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Notícias

Senado vota hoje projeto que facilita liberação de agrotóxicos

Por redação 28/11/2023
Escrito por redação

Texto foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente (CMA) e de Agricultura (CRA) da Casa

Senado vota hoje projeto que facilita liberação de agrotóxicos

Versão final de projeto que libera agrotóxicos está na pauta do Plenário do Senado // Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

Com pedido de urgência aprovado, o Plenário do Senado vota nesta terça-feira (28), a partir das 14h, o projeto que modifica as regras de aprovação e comercialização de agrotóxicos. O texto é um substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 526/1999, apresentado pelo ex-senador Blairo Maggi.

A projeto foi recém-aprovado na Comissão de Meio Ambiente (CMA), com parecer favorável do senador Fabiano Contarato (PT-ES), que apresentou alterações, como a retirada de partes ou expressões do texto.

Como os canaviais brasileiros estão se tornando mais “verdes”

O substitutivo da Câmara trata de pesquisa, experimentação, produção, comercialização, importação e exportação, embalagens e destinação final e fiscalização desses produtos. Entre as principais medidas, está a concentração da liberação de agrotóxicos pelo Ministério da Agricultura.

A proposição foi inicialmente aprovada pela Comissão de Agricultura (CRA) e seguiria direto ao Plenário, mas houve recurso para que também passasse pelo crivo do colegiado ambiental. Com o novo texto, a atual Lei de Agrotóxicos (Lei 7.802, de 1989) será quase totalmente revogada.

Fonte: Agência Senado

 

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Notícias

Ministro Fávaro integra comitiva de Lula ao Oriente Médio e à Alemanha

Por redação 28/11/2023
Escrito por redação

Delegação brasileira cumpre agendas na Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Alemanha

Ministro Fávaro integra comitiva de Lula ao Oriente Médio e à AlemanhaO ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, embarcou na tarde desta segunda-feira (27), na comitiva do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para agendas e encontros bilaterais em Riade, na Arábia Saudita; em Doha, no Catar; em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos; e em Berlim na Alemanha.

Em Riade, entre os compromissos da comitiva, Fávaro participa do seminário empresarial promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já realizou duas missões na Arábia Saudita neste ano para a captação de investimentos na agropecuária brasileira.

Como os canaviais brasileiros estão se tornando mais “verdes”

Depois, a comitiva segue para Doha, no Qatar, onde, além de reunião bilateral, será realizado um fórum empresarial.

Em seguida, o ministro Fávaro segue junto com o presidente Lula para a abertura da 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), em Dubai. O evento receberá líderes mundiais e tem por objetivo discutir práticas sustentáveis visando o controle das mudanças climáticas selado no Acordo de Paris. A agenda de preservação ambiental e transição energética é uma das preocupações do presidente, que deseja atrair investimentos.

Na Alemanha, última parte da viagem, a comitiva junto ao presidente Lula cumpre agendas de reuniões de trabalho com encontros marcados com a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, com o chanceler Olaf Scholz e com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier. O tema da viagem será a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

 

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Notícias

Embrapa inicia projeto inédito em apoio à agricultura de baixo carbono

Por redação 28/11/2023
Escrito por redação

Um dos estudos do projeto envolve o sistema Integrado de Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), modelo que a Embrapa Pecuária Sudeste vem realizando há mais de 10 anos

Embrapa inicia projeto inédito em apoio à agricultura de baixo carbonoPesquisadores de instituições públicas e privadas estarão reunidos nesta terça (28) e quarta (29) em São Carlos (SP) para discutir e dar início à execução de um amplo projeto em apoio à agricultura de baixo carbono. Com foco em sistemas integrados e intensificados de produção agropecuária, o projeto liderado pela Embrapa preconiza análises detalhadas de experimentos de campo de longa duração, visando o sequestro de carbono como ação mitigadora da emissão de gases do efeito estufa (GEE).

Para isso, as análises serão conduzidas em experimentos de instituições públicas e propriedades privadas do estado de São Paulo, com a utilização de métodos e técnicas analíticas de última geração, como o emprego de laser para medir carbono no solo.

Neste momento, o encontro com profissionais de cinco instituições, será sediado pelos dois centros da Embrapa em São Carlos – a Instrumentação, coordenadora do projeto, e a Pecuária Sudeste. No primeiro dia, será realizado no período da tarde e no segundo, durante a manhã, com visita aos ensaios em campo e laboratórios dos dois centros da Embrapa.

Avanços estratégicos para uma agricultura de baixo carbono

O projeto propõe ações para vencer o desafio de reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) e promover o sequestro de carbono no solo com o aproveitamento de trabalhos já executados e em andamento, como o da Rede “Pecus”, liderado pela Embrapa Pecuária Sudeste, e o projeto temático recém concluído, também apoiado pela Fapesp, de avaliações de emissões de GEE na pecuária no Sudeste brasileiro.

Para isso, será implementado um conjunto de atividades que serão realizadas em diferentes regiões do estado de São Paulo para análise, avaliação e obtenção de dados, que deverão ser disponibilizados posteriormente para auxílio aos produtores rurais paulistas e do país.

O coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Ladislau Martin Neto, aponta os principais resultados, avanços científicos e tecnológicos esperados com a execução da proposta.

“O diferencial desta proposta é a possibilidade de avaliar experimentos em campo de longa duração em sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta, como o que vem sendo conduzido na Embrapa Pecuária Sudeste, possivelmente um dos mais antigos em andamento no estado de São Paulo. Para isso, pretendemos fazer uso combinado de técnicas analíticas avançadas para gerações de métricas de menores custos para sustentabilidade, especialmente a determinação de sequestro de carbono nos sistemas em análises”, afirma o coordenador.

Além disso, está previsto o uso de modelagem matemática para projeções futuras da dinâmica do carbono nos solos e o estabelecimento de um banco de dados estruturados. A obtenção de fatores e parâmetros aprimorados para uso em modelos para estimativas de carbono, fundamentais para a estruturação do mercado de C e inserção da agricultura e pecuárias nacionais, a partir do banco de dados faz parte dos resultados propostos pelo grupo multidisciplinar, com formação em diferentes áreas do conhecimento.

Reflexo no agro

Para melhor representar o setor, os produtos agropecuários brasileiros e outros em ambiente tropical, os pesquisadores pretendem gerar fatores destinados à aplicação em análises de ciclo de vida e inventários setoriais, regionais e nacional relacionados ao desempenho ambiental e emissões de gases de efeito estufa.

É esperado também indicadores de sustentabilidade relacionados com a dinâmica do carbono no solo, para uso no diagnóstico rápido de áreas de produção, no sentido de correção do manejo ou garantia de ganhos agronômicos e ambientais, podendo ser aplicado futuramente no pagamento por serviços ambientais.

Como os canaviais brasileiros estão se tornando mais “verdes”

De acordo com Martin Neto, com a competência e esforços dos profissionais que integram o projeto, espera-se que seja possível elaborar recomendações aprimoradas em relação ao uso de irrigação, consórcio com leguminosas, taxa de aplicação de fertilizantes, manejo da fertilidade do subsolo e manejo da nutrição das plantas e animais que aliam sustentabilidade, agricultura de baixo carbono e produtividade.

Práticas sustentáveis

Para o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, José Ricardo Pezzopane, a importância do projeto se deve, porque dará continuidade a alguns sistemas de produção, de instrumentos de longa duração, nos quais já estão sendo quantificados os efeitos das práticas sustentáveis no balanço de carbono.

“Paralelo a isso, o projeto também busca novas métricas de medição do carbono, determinação da qualidade do carbono e matéria orgânica, que nós estamos acumulando nos solos nesses sistemas de reprodução mais sustentáveis. Então é muito importante, porque por um lado a gente continua a manter práticas sustentáveis e, por outro, desenvolvemos outras métricas para quantificar esse carbono no solo”, afirma Pezzopane.

A proposta é também ter métodos inovadores avaliados e estabelecidos, como os espectroscópicos, cromatográficos e de imagem, que quantifique e retratem as condições envolvendo o carbono (C) no solo, incluindo modelagem matemática deste elemento químico, com uso de modelos pioneiros e métodos avançados. Esses instrumentos serão utilizados especialmente com a infraestrutura disponível na Embrapa Instrumentação, mas também por meio de cooperação internacional com laboratórios dos Estados Unidos e Alemanha.

“Resultados inéditos deverão ser obtidos para condições tropicais visando dar evidências científicas sobre mecanismos de proteção da matéria orgânica do solo (MOS) e outros cobenefícios para os sistemas produtivos, como capacidade de retenção de água e aumento da biodiversidade, que permitam projeções futuras sobre a capacidade de acúmulo de C no solo e sua estabilidade no tempo” adianta Martin Neto.

Com a execução das atividades, a proposta é também aumentar a visibilidade e representatividade de sistemas e práticas sustentáveis da agropecuária nacional.

“Pensamos em propor ajustes de modelos preditivos utilizados globalmente por diferentes atores no mercado agrícola, divulgação dos resultados em revistas indexadas de qualidade, no país e exterior, ampla disponibilização de material em meios digitais, organização de eventos e dias de campo para produtores e empresas do setor, transferência de tecnologias e redações de patentes de resultados passíveis de ações negociais ou para proteção social”, afirma o cocoordenador do Grupo de Pesquisa em Terras Cultiváveis da Aliança Global de Pesquisa em Gases do Efeito Estufa na Agropecuária desde fevereiro de 2012.

União de esforços

O projeto interdisciplinar, que visa apoio à agricultura de baixo carbono, envolve 12 instituições do Brasil e do exterior, com a participação de mais de 40 profissionais das áreas de agronomia, veterinária, zootecnia, física, química, computação, matemática, entre outros. Sua viabilização vai ocorrer, especialmente, pela expertise de profissionais dos diferentes centros de pesquisas da Embrapa no estado de São Paulo, com a cooperação de universidades paulistas e do setor privado.

Com um orçamento de cerca de R$ 4 milhões e prazo de execução de 5 anos, com início em novembro deste ano e conclusão no final de outubro de 2028, o projeto temático “Entendendo sistemas intensificados e integrados de produção: do mundo quântico à agricultura de baixo carbono” foi aprovado no âmbito do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

A chamada visa avançar na ciência para que o Brasil atinja seus compromissos internacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa e contribua para a neutralidade em carbono nos setores de mudança do uso da terra e agropecuária, em combinação com soluções de adaptação às mudanças climáticas e aumento de resiliência da produção de alimentos no país.

Seguindo as diretrizes do Plano Científico Mudanças Climáticas FAPESP 2020-2030, a iniciativa apoia propostas para auxiliar o país a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), atuando na proposição de instrumentos que promovam a economia de baixa emissão de carbono e de produção socioambientalmente sustentável em setores estratégicos para o país.

Integrantes do projeto

Além da Embrapa Instrumentação e Embrapa Pecuária Sudeste que sediam a reunião, fazem parte do projeto a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna – SP), Embrapa Agricultura Digital (Campinas – SP) e Embrapa Soja (Londrina – PR).

Além das unidades da Embrapa, integram o projeto três instituições de ensino paulistas, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Botucatu, Universidade de São Paulo (USP) com o Instituto de Física de São Carlos, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), em Piracicaba, a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente.

A cooperação internacional será realizada por meio de dois centros de pesquisa americanos, o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, um Departamento da Agência de Energia do Laboratório de Ciências, gerenciado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e a Universidade Old Dominion, em Norfolk. Na Alemanha, participa a Universidade Técnica de Munique (TUM) e na Nova Zelândia a Universidade Massey, em Palmerston North.

 

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Revista

Fenotipagem de plantas: desafios de uma moderna agricultura

Por redação 27/11/2023
Escrito por redação

Fenotipagem de plantas: desafios de uma moderna agriculturapor Paulo Sergio de Paula Herrmann Junior – Garantir a segurança alimentar nas próximas décadas para os nove bilhões de população global esperada até 2050 exigirá mudanças substanciais na sociedade como um todo, no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação. O aumento populacional, as modificações na dieta e o aumento da demanda por produtos químicos biogerados e biocombustíveis exigirão um aumento de 50% a 100% na produção das principais culturas alimentares e não alimentares. Este é um desafio enorme, considerando o impacto esperado das mudanças climáticas sobre os rendimentos financeiros, a crescente escassez de recursos agrícolas (terra, água e fósforo) e a dependência da agricultura moderna na produção de fertilizantes e na automação.

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O aumento na produção de alimentos precisa ser alcançado através de métodos agronômicos e com genótipos otimizados, os quais irão sustentar o meio ambiente e preservar os recursos naturais. Isso exige um grande investimento das nações em uma “intensificação sustentável” da agricultura global. Uma agricultura mais inteligente em termos climáticos que reorienta os sistemas agrícolas para lidar com as mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade. 

Demorou quase 10 mil anos para que os seres humanos produzissem globalmente 1 bilhão de toneladas, a Revolução Verde levou a uma duplicação desse montante em apenas 40 anos, que foi entre 1960 e 2000. Um dos principais impulsionadores da revolução verde foi à introdução dos chamados genes semi-anões (altura reduzida, genes Rht) no trigo.

Portanto, novas ferramentas advindas das ômicas, tais como da fenômica, da genômica, da metabolômica, a multidiscplinaridade entre outras áreas, estão e estarão sendo fundamentais para enfrentar o problema da enorme magnitude.

A fenotipagem de plantas tradicional já é bem estabelecida, assim como a genotipagem, onde a mesma se refere à descrição quantitativa das propriedades anatômicas, bem como relacionado às sequencias de fases do seu desenvolvimento, a sua fisiologia e a bioquímica delas, as quais são influenciadas pelo meio-ambiente que se encontra em complexa transformação.

A aplicação e o desenvolvimento dos novos métodos de fenotipagem de plantas são caracterizados pela multidisciplinaridade, pelo uso de novas técnicas, de sensores e biossensores, para obtenção de dados das plantas de forma não invasiva, não destrutiva ou minimante destrutiva e em grande quantidade. Exemplos de técnicas e instrumentos aplicados são: Imagem RGB, térmicas, câmeras hiperespectral, multiespectral, fluorescência induzida pelo sol, gases emanados, tomografia de raio x e RMN, a robótica, a automação, os drones embarcados com câmeras, a reconstrução 3D, a ciência da computação, o aprendizado de máquina, a inteligência artificial etc.. 

A sua importância na agricultura está ligada tanto à ciência de plantas, quanto mais especificamente no melhoramento genético (MG), visto que a variância fenotípica é um importante parâmetro no ganho genético. O MG é um trabalho oneroso, demorado e custoso, que envolve muitas características de uma planta, cujo objetivo é selecionar o melhor genótipo dessa.

Hoje, o melhoramento de culturas modernas e os avanços nas práticas de gestão contribuem substancialmente para um Ganho Genético (Gy) anual de 0,8 – 1,2%. A procura de alimentos e biocombustíveis para a população global prevista para 2050 deverá aumentar drasticamente. A fenômica, e os novos métodos aplicados de fenotipagem, atualmente, pode ser considerada como complementar a genômica, proteômica, metabolômica e transcriptômica.

As ciências ômicas desempenham um papel fundamental tanto para o avanço da fronteira do conhecimento, quanto mais especificamente em prol de uma agricultura sustentável, mais produtiva, resiliente e adaptadas às mudanças climáticas. Alcançar um progresso linear para atingir 2,0% Gy é um enorme desafio. Às novas tecnologias e métodos de fenotipagem de plantas há a tendência na melhoria do ganho genético (Gy).

Fenotipagem de plantas: desafios de uma moderna agriculturaA figura 1(A) e (B) apresenta a evolução temporal e a distribuição geográfica da localização dos institutos de ciência e tecnologia, empresas privadas, bem como a formação de redes nacionais e internacionais de pesquisas que estão trabalhando com os novos métodos de fenotipagem de plantas (NMFP). A Austrália foi pioneira nos NMFPs, inaugurando em 2007 “Australian Plant Phenomics Facility (APPF)”. A partir daí, vários trabalhos vêm sendo realizados. De acordo com a Rede Internacional de Fenotipagem de Plantas (IPPN), em 2022 o número de sócios era de 40 instituições da academia, 12 empresas da Iniciativa e seis “clusters” de diversos países. Pela figura 2 (B) o Brasil é único país da América Latina, por intermédio da Embrapa, que é regularmente associado como membro efetivo do IPPN, desde 2018.

Os NMFPs oferecem uma grande quantidade de dados, referente às características de interesse, que são considerados fatores importantes na intensidade, na precisão da seleção e na detecção de novas variações genéticas, indo desde a semente até planta em seu estado final.

O desenvolvimento de métodos não invasivos e ferramentas acessíveis para aplicação na fenotipagem de plantas é considerado um importante avanço. Acima apresentamos um exemplo de um novo sistema, que é a aplicação de um nariz eletrônico (E-Nose), onde essa técnica e a metodologia foram desenvolvidas para detectar os gases emanados de uma planta sob a condição de estresse hídrico.

O E-nose é um sistema eletrônico acessível, que vem sendo utilizado para análise global de odores emanados, que emula a estrutura do nariz humano. A soja (Glycine Max) foi utilizada para conduzir o experimento sob estresse. Este experimento foi conduzido durante 31 dias, observando-se as fases de crescimento das plantas durante este período. A figura 2 apresenta os resultados obtidos com o “E-Nose”, por intermédio do cálculo da área do radar (U.A.), advindo da resposta dos seis sensores internos ao equipamento.

agrotóxicos - Fenotipagem de plantas: desafios de uma moderna agricultura

Os valores da área do radar (U.A), obtidos pela figura 2, apresentam o comportamento da planta sendo hidrata e em crescimento, e após o período de 10 dias ocorreu a retirada completa de irrigação, mostrando uma mudança do comportamento e ressaltando a diferença entre as amostras obtida no período da manhã e à tarde. Um delta, em termos de área do radar de ~ 200 (U.A). Mostrando que há uma detecção na intensidade de maior liberação de gás durante 15 horas e 30 minutos.

A Embrapa juntamente com os seus parceiros e ICTs já vem aplicando algumas dessas técnicas, além do E-Nose, tais como câmeras RGB, térmicas, hiperespectrais, drones com câmeras embarcadas, para estudos fenotípicos de culturas de interesse.

Desafios futuros:

• Reduzir a diferença de tempo entre melhoramento clássico e uso da nova fenotipagem de plantas, a fenômica, bem como a utilização das técnicas avançada de genotipagem, que varia entre 10 e 15 anos (para determinadas culturas) em aproximadamente 5,5 anos. Tempo esse relacionado entre a pesquisa e comercialização;

• Os programas de melhoramento no desenvolvimento de cultivares tolerante a estresses bióticos e abióticos. O caráter não destrutivo, minimamente invasivo e automatizado das medidas possibilitará identificar indivíduos superiores em gerações segregantes, preservando-os, além de permitir uma pressão de seleção maior, devido à acurácia do processo como um todo. Em conjunto com a genômica, proteômica e metabolômica possibilitarão a redução do número de experimentos em ambientes contrastantes, abreviando o processo de melhoramento;

• A aplicação de novos métodos, técnicas e automação à fenotipagem, juntamente com Genotipagem de alto desempenho, deverão permitir uma maior precisão e segurança no diagnóstico, bem como a investigação da estrutura e função, a redução do número de medidas destrutivas, bem como a redução dos erros sistemáticos e aleatórios dos experimentos, entre outros;

• Formação de recursos humanos, contemplando a multidisciplinaridade e interinstitucionalidade;

• Fortalecimento da colaboração nacional e internacional para trabalhos conjuntos e unificação de protocolos comuns;

• Estabelecimento de parcerias com a inciativa privada;

• “Data Managment” aplicado aos novos métodos de fenotipagem;

• A integração da Fenotipagem, da Genotipagem, da Agricultura de Precisão e Agricultura Digital, bem como o “Big Data” e a inteligência artificial, será condição sine-que-non para a busca do conhecimento, da sustentabilidade, da tomada de decisão, da inovação e da produtividade da agricultura.

 

Paulo Sergio de Paula Herrmann Junior é pesquisador da Embrapa Instrumentação // paulo.herrmann@embrapa.br

 

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Revista

Especialistas comentam sobre o surgimento da mecanização tropical

Por redação 27/11/2023
Escrito por redação
Especialistas comentam sobre o surgimento da mecanização tropical

Área agrícola manejada de forma inadequada e vulnerável à erosão, fato inaceitável pois prejudica a toda a sociedade//Fotos: Ricardo Ralisch

Katiaíres Evangelista Delpin Malvezi 1 e Ricardo Ralisch 2 – Caros leitores, caros agricultores! Para esta edição retomaremos alguns assuntos que já foram abordados nas edições 60 e 68 desta revista, que trataram da Mecanização Conservacionista e da Mecanização Tropical, respectivamente. O retorno a esses temas possui diversas motivações e destacamos a importância da mecanização agrícola na necessidade de intensificação dos sistemas de produção agropecuários, ressaltando que essa intensificação deve respeitar obrigatoriamente os limites impostos pelos recursos naturais explorados pela agricultura, que são: água, ar, biodiversidade e solo.

Desses, o solo é fundamental, pois interage diretamente com os demais, já que um solo conservado e bem manejado propicia uma adequada infiltração das águas das chuvas. Assim evitam as erosões que assoreiam e contaminam as águas superficiais e ainda alimentam as reservas hídricas subterrâneas.

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Mais água no solo favorece o maior e melhor desenvolvimento das plantas, que são extratoras de carbono da atmosfera, reduzindo a concentração dos gases de efeito estufa (GEE) e fixando esse carbono no solo através dos sistemas radiculares profundos e bem distribuídos. O carbono no solo se converte em matéria-orgânica, essencial para as plantas e para toda atividade biológica do solo, preservando a biodiversidade, no meio que é o mais biodiverso do planeta. Então, estamos tratando essencialmente da fertilidade do solo, certo?

Portanto, uma atividade agropecuária bem conduzida favorece a fertilidade do solo, que se converte em produtividade dessa mesma atividade. Esse ciclo virtuoso é reflexo da preservação da estrutura do solo. Ou seja, se o sistema de produção agropecuário adota boas práticas agrícolas que recuperam e preservam uma boa estrutura do solo, a relação do solo com os demais recursos naturais se intensifica, aumentando a fertilidade do ambiente, dando maior retorno à atividade em médio e longo prazos.

Pois bem, a tecnologia que tem o maior potencial de agressão e de degradação da estrutura do solo em curto prazo é a mecanização agrícola. Por isso, temos enfatizado alguns conceitos importantes, como Mecanização Conservacionista, que promove a conservação do solo e a Mecanização Tropical, que adota parâmetros de ação inerentes a esse ambiente, abordados nos artigos citados acima.

Relembrando que mecanização agrícola é a área da ciência agronômica que estuda, desenvolve e difunde as melhores formas de utilização dos equipamentos agrícolas, sendo, portanto, uma área que atua diretamente na gestão desses equipamentos. A concepção, o desenvolvimento e a adequação dos equipamentos e suas ferramentas são atribuições da área chamada mecânica agrícola. São distintos, mas há uma grande interface entre essas áreas, pois é a mecanização agrícola que avalia e constata a necessidade de novos equipamentos ou de adequações nos existentes.

A retomada desses assuntos nesta ocasião foi provocada pela recente promulgação da lei 14.609 de 20 de junho de 2023, que instituiu o Dia Nacional do Plantio Direto (DNPD), a ser comemorado em 23 de outubro, sendo que em 2023 comemoramos o primeiro DNPD. O fato de termos essa data comemorativa ressalta a importância que a consolidação do Sistema Plantio Direto (SPD) teve na expansão da nossa agricultura.

SPD versus Mecanização Tropical
Especialistas comentam sobre o surgimento da mecanização tropical

Herbert Bartz (sentado), pioneiro e difusor do Plantio Direto, precursor conceitual do Sistema Plantio Direto. Em pé, Sérgio Higashibara, agricultor em Mauá da Serra (PR), representante da comunidade local que organizou o Museu do Plantio Direto nesta cidade, onde está a semeadora Allis Chalmers, importada por Bartz para iniciar o Plantio Direto

Partindo do princípio de que a Mecanização Tropical é aquela que adota os conceitos que tornam as operações agrícolas harmoniosas com o ambiente tropical, desde a conservação do solo até a melhoria da atmosfera, sua adoção altera a concepção dos equipamentos e ferramentas agrícolas, fazendo com que estes sejam mais adequados às condições tropicais e induzem a adaptação de características operacionais específicas como velocidades operacionais que considerem as características do solo onde se fará o uso dos equipamentos e define metodologias adequadas de monitoramento dos efeitos dessas operações. Além da melhoria no manejo do solo e das culturas, traz a possibilidade de interpretação real dos efeitos dessas operações, minimizando àquelas que são baseadas em parâmetros inadequados. 

Trata-se da necessidade de engenharia e gestão específicas, que empreguem ferramentas inovadoras como avançados sistemas de projetos e  telemetria para as diversas realidades do ambiente da agricultura tropical. Esta é uma ciência em desenvolvimento por nós, brasileiros, e que vem se destacando mundialmente pela versatilidade, juntamente com o desempenho de nossa agricultura.

A ciência tropical nos foi ensinada pelo Sistema Plantio Direto, o que tem repercutido na formação de uma ciência agronômica tropical, bem mais ampla do que a tradicional, incluindo o desenvolvimento de tecnologias adequadas a este meio e, entre estas, a Mecanização Agrícola Tropical.

agrotóxicos - Especialistas comentam sobre o surgimento da mecanização tropical

Semeadora concebida para atuar no Sistema Plantio Direto, semeando sobre cobertura verde, condição operacional que exige eficiência operacional

Nada mais justo, portanto, rendermos uma justa homenagem ao SPD nesta primeira data que comemora o Dia Nacional do Plantio Direto, 23 de outubro de 2023, por tudo que temos aprendido e ususfruído e pelo quanto ainda poderemos desfrutar se considerarmos o potencial de expansão territorial na adoção do SPD que ainda temos.

Para que essa expansão seja bem-sucedida precisamos de uma Mecanização Agrícola consciente e eficiente. Que considere os parâmetros ambientais, técnicos e operacionais.

Os avanços que já foram conquistados e os desafios que ainda temos pela frente são assuntos para as próximas edições desta revista. Nesta enfatizamos a pertinência de termos um Dia Nacional do Plantio Direto, fruto da atuação conjunta e integrada dos produtores agrícolas, das empresas fornecedoras de tecnologias, da extensão rural e assistência técnica e da academia.

Parabéns a todos e boas safras! 

1Doutora em Agronomia e responsável pela área de inovações da Agritel, Telemetria Agrícola.
katia.malvezi@agritel.com
2Professor aposentado da UEL e consultor.
ricardoralisch@gmail.com

 

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Mercado

Juros norte-americanos e petróleo: volatilidade pode chegar ao Brasil

Por redação 27/11/2023
Escrito por redação

De um lado, a taxa de juros dos papéis da dívida norte-americana passaram a operar no nível mais alto desde 2007; de outro, o petróleo passou por grande volatilidade

Os dois principais ativos transacionados nos mercados financeiros internacionais são os títulos da dívida norte-americana e o petróleo. Nas últimas semanas (em outubro), os mercados de ambos os ativos se movimentaram de forma intensa; de um lado, a taxa de juros dos papéis da dúvida norte-americana passaram a operar no nível mais alto desde 2007, tornando os demais ativos financeiros menos atraentes para os investidores e; de outro lado, o petróleo passou por grande volatilidade (sem direção bepor Felippe Serigati1 e Roberta Possamai2  – Os dois principais ativos transacionados nos mercados financeiros internacionais são os títulos da dívida norte-americana e o petróleo. Nas últimas semanas (em outubro), os mercados de ambos os ativos se movimentaram de forma intensa; de um lado, a taxa de juros dos papéis da dívida norte-americana passaram a operar no nível mais alto desde 2007, tornando os demais ativos financeiros menos atraentes para os investidores e; de outro lado, o petróleo passou por grande volatilidade (sem direção bem definida) desde os atritos envolvendo o Hamas (grupo terrorista alocado na Faixa de Gaza) e o exército de Israel.

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Os movimentos desses dois ativos principais influenciaram (ou tem o potencial de influenciar) o comportamento de diversos outros ativos, como as taxas de câmbio de países emergentes e as commodities agropecuárias. Embora ainda não estejam claras quais são essas novas tendências, já é possível desenhar cenários importantes para o agro brasileiro.

EUA: juros de mercado em patamares históricos

A taxa de juros dos títulos da dívida norte-americana de 10 anos está operando no maior patamar desde outubro de 2007 – ou seja, anterior à deflagração dos piores momentos da crise financeira de 2008. Antes de detalhar os fatores que explicam por que a taxa de juros desses papéis está nos maiores patamares dos últimos 17 anos, é fundamental deixar claro a relação inversa entre o preço de mercado de um título e sua respectiva taxa de juros: quanto mais barato estiver um título (ou seja, menor o seu preço), maior o retorno potencial que ele pode proporcionar (ou seja, maior a sua taxa de juros).

Juros norte-americanos e petróleo: volatilidade pode desembarcar no BrasilApresentada a relação entre preço de mercado e a taxa de juros de um título, por que a taxa de juros de 10 anos da dívida norte-americana está tão alta?

Em seu esforço para controlar a inflação, o Banco Central dos EUA está elevando a taxa de juros básica daquela economia (a Fed Funds). No momento em que esse artigo é escrito, a taxa de juros básica efetiva dos EUA está em 5.33% a.a., apenas ligeiramente inferior ao pico de fevereiro de 2007 (5.41% a.a.). Caso esse último valor seja superado (como sugere as projeções de mercado), os EUA operarão com a sua taxa de juros no nível mais alto desde o início do ano de 2001. Quando o Banco Central eleva a taxa de juros básica da economia, todas as demais taxas tendem a acompanhar, inclusive dos papéis com prazo de vencimento mais longo, como os títulos de 10 anos da dívida norte-americana.

Desde o início da pandemia, o Banco Central dos EUA injetou muita liquidez na economia (ou seja, imprimiu e transferiu dólares para o mercado). Essa injeção de liquidez acontece quando o Banco Central compra títulos das instituições financeiras; ele adquire os títulos e faz o pagamento em dinheiro, ampliando as reservas de dólares dessas instituições. Passada a pandemia, esse processo de injeção de liquidez precisou ser revertido. Ao longo do ano de 2023, o Banco Central dos EUA está vendendo para as instituições financeiras os títulos que ele havia comprado, recebendo o pagamento em dinheiro e, portanto, reduzindo as reservas de dólares dessas mesmas instituições. Conforme há uma quantidade maior de títulos da dívida norte-americana no mercado, menor o preço desses papéis e maior a sua taxa de juros;

China, Japão e Arábia Saudita, entre outras economias, estão reduzindo os estoques de dívida norte-americana de suas reservas internacionais. China e Arábia Saudita estão se desfazendo desses papéis com o objetivo de diminuir a sua exposição ao risco de arbitrariedades dos EUA. Após os EUA terem “confiscado” as reservas russas no início da guerra da Ucrânia, diversos países passaram a ficar preocupados com a possibilidade de ter suas reservas também congeladas caso desagradem algum interesse dos EUA e adotaram a política de irem paulatinamente reduzindo a participação dos títulos da dívida dos EUA nos ativos que compõem as suas reservas internacionais. Naturalmente, conforme esses papéis são vendidos, menor fica seu preço no mercado e, por fim, maior a respectiva taxa de juros.

Como descrito anteriormente, há toda uma conjuntura empurrando o preço dos títulos da dúvida norte-americana para baixo (e, portanto, empurrando a sua respectiva taxa de juros para cima). Dado que esses papéis são considerados ativos de baixo risco (ao menos, para o setor privado e para os aliados dos EUA), quando eles ficam mais rentáveis (mais baratos e, portanto, proporcionando uma taxa de juros mais elevada), diversos outros ativos ficam menos chamativos. Essa dinâmica vale para ações, títulos privados, ativos de economias emergentes e commodities. Por exemplo, a alta nos juros norte-americanos acaba impondo uma espécie de teto para a redução da Taxa Selic aqui no Brasil; a taxa de juros brasileira não pode ser reduzida ao ponto de ficar mais atraente investir nos EUA do que deixar o capital por aqui.

Petróleo: elevada volatilidade (dos estoques norte-americanos aos atritos no Oriente Médio)

O mercado do petróleo é bastante sensível às perspectivas de crescimento da economia global (se há a projeção de que o mundo vai desacelerar, as cotações do petróleo passam a operar em níveis inferiores, e vice-versa) e aos fatores geopolíticos em importantes regiões produtoras (desde a Guerra da Ucrânia até os atritos envolvendo o Hamas e o exército de Israel). Além disso, para manter a cotação do petróleo em patamares adequados, os países produtores, especialmente aqueles representados pela OPEP+, podem combinar um aumento ou uma redução na produção diária de barris.

Juros norte-americanos e petróleo: volatilidade pode desembarcar no Brasil

Com os atritos entre o Hamas e o exército de Israel, a cotação do petróleo passou a operar com grande volatilidade, mas sem uma tendência definida. No momento em que esse artigo é escrito, a cotação do petróleo Brent continua a operar na faixa entre US$ 80/barril e US$ 95/barril, tal qual observado desde o início de julho, com exceção de alguns breves períodos. Todavia, é fundamental recordar que esse mercado tem operado com elevado nível de estresse, seja devido aos conflitos bélicos, seja devido à incerteza com relação à velocidade com que a economia mundial deverá desacelerar e com a decisão de cortes da produção diária de barris (principalmente, pela Arábia Saudita):

  • Caso os conflitos bélicos fiquem ainda mais turbulentos, a cotação do petróleo deve subir;
  • Caso o cenário de desaceleração da economia mundial se agrave (seja devido à elevação do juros dos EUA, ao desaquecimento da economia chinesa ou aos efeitos de segunda ordem das próprias turbulências geopolíticas), há espaço para redução da cotação do petróleo;
  • Ainda assim, os países-membros da OPEP+ podem decidir ajustar a sua produção para tentar manter a cotação do petróleo no nível que eles desejam.
O Agro pode passar ileso, mas é bom ficar atento

De forma mais imediata, o principal canal de transmissão dessas turbulências no cenário internacional para o universo agro é a taxa de câmbio brasileira. Caso aumente a aversão ao risco no mercado internacional (por exemplo, com a deterioração dos atritos geopolíticos) ou a taxa de juros nos EUA passe a operar em patamares ainda mais altos, a taxa de câmbio aqui no Brasil tende a subir.

Outro canal de transmissão importante é a influência da cotação do petróleo sobre os custos de produção do universo agro. Embora possa haver alguma defasagem na transmissão desse choque de custos, em geral, o agro tem grandes dificuldades para repassar um aumento de despesas para o consumidor final (seja quem ele for). Com isso, via de regra, um choque adverso de custos resulta em compressão de margens para o setor.

Por fim, há pressões baixistas para as cotações das commodities agrícolas, seja do lado financeiro (como a elevação da taxa de juros nos EUA), seja do lado macroeconômico (via desaquecimento da economia mundial), seja do lado dos fundamentos (das grandes commodities agrícolas, talvez apenas açúcar, algodão e arroz acumulam alta em dólares em 2023).

 

¹ Doutor em Economia pela Escola
de Economia de São Paulo (EESP/FGV), professor e pesquisador do Centro
de Agronegócios da FGV (FGV Agro). felippe.serigati@fgv.br

² Mestre em Agronegócios pela Escola de Economia de São Paulo (EESP/FGV) e pesquisadora do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro). roberta.possamai@fgv.br

 

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Revista

CNMA debate sustentabilidade e liderança feminina no agro

Por redação 27/11/2023
Escrito por redação

Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio registrou novo recorde de público, com 3.300 participantes

CNMA debate sustentabilidade e liderança feminina no agroCom o tema “Dobrar o Agro de tamanho com sustentabilidade: A Marca Brasileira”, o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) encerrou sua 8ª edição consolidando-se como o maior evento da América Latina voltado para as mulheres do setor. Realizado nos dias 25 e 26 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP), o evento bateu um novo recorde com a presença de mais de 3.300 congressistas de 26 estados, além de países como Paraguai, Argentina, Bolívia e representantes da Europa e da América do Norte.

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Durante os dois dias, as participantes acompanharam uma série de palestras e debates discutindo os caminhos do setor rumo a uma produção ainda maior, com mais inovação, sustentabilidade e tecnologia, aliada ao crescimento da presença e liderança feminina.

Para a gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios do Transamerica Expo Center, Renata Camargo, esta edição demonstrou o quanto a conexão entre as mulheres do agro brasileiro tem força e é capaz de fazer o setor dobrar de tamanho com sustentabilidade. “Com a imensa troca de conhecimento e experiências, cada congressista retornou com um brilho no olhar, com novas perspectivas, ideias, e ainda mais fortes, determinadas e unidas. Esse ‘mix’ de sentimentos e sensações é, certamente, precursor de grandes mudanças. É revolucionário”, destaca.

O diretor do Transamerica Expo Center, Alexandre Marcilio, ressaltou o crescimento visível que o evento tem ano após ano e a importância dos apoiadores e patrocinadores na formação de alianças estratégicas a fim de promover um movimento sólido em busca de novos cenários para o agro. “O CNMA escreve uma jornada de sucesso devido à sua função integradora, pois conseguimos unir, por meio de inúmeras trocas de conhecimento, todas as cadeias produtivas em debates atuais e de grande relevância, sempre trazendo as mulheres como as protagonistas e peças fundamentais de mudanças. Essa consolidação se dá também graças ao imenso apoio recebido de grandes empresas e instituições, que, assim como nós, começam a construir um novo futuro no agora.”

O papel da mulher no agro

Segundo o professor e sócio-diretor da Biomarketing, José Luiz Tejon, curador de conteúdo do evento, em sua oitava edição, o CNMA desempenha um papel fundamental na busca por melhores oportunidades para as mulheres no setor. “O Congresso oferece espaço único de aprendizado, networking e empoderamento, promovendo a participação ativa e o protagonismo das mulheres no agro, abrindo portas para um maior número de lideranças, além de desenvolvimento de carreiras.”

Para ele, a inclusão das mulheres nas várias esferas é essencial para o progresso sustentável dos negócios, trazendo diversidade de perspectivas, habilidades diversas e uma abordagem colaborativa que enriquece a tomada de decisões e a inovação no setor. “Ao participar do evento, as mulheres contribuem diretamente para a construção de um futuro agrícola cada vez mais equitativo, sustentável e próspero para o Brasil e o mundo”.

Renata Camargo, que está à frente do CNMA desde sua primeira edição, reforçou a satisfação em visualizar nos temas deste ano a evolução dos debates realizados no Congresso. “Acompanho ao longo desses oito anos o movimento das mulheres em busca de conhecimento e em promover a troca entre elas, visando o crescimento do papel feminino no agro, principalmente, em altos cargos nas propriedades e na agroindústria. Para nós, do CNMA, é uma honra fazer parte desse processo de ascensão das mulheres, que já são peças importantes para o fortalecimento do agronegócio brasileiro no mundo. O sucesso do 8º CNMA apenas reforça tudo isso”, finaliza Renata.

 

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ColunaRevista

Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícola

Por redação 27/11/2023
Escrito por redação

O trator hoje representa a base da mecanização agrícola e para tanto evoluiu e atingiu um elevado padrão de versatilidade e funcionalidade

Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícolapor Jose P. Molin* –  O trator, além de ser um veículo, é uma máquina dedicada e composta de mecanismos complexos, que transforma a energia do combustível em energia útil para a realização de operações com máquinas e implementos agrícolas e florestais. Constitui-se na principal fonte de potência da agricultura, mas somente se consolidou em torno de 100 anos atrás. Até então havia o predomínio absoluto da tração animal, também desafiada pelas máquinas a vapor no final do século XIX. Sem dúvidas, o trator hoje representa a base da mecanização agrícola e para tanto evoluiu e atingiu um elevado padrão de versatilidade e funcionalidade, permitindo o acoplamento e acionamento dos mais variados tipos de máquinas e implementos.

Conheça os principais modelos de tratores apresentados em 2023

Globalmente é sensível a sua evolução em aspectos como transmissão, motor e, mesmo, formato. No Brasil, nos últimos 20 anos, também evoluiu em quesitos relacionados ao conforto do operador. Outro item que repercute muito é a evolução tecnológica nos sistemas de rodagem, permitindo que o trator continue crescendo em potência, sem crescimento exagerado em suas dimensões externas e mantendo a versatilidade e manobrabilidade. Mas a questão mais contundente do momento é se ele continuará da forma como tem sido, ou se será substituído por novos conceitos de fonte de potência na agricultura.

Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícola

A máquina a vapor portátil utilizada para acionamento de máquinas estacionárias e sua evolução como veículo de tração (Gray, 1975)

Breve história do trator

A força humana foi a fonte de potência para a realização de operações agrícolas desde que o homem deixou de ser nômade. Em algum momento os animais passaram a exercer parte dessa tarefa e a tração animal chegou ao seu auge tecnológico no final do século XIX.

No final do século XVIII surge o motor a vapor, que dá início a uma longa história de grandes impactos nas civilizações, culminando com a Revolução Industrial. Essa, por sua vez, causou a necessidade de expansão da produção comercial de alimentos, pois o operariado não mais os produzia para a sua subsistência.

Em torno de 1850 já eram comercializados motores a vapor estacionários e portáteis e na sequência passaram à configuração de veículos, inicialmente dedicados à tração de carretas. Mas não tardou para que fossem direcionados para a aração (tracionando um arado), que sempre foi a operação mais demandante de potência na atividade agrícola. No final do Século XIX esse veículo a vapor disputava os espaços no mercado com a tração animal, dominante até então.

Na década de 1870 surge o motor de combustão interna, que chega na agricultura em torno de 1890, com o surgimento dos primeiros concorrentes daqueles veículos a vapor. Até então o termo trator ainda não existia e foi em 1906 que um fabricante desses veículos, já com motor de combustão interna, anunciou em um folheto de divulgação o seu novo modelo de tractor machine ou máquina de tracionar, que acabou se consolidando como tractor. Portanto, o nome é suficientemente autoexplicativo – trata-se de uma máquina de tracionar, fundamentalmente para exercer força de tração.

Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícola

O trator com motor a vapor perdurou ao longo do início do Século XX, competindo com aquele de motor de combustão interna (foto do autor)

As primeiras evoluções

Aquela máquina de tracionar evoluiu rapidamente e passou a incorporar recursos que permitem ao trator exercer outras funções que não apenas a de tracionar. A mais impactante delas, em torno de 1919, foi a adição de uma extensão da árvore de manivelas do motor, que passou a ser denominada de tomada de potência (TDP). Assim passou a ser possível também o acionamento, além da tração de máquinas.

Mas as máquinas ainda eram arrastadas, acopladas à barra de tração. Uma solução mais prática, especialmente para a manobrabilidade e portabilidade das máquinas, surgiu com o desenvolvimento de um sistema de levante hidráulico juntamente com o conjunto de engate de três pontos, em 1935. Mas tudo isso ainda carecia de padronização de localização e dimensões, que foi acontecendo gradativamente nas décadas de 1940 e 1950.

agrotóxicos - Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícolaNesta evolução o trator se distanciou do automóvel como veículo, embora tenham surgido praticamente iguais. Até o final dos anos 1920 os motores dos tratores eram somente de combustão por centelha (ciclo Otto). A partir de então surgiram os motores de combustão por compressão (ciclo Diesel). Em 1933 foi introduzida a substituição dos rodados de ferro por pneus de borracha.

A partir dessa constituição e das demandas que o trator deve atender, pode-se fixar uma definição mais detalhada, estabelecendo que o trator deve permitir tracionar máquinas e implementos de arrasto através da barra de tração, tracionar e carregar máquinas e implementos montados através do engate de três pontos com levante hidráulico, bem como acionar máquinas estacionárias, rebocadas ou montadas no seu engate de três pontos através da árvore de tomada de potência (TDP).

Assim, é evidente que um trator para cumprir tais tarefas deve ser aquele que dispõe de barra de tração, TDP e engate de três pontos com levante hidráulico. Ao mesmo tempo, as evoluções nas máquinas e implementos, especialmente a partir da década de 1990, levaram à expressiva expansão do uso de potência hidráulica, o que fez com que o trator tivesse que expandir em muito a sua configuração de bombas e de circuitos hidráulicos.

Os tipos de trator

No início haviam variações de formato, que com o passar dos anos permitiram a consolidação de alguns tipos básicos de tratores. Até pouco tempo o tipo mais comum era o trator 4×2, caracterizado por ter rodado de quatro pneus, sendo os dois traseiros maiores e com garras, responsáveis pela tração. Os pneus dianteiros são menores e servem para apoio e esterçamento (dirigir). Esses tratores historicamente possuem uma distribuição de peso em torno de 70% no rodado traseiro e 30% no rodado dianteiro. Eles permitem ajustes de distância entre pneus em cada eixo (bitola) para adequarem-se aos espaçamentos de culturas em fileiras. Os tratores 4×2 recentemente se tornaram raros.

Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícola

Exemplos de tratores 4×2 TDA de mercado, com baixa potência (50 hp) e elevada potência (340 hp)

Na década de 1970, pela demanda por tratores maiores e mais potentes, se proliferou o conceito do trator 4×4, que tem um desenho diferente daquele que até então dominava o mercado. Este se caracteriza por ter rodado de pneus, sendo o traseiro e dianteiro iguais e com tração permanente nas quatro rodas. O peso é uniformemente distribuído entre os dois eixos e normalmente a direção é dada pela articulação do chassi. Por serem tratores maiores, foram concebidos para desempenhar operações de maior demanda de tração, especialmente preparo de solo; apresentam poucas ou nenhuma opção de ajuste de bitolas. Isso os caracteriza como tratores menos versáteis. Esses tratores chegaram a ser produzidos no Brasil na década de 1980. Hoje são oferecidos alguns modelos importados, de grande potência.

Na década de 1980 foi introduzido o conceito do trator 4×2 adicionado de uma tração dianteira auxiliar (4×2 TDA). Nada mais é do que o trator 4×2 com um rodado de tração também na dianteira, mas mantendo as proporções de pneus grandes na traseira e menores na dianteira. Essa tração auxiliar é de acoplamento opcional, normalmente acionada apenas em operações de maior demanda de tração. Os rodados dianteiro e traseiro, portanto, têm garras. A distribuição de peso é de aproximadamente 60% no rodado traseiro e 40% no rodado dianteiro.

O trator 4×2 TDA praticamente monopolizou o mercado brasileiro nos últimos anos e não é muito diferente no resto do mundo. Na década de 1990 os especialistas afirmavam que este tipo de trator não teria como ter potência muito maior do que 200 hp (147 kW) e, no entanto, no ano de 2015, na Alemanha, foi anunciado um modelo de trator 4×2 TDA com 500 hp (368 kW). Isso só é possível graças a um grande avanço na tecnologia de pneus, permitindo grande área de contato dos pneus com o solo para garantir a tração produzida por tamanha potência concentrada.

É um tipo de trator que consegue oferecer grandes potências e manter a sua versatilidade, com ajuste de bitolas, disponibilidade de engate de três pontos com levante hidráulico para grandes cargas e TDP. Além disso é compacto e de boa manobrabilidade.

O trator de esteiras representa outro grupo e surgiu ainda nos primórdios da história do trator. Para ser considerado agrícola ele deve ter os componentes básicos: barra de tração, TDP e engate de três pontos com levante hidráulico. Isso o difere do trator de esteiras para a construção civil.

Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícola

Esquema construtivo de um trator 4×2 TDA

As esteiras de borracha

A maior parte da indústria de tratores de esteiras aceitou o fato de que a tecnologia estava ultrapassada, mas uma empresa reagiu produzindo uma solução inovadora, que deu origem às esteiras de borracha. Trata-se de uma solução que praticamente contempla as grandes vantagens técnicas das esteiras de aço e solução para as limitações que estas apresentavam. Assim, a história do trator é marcada, em 1984, pelo surgimento da versão moderna do trator de esteiras, não mais metálicas e sim de borracha.

agrotóxicos - Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícola

Um dos primeiros exemplares de trator com esteiras de borracha a operar no Brasil

Se comparadas com as esteiras metálicas, as esteiras de borracha oferecem ao trator maior manobrabilidade, facilidade para o deslocamento, possibilidade de operar em maiores velocidades e maior conforto para o operador. Quando comparadas com os rodados de pneus, resultam em menor compactação do solo e maior eficiência tratória, o que implica em menor consumo de combustível por unidade de área trabalhada.

As esteiras de borracha evoluíram e hoje equipam diferentes tipos de tratores, incluindo os tipos 4×4 e 4×2 TDA e outros veículos agrícolas como colhedoras, pulverizadores autopropelidos e mesmo carretas com rodados sem tração. No entanto, seu uso no Brasil ainda é muito limitado.

Tipos especiais de tratores

Existe um sem número de modelos especiais de tratores para aplicações específicas, bem como de tratores conceito, não obrigatoriamente em produção. No Brasil, o destaque é para o microtrator de rabiças, popular em algumas regiões, especialmente na produção de hortigranjeiros e de arroz irrigado em pequena escala.

Trata-se de uma categoria realmente diferente de fonte de potência e que não tem os requisitos para ser enquadrado como trator. No entanto, é versátil e permite ser convertido de uma fonte de potência operada externamente (pelas rabiças) acionando complementos como enxada rotativa e roçadora e se transforma em um veículo quando acoplado a uma carreta.

Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícola

O trator de esteiras de aço que teve seu auge e praticamente já desapareceu do mercado

Há também tratores tipo plataforma porta máquinas, de uso genérico como trator, mas também capazes de servir como fonte de potência e de acoplamento para máquinas especiais.

Esses tratores são completos em sua configuração como trator (com barra de tração, TDP, engate de três pontos) e ainda permitem configurações específicas como a montagem da cabine em diferentes posições do chassi. Também existem propostas de tratores com desenhos inovadores, como é o caso de tratores 6×6 ou até mesmo 8×8. Como são recorrentes nas feiras internacionais e nas revistas especializadas, é de se considerar que possa existir demanda para tais concepções. 

Mercado de tratores

No Brasil, a história do trator ocorre no ano de 1960, a partir da instituição do Plano Nacional da Indústria de Tratores Agrícolas, em 1959, pelo governo federal. Até então os tratores aqui utilizados eram importados da América do Norte e da Europa.

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Trator 4×2 TDA de 500 hp (368 kW) de potência lançado em 2015 na Alemanha (Foto: Fendt)

A frota brasileira de tratores, antes dessa época, era em torno de 60 mil tratores. Com medidas de incentivo, o número de tratores no campo cresceu para algo como 800 mil unidades na década de 1990 e com tendência de estagnação desse número, mesmo coincidindo com a maior expansão territorial das lavouras. No entanto, isso acontece paralelamente à expansão da semeadura direta, que exige aproximadamente 30% da potência que era demandada numa mesma lavoura em que havia preparo periódico do solo. Outra razão está no aumento do tamanho dos tratores, com elevação expressiva da potência individual nos últimos anos.

Durante a década de 1980 a indústria nacional de tratores passou por períodos de longas crises, com expressivas quedas de vendas. Grandes mudanças marcaram a década de 1990, com a globalização da indústria e a consequente aquisições da maioria das empresas locais pelas transnacionais que hoje dominam o mercado. Passada aquela fase, o mercado anual passou a ser da ordem de 50 a 60 mil tratores.

Essa tendência é finalmente revertida, como indicado no último Senso Agropecuário do IBGE, de 2017, com crescimento da frota para em torno de 1,2 milhão de unidades. Uma das explicações plausíveis para esse fato é o impacto dos programas de incentivo à mecanização da agricultura familiar. Basta ver a quantidade de novos fabricantes e marcas de tratores de pequeno e médio porte no País, justamente atendendo às especificações desse perfil de mercado e regras dos programas de financiamento.

Uma breve história do trator e sua importância na mecanização agrícola

Número de tratores em uso, apontados pelos censos agropecuários (IBGE, 2020)

Evoluções recentes na história do trator

O trator segue evoluindo, agora na direção da automação. As primeiras soluções, na década de 1980, visavam facilitar a ação do operador; a cabine ainda era uma raridade. Foi assim que muitos comandos até então manuais, por alavancas e chaves, foram substituídos por botões, associados à popularização das cabines, que os protegem das intempéries. Na década de 2000, depois do surgimento dos sistemas de navegação global por satélites (GNSS), novas e importantes funções de automação foram adicionadas ao trator, em especial o sistema de direção automática (piloto automático).

Paralelamente evolui a comunicação entre a máquina e o gestor, também conhecida como “telemetria”, permitindo a transferência de dados gerados no ou pelo trator para a sede da propriedade, revenda ou empresa terceirizada de manutenção, permitindo assim a gestão otimizada da manutenção e do uso dos equipamentos. 

Na medida em que o trator passa a ter itens de automação, muitos dos equipamentos por ele tracionados e acionados também evoluem e incorporam componentes da eletrônica. Isso demanda a comunicação entre ambos, que passa a ser tratada por um complexo protocolo na forma de uma norma (ISO 11783), também conhecida como ISOBUS, que tem o propósito de ser o padrão para essa comunicação de dados entre o trator e a máquina ou implemento, independente de origem, marca ou fabricante de ambos. No Brasil, essa norma está sendo gradativamente adotada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é a entidade brasileira de normatização.

A atual onda de automação força inevitavelmente o trator a se tornar autônomo, com a tendência de exclusão da função do operador. Isso abre perspectivas para a revisão completa dos conceitos de projeto vigentes, o que envolve o seu porte e mesmo a sua existência. As máquinas auto propelidas surgiram e vêm expandindo de forma acelerada. Diante desse breve relato sobre a história do trator, é plausível, portanto, questionar se o trator continuará dominando como fonte de potência e qual será o seu tamanho ideal.  

*Jose P. Molin é professor titular do Departamento de Eng. de Biossistemas USP/ESALQ, Piracicaba; Laboratório de Agricultura de Precisão; www.agriculturadeprecisao.org.br

 

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27/11/2023 0 Comentários
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Revista

Produtor investe em Descompactador Rasthor da Bandeirante Máquinas

Por redação 27/11/2023
Escrito por redação
Aquisição de Descompactador RASTHOR, da Bandeirante Máquinas, foi estratégia para aumentar produção de soja em fazenda no Paraná

Produtor investe em Descompactador Rasthor da Bandeirante Máquinas por Adriana Gavaça – A safra de soja do Brasil deve atingir um novo recorde para o período 2023/24, de acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume produzido deve somar 162,4 milhões de toneladas, segundo o último boletim divulgado em setembro. Esse volume representará um aumento de 5,1% em relação à safra anterior e será impulsionado por um aumento de 2,8% na área de plantio, que agora abrange 45,3 milhões de hectares, e um aumento de 2,2% na produtividade, atingindo 3.585 quilos por hectare.

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Em fazendas com áreas improdutivas ou pouco produtivas, uma maneira de aumentar a plantação tem sido buscar alternativas que transformem esse solo ou melhorem sua capacidade. Para isso, dentre as estratégias adotadas, está o investimento em equipamentos de descompactação do solo. 

Solos compactados se caracterizam pela baixa infiltração de água, ocorrência frequente de enxurradas, raízes deformadas, estrutura degradada e alta resistência às operações de preparo, conforme dados da Embrapa. Até pequenas estiagens podem resultar em sintomas de deficiência de água nas plantas, impactando diretamente sobre o volume plantado e colhido. Ter bons resultados em solos com essas características é sempre um desafio. A boa notícia é que já existem maquinários capazes de auxiliar em sua recuperação, tornando-os novamente produtivos ou, melhor ainda, capazes de alcançar resultados ainda melhores.

O papel do Brasil

Produtor investe em Descompactador Rasthor da Bandeirante Máquinas O Brasil tem se consolidado como um dos principais produtores de alimentos do mundo, sendo a soja a principal cultura cultivada no País e uma das grandes responsáveis pelo resultado econômico e pelo destaque do agronegócio brasileiro. Um artigo publicado pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 2017, por William Alex Wagner, destaca que técnicas de descompactação de solo têm sido constantemente utilizadas para aumentar a produção dessa importante cultura.

“A compactação do solo ocorre em decorrência de vários fatores: integração da lavoura-pecuária, intensificação de cultivos, utilização de máquinas cada vez maiores e mais pesadas, realização de operações com nível inadequado de umidade do solo. A soma desses fatores resulta em um adensamento do solo, o qual restringe a infiltração e o armazenamento de água, ocasionando enxurradas e limitando o desenvolvimento da estrutura radicular das culturas implantadas”, ressalta o texto do artigo.

Promover a descompactação do solo, seja por métodos biológicos ou mecânicos, melhora as condições físicas do solo, possibilitando uma melhor infiltração de água e uma melhor distribuição da estrutura radicular das plantas no solo, aumentando a capacidade das plantas de tolerar períodos de estresses hídricos.

Justamente para corrigir esses problemas e aumentar a produção de soja em sua propriedade, o produtor rural Cleison Bidin, sócio com seu pai de uma fazenda em Capanema, no Paraná, adquiriu o descompactador Rasthor da marca Bandeirante Máquinas no início deste ano. Ele relata que, em poucos meses de uso, o local que sofria com muita compactação no solo já apresenta melhoras significativas na infiltração da água. “O funcionamento do equipamento é muito bom, fácil e prático. Este será o primeiro plantio após o uso do descompactador e esperamos que ajude muito em nossa produção. O solo aqui é argiloso e compacta muito. Com o descompactador Rasthor, esperamos quebrar a camada compactada sem mexer na cobertura do solo”, afirma.

Resultado superior

Na última safra, a fazenda colheu aproximadamente seis mil sacas de soja e sete mil e seiscentas sacas de milho. O resultado ficou abaixo do previsto pelos proprietários, devido à forte estiagem que atingiu a região Sul do País no último ano. O produtor espera que essa situação se reverta agora, já que o ano tem sido mais chuvoso e também devido à introdução do equipamento de descompactação do solo nas etapas iniciais de produção. “Nossa expectativa é que esta seja uma de nossas melhores safras por conta desses dois motivos”, afirma.

Produtor investe em Descompactador Rasthor da Bandeirante Máquinas A fazenda dos Bidin é uma propriedade familiar que produz milho e soja há mais de 50 anos, e todo o trabalho ainda é feito pela família. Além do descompactador Rasthor, a fazenda possui outras 10 máquinas agrícolas, incluindo uma Plaina Hexline, também da Bandeirante Máquinas, comprada em 2021. “Esse equipamento nos ajudou muito a fazer curvas de nível e outros serviços. É uma máquina muito robusta, com boa resposta e acabamentos bem reforçados. O acoplamento e desacoplamento são muito simples e ágeis. Foi isso que nos motivou a comprar o descompactador da mesma marca, com foco no aumento da produtividade”, destaca Cleison Bidin.

agrotóxicos - Produtor investe em Descompactador Rasthor da Bandeirante MáquinasA Plaina Hexline se destaca no mercado por ter estrutura em formato hexagonal, maior altura de carregamento e força hidráulica. Além disso, possui uma maior variedade de ferramentas acopláveis. O equipamento está no mercado há mais de 20 anos e representa 40% do faturamento da empresa, segundo o departamento de Marketing da Bandeirante Máquinas. O foco desses equipamentos são pequenos e médios produtores de grãos e pecuaristas.

O descompactador Rasthor, lançado pela Bandeirante Máquinas em 2016, é destinado a médios e grandes produtores de grãos e de algodão, mas também pode ser usado em pequenas propriedades, como é o caso da fazenda dos Bidin. Em pouco tempo no mercado, já se consagrou como responsável por 35% do faturamento da marca.

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27/11/2023 0 Comentários
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EntrevistaRevista

Pedro Estevão Bastos, presidente da CSMIA: o mercado não cresceu

Por redação 27/11/2023
Escrito por redação

Presidente da CSMIA não vê gatilhos para recuperação do mercado de máquinas até o segundo semestre do ano que vem

Pedro Estevão Bastos, presidente da CSMIA: o mercado não cresceupor Gabriel Nascimento – A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) acredita em uma queda de 20% nas vendas de máquinas e implementos agrícolas em 2023. O novo número substitui a expectativa anterior, de retração de 10% na comparação com o ano passado. Os resultados do mercado de máquinas têm sido negativos desde novembro de 2022, após o esgotamento dos recursos do Plano Safra 2022/23 destinados ao financiamento de máquinas, ainda em outubro. A expectativa, no entanto, era de que a partir da entrada em vigor do atual Plano Safra, a situação melhorasse e o mercado tivesse uma recuperação no segundo semestre, o que não aconteceu.

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 Em entrevista à Máquinas e Inovações Agrícolas, o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, Pedro Estevão Bastos, disse que “dificilmente” o cenário atual será alterado. Ele salienta, no entanto, que o setor vêm de três bons anos, com crescimentos expressivos. A expectativa, segundo Estevão, é de um incremento mais tímido na área plantada de grãos no Brasil para a próxima safra. Com isso, o mercado de máquinas deve ser afetado por reposição, não por expansão. Os programas de financiamento vêm funcionando normalmente, diz Estevão, mas os recursos não devem durar até o final do atual Plano Safra. Confura a entrevista a seguir: 

Como você avalia o desempenho do mercado de máquinas até o momento?

O faturamento da Abimaq acumulado deste ano é cerca de 19%, 21% inferior ao ano passado. Esse resultado vem assim desde janeiro, já vem caindo, e tem ficado mais ou menos nessa média de 20%. Acreditamos que o ano vá terminar com queda de 20% . Dificilmente conseguiremos um segundo semestre que mude esse cenário. Não vemos gatilho nenhum para que o mercado melhore. Portanto, o mercado, agora, dá uma assentada, o que já esperávamos. Tivemos três anos excepcionais. Essa retração se deve, basicamente, a dois fatores: vínhamos de uma rentabilidade muito alta dos preços das commodities e de um custo de capital baixo, ou seja, os juros não foram tão altos para a compra de máquinas. Nesses três anos nós tivemos aumento de 4 milhões de hectares plantados ao ano. Isso aumentou a demanda por máquinas. Esses três anos muito bons passaram e, agora, em 2023, voltamos a um mercado que consideramos normal, ou seja, nós não estamos em crise. Simplesmente, o mercado estava num patamar muito alto e voltou ao normal.

Com os recursos do Plano Safra esgotados, se esperava uma recuperação a partir do segundo semestre, o que não ocorreu. A que se deve isso? 

Basicamente, os juros do Plano Safra 2023/24 não ficaram tão baixos. O Moderfrota, que está com 12,5%, ainda é considerado caro pelos produtores, porque ficariam sete anos pagando a 12,5%. Aí o produtor observa relatórios como o Focus falando que ano que vem vai ser 9%, o outro ano pode ser pouco menor. Isso o faz pensar duas vezes. Além disso, a partir de abril deste ano, o mercado interno de milho e soja caiu muito. E o produtor teve de vender, pois não tinha onde armazenar. O produtor não se empolgou com os juros e teve uma menor rentabilidade.

Isso, certamente, impactou na expectativa que vocês tinham para o comportamento do produtor. O que a Abimaq espera a partir de agora?

Para o plantio da safra 2023/24, se fala em um aumento de 500 mil hectares em relação a 22/23. Veja, nós saímos de um aumento de 4 milhões de hectares para 500 mil hectares. Os juros não impactam só na compra de máquinas, mas no custeio, que também não ficou barato. Significa que teremos um mercado mais de reposição, e não um mercado de expansão, que foi o que aconteceu nos últimos três anos. A partir do ano que vem, quando o produtor colher a safra que está plantando agora, ele verá os resultados, os preços futuros, e começará a se preparar para plantar a safra 2024/25. O impacto vem no segundo semestre do ano que vem. Ou seja, daqui até lá não tem nenhum gatilho para falar que o mercado vai mudar por algum motivo. Se tudo continuar como está, teremos um ano normal em 2024, não muito diferente deste. Não estamos em crise, estamos simplesmente levando o mercado como ele é. Como achamos que os juros devem cair, existe uma perspectiva que o mercado fique, então, mais comprador. 

Com relação aos programas de financiamento… Como estão a liberação dos recursos e o acesso dos produtores ao crédito?

Está tudo aberto, tudo funcionando. Houve aquela questão da trimestralidade, mas aquilo a Abimaq e outras entidades conversaram com o governo, que recuou. Basicamente, a trimestralidade ficou para o agente financeiro e não na ponta. Ou seja, os bancos têm que dar conta, a cada três meses, do que eles fizeram com o recurso, mas na ponta não. Está funcionando. Agora você pode perguntar se o dinheiro vai dar. Não, o dinheiro não vai dar. Muito provavelmente, no primeiro semestre do ano que vem, vamos alertar o governo que acabou o dinheiro. Então teremos outro buraco lá no primeiro semestre do ano que vem em que não teremos mais recurso do Plano Safra.

Mesmo que a retração não seja, exatamente, um resultado negativo, a recuperação no segundo semestre não veio. Como essa reversão de expectativa afeta o planejamento da indústria?

Como esperávamos que o mercado crescesse e não cresceu, o planejamento começa a olhar para o orçamento, ou seja, como estão as vendas, a mão de obra etc. Ainda não começamos a demitir, mas pode ser necessário. Desde o pico, não demitimos mais. Quando diminui o volume, a rentabilidade da indústria também diminui. É bem possível que tenhamos um corte de mão de obra neste fim de ano em função do mercado. O impacto da mão de obra no custo de produção varia de 15% a 30%, dependendo do produto.

No começo do ano, a Abimaq projetou que a indústria, como um todo, investiria menos em 2023. O que você tem observado nesse sentido?

O investimento em maquinário para a indústria está bem retraído por causa dos juros, seguindo a mesma lógica do agricultor. Os juros têm muita influência na economia geral. Mas como a indústria tem a flexibilidade dos turnos, a demanda será atendida sem problema nenhum. À medida que o mercado aumenta, começamos a trabalhar em outros turnos, sem precisar aumentar a capacidade instalada.

A indústria, em geral, bate muito no chamado ‘custo Brasil’, que é a diferença de custo do Brasil em relação à média da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]. E isso envolve vários fatores: custo de capital, com juros altos; impostos altos e complexos; logística; insegurança jurídica etc.

Como isso reflete no estímulo à inovação e na qualificação da mão de obra?

Esse é um problema sério, mas nossa ingerência é muito pequena. Temos falado isso para o governo [Federal], porque é uma demanda de primeiro grau. Treinar essa mão de obra, primeiro na educação básica, depois nas especialidades da indústria, também vira ‘custo Brasil’. Mas isso é uma questão de País, não de governo. Trata-se de uma questão de política de Estado. Na agricultura, o produtor tem o mesmo problema. Ele precisa de uma mão de obra capacitada, desde o operador da máquina, passando pelo agrônomo, até quem consiga trabalhar os muitos dados coletados. E não há essa mão de obra. Hoje, o primeiro gargalo da agricultura é a educação. O segundo é a falta de crédito, e o terceiro é a conectividade.

Quais são as tendências para o desenvolvimento das tecnologias para as  máquinas?

Estamos vendo máquinas inteligentes, com inteligência artificial. A tendência é que essa inteligência artificial vá cada vez mais aumentando. Isso depende de conectividade, de mão de obra para interpretar e mão de obra na indústria. Já estamos partindo para máquinas autônomas. Já existem máquinas autônomas no mercado, que simplesmente não precisam de operador. Elas são capazes de ler bancos de dados e tomar decisões sobre as operações a serem realizadas.

A inovação tecnológica, em especial com máquinas autônomas, acaba com o problema da falta de mão de obra qualificada? Haveria uma necessidade menor de pessoas para essas operações?

Isso não nos preocupa, nem pelo lado do produtor, nem pelo lado social. É um movimento que ainda leva tempo para acontecer. O mercado de máquinas autônomas ainda é muito restrito. Além de demorar para que isso tenha algum impacto, a quantidade de empregos que nós temos criado nas outras áreas é muito maior do que a quantidade de empregos que se fecha. A demanda por mão de obra tem crescido. Por exemplo, há 15 anos, não havia tecnologia da informação no campo. Hoje você precisa de funcionários que entendam do assunto. Tem que ter gente lá para manutenção de rede, para mexer nos computadores, para fazer os relatórios. Foram criados mais empregos do que extintos. Não temos problema com desemprego. Hoje é o contrário, nós criamos tanto emprego, tanta demanda, e não tem gente para fazer isso.

Como a indústria se planeja em relação a essas inovações? Como elas surgem? É uma demanda do agricultor, são ideias da própria indústria? 

Temos várias fontes. Uma delas chamamos de “dor do agricultor”. A indústria faz pesquisas para saber onde estão os grandes gargalos, os grandes problemas dele. E tenta fazer, de todas as maneiras, alguma tecnologia que os solucione. Outra fonte são as universidades, que estão pesquisando, olhando para o campo também, pesquisando mais ou menos a mesma coisa, ou seja, onde é que tem oportunidades de melhoria com a tecnologia existente. Às vezes, há uma tecnologia que precisa ser adaptada para o mercado. A inteligência artificial é um exemplo. Por fim, temos as novas tecnologias, principalmente na biotecnologia. Às vezes se muda o jeito de pulverizar, e é preciso ter um maquinário adaptado a isso.

Retornando ao contexto do mercado, para concluir… Quais são os aspectos críticos que merecem atenção por parte da indústria? E o que o produtor deve considerar para estar bem posicionado no mercado de máquinas?

Olhando para o médio prazo, para os próximos dez anos, tanto a FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura] como o USDA [Departamento de Agricultura dos Estados Unidos] têm falado que o Brasil precisaria aumentar em 30% a exportação de alimentos para o mundo. Então precisamos aumentar a área. No curto prazo, isso depende das variações de mercado, dos juros. No longo prazo, vemos que somos rentáveis e altamente competitivos. O agricultor precisa olhar suas operações, não só na parte das máquinas, mas na agronômica, para, cada vez mais, incorporar tecnologias. 

Outro ponto é a mão de obra. Se ficar esperando o governo para ter mão de obra, vai perder a ‘guerra’. Então, trata-se de uma batalha que os próprios agriculores têm de se juntar e começar a formar mão de obra, interferir nesse processo. Ele tem de prestar a atenção na gestão financeira. Por exemplo, o furo que o pessoal deu, de não vender a soja lá em 2022, deixar para vender tudo em 2023, isso é amadorismo. Deviam ter feito preço médio. 

E ainda, não ter um armazém também é questão de gestão. É preciso observar que o mercado está ficando cada vez maior e você tem de ter um lugar para guardar [sua produção]. Isso é gestão, isso não é nem agronômico nem máquina, é puramente gestão de administração de empresa. Melhoramos muito na parte agronômica e de maquinário. Na parte de gestão, ainda deixamos a desejar.

 

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