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Artigo Técnico

Dia da Agricultura Irrigada: desafios e oportunidades

Por redação 15/06/2023
Escrito por redação

15/06 - Dia da Agricultura Irrigada: desafios e oportunidades por Luís Henrique Bassoi* – A agricultura irrigada “consome 70% da água” no mundo. Não, não consome! Isso é um enunciado equivocado. A agricultura irrigada utiliza água.

A maior parte da água utilizada pelas plantas retorna ao meio ambiente por meio da evapotranspiração (pela evaporação da água do solo e pela transpiração das plantas). E o número mencionado é resultado de uma média mundial entre países que bem e mal ou que muito e pouco utilizam a água para irrigação. Não mostra a realidade de nossa agricultura irrigada. Para exemplificar, a média entre – 5 e + 5 é zero!

Wikirriga: plataforma sobre agricultura irrigada aberta à sociedade

De acordo com dados atualizados em novembro de 2021 pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), são considerados usos consuntivos da água o abastecimento humano, o abastecimento animal, a indústria, a mineração, a irrigação e a termoeletricidade.

No Brasil, a agricultura irrigada é o maior uso da água. Utiliza 50% do total da água retirada dos corpos hídricos, mas se considerarmos a retirada e a evaporação líquida, o índice é de 34%.

Ainda segundo a ANA, a retirada para irrigação aumentou de 640 para 965 m³/s nas últimas duas décadas. Mas parte do aumento da safra agrícola que vivenciamos ano após ano vem da agricultura irrigada, que tem o dia 15 de junho como o seu dia nacional.

A instrumentação, por meio de sensores e equipamentos, pode auxiliar no uso eficaz e eficiente da água na agricultura irrigada. A eficácia é a tomada de decisão sobre o que executar – determina o momento de irrigar ou não. A eficiência é como executar corretamente o que foi decidido – o quanto de água aplicar.

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O conhecimento sobre o quanto de água há no solo, na planta e na atmosfera, permite a utilização de critérios para que se realize o manejo de irrigação. Isso é essencial para que sejam alcançados níveis desejáveis de eficiência de irrigação (volume de água incorporado ao solo em relação ao volume retirado da fonte de água), de armazenamento (volume de água acumulado na profundidade efetiva das raízes em relação ao volume necessário) e de aplicação (volume de água acumulado na profundidade efetiva das raízes em relação ao volume acumulado no solo).

 

15/06 - Dia da Agricultura Irrigada: desafios e oportunidades

       Eficiência de irrigação conforme a profundidade de umedecimento do solo

Sistemas de irrigação como o gotejamento, microaspersão, aspersão convencional e pivô central, bem manejados com o auxílio da instrumentação, podem alcançar até a satisfatórios índices de 90% de eficiência de irrigação, aplicação e armazenamento.

É um desafio para instituições de pesquisa, universidades e setor agrícola privado mostrar à sociedade como a agricultura brasileira pode ser eficaz e eficiente em relação à utilização da água na produção agrícola.

E é também uma oportunidade para mostrar o conhecimento que temos no Brasil sobre o assunto e que pode ser difundido e transferido para capacitar produtores e profissionais. Já temos bons irrigantes, mas podemos e devemos tê-los em um número maior.

*Luís Henrique Bassoi é pesquisador da Embrapa Instrumentação     

 

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15/06/2023 0 Comentários
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Conheça os componentes essenciais do sistema elétrico do trator
CuriosidadeManutenção

Conheça os componentes essenciais do sistema elétrico do trator

Por redação 14/06/2023
Escrito por redação

Como o sistema elétrico do trator desempenha um papel crucial no seu funcionamento e nas diversas funções que realiza

Agricultura Irrigada - Conheça os componentes essenciais do sistema elétrico do tratorO sistema elétrico do trator desempenha um papel crucial no funcionamento adequado do veículo agrícola. Desde o acionamento do motor de partida até a iluminação e sinalização, esse sistema também é responsável por várias outras funções, como o acionamento da tração auxiliar, tomada de potência e sistemas de monitoramento da máquina.

A seguir, saiba mais sobre a importância do sistema elétrico do trator e destacar seus principais componentes.

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A importância do sistema elétrico do trator:

O sistema elétrico do trator é essencial para garantir o pleno funcionamento do veículo agrícola. Aqui estão algumas das suas funções mais importantes:

1. Acionamento do motor de partida:

O sistema elétrico fornece a energia necessária para acionar o motor de partida, permitindo que o trator seja ligado e entre em funcionamento.

2. Iluminação e sinalização:

Os sistemas de iluminação e sinalização do trator dependem do sistema elétrico para fornecer energia aos faróis, lanternas, indicadores de direção e luzes de freio. Esses componentes são essenciais para a segurança durante o trabalho no campo, especialmente em condições de pouca visibilidade.

3. Acionamento de funções adicionais:

Nos tratores modernos, o sistema elétrico é responsável pelo acionamento de várias funções adicionais, como tração auxiliar, tomada de potência, variadores de torque e controladores. Isso aumenta a versatilidade do trator e permite a realização de diversas tarefas agrícolas.

4. Suporte para sistemas de monitoramento e agricultura de precisão:

O sistema elétrico também desempenha um papel crucial no suporte a sistemas automatizados de monitoramento da máquina e na utilização da agricultura de precisão. Ele fornece energia para sensores, dispositivos de GPS e outros componentes que auxiliam no monitoramento e no gerenciamento eficiente das atividades agrícolas.

Principais componentes do sistema elétrico do trator:

Conheça os componentes essenciais do sistema elétrico do trator

Agora que entendemos a importância do sistema elétrico do trator, vamos conhecer seus principais componentes:

1. Bateria:

A bateria é responsável por armazenar a energia necessária para o funcionamento do sistema elétrico. Ela fornece energia inicial para o motor de partida e supre outras demandas elétricas do trator quando o motor está desligado.

2. Gerador:

O gerador, também conhecido como alternador, é responsável por recarregar a bateria e fornecer energia elétrica para todos os componentes do trator enquanto ele está em funcionamento.

Capacidade de armazenagem agrícola atinge 192,2 milhões de toneladas
3. Regulador de voltagem:

O regulador de voltagem controla a quantidade de energia elétrica que é fornecida aos diferentes componentes do trator. Ele garante que a voltagem seja mantida dentro dos limites adequados, evitando danos aos dispositivos elétricos.

4. Motor de partida:

O motor de partida é acionado pela bateria e tem a função de iniciar o motor principal do trator. Ele requer uma grande quantidade de energia para girar o motor até que ele entre em funcionamento.

5. Caixa de fusíveis:

A caixa de fusíveis abriga os fusíveis de proteção do sistema elétrico. Esses fusíveis ajudam a prevenir sobrecargas elétricas e curtos-circuitos, garantindo a segurança do sistema.

6. Iluminação e indicadores de painel:

Os componentes de iluminação, como faróis e lanternas, e os indicadores do painel, como o medidor de combustível e temperatura, também são partes essenciais do sistema.

O sistema elétrico do trator desempenha um papel vital no seu funcionamento adequado, fornecendo energia para várias funções, desde o acionamento do motor de partida até a iluminação e sinalização. Além disso, ele suporta sistemas de monitoramento da máquina e o uso da agricultura de precisão.

Ao conhecer os componentes essenciais desse sistema, os agricultores podem compreender melhor a importância da manutenção e do cuidado adequados, garantindo um desempenho confiável e eficiente do trator em suas atividades agrícolas.

 

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14/06/2023 0 Comentários
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Notícias

Sistemas de integração ILPF são mais sustentáveis, diz estudo

Por redação 14/06/2023
Escrito por redação

Um modelo inovador baseado em métricas de sustentabilidade comprovou que os sistemas de integração ILPF (lavoura, pecuária e floresta) apresentam maiores índices de sustentabilidade

Sistemas de integração ILPF são mais sustentáveis, comprova estudoUm modelo inovador de análise baseado na coleta de métricas de sustentabilidade – dados econômicos, ambientais e sociais – aponta que as fazendas que praticam modalidades de sistemas  ILPF (integração lavoura, pecuária e floresta) apresentaram os melhores desempenhos nessas três dimensões.

O estudo, desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e de outras instituições, atribuiu uma escala numérica para cada variável analisada, permitindo comparações e categorizações.

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Os resultados comprovaram que os índices de sustentabilidade nos sistemas de integração foram maiores do que os de estabelecimentos exclusivamente voltados à produção de grãos ou de pecuária.

O artigo publicado no periódico Agronomy for Sustainable Development propõe um modelo baseado na lógica difusa, composto por 18 indicadores que permitem avaliar a sustentabilidade de sistemas agrícolas e apresenta 22 estudos de caso com os sistemas produtivos mais comuns na fronteira agrícola mato-grossense em seus três biomas (Amazônia, Cerrado e Pantanal).

Segundo os autores, o modelo de análise contempla o conhecimento científico e a percepção de especialistas na formulação dos indicadores, considera a grande variabilidade de desempenho dos sistemas agrícolas, bem como as interações entre as dimensões econômica, ambiental e social da sustentabilidade, podendo ser ajustado a diferentes contextos ambientais e socioeconômicos.

“Escolhemos esse método porque incorpora as principais características dos modelos multicritério já descritos na literatura científica para avaliar a sustentabilidade de sistemas agrícolas, além de oferecer a vantagem de compatibilizar variáveis contínuas e categóricas e considerar a imprecisão inerente à análise da sustentabilidade, oferecendo um resultado numérico”, diz o pesquisador Júlio César dos Reis, da Embrapa Cerrados (DF), um dos autores do artigo.

O conjunto de indicadores e o modelo de análise foram construídos associando as atividades produtivas aos efetivos resultados econômicos, ambientais e sociais, indicando que a sustentabilidade é considerada como um todo, e não como a soma de seus componentes.

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A estrutura do modelo forma um índice de sustentabilidade (IS), composto por três indicadores parciais (correspondentes às três dimensões da sustentabilidade), cada um com seis subindicadores, calculados a partir de dados levantados em cada fazenda (ver figura).

Figura – Indicadores parciais e subindicadores do modelo de lógica difusa para análise da sustentabilidade de sistemas agrícolas

Sistemas que integram lavoura, pecuária e floresta (ILPF) são mais sustentáveisEssa estrutura permite a comparação entre os diferentes sistemas agrícolas e favorece a análise das contribuições de cada indicador para a dimensão de sustentabilidade correspondente e para o resultado final.

O conjunto de indicadores e subindicadores foi selecionado considerando o gerenciamento das decisões dos produtores rurais, o que permite a análise da sustentabilidade a partir do dia a dia de cada propriedade.

Assim, todos os dados das dimensões econômica, ambiental e social são derivados dos registros comumente feitos nas fazendas e calculados sem a necessidade de grandes recursos matemáticos e computacionais.

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O IS é gerado a partir da premissa de que, quanto mais elevados e equilibrados forem os valores em todas as três dimensões da sustentabilidade, maior será a sustentabilidade alcançada.

Foram realizados:

  • nove estudos de caso de rotação soja-milho e um de rotação soja-milho-feijão, representando as dez fazendas de grãos;
  • sete casos com criação de gado de corte, representando as propriedades de pecuária; e
  • cinco casos de fazendas com sistemas de integração, sendo quatro com rotação soja-milho integrada com a criação de gado (Integração Lavoura-Pecuária) e um com gado pastejando entre árvores de teca destinadas à produção de madeira (Integração Pecuária-Floresta).

Os dados foram apurados na safra 2018/19, e os principais destaques dos sistemas estudados são apresentados na tabela 1.

Sistemas que integram lavoura, pecuária e floresta (ILPF) são mais sustentáveisDesempenhos elevados e equilibrados geram maiores índices de sustentabilidade

As propriedades com sistemas de integração receberam valores médios e altos para o índice de sustentabilidade (IS). Duas fazendas com sistemas de integração – uma com Integração Pecuária-Floresta (IPF) e outra com Integração Lavoura-Pecuária (ILP) – mostraram os maiores índices de sustentabilidade (91,87 e 91,78, respectivamente), com elevados desempenhos nas três dimensões, ou seja, um favorável equilíbrio em termos econômicos, sociais e ambientais.

A fazenda com IPF é especializada na produção de madeira de teca para exportação, combinada a uma pecuária de alta tecnologia. Apesar dos níveis medianos de lucro e produtividade, a elevada organização e expertise na produção de teca explicam os altos índices social e econômico.

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A eficiência no uso de fertilizantes e pesticidas e os serviços ecossistêmicos proporcionados pelas florestas, como baixa perda de solo superficial, sequestro de carbono e baixo escoamento superficial, se destacaram na dimensão ambiental, que obteve excelente resultado, o que contribuiu para um elevado IS.

Já a propriedade com ILP mostrou alto desempenho produtivo baseado em práticas de gestão para melhorar os resultados financeiros e operacionais, como estratégias de comercialização para mitigar os impactos negativos da volatilidade do preço das commodities e a divisão de lucros com os empregados.

Além disso, o sistema pecuário é focado apenas na engorda do gado, aproveitando as pastagens consorciadas com o milho. A fazenda colhe três safras ao longo do ano agrícola, sendo duas de grãos (soja e milho) e um período de três meses de engorda dos animais na mesma área.

A propriedade apresentou o segundo maior lucro (969,91 dólares por hectare) entre as 22 fazendas analisadas e um desempenho ambiental similar à fazenda com IPF, particularmente quanto à reduzida perda de solo superficial, ao uso de fertilizantes e a emissões de GEE.

Por outro lado, os pesquisadores também encontraram desempenhos desequilibrados mesmo em propriedades com sistemas de integração, com elevados resultados nos indicadores econômico e ambiental, e mais baixo desempenho social, o que comprometeu o seu IS. Uma delas, com sistema de ILP, apresentou baixas escolaridade e atratividade do emprego; já outra, também com ILP, obteve baixos valores para treinamentos e cursos e qualidade do emprego.

Segundo os autores, os diferentes resultados entre os sistemas de integração demonstram que é difícil estabelecer uma conclusão geral sobre os benefícios da intensificação sustentável, pois eles são específicos para cada contexto.

“O simples fato de as fazendas utilizarem sistemas de integração não garante um elevado IS. Elas precisam ter um desempenho elevado e equilibrado entre as três dimensões da sustentabilidade”, diz o pesquisador Geraldo Stachetti, da Embrapa Meio Ambiente (SP).

Já as propriedades de pecuária receberam os valores de IS mais baixos. Mesmo uma fazenda que utiliza manejo de pastagem, melhoramento genético e sistemas de confinamento dos animais não alcançou bons resultados.

Apesar de ter apresentado o melhor desempenho econômico entre as propriedades de pecuária, o baixo IS se deve aos baixos desempenhos social e ambiental. As propriedades foram agrupadas em três categorias (ver tabela 2).

Agricultura Irrigada - Sistemas de integração ILPF são mais sustentáveis, diz estudoNa categoria A (desempenho alto) há apenas três fazendas – a com IPF e duas com ILP, que apresentaram bom desempenho econômico e excelente desempenho ambiental, porém desempenho mediano no indicador social.

A categoria B (desempenho mediano) contempla quase todas as fazendas de grãos e apenas duas com sistemas de integração e foi dividida em dois subgrupos: B1, composto, em geral, por aquelas que apresentaram bom desempenho econômico associado a indicadores social e ambiental medianos; e B2, formado por fazendas que apresentaram baixo desempenho econômico associado a indicadores social e ambiental medianos.

Já a categoria C (desempenho baixo) reúne todas as fazendas de pecuária e duas de grãos, e também foi dividida em dois subgrupos: C1, com propriedades caracterizadas por valores muito baixos em duas ou nas três dimensões da sustentabilidade; e C2, com as três fazendas que obtiveram resultados muito baixos nas três dimensões e, consequentemente, com os piores IS.

ILPF proporciona sistemas de integração mais sustentáveis ao longo do tempo

O modelo de análise proposto no estudo mostra que a interação harmoniosa entre as dimensões da sustentabilidade nas fazendas com sistemas de integração proporciona situações de ganha-ganha e gera uma trajetória contínua e sustentável.

Apesar de não estarem no topo de todos os três indicadores parciais, as fazendas do grupo A mostram alto desempenho em todos eles.

“Esses resultados demonstram que não existe necessariamente um ‘perde e ganha’ inerente entre as três dimensões e destacam o papel central que a gestão desempenha para que os produtores se beneficiem das interações entre as dimensões da sustentabilidade nos sistemas de integração, que requerem um alto grau de gerenciamento e consciência ambiental para aumentar a eficiência no uso dos recursos, o que, em consequência, leva também a melhores desempenhos econômicos e sociais”, comenta Inácio de Barros, pesquisador da Embrapa Gado de Leite (MG).

Os pesquisadores ressaltam que os resultados econômicos para lucro bruto, nível de endividamento e salários dos gerentes estão intimamente relacionados a baixos custos de produção devido a maior eficiência no uso de insumos externos.

“Além disso, essa eficiência explica o elevado desempenho ambiental, particularmente menores emissões de gases de efeito estufa (GEE), maior cobertura florestal e menores perdas de solo superficial, garantindo condições produtivas para fazendas com sistemas de integração ao longo do tempo, e ajuda a explicar os resultados superiores para o valor da terra, indicando que o mercado percebe e valoriza o desempenho superior e equilibrado entre todas as dimensões da sustentabilidade”, afirmam.

As fazendas de grãos, por outro lado, apresentaram valores elevados de perdas de solo superficial e, particularmente, de escoamento superficial, que indicam impactos ambientais negativos das lavouras contínuas em larga escala, o que compromete a capacidade desse sistema de permanecer produtivo com o passar dos anos.

Para manterem os níveis de produção elevados, essas propriedades consomem grandes e crescentes quantidades de insumos externos, em especial fertilizantes e pesticidas, acarretando custos de produção cada vez maiores e a necessidade de expansão das áreas de cultivo para aproveitarem os ganhos de escala. Essa situação, segundo os autores, ilustra a frágil sustentabilidade dessas fazendas altamente especializadas, com baixa diversidade produtiva.

Quanto às fazendas de pecuária, eles argumentam que a intensificação sustentável a pasto com o emprego de tecnologias disponíveis poderia aumentar significativamente a produtividade, permitindo a liberação de áreas para a produção de carne, grãos, madeira e combustível para atender à demanda mundial por esses produtos.

Para as áreas inadequadas à adoção de sistemas de integração ILPF, políticas públicas que promovam a ampla adoção de práticas de manejo das pastagens, com elevado grau de tecnologias gerenciais, associadas à concessão de crédito específico, seriam fundamentais para aumentar o desempenho da atividade no Cerrado e na Amazônia.

Os pesquisadores acreditam que o modelo apresentado é uma ferramenta útil aos formuladores de políticas para análise da sustentabilidade dos sistemas de produção na escala das fazendas, bem como para auxiliar as decisões dos produtores rurais.

 

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Cooperativas agropecuárias gaúchas devem confirmar um crescimento adicional de 25,25% no seu faturamento em relação à 2017, ultrapassando R$ 25,4 bilhões.
Notícias

Brasil abre mais dois mercados para produtos agropecuários

Por redação 14/06/2023
Escrito por redação

Desde o início do ano, segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil conquistou a abertura de 24 novos mercados para produtos agropecuários

Brasil abre mais dois mercados para produtos agropecuários

O Brasil conquistou a abertura de 24 novos mercados para produtos agropecuários desde janeiro de 2023, de acordo com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Os mais recentes, que ocorreram no início desta semana, são a exportação de alimentos mastigáveis para animais de companhia (pet food) para a África do Sul e de farinhas de aves para alimentação animal para o Equador.

De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, as importações da África do Sul de alimentos mastigáveis para animais de companhia foram de aproximadamente US$ 60 milhões em 2022. Nesta categoria, o Brasil exportou quase US$ 100 milhões para outros mercados.

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Também no ano passado, o Equador importou farinhas de aves para alimentação animal de todo o mundo no valor de US$ 554 milhões.

O trabalho de abertura de mercados externos não contempla apenas a venda de produtos tradicionais dos quais o Brasil já é um grande exportador, como carnes, milho e soja, mas de diversos produtos da cadeia agrícola, atendendo ao objetivo do Ministério da Agricultura e Pecuária de diversificar a pauta exportadora brasileira.

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Desde o início do ano, o Mapa contabiliza a abertura de 24 mercados nas Américas, Ásia, África e Oceania para a exportação dos mais diversos produtos de variados setores da agropecuária.

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Artigo Técnico

Wikirriga: plataforma sobre agricultura irrigada aberta à sociedade

Por redação 14/06/2023
Escrito por redação

O Wikirriga foi criado com o objetivo principal de disponibilizar para a sociedade brasileira conhecimentos atuais sobre a agricultura irrigada

Wikirriga: plataforma sobre agricultura irrigada aberta à sociedade

Por Lineu Neiva Rodrigues* – A irrigação é a base de toda a agricultura irrigada. Talvez ela seja a tecnologia mais antiga utilizada na produção de alimentos. Há cerca de 6 mil anos, na Mesopotâmia, região que hoje compreende o Iraque e parte do que é chamado Crescente Fértil, colonos construíram canais e desviaram a água do Rio Eufrates para suas plantações, iniciando a prática da irrigação, que acabou transformando a terra e aquela sociedade como nenhuma outra atividade havia proporcionado até então. Aquela ação viabilizou uma produção confiável de alimentos e possibilitou que parte das pessoas pudesse trabalhar em atividades diferentes da agricultura.

Segurança alimentar e segurança hídrica estão no centro das maiores preocupações da sociedade na atualidade. Produzir alimento demanda quantidades significativas de água.

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Em um cenário onde o clima é cada vez mais incerto, a produção de alimentos em agricultura de sequeiro, aquela que depende apenas da água da chuva, é cada vez mais incerta. Nesse contexto, a irrigação torna-se cada vez mais estratégica para trazer sustentabilidade e estabilidade à produção de alimentos.

A irrigação é a principal usuária de recursos hídricos, e talvez esse fato torne mais difícil para a sociedade a compreensão de sua importância. Mas é justamente por esse motivo que a comunicação e a disponibilização de conhecimento são tão importantes.

A falta de uma comunicação adequada com a sociedade é um dos principais entraves ao desenvolvimento sustentável da agricultura irrigada. É fundamental melhorar a interlocução do setor agrícola com a sociedade, principalmente quanto ao uso dos recursos hídricos.

Debate sobre a agricultura irrigada

A disseminação de informações incorretas contribui para o aumento da polarização do debate sobre a agricultura irrigada. A água, principal insumo da produção de alimentos, é sinônimo de diálogo, de compartilhamento e de integração.

A falta de comunicação coloca os usuários de recursos hídricos em posições antagônicas: ao invés de cooperarem entre si, entram em disputas muitas vezes desnecessárias.

A água não deve ser geradora de conflitos, mas sim de oportunidades para o desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida das pessoas.

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Nesse sentido, é preciso divulgar informações corretas com base em dados técnicos e análises consistentes, que possam ser atualizados continuamente. Essa é a premissa do Wikirriga, uma plataforma on-line e gratuita de conhecimento sobre agricultura irrigada, criada com o objetivo principal de disponibilizar à sociedade brasileira conhecimentos atuais sobre a agricultura irrigada.

Dois princípios básicos e fundamentais nortearam a criação do Wikirriga:

  • (i) uso de ferramenta colaborativa, que possibilite que o conhecimento agregado à plataforma seja dinâmico, ou seja, continuamente atualizado;
  • (ii) conhecimento de fácil acesso e gratuito para a sociedade. Como disse Ricardo Almeida, CEO da empresa Netafim, o Wikirriga é um “livro social” que permite deixar à sociedade a oportunidade de constante atualização.

Com o Wikirriga, o conhecimento sobre agricultura irrigada estará disponível e acessível a toda a sociedade. Além disso, esse conhecimento será constantemente atualizado por uma rede de profissionais da área – os denominados editores associados e colaboradores, provenientes de instituições como a Embrapa e universidades.

Na comunicação, a mensagem do emissor produz sentido e gera valor para o receptor, num processo que se retroalimenta. Dessa forma, ao decodificar a informação técnica para a sociedade, facilitando o acesso e a apreensão do conhecimento, a comunicação contribui decisivamente para diferenciar o fato do mito.

Os debates sobre a melhor forma de se utilizar os recursos hídricos sempre existirão, principalmente em regiões com baixa disponibilidade hídrica. Nesses casos, embora não esteja prevista na política de recursos hídricos, a comunicação é, sem dúvida, um dos principais instrumentos da gestão. Informar com qualidade contribui para redução de conflitos pelo uso de água.

Espera-se que o Wikirriga possa, portanto, contribuir para melhorar o conhecimento sobre a agricultura irrigada e envolver a comunidade acadêmica e técnica na atividade de socializar o conhecimento. A plataforma pode ser acessada no endereço: https://wikirriga.com.br/.

*Lineu Neiva Rodrigues é pesquisador da Embrapa Cerrados

 

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Tecnologia

New Holland oferece desconto de até 50% em peças de reposição

Por redação 14/06/2023
Escrito por redação

Promoção de peças de reposição para tratores, plantadeiras e pulverizadores vai até o dia 31 de agosto

New Holland inicia promoção de peças de reposição com 50% de desconto A New Holland Agriculture está lançando a PromoSolo, uma promoção de peças de reposição para tratores, plantadeiras e pulverizadores com descontos de até 50%. A promoção, que vale até o dia 31 de agosto, engloba uma lista com mais de 800 itens de reposição.

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A promoção estará disponível para compras de peças no balcão, aplicadas na oficina das concessionárias e também na loja online da marca. As peças New Holland têm garantia de 6 meses quando adquiridas online ou no balcão da loja, e de 12 meses quando instaladas pela concessionária.

“Somente comprando de concessionários New Holland o cliente tem certeza de que estará comprando peças projetadas e desenvolvidas especialmente para sua máquina, com qualidade testada e aprovada pela fábrica nos mais rigorosos laboratórios e bancadas de teste”, afirma Ludmila Giori, diretora de Marketing de Parts & Service da New Holland Agriculture.

E-commerce

A plataforma exclusiva para o comércio eletrônico de peças para maquinário agrícola da New Holland permite ao cliente comprar componentes com garantia de fábrica sem precisar sair de casa. Para isso, basta acessar via celular, tablet ou computador o site para visualizar – além das ofertas da PromoSolo – um catálogo de peças genuínas da marca a partir de qualquer ponto do país.

A plataforma virtual tem toda a rede de concessionários New Holland espalhada pelas cinco regiões do Brasil, com mais de 220 pontos de venda.

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Notícias

Lodo de estação de tratamento de água pode ser convertido em fertilizantes

Por redação 13/06/2023
Escrito por redação

Lodo de Estação de Tratamento de Água, ao ser convertido em fertilizante, poderá ser comercializado e ter custo similar aos adubos organominerais

Lodo de estação de tratamento de água pode ser convertido em fertilizantesNa foto, o decantador da Eta de Cubatão, que produz 75 toneladas de lodo diariamente, matéria-prima para produção de fertilizantes. // Foto: Caue Ribeiro

Converter lodo de estação de tratamento de água (ETA) em matéria-prima para produção de fertilizantes de liberação controlada é o desafio que vai unir esforços e competências de três centros de pesquisa da Embrapa e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O estudo vai desenvolver rotas tecnológicas alternativas, com o uso de nanotecnologia, para driblar as dificuldades características do lodo de ETA, altamente variáveis.

O convênio de cooperação científica e tecnológica celebrado prevê o desenvolvimento de um produto a partir de lodos de ETA para vinculação ou incorporação de formulações ativas de microrganismos, com ação benéfica às plantas, em grânulos ou pellets de fertilizantes, com múltiplas funcionalidades de fornecimento de nutrientes.

Três unidades da Embrapa

Instrumentação e Pecuária Sudeste, localizadas em São Carlos (SP), e Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), com saberes de diferentes áreas do conhecimento vão trabalhar para definir uma rota de produção de concentrados zeolíticos a partir de lodos de ETA característicos.

Além disso, vão identificar diferentes microrganismos benéficos; desenvolver e avaliar técnicas de produção; de encapsulamento das suspensões de microrganismos, além de avaliar a eficiência agronômica dos fertilizantes bioativos.

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O estudo, aprovado na 3ª chamada de propostas PITE (Programa Fapesp de Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica)-Sabesp para apoiar projetos de pesquisa voltados à modernização do setor de saneamento, espera integrar diferentes estratégias para proporcionar maior eficiência agronômica e competitividade ao reaproveitamento dos resíduos.

Com prazo de execução de 60 meses e com recursos financeiros de mais de R$ 2,7 milhões, a proposta é também otimizar o uso de microrganismos bioagentes na agricultura.

Complexidade do lodo de ETA

A destinação do lodo de estação de tratamento de água é um desafio devido às suas características, entre elas, variabilidade de composição, baixo teor de matéria orgânica e, principalmente, altos teores de sais de alumínio, além de outros fatores que limitam consideravelmente sua aplicação em solos agrícolas.

O engenheiro do Departamento de Execução de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Sabesp, Marcelo Kenji Miki, explica que o desafio do lodo de ETA é um tanto mais exigente.

“Há pouca literatura disponível e cada lodo de ETA tem uma característica um tanto única, devido a variabilidade das condições do manancial”, explica o engenheiro.

Além da complexidade das características do lodo de estações de tratamento, os altos volumes e o custo envolvido no descarte tornam esse resíduo um problema. As disposições são diversas, desde retorno ao próprio corpo de captação de água até aterros comuns.

No entanto, o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Caue Ribeiro, coordenador do projeto, acredita que a estrutura mineral do lodo de ETA poderia, em princípio, ser base para a produção de peletizados- material compactado -, que atuariam como condicionadores de solo ou como adjuvantes para sistemas de liberação controlada de fertilizantes.

Assim, o produto poderia ser uma alternativa de alto consumo em volume do resíduo. “Rotas tecnológicas que imobilizassem os sais de alumínio em estruturas não solúveis poderiam, aliadas a tecnologias de formulação, habilitar condições de uso agrícola deste resíduo”, afirma o engenheiro de materiais, coordenador da Rede de Nanotecnologia para o Agronegócio (Rede AgroNano).

IBGE prevê safra recorde de 305,4 milhões de toneladas de grãos

Segundo o especialista em sistemas nanoestruturados de liberação lenta e controlada de insumos agrícolas, a proposta é desenvolver uma rota de produção de concentrados zeolóticos a partir de reações com hidróxido de potássio (KOH), que possam ser formulados como grânulos de fertilizantes extrudados utilizando amido plastificado com ureia para compor um fertilizante NK de liberação lenta.

“Não há no mercado, ainda, um produto com esse conceito integrado -fertilização e proteção biológica. A utilização agrícola dos lodos de ETA poderia ser solução adequada, pela alta demanda de insumos e tolerância dos sistemas a condições variadas de composição de solo de vários cultivos”, diz Ribeiro.

Benefícios econômicos e ambientais

Para o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Alberto Carlos Campos Bernardi, o estudo será uma alternativa de utilização do resíduo das ETAs, que deixariam de ser um passivo ambiental para ter valor agregado e funcionar como uma fonte mais eficiente de nutrientes.

Segundo ele, o cenário atual de baixa disponibilidade de matérias-primas e alta de preços pode comprometer seriamente, e até inviabilizar, alguns setores da agropecuária nacional a médio prazo.

“Por isso, o desenvolvimento e a validação de fontes de nutrientes e fertilizantes utilizando matérias-primas disponíveis no país e de novas tecnologias, que apresentem alta eficiência nos sistemas de produção tropicais, pode representar uma grande contribuição ao agronegócio, reduzindo o problema ambiental do resíduo e agregando valor a ele como fonte de nutrientes”, avalia o agrônomo.

De acordo com a Sabesp, o custo da destinação do lodo de ETA em aterro é estimado atualmente em R$ 300,00 a tonelada, um valor passivo, ou seja, não há retorno do valor investido. Mas no projeto proposto, o fertilizante poderá ser comercializado e poderá ter custo similar aos dos fertilizantes organominerais, em torno de R$ 250,00 a tonelada.

A ETA de Cubatão, por exemplo, produz diariamente 75 toneladas de lodo, contendo 25% de sólidos, o que significa um custo diário de R$ 5.6 mil para esta estação, enquanto a estação de Taiassupeba produz 225 toneladas por dia.

“Espera-se que a resolução deste problema possa vir de diferentes campos do conhecimento e, muitas vezes, de instituições não tão afins do setor. Assim, vemos com bons olhos este projeto de pesquisa pelos desafios apresentados pelo pesquisador da Embrapa Instrumentação, e com o desejo de trazermos contribuições relevantes em nosso setor”, adianta o engenheiro Miki.

Para o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Wagner Bettiol, a inovadora estratégia empregada no complexo problema busca viabilizar o aproveitamento dos resíduos da ETA, considerando as propriedades de composição desses materiais.

“Na Embrapa Meio Ambiente vamos avaliar os possíveis efeitos do lodo gerado para controlar a murcha da bananeira, a mais importante doença da cultura. Para isso, inicialmente, o resíduo será avaliado sobre possível fitotoxicidade às plantas”, adianta o pesquisador. Testes também serão realizados com alface e rúcula, hortaliças folhosas naturalmente potencialmente fitotóxicas.

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Revista

Pesquisadores reúnem tecnologias para enfrentar a seca na soja

Por redação 13/06/2023
Escrito por redação

Programa de ações coordenadas de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico da Embrapa pretende mitigar os efeitos da seca na soja

Pesquisadores reúnem tecnologias para enfrentar a seca na sojaDesenvolvido pela Embrapa, o programa de Tecnologias para o Enfrentamento da Seca na Soja (Tess) deve ser expandido por meio de parcerias a fim de responder ao problema da seca na soja, que vem se agravando nos últimos anos.

A seca ocorrida nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, na safra 2021/2022, reduziu a produção de soja em 403 milhões de sacas, segundo estimativas da Embrapa Soja (PR), o que representou prejuízo da ordem de US$ 14,9 bilhões, considerando o preço médio, em maio de 2022, de US$ 36,79 por saca de 60 Kg.

“Com esses esforços coordenados, queremos gerar soluções agronômicas de impacto expressivo para a mitigação da seca na sojicultura brasileira e reduzir esses prejuízos”, declara o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.

Segundo estimativas da Embrapa, na safra 2022/2023, entre os 43 milhões de hectares de soja produzidos no Brasil, a grande maioria das áreas é conduzida em regime de sequeiro. Somente 2 milhões de hectares são produzidos com irrigação, ou seja, menos de 10%.

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Produção de grãos pode atingir novo recorde, com 315,8 milhões de toneladas

Nas áreas de produção, é frequente a ocorrência de períodos com pouca chuva, associada a altas temperaturas e intensa insolação. “É consenso que a seca é o fator que causa os maiores prejuízos à soja brasileira, entre todos os fatores inerentes ao ambiente de produção”, diz Nepomuceno. “É um problema complexo, de ampla abrangência territorial e que tem longo histórico de severos danos causados à sojicultura nacional”, destaca.

Tecnologia visa reduzir danos da seca na soja

O líder do programa Tess, o pesquisador José Salvador Foloni, explica que a iniciativa pretende consolidar redes de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e de transferência de tecnologias (TT) para ampliar o aporte de inovações e intensificar a adoção de estratégias agronômicas para reduzir os danos da seca na soja.

O pesquisador cita como exemplos aprimorar os modelos de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e de distinção de ambientes para a indicação de cultivares e de tecnologias agronômicas mitigadoras do problema.

Foloni destaca, ainda, a ampliação do uso do sensoriamento remoto para monitorar lavouras comerciais. Assim como a intensificação das práticas de manejo conservacionista do solo no âmbito do sistema plantio direto (SPD) e o incremento do uso de corretivos e fertilizantes para a construção do perfil do solo em camadas mais profundas para o sistema radicular das culturas.

Capacidade de armazenagem agrícola atinge 192,2 milhões/ton

Os cientistas do Tess ainda pretendem elevar os investimentos em edição gênica, fenotipagem e melhoramento genético para acelerar processos de obtenção de cultivares mais tolerantes à seca, assim como promover avanços nas práticas fitotécnicas e de posicionamento agronômico de bioinsumos para tornar as lavouras mais resilientes ao déficit hídrico.

“O programa pretende atuar de forma multidisciplinar, associando diferentes áreas do conhecimento para que haja avanços agronômicos significativos, de forma articulada para atender agricultores nas diferentes regiões sojícolas do Brasil”, informa Foloni.

O pesquisador conta que o Tess contempla ampla programação de transferência de tecnologia e estabelecimento de uma rede de parcerias da Embrapa em todo Brasil, para que o conhecimento já gerado e disponível seja compartilhado, de forma ágil e assertiva, para aqueles que precisam da informação qualificada para produzir soja.

“Nosso objetivo é também promover a capacitação de profissionais de assistência técnica e agricultores, por meio de dias de campo e cursos presenciais e no formato de educação a distância (EAD), visando intensificar a adoção de tecnologias mitigadoras da seca”, explica o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja, Adeney de Freitas Bueno.

Além disso, objetiva-se utilizar diferentes canais de comunicação, redes sociais e plataformas digitais de comunicação para divulgação massiva das informações sobre as estratégias de mitigação da seca.

Seca na soja: estratégias de manejo do solo 

Entre as principais estratégias recomendadas para contornar o problema da seca na soja está a diversificação de culturas e a adoção de práticas de manejo do solo. Essas práticas podem melhorar a construção de perfil do solo, aumentando o armazenamento de água disponível para as culturas, assim como o enraizamento em profundidade e o menor escorrimento superficial das enxurradas (erosão).

“A oferta hídrica para a soja no SPD tem forte relação com a ausência de revolvimento do solo por operações mecanizadas, manutenção permanente de palhada em superfície nos talhões e rotação de culturas comerciais e de cobertura que tenham alto aporte de biomassa (parte aérea e raízes). Além de todas as tecnologias que compõem o SPD, outros procedimentos para a conservação do solo e da água são fundamentais para a sustentabilidade agronômica das áreas de produção que envolvem a soja como, por exemplo, a construção de terraços e a semeadura em nível”, defende o pesquisador da Embrapa Henrique Debiasi.

Edição gênica para tolerância à seca na soja

Agricultura Irrigada - Pesquisadores reúnem tecnologias para enfrentar a seca na soja

Para acelerar os processos de obtenção de cultivares mais tolerantes à seca, a Embrapa Soja vem conduzindo pesquisas em biotecnologia com ênfase nas técnicas de edição gênica.

Em março de 2023, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) considerou como convencional (não transgênica) a soja desenvolvida pela Embrapa para a tolerância à seca, a partir da técnica de edição gênica CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas).

Essa técnica possibilita a identificação de genes de interesse no DNA da própria soja e a edição desses genes para que possam expressar determinadas características agronômicas importantes para a cultura como a tolerância à seca. A metodologia CRISPR é considerada revolucionária por permitir a manipulação de genes com maior precisão, rapidez e menor custo.

El Niño: risco de seca no Norte e Nordeste e grandes volumes de chuva no Sul

Os pesquisadores da Embrapa utilizaram o conhecimento sobre a genética da soja envolvida nas respostas da leguminosa para desenvolver a planta editada com tolerância à seca.

“Com essa decisão da CTNBio, teremos condições, como empresa pública, de testar essa tecnologia no campo, e, caso obtenhamos sucesso, reduzir as perdas por falta de água na lavoura”, explica a pesquisadora Liliane Henning. “Ao se confirmar que a planta editada apresenta as características de tolerância à seca, a soja seguirá as mesmas etapas de desenvolvimento de uma cultivar convencional”, destaca Nepomuceno.

Cultivares mais tolerantes à seca

Também faz parte do escopo do programa a utilização de técnicas avançadas de fenotipagem para incrementar o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes a extremos de temperatura, de intensidade luminosa e de disponibilidade de água no solo.

O foco está, principalmente, no desenvolvimento de metodologias que incrementem os processos de seleção de futuras cultivares de soja, com elevada precisão e agilidade.

Nesse sentido, o programa Tess intensificará o desenvolvimento de processos baseados em sensores multiespectrais e termais, instrumentos de amostragem e protocolos para seleção de cultivares de soja com maior capacidade de resiliência à seca.

Pesquisas têm reportado que bancos de dados coletados em nível orbital (satélites) e aéreo (sensores acoplados a aeronaves não tripuladas), associados ao uso de software de inteligência artificial, têm potencial para constituir ferramentas tecnológicas de fenotipagem em larga escala para atender aos programas de melhoramento genético de soja.

Zoneamento Agrícola de Risco Climático

Outro conjunto de tecnologias que tem se mostrado fundamental para o enfrentamento da seca na soja é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), cujo objetivo é reduzir os riscos relacionados à seca e permitir ao produtor identificar a melhor época para semear.

De acordo com o pesquisador José Renato Farias, o Zarc Soja define as áreas com maior ou menor probabilidade de ocorrência de déficit hídrico durante a fase mais crítica da cultura da soja (floração e enchimento de grãos), em função das diferentes épocas de semeadura, da disponibilidade hídrica de cada região, do consumo de água nos diferentes estádios de desenvolvimento da cultura, da capacidade de água disponível no solo e do ciclo da cultivar utilizada.

“Ao definir áreas menos sujeitas a riscos de insucesso devido à ocorrência de adversidades climáticas, o Zarc Soja constitui-se em ferramenta de fundamental importância a várias atividades do setor agrícola, porque delimita as áreas e as épocas de semeadura com menor probabilidade de perdas na produtividade de grãos, principalmente por falta de água”, diz.

Pesquisadores reúnem tecnologias para enfrentar a seca na sojaDesenvolvimento de cultivares

Faz parte do programa Tess o aprimoramento das recomendações técnicas para posicionar as cultivares de soja, no sentido de se obter sua máxima produtividade em ambientes de déficit hídrico.

Os pesquisadores reforçam que é fundamental que os produtores adotem as práticas recomendadas quanto à época de semeadura, população de plantas e espaçamento entre linhas. A adoção dessas práticas tem por objetivo colaborar na expressão máxima do potencial genético dessas cultivares, quanto à maior resiliência perante os veranicos.

“A soja brasileira precisa de avanços expressivos de metodologias e instrumentos para tornar mais assertivas as estimativas de perdas de rendimento de grãos decorrentes de estresses abióticos como a seca”, enfatiza Foloni.

“Essas informações precisam estar disponíveis em tempo real, ou em curto prazo, para auxiliar a tomada de decisão dos profissionais que atuam nas lavouras, e para dar suporte ao planejamento estratégico de médio e longo prazo de empresas que constituem a cadeia produtiva da soja”, destaca. Para o pesquisador, a associação desse conjunto de tecnologias conseguirá auxiliar no processo de redução dos danos da seca que prejudicam a soja brasileira.

 

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Notícias

Plano Safra 2023/24: cooperativas pedem R$ 410 bilhões para investimentos

Por redação 13/06/2023
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Sistema OCB se reuniu com o ministro da Agricultura e apresentou demandas do setor para o Plano Safra 23/24

Plano Safra 2023/24: cooperativas pedem R$ 410 bilhões para investimentosRepresentantes de cooperativas agropecuárias se reuniram com o ministro da Agricultura Carlos Fávaro nesta segunda-feira (12) para falar sobre as demandas do setor para o Plano Safra 23/24. Os cooperados apresentaram proposta com valores para investimentos, custeio e comercialização, além de seguro rural.

A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) apontou a necessidade de um montante mínimo de R$ 410 bilhões, sendo R$ 125 bilhões para investimentos e outros R$ 285 bilhões para custeio. Outros destaques foram o fortalecimento da atual política de crédito e seguro rural. Além da elevação dos tetos para contratações frente ao encurtamento das margens de custos de produção e recuo dos preços agrícolas do país, com foco em linhas de investimento.

Produção de grãos pode atingir novo recorde, com 315,8 milhões de toneladas

Sobre as taxas de juros, a articulação é no sentido de deixá-las abaixo de dois dígitos em todas as linhas de planejamento agropecuário. Outro pleito é a manutenção e elevação das exigibilidades de depósitos à vista de 25% para 34%; da poupança rural de 59% para 65%, e da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) de 35% para 60%, com isenção tributária.

A ampliação orçamentária do Seguro Rural e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) também foram defendidas como forma de mitigar riscos à produção e ao mesmo tempo ampliar a abrangência e a efetividade das ações.

Outro ponto abordado foi a questão da armazenagem. Os cooperativistas cobraram uma linha específica e permanente para a construção de armazéns.

Crédito rural no Plano Safra 23/24

Em relação ao acesso ao crédito, o coordenador nacional do Ramo Agro do Sistema OCB, Luiz Roberto Baggio, ressaltou que as cooperativas financeiras podem fortalecer as políticas para o setor, por sua capilaridade e efetividade.

O presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, afirmou que as cooperativas estão buscando cada vez mais levar seus produtos para outros países e que é necessário mais crédito para financiar estes processos.

“Sabemos que a capacidade do governo é limitada, embora haja vontade. Precisamos construir soluções viáveis com transparência e queremos colaborar com isso junto ao Ministério da Agricultura e ao governo como um todo”, considerou.

A manutenção da atual arquitetura de crédito rural e o aumento do volume de recursos para financiamento também foram pontos apontados pelo presidente da OCB. Ele solicitou a ampliação das condições e dos percentuais de exigibilidade de aplicação no crédito rural por parte das instituições financeiras e do orçamento federal direcionado à equalização das taxas de juros abaixo dos dois dígitos.

Capacidade de armazenagem agrícola atinge 192,2 milhões/ton

O ministro Carlos Fávaro disse que o Plano Safra 23/24 será divulgado na última semana de junho, uma vez que as articulações por um volume maior estão sendo feitas entre os ministérios. Fávaro contou que o plano já tem apoio das pastas de Planejamento e Orçamento, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário.

Fávaro voltou a mencionar que o Plano Safra 23/24 está baseado na Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e que as cooperativas “podem ficar tranquilas pois já praticam uma agricultura sustentável”.  “A sustentabilidade é uma prática de mais de 80% dos produtores e precisamos desmistificar isso para o mundo para termos mais escala”, enfatizou.

 

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Notícias

Capacidade de armazenagem agrícola atinge 192,2 milhões de toneladas

Por redação 13/06/2023
Escrito por redação

Silos são a forma predominante de capacidade de armazenamento no país, representando 99,2 milhões de toneladas

Silos são a forma predominante de capacidade de armazenamento no país, representando 99,2 milhões de toneladaspor Clarisse Sousa – A capacidade de armazenagem no Brasil atingiu 192,2 milhões de toneladas no segundo semestre de 2022, um aumento de 1,8% em relação ao semestre anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). De acordo com a Pesquisa de Estoques do Instituto, o número de estabelecimentos subiu 0,7% em relação ao primeiro semestre de 2022.

Entre os estados brasileiros, o Rio Grande do Sul se destaca pelo maior número de estabelecimentos de armazenagem, contabilizando 2.178 unidades. Já o Mato Grosso lidera em capacidade de armazenagem, com 47,5 milhões de toneladas.

No que diz respeito ao estoque de produtos agrícolas, o país alcançou a marca de 39,4 milhões de toneladas no segundo semestre de 2022, representando um aumento de 7,4% em comparação com as 36,7 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2021.

IBGE prevê safra recorde de 305,4 milhões de toneladas de grãos

No segundo semestre de 2022, as Regiões Norte, Centro-Oeste e Sul registraram aumentos nos estabelecimentos de armazenagem de 9,2%, 1,5% e 0,1%, respectivamente. Por outro lado, as regiões Sudeste e Nordeste apresentaram quedas de 0,8% e 0,4%. Em relação aos principais produtos agrícolas armazenados, o milho liderou com 18,1 milhões de toneladas, seguido por soja (8,1 milhões), trigo (7,4 milhões), arroz (2,2 milhões) e café (0,9 milhão). Esses produtos representaram 94,0% do total armazenado, conforme a pesquisa.

Capacidade dos silos

Os silos são a forma predominante de capacidade de armazenamento no país, representando 99,2 milhões de toneladas no segundo semestre de 2022, o que corresponde a 51,6% da capacidade total. Houve um aumento de 3,2% na capacidade dos silos em relação ao primeiro semestre de 2022.

Os armazéns graneleiros e granelizados, que correspondem a 36,6% da capacidade de armazenagem nacional, apresentaram uma capacidade útil armazenável de 70,3 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 0,4% em relação ao período anterior.

Produção de grãos pode atingir novo recorde, com 315,8 milhões de toneladas

Por outro lado, os armazéns convencionais, estruturais e infláveis, que contribuem com 11,8% da capacidade total de armazenagem, totalizaram 22,6 milhões de toneladas. Um aumento de 0,1% em relação ao primeiro semestre de 2022.

Estoques

O estoque de produtos agrícolas totalizou 39,4 milhões de toneladas, um aumento de 7,4% frente às 36,7 milhões de toneladas do segundo semestre de 2021.

No segundo semestre de 2022, houve acréscimo nos estoques de milho (7,3%), soja (5,8%) e trigo (15,6%) e quedas no arroz (-6,8%) e no café (-21,5%).

Esses produtos constituem 94,0% do total estocado entre os produtos monitorados por esta pesquisa, sendo os 6,0% restantes compostos por algodão, feijão preto, feijão de cor e outros grãos e sementes.

 

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