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Revista

Culturas e tecnologias: as máquinas utilizadas do plantio à colheita do algodão

Por redação 06/09/2023
Escrito por redação

O Brasil é o quarto produtor mundial da fibra, que é cultivada em 1,6 milhão de hectares e gera 1,5 milhão de empregos no País

Culturas e tecnologias: do plantio à colheita do algodãoNeste ano, o Brasil praticamente repetiu a área plantada de algodão na safra 2021/22, 1,65 milhão de hectares, e a cultura ocupará 1,66 milhão de hectares, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo sem acréscimo de área, o clima ajudou e o País está perto de confirmar uma produção recorde de 3,07 milhões de toneladas de algodão beneficiado (pluma) na safra 2022/23. Em 20 anos, a marca foi atingida apenas uma vez, no ciclo 2019/20. O provável incremento de 19,8% na colheita será resultado direto do avanço da mesma ordem (18,9%) na produtividade, estimada em 1,84 mil quilos de pluma por hectare, contra 1,54 mil quilos por hectare, no ciclo anterior.

O algodão é produzido em mais de 70 países, onde são plantados, anualmente, 32 milhões de hectares, e movimenta US$ 10 trilhões por ano. As estimativas atuais para a produção mundial são de cerca de 25 milhões de toneladas ou 110 milhões de fardos anualmente, o que representa 2,5% das terras aráveis do mundo. A cultura garante o sustento de 100 milhões de famílias em todo o mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, a estimativa é de que a cultura gere cerca de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos.

Atualmente, o País é o quarto produtor mundial, atrás somente da China (26%), Índia (22%) e Estados Unidos (12%), e ocupa o primeiro lugar em produtividade em sequeiro, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Em 2021, o Brasil se consolidou como o segundo maior exportador, e a meta é se tornar o primeiro até 2030, conforme a entidade. No ano passado, o Valor Bruto da Produção (VBP) de algodão foi de R$ 41 bilhões, sendo a quarta cultura mais importante da agricultura brasileira, depois da soja, cana-de-açúcar e milho.

O algodão é explorado economicamente em vários estados, destacando-se Mato Grosso, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Maranhão, onde os sistemas de produção utilizados e as condições do ambiente (clima e solo) permitem a obtenção de elevadas produtividades. 

algodão - Culturas e tecnologias: as máquinas utilizadas do plantio à colheita do algodão“O maior produtor é o Mato Grosso, que, na safra 2022/23, deve plantar 1,20 milhão de hectares. O estado estima colher 2,119 milhões de toneladas, o que representa 70% da produção do Brasil”, destaca o presidente da Abrapa, Alexandre Pedro Schenkel.

Mecanização

Hoje, quase toda produção de algodão no Brasil é mecanizada. A adoção desse tipo de colheita foi impulsionada pelo lançamento de novas cultivares resistentes a pragas e doenças, incentivos fiscais, uso de tecnologia durante todo o ciclo de produção e a expansão da cultura para extensas áreas planas e condições climáticas favoráveis, como no Centro-Oeste. No semiárido da região Nordeste, no entanto, ainda há colheita manual, conduzida em pequenas propriedades.

algodão - Culturas e tecnologias: as máquinas utilizadas do plantio à colheita do algodão

A mecanização aparece na preparação do solo, na semeadura e no beneficiamento, mas é fundamental na colheita, o ponto-chave para o sucesso do algodão. Afinal, é nessa etapa que a qualidade da fibra é definida. “A colheita é toda mecanizada. As colhedoras colhem o algodão, fazem o enfardamento na própria máquina em rolos que depois são liberados na lavoura”, explica Schenkel.

Nas grandes áreas do Centro-Oeste, rodam tratores computadorizados, colheitadeiras equipadas com recursos de Agricultura de Precisão (AP), pulverizadores autopropelidos com grande capacidade de carga e barras de até 42 metros, além de semeadoras capazes de semear de forma precisa e uniforme.

A adoção de tecnologia, no entanto, não se resume apenas ao preparo do solo, à semeadura e à colheita. Os produtores têm investido cada vez mais em equipamentos que garantem informações precisas sobre clima, mercado, qualidade do solo, quantidade de água e fertilizantes a serem utilizados, entre outros subsídios que ajudam os agricultores a tomarem a decisão certa, no tempo certo, e assim, diminuir custos e aumentar a produtividade. “Os drones agrícolas são utilizados na lavoura de algodão não apenas para identificar doenças e pragas, mas também na pulverização”, salienta o presidente da Abrapa.

Semeadura 

A Tatu Marchesan produz semeadoras e tem em seu portfólio quatro modelos da série USAP, lançada em 2007. Com a proposta de realizar a semeadura apenas de sementes e não colocar o fertilizante, o modelo atende a um perfil de agricultor que faz a fertilização em separado, principalmente nas áreas de Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Piauí e Tocantins.

“A máquina tem 6,60 metros quando fechada e foi lançada para atender a uma demanda do mercado norte-americano, que já possuía tratores de alta potência”, explica o coordenador de Marketing da Tatu Marchesan, Luis Fernando Varella. Com a evolução e disponibilidade de tratores de alta potência no Brasil, a semeadora também passou a ser comercializada no Brasil.

Em 2021, a marca apresentou um equipamento que efetua a semedura e a distribuição de adubo na mesma passada. Em junho, a empresa levou para a Bahia Farm Show a versão com adubo plantado. A semeadora articulada possui 12 linhas e espaçamento de 762 milímetros. O modelo nessa configuração complementa o projeto anterior, máquina com mobilidade nas versões de adubo plantado, sementes ou grãos graúdos.

O produto conta com sistema que permite que ele seja transportado com as caixas de adubo e semente carregadas. Seu fechamento é eletro-hidráulico, e depois de rebatido fica com 3,2 metros de largura. “O principal diferencial está na logística de transporte. É de fácil operação e sem necessidade de desmontar ou fazer uso de ferramentas para fechar”, diz Varella. Outro destaque é a qualidade na distribuição de sementes. A velocidade recomendada para o modelo é de 6 a 7 quilômetros por hora, mas ele pode trabalhar de 10 a 12 quilômetros por hora.

Pulverização 

Culturas e tecnologias: as máquinas utilizadas do plantio à colheita do algodãoO algodão é uma cultura que exige várias entradas do pulverizador na lavoura para fazer o controle químico de pragas, doenças, insetos ou diversas outras ameaças. “Trata-se de uma lavoura de alto valor agregado, mas que exige grandes investimentos em tecnologia. É comumente cultivado em grandes áreas do Mato Grosso e da Bahia e em fazendas tecnificadas”, afirma Rodrigo Nogueira, gerente de Negócios da Jacto.

Os primeiros pulverizadores eram equipados com reservatórios de calda com capacidade para 2 mil litros, operavam em velocidades de 10 a 12 quilômetros por hora e saíam de fábrica equipados com barras de pulverização de 18 a 20 metros. Os modelos atuais possuem tanques com capacidade de 2,5 a 4,5 mil litros. “Hoje, os produtores de algodão utilizam pulverizadores com barras de aplicação de 36 metros. Mas, vez ou outra, a gente vê grandões com barras de 42 metros”, observa.

O maquinário incorporou tecnologias de ponta, como a AP, em que a aplicação dos insumos é realizada de forma localizada e à taxa variável, buscando redução de custos e máximo potencial produtivo. “Na lavoura de algodão, a aplicação de agroquímicos precisa ser ainda mais precisa”, diz Nogueira, acrescentando que o equipamento conta com sensores de estabilidade e altura das barras. “O controle automático bico a bico permite uma redução de até 10% de agroquímicos”, garante o gerente de Negócios da Jacto.

Colheita 

Culturas e tecnologias: as máquinas utilizadas do plantio à colheita do algodãoAté pouco tempo, os produtores de algodão adotavam dois sistemas de colheita: o stripper e picker. As colhedoras automotrizes tipo picker extraem de forma seletiva o algodão dos capulhos abertos da planta sem puxar as cascas, pois seus pinos giram em alta velocidade, enrolando a fibra nos fusos, extraindo somente a fibra com o caroço. Esse sistema costuma apresentar preços elevados, exigindo uma maior produção da cultura para ter rentabilidade. Além disso, as perdas da lavoura podem chegar até 16%.

No entanto, por retirar somente a fibra da planta, e não restos vegetais como o sistema de pente, o sistema picker apresenta baixo nível de impurezas e permite maior qualidade da fibra colhida. Por ser mais seletiva, a colhedora picker é a mais utilizada atualmente pelos cotonicultores, porém, é mais cara quando comparada ao modelo stripper, principalmente no momento de sua aquisição e nas manutenções preventivas e corretivas. Esse maquinário é usado em entrelinhas maiores que 76 cm.

Já as colhedoras tipo stripper possuem um conjunto de dedos que formam um pente fino, um molinete, um caracol e dutos com jatos para transportar o algodão até os sistemas de limpeza. Essas máquinas são mais utilizadas em sistemas de plantio adensado (espaçamento entre linhas menor que 76 cm) e ultra adensado. Esse sistema de colheita mecânica é mais econômico, além de apresentar menores perdas quantitativas, ou seja, recolhe quase todo o algodão da lavoura. Por outro lado, tende a apresentar menor qualidade nas fibras recolhidas.

A John Deere importa dois modelos de colhedoras de algodão, ambos do tipo picker. O gerente de Marketing Tático da marca, Igor Almeida, destaca que os equipamentos evoluíram a partir do adensamento e enfardamento da fibra colhida. Essa revolução logística permitiu uma agilidade e redução nos custos operacionais, segundo ele. “Ao longo de mais de dez anos de evolução das colhedoras com fardo, a capacidade operacional média foi de 1,7 mil hectares por ano por máquina”, aponta.

A tecnologia de manuseio de fardos também foi aprimorada no modelo mais novo da marca. A colhedora, assegura Almeida, incorpora um sistema de última geração que reduz o tempo necessário para ejetar os fardos em 33%. O produto também foi projetado com foco na eficiência de combustível e proporciona uma eficiência 20% melhor por arroba de algodão colhida, o que resulta em uma redução dos custos operacionais e do impacto ambiental.

O produto inova com enfardamento mais denso, que permite embalar uma maior quantidade de algodão em cada fardo e reduzir custos anuais de amarração, e na possibilidade de fazer fardos com diâmetros maiores, o que gera economia nos custos de enfardamento e transporte. 

“A nova colhedora oferece fardos 2% maiores e 5% mais densos, se comparada à máquina lançada há dois anos”, compara Almeida. Outro ganho, indica o gerente, foi o aumento na velocidade de colheita, que permite aos agricultores cobrir uma área maior em um único dia de trabalho.

A colhedora possui unidades de linha equipadas com elevadores de talos de alta velocidade, o que garante um contato suave com a cultura, reduz a perda de capulhos ao colher em altas velocidades e assegura maior quantidade de algodão colhido. A colhedora foi projetada para melhorar a eficiência de combustível, reduzindo custos em até 20% por arroba de algodão colhida, graças ao uso de um motor mais eficiente e um sistema hidráulico atualizado. A colhedora apresenta tecnologias integradas, como monitoramento de rendimento em tempo real, rastreabilidade dos fardos e outras ferramentas para análise e gerenciamento dos dados de colheita.

COLHEDORA PARA AGRICULTURA FAMILIAR

algodão - Culturas e tecnologias: as máquinas utilizadas do plantio à colheita do algodãoA Embrapa é uma das instituições que ajudou o Brasil no salto produtivo na produção de algodão, principalmente por meio das pesquisas realizadas pela Embrapa Algodão, de Campina Grande (PB). Além de novas variedades mais produtivas e o desenvolvimento de um descaroçador, a unidade mostrou que a colheita mecanizada na agricultura familiar pode ser viável, com o desenvolvimento do protótipo de uma colheitadeira de uma linha, dentro do projeto + Algodão. A iniciativa, que começou em 2013, envolve a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), além de 80 entidades dos setores público e privado do Brasil e de outros países: Argentina, Bolívia, Equador, Colômbia, Haiti, Paraguai e Peru.
A máquina, desenvolvida pelos pesquisadores da Embrapa Algodão Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva e Valdinei Sofiatti, consiste em uma colheitadeira de uma linha, acoplada em trator e reboque para armazenamento do algodão colhido. O equipamento pode colher 1 hectare em 3,5 horas, o equivalente a 120 hectares em 30 dias. O equipamento, indicado para pequenas áreas de produção, passou por testes nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte e foi levado até para demonstração e teste de campo no Paraguai, dentro do processo de validação da tecnologia. Os primeiros testes iniciaram em 2019, no município de São Desidério (BA). Na primeira validação, o protótipo teve um rendimento de 389 quilos de fibra de algodão por hectare e um custo 70% menor em comparação à colheita manual.
A máquina é uma adaptação das colheitadeiras do tipo picker, que colhe o algodão por meio de fusos e suja pouco o algodão. “A colhedora já foi testada em grandes lavouras na Bahia, com áreas de alta tecnologia e produtividade, com um desempenho muito bom, igual ao de uma máquina de 5-6 linhas”, afirma Silva. Ajustes Em testes preliminares, o algodão colhido no protótipo apresentou em torno de 4,5% a 5,5% de impurezas, o que é considerado normal em relação às colheitadeiras do tipo picker. As perdas na colheita ficaram em torno de 4% a 5%.
“Ainda estamos fazendo ajustes, mas o equipamento pode se tornar uma opção altamente viável para os pequenos produtores de algodão na América Latina, bem como para as suas organizações e cooperativas”, salienta Silva. O pesquisador da Embrapa Algodão sublinha que o algodão é uma cultura extremamente importante que já foi cultivada em grandes áreas no Nordeste por pequenos produtores. Mas, hoje, as atividades do campo estão muito difíceis porque a mão de obra está cada vez mais escassa.
Por isso, atualmente, o cultivo de algodão por pequenos produtores é quase insignificante, em relação ao cultivo empresarial. Silva destaca que a colheita mecanizada traz vários benefícios para o pequeno agricultor, já que a colheita manual gera um alto custo de produção e pela dificuldade de conseguir mão de obra capacitada. “A colheita representa cerca de 50% do custo de produção para o pequeno produtor”. O especialista lembra que a colheita manual gera um grande risco de contaminação da pluma. E que o mercado prefere comprar algodão que seja colhido com a colheitadeira para evitar o problema.

 

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ColunaRevista

Uma reflexão sobre os aspectos gerais da mecanização dos algodoais

Por redação 06/09/2023
Escrito por redação

Uma reflexão sobre os aspectos gerais da mecanização dos algodoaispor Ricardo Ralisch* – Prezados leitores! Para esta edição da revista, que traz uma reportagem especial sobre a cultura do algodão, trago uma reflexão sobre a mecanização desta cultura, destacando alguns aspectos e fatores que considero importante para auxiliar no reconhecimento da relevância desta tecnologia.

A mecanização está presente em todas as atividades agrícolas, variando enormemente quanto aos níveis empregados e isto está diretamente associado às características do produtor, da lavoura e da região, como aspectos fundiários e topografia.

Níveis da mecanização 

Trata-se de um parâmetro que avalia o grau de sua adoção, em função das características da atividade agropecuária que se está considerando ou avaliando. Parte-se do princípio de que é tecnicamente possível se mecanizar todas as etapas de todos os processos produtivos, sendo que a disponibilidade de equipamentos agrícolas para realizar diferentes tarefas depende diretamente do potencial mercadológico desses equipamentos, para que dê o retorno financeiro ao investimento realizado no seu desenvolvimento, em prazo razoável.

Ana Helena Andrade, Conectar Agro: “Não há agricultura digital sem conectividade”

Este potencial mercadológico é maior quanto maior for a razão entre a receita estimada obtida com o equipamento em questão e os investimentos realizados na sua concepção. Da mesma forma, um equipamento tem maior penetração no mercado quanto maior for a razão entre o resultado obtido com seu emprego e seu custo de utilização. Portanto, podemos considerar que o que define se uma operação agrícola é mecanizável é o seu custo de operação. 

Uma reflexão sobre os aspectos gerais da mecanização dos algodoaisJá tratamos anteriormente, na edição 59 desta revista, deste assunto de custos das operações agrícolas. Como pode ser visto naquele artigo, um dos componentes mais importantes do custo/hora das operações agrícolas é o preço inicial dos equipamentos, ou seja, o preço de aquisição de um equipamento novo. Esse valor possui na sua composição uma parcela que se deve ao desenvolvimento da tecnologia e à concepção do equipamento.

Outro componente importante do custo/hora das máquinas é sua taxa de utilização anual. Portanto, investe-se mais na concepção de máquinas que serão empregadas mais frequentemente. Para driblar essa situação de baixa frequência de utilização que dificulta investir em equipamentos mais caros, os usuários de máquinas aumentam sua utilização anual, prestando serviços para terceiros, por exemplo.

O caso do algodão

Foram muito nítidas as mudanças do centro geográfico de produção do algodão no Brasil. Na década de 1980, em função do surgimento do bicudo, essa produção se deslocou no Norte, com produção de espécies arbóreas, para o Sul e Sudeste do Brasil, com a produção de espécies herbáceas, em áreas tipicamente de agricultura familiar.

As dificuldades com a mão de obra, a ocorrência de erosões, instabilidade no mercado e a dificuldade de associar essa cultura com outras de maior rentabilidade na região, levaram a uma drástica redução de área de produção nesta região, até o final da década de 1990 (O Estado de São Paulo, 2023). 

A adaptação da cultura, principalmente para realização de uma colheita não escalonada, possibilitou a intensa mecanização dessa lavoura, abrindo a possibilidade de sua adoção no Cerrado, tornando este bioma o principal produtor brasileiro atualmente, sendo o Mato Grosso o principal estado produtor, recolocando o Brasil no cenário internacional, se tornando um importante produtor e exportador mundial.

Eis um exemplo onde a possibilidade de mecanização viabilizou a atividade, mesmo que estejam envolvidos máquinas e equipamentos de alto valor agregado, como as colhedoras, um dos equipamentos agrícolas com maior valor unitário. A explicação está justamente no tamanho das áreas de produção, que viabilizam o investimento em equipamentos de alto valor agregado e especializados. Portanto, a mecanização pode ser considerada como uma estratégia de otimização das atividades agrícolas, podendo trazer soluções importantes, como essa revitalização da cotonicultura brasileira relatada acima. 

Mecanização além da colheita

O caso do algodão é emblemático e se caracteriza pela mecanização da colheita como ilustração da importância da mecanização e um exemplo que pode nortear ações e políticas em outras atividades agrícolas, como no caso da cana-de-açúcar, em que se busca uma alternativa aos sistemas semi-mecanizados, mas que erroneamente se apresenta como única solução alternativa a mecanização direta de sua colheita.

Nos parece evidente que há grandes possibilidades na adoção da mecanização indireta para a colheita da cana-de-açúcar, adequando esta atividade para inúmeras realidades topográficas, melhorando a distribuição dessa produção no território brasileiro, mas isso poderá ser um assunto para outro momento.

Os cuidados necessários com os sistemas elétricos das máquinas

Voltando para o algodão, teria sido ineficaz a possibilidade da mecanização de sua colheita se os demais processos de produção também não fossem mecanizáveis, para dar mais agilidade na sua produção. A diferença é que a mecanização das demais etapas, como semeadura e tratos culturais, se baseiam em estratégias semelhantes às demais culturas anuais, necessitando apenas de algumas pequenas adaptações, exigindo menos investimentos no desenvolvimento dessas tecnologias. 

Uma reflexão sobre os aspectos gerais da mecanização dos algodoaisOu seja, o custo no desenvolvimento das tecnologias de semeadoras, pulverizadores, aplicadores de corretivos, adubadoras e outros equipamentos que são utilizados no algodão, é diluído na concepção de máquinas semelhantes para todas as demais culturas anuais, reduzindo os preços individuais dos equipamentos, investimento que pode ser viabilizado em menores áreas de produção. 

Já no caso das colhedoras de algodão isso não acontece, pois são equipamentos altamente especializados. Tal especificidade significa um desenvolvimento para um uso restrito e, por diversos motivos, são aplicados em equipamentos de maior porte. Dentre esses motivos, destaco a facilidade de se desenvolver componentes como fusos, cortadores, limpadores para máquinas maiores.

Eis a situação que apresenta uma solução para a colheita mecanizada do algodão, que até então, era o limitante para mecanização intensiva desta cultura. Dada a solução mecânica, se constata naturalmente que essa possibilidade se aplica a grandes áreas de produção para viabilizar economicamente a proposta.

Acrescenta-se a necessidade dessas máquinas de grande porte atuarem com restrições topográficas, sendo mais eficientes em local de baixa declividade. Tais fatores, associados ao desenvolvimento de alternativas técnicas para adoção do Sistema de Plantio Direto também para o algodão, o que se consolidou no final da década de 1990 e às soluções de manejo da cultura já citados, favoreceram a retomada da atividade, agora nas condições do cerrado brasileiro, com mecanização intensiva e que se tornou o polo produtor de algodão do Brasil e com grandes possibilidades de expansão.

Nesse sentido, as operações de preparo de solo, tanto primário, que são as arações, como o secundário, representado pelas grades leves, estão abolidas. Numa situação extrema, poderão ser consideradas algumas operações empregadas eventualmente, como a escarificação ou subsolagem, mas isso passa a ser considerado um preparo corretivo e realizado esporadicamente, associado a uma adequada avaliação da necessidade.

Já para semeadura e tratos culturais, as semeadoras de sementes graúdas ou plantadoras, como são tratadas no cotidiano e os pulverizadores são essenciais. Como já considerado acima, em se tratando de grandes áreas de produção de algodão no cerrado, esses equipamentos estão sendo oferecidos em configurações mais adequados a essa cultura, mas, tecnologicamente falando, adotam os mesmos recursos desenvolvidos e concebidos para as demais culturas anuais. Para tais configurações podemos considerar os espaçamentos e mecanismos de distribuição de insumos, como sementes, fertilizantes e defensivos.  

Semeadura

Para esclarecermos um conflito de terminologias, rigorosamente falando, o algodão é semeado e não plantado. Logo, as máquinas que semeiam o algodão são semeadoras e não plantadoras, como se diz no cotidiano. Para distinguirmos tecnicamente as semeadoras, elas são classificadas como semeadoras de sementes miúdas ou de fluxo contínuo, pois aplicam as sementes no sulco de semeadura em volume. Há também as semeadoras de sementes graúdas, que aplicam as sementes individualmente, também chamadas de semeadoras de precisão por isso.

No caso do algodão, empregam-se esta última e é fundamental para que se tenha um bom estande da cultura que essa operação seja feita com qualidade e precisão. Nesses equipamentos, as linhas de semeadura são individuais e é muito importante colocá-las no espaçamento adequado, para atender o espaçamento da colheita. Definido o espaçamento entre linhas, define-se o espaçamento entre sementes, para se atingir a densidade de plantas por área recomendada pelo material genético empregado. Para isso, acerta-se o sistema de distribuição de sementes para que libere sementes nos espaços de deslocamentos adequados. Basicamente, existem dois sistemas: mecânico e pneumático. As semeadoras pneumáticas são as que tendem a oferecer maior precisão.

Uma atenção especial deve ser dada aos esquemas de rotação de culturas quando se produz algodão, pois essa cultura tende a oferecer uma menor cobertura da superfície do solo, durante seu desenvolvimento vegetativo. Isso se deve ao espaçamento usual empregado e à arquitetura da planta. Consequentemente, as culturas anteriores devem fornecer grande volume de biomassa aérea e essa palha deve ser persistente, para resistir por mais tempo e proteger o solo. Dessa forma, e associado às demais medidas recomendadas, os riscos de erosão serão minimizados.

Pulverização

Esse tema é um universo à parte, dada a importância de se realizar pulverizações adequadas e eficientes. Não esgotaremos o assunto, mas destacaremos algumas informações e conceitos que se aplicam às pulverizações de uma forma geral.

Uma reflexão sobre os aspectos gerais da mecanização dos algodoais1. Alvo
Toda aplicação tem um alvo definido, como: solo, planta, folhas, inseto ou fungo, para citar os mais comuns. Alvos diferentes exigem tecnologia de aplicação diferente. Em suma, cada alvo define um espectro de gotas da pulverização que tem mais chances de atingir o alvo. A configuração adotada no pulverizador deve fornecer esse padrão de gotas.

2. Espectro de gotas

As pontas de pulverização adotadas e a pressão aplicada na calda de pulverização definem o espectro de gotas da aplicação, que é a distribuição de tamanhos dessas gotas que sai no leque de aplicação de cada ponta. O ideal é que não haja variação do tamanho de gotas e o grande investimento que se faz em tecnologia de aplicação está na concepção de pontas que forneçam determinado tamanho de gota, com menor variação. Porém, as pontas dependem de algumas condições operacionais para atuarem adequadamente, das quais destacamos: qualidade da calda, pressão de aplicação e condições atmosféricas.
A qualidade da calda implica em se conhecer as características da água que se usa para produzi-la, quanto a pureza e seu PH, pois isso pode interferir na ação do produto aplicado e em evitar as misturas de produtos que alterem suas características.
A pressão de aplicação é o principal fator formador de gotas, que deve ser definida em função da ponta e do produto a ser aplicado e não em função da taxa de aplicação que se pretende. A taxa de aplicação deve ser uma consequência da pressão definida para se obter o espectro de gotas pretendido com a escolha das pontas adotadas.
Finalmente, as condições atmosféricas devem ser monitoradas para orientar uma boa aplicação, pois quanto menores forem as gotas pretendidas na aplicação, estarão mais suscetíveis ao vento e à evaporação, exigindo condições climáticas adequadas. Em suma, deve se fazer um paralelo entre o que os produtos aplicados recomendam em termos de características de aplicação para que se atinja o alvo e o que se está de fato fazendo durante uma pulverização, para reduzir potencial contaminação, melhorar a eficiência dos produtos e reduzir custos de produção.

No algodão, como nas demais culturas, a mecanização é uma tecnologia adotada para se obter bons resultados e isso se consegue buscando sempre as melhores informações. Boas safras e até a próxima!

Referência: O Estado de São Paulo, 2023.

*Ricardo Ralisch é professor aposentado da UEL e consultor; ricardoralisch@gmail.com

 

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EntrevistaRevista

Ana Helena Andrade, Conectar Agro: “Não há agricultura digital sem conectividade”

Por redação 06/09/2023
Escrito por redação

Ana Helena Andrade, Conectar Agro: "Não há agricultura digital sem conectividade"por Gabriel Nascimento – A falta de conectividade rural inviabiliza a aplicação das tecnologias da agricultura digital. Quando a Conectar Agro foi fundada, em 2019, o panorama era bastante ruim. Além da falta de sinal, não havia, por parte dos produtores e das autoridades a percepção da importância dessa disponibilidade. Hoje o cenário melhorou, mas ainda está longe do ideal. Aproximadamente 46% das áreas de sede das propriedades rurais brasileiras têm acesso à internet. Em fevereiro de 2022, eram 27%. Porém, quando as máquinas vão a campo, esse sinal não existe. Nesses casos, a cobertura do território agrícola é inferior a 12%.

A tecnologia defendida pela Conectar Agro, que visa fomentar a expansão do acesso à internet nas áreas agrícolas do País, é a conexão 4G em 700 mega-hertz (MHz) de frequência, considerada a melhor disponível, e que possibilita uma maior cobertura com um investimento menor. O 5G ainda não aparece como uma tecnologia mandatória, uma vez que as soluções – softwares, hardwares, etc. – que precisam da conexão não existem em abundância. O 5G deve acelerar a transmissão do sinal, mas ainda não há um horizonte visível.

Em entrevista à Máquinas & Inovações Agrícolas, a presidente da Conectar Agro, Ana Helena Andrade, disse que a associação trabalha para a criação e o lançamento, em breve, do Indicador de Conectividade Rural, que fornecerá este número com exatidão e com atualização frequente. 

Os cuidados necessários com os sistemas elétricos das máquinas

Desde 2019, a associação esteve envolvida na cobertura de 14,4 milhões de hectares com sinal de internet. “Significa a cobertura de várias cidades, escolas, postos de saúde, estradas. Há um efeito virtuoso muito grande não só para o agro, mas para as regiões como um todo”, comemora a dirigente.

Uma aplicação em larga escala da agricultura digital no Brasil faria com que a produção agrícola crescesse até 30%. E, segundo Ana Helena, não há agricultura digital sem conectividade. O próximo salto de produtividade brasileiro deve vir da aplicação da agricultura digital, “não há alternativa”.

Além disso, a conectividade contribui para a agricultura sustentável, através da promoção do uso inteligente dos recursos naturais e apenas dos recursos necessários. Ana Helena vê uma tendência de forte integração da agricultura com a Internet das Coisas. Segundo ela, os dados coletados, se não forem estudados e interpretados, não viram informação.

Confira, a seguir, a entrevista com Ana Helena Andrade, sobre estes e outros pontos ligados à conectividade no campo:

Quais são as ações da Conectar Agro na busca pela conectividade no campo?

Trabalhamos em duas frentes. A primeira é a promoção de políticas públicas que incentivem a conectividade, todo o processo educativo de mostrar o quanto isso impacta o agro, buscando políticas que contemplem áreas remotas e viabilizem o desenvolvimento tecnológico. A segunda frente é demonstrar para o agricultor o impacto da conectividade, do uso de instrumentos que reduzem custos e aumentam a qualidade e a velocidade da produção. Também buscamos trabalhar com agentes que têm essa capacidade de estimular a instalação de redes de telecomunicação bancando investimento, como cooperativas, que podem trabalhar e contatar as empresas de telecomunicação para que seja disponibilizada a rede na sua área. Quando o cliente vê que há uma relação positiva, mais benefícios do que custos, ele vai buscar os ofertantes de rede.

Principais causas de quebras em máquinas agrícolas: entenda os motivos comuns
O trabalho da Conectar Agro também abrange a busca pela melhoria das tecnologias nas máquinas?

Nós não discutimos tecnologia de máquina na Conectar Agro. Nós somos “monofoco”. Discutimos apenas como levar conectividade às áreas rurais. A definição de tecnologias, do que vai ser desenvolvido, é uma atividade que vem com o conhecimento do mercado pelos produtores, de uma visão de futuro de atividade agrícola e discutida e aplicada, estudada e decidida por cada empresa. Não temos nenhum envolvimento nessa discussão.

Quanto por cento do maquinário, hoje em dia, é desenvolvido com tecnologia digital?

Não há uma estatística de mercado sobre tratores que saem de fábrica com instrumentos digitais, por exemplo, com uma antena pra captar sinal, com um piloto automático, etc. Além disso, o fato de a máquina não ter nascido digital não quer dizer que ela não tenha se tornado digital. Então, por exemplo: um trator que saiu de fábrica sem piloto automático, está no campo, rodando a três, quatro, cinco anos, e o agricultor deseja trazê-lo para a tecnologia digital. Ele pode fazer isso a posteriori. É complexo calcular esse número até por esse aspecto. Então, de uma certa maneira, não existe um risco de o maquinário se tornar obsoleto mesmo. Os mais antigos podem ser adaptados. Para uma parte significativa das máquinas, sim. Mas um trator dos anos 1970, mecânico, sem uma série de botões… A partir de determinadas características ele pode começar a instalar equipamentos, principalmente o piloto automático, que é sempre onde começa a jornada.

E quanto a falta de acesso à internet impacta no uso dessas máquinas? 

Muitas máquinas acabam chegando em uma propriedade não podendo ser usadas plenamente sem a conectividade. É a mesma coisa de quando alguém compra um celular com 5G, mas não há o sinal. Isso, obviamente, tem um impacto, porque o produtor compra a máquina e não consegue usar toda a tecnologia embarcada. É por isso que trabalhamos. E é por isso que os agricultores também trabalham. Eles compram um estado da arte da máquina, e a infraestrutura está na idade da pedra. A gente tem que aproximar essas duas realidades.

Como é a aceitação do agricultor quanto ao custo do investimento por essas novidades?

O agricultor brasileiro é muito tecnológico, é um dos que adota tecnologia com maior velocidade. A agricultura digital não é exatamente uma novidade. As soluções estão disponíveis há um bom tempo. O que é a novidade é o agricultor saber que ele pode investir na rede. O custo disso é em torno de R$ 400 mil para cobrir 300 mil hectares. Tomando essa decisão de investimento, é muito fácil quantificar o retorno. E aí as coisas ganham velocidade.

O quanto se consegue mensurar o benefício do emprego da conectividade na eficiência da propriedade?

Nem todos os dados dos setores estão calculados. Temos um projeto em Minas Gerais quantificando o impacto da agricultura digital em propriedades de pequena escala. Mapeamos cem propriedades. Agora vamos fazer esse estudo disponibilizando tecnologia. As operadoras farão o sinal chegar, nós vamos entrar com todo o ecossistema de agricultura digital e em seis meses vamos medir o que aconteceu na produtividade desses agricultores. Essa será uma das melhores informações. Certamente é o primeiro estudo focado no produtor, e vai trazer um número com bastante embasamento. De modo geral, uma aplicação ampla, em larga escala no Brasil, da agricultura digital, faria com que a produção agrícola total crescesse até 30%. É muita coisa. Mas isso é em ampla escala. Não é só ter sinal, mas ter as tecnologias difundidas.

Em quanto tempo o produtor vê o retorno do investimento, considerando os R$ 400 mil para cobrir 300 mil hectares?

Tudo que é geral demais é um problema, não é? Tudo que é média está sujeito a distorções. Um pé no forno e uma cabeça no freezer: a temperatura média é boa. Mas a gente tem o seguinte estudo: a cobertura custa meia saca de soja por hectare. O retorno, dependendo da cultura, em média, é de 18 meses. Dependendo da cultura, isso é ainda menor. É indiscutível: fatos e dados. Quanto mais dados a gente tem, mais fácil mostrar o valor de termos políticas públicas trabalhando nesse tema.

Qual a relação da Internet das Coisas, do Big Data, para um uso pleno dessas tecnologias?

Hoje as máquinas colhem um volume grande de dados, mas dado não se transforma em informação se não for estudado ou relacionado. É um universo já em andamento, mas ainda há muito a ser explorado, a ser criado, e com profissionais dedicados a isso. Dados não falam nada por si, não dá para saber se é bom ou se é ruim. É preciso saber o que é que esse dado pode permitir para a tomada de decisões. É preciso estudar, trabalhar, formar pessoas, entender a relação. Já é uma realidade, mas ainda não está disseminada plenamente. 

Como funciona a formação das pessoas? Parte dos produtores a iniciativa de capacitarem suas equipes?

A Conectar Agro tem duas iniciativas educacionais. Uma que é qualificação profissional com oferta de cursos dos associados disponibilizando treinamento. É uma atividade que todas as empresas oferecem, mas a Conectar Agro está funcionando com o polo de organização. Temos, também, uma atividade focada em capacitar as escolas que vão receber sinal a trabalhar com uma educação mais atraente, mais interessante, usando essas ferramentas. Também existem políticas públicas para isso, como o Centro Paula Souza, que é do estado de São Paulo. Universidades passaram a incluir esse tema na sua grade de cursos. Além disso, temos Senai e Senar, com um papel relevante para essa nova agricultura chamada 4.0.

Além do acesso à internet, que outros recursos ou serviços digitais são disponibilizados nas áreas rurais?

Há várias frentes. As duas mais fortes são a educação e a saúde, que são toda a realidade da pessoa, o acesso à informação. Outra coisa super importante: segurança no campo. Tratores são muito roubados, infelizmente. E a conectividade melhora muito a segurança na medida em que é possível monitorar onde está o trator e acionar rapidamente a polícia. Uma das grandes demandas é essa: monitorar a propriedade para a segurança. São necessidades básicas: educação, saúde e segurança. Conectividade muda a vida.

Quais são as tendências para o setor agrícola, pensando na conectividade rural, especialmente na parte de máquinas?

Primeiro, obviamente, a agricultura é cada vez mais baseada em dados,  uma integração muito forte com Internet das Coisas. Hoje, praticamente no mesmo patamar da segurança, uma das maiores demandas é o controle de clima. Então, quanto mais estações pluviométricas estão instaladas, maior a precisão nas previsões. Isso determina todo o processo. Se você tem informação de que você vai haver um ciclone, por exemplo, uma grande ventania, ninguém vai fazer pulverização. Agricultura digital é exatamente isso: agricultura de precisão, que passa a ser, também, de quantificação. A expectativa é muito otimista, pois o potencial é muito grande. São coisas que vão se intensificar e trazer muita produtividade para o Brasil.

Qual a importância da conectividade para o salto de produção que se espera do Brasil?

A conectividade é vital. É vital. Para um salto quantitativo neste momento em que nós já temos uma agricultura muito tecnológica, apenas a conectividade. Para um impacto mais generalizado, massivo, é a conectividade. Certamente o próximo salto de produtividade da cultura brasileira passa pela aplicação intensiva e extensiva de agricultura digital. Não há alternativa.

Para finalizar, qual a contribuição da conectividade para a sustentabilidade?

A conectividade suporta uma agricultura sustentável de duas formas: com o uso inteligente dos recursos naturais e com a utilização dos insumos, sejam fertilizantes ou defensivos, na medida da necessidade. Uma irrigação baseada em dados e gerenciada remotamente não utiliza mais água no solo do que o necessário. O próprio uso de solo, o monitoramento da qualidade do solo. Nos insumos, eu não vou pulverizar centenas de hectares se eu tenho que pulverizar só um, por exemplo. Então é extremamente importante reduzir o desperdício. Isso vale, por exemplo, se eu tiver menos tratores, um gerenciamento de frota melhor, o impacto é em muitos sentidos. Nas emissões de gases, no consumo de combustíveis. É bem complexo ter uma agricultura de larga escala sustentável sem ser apoiada em uma agricultura digital. E não há agricultura digital sem conectividade.

 

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Tecnologia

Reality show da Massey Ferguson desafia mecânicos e testa suas habilidades

Por redação 06/09/2023
Escrito por redação

Reality show da Massey Ferguson desafia mecânicos e testa suas habilidadesA Massey Ferguson anunciou o lançamento do primeiro reality show de competição focado exclusivamente no agronegócio. O Master Mechanic tem como objetivo destacar a importância de mecânicos qualificados e sua importância para a eficiência das máquinas agrícolas e para a produtividade no campo.

“É uma oportunidade não apenas de entretenimento, mas também de enfatizar a importância do aprendizado contínuo e do desenvolvimento profissional na indústria agrícola. A competição busca celebrar as conquistas dos mecânicos agrícolas e promover o reconhecimento de suas habilidades técnicas fundamentais para o bom funcionamento das operações agrícolas”, destaca Rodrigo Junqueira, gerente geral AGCO e vice-presidente Massey Ferguson América do Sul.

O programa está estruturado em três episódios, com duração de 22 minutos. Seis competidores, organizados em três duplas, serão desafiados em situações práticas que testarão suas habilidades técnicas e conhecimento. O objetivo é trazer a expertise dos mecânicos agrícolas e sua contribuição fundamental para o sucesso da indústria agrícola.

Conab prevê novo recorde na safra de grãos 2022/23 com 322,8 milhões/t

Os competidores foram selecionados entre os mecânicos das concessionárias da Massey Ferguson que se inscreveram para participar do reality show. O processo de seleção envolveu três fases: avaliação do conhecimento técnico, submissão de um vídeo de apresentação e análise do desempenho no trabalho. A diversidade geográfica dos mecânicos, vindos de diferentes regiões do Brasil (Mato Grosso do Sul, Paraná, Tocantins, Minas Gerais e São Paulo), demonstra a abrangência da rede no território nacional.

A banca de jurados é composta por Tiago Fadel, primeiro mecânico brasileiro a fazer parte da Fórmula 1; José Fernando Schlosser, professor titular do Departamento de Engenharia Rural e diretor do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas da Universidade Federal de Santa Maria; e Cezar Bronzati, do time de serviços AGCO.

As curiosidades e bastidores do reality serão mostradas pelo produtor rural e influenciador digital Fernando Viana, no perfil @viananalida, além de uma cobertura pelo perfil oficial da marca @masseybrasil. A Mafê, especialista digital da Massey, participará como consultora das equipes, fornecendo dicas que poderão ser aplicadas durante as provas.

O vencedor receberá, além do troféu personalizado e exclusivo Master Mechanic, um prêmio em dinheiro e uma viagem para a Argentina para turismo em Buenos Aires e ainda conhecer a fábrica da Massey Ferguson, em General Rodriguez.

Os episódios serão exibidos em novembro, um por semana, no canal da Massey Ferguson no Youtube www.youtube.com/MasseyFergusonBrasil e no hotsite especial mastermechanic.com.br.

 

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Notícias

Conab prevê novo recorde na safra de grãos 2022/23: 322,8 milhões/ton

Por redação 06/09/2023
Escrito por redação

O volume representa um crescimento de 18,4%, o que corresponde a 50,1 milhões de toneladas colhidas a mais sobre a temporada anterior

Conab prevê novo recorde na safra 2022/23 com 322,8 milhões de toneladas de grãosA safra de grãos no ciclo 2022/23 se encerra e atinge um novo recorde, com 322,8 milhões de toneladas, de acordo com o 12º Levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (6). O volume representa um crescimento de 18,4%, o que corresponde a 50,1 milhões de toneladas colhidas a mais sobre a temporada anterior. O resultado é reflexo tanto de uma maior área plantada, chegando a 78,5 milhões de hectares, como também de uma melhor produtividade média registrada, saindo de 3.656 kg/ha para 4.111 kg/ha.

“Os dados que hoje divulgamos consolidam a estimativa recorde de produção da história brasileira: são 322,8 milhões de toneladas de grãos, o que representa um aumento de 50,1 milhões de toneladas de grãos a mais do que na safra passada”, afirma o presidente da Conab, Edegar Pretto.

“Nos primeiros dados divulgados pela Conab, a previsão de safra era de 312,4 milhões de toneladas, e encerramos o ciclo com 322,8 milhões de toneladas. Uma diferença de 3,3% ou pouco mais de 10 milhões de toneladas. Isso mostra o avanço metodológico da Conab, que tem responsabilidade com os dados públicos”,ressalta.

Nesta temporada, a soja apresentou recuperação de produtividade no Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Já no Rio Grande do Sul, também houve melhora no desempenho das lavouras, porém limitado devido às condições climáticas não favoráveis durante o desenvolvimento da oleaginosa.

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“Nesta temporada, os efeitos do La Niña se concentraram no estado gaúcho, mas ainda assim em menor escala que no ciclo anterior. Já nos demais estados, o clima se mostrou bastante favorável, mesmo com alguns atrasos verificados no período da semeadura e da colheita”, analisa o gerente de Acompanhamento de Safras, Fabiano Vasconcellos. Diante do cenário favorável, a produção de soja no país na safra 2022/23 é de um novo recorde, estimada em 154,6 milhões de toneladas, crescimento de 23,2%.

Milho

Para o milho também é esperada a maior colheita já registrada na série histórica. No somatório das 3 safras do cereal, a produção deverá chegar a 131,9 milhões de toneladas, incremento de 18,7 milhões de toneladas do obtido no ciclo anterior. Na primeira safra do grão a produção somou 27,4 milhões de toneladas, enquanto que para a segunda safra, a previsão aponta para um volume de 102,2 milhões de toneladas.

De acordo com o Progresso de Safra, divulgado nesta semana pela Companhia, cerca de 89% da área semeada já estavam colhidos. Para a terceira safra, a produção estimada é de 2,33 milhões de toneladas. “Porém, a redução nas precipitações ocorridas em julho e agosto, restringiu o potencial produtivo em grande parte das regiões produtoras”, pondera Vasconcellos.

Importantes produtos para a mesa do brasileiro, o arroz e feijão apresentam cenários distintos. No caso dos dois produtos houve redução de área de plantio devido à concorrência com outras culturas na época mais rentáveis. No entanto, para o arroz, a melhora da produtividade não foi suficiente para compensar a menor área resultando numa queda de produção de 6,9%, chegando a 10 milhões de toneladas. Já para a leguminosa, o bom desempenho das lavouras, assegura uma colheita total de 3,04 milhões de toneladas, 1,7% acima do resultado da safra anterior.

Dentre as culturas de inverno, foi confirmado o crescimento de 11,8% na área cultivada de trigo no país, situando-se em 3,45 milhões de hectares e uma produção estimada em 10,82 milhões de toneladas, 2,5% acima da obtida na safra anterior.

Mercado

Os bons resultados da safra brasileira colocam o Brasil como o principal exportador de soja e milho na safra 2022/23. Para a oleaginosa é esperado que o volume exportado chegue a 96,95 milhões de toneladas do grão. Já para o cereal, a estimativa da Companhia aponta para embarques em torno de 50 milhões de toneladas, ultrapassando as exportações norte-americanas. O bom cenário para as vendas ao mercado internacional é verificado também para farelo e óleo de soja, com exportações estimadas em 21,82 milhões de toneladas e 2,6 milhões de toneladas respectivamente.

Para o algodão, a produção recorde da pluma permite uma recomposição nos estoques finais na ordem de 59%, atingindo 2,1 mil toneladas. As exportações podem atingir 1,7 milhão de toneladas nesta safra. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em agosto de 2023 foram exportadas 104,3 mil toneladas de algodão, o segundo melhor desempenho para o mês na série histórica, superando em 66,1% o mesmo período do ano passado.

 

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PIB da agropecuária cresce 11,3% no primeiro trimestre, aponta IBGE
Notícias

Cadeia do trigo paulista se reúne para debater cenário atual do cereal no mundo

Por redação 06/09/2023
Escrito por redação

8º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo será realizado pelo Sindustrigo, no dia 29 de setembro, na Fiesp

Cadeia do trigo paulista se reúne para debater cenário atual do cereal no mundoEm um cenário de muitas variantes e de incertezas no mercado global do trigo, o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo – Sindustrigo promove no dia 29 de setembro a 8ª edição do Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo. O evento reunirá diferentes players da cadeia no Espaço Nobre da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e será transmitido pelo canal do Sindicato no Youtube.

A programação do evento, que anualmente promove um debate sobre o panorama e as projeções para o mercado do cereal, contará com quatro painéis: Conjuntura Mercadológica Internacional e Nacional do Trigo, Sustentabilidade e Inovação, Avanços da Produção de Trigo no Brasil e Varejo e Atacarejo.

“Tradicionalmente o evento promovido pelo Sindustrigo é um momento de estimular a reflexão sobre as informações e análises referentes ao cenário do cereal no Brasil e no mundo, buscando auxiliar todo o setor nas tomadas de decisões e também no direcionamento dos seus negócios”, destaca o Presidente do Sindustrigo, Amedeo di San Marzano.

Dentre os nomes confirmados para o evento estão o chefe geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, que falará sobre os avanços da produção de trigo no Brasil, do Head of Grains (trigo e milho) da Aliança Agrícola do Cerrado, do Grupo Sodrugestvo, Douglas Araújo, que trará um panorama da conjuntura mercadológica internacional e nacional do trigo, além do Head de Estratégia e Gestão da Gouvêa Consulting, Sr. Jean Paul Rebetez, que também participa do evento e abordará o mercado de varejo e atacarejo.

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O evento, ainda, conta com a participação do diretor de Assuntos Institucionais do Instituto de Tecnologia de Alimentos – ITAL, Luis Madi, que falará sobre “Alimentos Industrializados: Tendências, Mitos e Fatos” e a vice-diretora do Instituto de Tecnologia de Alimentos – ITAL, Gisele Camargo, que ministrará a palestra “Inovação para o Setor de Alimentos”, ambos no painel sobre Sustentabilidade e Inovação, tudo com a moderação e apresentação da jornalista e apresentadora do Programa Bem da Terra, transmitido pelo Canal Terraviva, Renata Maron.

As inscrições para o 8º Encontro da Cadeia do Trigo de São Paulo podem ser realizadas clicando aqui.

SERVIÇO
  • 8º ENCONTRO DA CADEIA DO TRIGO DE SÃO PAULO
  • Data: 29 de setembro
  • Horário: 8h às 13h
  • Endereço (presencial): Avenida Paulista, 1313, 15º andar (Espaço Nobre da FIESP), São Paulo (SP)

 

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Tecnologia

Branco Motores apresenta novo pulverizador costal a bateria

Por redação 06/09/2023
Escrito por redação

Branco Motores apresenta novo pulverizador costal a bateriaA Branco Motores, empresa de soluções para a agropecuária, construção civil e o setor de floresta e jardim, anuncia o lançamento do Pulverizador Costal a Bateria BPC 20 BL, considerado um modelo mais leve e compacto.

Ideal para o profissional que busca uma maior liberdade na pulverização de lavouras, plantações e jardins, o equipamento possui uma autonomia de 6 a 10 horas, dependendo da intensidade da aplicação. Além disso, conta com um reservatório com capacidade para 20L e com 6 tipos de bicos para diferentes vazões de pressão no momento da pulverização, podendo liberar até 2,7L por minuto.

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Confira outras características do Pulverizador Costal a Bateria BPC 20 BL:

  • Bateria de lítio removível e recarregável;
  • Lança ajustável (telescópica);
  • Gatilho metálico com trava;
  • Mangueira de 120cm.

 

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Notícias

Plantio direto a lanço acelera a recuperação de pastagens degradadas

Por redação 05/09/2023
Escrito por redação

Pesquisa mostra que o plantio direto a lanço é capaz de diminuir pela metade o tempo para formação da pastagem, com benefícios ambientais

Plantio direto a lanço acelera a recuperação de pastagens degradadas

O plantio direto com semeadura a lanço possibilita recuperar a capacidade produtiva de pastagens degradadas com maior agilidade e menores custos. Na foto, pasto com capim Zuri – Foto: Priscila Viudes

Pesquisas realizadas pela Embrapa com produtores do Acre apontam que o plantio direto com semeadura a lanço possibilita recuperar a capacidade produtiva de pastagens degradadas com maior agilidade, menor investimento financeiro e sustentabilidade. Além de reduzir pela metade o tempo para formação e estabelecimento da pastagem, essa modalidade de plantio proporciona economia de até 15% no custo do processo de reforma e diminui os impactos ambientais da atividade pecuária.

A Embrapa Acre estuda o plantio direto de forrageiras desde 2011, com o objetivo de disponibilizar alternativas sustentáveis para a reforma de pastagens, em substituição ao método mecanizado. A modalidade a lanço foi testada e recomendada para o capim-xaraés (também conhecido como capim-MG5) e piatã, únicas cultivares de Brachiaria brizantha recomendadas para o Acre.

Segundo o pesquisador Carlos Maurício Andrade, responsável pelos estudos, mais de 80% das propriedades rurais acreanas apresentam solos com baixa permeabilidade, sujeitos ao encharcamento durante a estação chuvosa. O capim-xaraés é a cultivar mais plantada atualmente no Acre, por sua alta produtividade e boa tolerância ao encharcamento do solo. Já o capim-piatã é recomendado para áreas menos sujeitas ao encharcamento do solo. Em muitas localidades, a combinação de solos encharcados com relevo acidentado aumenta o risco de erosão e dificulta o uso de mecanização na renovação de pastagens.

“O plantio direto a lanço é eficaz para reformar pastagens degradadas, sem exposição do solo a processos erosivos. A reforma com uso da técnica, desde os cuidados iniciais com a área até o primeiro pastejo, leva de 90 a 100 dias, enquanto no método convencional pode durar até 150 dias. Além de encurtar o tempo que a pastagem permanece sem uso durante a reforma e reduzir custos para o produtor, o plantio direto a lanço contribui para a manutenção da rentabilidade do sistema produtivo e pode ajudar a desenvolver a pecuária a pasto na Amazônia, com sustentabilidade”, ressalta o especialista.

Passo a passo para implantação

A adoção do plantio direto a lanço deve ser planejada e cada etapa (gerencial ou de campo) executada no tempo adequado, conforme orientações da pesquisa. Em reformas realizadas com recursos próprios, o planejamento deve começar seis meses antes do plantio da forrageira. Em processos financiados, a antecedência é de um ano. Esse cuidado facilita a aquisição prévia de sementes, adubos e outros insumos necessários.

De acordo com Andrade, um dos principais passos para a implantação da técnica é dessecar toda a vegetação existente na pastagem, com herbicida glifosato, procedimento que substitui o preparo mecanizado do solo. “É necessário um manejo prévio à dessecação, para diminuir o volume de palhada. O pasto deve ser mantido sob pastejo durante a estação seca (até meados de setembro) e vedado por 15 a 20 dias. Essa prática possibilita a renovação de folhas verdes, processo que favorece a absorção do herbicida”, explica.

Os estudos também mostraram que a dessecação sequencial, com duas aplicações de herbicida, é mais vantajosa do que a dessecação única, utilizada na agricultura. A estratégia aumenta a eficiência no controle de plantas daninhas e reduz o volume de palhada, essencial para facilitar a semeadura e a germinação das sementes de capim. No Acre, a primeira dessecação é recomendada para começo de outubro, quando iniciam as chuvas, com repetição do procedimento após 25 a 30 dias, com dose reduzida do herbicida.

A semeadura do capim é realizada sete dias após a segunda dessecação (em meados de novembro). Para os capins xaraés e piatã, a pesquisa recomenda o uso de 20 a 25 quilos de sementes por hectare, taxa de semeadura que possibilita níveis satisfatórios de germinação e assegura a formação de um pasto denso e produtivo. Entretanto, investir em sementes de qualidade é fundamental para garantir eficiência ao plantio direto a lanço e evitar prejuízos.

Outra recomendação é fazer a adubação da área reformada com base nos resultados das análises do solo, no momento da semeadura ou logo depois dessa etapa. É indispensável, ainda, realizar o controle de plantas daninhas, 30 dias após o plantio, e aguardar o tempo necessário para o primeiro pastejo.

Acesse a publicação Plantio direto a lanço dos capins Xaraés e Piatã no Acre e saiba mais sobre o passo a passo da técnica.

Pastagens duradouras
algodão - Plantio direto a lanço acelera a recuperação de pastagens degradadas

Pasto reformado com capim Xaraés // Foto: Carlos Maurício Andrade

A degradação de pastagens prejudica a produtividade de forragem e reduz o desempenho do rebanho, com prejuízos para os produtores rurais e para o meio ambiente. Segundo dados do MapBiomas Brasil, plataforma que reúne informações sobre a cobertura e uso da terra no País, somente na Amazônia existem 55 milhões de hectares de pastagens, dos quais 57% apresentam degradação moderada a severa. No Acre, aproximadamente 479 mil hectares de pastagens estão nessa situação. O problema tem como causa principal a Síndrome da Morte do Braquiarão (SMB), doença decorrente do encharcamento do solo. O plantio direto de forrageiras a lanço tem contribuído para a recuperação dessas áreas.

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Há seis anos, o pecuarista Fábio Medeiros trocou o método convencional pelo plantio direto a lanço na reforma de pastagens das fazendas Filipinas, localizada no município de Xapuri, e São Joaquim, em Brasiléia, região do Alto Acre. Ele iniciou com 100 hectares e, atualmente, são 6.400 hectares reformados com a técnica (74% das pastagens das propriedades).

“Nossa pastagem era toda formada com capim braquiarão e estava muito degradada, mas como temos um relevo acidentado, a reforma com mecanização deixava o solo mais vulnerável à erosão. Com o plantio direto a lanço, diversificamos as pastagens com variedades de forrageiras adequadas para os solos da região e isso resultou em pastos mais eficientes e aumentou a taxa de lotação das pastagens de 1,4 para 2,4 Unidades Animal (UA) por hectare. Hoje, gastamos apenas com a manutenção das áreas reformadas e temos a tranquilidade de contar com pastagens produtivas e duradouras, sem danos ambientais”, ressalta Medeiros.

Na propriedade de Francisco Ernandis, em Rio Branco, o plantio direto a lanço foi utilizado pela primeira vez em 2019, na reforma de 20 hectares de pastagem. A técnica já foi aplicada em 370 hectares e, este ano, serão reformados mais 60 hectares. Segundo o produtor, além do relevo acidentado, os solos da Fazenda Transacreana apresentam alto grau de encharcamento. Para solucionar o problema, investiu no plantio de gramíneas resistentes, recomendadas pela pesquisa.

Expointer supera expectativas e movimenta quase R$ 8 bilhões

“Utilizamos o capim-xaraés na formação inicial da pastagem e, depois, plantamos a grama-estrela-roxa e o capim-humidícola nas áreas que ficaram descobertas. Com uma dessecação eficiente, conseguimos diminuir a competição de plantas invasoras no estabelecimento da pastagem e reduzimos gastos com controle químico. Economizamos na reforma do pasto e o meio ambiente também se beneficia”, enfatiza o produtor, que tem como meta ampliar para 2 mil hectares a área reformada com plantio direto a lanço.

Vantagens da técnica

Plantio direto a lanço acelera a recuperação de pastagens degradadas

Capim Zuri emergindo // Foto: Carlos Maurício Andrade

Estudos de impacto revelam que 95% dos pecuaristas que adotam o plantio direto de forrageiras no Acre realizam a semeadura a lanço. Embora demande maior quantidade de sementes, a técnica proporciona melhor rendimento operacional em relação a outras modalidades de plantio direto e ao plantio convencional. “A economia com horas e máquinas, possibilitada pelo baixo investimento em operações mecanizadas, compensa os gastos com insumos e reduz o custo total da reforma da pastagem. No Acre, um hectare reformado pelo método convencional custa dois mil e trezentos reais, enquanto no plantio direto a lanço o valor cai para dois mil reais”, avalia Andrade.

Os benefícios da semeadura a lanço chamaram a atenção do produtor Edilson Alves de Araújo, que buscava alternativas mais eficientes para recuperar a produtividade das pastagens na Fazenda Bom Sucesso, localizada no município de Porto Acre. A propriedade tem solos planos e não enfrenta problemas de encharcamento, mas boa parte dos 800 hectares de pastagem existentes apresenta alto grau de degradação.  “Testamos o plantio direto a lanço entre 2020 e 2021 e comprovamos que o seu custo benefício é excelente. Este ano, iniciamos a reforma de 100 hectares de pastagem e vamos continuar com a técnica. Poder colocar o gado mais cedo no pasto evita gastos com suplementação na dieta animal”, afirma.

Além de ganhos econômicos, a semeadura a lanço, direto na palha, proporciona benefícios ambientais. A redução em 74% de processos mecanizados na reforma de pastagens minimiza o revolvimento do solo e protege esse recurso natural da erosão. Outro benefício é a incorporação de matéria orgânica (palhada) no solo, procedimento que melhora a atividade biológica e a fertilidade das áreas reformadas. A palhada que fica na superfície também ajuda a reter umidade no solo, favorecendo o desenvolvimento das plantas e o aumento da sua resistência a eventuais veranicos.

O plantio direto está entre as práticas de produção sustentável incentivadas pelo Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (ABC+), política pública que atua para o cumprimento de compromissos voluntários do Brasil para redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no País. A meta é reduzir em 1,1 bilhão de toneladas as emissões de carbono equivalente no setor agropecuário, até 2030. O plantio direto a lanço reduz a queima de combustíveis fósseis, em função do baixo uso de mecanização, e evita outros processos emissores de carbono (CO2) para a atmosfera, como a decomposição da matéria orgânica no solo.

Protocolo para diferentes forrageiras

O plantio direto é uma técnica conservacionista bastante utilizada na agricultura brasileira, especialmente nos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), mas ainda era pouco adotada na renovação de pastagens. Para ampliar o seu uso no Acre, na última década, a Embrapa, em parceria com pecuaristas, desenvolveu também modalidades de plantio direto em linha e em covas. Devido às facilidades para adoção, vantagens proporcionadas e possibilidade de uso em terrenos acidentados, a semeadura a lanço tem sido a mais adotada no estado.

Para ajustar a técnica à realidade da região amazônica, entre outros aspectos, a pesquisa avaliou a dosagem adequada de herbicida para dessecação do capim, o número de pulverizações necessárias, intervalo entre as aplicações do produto e melhor época para realização do processo.

“O protocolo validado para os capins xaraés e piatã pode ser utilizado com todas as forrageiras disponíveis no mercado, de acordo com as orientações técnicas para cada variedade, com exceção da Brachiaria humidicola, devido ao alto custo das sementes e baixo vigor das plantas, característica que dificulta o estabelecimento dessa gramínea na pastagem, por semeadura a lanço”, destaca Andrade.

Fonte: Embrapa

 

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ExpointerTecnologia

XCMG comemora resultados da participação na Expointer 2023

Por redação 05/09/2023
Escrito por redação

XCMG considerou positiva sua participação na feira, que lançou uma motoniveladora e um caminhão elétrico

XCMG comemora resultados da participação na Expointer 2023 Líder no setor de máquinas pesadas na China, a XCMG Brasil lançou equipamentos importantes para a produtividade do agronegócio do País na Expointer 2023. Os destaques foram o Trator Agrícola XT804-5D, a Motoniveladora GR1905BR e o Caminhão E7-29R.

Considerada uma das principais feiras do setor de agronegócio da América Latina, a 46ª edição da Expointer foi realizada entre os dias 26 de agosto e 3 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, Rio Grande do Sul.

Expointer supera expectativas e movimenta quase R$ 8 bilhões

De acordo com o diretor comercial, Renato Torres, a feira foi bem positiva. “Recebemos visitantes do Brasil inteiro e do exterior e ficamos satisfeitos com o público qualificado, que ficaram interessados em nossos equipamentos”, afirma Torres, destacando as novidades apresentadas, como:

Trator agrícola XT804-5D:

Projetado para melhor segurança e conforto do operador, graças ao espaço interno, ergonomia e a visibilidade de 360° durante toda operação, o novo trator agrícola proporciona maior rentabilidade no dia a dia do produtor rural. O Diretor Comercial da XCMG Brasil, Renato Torres, explica que a empresa também se preocupou em desenvolver um design mais adequado ao perfil do mercado nacional, sendo que as características técnicas do novo trator, já consagradas pelos agricultores do País, foram potencializadas. “O trator XT804-5D apresenta como diferencial nova entrada de ar e 80CV de potência, responsáveis por tornar o equipamento um dos mais potentes do mercado”, ressalta Torres.

Motoniveladora GR1905BR

Especialmente desenvolvida para nivelamento do solo, abertura de valas, raspagem de encostas, escavação, escarificação em grandes áreas agrícolas e florestais, entre outras. O equipamento possui peso operacional de 15400kg, potência de 170hp/180hp/190hp e dimensões gerais (C x L x A) 10360 x 2625 x 3470mm.

Escavadeira XE225BR

Equipada com motor Cummins QSB7 TIER III, de alta eficiência, grande velocidade de operação e um desempenho superior ao modelo anterior. A escavadeira possui lanças e braços reforçados com aço de alta resistência e grande gama de opcionais de caçamba.

No estande da empresa, o visitante conferiu os diferenciais da plataforma 16ACE, que possui pneus antimarcantes e não requer manutenção graças à bateria gel selada. Com altura de trabalho de 15,8m e capacidade de peso de 227kg, a plataforma muito utilizada em indústrias, galpões, shopping, aeroportos, pois não emite poluentes, podendo ser utilizada tanto em locais fechados quanto abertos.

Lançamento elétricos

Antecipando-se a tendência mundial, a XCMG do Brasil apresentou ao mercado o caminhão E7-29R elétrico. Com autonomia de trabalho de 150km, peso bruto total (PBT) homologado de 29.000kg, velocidade máxima de 80km/h, comprimento total 8.900mm, largura total 2.550mm e altura total de 3.500mm.

 

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Tecnologia

Empresa aumenta produtividade em 30% com automatização da linha de produção

Por redação 05/09/2023
Escrito por redação

Empresa aumenta produtividade em 30% com automatização da linha de produçãoA empresa De Marchi aumentou a produtividade em 30% com a automatização da linha de produção usando a máquina Tomra 5B da Tomra Food. A instalação ocorreu em fevereiro de 2023, resultando em melhorias na classificação do produto e aumento na produção.

O Grupo De Marchi atua desde o cultivo até a comercialização de alimentos. A empresa busca atender às demandas do mercado por produtos de maior qualidade, mais saudáveis e sustentáveis, em um mercado de hortifruti em crescimento no Brasil.

Expointer supera expectativas e movimenta quase R$ 8 bilhões

Carlos Alberto De Marchi, diretor Industrial da De Marchi, sublinha a importância dessa parceria. “A parceria com a Tomra nos permite várias vantagens, sendo que a principal é o acréscimo de qualidade no nosso produto”. O responsável explica que o processo antes da instalação era “totalmente manual” e a máquina da Tomra está sendo muito importante para linha de produção. “Sabemos que este equipamento proporcionou uma grande evolução, não só a nível da gestão de recursos, mas também na vertente econômica”. A automatização da linha resultou em um aumento de produtividade de 30% e maior segurança nos produtos.

Para João Medeiros, gerente comercial da Tomra Food Brasil e Argentina, “essa parceria é chave num setor tão importante como do hortifruti”. O responsável explica “que a De Marchi é uma empresa inovadora, com forte presença no mercado nacional e internacional, sem dúvidas, uma parceria muito importante para Tomra no segmento de frutas e vegetais minimamente processados. É uma honra fornecer uma solução de alta tecnologia de classificação óptica de alimentos para uma das maiores empresas do ramo no Brasil”.

 

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