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Revista

Balança comercial do agro: qual é a dimensão do novo recorde?

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

Felippe Serigati, Roberta Possamai e André Diz

De acordo com pesquisa do FGV Agro, em 2022, o agronegócio brasileiro registrou um superávit recorde de US$ 107,3 bilhões.De acordo com as métricas da pesquisa “Desempenho Comercial do Agronegócio” do FGV Agro, em 2022, o agronegócio brasileiro registrou um superávit recorde de US$ 107,3 bilhões. Esse valor é 29,4% superior àquele obtido em 2021.

No entanto, para ter uma ideia mais clara da dimensão desses valores, se o agronegócio brasileiro fosse um país de forma isolada (com todos os vieses e imprecisões que a comparação implica), ele seria o sexto país com o maior volume líquido de entrada de divisas, ficando atrás apenas da China (US$ 329,6 bi), Rússia (US$ 259,3 bi), Arábia Saudita (US$ 161,5 bi) e de Taiwan (US$ 122,6 bi). Em outras palavras, o superávit obtido pelo setor é um montante expressivo, literalmente, em qualquer lugar do mundo.

Os 10 maiores saldos de balanço de pagamento do mundo e o saldo comercial do agronegócio brasileiro em 2022 (US$ bilhões):

De acordo com pesquisa do FGV Agro, em 2022, o agronegócio brasileiro registrou um superávit recorde de US$ 107,3 bilhões.

Como o setor atingiu esse recorde?

Entre janeiro e dezembro do ano passado, o total das exportações do setor atingiu US$ 162,7 bilhões, ao passo que a soma das importações totalizou US$ 55,4 bilhões, gerando um superávit comercial de US$ 107,3 bilhões, um crescimento (nominal) de 29,4% frente ao resultado de 2021 (US$ 83,2 bilhões).   

Parte majoritária desse resultado foi gerada pelo desempenho do setor agropecuário, responsável por um saldo equivalente a US$ 69,4 bilhões (64,5% do saldo total) enquanto a agroindústria contribuiu com 34,8%, gerando um saldo de US$ 37,5 bilhões.

Esse crescimento do superávit da balança comercial do agronegócio brasileiro ocorreu em uma conjuntura bastante específica. Por um lado, o País foi capaz de expandir o valor de suas exportações (+31,4% frente a 2021) em um contexto de menor crescimento da economia mundial. Apesar da maioria dos países ainda não ter divulgado os resultados consolidados do Produto Interno Bruto para o ano de 2022, a última previsão do Fundo Monetário Internacional estimava um crescimento da economia global na ordem de 3,2% em 2022, patamar muito inferior ao crescimento registrado no ano de 2021 (6,0%). 


O crescimento do saldo da balança comercial se torna ainda mais relevante quando, observando os dados, nota-se que essa expansão do valor das exportações ocorreu para além de um simples aumento dos preços dos produtos exportados, uma vez que o quantum das exportações apresentou elevação de 12,9% (frente a 2021) para o agronegócio brasileiro. Entre seus componentes, o crescimento do volume (milhões de toneladas) da agropecuária (+14,3%) foi superior à variação das vendas externas da agroindústria (+11,2%).


Outro aspecto que deve ser destacado, para além do crescimento das exportações em um cenário de desaceleração do crescimento da economia mundial é que ao longo de 2022 o preço das importações (+20,9% para o agronegócio) registrou um crescimento significativamente superior ao crescimento dos preços das exportações (14,8%). 

De outra maneira, o agronegócio foi capaz de gerar superávit da balança comercial mesmo em um contexto de piora dos termos de troca, que ocorreu de forma mais acentuada para a agroindústria do que para agropecuária, uma vez que a diferença da variação entre os preços médios de exportação e importação do primeiro foi de -32,1% entre 2021 e 2022, enquanto que para a agropecuária, a elevação dos preços das exportações (15,5% frente a 2021) foi próximo ao encarecimento das importações (17,5%), resultando em uma piora de -2% nos termos de troca.

Entre os produtos com maiores altas de preço para importação ao longo de 2022 destacam-se os grupos de adubos e fertilizantes, com alta dos preços de importação de 66,5%, insumos (+69%) e produtos intermediários para produção de fertilizantes, com alta de 81%. Essa forte elevação de parte significativa dos custos de produção pressionou as margens de comercialização do setor agropecuário como um todo, com destaque para a produção destinada ao mercado doméstico, que não estava exposta ao crescimento dos preços de exportação. 

agronegócio - Balança comercial do agro: qual é a dimensão do novo recorde?

Quais foram os principais destinos?

Entre os destinos de nossas exportações, China segue sendo o país principal, respondendo por 31,7% do total das exportações do agronegócio brasileiro (US$ 51 bilhões), com União Europeia (15,3%; US$ 25,9 bilhões), Oriente Médio (7,6%; US$ 12,4 bilhões) e Estados Unidos (6,5%; US$ 10,6 bilhões) sendo destaques entre nossos principais parceiros comerciais.  

Para o ano de 2023, por um lado, um menor crescimento da economia mundial (2,7%, segundo o FMI) tende a frear parte do crescimento das exportações brasileiras, embora parceiros importantes como China (4,4%) e países do Oriente Médio (3,6%) apresentem boas perspectivas de evolução da atividade econômica. Em termos de preços, as dificuldades da Argentina devem contribuir para uma pressão maior sobre os preços de soja e milho, enquanto as exportações de carne bovina seguem sob as incertezas do caso de vaca louca no Pará. Por fim, a taxa de câmbio deve seguir em cenário instável, respondendo aos ajustes de política monetária ao redor do mundo e às incertezas fiscais da economia brasileira.

¹ Mestre em Economia Aplicada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP) e pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro).
² Doutor em Economia pela Escola de Economia de São Paulo (EESP/FGV), professor e pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro). felippe.serigati@fgv.br
³ Mestre em Economia Agrícola pela Escola de Economia de São Paulo (EESP/FGV) e pesquisadora do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro). roberta.possamai@fgv.br
21/03/2023 0 Comentários
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Revista

Gestão da qualidade operacional na semeadura de grãos – Parte II

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

Nesta segunda parte da discussão, o Conceito de Eficiência aplicado nos sistemas operacionais na semeadura de grãos

Afonso Peche Filho e Roberto da Cunha Mello

Gestão da qualidade operacional na semeadura de grãos - Parte II Nesta parte II sobre gestão da qualidade na semeadura de grãos, abordamos o conceito de eficiência aplicado aos sistemas operacionais.

Eficiência pode ser entendida como a comparação dos resultados produzidos com os resultados que poderiam ser alcançados com os mesmos recursos. Com base nisso, a eficiência de uma operação agrícola pode ser calculada a partir da seleção de variáveis que caracterizam seu desempenho em produtividade com maior representatividade. 

A equação abaixo expressa numericamente o cálculo da eficiência em porcentagem.

Ef = V2 / V1 . 100
Ef  = eficiência
V1 = variável máxima que pode ser alcançada 
V2 = variável produzida   

O resultado do cálculo da eficiência é sempre um valor entre 0 e 1, podendo assim ser expresso em termos percentuais. 

Em operações agrícolas, sugerimos distinguir dois tipos de eficiência: a eficiência mecânica, que reflete a habilidade operacional de obter o máximo de desempenho dentro de parâmetros mecânicos clássicos para cada conjunto de equipamentos; a eficiência agronômica, ou a habilidade de produzir resultados agronômicos dentro de níveis aceitáveis pela análise de variabilidade.

As variáveis que caracterizam a eficiência mecânica sempre estão relacionadas com o desempenho funcional das máquinas durante a jornada operacional, portanto, a escala de trabalho é tempo, metro ou quilômetros percorridos durante toda operação, assim, podemos calcular a eficiência de deslocamentos, consumo, paradas e tempo, entre outros indicadores.

As variáveis que caracterizam a eficiência agronômica estão relacionadas com resultados agronômicos da interação máquinas/insumos/ambiente; a escala de trabalho é variável, partindo de metros lineares, metros quadrados  até hectares ou alqueires, quilos ou litros. Assim, podemos calcular a eficiência de falhas, perdas, plantas medíocres, plantas espetaculares, danos físicos visíveis e danos físicos invisíveis, entre outros.

A base do estudo de eficiência é a amostragem, daí vale a premissa de que quanto mais amostras mais representativo é o resultado. Para facilitar a adoção metodológica e ter uma segurança estatística, estabelecemos de maneira geral que 75 pontos de amostragem geram dados suficientes para análises de variabilidade, com cálculo do índice de eficiência acompanhado de um desvio padrão (DP) e um coeficiente de variação representativa.

Além disso, 75 pontos de amostragem permitem gerar bons dados para uso de tecnologia SIG e técnicas estatísticas do controle de qualidade. Quando os parâmetros forem subjetivos, sugerimos adotar uma escala de notas com valores de 1 a 5 para representar em números o potencial mínimo e máximo das variáveis; neste caso, valores entre 75 pontos mínimos e 375 pontos máximos, ou seja, para esses casos a eficiência varia entre 25% e 100%.

Semeadura: eficiência e competência 

A eficiência operacional da semeadura está relacionada com a capacidade do conjunto semeadora/trator/operador de construir linhas com fertilizantes e sementes dosados, posicionados e cobertos, atendendo a um padrão fiel da prescrição agronômica para a cultura; sem levar em conta as variações de solo e clima. A eficácia operacional da semeadura está relacionada com as condições em que as máquinas foram ou estão sendo disponibilizadas para o trabalho, bem como com a capacidade profissional do operador.

A busca pela competitividade e eficiência exige uma análise ampla de todo o processo operacional, permitindo visualizar os produtos positivos e negativos. Como positivos, obviamente, os acertos e o atendimento pleno da prescrição agronômica. Como negativos temos que admitir que produzimos defeitos, falhas, desperdícios e perdas, entre outros. Como resultado dessa análise determinam-se as ações de gestão para minimizar ou solucionar cada um desses problemas.

Num enfoque mais holístico podemos admitir que a operação de semeadura produz segmentos de linha contendo falha de sementes, falha de fertilizantes, falhas de sementes e fertilizantes, mistura de sementes com fertilizantes, sulcos abertos, sementes descobertas, enfim, uma série de defeitos que precisam de gestão para serem minimizados. O enfoque sistêmico permite análise em pontos considerados importantes na busca do aprimoramento do operacional da semeadura. Nesse enfoque, a semeadora deve ser analisada como um conjunto de componentes interagindo dinamicamente com os insumos num ritmo operacional imposto pelo operador. 

Na verdade, uma semeadora clássica, como é a para plantio direto, é um sistema composto por componentes com funções bem diferenciadas, cada qual interagindo com insumos e ambiente de maneira totalmente diferente, produzindo efeitos para construção da linha de plantio. Cada um desses conjuntos deve ter estratégias e táticas diferentes de gestão. 

A semeadora é uma máquina que apresenta pelo menos 10 conjuntos de componentes e, para cada um deles, existem elementos para a gestão operacional eficiente e competitiva. Para cada um desses conjuntos apontamos a seguir os principais pontos de atenção.

Pontos de atenção 

Gestão da qualidade operacional na semeadura de grãos - Parte II O conjunto para acoplamento e transporte normalmente apresenta componentes para engates mecânicos, engates hidráulicos, chassi e rodados. Nos engates mecânicos, a atenção deve recair para a condição das travas e presilhas de segurança. Nos engates hidráulicos, é importante verificar as condições de vedação dos protetores machos e fêmeas, verificar o estado funcional das travas de segurança, verificar a fadiga e desgastes em molas e esferas de aço e muita atenção para ações de controle da queda e, principalmente, aumento da pressão hidráulica. Com relação ao chassi, atenção para o funcionamento pleno dos componentes de apoio e descanso, bem como inspeção constante da pressão dos cilindros levantadores e componentes de fixação, desgaste e pressão dos pneus de transporte. 

Para o corte da palha e dos restos vegetais, a semeadora apresenta um conjunto composto por disco de corte, eixo e rolamentos de fixação, molas tensoras, peças de articulação e fixação. Os fatores de atenção para pleno funcionamento recaem sobre checagem de desgaste e fadiga dos componentes ativos como o disco, molas e rolamentos bem com inspeção de desempenho do giro livre do disco e facilidade de manipulação dos componentes de articulação e fixação.

Nas semeadoras de plantio direto, a profundidade do rompedor de solo não deve ultrapassar dez centímetros, para não provocar grandes fissuras e a formação de torrões na linha de plantio. É necessária também a inspeção no tubo condutor responsável pelo posicionamento do fertilizante no solo.

No conjunto de componentes responsáveis pela dosagem, distribuição e posicionamento de sementes, os fatores de atenção recaem para as condições de funcionamento pleno do dosador, visto que, pequenas peças que o compõem (molas, injetores e raseadores) sofrem, além de fadiga, constantemente da aderência de partículas oriundas do tratamento químico das sementes, prejudicando progressivamente o desempenho dos mesmos ao longo da jornada de trabalho.

Atenção com a semeadura

Outro fator de atenção importante é a verificação do nível de danos sofridos pelas sementes que passam pelo dosador, podendo ser classificados como danos visíveis e invisíveis. Danos visíveis são quebras, trincas e traumatismos vistos a olho nu nas sementes, enquanto danos invisíveis são traumatismos imperceptíveis, causados pelo mecanismo dosador, que prejudicam a germinação das sementes ou mesmo produzem plântulas debilitadas. É sempre bom lembrar como fator de atenção a posição da semente em relação ao fertilizante – ela deve estar sempre acima e ao lado da linha de fertilização.

A roda estabilizadora de profundidade é um importante fator de atenção, pois o seu desempenho influencia diretamente a qualidade de implantação da lavoura, portanto, a checagem de seu desempenho em giro livre antes de iniciar os trabalhos é fundamental. O acompanhamento com inspeções frequentes durante toda a jornada de trabalho passa a ser um forte fator de atenção pelo gerente e principalmente pelo operador.

O exame para avaliação dos diferentes tipos de molas que compõem uma semeadora é também um fator de atenção, que deve ser trabalhado no momento da revisão anual de manutenção. Toda mola ao longo do tempo vai perdendo a capacidade de expansão e compressão. Esse fenômeno é conhecido como fadiga e tira a versatilidade da mola em manter a posição do componente depois de regulado. Normalmente utilizamos os pesos (lastros) dos tratores para avaliar a capacidade de expansão.

O conjunto de componentes responsáveis pelo fechamento e compactação do sulco de plantio também é considerado como fator de atenção. Composto basicamente por mecanismos de regulagens e roda de solo, esse conjunto é responsável pela uniformidade de germinação das sementes bem como pela qualidade da emergência das plantas. O exame frequente das condições dos componentes de regulagens é fundamental, pois os mesmos trabalham forçados e em condições adversas. 

Os mecanismos de transmissão compõem um importante conjunto de componentes responsáveis pela harmonização entre a velocidade operacional, o funcionamento de dosadores e o fluxo de fertilizantes. O exame frequente do estado de funcionamento de correntes, engrenagens, buchas e rolamentos é outro fator de importância, pois um pequeno defeito pode causar um prejuízo enorme, comprometendo a eficiência do plantio e da lavoura.   

Da mesma forma que a transmissão, defeitos de lubrificação aparecem metro a metro e provocam avarias de grande intensidade no desempenho da máquina e na qualidade do plantio. O fator de atenção recai na constante verificação do desempenho funcional de bicos graxeiros, retentores e vedação eficiente de tampas e caixas de graxas.

O pleno funcionamento dos marcadores de linhas também é fator de atenção, pois são imprescindíveis para o alinhamento e paralelismo de linhas, contribuindo para aproveitamento eficiente da área e construindo passagens eficientes para operações como pulverizações e aplicação de fertilizantes.

A opção pela utilização de insumos de qualidade comprovada é uma garantia de lavouras eficientes e competitivas. Assim como é de suma importância a preparação do operador com profissionalismo.

Outros fatores também podem ser importantes na gestão da qualidade na semeadura e a incorporação deles na rotina operacional é estratégico para o aprimoramento contínuo da qualidade e consequente melhoria da eficiência e competitividade da mecanização agrícola. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • FEIGENBAUM, A.V. Controle da Qualidade Total; Ed. Makron Books, São Paulo, v. 1, 2 e 3; 1994.
  • HUNT, D.V. Gerenciamento para a qualidade. LTC Editora S.A., Rio de Janeiro, 264p, 1994.
Afonso Peche Filho e Roberto da Cunha Mello são pesquisadores científicos – Instituto Agronômico
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Revista

Editorial – O valor da informação de qualidade

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

Editorial - O valor da informação de qualidadeO calendário de feiras agrícolas está a todo vapor. Depois da Show Rural Coopavel (fevereiro) e Expodireto Cotrijal (março), a próxima grande feira é a Agrishow, no início de maio. Por isso, nesta edição ouvimos algumas das principais lideranças do setor quanto às expectativas para a mostra deste ano, que espera superar o desempenho de 2022, quando recebeu 193 mil pessoas e somou R$ 11,2 bilhões em negócios. A feira é sempre um sucesso, o que deve ser celebrado. Na contramão dos recordes alcançados, é uma pena a falta de atenção que tem dado às mídias especializadas na cobertura jornalística do segmento, sempre com informação de qualidade.

Tradicionalmente, as publicações divulgam o evento e, em contrapartida, desfrutam de um espaço onde podem se promover presencialmente no evento, mostrando o seu trabalho, buscando conquistar novos leitores e garantindo a continuidade do seu relevante ofício de informação técnica e confiável.

Desta vez, esses espaços não serão concedidos, segundo recentemente informado pela organizadora do evento, o que inviabiliza a participação de veículos sérios que não poderiam arcar com a compra de um estande, ainda mais às vésperas do evento. Lamentamos e esperamos que essa posição possa ser revista, para que também a comunicação profissional do setor possa ter SUSTENTABILIDADE, um dos motes da edição da feira neste ano!

No mais, seguimos em frente acompanhando e veiculando as novidades de interesse dos produtores rurais brasileiros, incluindo as expectativas para o anúncio do novo Plano Safra, torcendo para que apresente juros menores e, portanto, mais atrativos para quem investe em tecnologia nesse tão importante segmento.

A presente edição está recheada de reportagens e artigos técnicos interessantes, os quais agora também podem ser acessados na versão web, muito mais interativa e fácil de ler do que o antigo formato digital em PDF flipável. O novo formato está aberto para degustação e será, em breve, exclusividade de assinantes da Plataforma Máquinas & Inovações Agrícolas (MIA). Confira e, caso ainda não seja assinante, venha prestigiar a publicação e consumir informação de qualidade e confiável.

Equipe Editorial
redacao@bmcomm.com.br
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Revista

O avanço das tecnologias e o futuro das máquinas agrícolas

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

As principais tendências no desenvolvimento de novas máquinas agrícolas, como sensores capazes de monitorar não apenas os equipamentos, mas as condições da lavoura

O avanço das tecnologias e o futuro das máquinas agrícolas

Por Leonardo Gottems – A necessidade de produzir mais alimento em nível global aumenta a cada ano. À medida que a população mundial cresce, a atividade agrícola se mostra cada vez mais necessária – e rentável. Aumentar a área plantada já não é mais viável por diversos fatores. Primeiro, são poucos os lugares no mundo onde existe terra cultivável ainda por explorar. Segundo, há uma grande pressão sobre os governos para assumirem o compromisso de desmatamento zero em prol do meio ambiente. Por fim, mas não menos importante, vem a lucratividade, ou seja, produzir mais com menos. Neste cenário, a alternativa mais viável e promissora é a tecnologia. Há cada vez mais máquinas agrícolas, sistemas, equipamentos e soluções inteligentes para ajudar o produtor rural a aumentar seu desempenho com maior rentabilidade e eficiência. De acordo com Marcos Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão (AsBraAp), as máquinas atuais já estão bastante avançadas nesse quesito.

agronegócio - O avanço das tecnologias e o futuro das máquinas agrícolas“Já são bastante consolidadas as tecnologias de controle e monitoramento dos processos da operação, como o piloto automático que dirige a máquina da melhor forma, ou os controladores que regulam as doses aplicadas ou os processos envolvidos de forma automatizadas e o rastreamento ou telemetria das operações, garantindo que elas sejam executadas conforme o recomendado”, explica.

A grande novidade que vem ganhado escala é o monitoramento da lavoura e as tomadas de decisão em tempo real. A máquina não irá apenas seguir uma recomendação prévia, mas gerar a própria recomendação através de sensores e sistemas capazes de monitorar não somente a máquina, mas as condições da lavoura. “Um exemplo são os sensores de planta embarcados que são capazes de tomar a decisão de aplicar um defensivo de forma localizada ou mesmo monitorar o vigor da plantação e, assim, tomar uma decisão de aplicação em doses variáveis. Semeadoras com sensores que estimam o potencial produtivo do solo, e tomam a decisão sobre qual a melhor taxa de semente, também serão uma tendência no futuro próximo”, completa.

Trator novo ou usado? Veja as melhores dicas para não errar na escolha

Agricultura 4.0 e internet nas máquinas agrícolas

Segundo o pesquisador Ricardo Inamasu, presidente do Comitê Gestor do Portfólio Automação, Agricultura de Precisão e Digital da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as inovações são tão rápidas que a cada ano as máquinas incorporam novas tecnologias. E isso, de acordo com ele, só é possível com a internet, que cada vez chega com mais força no campo. 

O avanço das tecnologias e o futuro das máquinas agrícolas

“As máquinas agrícolas, a cada ano, têm incorporado novos elementos como sensores, atuadores e comandos eletrônicos. O que, talvez, diferencie de forma substancial, é a conectividade com a internet. Essa conexão traz potencial de integrar dados com demais sistemas, trazendo maior eficiência não apenas nas operações realizadas no campo, mas aumentando a capacidade de gestão da fazenda”, comenta.

Para Junior Garlet Osmari, integrante do Laboratório de Agrotecnologia (Agrotec) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a chamada Agricultura 4.0 é a principal dessas tecnologias embarcadas nas máquinas agrícolas. “Ela é caracterizada pela conectividade entre as máquinas da frota, banco de dados, ferramentas de gestão e meteorologia”, indica Osmari.

agronegócio - O avanço das tecnologias e o futuro das máquinas agrícolas“As máquinas há tempos são equipadas com sensores e geram dados, porém, atualmente transmitem informações em tempo real sobre o tipo de operação, produtividade, localização, velocidade, consumo de combustível e falhas apresentadas. Isso tudo é monitorado pela gestão da propriedade, que analisa dados e toma decisões mais assertivas, bem como a concessionária de máquinas monitora as condições de funcionamento, falhas e período de operação, diminuindo o tempo de diagnóstico de erros e antecipando manutenções”, diz ele.

Eletrificação e robótica

Outro exemplo de tecnologia é a eletrificação que, para Inamasu, vem avançando de forma muito promissora, já que, além de apresentar eficiência no uso de energia, traz a vantagem da facilidade de ser controlada digitalmente. “Já é bastante comum o uso de motores elétricos substituindo os motores hidráulicos ou atuadores mecânicos nas máquinas agrícolas em geral.

 A substituição do motor a combustão por elétrico ainda não é realidade para a agricultura. Mas existem empresas, inclusive brasileiras, já trabalhando neste tema inicialmente para potências menores e para mercados como o de transporte em aeroportos. A tendência é iniciar na agricultura à medida que esses motores vão se tornando mais robustos e eficientes”, complementa Ferraz.

De acordo com Osmari, praticamente todas as funções citadas nessa reportagem, bem como tecnologias embarcas em máquinas agrícolas, têm apoio na eletrônica.

“Apesar de exigirem manutenção complexa e qualificada e aparentar fragilidade, os sistemas eletrônicos são cada vez mais ‘blindados’ contra as adversidades do campo, e, sem dúvidas, são uma solução compacta e efetiva. Inclusive observa-se fabricantes substituindo sistemas de transmissão de força e potência mecânicos e hidráulicos por sistemas elétricos, não se limitando mais a sensores e acionamentos”, indica ele.

Além disso, cabe destacar também a robótica, que é largamente aplicada em operações de beneficiamento de produtos, manejo e alimentação de animais e climatização etc. “No campo, o que vem sendo observado mais abundantemente são os drones, que já realizam operações de forma autônoma. Máquinas agrícolas autônomas são a tendência do mercado, mas assim como nos aviões, a supervisão de humanos não será dispensada tão imediatamente”, ressalta Osmari.

A opinião de Ferraz vem ao encontro do que diz Osmari. Ele acredita que tudo o que envolve os robôs vem sendo utilizado já há algum tempo. “Toda a tecnologia para a concepção de um robô agrícola é amplamente dominada já há alguns anos. No Brasil já existem empresas comercializando sistemas totalmente autônomos em escala comercial, tanto para aplicação de produtos como para análise da lavoura. O que tem sido desenvolvido são as aplicações”, afirma.

O avanço das tecnologias e o futuro das máquinas agrícolas

agronegócio - O avanço das tecnologias e o futuro das máquinas agrícolas

Panorama brasileiro 

No Brasil existem muitos avanços nas áreas de automação e controle, que garantem que as operações agrícolas sejam executadas com a maior eficiência possível. As tecnologias de mapeamento e monitoramento, como imagens de satélite, drones, amostragens georreferenciadas, sensores de planta e de solo são ferramentas que aumentam significantemente a quantidade de informações que temos sobre a área, tornando o processo de decisão para as recomendações agronômicas mais preciso.

 “A grande evolução dos últimos tempos com o aumento do uso destas ferramentas é a grande quantidade de dados e informações que agora somos capazes de gerar, processar e armazenar, e isso faz com que as técnicas relacionadas à agricultura de precisão (que nos ensina como interpretar e utilizar esses dados para recomendações) tornam-se ainda mais importantes”, excplica Ferraz.

De acordo com o pesquisador da Embrapa, a internet tem um papel muito importante no que vem sendo feito atualmente em termos de tecnologia embarcada no Brasil. Isso porque uma maior disponibilidade de conectividade pode fazer com que as máquinas agrícolas sejam cada vez mais autônomas e o agricultor cada vez mais eficiente. 

“Talvez, os avanços tecnológicos mais utilizados sejam os proporcionados pela internet propriamente dita. Seja por meio da conectividade dos equipamentos, seja por meio de celulares portados pelos operados, a internet tem trazido informações que aumentam a eficiência operacional no campo”, ressalta.

Exemplos de tecnologia sendo utilizados no Brasil foram citados por Osmari, que destaca especialmente o uso de drones, que podem ser um coringa para o produtor, tanto no monitoramento, quanto na prática agrícola propriamente dita. 

“Não é nenhuma novidade, mas os sistemas de posicionamento, piloto automático, tráfego controlado, e operações com taxa variável são intensamente usados. Outro avanço são os drones, executando operações de  mapeamento, contagem de plantas, índices de vegetação e principalmente aplicação de defensivos”, elenca.

Comportamento do consumidor 

Mesmo com o surgimento cada vez mais acelerado de novas tecnologias capazes de ajudar o “homem do campo”, a adesão dessas modernizações ainda é baixa, segundo Ferraz. Ele diz que a demanda até tem aumentado nos últimos anos, mas a adesão poderia ser bem maior.

“Apesar de ser evidente que o uso dessas ferramentas trará vantagens ao agricultor, a adoção ainda é baixa. De acordo com pesquisa realizada pela Embrapa, pelo Sebrae e Inpe, em 2020 menos de 10% dos agricultores possuíam alguma eletrônica embarcada nas máquinas agrícolas ou nos equipamentos, e menos de 6% utilizavam mapas digitais ou informações localizadas geograficamente. No entanto, a demanda tem crescido cada vez mais, principalmente com aumento do valor dos insumos e o anseio da população por uma agricultura mais sustentável.”

Segundo Osmari, a agricultura de precisão, máquinas que executam aplicações de defensivos, fertilizantes, corretivos, bem como semeadura, utilizando taxa variável não são novidade, porém, são amplamente utilizadas no Brasil, além de dispositivos com desligamento bico-a-bico/linha-a-linha, que evitam a sobreposição. “Neste sentido, também há uma tendência a utilização de tráfego controlado, que se caracteriza pelo planejamento de todo o deslocamento de máquinas durante a safra. Antes mesmo do plantio, se define o caminho que será percorrido por cada máquina, evitando sobrecompactação do solo e desperdício de recursos”, ele garante. 

“A eficiência no uso de recursos não depende apenas de dispositivos, mas, na gestão e recomendação, partindo da escolha e quantidade desse recurso, que depende da localização e do momento da sua aplicação.A incerteza é comum com algo novo e não houve diferença entre os produtores rurais. Acredito que atualmente estão mais maduros no processo de procura por esse serviço”, completa Inamasu, pesquisador da Embrapa.

Nem tudo são flores

Essa baixa adesão se junta a outros fatores e acaba criando alguns gargalos para a adoção de novas tecnologias por parte dos agricultores. Um desses gargalos, segundo o que nos conta Ferraz, é a falta de investimento e a alta percepção de risco. Para suprir isso, somente a difusão de conhecimento pode ser usada.

agronegócio - O avanço das tecnologias e o futuro das máquinas agrícolas“São muitos os gargalos para a adoção da agricultura de precisão e digital de forma ampla no País, como a falta de informação e conhecimento sobre as tecnologias, a falta de capacitação técnica no campo para o uso e comercialização, os custos iniciais de investimento e a alta percepção de risco pelo agricultor ao investir em algo inovador. É necessário difundir o conhecimento sobre o valor dessas tecnologias para aumentar seu uso”, explica Inamasu.

Uma das áreas em que a agricultura brasileira ainda peca é a falta de conectividade. Algumas regiões do Brasil ainda sofrem com a precariedade na cobertura de sinal de celular, o que acaba tornando a banda larga praticamente uma utopia. “O setor aponta a conectividade e a cobertura de sinal como um dos principais problemas, e o setor, em conjunto aos demais, estão avançando para apresentar soluções. Mas o principal desafio, talvez, seja a formação do pessoal”, completa Inamasu.

A falta da conectividade também afeta a Agricultura 4.0, mas isso pode ser resolvido com a disseminação do 5G no Brasil. A nova tecnologia de conexão promete revolucionar os sistemas de georeferencimento e também de automação, tanto na indústria quanto no setor de serviços.

“Considerando como principal tendência a conectividade entre máquina e gestão (Agricultura 4.0), o maior desafio é justamente a transmissão de dados em tempo real. No Brasil, a área de cobertura de telefone e internet muitas vezes não atinge áreas distantes dos centros urbanos, obrigando muitas vezes os produtores a instalarem sistemas próprios via satélite. Com isso, a expectativa em relação à tecnologia 5G aumenta, pois se espera que se solucione de forma bastante efetiva esse problema”, conclui Osmari.

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Notícias

Dia Mundial da Agricultura: tecnologias e avanços no campo

Por redação 20/03/2023
Escrito por redação

Soluções garantem mais produtividade e facilitam o acesso a serviços financeiros em zonas rurais

Dia Mundial da Agricultura: tecnologias e avanços no campoDestacando-se como um dos principais produtores e exportadores de diversas commodities agrícolas, o Brasil tem um papel fundamental para a produção de alimentos a nível internacional. Somente em 2022, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 159,09 bilhões, uma alta de 32% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura e Pecuária. As condições climáticas favoráveis, aliadas a solos férteis e a um amplo território, ajudaram a tornar o país uma potência no segmento. Entretanto, um outro fator foi crucial para que esse cenário se desenhasse.

O investimento em tecnologia é um dos principais impulsionadores no salto produtivo da agricultura brasileira. De acordo com um estudo feito pela Embrapa, a inovação tecnológica contribuiu com 59% do crescimento do Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola entre os anos de 1975 e 2015, seguidos pelo trabalho (25%) e pela terra (16%). Hoje, diversas soluções em tecnologia desenvolvidas no Brasil ajudam a garantir mais produtividade e facilitam o acesso a serviços financeiros em zonas rurais. Confira algumas delas abaixo:

Tecnologia para agricultura de precisão

O mercado de agricultura de precisão tem crescido ano a ano. Segundo a consultoria Market and Markets, ele deve passar de US$ 12,9 bilhões em 2021 para US$ 20,8 bilhões em 2026, um aumento de US$ 7,9 bi, em um ritmo de 10% ao ano. Essas soluções permitem um controle avançado sobre as máquinas agrícolas, com sistemas como piloto automático, por exemplo, que pode aumentar em até 5% o aproveitamento de área de plantio, segundo levantamento feito pela divisão de Agricultura da Hexagon, que desenvolve soluções digitais para o campo e a floresta.

O HxGN AgrOn Piloto Automático, por exemplo, pode ser um grande aliado do produtor. “A tecnologia ajuda na navegação de tratores, máquinas e implementos agrícolas, garantindo o alinhamento e minimizando a sobrepassagem durante o plantio, aplicação de insumos e tratos culturais. Além disso, o produtor pode planejar a rota diretamente do escritório ou de uma sala de controle”, explica Alexandre Alencar, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da divisão de Agricultura da Hexagon. Com isso, é possível maximizar os recursos de campo e reduzir a repetitividade da trajetória.

Outra tecnologia que tem ajudado a expandir a agricultura de precisão nas operações é o HxGN AgrOn Ti10. O equipamento permite a utilização do piloto automático e diversas outras soluções em um único display e conta com uma tela de alta definição (HD) de 10,1 polegadas, processadores de alta performance e outros recursos. Além disso, ele também possibilita trabalhar com ISOBUS, um protocolo universal de padronização da comunicação agrícola. Com essa tecnologia, há compatibilidade de transferência de dados entre sistemas e softwares utilizados no campo, oferecendo flexibilidade total para o produtor.

Acessibilidade a serviços financeiros nas zonas rurais

Quando se trata de tecnologia na agricultura, não são só as soluções diretamente envolvidas nos processos de plantio, manejo e colheita que contam. Fora da lavoura, quem trabalha no agronegócio precisa de diversas outras ferramentas. Apesar dos avanços em relação à conectividade, o acesso a serviços financeiros nas zonas rurais brasileiras ainda está longe de ser o ideal.

A CashWay, techfin de Florianópolis/SC, tem ajudado a diminuir esse problema, por meio de pequenas e médias cooperativas de crédito rural, oferecendo core bancário, compliance, Pix, Internet banking e app white label para essas instituições.

De acordo com uma pesquisa da PWC, entre as ações sociais desenvolvidas pelas cooperativas de crédito, a principal delas é a educação financeira para a comunidade local (85%). “Nosso trabalho é levar mais inclusão financeira para o interior, chegando a cerca de 552 mil clientes finais. Temos o objetivo de democratizar o acesso aos serviços financeiros, levando para o interior tecnologia com benefícios como crédito, conta e transações bancárias aos pequenos e médios produtores rurais”, explica o CEO da empresa, Felipe Santiago.

Na Crediseara, por exemplo, a tecnologia da CashWay foi essencial para a expansão da cooperativa, que atua com crédito rural no interior de Santa Catarina. Segundo o diretor administrativo da organização, Ademilso Auziliero, é difícil atingir uma escala de negócios sem tecnologia. “A CashWay nos possibilitou essa expansão por ser um sistema de fácil adaptação e entregar o que propõe: agilidade no operacional e na parte de front. O associado vem na cooperativa quando precisa de atendimento e tem um sistema que traz facilidade para as operações, como análise de crédito, por exemplo”.

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Notícias

BNDES bloqueia empréstimos a áreas rurais desmatadas

Por redação 20/03/2023
Escrito por redação

Parceria com MapBiomas utiliza monitoramento de todos os biomas brasileiros por meio de satélites de alta resolução

BNDES bloqueia empréstimos a áreas rurais desmatadas

Uma nova ferramenta tecnológica está permitindo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ter segurança de que os empréstimos concedidos a proprietários rurais não serão destinados a áreas de desmatamento irregular. Este controle ocorre por meio de uma parceria firmada em fevereiro deste ano entre o BNDES e o MapBbiomas, plataforma capaz de monitorar em tempo real todos os biomas brasileiros por meio de satélites de alta resolução e gerar alertas e laudos com imagens antes e depois de desmatamentos.

Em entrevista ao “Jornal Nacional” na quinta-feira (16), o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, comentou que “a tecnologia é um caminho para construirmos boas práticas, melhorar a eficiência do estado e responder a essas demandas inadiáveis da sustentabilidade ambiental. Evidente que o agronegócio é muito importante para o brasil, mas não podemos ter mais complacência com quem destrói o meio ambiente e compromete o futuro da humanidade”.

Desde o dia 9 de fevereiro, quando entrou em vigor a parceria, as informações geradas pelo MapBiomas serviram como base para o BNDES negar 58 pedidos de empréstimos que somavam R$ 24,8 milhões e eram destinados a imóveis rurais com desmatamentos em 14 estados que totalizam 948 hectares, o equivalente a cerca de 1.300 campos de futebol. Os estados com maior reprovação de financiamentos foram Tocantins, Pará e Rondônia.

Monitoramento

A integração totalmente automatizada dos dados do MapBiomas com a plataforma operacional do BNDES permite ao banco, inclusive, passar a monitorar indícios de desmatamentos em imóveis referentes a operações de crédito rural já contratadas

A partir de fevereiro, só podem ser aprovados financiamentos de crédito rural destinados a imóveis onde não sejam identificados indícios de desmatamento ilegal. O proprietário tem o direito de contestar o bloqueio e apresentar documento que comprove a regularidade da remoção da vegetação se sua propriedade para a obtenção do empréstimo.

Os empréstimos do BNDES a produtores rurais atendem 95% de todos os munícipios do país, por meio de uma rede parceira de 70 instituições financeiras.

Fonte: Datagro
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Notícias

Outono começa nesta segunda e pode trazer fenômenos adversos

Por redação 20/03/2023
Escrito por redação
No Brasil, estação se caracteriza pelas chuvas mais escassas no interior do país e massas de ar frio no Sul e Sudeste

Outono começa nesta segunda e pode trazer fenômenos adversosO outono no Hemisfério Sul começa às 18h25 (horário de Brasília) da próxima segunda-feira (20) e termina às 11h58 (horário de Brasília) do dia 21 de junho. Estação de transição entre o verão quente e úmido e o inverno frio e seco, principalmente no Brasil Central, o outono se caracteriza pelas chuvas mais escassas no interior do país, especialmente no semiárido nordestino, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Já na parte norte das regiões Nordeste e Norte, ainda é época de muita chuva, principalmente, se houver a persistência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ao sul de sua posição climatológica.

O outono também é caracterizado por incursões de massas de ar frio vindas do sul do continente, que provocam a queda das temperaturas do ar, principalmente, na Região Sul e em parte da Região Sudeste.

Durante a estação, é possível observar as primeiras formações de fenômenos adversos, como nevoeiros nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste; geadas nas regiões Sul e Sudeste e no Mato Grosso do Sul; neve nas áreas serranas e nos planaltos da Região Sul, e friagem no sul da Região Norte e nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e até no sul de Goiás.

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Notícias

Embrapa orienta sobre uso eficiente de fertilizantes

Por redação 20/03/2023
Escrito por redação

Atividades acontecem no RJ e ES entre os dias 21 e 23 de março

Embrapa orienta sobre uso eficiente de fertilizantes

A Região Sudeste recebe nos dias 21, 22, 23 deste mês a Caravana Embrapa Fertbrasil, que vai divulgar, nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, a importância do manejo sustentável dos solos para o uso adequado de fertilizantes, visando a boa produtividade das lavouras, informa a “Agência Brasil”.

Segundo informação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Rede Fertbrasil, os participantes receberão informações sobre planejamento agrícola, boas práticas para uso eficiente de fertilizantes, novas tecnologias para suprimento de nutrientes às plantas, utilização de ferramentas digitais e sistemas de informação, e tecnologias e prática de manejo para sustentabilidade agroambiental.

Atividades

As atividades acontecerão sempre no período da manhã, das 8h às 12h30. No estado do Rio de Janeiro, os eventos serão realizados em Nova Friburgo, no Espaço da Moda da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), no dia 21 e, em Campos dos Goytacazes, no dia 22, no auditório do Sindicato Rural de Campos. A Caravana encerra as atividades na Região Sudeste na quinta-feira (23), no município de Venda Nova do Imigrante (ES), no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

Se o interesse for específico para um dos eventos, as inscrições podem ser feitas nos endereços, em Nova Friburgo; Campos dos Goytacazes; e em Venda Nova do Imigrante.

Caravana

A Caravana Embrapa Fertbrasil já passou por 31 cidades em nove estados brasileiros, tendo iniciado sua caminhada em 2022. Este ano, continuará percorrendo as principais regiões agrícolas do país para levar informações e conscientizar os técnicos e produtores sobre o manejo adequado das culturas. O objetivo é potencializar a eficiência econômica e agronômica dos fertilizantes e insumos, itens que contribuem para elevado custo de produção das culturas, segundo a Embrapa.

20/03/2023 0 Comentários
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Agritechnica 2023 deve ser vitrine para empresas brasileiras
Agritechnica

Agritechnica retorna em novembro com participação de brasileiros

Por redação 17/03/2023
Escrito por redação

Evento na Alemanha reúne as principais inovações do setor e nesta edição terá como tema principal a produtividade verde, com foco na sustentabilidade

Agritechnica retorna em novembro com participação de brasileiros

AGRITECHNICA 2019. Foto: Swen Pförtner

A Agritechnica, principal feira mundial de máquinas agrícolas, volta a ser realizada em novembro, após quatro anos, na cidade de Hanover, Alemanha. A última edição do evento foi em 2019 e, por isso há uma grande expectativa em relação às tecnologias e inovações que serão apresentadas. O Brasil, como um dos principais produtores de alimentos do mundo, tem forte presença no evento, com dois pavilhões de empresas brasileiras nesta edição.

Entre os expositores confirmados estão o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), que estará em um pavilhão coletivo com seus associados expondo seus produtos para exportação. E a Associação Brasileira de Máquinas (ABIMAQ), que deve levar as principais novidades em máquinas agrícolas produzidas no Brasil.

“O setor de máquinas e equipamentos agrícolas tem contado com o apoio do projeto Brazil Machinery Solutions, resultado da parceria entre ABIMAQ e ApexBrasil, para a participação na feira Agritechnica. Trata-se de um evento chave para nossa indústria, vitrine das principais marcas e tecnologias aplicadas na cadeia do agronegócio. A participação brasileira tem como objetivo apresentar ao mundo o que há de mais inovador no setor sendo fabricado pela indústria nacional”, destaca Patrícia Gomes, diretora executiva de mercado externo da ABIMAQ.

Entre as empresas brasileiras, a METISA (Metalúrgica Timboense) é uma das veteranas, participando da Agritechnica há mais de 20 anos. A relação entre a Agritechnica e o Brasil vem de longe. O evento, assim como outras feiras realizadas pela Sociedade Agrícola Alemã (DLG) tem sido regularmente apresentado em eventos do agro brasileiro nos últimos 15 anos.

“Os agricultores e produtores brasileiros são incrivelmente populares entre os expositores na Alemanha pela sua abordagem de agricultura em larga escala e mentalidade de investimento com foco em resultados”, afirma Sandra Willer, gerente de área para a América do Sul da DLG.

Agritechnica retorna em novembro com participação de brasileiros

AGRITECHNICA 2019, Hannover. Foto: Swen Pförtner

Com mais de 2 mil visitantes sul-americanos na última edição, a Agritechnica é uma oportunidade tanto para profissionais da indústria de máquinas e equipamentos, quanto para produtores e gestores. Com o alcance global da feira, os expositores podem atingir grandes produtores e compradores pelo mundo, como Cazaquistão, França, Reino Unido e Alemanha, por exemplo.

“Os espaços para expositores brasileiros na Agritechnica seguem abertos e uma nova rodada de inscrições está prevista para junho, se ainda houver vagas”, explica Brena Bäumle, diretora da Bäumle Organização de Feiras, representante oficial da DLG para o Brasil. E o país é um dos expoentes na produção mundial de alimentos e, no ano passado, registrou recorde nas exportações do agronegócio, com crescimento de 32%, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A força do agro também é visível no Produto Interno Bruto (PIB) do país. De acordo com o relatório mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o setor foi responsável por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021 e a expectativa é que tenha fechado 2022 respondendo por 25% do PIB.

Sustentabilidade

“O tema principal desta edição da Agritechnica é a ‘produtividade verde’, com foco nos desafios da agricultura moderna e na sustentabilidade no campo”, complementa Brena Bäumle. O evento é promovido pela Sociedade Agrícola Alemã (DLG) e reúne as principais empresas de tecnologia agrícola do mundo, com mais de 2 mil expositores de 52 países confirmados até o momento.

A Agritechnica será entre 12 e 18 de novembro e terá uma programação com eventos ao vivo, shows de demonstração e uma nova série de ‘Palcos de Especialistas’, explorando tópicos como pulverização inteligente, sensoriamento remoto, conectividade, equipamentos agrícolas autônomos e sistemas alternativos de powertrain, bem como soluções para obter maior eficiência e economia de recursos no campo como pneus, lastros e sistemas de assistência.

“A Agritechnica oferece o programa de feiras mais abrangente e variado para cultivos agrícolas internacionais: de pulverizadores de proteção de cultivos a drones, de tratores a sistemas de equipamentos autônomos, de colheitadeiras a sistemas de assistência digital. A exposição apresenta não apenas padrões estabelecidos e inovações aplicáveis para praticantes de agricultura, mas também visões para uma agricultura eficiente e sustentável em todo o mundo”, informa Timo Zipf, gerente de projetos da Agritechnica.

Os eventos parceiros da Agritechnica são Systems & Components, o mercado B2B para a indústria fornecedora internacional no setor de máquinas agrícolas e fora de estrada; o “Inhouse Farming – Feed & Food Show”, a nova plataforma DLG para os sistemas agrícolas e alimentares do futuro, com fortes laços com os profissionais agrícolas.

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17/03/2023 0 Comentários
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Manutenção

Quais os cuidados corretos com os comandos e sistemas hidráulicos

Por Redação 17/03/2023
Escrito por Redação

Quais os cuidados corretos com os comandos e sistemas hidráulicosSistemas hidráulicos trabalham com duas grandezas da física, que são: vazão e pressão. Na manutenção preventiva estes dois itens devem ser verificados com instrumentos adequados, procedendo-se os devidos ajustes e correções

Subir, baixar, manter suspenso, deslocar para cima ou para os lados, fazer girar, impulsionar, puxar e arrastar. Todas essas são operações constantes no dia a dia de quem executa tarefas no meio rural, as quais exigem esforços elevados.

Até alguns anos atrás essas atividades eram executadas diretamente com esforços físicos do próprio homem. Muitas pessoas fazendo muita força!

Mas, e hoje, como isso é feito? Com poucas pessoas ou apenas um operador comandando várias tarefas para movimentar cargas, objetos ou produtos em geral, tudo sem esforço humano. Utilizando qual força? A força hidráulica, ou, ainda, os sistemas hidráulicos.

O termo hidráulico deriva da raiz grega “hidro” (água). Por essa razão, entendem-se por hidráulica todas as leis e comportamentos relativos à água ou a outro fluido.

Saiba quando é a hora certa de trocar peças e componentes

Sendo assim, hidráulico é o estudo de características e uso dos fluidos sob pressão. Aqui, nas atividades descritas neste artigo, estamos falando do óleo hidráulico como fluído.

É justamente o óleo hidráulico que transfere e transmite a pressão produzida por uma bomba, resultando em força: força multiplicada. Para que todos entendam como a força se multiplica vamos recorrer às leis da física. O princípio de Pascal diz o seguinte:

“A pressão exercida em um ponto qualquer de um líquido estático é a mesma em todas as direções e exerce forças iguais em áreas iguais. Vamos supor um recipiente cheio de um líquido, o qual é praticamente incompressível.”

Assim, foi possível criar a fórmula básica da hidráulica que se aplica a todos os recursos que se utilizam da multiplicação da força de aplicação. Esta Força de aplicação (ou resultante) é igual à Pressão do sistema multiplicada pela Área do pistão do cilindro onde é exercida a atuação. Eis a fórmula:

F = P x A

Definição de pressão

Pressão é a força exercida por unidade de superfície.  Em hidráulica, a pressão é expressa em kgf/cm2, atm ou bar. A pressão também pode ser expressa em psi (pound per square inch) que significa libra força por polegada quadrada, abrevia-se lbf/pol2.

Um rápido exemplo: uma bomba hidráulica comum (do trator agrícola) exerce uma pressão de 200 kgf/cm2. Sendo esta pressão exercida em um pistão de 6cm de diâmetro (semelhante a de um trator agrícola).

Calculamos a área do círculo com 6cm e teremos: 28,26 cm2 de área deste pistão. Aplicamos a fórmula, multiplicando a área pela pressão de 200 kgf/cm2 teremos 5.652 kgf. Assim, um cilindro com pistão de 6cm de diâmetro e com uma pressão de 200kgf/cm2, movimenta mais de 5 toneladas.

Simples, eficiente, rápido, seguro, e apenas um operador executa um serviço que demandaria várias pessoas e muito tempo. Portanto, para obter força recorremos a sistemas hidráulicos. Para tal se faz necessário termos componentes, óleo hidráulico, dispositivos de vedação e, como sempre, a manutenção.

Sistema hidráulico

É um conjunto de componentes hidráulicos, dispostos segundo um determinado critério, destinado a produzir trabalho.

Um sistema hidráulico básico deverá ter, pelo menos, os seguintes componentes: reservatório, tubulações, bomba, atuadores (cilindros e/ou motores hidráulicos) e válvulas.

Com esse conjunto de peças já é possível comandar e executar várias tarefas do dia a dia de quem trabalha no campo ou em obras de construção, e tantas outras aplicações. Vamos entender melhor cada um desses componentes.

Reservatório

É o depósito do óleo hidráulico. Deve ser munido de bocal de abastecimento, dispositivo de verificação do nível (através de vareta ou visor), e orifício de respiro.

Tubulações

Podem ser rígidas (tubos ou canos) ou flexíveis (mangueiras) e seus respectivos conectores. São responsáveis por conduzir o fluxo de óleo a todos os componentes, tanto nas linhas de pressão como de retorno.

Bomba

Produz o fluxo de óleo e a pressão correspondente. Existe uma grande infinidade de tipos e formatos, conforme a aplicação. Mas as mais comuns nos sistemas de máquinas veiculares são: bombas de engrenagens, bombas de paletas e bombas de pistão.

Atuadores

Podem ser lineares (cilindros e pistões) ou rotativos (motores hidráulicos). É onde aparece o resultado final da aplicação da força hidráulica.

Válvulas

São os componentes que controlam todo o sistema. Suas principais funções envolvem controle de fluxo, controle de pressão, válvulas de segurança, de retenção, e a principal que é a válvula de comando, onde o comando da operação é executado.

Existem vários tipos e construções, bem como a forma de acionamento. Hoje, em sua maioria, são de acionamento eletro-hidráulico e com monitoramento eletrônico.   

Para que o sistema funcione, é necessária uma fonte de energia mecânica, que, no caso de máquinas, é o motor de combustão da própria propulsão. Mas também pode ser motor elétrico, como é o caso de veículos industriais que se utilizam de baterias tracionárias ou energia de rede comercial.

Este motor aciona a bomba hidráulica e, assim, o sistema entra em funcionamento. A bomba aspira ao óleo do reservatório e envia, através das tubulações, para as válvulas, que conforme são acionadas direcionam o fluxo de óleo para os diversos atuadores do sistema.

A essência operacional do sistema são as válvulas de controle. Pois nesses componentes o operador exerce seu comando para executar as tarefas e serviços para o qual o sistema foi projetado.

Para que tudo funcione corretamente e dentro do que foi projeto, dois aspectos importantes devem ser destacados: técnicas de operação adequadas e manutenção dentro do recomendado pelo fabricante. São dois assuntos que já abordamos em edições anteriores da revista, mas que reforçamos agora no caso específico de comandos hidráulicos.

Quanto aos procedimentos operacionais, o que se verifica ainda por parte de muitos operadores é o velho hábito de realizar comandos bruscos e “soquear” a alavanca de comando. Isso causa impactos violentos nos componentes internos das válvulas, e principalmente nas hastes dos pistões dos cilindros atuadores. Inclusive, chegando ao ponto de desalinhar e até trincar barra de aço da haste.

Outro item esquecido frequentemente pelos operadores é a Inspeção Diária: sistemas hidráulicos requerem verificação permanente.

Vejamos alguns itens na inspeção diária:

1 – Nível do óleo hidráulico;
2 – Condições do óleo, quanto a contaminação e viscosidade;
3 – Condições das tubulações e mangueiras, quanto a rupturas e vazamentos;
4 – Hastes dos cilindros e articulações mecânicas; folgas, limpeza e lubrificação;
5 – Vazamentos em geral no sistema, junto a válvulas e conexões. Destacamos aqui um ponto importante: a haste dos cilindros, onde ocorre contato com a poeira externa, e o anel retentor deve ser inspecionado.

São alguns procedimentos rápidos que um bom operador deve verificar sempre na Inspeção Diária da Máquina. Com isso obtém-se um melhor desempenho e uma vida útil maior para todo o sistema hidráulico e da máquina.

Quanto à manutenção, destacamos a importância da Manutenção Preventiva. Sistemas hidráulicos são compostos por menos componentes do que conjuntos mecânicos necessários para executar a mesma tarefa. Portanto, têm menos itens de manutenção e demandam menos tempo parado para executar os serviços de manutenção – logo, menos custos. Agora, a necessidade de fazer os serviços é mais exigente, pois as consequências são mais dispendiosas.

Mais uma vez, destacamos aqui a importância da manutenção preventiva. E no caso específico de sistemas hidráulicos, as diferenças de cifras financeiras entre a preventiva e corretiva são elevadíssimas. Veremos a seguir itens básicos da preventiva para sistemas hidráulicos:

1 – Condições do óleo hidráulico

Devem-se observar rigorosamente os períodos de troca recomendado pelo fabricante, bem como a substituição dos filtros. Há um aspecto que muitos manuais de serviços vêm recomendando: quando se opera máquinas em climas ou locais úmidos, onde o óleo sofre contaminação pela umidade, o período de troca deve ser abreviado. No dia a dia tenho presenciado o quanto esse requisito não está sendo observado no maquinário agrícola.

O óleo contaminado por umidade fica mais encorpado, e afeta o funcionamento de todo o sistema, desde a bomba, que vai ter uma sobrecarga, passando pelas válvulas e até os pistões, que terão uma resposta mais lenta. Percebe-se que é prejuízo para todos. Nas andanças pelo meio rural tenho defrontado com situações incríveis: óleos que pareciam um goma de tão contaminado.

Vale lembrar algumas funções do óleo hidráulico: transmissão da energia, lubrificação dos componentes móveis, dissipador de calor (arrefecimento), proteção contra a correção, amortecimento das oscilações entre os esforços de trabalho. Portanto, muita atenção a este item!

2 – Vazamentos

Sistemas hidráulicos não toleram vazamentos, pois as perdas acarretam funcionamento precário e até a parada total do sistema. Presenciamos máquinas trabalhando com pequenos vazamentos, como dizem muitos operadores: “Tá pingando um oleozinho, mas é normal, tá funcionando”. E assim continua, até que chega o momento que rompe a conexão ou o retentor, e aí a máquina fica parada e exige peças de reposição.

A verificação de vazamentos é permanente, tanto na inspeção diária como na manutenção preventiva, e, assim que for detectada, deve ser sanada, pois a troca de uma conexão ou de um retentor representa menos serviços do que trocar tubulações inteiras e até o jogo de reparos de pistões e cilindros. Outro aspecto importante é quanto aos anéis retentores e de vedação das hastes dos pistões.

Esses componentes possuem dupla função, pois, além de vedarem para que óleo não vaze, executam a limpeza da haste, para que a poeira e outros abrasivos externos não entrem nos cilindros, o que acarretaria sérios danos. Esta segunda função é possível através de um detalhe construtivo na parte externa do anel, e que um profissional bem preparado poderá verificar visualmente a manutenção das condições corretas e assim, se necessário, proceder a troca, evitando danos maiores.

3 – Testes

Sistemas hidráulicos trabalham com duas grandezas da física, que são: vazão e pressão. Na manutenção preventiva estes dois itens devem ser verificados com instrumentos adequados, procedendo-se os devidos ajustes e correções. Os atuais sistemas hidráulicos com controle eletro-hidráulico e monitoramento por microprocessador possuem sistema de diagnósticos específicos e mais precisos, o que facilita e abrevia serviços.

A partir desses testes, e de acordo com os períodos recomendados pelo fabricante, procedem-se os serviços dos demais itens previstos para manutenção preventiva.

Assim, sistemas hidráulicos cada vez mais fazem parte de máquinas agrícolas, estando presentes em toda a transmissão de força até as rodas de tração, que são as transmissões hidrostáticas.

Motores hidráulicos tracionários são o futuro que já se mostra presente em muitas máquinas, como pulverizadores, colheitadeira, e a vez dos tratores agrícolas está se aproximando.

Texto: Joel S. Alves é instrutor nas áreas de Operação e Manutenção de Máquinas e Implementos Agrícolas e Rodoviários 

 

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