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Rádio MIA

Podcast Rádio MIA: governo anuncia R$ 1 bi para o Rio Grande do Sul, e mais

Por redação 14/09/2023
Escrito por redação
Governo anuncia R$ 1 bilhão do BNDES para o Rio Grande do Sul

Um ciclone extratropical atingiu o Rio Grande do Sul. Militares do Comando Militar do Sul trabalham ininterruptamente em apoio às equipes do Corpo de Bombeiros/RS e da Prefeitura local no resgate de milhares de famílias ilhadas em suas casas na cidade de Esteio. Foto: Exército Brasileiro/Twitter

No podcast Rádio MIA nesta semana: os estragos provocados pelas chuvas no Rio Grande do Sul, recordes na produção de grãos e no número de pessoas ocupadas no agro, além dos dados da moagem da cana-de-açúcar!

As chuvas no Rio Grande do Sul, que começaram na segunda-feira da semana passada (4), já deixaram quase 50 mortos e cerca de 8 mil pessoas desabrigadas. Nesta terça-feira, dia 12, o presidente Lula anunciou que o governo federal vai disponibilizar R$ 1 bilhão em empréstimos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para ajudar a recuperar a economia do estado, que sofre com os efeitos devastadores de um ciclone extratropical que atingiu diversas regiões. O presidente também informou que mais 354 mil trabalhadores com carteira assinada poderão acessar os recursos do FGTS.

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No último domingo, o vice-presidente Geraldo Alckmin esteve pessoalmente na região, quando ocupava interinamente a Presidência da República em função da viagem do presidente Lula à Índia. Na ocasião, Alckmin anunciou a disponibilização de R$ 741 milhões em ajuda ao governo gaúcho.

Também nesta terça, a Associação Gaúcha de Avicultura afirmou que as enchentes e as chuvas no Rio Grande do Sul geraram um prejuízo estimado em R$ 220 milhões às indústrias locais de aves e derivados. A área mais atingida, o Vale do Rio Taquari, representa 21% da produção gaúcha do setor – seis indústrias da região sofreram danos devido ao evento climático.

Valor da produção agropecuária é estimado em R$ 1,14 trilhão em 2023

As previsões mostram que até sexta-feira, dia 15, há risco de tempo severo em áreas do estado. Os volumes de chuva podem variar entre 100 e 200 milímetros nas regiões sul, de campanha, oeste, centro, sudeste, leste e noroeste e ultrapassar 250 milímetros em alguns pontos. Além disso, o risco é alto para queda de granizo, descargas elétricas e vento forte, segundo informa o boletim Sala de Situação do governo do estado.

E ainda, entre as principais notícias desta semana:
  • Recordes na produção de grãos;
  • Recordes no número de pessoas ocupadas no agro;
  • E mais!
Ouça e saiba mais:

Máquinas & Inovações Agri · Governo anuncia R$ 1 bilhão do BNDES para o Rio Grande do Sul

 

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14/09/2023 0 Comentários
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Tecnologia

Embaladoras de cítricos podem auxiliar no aumento de lucratividade

Por redação 13/09/2023
Escrito por redação

Embaladoras de cítricos podem auxiliar no aumento de lucratividadeAs embaladoras de cítricos estão se esforçando para atender às expectativas de qualidade cada vez mais exigentes, mas também precisam aumentar a produtividade e melhorar os rendimentos. Esse é um ponto de equilíbrio complicado de alcançar, mas pode ser feito, como explica Clinton Jeffries, diretor global de categoria de Cítricos da TOMRA Food.

O fato de os consumidores estarem ficando mais exigentes em relação às frutas cítricas está tendo consequências para as embaladoras. Seja qual for a variedade cítrica, o risco é o mesmo: se a fruta decepcionar o comprador, a marca de alimentos ou o varejista que a vendeu poderá perder vendas futuras. Isso significa que os varejistas esperam cada vez mais que seus fornecedores ofereçam perfeição – o que não é fácil para as embaladoras, pois as frutas que chegam são variadas e as que saem precisam atender a muitos requisitos.

Para começar, a condição da casca, a cor, a forma e o tamanho da fruta afetam o apelo nas prateleiras. Depois, a experiência de consumo pode depender da firmeza, da textura e do teor de açúcar da fruta. E para complicar ainda mais as coisas, as preferências dos consumidores em relação à cor e à doçura das frutas diferem de um mercado de exportação para outro.
Tradicionalmente, as embaladoras mantêm seus clientes satisfeitos embalando apenas as frutas que têm certeza de que atenderão aos requisitos de qualidade e rejeitam as frutas com qualidade limítrofe.

No entanto, isso muitas vezes leva à “doação” de frutas, o que prejudica os lucros das embaladoras. É possível ganhar mais dinheiro se a embaladora encontrar uma maneira de fornecer a qualidade e a quantidade necessárias do produto e, ao mesmo tempo, maximizar o rendimento: um ponto de equilíbrio que exige precisão.

Enquanto as embaladoras caminham nessa corda bamba, os riscos são vertiginosamente altos. Somente as exportações globais valem mais de US$ 7 bilhões por ano – e estão aumentando. Nos mercados estabelecidos, mais consumidores buscam alimentos saudáveis, naturais e ricos em vitaminas, tornando as frutas cítricas mais populares.

Nos mercados emergentes, um número cada vez maior de pessoas está alcançando renda de classe média e gastando mais em alimentos de maior qualidade. As frutas cítricas estão sendo mais utilizadas para dar sabor e cor a produtos de panificação e bebidas à base de frutas. Por esses motivos, espera-se que as vendas de cítricos continuem aumentando em valor a uma taxa de crescimento anual composta de 4%, de modo que, até 2030, as exportações valerão cerca de US$ 10 bilhões.

Isso não significa, entretanto, que o aumento da lucratividade das embaladoras será fácil. De fato, o setor enfrenta ventos contrários.

Enfrentando os desafios

Para os produtores, talvez o vento contrário mais forte seja a mudança climática, que causa severas variações sazonais, afetando diretamente no rendimento e na qualidade das safras. Em muitas regiões, há também a ameaça do greening dos cítricos (também conhecido como HLB ou Doença do Dragão Amarelo), que torna a fruta amarga e mata as árvores infectadas em poucos anos. No início dos anos 2000, a HLB devastou muitas fazendas de cítricos na Flórida, e a doença dizimou milhões de acres de árvores cítricas em todo o mundo. As contramedidas proativas podem ser eficazes, mas exigem vigilância constante, reduzem a produtividade e aumentam os custos.

Para embaladoras e re-embaladoras, os ventos contrários também estão vindo de diferentes direções. Enquanto as expectativas de qualidade estão aumentando, a crescente variabilidade das safras está empurrando na direção oposta. Classificar e inspecionar bem as frutas é vital, mas a cada ano está ficando mais difícil recrutar e reter pessoas para fazer isso. Os custos de mão de obra, energia e outros recursos essenciais estão subindo, intensificando a necessidade de maximizar os rendimentos e os lucros. Agora é mais importante do que nunca colocar a fruta certa na embalagem certa e no momento certo.

Para os varejistas, há uma necessidade cada vez maior de se diferenciar por meio da qualidade do produto. Com os consumidores cada vez mais exigentes, os mercados de exportação só pagarão caro por produtos de alta qualidade. Os varejistas também estão sob crescente pressão dos consumidores para que levem a sustentabilidade a sério. Isso exige, entre outras coisas, uma abordagem ativa para reduzir o desperdício de alimentos – outra obrigação que é repassada as embaladoras.

A boa notícia é que as embaladoras podem superar esses ventos contrários. As respostas para muitos dos desafios atuais de embalagem são fornecidas por máquinas de classificação e inspeção óptica de última geração. Essas soluções automatizadas são muito mais precisas e consistentes do que a classificação e a inspeção manuais. Elas permitem que as embaladoras atendam aos padrões exigidos, independentemente da qualidade da fruta recebida. Elas abrem as portas para novos clientes com requisitos de alta qualidade e põem fim ao hábito dispendioso de distribuir frutas a um preço inferior ao que elas realmente valem.

Brasil: Um país com história na Indústria cítrica

O Brasil é um tradicional produtor de frutas cítricas. A produção anual de frutas cítricas frescas no Brasil é de cerca de 18,5 milhões de toneladas. A laranja é a fruta cítrica mais produzida no Brasil, representando cerca de 80% da produção total. Outros cítricos produzidos no Brasil incluem limão, tangerina, grapefruit, lima e lima ácida.Aproximadamente 60% da produção de frutas cítricas frescas no Brasil é destinada ao comércio de fruta fresca, enquanto os 40% restantes são destinados a processados. O principal mercado para frutas cítricas frescas brasileiras é o mercado interno, seguido pelos mercados da União Europeia, Estados Unidos e Japão.

A indústria de frutas cítricas frescas no Brasil é uma das mais importantes do país, gerando cerca de R$ 9 bilhões em receita e 250 mil empregos na área rural. Espera-se que a indústria continue a crescer nos próximos anos, impulsionada pelo aumento da demanda interna e externa por frutas cítricas frescas.

A grande dificuldade da citricultura brasileira está no campo: conseguir produzir frutas que atendam às exigências do mercado interno e que despertem, cada vez mais, o interesse do mercado externo.

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Notícias

Como os veículos elétricos estão transformando o agronegócio no mundo

Por redação 13/09/2023
Escrito por redação

Economia, sustentabilidade e produtividade: a revolução silenciosa das frotas elétricas no setor agropecuário

Como os veículos elétricos estão transformando o agronegócio no mundo

Quando falamos de veículos elétricos nos acostumamos a pensar nas cidades: com cada vez mais carros totalmente elétricos circulando pelas principais capitais do Brasil e alcançando o interior. Porém, não é apenas o setor de transporte urbano que está se beneficiando da eletrificação das frotas e o agronegócio do Brasil tem muito a ganhar com a adoção dos modelos elétricos.

No mundo, a agropecuária está se voltando para práticas ESG (governança ambiental, social e corporativa, em tradução direta do inglês), as frotas que vão desde caminhões, tratores, caminhonetes e pickups, podem ver uma conversão nos próximos anos no país. Uma realidade que já pode ser acompanhada em outros países, como os Estados Unidos e China, que investem pesado nesse segmento.

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Segundo Ricardo David, sócio-diretor da Elev, empresa que apresenta soluções integradas para a eletromobilidade, uma das principais vantagens dos veículos elétricos para o campo está na diminuição de custos para os produtores rurais.

“Os automóveis elétricos possuem, em média, cerca de 20% das peças de um carro à combustão, o que torna a manutenção mensal e a troca e reposição de peças um custo significativamente menor. Além disso, esses modelos também diminuem o impacto ambiental, sendo uma parte significativa de uma produção sustentável e preocupada com o meio ambiente”, explica o executivo.

O carregamento dos veículos elétricos é feito a partir do preço do kWh, que se mantém em preços bem abaixo do nível nacional da gasolina, do diesel ou do etanol. A recarga é feita em estações de carregamento elétrico, também chamados de eletropostos.

“Além disso, os produtores rurais podem contar que os veículos elétricos, sejam caminhões, tratores, carros, podem ser usados como geradores de energia a qualquer momento. Essa é uma das versatilidade desses modelos”, afirma o executivo.

Valor da produção agropecuária é estimado em R$ 1,14 trilhão em 2023

Mas existe ainda um fator que afasta os produtores do modelo: o alto custo dos modelos movidos a eletricidade. Mas David explica que por mais que eles tenham valores elevados em um primeiro momento, eles ainda representam uma economia, o que pode refletir em produtos mais competitivos e maior lucratividade.

“Estamos em um momento onde a eletrificação já é uma realidade e os preços estão em tendência de queda no Brasil. Ainda assim, optar por um elétrico representa uma economia maior ao longo prazo: mantê-lo e carregá-lo representa uma economia de cerca de 80% nos gastos totais. É por este motivo que vemos um movimento muito claro de empresas e organizações públicas optando por adquirir eletrificados”, diz o sócio-diretor.

Países como a China investem pesado em modelos movidos a eletricidade para as áreas rurais, principalmente com o objetivo de fortalecer a produção. Na América do Norte, tratores elétricos, como o Monarch Tractor MK-V, têm se tornando geradores portáteis em períodos de queimada.

Uma das empresas que têm investido no segmento de veículos elétricos é a CNH Industrial, uma das líderes do segmento de máquinas agrícolas que no final de 2022 anunciou planos de trazer o trator New Holland T4 Electric Power para o Brasil. Porém, a empresa ainda não anunciou valores. Atualmente, o produtor rural pode adquirir modelos por demanda, como é o caso do trator elétrico da Solectrac e70N, avaliado por US$ 74,999, cerca de R$ 371 mil, na cotação atual.

“Um dos pontos que precisa ser estudado no Brasil é a produção nacional desses equipamentos. O exemplo da BYD para os carros elétricos é algo que deve ser seguido. Com o investimento nacional os preços tendem a cair, algo que facilita o acesso dos produtores a estes modelos”, completou Ricardo David. A empresa chinesa participou recentemente do Agrishow e demonstrou interesse no segmento do agronegócio brasileiro.

 

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Notícias

CNA e Senar apresentam resultados dos custos de produção de grãos

Por redação 13/09/2023
Escrito por redação

Os baixos preços de comercialização da soja, somados à menor produtividade e custos de produção recorde, comprometeram as margens da atividade, mostrando a descapitalização do produtor

os baixos preços de comercialização somados à menor produtividade e custos de produção recorde, comprometeram as margens da atividade, mostrando a descapitalização do produtor

O Sistema CNA/Senar promoveu, na terça (12), o primeiro evento do Circuito de Resultados do Projeto Campo Futuro, em Carazinho (RS), para apresentar os principais dados dos levantamentos dos custos de produção de grãos na safra 2022/2023.

Neste ano, os técnicos do Projeto realizaram 31 painéis em 12 estados. Os encontros reuniram produtores, pesquisadores, sindicatos rurais, de federações de agricultura e pecuária e administrações regionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

O evento, realizado em parceria com a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e o Programa Duas Safras, também apresentou ferramentas de gestão de preço e risco climático, além de novas fontes de financiamento que ajudarão os produtores na gestão da propriedade e na expansão da produção agrícola.

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O vice-presidente da CNA e presidente da Farsul, Gedeão Pereira, ressaltou a importância da busca constante por tecnologia e conhecimento dos indicadores econômicos para ampliar a competitividade dos produtores rurais.

“O projeto Campo Futuro apresentou os levantamentos no país inteiro, trazendo comparações do Rio Grande do Sul com outras regiões da agricultura brasileira. A produção de grãos é bastante desafiadora e é muito importante trazer esse conhecimento aos produtores”, ressaltou.

O vice-presidente da CNA ressaltou que há poucas décadas o Brasil passou de importador a exportador de produtos do agro. “Isso exige que o setor busque continuamente novas tecnologias aliadas à gestão. O Campo Futuro contribui para ajudar os produtores rurais na tomada de decisão e no gerenciamento da propriedade rural”, destacou.

Campo Futuro

Na palestra “O que os custos de produção revelam?”, o assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Tiago Pereira, e o pesquisador do Cepea, Mauro Osaki, mostraram o desempenho dos produtores de grãos na região de Carazinho e em outras regiões produtoras de grãos no Brasil e falaram sobre como os produtores rurais devem se planejar para o próximo ano.

“A safra de grãos 2022/2023 mostrou que a condução das lavouras, principalmente de milho e de soja, foi bastante desafiadora, com altos custos de produção e baixos preços de comercialização, comprometendo as margens dos produtores”, destacou Pereira.

O assessor técnico da CNA destacou que o estado do Rio Grande do Sul enfrentou mais um ano de quebra de safra, principalmente para milho e soja.

“Em Carazinho, as produtividades obtidas para o milho e para soja não foram suficientes para pagar os desembolsos diretos na safra. Para o milho, os resultados mostram que é a segunda safra seguida com margens negativas para o produtor da região”.

Valor da produção agropecuária é estimado em R$ 1,14 trilhão em 2023

Já para a soja, os baixos preços de comercialização somados à menor produtividade e custos de produção recorde, comprometeram as margens da atividade, mostrando a descapitalização do produtor.

O pesquisador Mauro Osaki, do Cepea, apresentou a análise a partir do cenário nacional.

“De forma geral os custos com os fertilizantes impactaram todas as culturas, seguidos pelos custos com os defensivos agrícolas. Os produtores também sentiram desafios com pragas, como o percevejo nas lavouras”, destacou Osaki.

Confira os principais dados por cultura analisada:
Soja:

O preço médio da soja diminuiu 20% na safra 2022/2023 em relação à anterior.

A receita bruta média caiu 15,0% no mesmo período. O Custo Operacional Efetivo (COE) médio, por sua vez, subiu 33% na safra 2022/2023 frente a 2021/2022.

As chuvas irregulares e a seca trouxeram prejuízo para os produtores gaúchos. Todas as regiões pesquisadas não cobriram o COE.

Milho:

Para a safra de milho verão, o preço médio recuou 31% em relação à safra 2021/2022.

O COE médio da safra 2022/2023 ficou 57% superior ao contabilizado na temporada 2021/2022.

As regiões pesquisadas não conseguiram registrar margem bruta positiva.

O custo médio da segunda safra aumentou 35% e a receita bruta recuou 21% na safra 2022/2023 frente à passada.

A margem bruta média ficou R$ 505/ha (negativo) e somente cinco regiões pagaram o COE: Sorriso (MT), Campos Florido (MG), Uruçuí (PI) Rio Verde (GO) e Campo Novo do Parecis (MT).

Trigo:

A receita bruta média trigo aumentou 17% na safra 2022/2023, se comparada à anterior.

O COE médio da safra 2022 ficou 37,1% superior ao contabilizado na temporada 2021.

Arroz e Feijão:

A receita bruta média do arroz irrigado aumentou 16% na safra 2022/2023 em relação à safra 2021/2022. Já para o feijão essa alta foi de 7% para o mesmo período.

O COE médio do arroz irrigado ficou 33% superior na safra 2022/2023 contra 2021/2022. Para o feijão, a alta foi de 23% na safra 2022/23 em relação à safra 2021/2022.

O feijão 1ª safra apresentou Receita Bruta (RB) superior ao COE para as três praças pesquisadas. Por outro lado, o feijão segunda safra teve RB superior ao COE.

De olho no futuro

Há 10 anos, o produtor rural Leomar Tombini, presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Carazinho, participa dos levantamentos de custo de produção do Projeto Campo Futuro.

“Eventos como esse agregam novas ideias aos agricultores, como a possibilidade de ampliar o potencial produtivo no inverno, que hoje está em torno de 15%. Esse evento é um incentivo para nós, agricultores, entendermos que a necessidade da diluição dos custos com outras culturas, além da soja”.

Após a apresentação dos dados, os produtores rurais assistiram a palestras com especialistas sobre financiamento privado no agronegócio, gestão de riscos na agricultura e estratégias de comercialização e proteção de preços.

 

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Valor Bruto da Produção da agropecuária deve encolher 4,1% em 2024
Notícias

Valor da produção agropecuária é estimado em R$ 1,14 trilhão em 2023

Por redação 12/09/2023
Escrito por redação

Lavouras devem apresentar faturamento de R$ 804,3 bilhões e a pecuária de R$ 338,3 bilhões

VBP é estimado em R$ 1,14 trilhão em 2023As estimativas do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), obtidas com base nas informações de agosto, resultaram em R$ 1,142 trilhão para este ano. O valor é 2,4% maior em relação ao obtido em 2022, que foi de R$ 1,115 trilhão.

As lavouras, com crescimento de 4,2%, tiveram um faturamento de R$ 804,3 bilhões, e a pecuária, com retração de 1,6%, apresenta um faturamento de R$ 338,3 bilhões. A safra recorde de grãos deste ano, os preços agrícolas e as exportações são os principais fatores responsáveis por esses resultados.

Conab prevê novo recorde na safra de grãos 2022/23 com 322,8 milhões de toneladas

Diversos produtos apresentaram desempenho favorável neste ano. Conforme análise do coordenador geral de Planos e Cenários da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, José Garcia Gasques, esse resultado se deve, especialmente, aos preços e ao volume produzido. Entre esses produtos, encontram-se amendoim, com aumento real de 11,7% no VBP, arroz 11,6%, banana 16,9%, cacau 13,1%, cana de açúcar 13%, feijão 7,3%, laranja 27,2%, mandioca 40,3%, soja, 3,0%, milho 1,1%, tomate 17,3% e uva 9,7%.

“Vários produtos desta relação apresentam neste ano, recordes do VBP em uma série de mais de 30 anos de cálculo. Entre esses estão, amendoim, cana-de-açúcar, feijão, laranja, mandioca, milho, tomate e outros”, registra Gasques.

Poucos produtos trazem contribuição negativa ao crescimento do VBP. Estão incluídos, algodão, batata-inglesa, mamona e trigo, que têm passado por um período de preços reais em decréscimo. Estes são acompanhados pela retração da carne de frango e carne bovina, ambas apresentando forte retração do VBP em relação ao ano anterior. Por outro lado, na pecuária, os suínos, leite e ovos, têm tido desempenho bastante favorável.

Cinco produtos, que respondem por 81,7% do VBP das lavouras, apresentam melhor desempenho, são eles a soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão. Outra observação salientada pelo coordenador, é que as exportações mostram-se favoráveis, tendo sido gerada uma receita da ordem de US$ 97,12 bilhões nessa metade do ano.

Finalmente, os resultados regionais mostram a liderança de Mato Grosso, seguido por Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Estes geram um faturamento de R$ 588,7 bilhões, que corresponde a 51,5% do VBP do país.

 

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Notícias

Chuvas causam prejuízo de R$ 220 milhões à avicultura gaúcha

Por redação 12/09/2023
Escrito por redação

Área mais atingida, o Vale do Rio Taquari, representa 21% da produção gaúcha do setor, segundo Asgav

Chuvas causam prejuízo de R$ 220 milhões à avicultura gaúchaDados divulgados nesta terça-feira (12) pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) mostram que as enchentes e as chuvas no Rio Grande do Sul (RS) geraram um prejuízo estimado em R$ 220 milhões às indústrias locais de aves e derivados.

A área mais atingida, o Vale do Rio Taquari, representa 21% da produção gaúcha do setor – seis indústrias da região sofreram danos devido ao evento climático.

Rio Grande do Sul pode ter alto volume de chuvas nos próximos dias

Os problemas mapeados foram em estruturas das plantas, aviários, mortalidade de animais, genética, logística, elétricos, máquinas, equipamentos e mercado, destacou a entidade.

As indústrias e os produtores afetados ainda estão apurando os prejuízos de forma mais detalhada. Um levantamento preliminar realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RS) indica que 10.787 propriedades rurais de 50 municípios foram afetadas.

 

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Notícias

Rio Grande do Sul pode ter alto volume de chuvas nos próximos dias

Por redação 12/09/2023
Escrito por redação

Até agora, 46 pessoas morreram em decorrência do ciclone extratropical

Rio Grande do Sul pode ter alto volume de chuvas nos próximos diasBoletim meteorológico divulgado pela Sala de Situação do governo do Rio Grande do Sul adverte sobre alto volume de chuva e temporais nos próximos dias, sobretudo na metade sul do estado. Até o momento, 46 mortes foram confirmadas em decorrência dos temporais e do ciclone extratropical que atingiram a região, informa a “Agência Brasil”.

Em meio a toda essa situação, o governo federal garantiu um total de R$ 741 milhões em recursos para os municípios gaúchos afetados.

Previsões meteorológicas

“Até sexta-feira (15), há risco de tempo severo em áreas do estado. Os volumes de chuva podem variar entre 100 milímetros e 200 milímetros nas regiões sul, de campanha, oeste, centro, sudeste, leste e noroeste e ultrapassar 250 milímetros em alguns pontos. Além disso, o risco é alto para queda de granizo, descargas elétricas e vento forte”, informa o boletim.

O risco de “tempo severo”, esperado até esta terça-feira (12) na metade sul do estado, deverá se espalhar pela maioria das regiões já na quarta-feira (13), em especial nos Vales e no leste, além de se manter na metade sul.

Ana Helena Andrade, Conectar Agro: “Não há agricultura digital sem conectividade”

Na quinta-feira (14), a expectativa é de “chuva moderada a forte com vento, sobretudo na metade sul e nas regiões dos Vales, noroeste, norte, leste e nordeste”, acrescenta o boletim meteorológico divulgado pela Sala de Situação. “Não são descartados transtornos associados aos temporais isolados e aos elevados acumulados”.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, 97 municípios do centro-sul do Rio Grande do Sul poderão ser atingidos pelas fortes chuvas. Há ainda a possibilidade de inundações, vendavais, descargas elétricas e queda de granizo.

“Áreas já atingidas pelo ciclone da semana passada podem ser novamente afetadas, mas a incidência deve ser maior nas áreas onde há estiagem, sobretudo na região de fronteira com o Uruguai”, afirmou a pasta, em nota.

Recursos federais

Os R$ 741 milhões em recursos federais anunciados nesse domingo (10) terão como origem diferentes pastas ministeriais e órgãos federais e serão utilizados em ações de busca e salvamento, assistência humanitária e atendimento à população afetada, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução de moradias, estradas e de um hospital, informou o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Deste total, R$ 185 milhões serão do próprio MIDR, para reconstrução de infraestruturas danificadas, como pontes e rodovias – bem como para viabilizar o restabelecimento de serviços essenciais e prestar assistência humanitária à população atingida.

Os primeiros repasses foram para os municípios de Roca Sales (R$ 2,36 milhões); Encantado (R$ 1,2 milhão); Muçum (R$ 1,12 milhão); Três Cachoeiras (R$ 309,8 mil); Cruzeiro do Sul (R$ 651,2 mil); Estrela (R$ 309 mil); Imigrante (R$ 173,32 mil); Maquiné (R$ 94,8 mil); Nova Bassano (R$ 91,9 mil) e Passa Sete (R$ 73,2 mil).

Equipes da Defesa Civil Nacional apoiam, desde o dia 4, prefeituras das cidades atingidas para a elaboração dos pedidos de repasse de recursos. Além disso, integrantes do Grupo de Apoio a Desastre (Gade) têm se reunido com 32 representantes de 12 cidades da região do Alto Taquari, para orientar sobre procedimentos.

 

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Revista

Fenasucro & Agrocana alcança R$ 8,3 bilhões em volume de negócios

Por redação 12/09/2023
Escrito por redação

Feira superou edição passada em volume de negócios e número de visitantes

Fenasucro & Agrocana alcança R$ 8,3 bilhões em volume de negóciosA 29ª Fenasucro & Agrocana alcançou R$ 8,3 bilhões em volume de negócios durante os quatro dias de evento (15 a 18 de agosto), segundo levantamento realizado pelo Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br) junto aos expositores. O resultado desta edição representa um crescimento de 60% em relação a edição do ano passado, quando o valor chegou a R$ 5,2 bilhões.

Ana Helena Andrade, Conectar Agro: “Não há agricultura digital sem conectividade”

A expectativa também foi alcançada com relação aos visitantes. Em 2023, a Fenasucro & Agrocana registrou aumento na qualificação do seu público, com 60% deles indicando poder de decisão de compra. Outro destaque foi a geração de leads para os expositores, com crescimento recorde de 105% em comparação com 2022, segundo informações do CEISE Br.

“Todas as expectativas para a edição de 2023 foram superadas. Recebemos mais de 53 países no evento deste ano, mostrando que o Brasil é o protagonista do setor de bioenergia e o precursor da transição energética global. Além disso, aumentamos em 15 pp o NPS de expositores, o que comprova a importância do evento para nossos clientes, índice reforçado pela alta taxa de renovação que tivemos ainda durante o evento deste ano para a edição de 2024”, reforça o diretor da feira, Paulo Montabone.

Para a presidente do CEISE Br, Rosana Amadeu Silva, a 29ª edição do evento foi um sucesso absoluto. “Ao longo de quatro dias plantamos sementes para um futuro mais sustentável para o nosso país e para o mundo. A feira criou oportunidades, marcada pela transição energética, com a apresentação de inúmeras inovações tecnológicas, propiciando geração de negócios e possibilidades de novas parcerias comerciais”, afirma Rosana, primeira mulher na presidência do CEISE Br em mais de 40 anos de história.

Bons negócios

Os expositores também celebraram os bons resultados da feira. Para a diretora de Marketing e Vendas da Zanini Renk, Cristiane Câmara Braz, a participação foi um sucesso. “A feira atraiu importantes fornecedores do setor sucroalcooleiro e todos vieram visitar nosso estande. Foi um ano muito bom e de grandes negócios, como a venda de três Torqmax, o que representa cerca de R$ 10 milhões”, celebrou.

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Na Fundição Moreno, a percepção foi igualmente positiva. Carla Luz, que representa os departamentos de Comercial e Marketing da empresa, comentou sobre a qualificação dos visitantes do evento. “Ficamos bem satisfeitos com a edição deste ano. Recebemos muitos clientes, inclusive de exportação”, enfatizou.

Marca que desempenha um papel estratégico em termos de inovação em tecnologias para o setor, a HPB destacou a visibilidade da Fenasucro e o seu potencial em fomentar negócios. “Conseguimos acessar um número expressivo de pessoas para divulgarmos nossos projetos e tecnologias, em um curto espaço de tempo. Ficamos satisfeitos com a operação que montamos para esta edição. A experiência foi excelente”, disse o gerente comercial da HPB, Marco Zanato.

Rodadas de negócios internacionais

As rodadas de negócios internacionais – realizadas pelo Apla (Arranjo Produtivo Local do Álcool) e pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), por meio do Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution – reuniram mais de 60 empresas brasileiras, que compartilharam suas inovações para 24 compradores da Argentina, Colômbia, Cuba, El Salvador, Guatemala, Honduras, Índia e Peru em, aproximadamente, 640 reuniões. O que resultou em uma previsão de negócios em torno de US$ 55 milhões, que podem ser fechados em até 12 meses.

Próxima edição

A 30ª edição da Fenasucro & Agrocana será realizada de 13 a 16 de agosto de 2024, em Sertãozinho/SP. “Estamos preparando uma edição histórica, dos 30 anos da feira que é a maior do mundo em bioenergia. Por isso, convidamos a todos a fazer parte desse momento e, assim, levar toda a tecnologia que temos disponível aqui no Brasil para ganhar escalabilidade e vendas globais, além de introduzir o biocombustível no planeta terra como uma grande commodity”, conclui Montabone.

 

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ColunaRevista

Os desafios e as oportunidades para o agronegócio brasileiro

Por redação 12/09/2023
Escrito por redação
As exportações brasileiras de soja em grãos estão estimadas em 96,5 milhões de toneladas

Movimentação Porto de Paranaguá – Paranaguá, 10/06/2019 – Foto: Cláudio Neves/APPA

por Carlos Cogo* – O Brasil assumiu a liderança na exportação mundial de soja em grãos na safra 2012/2013, ultrapassando o até então líder Estados Unidos. De lá para cá, essa posição nunca mais foi ameaçada. As exportações brasileiras de soja em grãos estão estimadas, pela nossa Consultoria, em 96,5 milhões de toneladas na próxima temporada 2023/2024, ante uma projeção de 53,7 milhões de toneladas dos Estados Unidos, segundo maior exportador global, divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em seu relatório de oferta e demanda global para a safra 2023/2024.

Nas últimas três décadas, as exportações brasileiras de soja em grãos crescem a uma CAGR de 11,7%, enquanto as norte-americanas registram 3,9%. No caso do milho, a liderança das exportações globais do grão pelo Brasil deverá se consolidar em 2023.

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As projeções da nossa Consultoria apontam para embarques de 50 milhões de toneladas de milho pelo Brasil na safra 2022/2023, ante 47,1 milhões de toneladas projetadas pelo USDA para os Estados Unidos. E para a próxima temporada 2023/2024, a projeção da nossa Consultoria é de exportações de 54 milhões de toneladas de milho, ante embarques projetados pelo USDA de 53,3 milhões de toneladas para os Estados Unidos. 

O caso do trigo é mais recente. O Brasil ainda é um importador líquido de trigo, ou seja, importa mais do que exporta. Mas já embarcamos 3,1 milhões de toneladas de trigo em grãos em 2022 e poderemos seguir ampliando as exportações desse grão nos próximos anos. Na liderança das exportações globais de grãos, o Brasil é sucedido pelos Estados Unidos e Argentina, países que ocupam o segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Setor avança rumo a uma agricultura mais sustentável

Basicamente, a maior diferença entre esses três players é o ritmo e a capacidade de expansão da área, produção e exportações de grãos. No Brasil, entre as safras 1990/1991 a 2022/2023, a área de cultivo de grãos cresce a um CAGR de 2,3%, enquanto a produtividade média por hectare avança a CAGR de 3,2%. Essa combinação resulta em uma expansão sustentada de 5,6% (CAGR) da produção brasileira de grãos neste período.

E esse ritmo vem se mantendo na última década. Nossas diferenças estão no fato de ainda termos área passível de expansão para a agricultura, sem nenhuma necessidade de desmatamento. Além disso, temos um diferencial único que é a possibilidade de semear três safras anuais em uma mesma área. Enquanto isso, Estados Unidos e Argentina, assim como diversos outros grandes produtores agrícolas globais, praticamente não têm mais áreas passíveis de expansão para a agricultura.

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O ritmo de expansão das exportações brasileiras de grãos é elevado, quando comparado ao dos nossos concorrentes. Nossas exportações avançam a uma CAGR de 6,6% nesta última década, enquanto o segundo colocado – os Estados Unidos – registra apenas 0,2% e a Argentina, que deverá retomar a terceira colocação na safra 2023/2024, avança 5,9%. Temos todas as condições de manter essa liderança e ampliar gradualmente nossa fatia nas transações globais dos principais grãos.

As projeções da nossa Consultoria indicam que o Brasil deverá chegar ao final da próxima década, na safra 2033/2024, com potencial para produzir 624 milhões de toneladas de grãos, incluindo soja, milho, trigo, arroz, sorgo, feijão e outros. Isso deverá garantir a consolidação do Brasil na liderança das exportações globais de grãos e, também, nos encaminharmos para a assumir a ponte na produção mundial. Para isso, muitos desafios precisarão ser superados, envolvendo, principalmente, as questões ligadas à infraestrutura e logística. Dentre os grandes desafios a serem superados, destacamos:

• Superar estrangulamentos de logística e de escoamento das safras;

• Mitigar riscos climáticos sobre as safras e expandir a superfície irrigada;

• Renovar 59% da frota de tratores e 66% da frota de colhedoras;

• Expandir a conectividade nas áreas rurais;

• Expandir a oferta de recursos para custeios, investimentos e seguro rural; e

• Expandir a produtividade média e a área plantada de forma sustentável.

 

*Carlos Cogo é sócio-diretor da Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio; Possui pós-graduação em Agronegócios pela Universidade Federal do PR (UFPR); Especialização em Análise de Mercados pela UFPR; Colunista e Comentarista do Canal Rural e do Canal do Criador ; Professor convidado da Fundação Dom Cabral em Gestão em Agronegócios; e Professor Convidado na Escola de Negócios da ATITUS

 

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Revista

A terminologia adequada das máquinas e equipamentos

Por redação 11/09/2023
Escrito por redação
Padronização de termos de máquinas agrícolas, seja por argumentos técnicos ou por convenção, possibilita que se fale a “mesma língua” 

A terminologia adequada das máquinas e equipamentospor Ila Maria Corrêa, Roberto da Cunha Mello e Hamilton Humberto Ramos – Por muito tempo se discutiu qual denominação adequada para máquinas agrícolas. No meio acadêmico, sempre se buscou uma terminologia que não gerasse dúvidas ou mau entendimento. 

No caso das plantas, por exemplo, temos o nome popular e o nome científico. O nome popular pode variar de região para região e também temos o mesmo nome para plantas diferentes. Já o nome científico não pode gerar dúvidas, ou seja, é sempre o mesmo em qualquer lugar do mundo. Portanto, o nome científico das plantas é em latim e composto por duas palavras, sendo que a primeira representa o gênero e a segunda a espécie.

De um modo geral, as máquinas agrícolas são denominadas em função da sua funcionalidade. Assim, a colhedora seria a máquina que colhe; a semeadora, a máquina que semeia; e o pulverizador, a máquina que pulveriza (aplica) produtos fitossanitários. As máquinas agrícolas também possuem nome popular (nas regiões Norte e Nordeste o trator é conhecido por “jirico”) e pode ter nome diferente dependendo da região.

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A preocupação com a utilização de um termo técnico padronizado foi tratado em congressos de engenharia agrícola, gerando um glossário compilado pelo Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaio de Máquinas Agrícolas da Universidade Federal de Santa Maria. A principal dificuldade enfrentada era que a indústria apoiava a utilização do sufixo “eira”, enquanto que o meio acadêmico defendia o sufixo “ora”.

A terminologia adequada das máquinas e equipamentosA normalização técnica é a responsável por estabelecer/adotar sob consenso das partes envolvidas (indústria, governo e usuários) os termos, que deverão ser utilizados em documentação técnica. O Centro de Engenharia e Automação (CEA/IAC) que participa da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), desde a década de 1960, com um ou mais representantes, nas diversas comissões de estudo, sempre defendeu o uso do sufixo “ora”. 

A participação do CEA/IAC também foi importante nas questões relativas ao ensaio de máquinas agrícolas. Atualmente, o Comitê Brasileiro de Tratores, Máquinas Agrícolas e Florestais (ABNT/CB-203) é quem desenvolve atividades no campo da normalização de máquinas agrícolas atuando em conjunto com a International Organization for Standardization (ISO).

Na gramática portuguesa existem algumas regras de formação de palavras como junção (a palavra trator vem da junção das palavras tração e motor) e derivação sufixal (a palavra pedreiro deriva de pedra mais o sufixo eiro).

Porém, por causa de usos e costumes essas regras nem sempre são aplicadas às máquinas, mesmo porque tais regras não são absolutas/rígidas e podem ser empregadas para caracterizar uma situação como o sufixo “eira” para caracterizar a mulher que exerce a função e o sufixo “ora” para caracterizar a máquina. Como, por exemplo, lavadeira seria a mulher que lava roupas e lavadora a máquina que lava roupas. Como exceção a esta regra temos a geladeira que se refere à máquina que gela.

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Com base em normas e terminologias técnicas, apresentam-se aqui alguns dos termos adotados atualmente pela Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Colheita

a) Colhedora de grãos/colheitadeira de grãos: máquina colhedora de grãos móvel para corte, coleta, descascamento ou extração da cultura, debulha ou trilha, separação, limpeza e transporte dos grãos em um reservatório de grãos expelindo o resíduo no solo. (Descrição conforme ABNT NBR ISO 6689-1:2015 – Equipamentos para colheita – Colhedora de grãos e seus componentes – Parte 1: Vocabulário). 

Cabe destacar que, bem antigamente, a colheita de grãos começou com máquinas que só colhiam. Depois incorporaram as funções de trilha, limpeza, etc. sendo então chamadas de “combinadas”, pois “combinavam” funções. Hoje, todas são assim e o termo “combinada” deixou de ser utilizado. Por outro lado, houve consenso em considerar o uso da palavra “colheitadeira” como designação alternativa, visto que o uso generalizado na região Sul estava bastante arraigado e se estendido até a região central do País.

b) Colhedora de forragem: máquina móvel utilizada para colher ou coletar a cultura, cortar a cultura em comprimentos curtos paralelos e distribuir a cultura picada nos reservatórios ou veículos separados. (Descrição dada pela ABNT NBR ISO 8909-1:2016 – Colhedoras de forragem – Parte 1: Vocabulário).

Já a norma ABNT NBR ISO 12934:2016 – Tratores e máquinas agrícolas e florestais – Tipos básicos – Vocabulário, considera como alternativa o termo “forrageira autopropelida”, descrevendo-a como máquina autopropelida que coleta e pica culturas de forragem.

c) Colhedora de algodão: máquina móvel para colheita de algodão e limpeza como requerido, manejo e transporte de algodão em um cesto, depositando os resíduos da colheita no solo. (Descrição dada pela ABNT NBR ISO 4254-7:2015 – Máquinas agrícolas – Segurança – Parte 7: Colhedoras de grãos, colhedoras de forragem e colhedoras de algodão). 

Semeadura, plantio e transplantio

Ainda não existem normas brasileiras atualizadas que descrevam os termos pertinentes a este grupo de máquinas, no entanto, a adoção do sufixo “ora” já é previsto na norma ABNT NBR ISO 4254-1:2015 – Máquinas agrícolas – Segurança – Parte 1: Requisitos gerais, na relação de suas partes normativas. Até 2010, quando foi cancelada sem substituição, havia a norma ABNT NBR 9743:1987 – Semeadora de fluxo contínuo em linha – Ensaio de laboratório – Método de ensaio, que já remetia a este sufixo. Assim, à luz do conhecimento acadêmico e da tradução livre das normas internacionais pertinentes, permite-se apontar os seguintes termos e descrições para este grupo de máquinas.

a) Semeadora: máquina agrícola que, quando acoplada a um trator agrícola, pode realizar a operação de semeadura, isto é, introdução no solo de sementes pequenas.

b) Semeadora de fluxo contínuo em linha: máquina para distribuir sementes de maneira contínua. 

c) Semeadora de fluxo contínuo com ferramentas de trabalho do solo integradas e de acionamento inseparável: semeadora de fluxo contínuo como uma máquina única incluindo funções de semeadura e de revolvimento do solo, na qual nem a semeadora nem as ferramentas de trabalho do solo podem ser usadas separadamente. 

d) Semeadora de fluxo contínuo de linhas individuais/semeadora de precisão: máquina para semear uma semente por vez, com igual espaçamento entre sementes.

e) Plantadora: máquina agrícola que, quando acoplada a um trator agrícola, pode realizar a operação de plantio de culturas, introduzindo no solo partes vegetativas de plantas, como toletes (ex.cana-de açúcar), manivas (ex. mandioca) tubérculos (ex. batata). 

f) Transplantadora: máquina agrícola que, quando acoplada a um trator agrícola, pode realizar a operação de transplantio, isto é, introdução no solo de plantas no estágio inicial (mudas). Ex: café, eucalipto e outras que utilizam mudas.

Outros equipamentos

a) Enfardadora cilíndrica: máquina que produz um fardo cilíndrico de materiais agrícolas. (Descrição dada pela ABNT NBR ISO 11450:2016 –Equipamentos para colheita e conservação – Enfardadoras cilíndricas – Terminologia e especificações comerciais).

b) Embaladora de fardos: máquina para embalar fardos pré-formados de produtos de colheita agrícolas com envoltório/película de plástico (Descrição dada pela ABNT NBR ISO 4254-14:2018 – Máquinas agrícolas – Segurança – Parte 14: Embaladora de fardos).

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c) Roçadora rotativa: roçadora na qual um ou mais componentes funcionais cortam ou ceifam forragem por impacto sem trituração e giram sobre um eixo vertical. 

Na roçadora rotativa a disco o sistema de transmissão está abaixo da trajetória dos elementos de corte. 

Na roçadora a tambor o sistema de transmissão está acima da trajetória dos elementos de corte. (Descrição dada pela ABNT NBR ISO 4254-12:2017 – Máquinas agrícolas – Segurança – Parte 12: Roçadoras rotativas a disco e a tambor e trituradores).

d) Triturador: roçadora com uma multiplicidade de elementos de corte de giro livre, que rotacionam sobre um eixo horizontal, cortam por impacto e trituram a cultura com os mesmos elementos de trabalho. (Descrição dada pela norma anterior).

e) Pulverizador: aparelho (o correto seria “equipamento”) para aplicação de produtos de proteção de plantas e fertilizante líquido, para efeitos daquele documento. (Descrição dada pela ABNT NBR ISO 4254-6: 2018 – Máquinas agrícolas – Segurança – Parte 6: Pulverizadores e distribuidores de fertilizante líquido).

f) Pulverizador autopropelido: máquina autopropelida que transporta um tanque de abastecimento, bomba e cabeçotes pulverizadores para pulverização de culturas. (Descrição dada pela ABNT NBR ISO 12934:2016 – Tratores e máquinas agrícolas e florestais – Tipos básicos – Vocabulário). 

Tratores agrícolas 

Alguns dos termos e descrições dadas pela ABNT NBR ISO 12934:2016  – Tratores e máquinas agrícolas e florestais – Tipos básicos – Vocabulário:

a) Trator agrícola: veículo agrícola autopropelido que possui pelo menos dois eixos e rodas, ou esteiras contínuas, especialmente projetado para puxar reboques agrícolas e puxar, empurrar, transportar e operar implementos utilizados para o trabalho agrícola (incluindo o trabalho florestal), que pode ser fornecido com uma plataforma de carregamento removível.

b) Trator agrícola convencional: possui uma bitola mínima da roda de 1.150 mm ou superior; uma massa sem carga em ordem de marcha de 400 kg ou superior e uma altura livre sobre o solo de 1.000 mm ou inferior. Os pneus dianteiros são menores que os pneus traseiros.

c) Trator com tração em duas rodas: com força de tração fornecida somente pelos pneus traseiros.

d) Trator com tração nas quatro rodas: com dois eixos ou mais que possui tração em todos os eixos. A tração de um ou mais eixos pode ser desengatável.

e) Trator pequeno: possui uma massa sem carga em ordem de marcha inferior a 400 kg.

f) Trator de alta altura livre: trator agrícola especializado que possui altura livre sob os eixos dianteiro e traseiro superior à do trator agrícola convencional. Em geral, são equipados com pneus de grande diâmetro e largura estreita para minimizar danos às culturas.

g) Trator estreito: trator agrícola especializado que possui uma bitola fixa ou ajustável inferior a 1.150 mm; massa sem carga em ordem de marcha de 400 kg ou mais e uma altura livre sobre o solo de600 mm ou inferior.

h) Trator vinhateiro: trator estreito que possui uma bitola fixa ou ajustável não superior a 950 mm.

i) Trator fruteiro: trator estreitoque possui uma bitola fixa ou ajustável não inferior a 950 mm e não superior a 1.150 mm.

Consideração final

Sabe-se que é difícil mudar usos e costumes, isto vale também para o nome que se dá às coisas que se conhece desde muito tempo. É preciso ter em mente, entretanto, que a padronização de termos de máquinas, seja por argumentos técnicos ou por convenção, possibilita que se fale a “mesma língua” não propiciando entendimentos equivocados, principalmente em documentos científicos e folhetos técnicos. Desta forma, também se evita que termos regionais proliferem e sejam consagrados na designação do mesmo equipamento.

Ila Maria Corrêa – Pesquisadora aposentada CEA/IAC

Roberto da Cunha Mello – Pesquisador científico CEA/IAC

Hamilton Humberto Ramos – Pesquisador científico CEA/IAC

 

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