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Notícias

Embrapa será chefiada pela primeira vez por uma mulher

Por redação 10/04/2023
Escrito por redação

Silvia Massruhá vai ser a primeira mulher pesquisadora a ocupar o cargo de presidente da Embrapa

Embrapa será chefiada pela primeira vez por uma mulher

Ministro Carlos Fávaro com a pesquisadora Silvia Massruhá, da Embrapa // Foto: reprodução Instagram

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse em uma conta pessoal do Instagram que vai indicar o nome da pesquisadora Silvia Massruhá para a presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ela será a primeira mulher a ocupar a função, diz nota da “Agência Brasil”.

Segundo Fávaro, Silvia “preenche todos os requisitos” para assumir o cargo. Natural de Passos (MG), ela está na Embrapa desde 1989. É graduada em Análise de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, tem mestrado na área de automação pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e é doutora em Computação Aplicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Silvia está à frente da Embrapa Agricultura Digital desde setembro de 2021. Lá, lidera projetos na área de engenharia de software, inteligência artificial e computação científica aplicada à agricultura. Segundo dados publicados no site da Embrapa, o setor que ela dirige é responsável por aproximadamente 100 publicações técnico-científicas e 25 softwares nos temas de lógica abdutiva, lógica nebulosa, técnicas de aprendizado de máquina, mineração de dados e textos voltados para o manejo animal e diagnóstico de doenças em plantas.

Parceria com Angola

Carlos Fávaro também anunciou nas redes sociais que se reuniu com o ministro das Relações Exteriores de Angola, Tete Antonio, para estabelecer diálogos e parcerias comerciais. O ministro da Agricultura disse que a Embrapa pode contribuir com tecnologias de produção agrícola e desenvolvimento de políticas públicas no país africano. Ele citou como exemplo o seguro rural. Dados trazidos pelo próprio Fávaro indicam que a atividade agropecuária em Angola é predominantemente familiar. Conta com 2.370.757 produtores rurais, dos quais 5.877 são explorações empresariais e 2.364.880 familiares.

10/04/2023 0 Comentários
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Notícias

Liberação do crédito rural alcança R$ 267 bilhões

Por redação 10/04/2023
Escrito por redação

De janeiro a março deste ano, foram liberados R$ 55,4 bilhões de crédito rural, que representa 10% a mais do aplicado no mesmo período do ano passado

Liberação do crédito rural alcança R$ 267 bilhões em 9 mesesO desembolso do crédito rural totalizou R$ 267,5 bilhões no Plano Safra 2022/23, no período de julho/2022 até março/2023. Os financiamentos de custeio tiveram aplicação de R$ 160 bilhões. Já as contratações das linhas de investimentos totalizaram mais de R$ 72,7 bilhões. As operações de comercialização atingiram R$ 21,7 bilhões e as de industrialização, R$ 13 bilhões.

De acordo com a análise da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foram realizados 1.473.837 contratos no período de nove meses, sendo 1.069.286 no Pronaf e 167.745 no Pronamp.

“É grave” situação orçamentária do Plano Safra 2023/24, diz economista

Os valores contratados pelos pequenos e pelos médios produtores foram, respectivamente, de R$ 43 bilhões no Pronaf e de R$ 40 bilhões no Pronamp, em todas as finalidades (custeio, investimento, comercialização e industrialização).

Os demais produtores formalizaram 236.806 contratos, correspondendo a R$ 185 bilhões de financiamentos contraídos nas instituições financeiras.

Liberação do crédito rural alcança R$ 267 bilhões em 9 meses

Entre os programas prioritários de financiamento agropecuário, o Programa para a Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária, conhecido como Programa ABC+, se destaca, com a aplicação de R$ 3,5 bilhões, seguido dos programas de construção de armazém, de inovação e de apoio aos médios produtores rurais, cujas contratações foram de R$ 2 bilhões.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural, a participação dos recursos obrigatórios, no total das contratações, foi de R$ 63 bilhões, e a de recursos da poupança rural controlada atingiu R$ 53 bilhões. As duas fontes somam 43% do total do crédito rural.

Lideranças comentam expectativas para a Agrishow 2023

A demanda por recursos não controlados somou R$ 107,9 bilhões, com destaque para os recursos da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) com R$ 64,1 bilhões, o equivalente a 24% de todos os financiamentos.

A região Sul continua com o destaque nos financiamentos do Plano Safra com R$ 89 bilhões. O estado do Rio Grande do Sul lidera o ranking das contratações na região, com 44% das contratações da região, seguido pelo Paraná, com 41%.

O Centro-Oeste está em segundo lugar no desempenho do crédito, com R$ 71 bilhões. Nas contratações desta região, Mato Grosso detém a maior parte das contratações (39%). Goiás soma 37% das aplicações da região.

Liberação de Recursos para o Crédito Rural em 2023

No atual governo, de janeiro a março, foram liberados R$ 55,4 bilhões de crédito rural, que representa 10% a mais do aplicado no mesmo período do ano passado, em todas as finalidades do crédito rural (custeio, investimento, comercialização e industrialização).

Nos três primeiros meses do ano, o custeio totalizou quase R$ 31,5 bilhões, os financiamentos em investimentos alcançou R$ 13,3 bilhões, a comercialização somou R$ 7,9 bilhões e a industrialização, R$ 2,8 bilhões.

Os valores apresentados são provisórios e foram extraídos no dia 5 deste mês, do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB), que registra as operações de crédito informadas pelas instituições financeiras autorizadas a operar em crédito rural.

Dependendo da data de consulta no Sicor ou no Painel Temático de Crédito Rural do Observatório da Agropecuária Brasileira, podem ser observadas variações dos dados disponibilizados ao longo dos trinta dias seguintes ao último mês do período considerado.

10/04/2023 0 Comentários
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Opinião

Embrapa 50 Anos: Inovação agropecuária a serviço do brasileiro

Por redação 06/04/2023
Escrito por redação
por Celso Moretti*

Embrapa 50 Anos: Inovação agropecuária a serviço do brasileiro

A criação da Embrapa em 26 de abril de 1973 foi um marco histórico na agricultura brasileira. A partir de seu modelo original de atuação em diferentes produtos, temas e biomas, a empresa se articulou com instituições do Brasil e do exterior e investiu na capacitação de cientistas. Logo em seguida, uma rede de pesquisadores passou a entregar soluções concretas para os principais desafios enfrentados pelos produtores rurais. Desde então, a agricultura brasileira passou a ser movida a ciência, em uma das mais incríveis sagas transformadoras vividas no país.

Na década de 1970, o país trazia do exterior leite, feijão e carne — apenas alguns poucos exemplos. Havia a preocupação de que não teríamos alimentos suficientes para suprir nossa população. A área de produção era pequena, a tecnologia era importada e pouco adequada para as condições brasileiras. Sistemas de produção, cultivares, equipamentos adaptados às nossas condições eram raros, caros e de capacidade duvidosa.

A Embrapa e seus parceiros desenvolveram sistemas produtivos, softwares, equipamentos, cultivares, processos agropecuários e agroindustriais e raças melhoradas. Nesses 50 anos, o Brasil se transformou de grande importador em um dos maiores produtores mundiais de alimentos, fibras e bioenergia. É possível destacar três grandes conjuntos de conhecimentos adotados para a mudança e que sintetizam a capacidade brasileira de inovação agropecuária: a transformação de grandes extensões de solos ácidos e de baixa fertilidade em solos férteis, particularmente nos Cerrados; a tropicalização e a adaptação de plantas e de animais originários de todas as partes do mundo aos biomas brasileiros, e o desenvolvimento de uma plataforma de práticas conservacionistas e sustentáveis inéditas, como os sistemas integrados.

Graças a esse trabalho, a produção agrícola no Brasil aumentou 400% entre 1975 e 2020. A safra de grãos se multiplicou por nove. Eram 30 milhões de toneladas em 1973 e devemos ultrapassar 300 milhões de toneladas nesta safra. Hoje, o país é um dos maiores produtores mundiais de alimentos, fibras e bioenergia, com maior disponibilidade de alimentos — em quantidade, qualidade e regularidade de oferta — com custos menores. É possível imaginar que o Brasil possa se tornar o maior produtor de alimentos em alguns anos.

A Embrapa teve ao seu lado um agricultor ágil e empreendedor, que apostou na ciência como forma de transformar a realidade do campo brasileiro. Contou ainda com a parceria de instituições públicas e privadas, assistência técnica e extensão rural, cooperativas e empresas, resultando em milhares de soluções de todo tipo, incorporadas aos diferentes sistemas de produção e tipos de propriedade em todo o Brasil e contribuindo, inclusive, com outras nações.

A Embrapa, ao longo de sua história, manteve uma equipe altamente qualificada de pesquisadores, especializados nas mais avançadas áreas do conhecimento. Eles até hoje lidam com áreas de impacto no presente e no futuro da agricultura e da alimentação humana: zoneamento agrícola de risco climático; bioprodutos e bioeconomia; diversificação produtiva; intensificação sustentável; proteínas vegetais; e na convergência entre bio, nano e geotecnologias, por exemplo. E trabalham em temas na fronteira do conhecimento, como edição genômica, microbiomas, agricultura digital e big data.

A Embrapa celebra meio século de uma jornada repleta de conquistas, pautada na inovação aberta, na construção de parcerias públicas e privadas, comprometida com a inclusão produtiva e o desenvolvimento de soluções adaptáveis para a agricultura familiar e com estreita colaboração com os usuários de suas soluções.

Apenas nos últimos dez anos, a Embrapa lançou no mercado mais de 1.100 soluções, tendo registrado mais de 400 cultivares no Sistema Nacional de Proteção de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e mais de 300 patentes de invenção em áreas tão diversas quanto biotecnologia, automação, bioinsumos, solos, alimentos, nanotecnologia, sanidade vegetal e sanidade animal.

Apesar das conquistas, os desafios são grandes. Com as mudanças climáticas, as exigências relacionadas à sustentabilidade e a crescente demanda por alimentos, fibras e energia, é fundamental que a pesquisa pública continue a trabalhar em soluções para garantir a nossa segurança alimentar. É preciso dar suporte aos milhões de produtores rurais, particularmente os agricultores familiares, que precisam de conhecimento e tecnologia para alcançar o mercado, garantindo renda e bem-estar. Para isso, a Embrapa investe na maior agenda de pesquisa e inovação agropecuária no mundo tropical, com milhares de ações em todos os temas relevantes para a agropecuária. A empresa é capaz de projetar e antecipar o futuro, estando atenta às necessidades da sociedade brasileira e do mundo.

Embrapa 50 Anos: Inovação agropecuária a serviço do brasileiroA Embrapa segue sendo uma empresa moderna e dinâmica com empregados comprometidos com a produção de alimentos, a geração de empregos, renda e a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Fiel à sua missão de gerar e entregar soluções capazes de promover uma agricultura cada vez mais eficiente e diversificada, mantém-se preparada para os desafios do futuro, empenhada em apoiar a sociedade brasileira com soluções inovadoras e sustentáveis.

Celso Moretti é presidente da Embrapa
06/04/2023 0 Comentários
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Manutenção

Como manter o bom funcionamento do sistema de transmissão

Por redação 06/04/2023
Escrito por redação

Como manter o bom funcionamento do sistema de transmissãoOs cuidados necessários para que o sistema de transmissão desempenhe adequadamente as funções para as quais foram projetados

Por Joel Sebastião Alves – Eixos, engrenagens, dispositivos de acoplamentos, grupos redutores, transferência de força em ângulos variados, rotações diferenciadas, mancais, buchas, rolamentos, retentores… Esses são alguns dos componentes presentes em um sistema de transmissão e em constante movimento nas máquinas agrícolas. Esses sistemas necessitam de manutenção? E o que se deve observar na operação? Quais os cuidados necessários para que desempenhem adequadamente as funções para as quais foram projetados?

Primeiro, devemos considerar que manutenção e operação de um sistema de transmissão caminham lado a lado. A manutenção plena somente é possível com operação adequada, e vice-versa, dado que a operação correta depende da manutenção apropriada. Assim, ao abordarmos um aspecto é necessário tratar também do outro. A transmissão especificamente, que é onde o operador exerce sua prática cotidiana, requer cuidados e orientações, sobretudo em relação à embreagem, caixa de marchas e seleção dos grupos redutores.

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Conjuntos mecânicos do sistema de transmissão

Foquemos esses conjuntos mecânicos: embreagem, caixa dos grupos, caixa de marchas, diferencial e redutores finais. A força disponibilizada pelo motor é entregue ao acoplamento da embreagem e nesse conjunto se encontra a última peça do motor, que é o volante, e a primeira peça da embreagem, que é o disco de fricção.

Este acoplamento fica posicionado entre o motor e a caixa, dentro de uma carcaça metálica, vulgarmente conhecida como capa-seca, pois a maioria das máquinas utiliza o sistema sem óleo. Vale lembrar que há mecanismo banhado a óleo, atualmente raro, e acoplamento oleoso naqueles dotados de conversor de torque com sistema de marchas automático. 

O sistema de transmissão convencional utiliza uma placa de pressão que comprime fortemente o disco de fricção contra o volante do motor. Ao ser acionada ela libera a compressão do disco e interrompe a transferência da força, possibilitando assim a troca de marchas ou de grupo, além de possibilitar o início do deslocamento da máquina. A embreagem é comandada pelo pé esquerdo do operador, e requer cuidados (abordados adiante).

Para que esse comando chegue à placa de pressão é necessário o dispositivo de acionamento, que pode ser mecânico ou hidráulico, e junto à placa ainda há o rolamento com a luva deslizante. Na sequência da transmissão temos acoplamento de engrenagens que compõem as caixas de grupos e de marchas – são conjuntos mecânicos compostos por eixos, engrenagens, luvas deslizantes e dispositivos de acoplamentos, mancais, rolamentos e vedadores, todos dentro de carcaças metálicas reforçadas, daí o termo “caixa”.  

A seguir, a força é transmitida ao centro do eixo de tração, onde se encontra o diferencial alojado em outra carcaça metálica. É um mecanismo complexo que possibilita rotações diferenciadas para os semieixos de tração no momento em que a máquina realiza uma curva e quando as rotações das rodas devem ser diferentes e manter a tração. Esse conjunto é composto por engrenagens identificadas como planetárias e satélites.

A transferência de força em ângulo de noventa graus é realizada pelas engrenagens pinhão e coroa, que também se encontram junto ao diferencial. Após o diferencial há os redutores finais, que podem ficar junto ao diferencial, ou sobre o meio do semieixo ou ainda próximo à extremidade. Nos tratores de tração dianteira, esses redutores localizam-se junto ao cubo da roda.


Treinamento é indispensável

Seguir o manual de operação e treinamento é o básico. Um exemplo: em um trator de quatro grupos (A, B, C, D) e quatro marchas (1, 2, 3, 4) se operador selecionar C1, havendo necessidade de redução em decorrência de um esforço maior, será necessário mudar de grupo, uma operação que requer cuidado e eventualmente parar a máquina. No entanto se selecionar B4 ou B3 a velocidade do trator será a mesma com pequena correção de RPM, de modo que o motor trabalhará mais aliviado e o operador poderá reduzir com mais rapidez para B2, sem prejuízos para os conjuntos mecânicos. 
É bom em ter mente: operar a máquina dentro de procedimentos adequados é fundamental para manutenção da transmissão, pois são conjuntos mecânicos em constante esforço torcional durante a execução dos serviços. Não raras vezes vemos operações completamente inadequadas. Muito treinamento ainda se faz necessário!

Recomendações

De que tipo de manutenção tais conjuntos mecânicos necessitam? Basicamente de lubrificação e cuidados operacionais. Lembre-se: sem uma operação cuidadosa não há manutenção que satisfaça, bem como sem manutenção adequada não é possível haver operação com resultados.

Como manter o bom funcionamento dos sistemas de transmissãoBoas práticas recomendadas para o sistema de transmissão:
  • Escolha corretamente o implemento para o serviço a ser executado. O trator é uma máquina robusta e multifuncional, porém possui limites técnico-operacionais, os quais, quando não observados, nem com manutenção adequada se pode resolver.
  •  Saiba definir a marcha e o grupo para melhor desempenho da máquina. Na execução do serviço é fundamental que o operador trabalhe dentro do recomendado pelo fabricante, para obter desempenho e produtividade. Muitas vezes, na tentativa de aumentar a produtividade, os conjuntos mecânicos são prejudicados. 

  •  Saiba executar a mudança de marcha no momento correto, para evitar que o motor sofra sobrecarga desnecessária. Os tratores atuais oferecem várias opções entre grupos e marchas, disponibilizando muitas escolhas para o operador, que deverá possuir bom domínio para executar o serviço com desempenho máximo sem prejudicar os conjuntos mecânicos.

  •  Use corretamente a embreagem. Saber aplicar o comando e o tempo de acionamento do pedal de embreagem exige boa capacidade técnica e agilidade com o pé esquerdo. Esse procedimento pode variar conforme o tipo de máquina, por isso, o operador deve estar atento. Caso contrário, poderá provocar impactos significativos nos eixos e mancais da transmissão. Perceber o momento exato em que o pedal começa a liberar a placa de pressão para iniciar o arrasto do disco de fricção é um domínio técnico fundamental para manter a transmissão da força dentro de uma sequência, sem solavancos prejudiciais ao mecanismo. Realizar sempre o procedimento correto, além de aumentar a vida útil da transmissão, contribui com os cuidados do implemento acoplado ao trator. É importante destacar que esses cuidados são necessários tanto ao iniciar o deslocamento da máquina quanto na troca de marchas.

  •  Faça revisões periódicas (manutenção preventiva), respeitando as recomendações do fabricante da máquina. Em transmissões mecânicas as manutenções básicas referem-se a troca de lubrificantes e filtros, o que varia são os períodos, pois em alguns pode ser 300 horas para filtros, e 600 horas para óleos lubrificantes – atualmente, há máquinas com períodos maiores. O importante é seguir as especificações dos produtos recomendados. Quanto aos redutores finais, quando posicionados junto ao cubo da roda, possuem períodos menores para troca do óleo. Inclui-se aqui a inspeção diária feita pelo operador: verificação do nível do óleo da transmissão, vazamentos, folga do pedal da embreagem etc. O operador é quem permanece mais tempo com a máquina, portanto, a inspeção diária bem acurada é meio caminho para boas práticas de manutenção. 

É possível conciliar a prática do dia a dia rural com esses procedimentos? Parece difícil, mas é possível, sim. Basta capacidade administrativa e planejamento. Claro que o planejamento rural é complexo, pois depende de variáveis como o clima. Agora, quando não observados tais procedimentos e cuidados, os custos sobem, pois a manutenção corretiva é mais onerosa e implica em considerar que a máquina poderá apresentar problema quando estiver em serviço e ficará parada enquanto o reparo não é executado. 

Com janelas de tempo cada vez mais reduzidas para preparo, semeio e colheita, percebe-se que as perdas e os custos disparam. A realidade do meio rural é bastante diversificada, ainda mais em um país de dimensões continentais como o Brasil, o que requer adaptação a cada circunstância. No entanto, é fundamental manter o foco na manutenção preventiva e na qualificação das equipes de manutenção e operação. Os resultados valem a pena.

Joel Sebastião Alves é instrutor de Operação e Manutenção de Máquinas e Implementos Agrícolas e Rodoviários *

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06/04/2023 0 Comentários
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Notícias

Agrishow espera superar R$ 11 bi em negócios da edição passada

Por redação 05/04/2023
Escrito por redação

 

Agrishow 2023 espera superar os R$ 11 bi em negócios da edição passadaAgrishow 2023 reunirá produtores rurais, profissionais do campo, indústrias, empresas, fornecedores de serviços e tecnologias, institutos de pesquisas, órgãos governamentais, academia e startups e reforçará que o país está preparado para atender as demandas por alimentos, fibras e energia sustentável

A Agrishow 2023 – 28ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, que acontece entre os dias 1 e 5 de maio, em Ribeirão Preto/SP, em novo horário, das 9h às 18h, ressaltará a pujança do agronegócio brasileiro para atender as demandas por alimentos, fibras e energia sustentável no mercado interno e externo.

Durante coletiva de imprensa, promovida nesta quarta-feira, dia 5 de abril, Francisco Matturro, presidente da Agrishow 2023, afirmou que a feira é dedicada a todos os tamanhos de propriedades e prioriza esse relacionamento entre os produtores e as empresas.

“O produtor, por ser usuário, traz informações importantes para que as indústrias possam aprimorar seus produtos e máquinas e desenvolver novas tecnologias, a fim de atender as suas demandas. Por isso, na Agrishow temos os principais lançamentos para as pequenas, médias e grandes propriedades, estimulando a realização de negócios”.

João Carlos Marchesan, 1º Vice Presidente da ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, avaliou que o crescimento da safra e o aumento da área plantada vão demandar um número maior de máquinas no campo.

“Os produtores estão em busca do que há de mais moderno em tecnologia agrícola para ampliar sua produtividade e aprimorar sua eficiência e eles estão decidindo os investimentos neste momento. Por isso, a realização da Agrishow acontece no período ideal, oferecendo justamente o que eles procuram”, disse.

O evento reunirá produtores rurais, profissionais do campo, indústrias, empresas, fornecedores de serviços e tecnologias, institutos de pesquisas, órgãos governamentais, academia e startups. São esperados mais de 190 mil visitantes que poderão passar pelos espaços das mais de 800 marcas nacionais e internacionais presentes, a fim de conhecerem os lançamentos em produtos, máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, agricultura de precisão, irrigação, armazenagem, pecuária, sementes, corretivos, fertilizantes, defensivos agrícolas, insumos diversos, sacarias, embalagens, tecnologia em software e hardware, agricultura familiar, financiamento, seguro, peças, autopeças, ferramentas, pneus, válvulas, bombas, motores, linha amarela, veículos comerciais e soluções completas para propriedades rurais.

Novidades da Agrishow 2023

As novidades a serem apresentadas na Agrishow 2023 contribuirão para o aumento de produtividade e eficiência nas lavouras e pastagens brasileiras, além de auxiliar na questão climática, diminuindo as emissões de gases poluentes e o impacto ambiental da atividade. Isso significa que a feira tem um papel efetivo para ampliar a competitividade do setor, por meio do estímulo ao desenvolvimento de novas tecnologias e da disseminação dessas inovações dentro e fora do território brasileiro.

Esse aspecto é fundamental, pois, de acordo com o relatório Perspectivas Agrícolas 2021-2030 da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 87% do crescimento da produção agrícola mundial até 2030 será proveniente do ganho de produtividade.

Considerado o principal evento do setor na América Latina, a Agrishow 2023 deve ser a maior de todas as edições, uma vez que a expectativa é que o volume de negócios seja maior do que a edição anterior – R$ 11,243 bilhões em vendas de máquinas agrícolas, de irrigação e de armazenagem.

O evento contará ainda com atrações como o “Agrishow Pra Elas”, que terá atividades de conteúdo e relacionamento dedicado às mulheres do agro, e o “Agrishow Labs”, com uma arena para as startups apresentarem diversas soluções tecnológicas e inovadoras, além da segunda edição do Prêmio Agrishow de Startups.

Ainda, a infraestrutura do Parque de Exposições foi aprimorada, incluindo novas áreas de estacionamento, separando visitantes, expositores e prestadores de serviços em bolsões distintos, e investimentos na estruturação de um projeto de mobilidade interna no sistema de circuito, para dar mais fluidez e agilidade, tanto na entrada, quanto na saída do evento, visando facilitar o escoamento do trânsito da rodovia Antônio Duarte Nogueira.

Também foram implementados novos sistemas de pagamento, inclusive através de tecnologias como SemParar e TAGGY, para tornar ainda mais ágil essa operação. Falando ainda de mobilidade, a feira destaca e incentiva a vinda de caravanas, já que há uma nova estrutura, com muito mais conforto e um ponto de parada e de acesso ao evento dedicado a elas neste ano.

Para conhecer de perto os expositores e as atrações da feira, acesse o site oficial e adquira o ingresso antecipado e com desconto. Uma novidade desta edição é a possiblidade de adquirir também de forma antecipada e com desconto o ticket de estacionamento por meio deste link.

A Agrishow 2023 é uma iniciativa das principais entidades do agronegócio no país: Abag – Associação Brasileira do Agronegócio, Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Anda – Associação Nacional para Difusão de Adubos, Faesp – Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo e SRB – Sociedade Rural Brasileira, e é organizado pela Informa Markets, integrante do Grupo Informa, um dos maiores promotores de feiras, conferências e treinamento do mundo com capital aberto.

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Tecnologia

Tecnologia de hidrogênio da JCB está preparada para estreia internacional

Por redação 05/04/2023
Escrito por redação

Tecnologia de hidrogênio da JCB está preparada para estreia internacional A JCB está pronta para mostrar sua tecnologia supereficiente de combustão de hidrogênio pela primeira vez fora do Reino Unido, com estreia na América do Norte.

Os componentes sairão do novo motor de combustão de hidrogênio da JCB – a solução de emissão zero de carbono da empresa para equipamentos de construção e agrícolas – na feira Conexpo 2023, em Las Vegas, nos Estados Unidos, como parte da Exposição Internacional de Energia Fluida (IFPE).

O Chairman da JCB, Lord Bamford, está liderando o projeto para desenvolver a tecnologia de hidrogênio da companhia. Ele disse:

“A equipe de engenharia da JCB fez enormes progressos em um curto espaço de tempo para desenvolver um motor de combustão interna a hidrogênio, e já opera em um protótipo de retroescavadeira JCB e um manipulador telescópico Loadall. Como a primeira empresa de equipamentos de construção a desenvolver um motor de combustão totalmente funcional movido a hidrogênio, estou muito feliz por agora podermos apresentar essa tecnologia no cenário internacional”.

Liderando o caminho em meio ambiente, social e governança (ESG) para o setor de equipamentos de construção, a JCB foi responsável por uma série de inovações da indústria em seu “Road to Zero”.

A JCB desenvolveu a primeira miniescavadeira elétrica a bateria do mundo e está na vanguarda do desenvolvimento de tecnologia elétrica para atender às demandas dos clientes por produtos de emissão zero de carbono com sua linha E-TECH. Hoje, a JCB possui a maior linha elétrica disponível na indústria da construção e a expertise da empresa neste setor também estará presente na feira.

Há quase 25 anos a JCB tem o compromisso com a redução de emissões. Seus mais recentes motores a diesel já proporcionaram, desde 1999, redução de 97% nas emissões de NOx e de 98% nas partículas. Hoje, as máquinas movidas a diesel também emitem 50% menos CO2 em comparação com as fabricadas em 2010. A tecnologia limpa de motores a diesel da JCB também será exibida no estande da empresa em Las Vegas.

No Brasil, a JCB também oferece máquinas com zero emissão de carbono. Diz o CEO no país, José Luis Gonçalves:

“Em 2021, lançamos a mini escavadeira 19C-1E, a primeira elétrica do mundo com produção em série. E no final de 2022, apresentamos ao mercado nacional oito modelos de plataformas elevatórias no formato tesoura, também elétricos. Produtos net-zero são a nossa nova fronteira para e por um futuro totalmente sustentável”.

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Notícias

As mulheres têm dominado a operação de máquinas no campo

Por redação 05/04/2023
Escrito por redação

Presença feminina também cresceu em novas funções relacionadas ao desenvolvimento de inovações para o agronegócio

As mulheres têm dominado a operação de máquinas no campoA crescente participação das mulheres no agronegócio não é nenhuma novidade no setor, mas a presença delas em funções muitas vezes consideradas masculinas tem aumentado de forma acelerada. Aliadas ao anseio de se inserir em novos mercados, as mulheres têm dominado a operação de diversas tecnologias que estão presentes no dia a dia do campo.

“Eu vejo que as coisas avançaram. Antes se tinha muito preconceito com a mulher no agro, enquanto que hoje nós nos posicionamos e estamos a cada dia mais presentes nos negócios e contribuindo nas inovações do setor. Isso tem gerado muitos benefícios e a cada dia é quebrado o tabu de que só o homem pode fazer esse trabalho no campo”, destaca a conselheira da Grunner, Lívia Belei.

Incentivada desde a infância pelo pai, José Armando Belei, ela destaca que a presença feminina no desenvolvimento das tecnologias voltadas para o setor de cana-de-açúcar e agora de grãos e florestal é algo que faz parte do DNA da Grunner.

Com uma expertise no desenvolvimento de soluções tecnológicas que dão vida aos modelos das Smart Machines, Livia conta que a presença da mulher na operação das máquinas agrícolas que são comercializas pela empresa de Lençóis Paulista tem sido levada em conta pela organização.

“No dia a dia, nossos equipamentos facilitam muito a vida as operadoras, o que gera um grande incentivo para as mulheres adentrarem nesse meio. A companhia tem contribuído muito para as mulheres, com máquinas que oferecem direção semiautônoma, por exemplo, com muito conforto, facilidade e segurança. Brinco que nós produzimos um escritório remoto, que exige das mulheres apenas o controle dos indicadores e a realização das manobras de cabeceira. O restante, os equipamentos, já trabalham por si só”, explica.

Elas na direção

Entrando em um mercado em que as funções até então eram associadas aos homens, as mulheres têm se capacitado por meio de cursos que as possibilitam operar máquinas agrícolas. Há três anos a operadora de colheitadeira de cana-de-açúcar Rosa Aparecida Leonel, que tem experiência na operação o modelo ATR da linha de Smart Machines da Grunner, começou a se capacitar e adquirir conhecimentos para estar cada vez mais preparada para atuar na operação de máquinas agrícolas.

As mulheres têm dominado a operação de máquinas no campo

Há três anos, Rosa Aparecida Leonel exerce a função de operadora de colheitadeira de cana-de-açúcar

“Trabalhar na operação de máquinas de agrícolas é um sonho de muitos anos e quando surgiu a oportunidade de realizá-lo, eu não medi esforços para obter a habilitação, me capacitar e colocar em prática os conhecimentos que obtive”, relata a operadora.

Com início na atividade semelhante ao de Rosa, a também operadora de colheitadeira de cana Tatiane de Oliveira se agarrou às oportunidades que obteve para se capacitar e mostrar seu potencial. Depois de começar na operação de uma carregadeira de cana-de-açúcar, hoje ela já comanda a direção de um ATR.

“Eu comecei operando uma carregadeira na colheita de cana e surgiu a oportunidade de trabalhar como tratorista, na qual operei por dois anos. Logo depois, eu pude iniciar a operação do Smart Machine ATR. Essa é uma máquina traz muita inovação, tecnologia, com um trabalho semiautomático em que preparamos a marcha e ela realiza todo o processo praticamente sozinha, com muita agilidade e conforto”, considera a operadora.

As mulheres têm dominado a operação de máquinas no campo

Tatiane de Oliveira se agarrou às oportunidades que obteve para se capacitar e mostrar seu potencial

E se engana quem pensa que as duas querem parar por aqui. “A receita é ter força de vontade, porque pode parecer difícil em alguns momentos, mas não é impossível, principalmente se for o seu sonho”, declara Rosa. Tatiane complementa: “A presença da mulher neste meio vem crescendo muito junto com a comprovação da nossa força”.

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Vendas de máquinas agrícolas recuam 15,9% no mercado interno

Por redação 05/04/2023
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Dados das vendas de máquinas foram divulgados nesta terça-feira (4) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave)

Vendas de máquinas agrícolas recuam 15,9% no mercado internoA comercialização de máquinas e implementos agrícolas no mercado interno caiu 15,91% no 1º bimestre no comparativo anual, atingindo a venda de 7,938 mil unidades, apontam dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), divulgados nesta terça-feira (4).

Segundo a entidade, em fevereiro, foram vendidas 4,485 unidades, recuo de 22,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, mas alta de 29,9% sobre janeiro.

Lideranças comentam expectativas para a Agrishow 2023

“Tivemos uma expressiva renovação deste tipo de veículo no ano passado, o que gera certa acomodação do mercado em 2023”, diz o presidente da entidade, José Maurício Andreta Júnior.

“É grave” situação orçamentária do Plano Safra 2023/24, diz economista

A Fenabrave esclarece que por não serem emplacados, tratores e máquinas agrícolas apresentam dados com um mês de defasagem, pois dependem de levantamentos junto aos fabricantes.

Fonte: Datagro
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Parecis: solo, manejo e equipe garantem produtividade da soja

Por redação 04/04/2023
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Palestra do Cesb na Parecis SuperAgro mostrou como produtor rural pode alcançar máximo potencial nas lavouras

Parecis SuperAgro: solo, manejo e equipe garantem produtividade da sojaA correção do perfil do solo é diretamente proporcional à produtividade nas lavouras de soja. Estudo do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) mostra que a uma profundidade de correção de 50 centímetros, a produtividade média é de 56,3 sacas por hectare, enquanto a correção a dois metros de profundidade resulta em uma média de 85,6 sacas por hectare.

Os dados foram apresentados por Breno Araújo, membro do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) e gerente de Grãos da Rehagro, durante palestra nesta sexta (31) na Parecis SuperAgro.

“Nos últimos 15 anos, temos observado que a boa produtividade vem do investimento em qualidade do solo. Pode ser até um solo pobre, mas que consegue ser transformado em solo fértil com práticas corretivas e de manejo”, explica.

O solo guarda na “memória” os efeitos do sistema de manejo. “Não consideramos mais a profundidade de zero a 20 cm como camada diagnóstica. Atualmente, é preciso avaliar o solo de 40 a 60 cm, pois a raiz de soja chega a algo entre 2 e 3 metros de profundidade”, explica Breno.

Para além dos cuidados com fertilidade do solo, Araújo reforça que é necessário o cuidado com o ambiente da semente para ter produtividade.

“Ter plantas de cobertura para manter o solo mais fresco, dar tratamento de qualidade para as sementes, usar biológicos no sulco de plantio para minimizar efeitos de pragas e doenças, fazer manejo de plantas daninhas e manejos preventivos: tudo isso faz com que o potencial produtivo da lavoura não diminua”.

Winicius Menegaz, consultor campeão estadual de Mato Grosso no desafio de produtividade do Cesb, adiciona o foco em pessoas na série de fatores para o sucesso acontecer.

“Os empresários do agro hoje estão investindo em equipes treinadas e robustas que sabem tomar decisões, comprar insumos e sementes, por exemplo, e assim melhoram a qualidade. O senso crítico do produtor rural muda a lavoura de patamar e eleva a produtividade”, afirma.

Breno Araújo concorda, frisando que a boa gestão da propriedade é fundamental para o sucesso da safra. “A gestão está em três pilares: técnica, operacional e liderança. A fazenda é liderada por pessoas e isso pode se transformar em produtividade e, logicamente, em rentabilidade ao produtor”.

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ILP acumula mais carbono que sucessão de culturas de grãos

Por redação 04/04/2023
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ILP acumula mais carbono no solo que sucessão de culturas de grãosOs resultados dos experimentos mostram que os maiores valores de carbono acumulado foram para os sistemas em ILP, em plantio direto. Na foto acima, soja em plantio direto

Uma pesquisa da Embrapa Arroz e Feijão (GO) estimou a taxa de acúmulo de carbono em solo de cerrado em Goiás considerando o sistema de integração lavoura e pecuária (ILP) comparado ao sistema de sucessão de cultura de grãos (soja-milho), tanto em plantio direto quanto em plantio convencional. O resultado aponta para um incremento de carbono retido no solo em ILP, ao longo de 20 anos, projetados para o período entre 2019 e 2039.

A projeção do acúmulo de carbono foi estipulada para o perfil de solo até a profundidade de 30 centímetros e o resultado é que os maiores valores de carbono acumulado foram para os sistemas em ILP, em plantio direto, sendo que dois arranjos (ILP1 e ILP2, veja detalhes abaixo) apresentaram taxa de acúmulo de carbono no solo entre 0,60 e 0,90 tonelada por hectare ao ano. Isso representa um aumento em mais de três vezes de carbono retido no solo, quando comparado aos mais altos desempenhos dos sistemas de sucessão entre soja e milho, que alcançaram taxa de acúmulo de carbono no solo em torno de 0,11 e 0,21 tonelada por hectare ao ano em plantio direto.

ILP acumula mais carbono no solo que sucessão de culturas de grãos

Foto: Maria Eugênia

Trabalho de simulação

O estudo valeu-se da série histórica de dados de plantio e manejo de área em ILP na Fazenda Capivara, pertencente à Embrapa e localizada em Santo Antônio de Goiás (GO). O banco de informações de manejo registrado desde 1990 abasteceu um modelo, conhecido por CQESTR, que simula o comportamento de carbono em solo de lavouras e é utilizado para projetar como diferentes práticas de manejo afetam a dinâmica do carbono.

No trabalho, dois sistemas em ILP foram simulados dentro do CQESTR e repetidos ao longo do tempo de avaliação. O primeiro (ILP1) incluiu o cultivo do milho na safra de verão, seguido de quatro anos e meio de pastagem de braquiária. O segundo (ILP2) foi de soja na safra de verão, sucedida por pousio no primeiro ano, com posterior semeadura de arroz de terras altas, seguida de pousio novamente no segundo ano; e em sequência o plantio de milho com, por fim, três anos e meio de pastagem de braquiária. Em relação à sucessão de culturas (soja-milho), foram consideradas alternâncias de cultivos anuais no verão, assim como com períodos de pousio; ou ainda sucessões entre as duas culturas (safra e safrinha).

A pesquisadora da Embrapa Beata Madari é uma das responsáveis por esse trabalho. Ela contou que esse resultado vai ao encontro de outros estudos da área e pode ser explicado pela presença da forrageira braquiária, que apresenta forte enraizamento em profundidade no solo, o que, além de reciclar nutrientes, ajuda a aumentar o estoque de carbono no sistema pelo aporte de biomassa radicular e também aérea em sistemas ILP.

Ainda segundo Madari, uma taxa de acúmulo de carbono de 0,9 tonelada por hectare ao ano surpreendeu os pesquisadores, pois trata-se de um valor alto levando em consideração a situação diagnosticada inicialmente nas condições da fazenda da Embrapa em Goiás, que apontou para um solo argiloso (mais de 50% de argila) e com teor entre baixo e médio de carbono, aproximadamente 2%.

Rede Internacional

O resultado alcançado pelo trabalho científico pode ser comparado ainda com outras pesquisas acerca do acúmulo de carbono no solo. Uma das principais organizações no mundo sobre o tema é a Iniciativa 4 por 1000 – solos em prol do clima e da segurança alimentar. A Iniciativa reúne uma rede internacional de colaboradores, abrangendo instituições de ensino e de pesquisa, associações de agricultores, governos, organizações internacionais, e segmentos da agroindústria e empresarial. Ela preconiza práticas sustentáveis de manejo do solo para o alcance de uma taxa média de acúmulo anual de carbono de 0,4% (ou 4 por mil) do estoque de carbono atualmente presente no solo. Para as condições da área experimental no Cerrado brasileiro isso significa em torno de 0,26 tonelada por hectare ao ano. Esta taxa, entretanto, pode variar, dependendo das condições de clima e solo regionais.

De acordo com a pesquisadora Madari, como os resultados obtidos na pesquisa realizada foram superiores, isso sinaliza que o manejo sustentável do solo e de culturas no Cerrado pode desempenhar um papel muito importante para a mitigação da emissão de gases de efeito estufa como o dióxido de carbono (CO2).

A Iniciativa 4 por 1000 foi lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015 (COP 21), em Paris (França). A Embrapa é uma das instituições que integra essa organização e a pesquisadora Beata Madari faz parte do comitê técnico-científico.

Mercado de carbono

A taxa anual de acúmulo de carbono em ILP, em plantio direto, obtida nesse trabalho traz também novos elementos para o debate científico. De acordo com o pesquisador da Embrapa Pedro Machado, existem outros estudos que chegam a valores até maiores de captura de carbono em ILP: taxas anuais de acúmulo de até uma tonelada por hectare ao ano. Porém, segundo o cientista, são pesquisas conduzidas geralmente em pequena escala, em parcelas, e com duração de poucos anos ou safras. Nesse sentido, ele ponderou que o uso do modelo CQESTR foi um diferencial.

“Essa ferramenta de simulação foi fundamental, pois nos permitiu utilizar virtuosamente a base de dados de quase trinta anos sobre os cultivos na fazenda da Embrapa e projetar ao longo do tempo a dinâmica de acúmulo de carbono em função do preparo de solo e manejo agrícola. Com isso, podemos estender o tempo de análise sobre o efeito da ILP em relação ao sequestro de carbono e alcançar um resultado que acreditamos predizer melhor o comportamento do sistema de produção”, comentou o pesquisador.

Machado complementou que o CQESTR é um programa empregado para investigações científicas dentro e fora do Brasil, só que aqui no País foi utilizado apenas para situações em regiões tropicais do Nordeste e Sudeste, e agora foi testado e aprovado para as condições do bioma Cerrado.

Outra questão mencionada pelo pesquisador foi que o estudo, além de abrir a possibilidade de quantificar mais apuradamente o acúmulo de carbono por um sistema de produção agrícola, permite projetar no futuro o quanto de carbono será armazenado pelo solo. Nesse trabalho, por exemplo, a projeção foi estipulada para o período de 2019 a 2039. Essa perspectiva, conforme Machado, insere a pesquisa como um ponto de apoio e de qualificação para o debate que vem sendo feito no Brasil sobre a regulamentação de um mercado de crédito de carbono, assim como para o estabelecimento de estratégias fundamentais para a sustentabilidade da agropecuária e para o desenvolvimento de políticas públicas nacionais.

O estudo é parte da tese de doutorado, defendida na Universidade Federal de Goiás (UFG) pela pesquisadora Janaína de Moura Oliveira, intitulada: “Carbono no solo em sistemas integrados de produção agropecuária no Cerrado e na transição Cerrado – Amazônia”. Esse trabalho contou ainda com participações do escritório da Embrapa Labex-Estados Unidos e Universidade do Arkansas (UARK), dos Estados Unidos. O estudo pode ser baixado neste endereço.

Embrapa - ILP acumula mais carbono que sucessão de culturas de grãos

Foto: Sebastião Araújo (arroz em plantio direto)

Melhor para saúde do solo

Na pesquisa realizada, o acúmulo de carbono no solo para todas as situações, seja em ILP, seja em sucessão de culturas, foi maior em plantio direto, em comparação aos sistemas de preparo convencional do solo (aração e gradagem). A pesquisadora da Embrapa Márcia de Melo Carvalho, que participou desse estudo, observou que práticas conservacionistas, como o plantio direto, contribuem para o acúmulo do carbono em relação a sistemas convencionais, pois o não revolvimento do solo favorece maior estruturação, com a formação de agregados (pequenos torrões de solo) que “empacotam” matéria orgânica (veja estudo neste link), protegendo-a da rápida decomposição. E, quanto mais matéria orgânica, mais aproxima-se de um estado de saturação do solo com carbono.

Entretanto, tão importante quanto a saturação do solo com carbono é a proteção que o plantio direto proporciona ao solo. Ela explica que a prática promove uma camada protetora do solo (palhada) contra o impacto de gotas de chuva, permitindo a infiltração da água, além da regulação da temperatura no solo. Complementarmente, ainda segundo a cientista, as práticas de manejo que resultam em acúmulo de carbono no solo melhoram a qualidade e a produtividade, por meio da adaptação a mudanças ambientais que já são uma realidade no Cerrado goiano.

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