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Notícias

São Paulo lidera exportações do agronegócio brasileiro em 2024

Por Redação 18/12/2024
Escrito por Redação

São Paulo lidera exportações do agronegócio brasileiro em 2024

São Paulo se consolida na liderança das exportações do agronegócio brasileiro, registrando superávit de US$ 23,22 bilhões no acumulado de janeiro a novembro de 2024, o equivalente a R$ 139,9 bilhões. O valor representa aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2023, reforçando a importância do setor agropecuário para o desempenho econômico do estado e do país. A posição de maior exportador do Brasil era do estado do Mato Grosso no ano passado.

De acordo com os dados do levantamento realizado pelos pesquisadores da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, as exportações paulistas do agronegócio alcançaram US$28,40 bilhões, crescimento de 10,3% em relação ao ano anterior. As importações setoriais também avançaram, totalizando US$5,18 bilhões, alta de 11,4%.

As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital

São Paulo é responsável por 18,6% de participação nas exportações do agronegócio brasileiro, na liderança dos negócios. Mato Grosso aparece na segunda posição (16,7%), seguido pelo Paraná (11,1%) e Minas Gerais (10,4%).

“Mais uma vez, lideramos a balança comercial brasileira. Esse resultado de janeiro a novembro, em um ano de estiagem prolongada, demonstra a vocação agropecuária dos produtores rurais paulistas”, acrescenta Guilherme Piai, secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento.

Principais produtos de exportação
  1. Complexo sucroalcooleiro: 40,7% de participação no agro paulista, com US$11,52 bilhões, açúcar representa 92,8% e o etanol 7,2%;
  2. Carnes: 11,4% de participação, somando US$3,24 bilhões, sendo a carne bovina responsável por 84,2%;
  3. Produtos florestais: 10,2% de participação, na ordem de US$2,90 bilhões, com 54,7% em celulose e 37,5% de papel;
  4. Grupo de sucos: 9,3% de participação, com US$2,65 bilhões, dos quais 98% foram representados por suco de laranja;
  5. Complexo soja: 7,8% de participação, registrando US$2,22 bilhões, com a soja em grão correspondendo a 76,2%.

Estes cinco agregados representaram 79,4% das exportações setoriais paulistas, confirmando a diversidade e relevância das produções agropecuárias do estado.

Já o grupo do café, tradicional cultura do estado de São Paulo, aparece em sexto lugar, com vendas de US$1,18 bilhão (72,1% referentes ao café verde e 23,6% de café solúvel).

Entre os grupos de produtos, no período analisado, destacaram-se aumentos nas exportações de café (+45,1%), sucos (+35,7%), complexo sucroalcooleiro (+19,2%), produtos florestais (+18,2%) e carnes (+14,5%). No entanto, o complexo soja apresentou queda significativa (-36,7%), refletindo as oscilações tanto nos preços quanto nos volumes exportados.

A participação das exportações do agronegócio paulista representou 43,7%, aumento de 4 pontos percentuais em relação a igual período de 2023. Nas importações setoriais, a participação foi de 7,4%, incremento de 0,4 pontos percentuais ante 2023.

 
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Contratações do Plano Safra 2025/26 crescem 7% e Plano Safra 2025/26 e totalizam R$ 354,4 bilhões até fevereiro
Notícias

Sicoob libera mais de R$ 26,7 bi nos cinco primeiros meses da Safra 2024/25

Por Redação 18/12/2024
Escrito por Redação

Sicoob libera mais de R$ 26,7 bi nos cinco primeiros meses da Safra 2024/25

Entre julho e novembro deste ano, as contratações via Plano Safra no Sicoob registraram um aumento de 16% em comparação ao mesmo período de 2023. Com mais de R$ 26,7 bilhões liberados, a instituição financeira cooperativa consolida sua posição como um dos principais agentes financiadores do agronegócio brasileiro.

Para o diretor Comercial e de Canais do Sicoob, Francisco Reposse Junior, esse resultado demonstra a confiança dos produtores rurais na instituição e na sua capacidade de oferecer soluções personalizadas para atender às necessidades do setor.

Exportações do agro ultrapassam 153 bilhões de dólares em 2024

De acordo com o executivo, as linhas relacionadas ao BNDES tiveram um crescimento exponencial nesta Safra em relação a 23/24. “Foi liberado 60% a mais do que o mesmo período do ano passado, isso representa um valor de mais de R$ 1,5 bilhão”, esclarece Reposse. Outro destaque foi o Pronaf, que teve um crescimento de 70%, com o repasse de R$ 409 milhões, reforçando o compromisso do Sicoob de apoiar os pequenos produtores do Brasil.

“Estamos comprometidos em apoiar o produtor rural em seus investimentos e no desenvolvimento sustentável de suas atividades. Com uma rede de atendimento presente em todas as regiões do Brasil, oferecemos soluções financeiras adaptadas às necessidades específicas do agronegócio, contribuindo para o avanço do setor em diversas culturas e atividades. Seja no cultivo de grãos, na pecuária ou em outras atividades agrícolas, as soluções financeiras do Sicoob possibilitam investimentos em tecnologia, infraestrutura e custeio da produção, impulsionando o desenvolvimento do agronegócio no Brasil”, ressalta o executivo.

Na agricultura, o Sicoob tem como principais focos o café, cana-de-açúcar, soja e milho. Já na pecuária, destacam-se a produção de leite, de gado de corte e o setor de aves e suínos. As duas regiões que mais demandaram crédito rural nestes cinco meses foram o Sudeste, com mais de R$ 13,3 bilhões, e o Sul, com mais de R$ 6,3 bilhões. Somadas, ambas representam mais de 70% do crédito concedido no período.

Recursos

O Sicoob espera liberar cerca de R$ 53,4 bilhões em crédito rural na Safra 24/25. Este valor representaria um aumento de 10% em relação à Safra 23/24, quando a instituição alcançou R$ 48,4 bilhões em financiamentos, principalmente voltados para pequenos e médios produtores. Essa projeção converge com o crescimento constante do Sicoob no setor: na Safra 22/23 a liberação foi de R$ 37,5 bilhões, valor que cresceu 29% no ano safra seguinte.

 

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NotíciasTecnologia

Agricultura de precisão é principal oportunidade de avanço no agro

Por Redação 17/12/2024
Escrito por Redação

Agricultura de precisão é principal oportunidade de avanço no agro

A tecnologia tem se tornado a principal aliada do agronegócio brasileiro, com a agricultura de precisão despontando como a maior oportunidade de avanço no setor. Segundo a pesquisa SAE BRASIL Caminhos da Tecnologia no Agronegócio, da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), lançada em fevereiro deste ano, ela é a principal oportunidade de inovação e melhoria, com práticas que incluem o uso de geoprocessamento, piloto automático e aplicação por taxa variada, de acordo com 33% dos participantes.

As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital

Com 32% das respostas vindo de fabricantes e distribuidores de tratores, máquinas e implementos agrícolas, a pesquisa mostra que a busca por soluções que otimizem o uso de recursos e aumentem a produtividade está em alta. Como especialista na área, Bernardo de Castro, vice-presidente de Estratégia Agrícola da divisão Autonomy & Positioning da Hexagon, explora algumas técnicas essenciais para a agricultura de precisão. Veja a seguir:

Piloto automático

Segundo o profissional, uma das principais tecnologias no segmento é o sistema de piloto automático, que permite a navegação precisa dos maquinários no campo.

“Ao guiar tratores e implementos em trajetos exatos, o sistema evita danos às plantações e otimiza o trabalho, reduzindo sobreposições e desperdícios mesmo em curvas ou terrenos acidentados”, afirma Bernardo.

A tecnologia maximiza a utilização da área plantada (aumentando em até 5%) e diminui as falhas entre as linhas de plantio. Essa precisão reduz significativamente o desperdício de insumos, como sementes, fertilizantes e defensivos, além do consumo de combustível.

Outro benefício é a capacidade de minimizar a compactação do solo, que ocorre quando máquinas pesadas repetem trajetos no campo. “Preservar a estrutura do solo contribui para a saúde das plantas a longo prazo. Em uma agricultura que busca práticas mais sustentáveis, essa redução na compactação também ajuda a alinhar os processos com as exigências ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa). Isso porque evita impactos que afetariam o crescimento das raízes, como aeração, retenção de água, e, inclusive, o aumento da susceptibilidade do solo à erosão”, complementa Bernardo.

O piloto automático também permite que as operações sejam planejadas previamente, mesmo fora do campo, por meio de softwares de gestão agrícola. Desta forma, o operador consegue focar em outras variáveis do processo, reduzindo o risco de erros e aumentando a consistência das operações ao longo de cada safra.

Controle de fertilização

O controle de fertilização é outro destaque na categoria – um sistema automatizado que torna a aplicação de fertilizantes e defensivos mais eficiente e sustentável. Ele ajusta automaticamente a quantidade de insumo a ser aplicada, garantindo que os nutrientes sejam distribuídos de maneira uniforme e controlada ao longo da área cultivada.

Com a possibilidade de aplicação em taxa variável, ele opera em diferentes tipos de implementos, mostrando em tempo real a cobertura da área durante a aplicação. Esse nível de controle não só previne falhas, mas também evita o desperdício de insumos, reduzindo gastos.

Segundo Bernardo, sistemas de controle de fertilização eficientes permitem uma redução de até 25% na quantidade de insumos utilizados, ao ajustar a quantidade exata de fertilizante necessária em cada ponto do solo. Além disso, podem corrigir até 15% dos desvios de adubação, promovendo uma aplicação mais precisa e reduzindo erros.

“Essa precisão se traduz em solos mais balanceados e safras de maior qualidade, porque contribuem diretamente para a saúde da cultura e para a padronização da colheita”, diz.

Além disso, tecnologias como o controle automático de fertilização, em taxa fixa e variável, têm se mostrado essenciais para que produtores atendam a exigências de ESG que se referem à saúde do plantio e, consequentemente, do produto final, além do rastreio da cadeia de produção, que pode trazer uma imensa variedade de dados, desde a origem de sementes até condições de trabalho, cada vez mais relevantes no cenário internacional.

Posicionamento

A tecnologia de posicionamento é fundamental para garantir a precisão das operações realizadas por máquinas agrícolas autônomas. O Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS) é uma das tecnologias essenciais utilizadas para fornecer a orientação necessária, mas, sozinha, ela pode enfrentar desafios significativos. Fenômenos naturais, como a cintilação ionosférica – causado pela crescente atividade do atual ciclo solar, que compromete a precisão das coordenadas que guiam as máquinas agrícolas –, ou interferências como árvores e fiação elétrica, podem comprometer a precisão do posicionamento.

Para garantir um funcionamento sem falhas, Bernardo afirma que as tecnologias de posicionamento precisam ser resilientes a essas interferências. “Para superar essas limitações, é interessante integrar o GNSS com soluções de correção de sinal, que proporcionam uma precisão de 2,5 centímetros, essencial para as operações agrícolas de alta precisão e garantem a confiabilidade e eficiência das operações no campo”, conclui.

 

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Notícias

Oeste da Bahia tem maior polo de irrigação por pivôs centrais no Brasil

Por Redação 17/12/2024
Escrito por Redação

Oeste da Bahia tem maior polo de irrigação por pivôs centrais no Brasil

O extremo oeste da Bahia conquistou o posto de maior polo de irrigação por pivôs centrais no Brasil, ultrapassando o Noroeste de Minas Gerais, que liderava o ranking até recentemente. A revelação é de levantamento realizado pela Embrapa , com dados até outubro de 2024, que mostrou uma expansão de quase 300 mil hectares irrigados no País em relação à última análise, feita em 2022, pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA ) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com o levantamento atual, 2,2 milhões de hectares são irrigados por pivôs centrais no Brasil. Em 2022, a área correspondia a 1,92 milhão de hectares.

“Os dados de hoje revelam um crescimento em áreas irrigadas acima de 14% em apenas dois anos, comprovando a dinâmica do setor,” declara o pesquisador Daniel Guimarães, da área de Agrometeorologia da Embrapa Milho e Sorgo (MG), um dos autores do estudo ( leia aqui ), que contou com a participação da pesquisadora da área de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto, Elena Charlotte Landau.

Acréscimo de 140 mil ha e 3,8 mil pivôs

Os resultados obtidos com o levantamento mostraram uma área de 2.200.960 hectares irrigada por 33.846 pivôs centrais, com um acréscimo de 140.842 hectares e 3.807 novos equipamentos de irrigação.

“Os municípios com as maiores áreas irrigadas por pivôs centrais no País são São Desidério, na Bahia, com 91.687 hectares; Paracatu, em Minas, com 88.889 hectares; Unaí, também em Minas Gerais, com 81.246 hectares; Cristalina, em Goiás, com 69.579 hectares; e Barreiras, na Bahia, com 60.919 hectares”, enumera o pesquisador.

De acordo com Guimarães, esse crescimento está relacionado às condições topográficas, às facilidades de implantação dos empreendimentos, ao uso das águas do Aquífero Urucuia e ao armazenamento da água de irrigação em tanques de geomembrana.

“As tendências de crescimento das principais áreas irrigadas mostram que em breve o município de Barreiras (BA), também deverá superar Cristalina, (GO)”, adianta o pesquisador. Segundo ele, Minas Gerais continua sendo o estado com maior área irrigada por pivôs centrais no País (637 mil hectares), e a Bahia superou Goiás, ocupando atualmente o segundo lugar, com uma área irrigada de 404 mil hectares.

As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital

Entre os biomas brasileiros , mais de 70% dos equipamentos de irrigação estão localizados no Cerrado, e apenas o Pantanal não registrou o uso de irrigação por pivôs centrais no atual levantamento. Mais de 70% dos equipamentos de irrigação do País usam águas oriundas das bacias hidrográficas do Rio Paraná (37,7%) e do Rio São Francisco (33,1%).

“O dimensionamento das áreas irrigadas e o status de uso desses equipamentos (inativos ou cultivados) são fundamentais para a gestão eficiente dos recursos hídricos no País, além de permitirem a expansão dessa atividade de forma sustentável e reduzirem os conflitos pelo uso da água”, analisa o pesquisador.

Produção brasileira depende das chuvas

Apesar de o Brasil ser um dos grandes produtores globais de alimentos, bioenergia e fibras, a maior parte de sua produção agrícola é baseada em sistemas de sequeiro, ou seja, dependente das chuvas. “A área brasileira irrigada, de acordo com as atuais estatísticas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), corresponde a apenas 2,6% da área irrigada global, apesar de termos cerca de 12% da água superficial e as maiores reservas de água subterrânea (aquíferos) do planeta”, analisa Guimarães.

“A área total irrigada do Brasil, de cerca de 9,2 milhões de hectares – incluídos todos os sistemas de irrigação como o uso de gotejamento, inundação e aspersão convencional, por exemplo – é menor que as áreas irrigadas do Irã e Paquistão, três vezes menores que a dos Estados Unidos e oito vezes menor que as áreas irrigadas da China e Índia”, compara o pesquisador.

As principais vantagens do uso da irrigação, segundo ele, estão relacionadas ao aumento da produtividade por área (entre duas e três vezes em relação aos cultivos não irrigados), qualidade e estabilidade da produção, produção na entressafra, além da redução na pressão para expandir a fronteira agrícola.

A desvantagem, conforme o cientista, está no grande consumo de água dos mananciais. A maioria dos aquíferos está em processo de depleção, em que a recarga é menor que o volume retirado, como o Aquífero Ogalalla, nos Estados Unidos, principal fonte de água do estado de Nebraska, que tem a maior área irrigada daquele país.

“O rebaixamento do nível de água dos aquíferos traz grandes desafios para a produção de alimentos no futuro associados à menor oferta de água em longo prazo, maiores custos de bombeamento, redução nas vazões das águas superficiais e tendência de salinização das águas subterrâneas”, alertam Guimarães e Landau.

Ainda segundo eles, os eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas, ondas de calor e excesso de chuvas, têm impactado de forma negativa a produção agrícola de sequeiro no Brasil, além de provocar abalos no mercado interno e na pauta das exportações. “Essas volatilidades inerentes à produção de sequeiro têm refletido na tendência de crescimento da agricultura irrigada no Brasil”, completa o pesquisador.

Além das vantagens comparativas do Brasil em termos de quantidade e qualidade das águas superficiais e subterrâneas, a Agência Nacional de Águas faz o monitoramento dos recursos hídricos e das principais fontes de consumo. A agricultura irrigada é a principal usuária desses recursos, especialmente no caso da irrigação de arroz e cana-de-açúcar por pivôs centrais.

De acordo com ambos os pesquisadores da Embrapa, o sistema de irrigação por pivôs centrais apresenta a maior tendência de crescimento e vem sendo monitorado desde 1985, por meio de parcerias da Agência Nacional de Águas com a Embrapa e outras instituições.

 

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MercadoNotícias

Exportações do agro ultrapassam 153 bilhões de dólares em 2024

Por Redação 17/12/2024
Escrito por Redação

Exportações do agro ultrapassam US$ 153 bilhões no acumulado de 2024

De janeiro a novembro de 2024, as exportações do agro brasileiro totalizaram US$ 152,63 bilhões, representando 48,9% do total das exportações brasileiras no período. Este foi o segundo melhor desempenho já registrado na série histórica. A redução de 5,2% no índice de preços internacionais foi parcialmente compensada pelo aumento de 5,2% no volume exportado.

Os principais setores responsáveis por esse desempenho foram o complexo soja (US$ 52,19 bilhões), carnes (US$ 23,93 bilhões) e o complexo sucroalcooleiro (US$ 18,27 bilhões), que juntos responderam por mais de 60% do total exportado. Apesar de uma redução de 18,7%, o complexo soja manteve sua posição de destaque, enquanto carnes e açúcar registraram crescimentos significativos, impulsionados por recordes de embarques e diversificação de mercados.

As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital

Dentre os produtos exportados, o café solúvel merece destaque, com um acumulado de US$ 792 milhões no período. Outro produto que chamou a atenção foi o óleo essencial de laranja, com mais de US$ 365 milhões em exportações até novembro de 2024. Esses resultados mostram como o agronegócio brasileiro vem ampliando horizontes, levando ao mundo uma variedade de produtos de alto valor agregado e reafirmando sua força em mercados cada vez mais diversificados.

Resultados de novembro

Em novembro de 2024, as exportações do agro somaram US$ 12,66 bilhões, o que equivale a 45,2% do total exportado pelo Brasil no mês. Apesar de uma retração de 5,8% em relação a novembro de 2023, setores como carnes, café e produtos florestais tiveram resultados significativos, compensando parcialmente a queda nas vendas de grãos.

O setor de carnes foi o principal destaque do mês, com um recorde histórico de exportações para novembro, atingindo US$ 2,45 bilhões (+30,2%). A carne bovina foi o principal produto, com US$ 1,23 bilhão (+29,9%), seguida pela carne de frango (US$ 876,92 milhões, +31,8%) e pela carne suína (US$ 289,40 milhões, +30,8%). Esse crescimento foi impulsionado por maiores volumes exportados e preços médios mais altos.

As exportações de café também alcançaram um recorde histórico para novembro, com US$ 1,47 bilhão (+84,4%), impulsionadas por um aumento de 21,8% no volume exportado e de 51,4% nos preços internacionais. A União Europeia, Estados Unidos e México foram os principais destinos do café verde brasileiro. Já os produtos florestais cresceram 29,1%, totalizando US$ 1,51 bilhão, liderados pela celulose, com US$ 877,34 milhões em receitas.

Por outro lado, o complexo soja sofreu uma retração de 50,3%, com exportações de US$ 1,86 bilhão, devido à quebra de safra e redução nos estoques. O milho também apresentou queda, totalizando US$ 967,89 milhões (-41,7%) devido à redução de 36,2% na quantidade embarcada.

Importações em alta

As importações de produtos agropecuários totalizaram US$ 1,54 bilhão em novembro de 2024, um aumento de 14,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os principais itens importados estão trigo (US$ 102,16 milhões; +21,2%) e salmões (US$ 76,05 milhões; +14,1%).

Expectativas futuras

De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, os resultados da diversificação de mercados e produtos começam a aparecer de forma concreta na balança comercial.

“Os produtos menos tradicionais da pauta exportadora incrementaram 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com as boas perspectivas de safra para 2025, a continuidade das aberturas de novos mercados, a maturação comercial das aberturas já realizadas e a intensificação das ações de promoção comercial com uma série de novos instrumentos, esperamos ainda mais avanços qualitativos e quantitativos nas exportações do agro brasileiro”, destacou.

 
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NotíciasReportagem especial

As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital

Por Redação 16/12/2024
Escrito por Redação

As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital no Brasil

Ana Machado – As porteiras estão abertas para o chamado agro high tech: a agricultura digital tem promovido uma crescente otimização das operações agrícolas no mundo inteiro por meio do uso de tecnologias avançadas. Isso porque, combinadas, elas melhoram a eficiência, a produtividade e a sustentabilidade no campo, além de tornar a gestão das fazendas mais inteligente.

“Atualmente, as transformações que acontecem no campo fazem parte da chamada Agricultura 4.0 e estão relacionadas à digitalização dos processos de produção. Esse fenômeno vai além da simples mecanização agrícola. As operações e decisões passam a ser orientadas com base em dados retirados do clima, da terra, da lavoura etc. Com foco em melhorar o desempenho de cada talhão, dispositivos e pessoas trabalham conectados e integrados”, explica Carlos Eduardo Silva Volpato, pesquisador e diretor da Escola de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Lavras (UFLA-MG).

Boas práticas na lubrificação aumentam vida útil de máquinas e evitam dores de cabeça

Segundo ele, a agricultura digital é uma nova forma de enxergar o mundo agrícola, conectando todas as pontas da cadeia produtiva. Nesse sentido, os processos avançam e, cada vez mais, é comum ver nas propriedades rurais o trabalho sendo facilitado com a ajuda de máquinas e equipamentos inovadores. “Isso faz com que a produtividade tenha um salto e a cadeia se reinvente no campo de forma nunca antes vista, aliás, de uma forma nem mesmo imaginada”, afirma.

As inovações são muitas – e com a chegada e expansão do 5G, a tendência é que o mercado de agritechs cresça ainda mais. A seguir, listamos o que já tem sido realizado.

8 tecnologias aplicadas à agricultura digital atualmente:

As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital no Brasil

Internet das Coisas (IoT):

Sensores conectados a dispositivos inteligentes monitoram condições ambientais, como temperatura, umidade, níveis de nutrientes e saúde das plantas. Esses dados são transmitidos em tempo real, permitindo uma tomada de decisão mais precisa.

Drones:

Usados para capturar imagens aéreas de alta resolução, monitorar o crescimento das plantas, detectar doenças e pragas, e até para a aplicação de insumos, como fertilizantes e pesticidas de maneira mais precisa e localizada.

Big data e análise de dados:

A coleta massiva de dados (de sensores, drones, satélites etc.) é analisada para identificar padrões e insights. Isso pode ajudar na previsão de safras, otimização do uso de recursos e gerenciamento de riscos.

Inteligência artificial e machine learning:

Algoritmos de IA podem prever condições climáticas, otimizar a irrigação, identificar doenças e sugerir práticas agrícolas mais eficientes. Já o Machine Learning é usado para melhorar o desempenho de máquinas e processos com base em dados históricos e em tempo real.

Agricultura de precisão:

Envolve o uso de tecnologias para aplicar insumos (fertilizantes, pesticidas, água) de forma mais precisa, com base nas necessidades específicas de diferentes áreas da lavoura. Isso reduz o desperdício e aumenta a eficiência.

Robôs e máquinas autônomas:


As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital no Brasil

Robôs agrícolas são usados para tarefas como plantio, colheita e manutenção das plantas. Essas máquinas autônomas, como tratores e colheitadeiras, podem operar sem intervenção humana, aumentando a produtividade e reduzindo os custos.

Tecnologia de imagem e sensoriamento remoto:

Satélites e sensores ópticos são usados para monitorar vastas áreas agrícolas, fornecendo dados sobre o estado das colheitas, condições do solo e saúde das plantas. Essas imagens ajudam na detecção precoce de problemas e no planejamento da gestão agrícola.

Blockchain:

Utilizado para rastrear e registrar informações sobre a cadeia de suprimentos agrícola. Isso garante a transparência e a rastreabilidade dos produtos desde a fazenda até o consumidor, aumentando a confiança e a segurança alimentar.

Juntas, essas tecnologias estão transformando a agricultura, permitindo decisões mais acertadas para aumentar a produtividade e reduzir os impactos ambientais.

O problema é que, para a grande maioria dos produtores rurais, ainda há muitos entraves a superar para que todo o potencial da agricultura digital seja explorado.

Principais desafios enfrentados pelos agricultores na adoção da agricultura digital

As principais tendências e desafios para o avanço da agricultura digital no Brasil
1 – Falta de acesso à internet em áreas rurais

A conexão com a internet é essencial para utilizar a maioria das novas tecnologias. No entanto, somente 23,8% da área disponível para uso agrícola no Brasil tem cobertura 4G ou 5G, com maior concentração no sul e sudeste brasileiro.

Com a missão de acelerar a revolução digital no campo, um grupo de empresas do agronegócio e da área de tecnologia criou a associação ConectarAgro. Um dos principais esforços recentes da entidade é o Indicador da Conectividade Rural, que evidencia os desafios da falta de acesso à internet em regiões de cultivo, mostrando a necessidade urgente de mais investimentos no setor.

Segundo a presidente da ConectarAgro, Paola Campiello, um dos maiores obstáculos para a conectividade em ambientes mais remotos é a infraestrutura.

“Muitas áreas rurais estão localizadas em regiões isoladas, com baixa densidade populacional, o que reduz a atratividade econômica para as operadoras expandirem suas redes de telecomunicações. Essas localidades demandam investimentos significativos em torres e redes, que muitas vezes não se justificam devido ao retorno financeiro limitado. Sem contar investimentos, por exemplo, em ruas e estradas para o acesso terrestre”, comenta.

Além disso, Paola explica que o custo para se conectar pode ser proibitivo para pequenos e médios produtores rurais, que frequentemente não dispõem de recursos suficientes para custear a instalação e a manutenção de uma internet de qualidade.

“Mesmo nas regiões onde a conexão está disponível, há dificuldades relacionadas à instabilidade e à baixa velocidade do sinal, prejudicando o uso de tecnologias avançadas e o acesso a serviços digitais”, destaca a executiva.

O problema da falta de conectividade também está em pauta no Congresso Federal. Neste ano, o senador Jayme Campos apresentou um projeto de lei para instituir a Política Nacional de Conectividade no Campo (PL 1069/2024), cujo o objetivo principal é facilitar e estimular a instalação de infraestrutura adequada para ampliar a conectividade em áreas rurais, bem como promover a inovação de tecnologias para o agronegócio, ampliar as ações de capacitação profissional dos produtores e incentivar o desenvolvimento de agritechs.

A proposta foi aprovada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, onde recebeu emendas do senador e relator Alan Rick, para que os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) sejam exclusivamente utilizados para apoiar a instalação de infraestrutura que amplie a conectividade nas áreas rurais.

“A nova revolução digital no campo vem demandando um crescimento equivalente da oferta de infraestrutura e de serviços de conectividade. Diante desse contexto, é crucial incentivar a conectividade e a construção de infraestrutura de telecomunicações na zona rural, assegurando que a população tenha acesso aos serviços essenciais e à inclusão digital”, pontuou o senador Rick ao ler o seu relatório.

O projeto de lei continua em tramitação no Senado Federal, e está atualmente aguardando discussão na Comissão de Comunicação e Direito Digital.

2 – Custos elevados das novas tecnologias

Segundo o mais novo relatório “Global Farmer Insights 2024”, produzido pela consultoria McKinsey, um dos principais pontos problemáticos para a adoção da agricultura digital globalmente são os altos custos de implementação e manutenção das novas tecnologias.

Na América Latina, incluindo o Brasil, esse é o principal desafio para 33% dos entrevistados, que também pontuaram a falta de suporte quando surgem problemas e a pouca clareza sobre o retorno do investimento como determinantes para não conseguirem tornar suas propriedades mais high techs.

Para contornar essa questão, a Embrapa, em parceria com o CPQD, um dos maiores centros de pesquisa e desenvolvimento da América Latina, e a Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC) associada à Universidade Federal de Lavras, lançou desde 2020 o SemeAr.

A iniciativa visa acelerar a transformação digital de pequenos e médios produtores brasileiros e tem como foco a implantação de projetos inovadores baseados em tecnologias digitais e nas demandas reais dos agricultores.

Entre as principais ações do SemeAr estão as super fazendas digitais, batizadas de Distritos Agro Tecnológicos (DATs), que funcionam por meio do agrupamento de vários produtores em uma área geográfica para compartilhar as mais recentes soluções da agricultura digital.

3 – Falta de capacitação para a inclusão digital

Embora exista iniciativas como essa para a democratização do acesso às novas tecnologias voltadas ao agronegócio, a falta de capacitação sobre os benefícios da incorporação da agricultura digital também é encarada como um importante desafio do setor.

De acordo com Silvia Massruhá, atual presidente da Embrapa, que atuou por 20 anos como pesquisadora da entidade, liderando projetos na área de engenharia de software, inteligência artificial e computação científica aplicada à agricultura, e que está à frente do projeto Semear Digital, a falta de entendimento dos pequenos e médios produtores sobre as novas tecnologias está diretamente ligada à avalanche de soluções que têm chegado ao mercado nos últimos anos.

“Eles falam que ficam até perdidos com tanta tecnologia e nem sabem para onde correr. Por outro lado, compreendem que não podem ficar fora dessa transformação, porque ela é importante para que o Brasil continue sendo uma referência em agricultura e, além disso, porque o gap com os grandes produtores pode aumentar ainda mais”, destaca Silvia.

Entendendo que a conectividade, por si só, não resolve vários desafios do agronegócio, especialmente sem a capacitação dos produtores rurais para utilizar as tecnologias disponíveis, a Embrapa tem se movimentado para mudar esse cenário.

Neste ano, por exemplo, a ConectarAgro formalizou uma parceria estratégica com o AgNest, um importante laboratório liderado pela Embrapa, que atua como um centro de inovação e desenvolvimento de tecnologias agrícolas.

“Essa colaboração busca não apenas expandir a conectividade no campo, mas também capacitar os produtores por meio de treinamentos, workshops e palestras gratuitas, assegurando que eles possam utilizar as ferramentas digitais de maneira eficiente e produtiva”, acrescenta a presidente da ConectarAgro.

Segundo Paola, as instituições têm trabalhado juntas para fortalecer o ecossistema agrícola brasileiro, promovendo não só avanços tecnológicos, mas também a inclusão dos produtores, tornando o setor mais competitivo, sustentável e preparado para os desafios do futuro.

6 exemplos práticos de como as novas tecnologias estão transformando o agro
1 – IA que reduz necessidade de uso de inseticidas e herbicidas químicos

Com tecnologia de última geração, o robô autônomo Solix AS Robotics, da Solinftec, usa IA para o controle de pragas e plantas daninhas. O Solix também é equipado com uma tecnologia baseada em ondas de luz, com comprimentos diferentes, para atrair determinadas ordens de insetos-pragas por cultura, combatendo indivíduos adultos por meio de eletrochoques, antes do período de oviposição.

Durante a AgriShow deste ano, a empresa divulgou alguns resultados impressionantes: por meio de missões e associação de tarefas junto ao manejo integrado de pragas (MIP), o robô reduziu em mais de 90% o uso de herbicidas em fase de pós-emergência e operações de dessecação e pré-plantio em culturas de grãos.

2 – Drone inteligente que realiza multifunções no campo

Também presente na Agrishow 2024, a EAVision trouxe ao Brasil o Pandora, o primeiro drone no país a integrar pulverização, semeadura, mapeamento geográfico e operações de elevação de carga. Segundo a fabricante, o equipamento oferece detecção automática de obstáculos, capacidade de 45 e 60 litros, quatro bicos de pulverização, e consegue elevar cargas de até 60 kg.

3 – Aplicativo que identifica gado por reconhecimento facial

A startup 406 Bovine, dos EUA, desenvolveu uma tecnologia agrícola baseada em IA que pode simplificar significativamente o gerenciamento de gado, eliminando a necessidade de rastreadores físicos, como etiquetas auriculares.

Por meio de reconhecimento facial, a solução da 406 Bovine permite que os produtores obtenham dados de bem-estar, movimento e tratamento simplesmente tirando uma foto da cabeça de seus animais. Segundo a empresa, é possível fazer o reconhecimento de vacas a 15 metros de distância.

4 – Medição da condutividade hidráulica do solo de forma digital e totalmente autônoma

Em parceria com a Embrapa e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), a Falker desenvolveu um permeâmetro digital automatizado para medir a condutividade hidráulica do solo – dado que descreve a capacidade de um solo armazenar, drenar e redistribuir a água.

Segundo Marcio Albuquerque, CEO da Falker, foram mais de três anos de projeto interno de pesquisa, desenvolvimento e inovação para se chegar ao Solo Flux, um equipamento digital que dispõe de GPS integrado para demarcar a localização exata das medições. Os dados coletados são importantes para o manejo e o aproveitamento da água da irrigação; o dimensionamento de projetos hidráulico; e também para prever o comportamento do solo frente a eventos climáticos adversos, como chuvas torrenciais e inundações.

5 – Chat bot poliglota que tira dúvidas dos agricultores em tempo real

A Farmeline Group desenvolveu um chat bot que figurou neste ano entre as melhores invenções da revista Time na categoria Agricultura. Chamado de Darli AI, o chat bot foi configurado para interagir em mais de 27 idiomas. E o seu uso é bem simples: a partir do WhatsApp, os produtores podem enviar mensagens de texto para solucionar dúvidas sobre fertilizantes, rotações de cultura, entre outros temas de interesse.

6 – Sensores para melhorar eficiência da polinização

Já a agritech BeeHero criou sensores altamente sensíveis para serem colocados dentro de colmeias. Os dados coletados são registrados em uma plataforma com vários parâmetros e insigths a fim de que os produtores possam adotar medidas para tornar a polinização de suas lavouras mais eficiente.


TENDÊNCIAS: MAIS INOVAÇÕES DA AGRICULTURA DIGITAL ESTÃO CHEGANDO
Com tantas novidades sendo lançadas todos os dias, é até difícil imaginar o que ainda vem por aí quando se pensa em agricultura digital. O fato é que o mercado de agritechs só tende a crescer.
O potencial da IA, por exemplo, é tão expressivo que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) relançou recentemente um compromisso com as empresas IBM e Microsoft para desenvolver IA com foco em segurança alimentar.
Outro fator que deve revolucionar ainda mais as transformações do agro no mundo inteiro são as possibilidades de pesquisas utilizando computação quântica. Para se ter uma ideia de escala, enquanto um computador tradicional processa 10 mil interações de dados em um tempo específico, a computação quântica pode alcançar 100 mil.
Com tamanha habilidade para resolver problemas extremamente complexos, a computação quântica pode ser a chave, por exemplo, para o aprimoramento da fitossanidade, com simulações avançadas para a identificação precoce de doenças em determinadas culturas, ou ainda no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), estudo cujo o objetivo é minimizar os riscos relacionados aos fenômenos climáticos adversos e crucial para a promoção de políticas públicas.

 
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NotíciasTecnologia

Desenvolver a computação quântica é fator estratégico para a agricultura do Brasil

Por Redação 16/12/2024
Escrito por Redação

Desenvolver a computação quântica é fator estratégico para a agricultura do Brasil

Uma tecnologia emergente promete impulsionar a agricultura digital e impactar profundamente áreas de pesquisa agropecuária: a computação quântica. Com potencial para resolver problemas complexos de forma mais rápida e precisa, essa inovação pode ser aplicada em áreas como agricultura inteligente, modelagem climática, sensoriamento remoto e bioinformática, segundo estudo da Embrapa Agricultura Digital (SP) com apoio do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Publicado na revista científica Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), o artigo analisa as aplicações e os desafios da computação quântica no agro e a colocam como estratégica para o futuro do setor. “Pesquisas na fronteira do conhecimento, como em computação quântica, podem apoiar a tomada de decisões em diferentes elos das cadeias produtivas do setor de forma mais eficiente, pois envolvem processos com elevado grau de incerteza, desde o plantio até a comercialização da produção agrícola”, explica Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa e coautor do estudo.

Como funciona a computação quântica?

O coordenador do trabalho, o pesquisador Kleber Souza, explica que, diferentemente do que hoje se vê em funcionamento em automóveis, aparelhos celulares e computadores domésticos, os novos equipamentos utilizam propriedades da física quântica para realizar operações de armazenamento e processamento de informações e resolver problemas complexos. Tais máquinas têm potencial superior em termos de qualidade e velocidade de respostas ao testarem múltiplas possibilidades e variáveis ao mesmo tempo. Desse modo, vão além da alternativa binária (entre dois caminhos por vez) oferecida pelos computadores clássicos, incluindo os supercomputadores.

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Diferentemente dos computadores convencionais, que operam com bits binários (“0” ou “1”), os computadores quânticos utilizam qubits, que podem representar “0” e “1” simultaneamente. Essa característica, conhecida como superposição, permite que esses dispositivos processem múltiplas variáveis ao mesmo tempo, trazendo respostas mais rápidas e detalhadas para problemas complexos.

Aplicações da computação quântica na agricultura

Na prática, a computação quântica já se mostra promissora em diversas frentes. Em modelagem climática, ela será capaz de melhorar a precisão do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), sistema desenvolvido pela Embrapa e utilizado por gestores para elaborar políticas públicas e por instituições financeiras para embasar a concessão de créditos e cálculos de seguro agrícola.

Na área de fitossanidade, as simulações feitas pela arquitetura quântica ajudarão a identificar precocemente doenças em culturas como soja e milho. O emprego de aprendizado de máquina já resultou em uma tecnologia de identificação precoce de doenças. A computação quântica pode potencializar essas operações.

Na bioinformática, análises de dados genômicos podem ser altamente aceleradas com a computação quântica, beneficiando estudos de melhoramento genético. O estudo também aponta que, no futuro, a tecnologia poderá integrar sensores avançados e algoritmos de aprendizado de máquina, ampliando ainda mais sua aplicação no campo.

Desafios e investimentos necessários

Apesar do potencial promissor, o desenvolvimento de aplicações quânticas para o agro ainda enfrenta desafios. Um dos principais é o custo. Um computador quântico pode custar até 20 milhões de dólares, além de exigir infraestrutura avançada, como temperaturas de operação próximas do zero absoluto e ambientes altamente isolados.

Mesmo assim, segundo Souza, o domínio da tecnologia quântica será estratégico para o Brasil. “A pesquisa e a educação [voltadas ao tema] são áreas em que o Brasil também terá de investir para garantir a soberania tecnológica e manter a competitividade do setor agropecuário brasileiro”, defende.

Computação quântica no Brasil

No Brasil, os desafios para a implantação da computação quântica estão sendo mapeados e importantes iniciativas já estão em curso, ressalta Souza. Em 2022, foi organizado, pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Softex o evento “Desafio Brasil Computação Quântica” para discutir a questão.

No mesmo ano, teve também o lançamento da Rede MCTI-Softex de Tecnologias Quânticas, coordenada pelo Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai). O objetivo é fomentar o ecossistema brasileiro de computação quântica, integrando as ações do governo aos centros de pesquisas, startups e preparar o País para a tecnologia.

Em 2023, a Embrapa e o Senai Cimatec lançaram uma Unidade Mista de Pesquisa e Inovação Digital em Agricultura Tropical (Umipi DITAg). A parceria viabiliza o compartilhamento das infraestruturas computacionais e equipes das instituições para, a partir do uso de novos sensores, tecnologias quânticas, automação e robótica, alavancar o desenvolvimento de soluções digitais voltadas ao setor agropecuário em áreas como inteligência artificial, agricultura de precisão, internet das coisas, fotônica e rastreabilidade.

Em 2024, a Fapesp lançou um programa de pesquisa para promover o progresso das tecnologias quânticas, impulsionar o desenvolvimento de startups, atrair investimentos globais e trazer talentos para o estado de São Paulo.

Capacitação é chave para o avanço

A Austrália avalia que em 2045 serão necessários 19,4 mil especialistas para suprir a demanda para atuação em computação quântica, relata Souza, ao destacar a pesquisa e a educação como áreas igualmente essenciais para o desenvolvimento dessa área no Brasil.

Além de infraestrutura, o País precisa investir em formação de especialistas. De acordo com o artigo, países como Austrália e Alemanha já oferecem cursos de engenharia quântica, enquanto no Brasil, instituições começam a adotar programas voltados ao tema. Para Souza, computadores educacionais, acessíveis a partir de 500 dólares, podem ser uma porta de entrada para a capacitação de profissionais e testes iniciais de algoritmos. “Não se consegue fazer muito somente com eles, mas, associados aos serviços em nuvem, podem auxiliar as instituições a empreenderem um planejamento estratégico para incorporar a computação quântica”, avalia.

Pensando nisso, o artigo apresenta um mapeamento dos serviços e simuladores de computação quântica em nuvem já disponíveis para testes de algoritmos ou até mesmo para a familiarização com essa nova forma de computação.

Souza destaca que a ideia é aprofundar a pesquisa na vanguarda do conhecimento nesta área aplicada à agricultura digital. O artigo relata que algumas universidades já iniciaram o oferecimento de cursos em Engenharia Quântica. A Universidade Saarland, na Alemanha, iniciou seu curso de graduação em 2019; a Universidade de New South Wales, na Austrália, inaugurou um mestrado em 2021, e a Virginia Tech, nos EUA, em 2022, como um curso de especialização.

Um olhar para o futuro

Com simuladores de computação quântica em nuvem já disponíveis, o Brasil tem a oportunidade de acelerar sua entrada nesse campo. “Esses simuladores permitem que empresas e pesquisadores experimentem soluções antes mesmo de adquirir equipamentos físicos”, explica Bolfe.

Os autores destacam que, mesmo com o potencial promissor da tecnologia quântica, o seu desenvolvimento continua sendo um desafio para a modelagem de processos biológicos na agricultura, uma vez que eles envolvem ampla gama de variáveis.

Portanto, a evolução dessas aplicações em diferentes setores produtivos requer desenvolvimento computacional contínuo e treinamento de pessoal para o avanço científico e tecnológico.

A computação quântica, embora ainda distante da maioria das propriedades rurais, promete ser uma aliada poderosa para enfrentar os desafios da agricultura moderna. Investir em pesquisa, desenvolvimento e capacitação não é apenas uma questão de inovação, mas de garantir que o País continue a ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

Os números da computação quântica
  • Escala – A nova tecnologia permite alterar a escala de problemas que é capaz de resolver e como a modelagem é realizada no sistema quântico. Ao invés de processar 10 mil possíveis interações de dados obtidos em campo (solo, planta e clima) em um computador tradicional em determinado tempo, no processamento quântico seria possível processar 100 mil interações nesse mesmo tempo.
  • Qubits – Os três bilhões de pares de bases do genoma humano, que requerem 1,5 gigabytes em um computador convencional, podem ser armazenados em aproximadamente 34 qubits de um computador quântico. Duplicando-se a quantidade de qubits para 68, tem-se espaço suficiente para armazenar os genomas de toda a humanidade.
  • Mercado – Um exemplo de investimento massivo é a parceria firmada em 2022 entre a Cleveland Clinic e a IBM para a instalação do sistema de computação quântica One. A parceria envolve recursos da ordem de 500 milhões de dólares nos próximos dez anos. O foco de atuação será em patógenos emergentes e doenças relacionadas a vírus, encurtando pesquisas críticas em tratamentos e vacinas.

 

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Tratores pequenos e médios ganham cada vez mais espaço no mercado brasileiro
Notícias

Contran regulamenta trânsito de trator agrícola por rodovias

Por Redação 16/12/2024
Escrito por Redação

Contran regulamenta trânsito de trator agrícola por rodovias

Uma antiga reivindicação dos produtores rurais foi atendida. No dia 11 de dezembro, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou a resolução 1.017/24, que regulamenta o trânsito de tratores agrícolas nas rodovias brasileiras. A medida atende a uma demanda encampada pelo Sistema FAEP, que contou com apoio do deputado federal Sergio Souza (MDB-PR). A previsão é que a decisão comece a valer em janeiro de 2025.

“Essa resolução sobre o trânsito de máquinas atende a uma antiga demanda da classe rural, que, muitas vezes, era impedida de realizar suas atividades por conta da proibição do trânsito dessas máquinas pelas rodovias. Além de eliminar uma dificuldade prática, essa medida vai conferir mais segurança para aqueles que trafegam nas vias públicas, uma vez que estabelece regras para que esse trânsito aconteça”, avalia o presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa vitória só foi possível graças à articulação política e institucional do Sistema FAEP em benefício do produtor rural”, complementa.

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Para discutir a medida de forma ampla, foram realizadas reuniões, audiências e uma consulta pública, envolvendo as partes interessadas, como entidades do setor produtivo, Polícia Rodoviária Federal e Secretaria Nacional de Trânsito, com participação ativa do deputado federal Sergio Souza.

“Esse processo foi construído a muitas mãos. Essa resolução é um grande avanço para o setor, permitindo que o produtor rural transite com máquinas agrícolas nas rodovias. Agradeço ao Sistema FAEP e aos sindicatos rurais do Paraná pelo apoio”, destaca Souza.

A nova resolução do Contran estabelece os critérios para o registro e a circulação de tratores em vias públicas. Até então, esses equipamentos só poderiam transitar em cima de caminhões prancha, o que onerava e dificultava as atividades agropecuárias, além de trazer riscos à segurança dos usuários das rodovias.

Agora, os tratores agrícolas, dotados ou não de implementos, podem circular em vias públicas sem a necessidade de Autorização Especial de Trânsito (AET), desde que possuam até 3,20 metros de largura, não invadam a faixa de rolamento do sentido contrário, transitem apenas durante o dia, em condições favoráveis de visibilidade e por uma distância máxima de 40 quilômetros em vias pavimentadas.

A resolução do Contran também destaca a necessidade de que um outro veículo, com o pisca-alerta ligado, trafegue a uma distância de até cinquenta metros da máquina agrícola. Este veículo deverá ser equipado com a inscrição “Trator Adiante”.

Outras situações previstas na normativa dizem respeito a máquinas com dimensões entre 3,20 metros e 4,50 metros. Nesse caso é necessário a emissão da Autorização Especial de Trânsito (AET) para circulação em via pública, que poderá ser feito via Registro Nacional de Tratores e Máquinas Agrícolas (Renagro).

Para veículos que excedem estas dimensões, em caráter excepcional, pode ser feita uma autorização do órgão responsável, desde que sejam adotadas medidas para garantir a segurança dos usuários da rodovia.

Os veículos abrangidos por esta resolução devem estar devidamente registrados. No caso dos maquinários destinados à produção agrícola, é preciso efetuar o Renagro, junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Vale lembrar que esses veículos estão dispensados de licenciamento e emplacamento, sendo necessário apenas um registro junto ao Mapa. Para conduzir esses veículos nas rodovias, os condutores precisam ter carteira de habilitação nas categorias C, D ou E.

 

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Notícias

Plantio de arroz na safra 2024/25 no RS alcança 96,5% da área prevista

Por Redação 13/12/2024
Escrito por Redação

Plantio de arroz na safra 2024/25 no RS alcança 96,5% da área prevista

 

Nesta semana, os produtores rurais gaúchos alcançaram 96,51% da área prevista para a safra 2024/2025, o que aponta para a finalização dos trabalhos de plantio do arroz no Rio Grande do Sul. Foram semeados 915.302 hectares dos 948.356 ha previstos pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) para o Estado. O crescimento em relação ao último levantamento foi de 1,47 ponto percentual.

Além das duas regionais que já atingiram os 100% na semana passada (Campanha e Planície Costeira Externa), outras três estão concluindo a semeadura. A Fronteira Oeste registra agora 99,83% (281.056 ha dos 281.542 ha projetados). A Zona Sul está com 99,68% (165.462 ha dos 165.986 ha estimados). E a Planície Costeira Interna tem 98,69% da área semeada (141.941 ha dos 143.825 ha previstos).

Plantio de arroz na safra 2024/25 no RS alcança 96,5% da área prevista

Região mais afetada pela enchente de maio, a Central é a que está com maior atraso e aparece no relatório do Irga com 76,04% (95.700 hectares dos 125.860 ha projetados).

“A região Central é um caso bem mais complexo em função de ainda faltar um percentual bem significativo para ser semeado. Mas isso está muito associado às enchentes. E as frequências das chuvas durante os meses de setembro, outubro e novembro também acabaram prejudicando a reconstrução dessas áreas. Os produtores estão tendo uma jornada dobrada para reconstruir as áreas e ainda conseguir semear”, comenta o gerente da Extensão Rural (Dater) do Irga, Luiz Fernando Siqueira.

O levantamento semanal com a evolução da semeadura de arroz é coordenado pela Dater a partir de informações apuradas junto aos orizicultores pelos núcleos da autarquia no interior do Estado.

 

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Notícias

Mercado de seguro rural deve fechar o ano com alta de 0,5%, diz CNseg

Por Redação 13/12/2024
Escrito por Redação

Mercado de seguro rural deve fechar o ano com alta de 0,5%, diz CNseg

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) estima um crescimento de 10,1% do setor segurador em 2025, levando em conta uma projeção de Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5%. Os dados do setor foram divulgados durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (12), em São Paulo.

Para 2024, a projeção de crescimento é de 11,6%, com a arrecadação estimada em R$ 747,3 bilhões, R$ 77,8 bilhões a mais do que o arrecadado em 2023. Os dados incluem todos os produtos de Seguros, Previdência Aberta, Capitalização e a Saúde Suplementar.

O maior destaque para a alta da arrecadação é o segmento de Cobertura de Pessoas, que tem avanço estimado de 15,6% em 2024 e 9,5% em 2025, respectivamente. A Saúde Suplementar também deve apresentar um crescimento significativo, de 10,9% em 2024 e 10,9% em 2025. Já o seguro rural deve fechar o ano com alta de 0,5%.

Safra de grãos 2024/25 deve bater recorde com alta de 8,2%, diz Conab

Os produtos que integram Danos e Responsabilidades contribuirão para o aumento na arrecadação, com crescimento projetado de 7,1% até dezembro deste ano e 8,2% no decorrer de 2025. Já a Capitalização deve crescer 6,6% este ano e 5,5% no ano que vem.

A entidade também estima que o setor segurador terá uma participação de 6,4% no PIB nacional até o final do próximo ano, 0,1 p.p. a mais que o resultado estimado para este ano. Para 2025, há previsões otimistas para a Previdência Aberta, com uma estimativa de aumento de 9,6%, e para o Seguro de Pessoas, com 9,4%. Automóvel e Rural também seguem com taxas positivas de crescimento, de 4,3% e 6%, respectivamente.

Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, os valores pagos em indenizações mostram a importância e a magnitude do setor segurador para o país. “Em 2023 atingimos R$ 467 bilhões em indenizações. Em 2024, até setembro, o montante foi de R$ 376 bilhões, cerca de 8% de crescimento. São valores que representam quase 4% do PIB. Imagina o que seria da economia, que está crescendo 3,5%, se você tirasse esses 4%. Essa é a função do seguro, manter a roda da economia funcionando”, afirmou.

Fonte: Datagro

 

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