visa fomentar a expansão do acesso à internet, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), realizou um levantamento inédito sobre a presença da internet 4G e 5G nas lavouras brasileiras, cruzando dados de produção com cobertura digital. O estudo mostra que, dos 1,27 milhão de hectares cultivados com café no Brasil, 69% possuem acesso a redes móveis, um avanço expressivo, mas que também revela desigualdades marcantes entre estados e municípios.

Os dados apontam que Paraná (81,8%), Espírito Santo (79,5%) e São Paulo (76,3%) lideram em conectividade, estando mais bem posicionados para adotar tecnologias como agricultura de precisão, monitoramento remoto e ferramentas de rastreabilidade. O Espírito Santo, por exemplo, alia sua elevada cobertura digital à força da produção de conilon no norte do estado e de arábica nas montanhas, alcançando também a maior produtividade média entre os principais estados produtores (32,03 sc/ha).

Já São Paulo, berço histórico do café no país, mantém relevância por meio de regiões como a Mogiana e Alta Mogiana, onde a tecnologia e a conectividade têm impulsionado a qualidade dos grãos. O Paraná, apesar de ter perdido espaço em volume desde as geadas dos anos 1970, hoje se reinventa com cafés especiais, apoiados por um índice de conectividade exemplar.

Minas Gerais, maior produtor do país, ocupa posição intermediária: são 886 mil hectares de café, dos quais 67,8% estão conectados.

“O dado, que à primeira vista parece robusto, esconde os desafios do estado, cuja produção é marcada por topografia montanhosa, grande dispersão territorial e predominância de pequenas propriedades, o que dificulta a universalização da cobertura digital mesmo em regiões de forte tradição cafeeira, como Sul de Minas e Matas de Minas”, explica Paola Campiello, presidente da ConectarAGRO.

Em contrapartida, Bahia (40,7%) e Goiás (10,5%) registram os piores índices de conexão, cenário que dificulta a inserção plena de suas lavouras na chamada agricultura 4.0. A Bahia, embora apresente produtividade relativamente elevada (25,43 sc/ha), sofre com a distância entre áreas produtivas e centros urbanos, além da limitação estrutural da cobertura digital em regiões como o Oeste Baiano e a Chapada Diamantina. Goiás, com apenas 10,5% das lavouras conectadas, mostra a maior lacuna tecnológica, evidenciando a urgência de investimentos em infraestrutura.

Análise municipal

A análise em nível municipal reforça esse retrato de contrastes. Entre os dez municípios com maiores áreas de café plantada, todos localizados em Minas Gerais, há cenários distintos: Patrocínio, no Cerrado Mineiro, possui a maior área cultivada (44,5 mil ha) e registra 57,9% de conectividade, enquanto Monte Carmelo, também no Cerrado, alcança 81,9% de cobertura e produtividade média de 42 sc/ha. Já Serra do Salitre, com 16,7 mil ha, conecta apenas 23% de suas lavouras, resultado que ilustra como a ausência de infraestrutura digital pode limitar o potencial produtivo mesmo em regiões de alta aptidão agrícola.

O estudo mostra que a conectividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser condição essencial para o desenvolvimento da cafeicultura. A presença de internet no campo viabiliza desde o uso de sensores de monitoramento climático e sistemas de irrigação inteligentes até plataformas de rastreabilidade e certificações de origem, cada vez mais exigidas por mercados internacionais, como o europeu. Os estados e municípios mais conectados já colhem ganhos em eficiência, sustentabilidade e qualidade, enquanto regiões ainda desconectadas enfrentam riscos de estagnação tecnológica e perda de competitividade.

“A conectividade representa inclusão social, segurança alimentar e soberania tecnológica. Garantir acesso digital nas lavouras é assegurar que o café brasileiro continue sendo referência mundial em qualidade, inovação e sustentabilidade, em um mercado cada vez mais exigente”, conclui Campiello.

11/09/2025 0 Comentários
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Venda de máquinas cai 15,6% em janeiro e Abimaq já prevê retração em 2026
Mercado

Produção de grãos atinge novo recorde com 350,2 milhões de toneladas

Por Redação 11/09/2025
Escrito por Redação

Produção de grãos atinge novo recorde com 350,2 milhões de toneladas

A safra de grãos no ciclo 2024/25 se encerra estimada em 350,2 milhões de toneladas e estabelece um novo recorde na série histórica, superando o obtido na temporada 2022/23, quando foram colhidas 324,36 milhões de toneladas. Segundo o 12º Levantamento, divulgado nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume obtido no atual ciclo representa uma alta de 16,3% sobre a temporada anterior, o que corresponde a um incremento de 49,1 milhões de toneladas, sendo que milho, soja, arroz e algodão representam juntos cerca de 47 milhões de toneladas deste aumento.

De acordo com o boletim, esse crescimento verificado na atual safra em relação ao ciclo 2023/24 é atribuído à expansão de 1,9 milhão de hectares na área cultivada, saindo de 79,9 milhões de hectares na temporada passada para 81,7 milhões de hectares em 2024/25, bem como às condições climáticas favoráveis, sobretudo no Centro-Oeste, com destaque para o Mato Grosso, o que influenciou a recuperação na produtividade média nacional das lavouras em 13,7%, sendo estimada em 4.284 quilos por hectare no atual ciclo, enquanto que em 2023/24 foi de 3.769 kg/ha.

Principal produto cultivado, a soja registra produção recorde estimada em 171,5 milhões de toneladas, alta de 20,2 milhões de toneladas sobre a safra passada. O resultado histórico reflete o aumento da área semeada combinado com a melhora da produtividade média nacional das lavouras. Diante de condições climáticas mais favoráveis na maioria das regiões produtoras em relação a 2023/24, o desempenho médio nacional das lavouras no atual ciclo atingiu 3.621 kg/ha, o maior já registrado pela Companhia.

Na safra 2024/25, a maior produtividade foi em Goiás, com 4.183 kg/ha, e a menor no Rio Grande do Sul, com 2.342 kg/ha, onde as regiões produtoras passaram por altas temperaturas e irregularidades nas precipitações a partir de dezembro até o fim de fevereiro.

A Conab também aponta para uma produtividade recorde na média nacional nas lavouras de milho, considerando as 3 safras do grão, estimada em 6.391 quilos por hectare no atual ciclo. Com isso, é esperada uma produção total de 139,7 milhões de toneladas na safra 2024/25, aumento de 20,9% em relação a 2023/24 e a maior colheita do produto já registrada pela estatal.

Na primeira safra, a produção foi estimada em 24,9 milhões de toneladas, crescimento de 8,6% sobre a safra anterior. Na segunda safra, com 97% da área colhida e 3% em maturação, estima-se um crescimento de 24,4% na produção, prevista em 112 milhões de toneladas, e, para a terceira safra, com as lavouras em desenvolvimento, espera-se uma produção de 2,7 milhões de toneladas.

Também é esperado um recorde para o algodão, com a produção da pluma sendo estimada em 4,1 milhões de toneladas. O resultado representa uma alta de 9,7% sobre a safra anterior e é sustentado pelo aumento de 7,3% na área semeada e pelas condições climáticas favoráveis. No final de agosto, já estava colhida 72,8% da área e 27,2% encontrava-se em maturação.

Para o arroz, que já possui colheita encerrada, a produção alcançou 12,8 milhões de toneladas, crescimento expressivo de 20,6% sobre 2023/24 e a 4ª maior já registrada, atrás apenas dos volumes obtidos nas temporadas de 2010/2011, de 2004/2005 e de 2003/2004. O aumento reflete a expansão de 9,8% na área semeada e as condições climáticas favoráveis, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor. No caso do feijão, a estimativa da Conab traz uma produção próxima a 3,1 milhões de toneladas, somando-se as três safras do grão, o que garante o abastecimento interno do país.

Dentre as culturas de inverno, destaque para o trigo. Com a semeadura concluída em todo o país, a área destinada para o grão apresentou redução de 19,9% em relação à safra passada, totalizando 2,4 milhões de hectares neste ciclo. Já a produtividade tende a apresentar uma recuperação, saindo de 2.579 quilos por hectare em 2024 para 3.077 kg/ha neste ano. Ainda assim, a produção está estimada em 7,5 milhões de toneladas nesta safra, redução de 4,5% em comparação com a temporada passada.

Mapeamento e produtividade da soja

Como parte do aprimoramento contínuo das estimativas, a Conab divulga a revisão das produtividades das safras de soja 2021/22, 2022/23 e 2023/24 e ajustes na safra 2024/25 a partir da adoção de uma metodologia baseada na integração de sensoriamento remoto e informações de campo, além de ajustes na área cultivada, após realização de mapeamento da cultura. O objetivo é aprimorar a qualidade e a coerência espacial das estimativas, incorporando de forma sistemática sinais observados por satélite que refletem o vigor vegetativo da cultura, ao mesmo tempo em que se preserva o conhecimento de campo e a experiência acumulada pelos informantes e técnicos da companhia.

Mercado

Com os bons resultados esperados para a produção de milho na safra 2024/25, a Conab atualiza os estoques de passagem do cereal neste levantamento, atualmente estimados em 12,8 milhões de toneladas.

A Companhia também alterou o estoque inicial para a soja na atual safra para 4,32 milhões de toneladas. A produção recorde da oleaginosa permite o aumento nas exportações do grão, com a expectativa de serem comercializadas no mercado internacional 106,25 milhões de toneladas de soja da safra 2024/25, e também o incremento no consumo interno, sendo estimadas 57 milhões de toneladas do produto destinadas ao processamento no mercado doméstico. Ainda assim, é esperada uma recuperação nos estoques de passagem de soja, estimado em 9,3 milhões de toneladas ao final deste ciclo.

 

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Exportações de café do Brasil recuam em volume e preço em abril
Notícias

Após tarifaço dos EUA, exportações de café recuam 17,5% em agosto no comparativo anual

Por Redação 10/09/2025
Escrito por Redação

Após tarifaço dos EUA, exportações de café recuam 17,5% em agosto no comparativo anual

O Brasil exportou 3,144 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos café em agosto de 2025, volume que implica queda de 17,5% na comparação com os 3,813 milhões aferidos no mesmo mês do ano passado. A receita cambial, por sua vez, cresceu 12,7% no mesmo intervalo comparativo, saltando para US$ 1,101 bilhão. Os dados constam no relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores Café do Brasil (Cecafé).

A queda no montante embarcado já era aguardada, conforme avalia o presidente da entidade, Márcio Ferreira, devido ao país vir de exportações recordes em 2024 e possuir menor disponibilidade de café em função de uma safra que ficou aquém de seu potencial máximo produtivo.

Ele comenta, ainda, que o tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre os cafés do Brasil a serem exportados para os Estados Unidos potencializou essa redução.

“Os EUA deixaram de ser os maiores compradores de nosso café em agosto, descendo para o segundo lugar, com 301 mil sacas importadas – de negócios realizados antes da vigência do tarifaço –, o que implicou queda de 46% ante o mesmo mês de 2024 e de 26% contra julho deste ano. Assim, os americanos ficaram atrás da Alemanha, que importou 414 mil sacas no mês passado”, revela.

Ferreira analisa que o tarifaço também afetou o mercado internacional do café, trazendo muita volatilidade aos preços e fazendo com que as cotações disparassem.

“Os fundamentos já são favoráveis para a alta há algumas safras, com oferta e demanda muito ajustadas ou mesmo com déficit de oferta, devido a adversidades climáticas nos principais produtores, em especial no Brasil, mas o tarifaço desordenou o mercado e deu abertura para movimentos especulativos”, explica.

Ele completa que, de 7 de agosto, quando entrou em vigência a taxação, até o fechamento do mês passado, o café arábica subiu 29,7% na bolsa de Nova York, saindo de US$ 2,978 por libra-peso para US$ 3,861.

“Se o tarifaço persistir, além de as exportações de café do Brasil seguirem inviáveis aos EUA, os consumidores americanos também enfrentarão preços onerosos para degustar sua bebida favorita, uma vez que não há oferta de outros países para suprir a ausência brasileira no mercado dos Estados Unidos, criando-se, assim, um cenário inflacionário por lá”, projeta.

Ano civil

Também de acordo com o relatório estatístico mensal do Cecafé, o Brasil embarcou 25,323 milhões de sacas no acumulado entre janeiro e o fim de agosto deste ano, apresentando uma queda de 20,9% na comparação com o volume remetido ao exterior nos mesmos oito meses de 2024. Já a receita cambial é recorde para esse intervalo, saltando para US$ 9,668 bilhões no acumulado de 2025.

“O cenário, tanto em agosto, quanto no acumulado do ano, não é tão distinto, com a queda no volume já esperada, pela menor oferta após os embarques recordes em 2024, bem como maiores ingressos de divisas ao caixa do Brasil devido a maiores cotações internacionais, impulsionados pelo equilíbrio entre oferta e demanda há anos e, agora, potencializados pelo tarifaço”, explica.

Principais destinos

A despeito do declínio ao posto de segundo maior comprador dos cafés do Brasil em agosto, os Estados Unidos, no acumulado dos oito primeiros meses de 2025, permanecem como o principal importador do produto brasileiro, com a aquisição de 4,028 milhões de sacas, o que corresponde a 15,9% dos embarques totais e representa declínio de 20,8% na comparação com o intervalo de janeiro ao fim de agosto de 2024.

Completando a lista dos cinco principais destinos dos cafés do Brasil, nos oito primeiros meses deste ano, aparecem Alemanha, com a importação de 3,071 milhões de sacas e queda de 32,9% em relação ao mesmo intervalo de 2024; Itália, com 1,981 milhão de sacas (-23,6%); Japão, com 1,671 milhão de sacas (+15,6%); e Bélgica, com 1,517 milhão de sacas (-48,3%).

Tipos de café

Nos primeiros oito meses de 2025, o café arábica foi a espécie mais exportada pelo Brasil, com a remessa de 20,209 milhões de sacas ao exterior, montante que equivale a 79,8% do total e implica queda de 13% frente a idêntico intervalo anterior.

A espécie canéfora (conilon + robusta) vem na sequência, com embarques equivalentes a 2,570 milhões de sacas (10,1% do total), seguido pelo segmento do café solúvel, com 2,508 milhões de sacas (9,9%), e pelo setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 36.700 sacas (0,1%).

Cafés diferenciados

As exportações brasileiras dos cafés que possuem certificados de práticas sustentáveis ou qualidade superior totalizaram 5,1 milhões de sacas no acumulado dos oito primeiros meses de 2025, o que corresponde a 20,1% dos embarques de todos os tipos de café nesse período. Esse volume, contudo, implica queda de 9,3% na comparação com as remessas ao exterior registradas entre janeiro e agosto do ano passado.

Com preço médio de US$ 427,05 por saca, a receita cambial com os embarques do produto diferenciado chegou a US$ 2,178 bilhões, o que equivale a 22,5% do total obtido com todos os embarques nos oito primeiros meses deste ano. Na comparação com o mesmo intervalo de 2024, o valor é 54,2% superior.

Os EUA lideram o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 893.651 sacas, o equivalente a 17,5% do total desse tipo de produto exportado. Fechando o top 5, aparecem Alemanha, com 656.585 sacas e representatividade de 12,9%; Bélgica, com 579.954 sacas (11,4%); Holanda (Países Baixos), com 428.540 sacas (8,4%); e Itália, com 332.700 sacas (6,5%).

 

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10/09/2025 0 Comentários
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Tecnologia

Modelo prevê produtividade agrícola com uso de imagens de satélite

Por Redação 09/09/2025
Escrito por Redação
Modelo prevê produtividade agrícola com uso de imagens de satélite

Os bons resultados do modelo de predição trazem otimismo para o uso em pesquisas de campo, permitindo o monitoramento preciso e não destrutivo // Foto: Geraldo Magela

Um modelo em desenvolvimento pela Embrapa conseguiu estimar com boa assertividade a produtividade de cana-de-açúcar utilizando imagens de satélite coletadas durante a fase de crescimento da lavoura. O resultado foi obtido integrando as imagens com técnicas estatísticas e aprendizagem de máquina. A mesma metodologia também foi testada em soja e serviu como forma de validação do bioestimulante Hydratus que acaba de ser lançado.

A pesquisa utiliza uma série temporal de imagens da PlanetScope disponibilizadas por meio do Programa Brasil Mais, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. As imagens diárias permitem que os pesquisadores identifiquem os melhores momentos no desenvolvimento da planta para se obter o índice de vegetação usado na previsão. As informações coletadas nas imagens integradas a variáveis como cultivar, ciclo de produção e precipitação acumulada durante a fase de crescimento são usadas em um modelo de predição.

No caso da cana-de-açúcar, um trabalho feito em parceria com a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), e financiado pela Finep, monitorou duas safras durante três anos e obteve coeficiente de determinação de 0,89. Isso significa que quando comparadas as predições do modelo com a produtividade observada na lavoura pelos métodos agronômicos tradicionais, houve 89% de precisão, índice considerado alto para previsões.

O pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Geraldo Magela Cançado explica que o trabalho começou com um modelo mais simples, mas, conforme os trabalhos avançarem, novas variáveis serão inseridas, como temperatura, textura do solo e disponibilidade hídrica. Com essas variáveis espera-se melhorar a eficiência da ferramenta.

A expectativa da equipe que trabalha na pesquisa é a de gerar um modelo de predição que possa ser utilizado por produtores e indústria com dados por talhão nas propriedades rurais. Isso possibilitaria melhor planejamento estratégico, antecipação de negociações, programação de logística e a orientação para possíveis intervenções na lavoura. Outro possível uso seria pelo poder público na previsão de safras.

“Essa metodologia permite um levantamento de safra mais objetivo. Queremos diminuir a subjetividade dessa previsão e ser mais abrangente. Considerada a imensidão deste País, só com o uso de imagens de satélites isso se torna possível”, afirma o pesquisador João Antunes.

Na cultura da soja

Após a primeira experiência com a cana-de-açúcar, a mesma metodologia começou a ser utilizada na cultura da soja em uma pesquisa de validação do uso do bioestimulante Hydratus, que protege plantas contra a seca e estimula o crescimento vegetal. O trabalho, financiado pela Finep, foi feito em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo e a empresa Bioma. Três áreas foram monitoradas. Em duas delas, a equipe da pesquisa utilizou as imagens de satélite do PlanetScope e, na terceira, imagens feitas com uso de drone.

Enquanto na cana foi adotado o índice vegetativo por diferença normalizada verde (GNDVI) para predição da produtividade, na soja foi usado o índice de vegetação realçado (EVI2). O primeiro utiliza bandas espectrais de infravermelho próximo (NIR) e a verde, possibilitando identificar diferenças no teor de clorofila. Já o segundo, a banda espectral vermelha, além do NIR, com sensibilidade à estrutura da planta e à biomassa.

Os resultados obtidos não só acusaram a diferença de produtividade entre os tratamentos com diferentes doses e testemunha do bioestimulante Hydratus, como tiveram uma correlação de 71% entre a produtividade predita e a observada. Embora menor do que a assertividade da cana-de-açúcar, o índice de predição do modelo é considerado alto.

“Cada cultura tem um comportamento diferente e é normal essa variação entre elas. No geral, assumimos como aceitáveis níveis de correlação acima de 0,6 (ou seja, o modelo é capaz de explicar acima de 60% da variação observada). No caso da cana, como a produção está muito ligada ao próprio dossel da planta (parte da planta sobre a superfície do solo, formada por folhas e colmos), obtêm-se melhores resultados, pois é quase uma relação direta entre biomassa e produtividade de colmo (caule típico de gramíneas, como a cana). Já no caso da soja, como o produto é o grão, a relação dossel da soja e produtividade não é tão direta”, explica Geraldo Cançado.

Os bons resultados do modelo de predição trazem otimismo para o uso em pesquisas de campo, permitindo o monitoramento preciso e não destrutivo.

“Essa estrutura de avaliação dupla, combinando métricas agronômicas com sensoriamento remoto, fornece uma estratégia inovadora e econômica para avaliação do desempenho das culturas em tempo real”, afirma o pesquisador.

O trabalho vem utilizando de forma comparativa duas abordagens, uma com aprendizagem de máquina e outra com métodos estatísticos. De acordo com o analista da Embrapa Eduardo Speranza, devido ao volume ainda pequeno de amostras usadas para treinar o algorítmo, o modelo com cálculos estatísticos vem se mostrando mais preciso.

“Apesar de ter muitos experimentos, trabalhamos em uma publicação com 500-600 amostras para treinar um algoritmo. Essa quantidade para aprendizado de máquina é pequena. O método de aprendizagem de máquina tem potencial de ser melhor, mas necessita de milhares de amostras”, explica Speranza, lembrando que o aumento de amostras depende da validação in loco pelo método agronômico de monitoramento.

 

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Tecnologia

Novo sistema aumenta a produção de biogás a partir de resíduos orgânicos

Por Redação 09/09/2025
Escrito por Redação

Novo sistema aumenta a produção de biogás a partir de resíduos orgânicos

Todos os meses, 17 a 25 toneladas de resíduos da Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa – CE) são enviadas ao aterro sanitário, a um custo aproximado de R$ 230 mil. Para transformar esse passivo em energia renovável, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram o Sistema Integrado de Reatores Anaeróbios. A inovação aumenta a produção de biogás, com alto teor de metano, ocupa menos área e reduz custos e emissão de GEE. Projetada para a Ceasa do estado, a tecnologia tem potencial de replicação nas outras 57 centrais de abastecimento brasileiras.

O modelo permite aproveitar integralmente frutas e hortaliças impróprias para o consumo humano, resultado das perdas durante o transporte e armazenamento. Essa biomassa não utilizada, altamente biodegradável, é ideal para produzir um biogás rico em metano, aproveitável na forma de combustível.

No método usual, a fermentação dos resíduos de frutas e verduras ocorre em Reatores de Mistura Completa (CSTR, sigla em inglês), que possuem limitações operacionais e exigem grandes volumes. O novo sistema aprimora esse processo ao aplicar um pré-tratamento que separa os resíduos por meio de trituração e prensagem em duas frações: líquida e sólida.

Cada uma delas é direcionada a um reator especializado. A fração líquida é tratada em reatores de manta de lodo de fluxo ascendente (UASB, sigla em inglês), eficazes para cargas orgânicas elevadas, e oferecem excelente rendimento na digestão de substratos altamente biodegradáveis. E a fração sólida é encaminhada para compostagem, o que resulta em um fertilizante de alta qualidade, ou para reatores de metanização seca, capazes de operar com resíduos com alto teor de sólidos, mas ainda em fase de estudos.

Segundo o pesquisador que coordenou esse trabalho, Renato Leitão, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), com o uso do novo sistema, a quantidade de biogás gerada na Ceasa-CE pode produzir energia elétrica suficiente para suprir a demanda dessa central em até 100% da energia nos horários de ponta e mais 20% da energia fora desses períodos.

“Caso não seja utilizado na própria Ceasa, esse biogás pode ser comercializado na forma de biometano após tratamento adequado”, complementa. Entre as vantagens desse tipo de aproveitamento está a redução do impacto ambiental e também a diminuição de custos de transporte e tratamento do material, visto que atualmente existe um contrato para encaminhamento desses resíduos para o aterro sanitário.

Renato Leitão explica que o sistema representa uma solução promissora para transformar grandes volumes de resíduos orgânicos em energia renovável, reduzindo custos de descarte e emissões de gases do efeito estufa. O próximo passo do estudo é ampliar a escala de produção, mas para isso é necessária a construção de uma unidade-piloto maior, para calibrar os equipamentos.

“O impacto pode ser enorme: energia limpa, menos resíduos, mais empregos e economia circular na prática.”, acrescenta o professor André dos Santos, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC.

Biohidrogênio: uma nova frente

Os pesquisadores também testaram a produção de biohidrogênio a partir do material. Embora não tenha chegado a um volume competitivo, a pesquisa abre possibilidade para estudar uma nova rota de produção no futuro. Os pesquisadores usaram fermentação escura, uma tecnologia emergente para geração de energia limpa. O estudo utilizou reator anaeróbio de leito estruturado (AnStBR, sigla em inglês) alimentado com a fração líquida do resíduo.

 

Saiba mais sobre digestão anaeróbia

A produção de biogás a partir de resíduos orgânicos é realizada por meio de digestão anaeróbia – transformação microbiana da matéria orgânica em bioprodutos energéticos e químicos na ausência de oxigênio. Esse fenômeno está envolvido em vários ciclos biogeoquímicos e ocorre em diversos ambientes naturais que contêm resíduos orgânicos sem contato direto com a atmosfera – como no sistema digestivo de ruminantes, em pântanos, sedimentos e em sistemas de esgoto – além de ser amplamente aplicado em ambientes controlados, como os biodigestores chamados de reatores anaeróbios.

Esse processo possui diversas aplicações no tratamento de resíduos líquidos, sólidos e semissólidos. Por meio dele, é possível produzir energia renovável (biogás rico em metano ou hidrogênio), recuperar nutrientes a partir do lodo gerado e mitigar emissões de gases de efeito estufa.

 
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CuriosidadeTecnologia

Axial ou híbrida? Saiba escolher a colheitadeira ideal para a sua propriedade

Por Redação 09/09/2025
Escrito por Redação

Axial ou híbrida? Saiba escolher a colheitadeira ideal para a sua propriedade

Na hora de renovar ou ampliar o maquinário agrícola, a escolha da colheitadeira é uma das decisões mais importantes para garantir produtividade e eficiência. Uma dúvida muito comum entre os agricultores é optar por um modelo axial ou híbrido. Ambos apresentam vantagens e características próprias e entender suas diferenças é fundamental para assegurar o melhor desempenho e o retorno sobre o investimento.

Anderson Schofer, especialista em colheitadeiras da Massey Ferguson, explica que a principal diferença entre os dois modelos está no sistema de trilha. A colheitadeira axial utiliza um único rotor responsável para realizar a trilha – processo de separação do grão da vagem, espiga ou cacho – e separação da palhada.

É um sistema mais contínuo, ideal para grandes volumes de massa colhida. Já a híbrida combina dois sistemas dedicados: um cilindro convencional somente para trilha, seguido por dois rotores separador responsáveis pela separação final dos grãos. Essa configuração une a eficiência da trilha convencional à performance de baixas perdas na separação do sistema axial.

Segundo Schofer, a decisão deve ser baseada em uma análise técnica alinhada às condições da lavoura. “A escolha deve considerar tipo de cultura, área e objetivo de produtividade, e não apenas preço ou potência”, orienta. O especialista lista os principais pontos a serem avaliados:

Tipo de cultura:

Culturas sensíveis a danos mecânicos, como sementes e feijão, tendem a se beneficiar do sistema axial, que oferece melhor qualidade de grãos. Já para culturas com grande volume de palhada, como trigo ou arroz, as híbridas se destacam pela alta capacidade de processamento em seus sistemas dedicados.

Topografia:

Em áreas extensas e planas, as axiais podem ser mais eficientes, já que apresentam melhor desempenho quando trabalham com fluxo contínuo de material. Em terrenos acidentados, o modelo híbrido pode oferecer melhor performance com menor índice de perdas.

Condições climáticas e umidade:

Em regiões com colheita sob condições mais úmidas, a trilha dedicada e a separação eficiente das híbridas podem trazer vantagens.

Perfil da propriedade

Propriedades médias ou com culturas variadas podem se beneficiar da versatilidade das híbridas; grandes propriedades, com foco em escala e agilidade, tendem a optar pelas axiais.

Tecnologia embarcada

Tanto os modelos axiais quanto híbridos podem contar com tecnologias avançadas que fazem diferença no campo, como piloto automático com GPS, monitoramento em tempo real de produtividade e umidade, sistemas de gestão de frota, telemetria, diagnóstico remoto e alertas de manutenção.

A presença dessas soluções não está vinculada ao sistema de trilha, mas a configuração escolhida pelo produtor. “Tanto híbridas quanto axiais podem ser altamente tecnológicas, o diferencial está na aplicação da tecnologia ao tipo de sistema”, esclarece o especialista.

A adoção dos modelos também varia de acordo com a região e a cultura predominante. Na região Sul, por exemplo, a diversidade de culturas e o maior número de propriedades menores favorecem a preferência por colheitadeiras híbridas, que garantem versatilidade. Já no Centro-Oeste, onde predominam grandes áreas de soja e milho, a demanda por alta produtividade impulsiona a escolha pelas colheitadeiras axiais.

Schofer reforça que não existe um modelo “melhor” e sim o mais adequado para cada operação. “Antes de decidir, o produtor deve avaliar suas culturas, área de plantio, tipo de solo, disponibilidade de mão de obra, custo de manutenção e metas de produtividade. Contar com a consultoria técnica de um representante ou concessionária especializada é fundamental para tomar uma decisão assertiva e garantir que o investimento gere os resultados esperados”, finaliza.

 

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EmpresasTecnologia

Marca do Grupo Orion, Lynx Biological amplia soluções biológicas e nutricionais

Por Redação 08/09/2025
Escrito por Redação

Marca do Grupo Orion, Lynx Biological amplia soluções biológicas e nutricionais

 

 

Lançada no ano passado como marca do Grupo Orion, a Lynx Biological nasceu com a missão de transformar a agricultura brasileira por meio de soluções biológicas inovadoras e sustentáveis. Desde sua chegada, a empresa se propôs a agregar valor junto aos equipamentos de aplicação no sulco de plantio, oferecendo não apenas produtos, mas um modelo completo de atuação que une equipamento, bioinsumos e conhecimento técnico — o chamado tripé de alta performance.

A grande novidade para essa safra é a ampliação do portfólio, que passa a contar com novas linhas de inoculantes, produtos nutricionais e adjuvantes compatíveis com bioinsumos, reforçando o compromisso da marca em acompanhar o produtor durante todo o ciclo da cultura, do plantio à colheita.

A Lynx chega para ser parceira estratégica do agricultor, oferecendo alternativas que unem a produtividade com a sustentabilidade e saúde do solo e das plantas. Nosso propósito é transformar a agricultura com soluções biológicas avançadas, alinhadas às demandas atuais e futuras do setor”, destaca Wellington Adão, head da Lynx Biological.

Bioinsumos para o sulco do plantio:

Inoculantes como o BioPartners Bradyrhizobium (fixação biológica do nitrogênio em soja), BioPartners Azospirillum (fixador de N e promotor de crescimento em gramíneas e co-inoculação em soja), BioPartners Amendoim (fixação biológica do nitrogênio em amendoim), BioPartners Feijão (fixação biológica do nitrogênio em feijão) e o BioPartners Solubilizador de Fósforo, que aumenta a eficiência nutricional das plantas. Outras tecnologias são: BioPartners Trichoderma, um inoculante promotor de crescimento que apresenta efeito positivo na interação planta-microrganismo, promovendo maior vigor, desenvolvimento da parte aérea e produtividade para os cultivos, e o BioParterns Trio, um potente inoculante promotor de crescimento composto por cepas exclusivas de Bacillus subtilis, B. amyloliquefaciens e B. pumilus que potencializam o equilíbrio biológico do solo e a produtividade das culturas.

Durante a condução da lavoura, a Lynx oferece adjuvantes, que aumentam a performance das aplicações agrícolas. A marca lança ao mercado nessa safra 2025/2026 o BioPartners Adjuvante Bio, recomendado para melhorar a eficácia das aplicações de produtos biológicos, garantindo melhor penetração e sobrevivência das gotas, garantindo maior sobrevida dos insumos biológicos misturados em tanques.

O BioPartners Adjuvante Bio ainda tem como diferenciais a redução das perdas por deriva, diminuição da taxa de evaporação, homogeneização do tamanho das gotas e aumento da penetração dos ingredientes ativos através da cutícula das folhas. A Lynx também lançou o limpa-tanque biodegradável, que reduz riscos de contaminações cruzadas e prolonga a vida útil dos equipamentos.

Já nas fases de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, a nutrição foliar garante fornecimento direcionado de nutrientes em momentos críticos: Molibdênio, que ativa enzimas fundamentais para melhor aproveitamento de nitrogênio; CoMoNi, que favorece a relação simbiótica com microrganismos e a viabilidade de nódulos; Zinco, essencial para o crescimento radicular e apical; Nitrogênio, para formação de proteínas e energia com maior eficiência; Potássio, que melhora a saúde das plantas e o enchimento de grãos, e Boro, que contribui para o pegamento de flores e transporte dos açúcares.

“Temos um pipeline bastante robusto para 2026 com novos inoculantes, bioestimulantes de solo, focado na microbiota, bioestimulantes para aplicação foliar contra estresses abióticos e controle biológico para os principais problemas que o agricultor enfrenta”, reforça Wellington Adão.

Tecnologia

A proposta da Lynx vai além do fornecimento de insumos. A marca complementa o trabalho do Grupo Orion, reconhecido por seus equipamentos de aplicação, somando tecnologia de ponta, biológicos de alta performance e suporte técnico especializado.

Conforme explica Wellington, para prestar o suporte técnico especializado aos clientes Orion, o Grupo Orion conta com o D.O.A. (Departamento de Operações Agrônomicas), responsável por desenvolver, orientar e acompanhar toda área de P&D da companhia e junto aos clientes, acompanhando desde a amostragem de solo para análise química, nematológica e biológica do solo, o plantio, condução e colheita. “Contamos ainda com laboratório próprio Sirius de nematologia e tecnologia de aplicação no sulco de plantio e nossa divisão CYGNI de sensoriamento remoto. Tudo para suportar os clientes Orion a alcançarem os melhores resultados no campo.”

“O grande diferencial está na correta aplicação no sulco de plantio, com o equipamento Orion, somado ao conhecimento do nosso time. É essa união que garante o resultado esperado: mais produtividade, solo saudável e uma lavoura mais rentável”, afirma Rodrigo Alandia, diretor de Marketing e Novos Negócios do Grupo Orion.

 

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Tecnologia

Risco de clima seco e queimadas permanece alto no interior do país

Por Redação 08/09/2025
Escrito por Redação
imagens de satélite - Risco de clima seco e queimadas permanece alto no interior do país

Segundo alerta, a situação é crítica, com risco considerado emergencial, em todo o norte, nordeste, noroeste e oeste paulistas // Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A permanência de massas de ar seco no interior do país e a pouca força da massa polar que atingiu as regiões Sul e Sudeste impediram a mudança do clima seco no interior do país. Neste domingo (7), a Defesa Civil do estado de São Paulo atualizou os alertas para risco de queimadas, com destaque para as condições críticas em todo o interior paulista, segundo informações da Agência Brasil.

Segundo o alerta, a situação é crítica, com risco considerado emergencial, em todo o norte, nordeste, noroeste e oeste paulistas, entre este domingo (7) e a quinta-feira (11). No dia 12, as condições começam a melhorar, descendo aos patamares de alerta e, na região de Campinas, de risco alto. O padrão usado pelo órgão estabelece quatro patamares: baixo, alto, alerta e emergência, do menos propício para incêndios ao mais perigoso.

O interior do país, principalmente nos estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Tocantins e Bahia, tem alerta para baixa umidade do ar (abaixo de 12%) vigente para hoje, emitido pelo Inmet. Estes alertas tem se repetido nas últimas semanas, tanto com recomendações de cuidado com incêndios quanto com pedido de atenção às condições de saúde, principalmente de crianças e adolescentes.

O interior paulista segue em situação de atenção para queimadas desde o começo da época seca, em maio. Neste ano, as melhores condições de umidade e a atuação preventiva de bombeiros e da Defesa Civil obtiveram bons resultados, com queda de cerca de 70% dos focos de queimadas e incêndios, um dos melhores resultados do país.

Em geral, os estados têm tido diminuição de focos e áreas queimadas, quando comparados a 2023 e 2024, que por sua vez foram anos atípicos. Entre as causas estão um trabalho integrado entre as equipes nacionais e estaduais de prevenção e combate e o aumento da fiscalização e penas contra queimadas não autorizadas.

 

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Expointer

Expointer encerra edição com queda de 49% nas vendas de máquinas agrícolas

Por Redação 08/09/2025
Escrito por Redação
imagens de satélite - Expointer encerra edição com queda de 49% nas vendas de máquinas agrícolas

Próxima Expointer já tem data marcada: de 29 de agosto a 6 de setembro de 2026 // Foto: João Pedro Rodrigues/Ascom Expointer

Clarisse Sousa – A 48ª Expointer foi encerrada neste domingo (7) após uma edição histórica, marcada pelo recorde de público e pelo desempenho da agricultura familiar, que registrou o maior volume de vendas de sua trajetória, alcançando R$ 13,6 milhões em faturamento. Para o setor de máquinas e equipamentos agrícolas, porém, os resultados ficaram abaixo do esperado.

O segmento apresentou uma queda significativa nas intenções de negócios, somando R$ 3,7 milhões em 2025, contra quase R$ 7,4 milhões em 2024 – uma retração de 49% em relação ao ano anterior. No total, a feira movimentou R$ 4,4 bilhões em intenções de negócios, o que representa uma redução de 45,5% frente aos R$ 8,1 bilhões registrados em 2024, de acordo com dados da organização do evento.

Recorde de público

Ao longo dos nove dias de programação, 1.010.020 visitantes passaram pelo parque, conforme o balanço final após o encerramento das atividades. Só neste domingo, foram 147.812 mil visitantes, batendo o público de sábado (6/9), quando havia sido registrado o marco de 143.806 pessoas, marcando o novo recorde diário.

O maior recorde de público havia sido em 2023, com 822.340 mil visitantes. O resultado representa um crescimento de 22,82% frente a 2023. Em relação ao ano passado, quando foram registrados 662 mil pessoas, o aumento de visitante é de 52,6%.

Alto desempenho da agricultura familiar

Um dos pontos altos da feira foi o Pavilhão da Agricultura Familiar, que registrou o maior volume de vendas da história, atingindo R$ 13,6 milhões em faturamento. A marca anterior, de R$ 10,8 milhões em 2024, foi superada em mais de 25%, consolidando o espaço como vitrine da diversidade e da força produtiva das famílias agricultoras. 

O secretário de Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti ressaltou a expansão da agricultura familiar e seu potencial de avanço: “Esse recorde histórico mostra que a agricultura familiar é, sim, uma das grandes forças do nosso Rio Grande. Aqui não falamos apenas de números, mas de histórias, de oportunidades e de futuro. Cada venda realizada no Pavilhão representa renda e qualidade de vida para milhares de famílias, inovação no meio rural e a certeza de que a agricultura familiar representa um caminho para o desenvolvimento do Estado”, analisou.

A Expointer 2026 já tem data marcada: de 29 de agosto a 6 de setembro.

 

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O consumo de café em nível mundial foi estimado em 165 milhões de sacas de 60kg num período seguido de doze meses. E, no Brasil, maior produtor e exportador de café, o consumo foi calculado em 21 milhões de sacas anuais, número que representa em torno de 13% da demanda mundial.
Mercado

Faturamento bruto dos Cafés do Brasil cresce 170% em dez anos

Por Redação 05/09/2025
Escrito por Redação

Faturamento bruto do setor de café cresce 170% em dez anos

O faturamento bruto dos Cafés do Brasil previsto para o ano-cafeeiro 2025 foi estimado em R$ 119,05 bilhões. Se essa previsão se confirmar, a qual está fundamentada na média dos preços realmente recebidos pelos produtores, de janeiro a julho deste ano, a receita indicará um aumento de cerca de 170% em comparação com o faturamento bruto efetivamente registrado uma década atrás, quando a cafeicultura nacional arrecadou R$ 44,21 bilhões no ano-cafeeiro 2016.

É importante ressaltar nesta análise e divulgação, mantendo o mesmo período de análise, a progressão do Valor Bruto de Produção (VBP) do café brasileiro da espécie Coffea arabica (café arábica) durante essa década. Assim, verifica-se que VBP dessa espécie estimado para 2025 foi calculado em R$ 86,59 bilhões, montante que indica um aumento de 127,3% em comparação com os R$ 38,09 bilhões registrados no ano-cafeeiro 2016.

Ao examinar apenas a evolução do VBP do café da espécie Coffea canephora (robusta+conilon), na última década, nota-se um crescimento significativo de 438,3%, haja vista que a receita gerada por esse tipo de café aumentou de R$ 6,03 bilhões, valor efetivamente arrecadado no ano-cafeeiro 2016, para R$ 32,45 bilhões, que está previsto para o ano-cafeeiro 2025, período que compreende os meses de janeiro a dezembro.

Vale esclarecer ainda que o VBP dos Cafés do Brasil é calculado e divulgado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola – SPA, do Ministério da Agricultura e Pecuária.

A análise tem como referência dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola – LSPA, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística , e, no caso em tela, dos Cafés do Brasil, para fins de cálculos e estimativas, teve como base os preços médios recebidos pelos produtores, de janeiro a junho de 2025, do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, e também do café robusta tipo 6, peneira 13 acima, com 86 defeitos.

Dando continuidade a essa análise da evolução do VBP dos cafés brasileiros, considerando o total das receitas geradas pelas espécies C. arabica e C. canephora, também ao longo da última década, verifica-se que a Região Sudeste, principal região produtora de café do Brasil, registrou um aumento de 157,6%. Essa porcentagem é calculada com base na comparação da receita de R$ 39,80 bilhões obtida no ano-cafeeiro 2016 com o faturamento projetado de R$ 102,55 bilhões para o ano-cafeeiro 2025.

Em contrapartida, a Região Nordeste registrou um crescimento expressivo de 382,8% no VBP do café, subindo de R$ 1,84 bilhão no ano-cafeeiro 2016 para R$ 8,89 bilhões, valor estimado para o ano-cafeeiro 2025. O valor bruto da produção de café da Região Norte também aumentou significativamente, com uma variação de 312,8% dos anos-cafeeiro de 2016 e 2025, com faturamentos de R$ 1,19 bilhão e R$ 4,93 bilhões, respectivamente.

Em complemento, constata-se que a Região Sul registrou um crescimento moderado, de cerca de 83,6% do VBP do café na última década, gerando uma receita de R$ 931,37 milhões em 2016, com uma previsão de faturamento em 2025, a qual foi estimada em aproximadamente R$ 1,71 bilhões.

Por fim, a região Centro-Oeste, que tem o menor faturamento com a cafeicultura no país, também registrou um crescimento significativo de 170% na última década. A estimativa para o VBP da região no ano-cafeeiro atual é de R$ 959,46 milhões, em comparação com os R$ 355,31 milhões efetivamente arrecadados no ano-cafeeiro 2016.

 

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