
As vendas de tratores registraram queda de 15,20% no primeiro quadrimestre ante igual intervalo de 2025, enquanto que a comercialização de colheitadeiras recuou 44,70% na mesma base comparativa, indica balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), divulgado na quarta-feira (3).
“O produtor rural ainda enfrenta dificuldades para investir. Entre os principais fatores limitantes estão a desvalorização do dólar, os juros altos, e o conflito no Oriente Médio, que pressiona os custos de diesel e fertilizantes, reduzindo a rentabilidade do agricultor. Margens apertadas e aumento de custos, atrelados às altas taxas de juros são equação negativa para a renovação de maquinários agrícolas, como tratores e colheitadeiras”, avalia o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, para quem o Programa Move Agrícola, anunciado pelo governo em abril, mas ainda não implementado, poderá dar algum fôlego para o setor.
Também o plano de renegociação de dívidas, que está sendo avaliado pelo governo federal, deve estimular esse setor, que segue em compasso de
espera”.
Em abril, as vendas de tratores recuaram 8,01% ante março e 15,11% ante igual mês de 2025. No caso das colheitadeiras, a comercialização caiu 56,09% em abril ante março e 41,30% no comparativo com o mesmo mês de 2025.
Jogando uma lupa no segmento de tratores, diz o dirigente, o mercado segue pressionado, refletindo um ambiente de maior cautela no setor produtivo. “A decisão de compra está ligada ao planejamento do produtor rural, que segue com margens reduzidas e endividado. Em que pese tenhamos boa expectativa de safra, o custo do crédito segue pressionando o segmento, que sofre quedas sucessivas.”
Ademais, as colheitadeiras também registraram retração. “Por envolverem maior valor agregado, as decisões de compra tendem a ser mais espaçadas e fortemente influenciadas pelas condições de crédito, renda no campo e planejamento das safras”, conclui Arcelio Junior.
A Fenabrave esclarece que por não serem emplacadas, as máquinas agrícolas apresentam dados com um mês de defasagem, pois dependem de levantamentos junto aos fabricantes.
Fonte: Datagro




