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Florestas plantas apresentam crescimento no Brasil

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Setor de silvicultura e madeira cresce no País e se destaca no mercado internacional

Por Clarisse de Sousa

O Brasil tem uma das maiores áreas de florestas plantadas do mundo. Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em setembro, aponta que esse espaço aumentou 1,3% de 2017 a 2018, alcançando 9,9 milhões de hectares, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul (70,1%). Destes, 110,8 mil são de eucalipto, que ocupa 76,2% da área total. Juntos, as espécies eucalipto e pinus foram responsáveis pela cobertura de 96,3% das áreas cultivadas com florestas plantadas para fins comerciais. As áreas de eucalipto somaram 7,5 milhões de hectares, segundo o levantamento.

Na indústria de base florestal, o eucalipto serve de matéria-prima para celulose de fibra curta, utilizada principalmente na produção de papéis para impressões convencioanais. A madeira de pinus, por sua vez, destina-se à produção de celulose de fibra longa, utilizada na produção de papel de qualidade superior e que demanda maior resistência. Além de pinus e eucalipto, espécies como seringueira, acácia, paricá, teca, araucária e pópulus também estão entre as mais cultivadas no País.

Entre os produtos derivados das florestas, os principais são madeira serrada, compensados, painéis, pisos, portas e kits, molduras e componentes diversos. No mercado interno, segundo dados da Embrapa Florestas, três segmentos se destacam no consumo de madeira: a construção civil, respondendo por 70% do uso geral; o setor de móveis, que consome aproximadamente 20%; e de embalagens industriais, com 10% do total. 

O estudo do IBGE também destaca o crescimento da silvicultura pelo terceiro ano consecutivo, atingindo o valor de produção de R$ 16,3 bilhões. A principal influência foi o aumento de 50% no valor de produção do carvão vegetal, devido, principalmente, à melhora no desempenho da indústria siderúrgica em 2018 – setor de maior consumo deste produto como fonte energética – e consequente aumento na demanda. A produção do carvão vegetal teve aumento de 18,9%, alcançando R$ 4,1 bilhões.

A madeira destinada ao mercado de papel e celulose foi a que gerou maior valor em 2018 na silvicultura, segundo o IBGE, com participação de 31% e registrando R$ 5,1 bilhões (crescimento de 2,0%). Segunda posição no valor da silvicultura, a madeira em tora para outras finalidades representou 28,2% do total gerado pelo setor, somando R$ 4,6 bilhões. O crescimento de 5,3% foi influenciado, principalmente, pela melhora nos preços da madeira destinada ao mercado de serraria e laminação, com aumento de 4,4% no volume produzido.

Números da indústria
Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) divulgados neste ano apontam que, com uma receita de R$ 86,6 bilhões e representando 7% do Produto Interno Bruto (PIB), o setor florestal se destacou no último ano e colocou o Brasil no topo do ranking de maiores exportadores de celulose do mundo. O relatório apresenta indicadores econômicos, sociais e ambientais do setor brasileiro de árvores plantadas para fins industriais, referente a 2018, e coloca o setor como uma das grandes forças da economia brasileira.

Para Paulo Hartung, presidente da Ibá, os dados demonstram que o segmento, que inclui pisos e painéis de madeira, papel, celulose, madeira serrada e carvão vegetal, consolida cada vez mais sua relevância também em dados econômicos nacionais, com participação de 1,3% do PIB Nacional e 7% do PIB industrial. Segundo ele, as exportações impulsionaram o crescimento do setor, com vendas de US$ 12,5 bilhões, o que representa aumento de 24% em comparação a 2017. A celulose teve desempenho recorde no mercado externo, com o Brasil assumindo o papel de maior exportador desse insumo. A balança comercial teve desempenho recorde de US$ 11,4 bilhões, segundo a entidade.

Um segmento que aumentou expressivamente as exportações foi o de toras de eucalipto. Somente para a China, em 2018, o crescimento foi de mais de 100% nas exportações da tora para produzir celulose (de 97 mil toneladas em 2017 para 234 mil toneladas em 2018). Já toras de pinus, que são utilizadas para fazer chapas e acabamento em móveis, teve aumento nos primeiros quatro meses de 2019, quando cresceu em quase quatro vezes a comercialização da madeira (de 19.013 toneladas em todo 2018 para 74.184 toneladas no início de 2019).

“Com uma região de influência de cerca de mil municípios em 23 estados, o segmento tem um importante papel de gerar oportunidades e transformar vidas. A geração de empregos diretos em 2018 cresceu quase 1%, para 513 mil, impactando 3,8 milhões de pessoas direta e indiretamente. O setor de árvores plantadas contribui para o desenvolvimento socioeconômico e para a dinamização da economia local”, ressalta Hartung.

Segundo ele, este é um dos setores produtivos que mais conserva área no Brasil. “O segmento tem hoje 5,6 milhões de hectares de áreas naturais protegidas na forma de áreas de preservação permanente, reserva legal e reservas particulares do patrimônio natural. Assim, para cada hectare plantado com árvores para fins industriais, outro 0,7 hectare é conservado.  Estima-se que o estoque de CO2 equivalente do segmento seja de 4,2 bilhões de toneladas”, salienta o presidente da Ibá.

Sobre a indústria, ele afirma, “temos um dos parques industriais mais modernos do mundo. A crescente evolução técnica reduz consumos específicos, como de água e energia elétrica, além de geração de emissões. As melhores práticas globais estão presentes nas principais unidades de produção do setor. São unidades autossuficientes em energia elétrica e, em muitos casos, exportadoras para o sistema nacional de energia renovável. Os resíduos sólidos são reaproveitados na sua quase totalidade, o consumo de água tem sido reduzido e 100% dos efluentes são tratados”, completa.

Estudo sobre o setor
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) apresentou em setembro, durante a 3ª edição da WoodTrade Brazil, o Estudo Setorial Abimci 2019. O documento mostra panoramas atualizados do setor madeireiro e florestal, dados socioeconômicos, geração de emprego e renda, as contribuições do setor para a economia brasileira e seus principais desafios para o crescimento. O evento aborda oportunidades e desafios para o setor florestal, estimula discussões sobre competitividade, perspectivas e o potencial dos mercados para os produtos madeireiros, e faz parte da Semana Internacional da Madeira.

Paulo Pupo, superintendente da Abimci, conta que a publicação foi dividida em quatro capítulos – Floresta, Indústria, Mercado e Ações Prioritárias. Sobre a produção e o consumo, ele destaca que, quando comparado aos cenários da última edição do estudo, em 2016, alguns segmentos tiveram aumento efetivo de produção, mas que o consumo interno ficou estagnado e, em alguns casos, acabou diminuindo, por conta da apatia da economia nacional em importantes segmentos consumidores de madeira como o da construção civil, móveis e embalagens, que influenciam diretamente o setor. “Diante desses cenários, ocorreram algumas migrações de importantes volumes para o mercado externo, o que contribui para o aumento das exportações e o consequente aumento da oferta de alguns produtos.”


Previsão até 2023
Com o crescimento da economia verde, os produtos originados no setor florestal, que são reutilizáveis, recicláveis e, muitos deles, biodegradáveis, ganham espaço na indústria e no dia a dia das pessoas. Com isso, os investimentos do setor representado institucionalmente pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) apresentam crescimento. A entidade atualizou a projeção de investimentos do setor de florestas plantadas e calculou aporte de R$ 32,6 bilhões no período entre 2020 e 2023. Entre 2014 e 2018, o setor investiu, apenas em ampliação, mais de R$ 20 bilhões.
Os números englobam os segmentos de celulose, papel e painéis de madeira em seis estados e representam um aumento na produção de celulose em 3,2 milhões de toneladas; 1,9 milhão de toneladas de celulose solúvel; 1,2 milhão em papel; enquanto painéis de madeira subam em 570 mil m3 de MDF e 450 mil m3 de serrados. O presidente da Ibá, Paulo Hartung, reforça que esses recursos envolvem toda a cadeia de operações florestais, desde o plantio até a fabricação do produto final, incluindo áreas de tecnologia e inovação.  
Segundo ele, estão previstas obras para construção de pelo menos sete novas fábricas. A expectativa é que o setor gere nesse período mais de 35 mil empregos durante as obras e outros 11 mil empregos diretos após as unidades entrarem em operação. De acordo com dados da associação, deste total, R$ 20,4 bilhões serão investidos em unidades que irão produzir celulose e papel kraftliner para embalagens, reforçando o protagonismo da embalagem em papel cartão na bioeconomia.



“Com relação a desafios, é preciso promover a renovação do parque tecnológico e fazer novos investimentos para aumentar a competitividade”, diz Pupo. “Além disso, a possibilidade de acesso a novos mercados destaca a necessidade de avanço na normalização e certificação dos produtos madeireiros”, completa. 

Pupo participou de um workshop promovido pela Embrapa Florestas e a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) em março e, na ocasião, apresentou outros dados do setor. Sobre a produção de madeira serrada, apontou que o setor produz oito milhões de metros cúbicos (m3) de pinus e três milhões de madeira dura. No compensado, são 2.700 milhões de m3 de pinus e 273 milhões de m3 de madeira dura. “Enquanto o mundo vem produzindo 347 milhões de m3 de madeira, nós produzimos 8,6. Desse número, consumimos aproximadamente 6,0 e exportamos o resto”. 

Com relação à exportação, o superintendente da Abimci apontou um grande salto nos últimos 10 anos, e garantiu que este é um dos fatores mais preponderantes nos últimos anos, levando o Brasil ao patamar de um importante player no mundo. A atual situação de preços e de consumo no mundo foi um dos motivos, bem como a boa imagem do Brasil e do ambiente de negócios, a melhora dos mercados europeu e americano e o avanço da China. 

Pupo também falou sobre as expectativas do setor, como a retomada da economia e do consumo interno, a melhoria do ambiente de negócios, o andamento das reformas, o aumento do financiamento para produção, a renovação tecnológica e a chegada de novo capital estrangeiro.

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