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Opinião

Novo Código Florestal: os avanços e as falhas em uma década

Por redação 22/03/2023
Escrito por redação

O ano de 2022 foi repleto de marcos na história do Brasil e do mundo e também o ano em que a Lei de Proteção da Vegetação Nativa, também conhecida como novo "Código Florestal", completou 10 anos da sua aprovação. A lei teve significativo efeito no cenário ambiental e agrário do Brasil. Há muito o que se discutir sobre o saldo da lei nessa primeira década da sua aprovação.Por Flavia Pacheco – O ano de 2022 foi repleto de marcos na história do Brasil e do mundo e também o ano em que a Lei de Proteção da Vegetação Nativa, também conhecida como novo “Código Florestal”, completou 10 anos da sua aprovação. A lei teve significativo efeito no cenário ambiental e agrário do Brasil. Há muito o que se discutir sobre o saldo da lei nessa primeira década da sua aprovação.

Em linhas gerais, a implantação do SICAR (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural) é um dos pontos altos para a questão fundiária e o monitoramento das propriedades rurais. A proposta do CAR é integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.

A espacialização das propriedades rurais via CAR rapidamente se tornou um mecanismo substancial para o monitoramento das cadeias agropecuárias. Esse dado, declarado pelos próprios produtores, complementa os dados fundiários do INCRA, que realiza um trabalho vigoroso para gerar e disponibilizar informações georreferenciadas de limites de imóveis rurais. Os dados do CAR gerados na última década tornaram-se fundamentais para que os diferentes setores consigam localizar as propriedades no espaço e possam fazer análises em massa sobre os territórios em relação à sua adequação ambiental.

Para trabalhar com os dados do CAR, é preciso estar ciente das suas limitações. A sobreposição de várias fazendas é um dos problemas mais comuns. Essas inconsistências têm sido tratadas em nível estadual e municipal por meio da avaliação pelas secretarias competentes. Atualmente, são mais de 631 milhões de hectares cadastrados, dos quais 38% passaram por algum tipo de análise e apenas 2% tiveram a análise de regularidade ambiental concluída. Ainda há muito a ser feito, porém não há dúvidas de que a implantação do CAR foi um importante passo em direção a um monitoramento agrário mais efetivo no Brasil.

Os cadastros realizados irregularmente também têm sua importância ao apontar tendências nos territórios: imóveis cadastrados em áreas de florestas não destinadas são parte da chamada grilagem 2.0. O mesmo ocorre com cadastros em terras indígenas, que somam mais de 12 milhões de hectares, e em unidades de conservação, que somam mais de 5 milhões de hectares. Esses cadastros podem direcionar ações dos órgãos ambientais quanto à prevenção de invasão de territórios protegidos e grilagem de terras públicas.

Por fim, o CAR é um dos instrumentos que integram o Programa de Regularização Ambiental (PRA). A consolidação de uma base de dados nacional torna factível a regularização ambiental em larga escala e para todos os biomas. Os produtores têm a oportunidade de aderir ao PRA e regularizar as multas e passivos ambientais das suas propriedades. Até o momento, 51% dos imóveis rurais cadastrados solicitaram adesão ao PRA.

código florestal - Novo Código Florestal: os avanços e as falhas em uma décadaDiante disso, é importante destacar que a criação do CAR e de um sistema com capacidade de integrar dados ambientais para um país com proporções continentais foi uma iniciativa arrojada e inovadora, justamente o que os setores ambiental e agrícola precisam.

Flavia Pacheco, Analista de Suporte ao Cliente da EarthDaily Agro

22/03/2023 0 Comentários
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Notícias

Embrapa discute aplicação de tecnologias quânticas no agro

Por redação 22/03/2023
Escrito por redação

O evento acontece no dia 24 de março e terá transmissão pelo canal da Embrapa no Youtube

Embrapa discute aplicação de tecnologias quânticas no agroAs tecnologias quânticas estão presentes em diversos desenvolvimentos tecnológicos tais como GPS, LED, câmeras digitais, computadores, laser, mas como elas podem contribuir com o setor agropecuário? Para responder a essa e outras questões, a Embrapa Instrumentação promove, no dia 24 de março, o 1º Workshop de Tecnologias Quânticas no Agro.

O evento, por meio do Laboratório Nacional de Agro-Fotônica (Lanaf), integrante do Sistema Nacional de Laboratórios de Fotônica (Sisfóton), vai reunir especialistas para uma discussão sobre as perspectivas, os problemas, iniciativas bem-sucedidas de empreendedorismo nessa área para o País, novas ideias e colaborações, com transmissão pelo canal da Embrapa no YouTube.

Público e privado

O programa inclui especialistas da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Organização das Nações Unidades para Agricultura e Alimentação (FAO), da Bayer, além da própria Embrapa. A inscrição para o workshop é gratuita, e pode ser feita pelo link https://forms.gle/XC1TxVoG2gstiHPCA, para participação remota.

Coordenadora do Lanaf e do evento, a pesquisadora e chefe adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Instrumentação, Débora Milori, disse que o workshop “será um momento único para discutir, mais do que somente a situação atual, as oportunidades de tecnologias inspiradas na teoria quântica para que o agronegócio seja produtivo e sustentável, inclusive, com exemplos de empresas inovadoras”.

Duas gerações

As tecnologias quânticas consideradas de “primeira geração” estão presentes no dia-a-dia das pessoas e contribuem para a época de informação praticamente instantânea. Entre outras estão, por exemplo, os semicondutores muito pequenos integrantes dos chips de computadores e telefones celulares, ou ainda os lasers que leem os arquivos de áudio e vídeo nos aparelhos de CD e DVD.

Com a evolução, surgiram as tecnologias quânticas consideradas de segunda geração – representadas pela computação quântica, comunicação quântica e por sensores quânticos – que trabalha com o conceito de que todas as partículas quânticas possuem propriedades duais, como partícula e como onda. “O workshop pretende discutir como aproveitar os estados não clássicos da luz ou da matéria para desenvolver, por exemplo, sensores para uso na agricultura”, finaliza Débora Milori.

22/03/2023 0 Comentários
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Revista

Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcar

Por redação 22/03/2023
Escrito por redação

Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcarMáquinas e implementos voltados para a cultura da cana estão em constante evolução tecnológica, com modelos cada vez mais eficientes

Por Gustavo Paes – A cana-de-açúcar (Saccharum ofúcinarum) é a terceira cultura temporária em termos de ocupação de área no Brasil, atrás da soja e do milho, com plantio em todas as regiões do País, principalmente na região Sudeste. Na safra 2022/2023 são 8,3 milhões de hectares voltados à produção de cana. Uma variação de 0,5% em relação à safra anterior, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se as condições climáticas continuarem ajudando, a produção está estimada em 598,3 milhões de toneladas, um crescimento de 3,4%. A produtividade deve saltar de 69,3 quilos por hectare para 72 quilos por hectare, com uma variação de 3,9%. 

O Brasil é responsável por 20% da produção mundial de açúcar e por 45% da exportação. Somos o maior produtor de cana-de-açúcar e de açúcar do mundo e o segundo maior produtor de etanol, perdendo apenas para os Estados Unidos. O cultivo do vegetal no Brasil se concentra na região Centro-Sul do País, com 93% da área, e 7% na região Norte-Nordeste. São Paulo é o maior produtor, seguido de Goiás e Minas Gerais. 

A moagem de cana na segunda quinzena de janeiro na região Centro-Sul totalizou 307,3 mil toneladas. No acumulado da safra 2022/2023, a moagem atingiu 542,39 milhões de toneladas, ante 522,62 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo 2021/2022 – um avanço de 3,78%, conforme levantamento da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

Em todo o Brasil são mais de 747 mil empregos formais gerados apenas pelo setor produtivo, mas somados os empregos indiretos gerados pelo setor, chega a 2,3 milhões de pessoas empregadas na cadeia da cana. Também tem os produtores rurais independentes, que são cerca de 70 mil, de acordo com informações da Unica. 

Mecanização da colheita 

No Brasil, o sistema de colheita mecanizada – que é feita sem queima prévia, com o uso de colhedoras – tem avançado muito nos últimos anos. O percentual, que era 37,1% na safra 2008/9, na atual safra está estimado em 91,6%. Porém, na região Centro-Sul, beneficiada por relevo que favorece a mecanização nos canaviais, já chega a 97,8% da colheita com o uso de máquinas. Em São Paulo, o índice de colheita mecanizada saiu de 47,6% na safra 2008/9 para 98,6% na safra 2020/21.

O nível de mecanização em todas as operações agrícolas das lavouras de cana-de-açúcar aumentou após a implantação, na década de 1970, do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), uma iniciativa do governo brasileiro de intensificar a produção de álcool combustível (etanol). Desde então, as máquinas e implementos estão em constante evolução tecnológica, com o lançamento de novos e mais eficientes modelos, voltados à padronização de operações e maior capacidade de trabalho. 

Dificuldades iniciais 

O engenheiro agrônomo Marcelo Pierossi, da Lidera Consultoria e Projetos, de Campinas (SP), lembra que o processo de mecanização da cana não foi nada fácil no começo. Os pioneiros enfrentaram dificuldades na mecanização da colheita devido à falta inicial de equipamentos dimensionados para as condições brasileiras, já que os primeiros maquinários foram importados de canaviais australianos, nas décadas de 1950 e 1960. 

Pierossi diz que o processo de aprimoramento, iniciado em 1975, envolveu a padronização de operações, adequação da potência dos tratores a implementos com maior capacidade de trabalho, programação e controle da manutenção, treinamento de operadores, incorporação de novos equipamentos para plantio, aplicação de torta e eliminação de soqueira, entre outros.

Mas frustrados com as dificuldades, muitos produtores abandonaram a colheita mecanizada e retomaram a colheita manual. O recuo no uso de máquinas teve um preço alto.

“O preço que pagamos por tudo isso foi uma queda da produtividade e da longevidade dos canaviais, que estão sendo retomadas graças às ações cotidianas das usinas, baseadas na observação e na experiência dos envolvidos na condução das operações”, avalia Pierossi, que trabalhou durante 20 anos no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba (SP), antes de atuar como consultor.

O maior salto tecnológico da colheita mecanizada da cana ocorreu nas décadas de 1990 e 2000, com a evolução das colhedoras em relação à potência e consolidação da colheita de cana crua. Especialmente após a proibição das queimadas com o Protocolo Agroambiental firmado entre o estado de São Paulo e o setor (Unica e Orplana), em 2007.

Piloto automático

A partir dos anos 1990, com a colheita mecanizada ganhando popularidade, começou também a crescer o interesse pela mecanização do plantio, principalmente devido à falta de mão de obra no campo. Com o avanço tecnológico, o plantio mecanizado pode estar associado a outras técnicas como plantio direto e utilização de GPS. Quando munida de um piloto automático, a plantadora consegue registrar a posição das linhas de plantio, seguindo um planejamento previamente desenhado, visando a otimização do terreno.

Já para a colheita, é possível a realização de mapeamento com drones munidos de RTK, visando garantir a acurácia geodésica do resultado, e geração das linhas de colheita. Essas podem ser inseridas na colhedora para a realização da colheita automatizada, que, além de otimizar o serviço, colabora com a redução do pisoteio de soqueira. Pierossi destaca, porém, que a maior evolução foi o lançamento das colhedoras que recolhem a cana em duas linhas. “Essas colhedoras otimizam a produção e reduzem custos da colheita”, salienta.

Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcar

Menor custo operacional 

A mecanização da cultura permitiu uma maior capacidade de trabalho com um menor custo operacional, conforme Hosano Nascimento, coordenador comercial de negócios da Pivot, concessionária da Case IH em Goiânia (GO). “O trabalho de corte dessa lavoura há alguns anos era muito difícil, sem falar no fogo, que era colocado no canavial e acabava com a natureza. Hoje, com os equipamentos, além de otimizar tempo, conseguimos economizar de 70 a 80 homens no canavial”, sublinha.

Nascimento destaca que o maquinário moderno proporciona um aproveitamento melhor das janelas de safra, seja no plantio ou na colheita, aprimorando a produtividade e a alta precisão para o agronegócio. Para ele, cada máquina colhedora que possui as novas tecnologias traz respostas rápidas dentro de campo. “A máquina consegue, em média, colher de 800 a mil toneladas por dia, com uma economia de 10% a 15% no combustível. Além disso, conseguimos ter uma eficiência no corte da base da cana-de-açúcar em 30% a 40% a mais do que as demais máquinas”, compara o coordenador comercial. 

O plantio também ficou mais rápido com a adoção da mecanização, segundo ele. “Antes, quando a operação era manual, conseguiam plantar, no máximo, de 7 a 10 hectares a cada dia. Com o uso das plantadeiras, eles plantam entre 15 e 20 hectares por dia”, completa Nascimento.  

 Evolução do plantio

O engenheiro agrônomo Sérgio Quassi de Castro assegura que as plantadoras evoluíram muito nos últimos dez anos e são praticamente uma nova máquina. Ele diz que as tecnologias hoje encontradas no mercado mantêm a estrutura, a capacidade de muda, o formato do sulcador, o espaço físico dos itens. “Mas, em termos de tecnologia e desempenho, é um novo equipamento”, avalia Castro, que é pesquisador da Agroquatro-S, de Orlândia (SP).

Para o especialista, as principais evoluções estão na automatização, da inserção de novos sensores para redução de falhas e controle da distribuição de toletes (colmos). Também foram feitos ajustes na canaleta para que os toletes fluam, evitando danos na entrada do implemento após a haste do sulcador, removendo torrões, deixando o solo mais preparado e sem bolsões de ar para disposição dos toletes. 

Castro lembra que a inserção de diferentes caixas, seja para aplicar óxido de cálcio, magnésio ou para aplicar produtos organominerais também foram novidades que surgiram nos novos modelos de plantadoras de cana-de-açúcar. “Hoje, temos caixas extras que permitem fazer aplicação de outros produtos. Por exemplo, tem plantadora equipada com tanque para aplicação de calda química, um tanque só para aplicação de fungicida e outras plantadoras que têm tanques exclusivos para aplicação de biológicos como microrganismos solubilizadores de fósforo”, conta.

Outro destaque é a automatização das máquinas que, além de permitir rodar três turnos, reduzindo custos de operação e mão de obra, trouxe maior eficiência de plantio, com redução de falhas e melhor manutenção na taxa de distribuição dos toletes.

“Eu acredito que o sistema de distribuição dos toletes usado ainda não seja o mais adequado. Hoje, o ‘calcanhar de Aquiles’ segue sendo a forma como são distribuídos os toletes. Os sistemas atuais, de quaisquer máquinas do mercado são semelhantes, mas entendo que daria para fazer alguns ajustes para termos menos falhas e uma maior economia de mudas”, observa o pesquisador.

Tecnologia de ponta

O especialista de Marketing de Produto da New Holland, Juliano Perelli, destaca que a evolução das máquinas utilizadas na cana foi rápida e muito significativa. Hoje, a maior parte, se não todos os produtos, dispõem de tecnologia de ponta. São máquinas com inteligência artificial que não dependem mais de operadores nas tomadas de decisões e são totalmente conectadas, transmitindo dados em tempo real.

“Na produção da cana, todos os processos têm que ter o máximo de eficiência para poder gerar uma boa produtividade e rendimento operacional, muitas vezes com vários turnos de trabalho e sempre visando minimizar qualquer tipo de perda, utilizando todo o monitoramento de ponta disponível”, declara.

Entre os produtos mais eficientes disponíveis no mercado. Perelli destaca os pulverizadores, máquinas que possuem tecnologias como o piloto automático. Nos casos em que não é possível utilizar o piloto pela particularidade da operação, o pulverizador tem duas câmeras (uma para monitorar o rodado, para não pisotear as plantas, e outra na parte de trás para realizar manobras com mais visibilidade).

Este modelo conta com estação meteorológica, que mostra e grava dados em tempo real, sistema exclusivo de estabilização de barra, um vão livre maior para plantas mais altas, o Intellispray (sistema opcional que minimiza as perdas na aplicação de defensivos e aumenta a produtividade fazendo uma aplicação com qualidade superior), e o pulverizador já vem equipado com pingentes e rodados que se encaixam em aplicações com diversos tipos de espaçamentos entre linhas usados no plantio de cana.

Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcarEconomia de combustível

Há dois anos, a Jacto entrou no mercado das colhedoras de cana com a apresentação de uma colhedora que proporciona mais produtividade e economia, uma vez que tem o diferencial de colher simultaneamente duas linhas. A máquina tem potencial de reduzir até 35% o consumo de litros de combustível por tonelada de cana colhida. O modelo está passando por testes e um lote controlado deve ser lançado no mercado em 2024, conforme o gerente de cana da Jacto, Adilson Bazzuco.

O design da plataforma de colheita flutuante na parte frontal da máquina permite que a colhedora se adapte às irregularidades do terreno, o que proporciona um corte de maior qualidade, na altura adequada, e evita o carregamento de terra, palhada ou outras sujeiras para a usina. A colhedora garante maior produtividade, já que segue a tendência de colheita em duas linhas e traz uma tecnologia inovadora, com o dispositivo de corte e transporte de cana localizado na parte frontal da máquina, em um conceito do tipo plataforma flutuante, que possibilita um corte mais preciso, com maior qualidade. 

código florestal - Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcarDependendo do relevo, das condições do canavial e até mesmo da logística empregada na lavoura, a máquina pode colher até 2 mil toneladas de cana por dia. “Ela consegue colher praticamente o dobro de toneladas de material, principalmente se comparado com equipamento de uma linha”, salienta. Outro diferencial do equipamento é o sistema de limpeza mais eficiente, que conta com ventiladores radiais sopradores que ajudam a limpar a cana em duas etapas. Conta ainda com um sistema que prioriza o uso de energia de modo equilibrado, de forma a reduzir o uso de combustível.

Tecnologia embarcada

Regis Ikeda, especialista em Marketing de Produto da Case IH, lembra que, entre as máquinas usadas na cana, um dos destaques são os tratores. Há a utilização de tratores especialmente de grande porte, para o preparo do solo e o plantio. Na etapa dos tratos culturais, podem ser usados modelos de médio porte, pulverizadores e aviões agrícolas. Na colheita, a colhedora de cana é a principal máquina. “Esse segmento é um dos mais avançados em termos de tecnologia e industrialização. E as máquinas seguem essa tendência, com grandes evoluções na performance, disponibilidade e tecnologia”, afirma. 

As plantadeiras possuem sistemas automatizados de controle de distribuição da muda, acionamento e desligamento de distribuidores de fertilizantes, além de aplicadores de defensivos. Mas o maior destaque, em termos de evolução tecnológica, está nas colhedoras de cana. “Essas máquinas evoluíram muito em eficiência de uso energético – reduzindo o consumo de combustível –, além de terem recebido sistemas de agricultura de precisão”, destaca Ikeda.

No ano passado, a Case IH lançou uma nova linha de colhedoras com mais de 20 melhorias que garantem pelo menos 10% de redução de consumo de combustível, aumento de 5% a 10% da capacidade de colheita e com ganho de 50% a mais na vida do motor.

O executivo observa que em qualquer etapa do processo produtivo a mecanização é de extrema importância na cultura da cana, pois é uma lavoura que produz muita massa vegetal e, além disso, sua produção é de larga escala e envolve muitos hectares, não sendo viável a produção sem mecanização. Com a eliminação da queima, a mecanização ganhou mais importância na colheita. O processo de mecanização trouxe diversos benefícios sociais, ambientais e também econômicos para a sociedade e para o setor canavieiro.

“Se antes o processo era manual e envolvia grandes queimadas, atualmente, ela é totalmente mecanizada e garante eficiência, qualidade e sustentabilidade a um dos setores mais importantes para o mercado agro brasileiro”, salienta. 

código florestal - Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcarColhedora de duas linhas

As atividades de preparo de solo, plantio e tratos culturais demandam tratores, que variam na ordem de 75cv – 400cv e implementos, conforme o gerente de negócios da John Deere, Rodrigo Junqueira. As atividades de tratos culturais demandam por cuidados precisos, que os pulverizadores podem atender de forma otimizada com custo operacional menor. 

Na colheita, a marca pode atuar no que tange ao espaçamento simples, duplo simples, com até 22% de custo operacional menor, e duplo alternado, com as novas colhedoras. Uma delas é um projeto pioneiro para colheita de duas linhas simultâneas nos canaviais de espaçamentos simples de 1,4m ou 1,5m. O equipamento, que foi desenvolvido para o Brasil com o objetivo de sanar as necessidades dos agricultores, auxilia na rentabilidade e sustentabilidade da colheita. 

O gerente destaca que, para a melhor performance, é preciso se atentar a dois pontos principais: sistematização e colheitabilidade. É importante evitar ‘matações’ nas linhas de sulcação do canavial e tiros longos sem carreadores de acesso que facilitem a logística. “A máquina deve colher posicionada nas linhas gêmeas, ou seja, onde foi o rastro do trator de plantio, para evitar que haja variação de distância entre as linhas que estão sendo colhidas”, afirma Junqueira. Outro fator muito importante é que o dimensionamento de logística seja ideal, com malhadores bem posicionados e números de tratores transbordos suficientes para que a operação não pare por falta deles. “Esses fatores, se não observados, geram uma redução muito grande de performance da máquina”, completa.

 

código florestal - Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcarcódigo florestal - Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcarcódigo florestal - Culturas e tecnologias: do plantio à colheita da cana-de-açúcar

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Notícias

Dia Mundial da Água: projeto reutiliza água para irrigar pasto

Por redação 22/03/2023
Escrito por redação

Projetos da Marajoara Laticínios, na cidade de Hidrolândia, são exemplos de aproveitamento ambientalmente correto dos recursos hídricos. Neste Dia Mundial da Água, especialistas alertam que escassez pode resultar em conflitos globais

Dia Mundial da Água: projeto reutiliza água da indústria para irrigar pastoNão são poucos os alertas de especialistas para o fato de que a escassez hídrica no mundo pode ser a causadora de conflitos globais, caso as nações e empresas não adotem o mais rápido possível práticas sustentáveis de gestão da água. Informações obtidas pelo projeto MapBiomas, com base em análises de imagens feitas por satélite em todo o território nacional, entre 1985 e 2020, mostram que o Brasil perdeu 15% de sua superfície de água doce nos últimos 30 anos.

Outro dado alarmante divulgado pelo Instituto Trata Brasil no ano passado, mas referente a 2020, revela que Brasil o desperdiçou mais de 40% de toda a água potável captada naquele ano. Em 2019, esse percentual era de 39%, o que denota que a situação tem piorado.

Por isso, o Dia Mundial da Água, comemorado neste 22 de março, além de promover a conscientização da população, busca evidenciar iniciativas como da Marajoara, uma indústria de laticínios localizada na cidade de Hidrolândia, interior de Goiás, que por meio de iniciativas relativamente simples tem feito uma gestão sustentável de todo o ciclo dos recursos hídricos que usa em seus processos fabris.

Uma dessas iniciativas é o projeto Fertirrigação, que aproveita as águas residuais da fábrica de laticínios. Após serem tratados numa estação de tratamento efluentes (ETE) própria, os recursos hídricos utilizados vão para uma rede de irrigação montada numa área de pasto com 160 mil m², próxima à indústria. Ao invés de descartar essa água no córrego da cidade, ela é usada para irrigar o pasto, mantendo a produtividade do mesmo o ano inteiro.

“O nosso sistema de tratamento da água por flotação assegura uma eficiência superior a 90%, bem mais do que os 60% exigidos pela legislação ambiental. Até então, essa água já devidamente tratada era lançada no Córrego Grimpas. Porém, com esse projeto de fertirrigação conseguiremos dar uma destinação mais sustentável para essa água”, explica o gestor de compras da Marajoara , Vinícius Junqueira.

Modelo

Criado em 2021, o projeto de Fertirrigação pode ser modelo para indústrias de todo o Brasil. Com mais de um quilômetro de tubulações, a rede de fertirrigação é bem mais eficiente do que o convencional uso de valas de distribuição de água.

“Trata-se de uma fertirrigação em malha, composta por cerca 600 aspersores, sendo que cada um irá lançar água a uma distância máxima de um raio de 11 metros. Isso faz com que o uso dessa água seja mais racionalizado, desta forma, evitando o desperdício”, detalha Vinícius Junqueira.

O sistema também é composto por três bombas instaladas em tanques especiais, que recebem a água tratada, e podem irrigar 25 mil litros de água já tratada por hora, o que resulta numa capacidade total da rede de irrigar 75 mil litros de água por hora. Em 12 horas o volume de água irrigada chega a quase um milhão de m³.

Para se fazer o manejo rotativo da irrigação, a área de pasto é dividida em piquetes, o que faz com que a produtividade da pastagem aumente até cinco vezes. “Através deste sistema, independentemente do período do ano, se de seca ou não, você terá pasto verde e abundante para gado. E outra vantagem desse sistema é a possibilidade de levar com facilidade suplementação para o pasto, que pode ser diluída na própria água, refletindo no ganho de peso do gado”, explica Antônio Júnior Vilela, gerente industrial da Marajoara Laticínios.

Biomassa

O Projeto de Fertirrigação foi implantado com a aprovação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Ele completa projeto anteriormente implantado pela indústria: o da Biomassa. Com o tratamento, por meio da ETE, da água usada nos processos fabris da indústria de laticínios, um desafio da empresa era dar uma destinação mais sustentável e ambientalmente correta para o material orgânico que era separado da água após o tratamento.

“Tínhamos um gasto grande com o transporte dessa matéria orgânica que era gerada, para uma usina de tratamento de resíduos sólidos, além do mais, queríamos dar uma destinação mais útil para esse resíduo que é rico em nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, substâncias importantes para o crescimento de pasto. Então, com a aprovação da Semed, decidimos usar essa biomassa como fertilizante para alguns pequenos produtores que cadastramos para participar do projeto”, conta o gerente do Grupo Marajoara.

Assim, explica Vinícius Junqueira, a empresa consegue tratar de forma 100% sustentável todo o ciclo de uso dos recursos hídricos, desde a captação, passando pelo tratamento da ETE até o descarte da água. “Tratamos a água que usamos, depois de tratada ela é usada no sistema de fertirrigação que, além de irrigar o pasto, reabastece o lençol freático. Também damos uma destinação sustentável para a matéria orgânica que foi gerada após o tratamento os efluentes”, explica

Premiação

Graças a esses projetos da Fertirrigação e da Biomassa, a Marajoara conquistou a primeira colocação na categoria Elementos Naturais na 19ª edição do Troféu Seriema, em 2021. O prêmio de âmbito nacional é concedido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO). A premiação contou com inscrição de 139 projetos em sete áreas, sendo16 deles na categoria Elementos Naturais, que teve a água como foco principal, levando em consideração o atual cenário de crise hídrica que vive o País.

Segundo Vinícius, a premiação é um importante reconhecimento para a Marajoara, que tem em sua gênese a inovação e o cuidado com o meio ambiente.

“Com investimento em inovação e empenho podemos garantir o retorno de água ao lençol freático e sua disponibilidade futura. Nosso exemplo poderá também estimular outras empresas a adotar a prática 100% sustentável nos próximos anos, pois é um caminho sem volta”, declarou.

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Revista

Inteligência artificial e os novos robôs aéreos e terrestres são uma realidade

Por redação 22/03/2023
Escrito por redação

Inteligência artificial e os novos robôs aéreos e terrestres são uma realidadePor Lúcio André de Castro Jorge*

A Inteligência Artificial é uma área da Computação e tem sido aplicada em diferentes áreas e tem seu destaque recente na agricultura com o uso de técnicas avançadas que permitem automatizar processos antes feitos de forma manual. A principal importância da inteligência artificial na agricultura está na análise de grandes conjuntos de dados, aprendendo padrões que possibilitem, por exemplo, identificar a variabilidade no campo ou antecipar a produtividade de uma lavoura e criar alguns processos automatizados. 

O aprendizado de padrões pode ser capaz de aprender a reconhecer tudo que se deseja, como de medições de temperatura, dados climáticos, valores espectrais obtidos por imagens, dentre outros. A aplicação de técnicas inteligentes pode indicar, por exemplo, que uma dada sequência de valores de temperatura está dentro da normalidade, que uma cultura está com certa praga, ou que o objeto que está em determinada posição em uma imagem é uma laranja.

A inteligência artificial na agricultura pode ser aplicada em diferentes tipos de dados, desde dados provenientes de sensores obtidos em campo, embarcados, ou não, em máquinas, sensores IoT (Internet das coisas), em robôs terrestres, veículos aéreos e plataformas suborbitais e orbitais (satélites e nanosatélites), dentre os quais tem-se cada vez mais disponíveis para o dia a dia do agricultor. Na Figura 1 podem ser observadas as diferentes escalas de sensores utilizados na agricultura digital e que cada vez mais tem sido parte integrante nas fazendas. 

Verifica-se que os veículos com algoritmos para deslocamentos autônomos (terrestres e aéreos), bem como as técnicas de visão computacional já estão entrando na fase de adoção. E a partir destas, várias soluções têm sido propostas para o produtor rural. Por outro lado, as várias técnicas de processamento inteligente ainda estão em evolução, não atingindo ainda sua maturação, e para isto requer mais alguns anos para de fato serem consolidados como ferramentas adotadas e presentes no dia a dia. Não obstante, a cada dia aparecem novas soluções. A partir dos novos sistemas robóticos, aéreos e terrestres, estamos na fase de aquisição de dados com a finalidade de criação de grandes bancos de dados para as diferentes aplicações na agricultura, quantidade de padrões necessários para treinar os sistemas complexos que formam nosso agro, que para tomada de decisões necessita de inúmeras informações, como clima, solo, planta, operações e demandas de mercado.

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Figura 1: Diferentes escalas espaciais e temporais, plataformas de captura de imagens e dados utilizados pelos algoritmos de Inteligência Artificial aplicados na Agricultura Digital

O aumento dos sistemas de sensoriamento remoto nas diferentes escalas como apresentado na Figura 1, tem permitido uma ampla coleta de dados na superfície da Terra. Imagens aéreas tornaram-se uma abordagem comum para aquisição de dados com o advento dos Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT). Estes também são conhecidos como Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP), ou, como em um termo popular, drones (multi-rotores, asas fixas e híbridos, etc). Esses dispositivos têm crescido em disponibilidade no mercado por seu custo relativamente baixo e alta capacidade operacional para capturar imagens de maneira rápida e fácil. 

A alta resolução espacial das imagens baseadas em VANTs e sua capacidade para múltiplas visitas permitiram a criação de grandes e detalhados conjuntos de dados a serem tratados. O mapeamento de superfície com plataformas VANTs apresenta algumas vantagens em relação ao orbital e outros métodos de aquisição de sensoriamento aéreo. A menor interferência atmosférica, a possibilidade de voar em altitudes mais baixas e, principalmente, o baixo custo operacional tornaram esse sistema de aquisição popular tanto em explorações comerciais quanto científicas. 

Atualmente, o verdadeiro desafio nas abordagens de uso de robôs ou inteligência artificial na agricultura e no meio ambiente é obter informações automáticas, rápidas e precisas desses tipos de dados. Verificamos que as aplicações, apesar de muitos desafios para uso diário e em larga escala, existem duas grandes vertentes, aquelas que se baseiam em informação espectral, a partir de sensores óticos, RGB, multiespectral e hiperespectral, bem como aqueles que se baseiam em identificação de objetos, como plantas, frutos e animais, etc.

Dependendo do sensor utilizado para monitorar o campo, vários parâmetros como resolução espacial, espectral e radiométrica devem ser bem calibrados e adquiridos de forma padrão para evitar processamento de dados errados gerando modelos errados.

As aplicações em agricultura de precisão foram muito beneficiadas pela integração entre imagens obtidas com VANTs e métodos Inteligência Artificial. A maioria das questões relacionadas a essas abordagens envolve detecção de objetos e extração de recursos para contagem de plantas e detecção de linhas de plantação, reconhecimento de lacunas de plantação, segmentação de espécies de plantas e espécies invasoras como plantas daninhas, fenologia e detecção de fenótipos, entre outros. 

Essas aplicações oferecem inúmeras possibilidades para esse tipo de mapeamento, especialmente porque a maioria dessas tarefas é, ainda, conduzida manualmente por inspeção visual humana. Como resultado, eles podem ajudar as práticas de agricultura de precisão, devolvendo previsões com resultados rápidos, imparciais e precisos, influenciando a tomada de decisões para o gerenciamento de sistemas agrícolas. 

Independentemente disso, embora os métodos automáticos forneçam informações importantes nesse contexto, eles enfrentam grandes desafios. Algumas delas incluem semelhança entre a planta desejada e as plantas invasoras, plantas difíceis de detectar em ambientes de alta densidade (ou seja, apresentando pequeno espaçamento entre plantas e linhas), linhas de plantação que não seguem um caminho reto, segmentação de borda no mapeamento de copas com conflitos entre sombra e iluminação, e muitos outros. Ainda assim, novas investigações visam alcançar uma capacidade maior para lidar com tais problemas. 

As técnicas de IA têm avançado muito e principalmente o uso de Deep Learning em aplicações na Agricultura e no Meio Ambiente, que é o grande destaque dos últimos anos. A aplicação para a área de imagens tem se tornado de grande importância para aplicações na agricultura digital. 

As técnicas de IA estão em grande evolução e a cada dia aparecem novas propostas que se beneficiam de uso de GPUs (processadores de alto desempenho) e clusters de processamento, e apresentam como grande tendência para processamento em tempo real usando sistemas embarcados em VANTs, robôs ou máquinas agrícolas.

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A chegada dos robôs

Na área de robôs, os agricultores de uma forma geral relatam que não veem a hora destes chegarem ao campo, e eles já estão chegando. Apesar de muitos serem hesitantes na adoção de novas tecnologias, pois dizem que muitas delas não fazem o que prometem. 

O desenvolvimento de soluções automatizadas para agricultura é um risco e um desafio, sendo que as expectativas e os requisitos diferem de local para local. De fato, os primeiros robôs produzidos geraram certa frustração antes mesmo de chegarem a ser adotados. Os primeiros sistemas disponíveis não tiveram tanto sucesso na adoção e falharam, mas neste novo momento temos tido já casos de sucesso com grande destaque. 

Podemos dizer que os drones são exemplos de robôs aéreos que inicialmente eram questionados quanto a sua efetividade, mas que agora passaram a ser ferramentas fundamentais nas propriedades agrícolas. Por se tratar de um mercado em rápida evolução, existe certa dificuldade dos produtores de encontrar o melhor fornecedor, startups que passem do vale da morte e consigam dar continuidade no suporte aos produtores, bem como o preço caia a ponto de ter um custo-benefício proporcional.

Já existem vários robôs aéreos comerciais ao redor do mundo em diferentes países, chegando ao Brasil com representantes. Também houve uma evolução muito grande na tecnologia nacional. Um grande destaque pode-se dizer é a sua disponibilização como serviço. Ou seja, o produtor não precisa comprar o sistema, apenas utilizar o serviço.

No agro podemos destacar mais de 50 fabricantes com soluções em adoção em todo o mundo, muitos deles advindos de startups recentes, com destaque também para fabricantes renomados de máquinas que resolveram entrar neste mercado. Dependendo do objetivo que se procura, o uso de robôs aéreos ou drones, como na colheita automática, no controle de invasoras, na qualidade de frutas, para pulverização, pode-se dividir as novas tecnologias em: 

  1. sistemas especialistas para uma dada tarefa, como o de inspeção em campo, remoção de plantas daninhas ou pulverização; 
  2. robôs para múltiplos usos, como multitarefas levando diferentes acessórios;
  3. sistemas robotizados para colheita.

Estes últimos em geral são customizados para tipos específicos de culturas ou frutos. Os modelos em destaque que estão invadindo os nossos campos de produção:

– AgroIntelli Robotti, Exobotic Tech – robôs de multitarefas para agricultura de precisão, podendo levar diferentes sensores e atuadores. Usado principalmente na Europa, com muitas unidades já em operação nas fazendas; 

–  XAG, AgXeed AgBot, Korechi RoamIO, GUSS – robôs autônomos para pulverização, tomada de dados;

–  Aigro Up, AmosPower, CareRobot, Naïo, HSS AgXeed – Controle de plantas daninhas, plantio, pulverização e aparador;

–  FarmBot, FarmDroid, Korechi RoamIO, Farmwise Titan – plantio de sementes, controle de daninhas, detecção de pragas com imagem;

–  Pixelfarming Robotics, Carré Anatis, H2L Robotics, Kilter AX, Jacto Arbus, Nexus Robotics – Controle de plantas daninhas por imagem;

–  Small Robot Co, Solinftec Solix (Brasil), Vitirover – Contagem de plantas, detecção e controle de daninhas, visão computacional;

–  AVL Motion Compact S9000 – Colheita seletiva por imagem.

Robôs em campo no Brasil e no mundo

Um levantamento realizado em 2022 mostrou que 965 robôs de múltiplos usos estavam em operação no campo, no mundo, comparado com 593 em 2021, apresentando um aumento de 63%. Foram constatados ainda 490 robôs especializados para tarefas específicas em 2022, comparado com 344 em 2021, ou seja, 42% a mais. Robôs para colheita autônoma: de 8 para 14, representando 75%. Por volta de 1469 robôs para coleta de dados e imagens e pulverização estão sendo utilizados em todo mundo, comparado com 945 em 2021, 55% a mais. Essas pesquisas foram realizadas pela equipe da Future Farming em 2022.

Inteligência artificial e os novos robôs aéreos e terrestres são uma realidadeExistem muitas outras iniciativas dentro de universidades e startups. O grande avanço da robótica com sistemas embarcados, principalmente com módulos de inteligência artificial estão fazendo com que o mercado se modifique rapidamente. Uma pesquisa para identificar como está o uso dessa tecnologia no campo constatou que o número de robôs no campo em 2022 foi em média 55% maior que em 2021. Os robôs de múltiplos usos na agricultura são os mais populares e estão se tornando cada vez mais acessíveis em termos de custos. As revendas estão aquecidas e no Brasil já se tem representantes das empresas chinesas e iniciativas nacionais de maior destaque. 

A detecção e remoção de plantas daninhas têm tido eficiência de 55,7% em uma simples passada, segundo a Dutch National FieldLabs (NPPL). Em geral se faz mais de uma passada na lavoura. O sistema mais utilizado é com jato de alta pressão, sendo o destaque para os sistemas mais precisos os que usam descargas elétricas de alta frequência. Independente disso, o sistema de detecção é em geral por inteligência artificial embarcada a partir de imagens. O uso de imagens exige um processamento quase em tempo real e com os novos processadores, máquinas com GPUs têm resolvido esse gargalo.

Além dos robôs terrestres podemos dizer que os drones têm se tornado robôs aéreos, já embarcados com sistemas de navegação e captura de imagens, agora trazem processamento em tempo real para detectar e atuar ao mesmo tempo. Em geral, os drones de pulverização ou aplicação de agentes biológicos vinham sem o sistema de detecção inteligente. Era feito o processo em duas etapas, primeiro se fazia o mapeamento das daninhas ou pragas e, depois, com a missão pré-programada, se passava o drone pulverizador. Os avanços recentes mostram que estão chegando ao campo os drones com inteligência embarcada para tomar decisão de pulverizar ou não em tempo de voo.

Mais acessíveis  

O custo dos drones tem se tornado cada vez menor, permitindo assim que mais aplicações sejam realizadas. No entanto, ainda é necessário políticas públicas de incentivo para aquisição da tecnologia, principalmente capacitação e treinamentos. Existem drones de diferentes categorias, que vão desde os mais simples de monitoramento da fazenda com câmeras que simulam o olho humano, até sensores que enxergam além da capacidade humana. Para drones simples, com sensores RGB (imagens no visível), muitas aplicações estão sendo realizadas.

Quando se agrega os sensores de infra-vermelho e sensores com mais resolução, já é possível ver onde existem alterações na planta e, em alguns casos, ainda não visível. Essas imagens aplicadas em sistemas de IA já permitem identificar as alterações na lavoura e muitas vezes fazer a correção ainda na mesma safra. Para isso, estamos presenciando uma avalanche de startups com novas soluções para o produtor, o que torna difícil ainda a escolha do melhor sistema. Muitas delas ainda sem uma recomendação completa, mas já é possível tomar decisões para manejo adequado das lavouras. Assim, para contornar a dificuldade de escolha, recomenda-se o treinamento da equipe. 

Os sensores em robôs ou drones, ou mesmo em satélites de alta resolução, têm permitido o monitoramento do campo com grande eficiência. Isso ocorre principalmente nas grandes fazendas, pelo custo e pela capacitação da equipe. No caso de propriedades médias e pequenas, a solução está nas modalidades de drones ou robôs como serviços, em geral prestados por consultorias de agricultura de precisão. 

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Estamos no momento de uma grande mudança no campo, com apoio de tecnologias avançadas que, por hora, ajudam na tomada de decisão, mas em breve vão ser protagonistas e tomar a decisão automaticamente. 

Os celulares vieram e trouxeram grande revolução na comunicação, assim como o GPS, que transformou a forma de monitorar as fazendas. Agora, com as tecnologias de imagens, já se pode diagnosticar até precocemente e tomar decisões mais acertadas. Com os sistemas inteligentes, apesar da agricultura ser um sistema complexo e estarmos exatamente no momento da mudança de certos paradigmas, teremos nos próximos anos a invasão dos robôs aéreos e terrestres, isoladamente, ou em enxames, trabalhando de forma automática e tomando decisões para o produtor. 

*Lúcio André de Castro Jorge é Engenheiro Eletricista, M.Sc. e D.Sc., pesquisador da Embrapa Instrumentação. E-mail: lucio.jorge@embrapa.br

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22/03/2023 0 Comentários
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Notícias

Empresa brasileira lança tecnologia para secagem do café

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

Produto reduz o tempo do processo de secagem do café, mantém a qualidade do grão e garante trazer maior produtividade ao cafeicultura

Empresa brasileira lança tecnologia para secagem do caféA empresa brasileira Dryeration anunciou uma tecnologia que realiza o processo de secagem do café em menos de 24 de horas. A companhia, uma das pioneiras no desenvolvimento de soluções para secagem de grãos, cereais, oleaginosas e sementes, garante que o uso da tecnologia pode trazer maior produtividade ao cafeicultor, além de manter a qualidade do grão do café.

O novo sistema permite que a área de contato com o fruto seja semelhante a um terreiro e inicia a injeção de volume de ar. Esse ar vai passando pelo café, que está estático, dentro do secador, fazendo com que o fluxo passe em todas as partes e seque toda a massa com homogeneidade.

Além de permitir uma secagem uniforme, a agilidade com que o secador Cofee Dryer retira a umidade dos grãos e a leva para fora do secador, com a mesma rapidez, preserva a qualidade dos grãos. Cada equipamento tem capacidade para 20 mil litros/dia – em torno de 14 toneladas.

“Estamos trazendo para o mercado um novo conceito e velocidade, reduzindo o tempo de secagem e eliminando muitos problemas de secagem, como chuva, infestação de insetos e queima de matéria seca”, pondera Otalício Pacheco da Cunha, especialista em sistema de secagem de grãos e fundador da Dryeration. Os primeiros estudos para o desenvolvimento de uma secagem diferenciada começaram em 2001, em Minas Gerais. “É um tempo curto, visto que a história do café tem bem mais de 1500 anos”, acrescenta.

Mais produtividade com a secagem do café

A secagem mais rápida da nova tecnologia beneficia, especialmente, os cafeicultores que querem volume de seca, liberando mais cedo a lavoura para os tratos culturais, como poda e pulverização. Um atraso na colheita derruba o botão floral. Quando chega no meio do ciclo e a planta já começa a soltar os botões florais, é sinal de menor produção para a próxima safra, porque um botão floral (pinha) que cai é um fruto a menos que produz. Evitar essa perda é melhorar a produtividade, ao tornar possível retirar o fruto da planta no melhor estágio de maturação, o processo inovador agrega maior perspectiva de ganho de valor agregado.

Em um comparativo realizado em testes que secou a mesma quantidade de café (mil sacos) nos dois sistemas, os grãos que passaram pelo sistema convencional, entre 7 e 10 dias, tiveram 12,3% de queima de matéria seca. “Isso quer dizer que, com o Cofee Dryer, são exatamente 123 sacos a mais para o produtor”, complementa Otalício Pacheco da Cunha. A partir do mês de abril, toda essa tecnologia embarcada estará operando em um município da região Nordeste Paulista.

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Revista

Show Rural Coopavel supera expectativas de público e faturamento

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

Expectativa inicial era receber 300 mil pessoas e movimentar R$ 3,5 bilhões

Show Rural Coopavel supera expectativas de público e faturamento A 35ª edição do Show Rural Coopavel recebeu, em cinco dias (6 a 10/02), 384.022 visitantes e o volume de vendas dos expositores alcançou os R$ 5 bilhões. Esses foram os principais números anunciados pelo presidente Dilvo Grolli e pelo coordenador geral do evento, Rogério Rizzardi, durante coletiva realizada no último dia da edição comemorativa dos 35 anos do evento.

A expectativa inicial era receber 300 mil pessoas e movimentar R$ 3,5 bilhões. “Os resultados alcançados mostram a força do agronegócio e a confiança dos produtores rurais em uma cadeia produtiva fundamental para o Brasil e para o mundo”, conforme Grolli. Neste ano, a feira contou com a participação de 600 expositores, número que deverá ser mantido na próxima edição da feira, de acordo com Grolli. “O desafio é garantir a qualidade da organização e dos conteúdos repassados aos produtores rurais.” 

Smart Agro Brasil

O Show Rural Coopavel contou com o lançamento de um projeto de desenvolvimento setorial que pode transformar o agro brasileiro. Fundado por uma parceria entre Grupo Brasil Soberano, Coopavel, Parque Tecnológico Itaipu e Fundetec, o Smart Agro Brasil pretende acelerar a transformação digital por meio da hiperconvergência de dados, apresentando uma visão estratégica para a melhoria de toda a cadeia do agro.

O Smart Agro Brasil deverá incorporar múltiplas plataformas de dados, que serão transformados em inteligência por meio de um sistema de Inteligência Artificial. Trata-se da integração dos recursos de processamento, armazenamento e virtualização, gerando diversos diagnósticos, produtos e serviços com inteligência para o mercado.

Entre os serviços estão plataformas de dados abertos integrados e dados compartilhados; exponencialização da conectividade do campo; capacitação de mão de obra; consultorias especializadas; além da criação do “Selo de Excelência Smart Agro Brasil”, o primeiro de excelência tecnológica para o agroárea da Fundetec.

Entre os fabricantes de máquinas agrícolas presentes na feira esteve a LS Tractor Brasil, com os tratores R50 e R65, modelos que possuem características que atendem às demandas dos avicultores. “Por conta de sua origem, a Coreia do Sul, onde as propriedades são pequenas, os tratores LS têm características construtivas especiais, apresentam excelente performance em espaços reduzidos, por isso nossa proposta de levar essa solução ao setor avícola”, ressalta o gerente de marketing e vendas da LS Tractor, Astor Kilpp.

Maratona de tecnologia no Show Rural Coopavel

Show Rural Coopavel supera expectativas de público e faturamento Uma das atrações do Show Rural Coopavel foi o hackathon, que premiou a equipe PrismaTech, que apresentou solução ao desafio de gestão para a produção de mel. Como vencedora, ela faturou o prêmio de R$ 10 mil. Em segundo lugar ficou a AgroFAG, que desenvolveu projeto para medição do volume de leite em caminhão. Em terceiro, ficou a equipe Folhas D’Água, que trabalhou o tema gestão da qualidade de aplicação de defensivos. A segunda colocada recebeu R$ 6 mil e a terceira, R$ 4 mil. Os problemas apresentados, todos relacionados ao cotidiano do agronegócio, foram resolvidos por 15 equipes – 75 inscritos. Foram mais de 40 horas de atividades com monitoria de uma equipe do Sebrae. “O hackathon é uma oportunidade única para empreendedores, startups e profissionais da área de tecnologia e inovação colaborarem para o desenvolvimento do setor rural”, comenta o gerente da Regional Oeste do Sebrae/PR, Augusto Stein.

Uma das atividades importantes dentro do aviário é o trato com a cama de frango. Por conta do contínuo contato da ave com o composto, o manejo mecanizado é fundamental para obter a melhor qualidade para o ambiente em que um novo lote será colocado, segundo o gerente. 

Conforme Kilpp, os modelos R50 ou R65 são ideais para essa tarefa, pois o projeto desses compactos, além das dimensões reduzidas, tem um eixo dianteiro com menor raio de giro, uma transmissão equipada com super redutor, sistema Sincro Shutle de reversão (frente e ré com agilidade/facilidade) com 32 opções de velocidades a frente e 16 a ré. Ele destaca ainda a tomada de força com três velocidades (540E, 540SE, ou 540SE), “excelente para quando o trator vai trabalhar com uma enxada rotativa, por exemplo”, salienta Kilpp, acrescentando que “tudo isso resulta em maior qualidade de trabalho”.

Para o gerente, os modelos têm a altura ideal para ambiente indoor. “Sem afetar a versatilidade ou a performance no trabalho, os modelos R50 ou R65 têm opções de configuração de rodagens, por exemplo, para deixar o trator mais baixo, permitindo o trabalho tranquilo dentro do aviário. Então, é um conjunto de características que permitem ao avicultor buscar uma solução para mecanização, e ter na LS Tractor a melhor opção”, conclui Kilpp.

Data confirmada para o próximo Show Rural Coopavel

Durante a coletiva foi feito o anúncio oficial da data da 36ª edição, marcada para 5 a 9 de fevereiro de 2024.

21/03/2023 0 Comentários
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Revista

A Agrishow 2023 e a espera por mais um recorde

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

Após alcançar números históricos na edição passada, organizadores da Agrishow 2023 esperam repetir sucesso

Agrishow 2023 e a espera por mais um recorde nos resultadosA 28ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação – Agrishow 2023 acontece em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, entre os dias 1º e 5 de maio, com a expectativa de oferecer uma melhor experiência aos produtores rurais e profissionais do agro, com atrações variadas. 

Em 2022, a Agrishow recebeu um total de 193 mil pessoas e alcançou o recorde de R$ 11,2 bilhões em negócios entre visitantes e expositores. “Neste ano, a feira deverá ser um sucesso novamente”, diz Francisco Maturro, presidente da Agrishow. 

Neste ano, o tema sustentabilidade estará em foco, por meio de iniciativas sustentáveis nas áreas de resíduos e de energia, como a coleta e descarte adequados de diferentes tipos de resíduos, a reciclagem de materiais, o uso de fontes renováveis e a economia de energia.

Entre as atividades que fizeram sucesso na edição anterior já confirmadas estão o Agrishow Pra Elas, espaço dedicado às mulheres do agro com atividades de conteúdo e relacionamento; o Agrishow Labs, com a participação de startups que incrementam produtividade e qualidade às lavouras brasileiras; e a Arena de Drones.

Mais uma vez, a Agrishow deve contar com a participação de mais de 800 marcas nacionais e internacionais, o que significa uma oportunidade de conhecer as principais novidades tecnológicas e importantes lançamentos que farão a diferença para a produção de grãos, fibras e proteínas em todo o País, de realizar negócios e de estreitar relacionamentos.

Entre os segmentos presentes no evento estarão: máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, agricultura de precisão, irrigação, armazenagem, pecuária, embalagens, tecnologia em software e hardware, agricultura familiar, financiamento, seguro, peças, autopeças, ferramentas e pneus, entre muitos outros.A feira terá ainda a participação dos principais bancos direcionados ao agro.

Serviço:

AGRISHOW 2023

28ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação

Data: 1º a 5 de maio

Local: Rodovia Antônio Duarte Nogueira, Km 321 – Ribeirão Preto (SP)

Horário: das 9h às 18h

21/03/2023 0 Comentários
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Revista

Seguro rural: cada vez mais decisivo ao produtor rural

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

Proteção contra instabilidades climáticas, naturais e mercadológicas ganha destaque e relevância na gestão agrícola

Seguro Rural: cada vez mais decisivo ao produtor ruralPor Leonardo Gottems – Não é incomum classificar a agricultura como “uma indústria a céu aberto”, ressaltando sua essência de instabilidade, que apresenta grandes riscos e bastante imprevistos – principalmente ligados ao clima e tempo. Todos os anos alguma região sofre com estiagem, por exemplo, causando perdas consideráveis na produção das safras de verão. Em outros anos, é o excesso de chuvas, além de precipitações em hora errada, ou mesmo ocorrência de geadas que dizimam a produtividade. A partir disso, um dos instrumentos que mais crescem em importância – ainda mais em uma agricultura tropical, como a do Brasil – é o seguro rural, que pode ser a verdadeira “salvação da lavoura” quando o tempo e o imprevisto sobrevêm.

Aline Milani, gerente de desenvolvimento de Produto Rural da Brasilseg, uma empresa BB Seguros, aponta que “o agricultor tem entendido cada vez mais a importância de estar protegido contra as instabilidades climáticas, naturais e mercadológicas que cercam a produção agrícola”. 

No caso das máquinas e implementos, com a tecnificação no campo e as máquinas cada vez mais no centro das tarefas operacionais, proteger estes equipamentos se torna algo vital na gestão das fazendas. “Cada minuto de uma máquina fora de operação, seja por quebra, roubo ou qualquer outro tipo de imprevisto, significa um prejuízo enorme para o agricultor”, comenta ela.

Informações divulgadas pela Schalch Sociedade de Advogados (SSA) indicam que os produtores rurais sofrem, em maior frequência, e em épocas inesperadas, com eventos climáticos extremos. Para se proteger de intempéries que afetam as lavouras, como chuvas intensas, granizo, geadas e estiagens prolongadas, a adesão ao seguro agrícola deu um salto de 129% entre 2019 e 2021, chegando a 217,9 mil apólices e culminando em um pagamento recorde de R$ 5,4 bilhões em 2022.

“Este cenário deixa evidente a importância do seguro, que evita perdas financeiras enormes. No entanto, é o cenário mais desafiador de toda a história do seguro rural, porque nos últimos anos as seguradoras vêm arcando mais com sinistros do que arrecadando”, diz a advogada Debora Schalch, sócia-fundadora do escritório SSA.

Seguro rural: cada vez mais decisivo ao produtor ruralDe acordo com Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio, a importância do seguro se dá pelo fato de ele auxiliar o produtor a minimizar os riscos de sua atividade, principalmente quando a contratação está direcionada para as despesas básicas com o plantio (custeio agrícola). “O seguro ainda facilita a contratação de financiamentos bancários ou operações com tradings, uma vez que oferece mais garantias aos credores”, diz.

 “Os seguros rurais podem cobrir diversos riscos, sendo que os mais comuns são os danos decorrentes de problemas climáticos nas lavouras como seca, excesso de chuvas e geada. Também há coberturas decorrentes de eventos como incêndio, raio, tromba d’água, ventos fortes, ventos frios, granizo e variação excessiva de temperatura, etc. É preciso conferir, quando da contratação, o que realmente está sendo objeto de cobertura”, completa o advogado.

Os tipos de seguro à disposição do agricultor

De acordo com Débora, o seguro rural comporta diversas modalidades, todas previstas na Resolução CNSP nº 404/202. Dentre essas estão o seguro agrícola, seguro pecuário, seguro aquícola, seguro de florestas, seguro de penhor rural, seguro de benfeitorias e produtos agropecuários e seguro de vida do produtor rural (devedor de crédito rural).

Sendo assim, pode-se dividir os seguros em três grupos: “Custeio”, que cobre os custos da produção da safra perdida; “Produtividade”, que cobre, além dos custos, a expectativa da produção da safra perdida, baseada no histórico de cultivo do agricultor; e “Receita”, que é o tipo menos comercializado de seguros agrícolas e assegura, além do custeio e produtividade, o preço dos produtos durante o período segurado. 

Seguro rural: cada vez mais decisivo ao produtor rural“Hoje também temos a figura do Seguro Rural Paramétrico, que é diferente do Seguro Rural ‘puro’. Naquele, as perdas do segurado não são avaliadas in loco, mas tão somente de forma paramétrica [o índice paramétrico se baseia em variáveis agrometeorológicas, de produtividade regional, de sensoriamento remoto e preço do produto]”, exemplifica a advogada do escritório SSA.

Fábio Lamonica destaca que, “em relação ao seguro rural, existe a contratação tradicional que se baseia no valor gasto com o custo de produção e o seguro que se baseia no faturamento garantido na apólice, tudo de acordo com os valores efetivamente contratados e que constem da respectiva apólice. Além das coberturas destinadas para prejuízos com as lavouras, há seguros de interesse dos produtores com coberturas para benfeitorias existentes nas propriedades, máquinas e implementos agrícolas e seguro de vida do produtor rural, etc”.

Quanto custa

Determinar o custo de um seguro rural não é tão simples assim, já que depende de vários fatores. Aline Milani cita alguns deles e afirma que a seguradora considera questões climáticas regionais, manejo, sazonalidade e características das culturas no caso dos seguros agrícolas e de florestas. No caso de patrimônio, a experiência da seguradora com aquele bem, o ano, e forma de uso também exercem influência. O cruzamento das variáveis é que determinará a taxa do seguro.

código florestal - Seguro rural: cada vez mais decisivo ao produtor rural“O ideal é que a taxa seja o mais coerente com o risco real assumido, para que a seguradora consiga manter uma carteira saudável e sustentável. Taxas elevadas tendem a repelir os riscos mais baixos fundamentais para manutenção do equilíbrio, enquanto taxas baixas podem não fazer jus às indenizações devidas”, indica.

Para que tudo isso funcione da melhor forma possível, segundo Pereira, existe uma série de órgãos fiscalizadores, sem falar na legislação específica. “A atual legislação que regula os contratos de seguro (incluindo seguro rural), é suficiente para atender às demandas que são postas em discussão. O Código de Defesa do Consumidor, que também se a aplica aos contratos de seguro, ajuda a regular a relação entre os clientes e as seguradoras, uma vez que estas estão em situação superior nessa relação. Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) é um órgão governamental responsável por regular e fiscalizar a atividade de seguros no Brasil e concentra informações de interesse dos consumidores”.

Seguro Rural: cada vez mais decisivo ao produtor ruralProcura dos agricultores pelo seguro rural 

Se acordo com informações que foram divulgadas pala a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o segmento pagou mais de R$ 10,5 bilhões aos produtores rurais que foram indenizados em 2022, um aumento de 47,1% ante o mesmo período do ano anterior. Esses dados colocam a modalidade entre as principais políticas agrícolas existentes hoje no Brasil. Para Thiago Ayres, superintendente de Estudos e Projetos da CNseg, o aumento da demanda está diretamente relacionado à percepção de risco pelo produto rural, já que esse tipo de seguro arrecadou mais de R$ 13,4 bilhões em 2022.

“Com o aumento constante na ocorrência de eventos climáticos severos, o produtor rural, cada vez mais, tem enxergado o setor de seguros como um forte aliado na saúde financeira do seu negócio”, destaca Ayres. Nesse contexto, o estado com a maior procura pelo produto, com R$ 2,5 bilhões, foi o Rio Grande do Sul, pagando R$ 3,2 bilhões em indenizações. O Paraná foi o estado que mais pagou, R$ 3,3 bilhões, arrecadando R$ 2,3 bilhões. “Com a ocorrência frequente de eventos climáticos que podem devastar lavouras inteiras, o setor de seguros traz a segurança que o produtor rural precisa para focar suas energias em aumentar a sua produtividade”, completa ele.

No entanto, na hora de especificar a procura, Debora afirma que não há no mercado medidores relacionados a esse tipo de procura/atividade por parte do produtor de forma geral no País. Ela garante que é uma questão individual que, quanto mais profissionalizada for, mais protegerá o seu negócio. Aline, por sua vez, traz alguns números de dentro do Banco do Brasil que podem dar uma noção desse panorama. 

“O seguro rural vem tendo um crescimento substancial no Brasil. Embora haja muito potencial para difusão, dado que menos de 20% da área plantada brasileira seja segurada, a procura pelo seguro triplicou nos últimos cinco anos, de acordo com dados da CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização). Em 2022, a arrecadação do ramo atingiu R$ 12,6 bilhões. Analisando somente a BB Seguros, o seguro rural fechou 2022 com R$ 8 bilhões em prêmios emitidos, um crescimento de 51,8% em relação a 2021”, afirma ela.

Seguro rural e subsídio público

Outro ponto de interesse e de atenção por parte do produtor diz respeito ao subsídio público, acredita Fábio Lamonica Pereira. “O governo federal, assim como governos estaduais, tem verbas específicas destinadas para o pagamento de parte dos prêmios dos seguros rurais, a fim de viabilizar a contratação por parte dos produtores, devido ao alto custo de tais seguros”, diz.

“Além dos seguros privados, os produtores podem contar com o ProAgro – Programa de garantia da Atividade Agropecuária, administrado pelo Banco Central, que é uma espécie de seguro público que supre parte das despesas com o custeio. A cobertura do ProAgro é limitada para valores menores (atualmente 335 mil) mas, por outro lado, há coberturas relativas a ‘doença ou praga sem método difundido de combate, controle ou profilaxia, técnica e economicamente exequíveis’, o que normalmente não é coberto pelos seguros privados”, completa o advogado.

Debora lembra que o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) oferece ao agricultor a oportunidade de segurar sua produção com custo reduzido, por meio de auxílio financeiro do governo federal. No PSR, o governo federal, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), paga parte do prêmio de seguro rural devido pelo produtor.

“A subvenção econômica concedida pelo Ministério da Agricultura pode ser pleiteada por qualquer pessoa física ou jurídica que cultive ou produza espécies contempladas pelo Programa e permite, ainda, a complementação dos valores por subvenções concedidas por estados e municípios. Para contratar o seguro rural, o produtor deve procurar uma seguradora habilitada pelo Ministério da Agricultura no Programa de Subvenção”, ressalta.

Seguro rural: cada vez mais decisivo ao produtor rural

código florestal - Seguro rural: cada vez mais decisivo ao produtor ruralQual o futuro do segmento

O agro brasileiro tem sido cada vez mais incrementado e desenvolvido, segundo Débora, atualmente, com maiores projeções internacionais. “Isso, sem dúvidas, acaba impactando todos os setores envolvidos, notadamente, o seguro rural. Além da sua maior projeção, é fato que a variação climática também tem sido um importante fator de impacto no seguro rural, conforme os dados acima. E, aliado ao seguro, como visto, o uso e contínuo desenvolvimento da tecnologia no setor rural tem sido a maior tendência entre os produtores, no intuito de proteger e aumentar cada vez mais a produção do seu negócio”, explica.

“Nosso cenário é de um crescimento mais seletivo em 2023. Nem todas as seguradoras atuarão no segmento Rural, que é muito especializado e desafiador. Além disso, os eventos naturais mais frequentes e mais severos estão sendo precificados, o que trará mais sustentabilidade na oferta do seguro. Os subsídios, assim como outros fatores estruturantes do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), continuarão sendo debatidos entre os agentes público e privados, porém, com cada vez mais maturidade e consciência, o que nos traz perspectiva de evolução”, complementa Aline.

Contudo, Pereira diz que o que poderia ser implementado para minimizar os casos de divergências, quando dos processos de indenização, seria justamente a mudança administrativa das seguradoras em considerar todos os laudos já elaborados pelo profissional que acompanhou as lavouras do segurado, desde a implantação, para fins de apuração do valor devido a título de indenização.

“Esse profissional, sim, tem condições de demonstrar, com mais detalhes e maior amplitude, qual a real situação das lavouras e se há enquadramento em relação à cobertura contratada. Contudo, as seguradoras, de forma unilateral, acabam por considerar tão somente um ou dois laudos elaborados somente quando da constatação das perdas”, conclui o advogado.

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21/03/2023 0 Comentários
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Revista

Produtor tem mais economia e eficiência com colhedora CH950

Por redação 21/03/2023
Escrito por redação

Investimento na colhedora CH950, da John Deere, rendeu à usina Bioenergética Aroeira redução no volume de combustível usado, além de favorecer o aumento da produção

Produtor tem mais economia e eficiência com a colhedora CH950A safra de cana-de-açúcar 2023/24, que se inicia em abril no Centro-Sul do Brasil, pode produzir de 560 a 595 milhões de toneladas de cana, contra 538,98 milhões de toneladas da temporada 2022/23 (dados até dezembro, divulgados pela Conab – Companhia Nacional de Abastecimento). Desse volume, 97% da cana já é colhida de forma totalmente mecanizada. Mas nem sempre foi assim. Por muito tempo, a colheita se deu de forma manual, através da queima da planta. As primeiras colhedoras (semi-mecanizadas), só surgiram por volta das décadas de 1950 e 1960, com a importação de máquinas da Austrália, sendo substituídas, gradualmente, pelos modelos mais atuais, produzidos no País, a partir da década de 1970. 

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Grande parte dos investimentos na produção desse tipo de equipamento, só se intensificou com a implantação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), em 1975, que impactou diretamente a produção de cana em todo País. O programa foi uma iniciativa do governo brasileiro de incentivo à produção de álcool combustível (etanol) para substituir o uso da gasolina, em resposta à crise mundial do petróleo, durante a década de 1970. 

Soma-se a esse cenário, a aprovação do protocolo ambiental do Estado de São Paulo, em 2007, em defesa do meio ambiente, que deu passagem para que o governo firmasse com o setor sucroenergético um protocolo de boas práticas agroambientais, condenando as queimadas. Além disso, os visíveis resultados obtidos com a mecanização, como aumento de produção, redução na mão de obra e de custos com combustíveis, por exemplo, explicam o percentual alto no uso do equipamento em todas as etapas, incluindo a colheita.

 Atenta aos resultados

A Bioenergética Aroeira é uma das usinas que consegue contabilizar na ponta do lápis os ganhos com a mecanização na colheita da cana. O grupo, formado por empresas instaladas no município de Tupaciguara, a 50 km de Uberlândia (MG) tem como principal atividade a exploração e o cultivo de cana-de-açúcar. Há dois anos, ampliou sua frota de equipamentos, com a aquisição de duas colhedoras CH950, da John Deere, uma em 2021, e outra no ano seguinte.

Produtor tem mais economia e eficiência com a colhedora CH950“A primeira máquina chegou na empresa em meados da safra 21/22, em julho de 2021, por meio de um trabalho, em conjunto com a Concessionária Maqnelson e a fábrica da John Deere, que envolveu desde apresentação, conhecimento até o acompanhamento de performance do novo projeto. No ano seguinte, na safra 22/23, adquirimos outra colhedora e formamos uma frente de trabalho com dois equipamentos”, afirma Henrique Soares Naufel, gerente de Motomecanização há quatro anos e que hoje está à frente de todas operações mecanizadas e da oficina automotiva agrícola da empresa.

O executivo explica que a aquisição das colhedoras da marca John Deere não se deu para corrigir algum tipo de falha ou problema no processo de produção da empresa mas, sim, como uma estratégia de negócio. “Enxergamos uma oportunidade de melhoria no processo de colheita. Estávamos em busca de melhorar a performance em produção e o consumo de combustível e reduzir o custo operacional do processo”, assinala.

Ele conta que, como o equipamento já está em trabalho por uma safra e meia, foi possível aprender muito nesse período, mas que a companhia segue em uma ascendente de conhecimento e adaptação com a operação e manutenção do equipamento. “Para isso, contamos com o apoio da concessionária e da fábrica, durante todo esse tempo, que nos ajudou a extrair melhores resultados possíveis”, destaca.


RAIO-X DO SETOR código florestal - Produtor tem mais economia e eficiência com colhedora CH950 O mercado agrícola aguarda uma maior produção da cana-de-açúcar na temporada 2023/24. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, estimativas apontam que o Centro-Sul pode produzir de 560 a 595 milhões de toneladas de cana, contra 538,9 milhões de toneladas da temporada 2022/23 (dados até o dia 16 de dezembro), conforme números da Unica. O primeiro boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está previsto para o dia 26 de abril, quando serão confirmados os números da safra 2022/23 e perspectivas para a nova temporada. “Quanto ao mix de produção, ainda não existe posição final de usinas, mas dentre os principais fatores que devem conduzir essa decisão tem-se o direcionamento do atual governo federal e a política de preços a ser adotada pela Petrobras, que podem definir a competitividade relativa do etanol com a gasolina”, disseram os analistas do Cepea. Por enquanto, as estimativas são de que a produção de açúcar na região Centro-Sul cresça e some de 36 a 37 milhões de toneladas na temporada 2023/24. Na temporada passada (2022/23), a produção de cana-de-açúcar no Brasil foi marcada por baixos índices pluviométricos, aliados às baixas temperaturas registradas na Região Centro-Sul, que representa cerca de 90% da produção total do País. No terceiro e último levantamento da safra 2022/23, divulgado em dezembro pela Conab, a produtividade nacional estava estimada em 72 t/ha, 3,9% superior à obtida na temporada 2021/22, quando o clima foi ainda mais adverso para o setor. O levantamento mostrou ainda uma produção de 598,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,5% sobre o segundo levantamento da safra sucroenergética. O crescimento foi motivado por ajustes na área colhida e produtividade obtida, principalmente em São Paulo, maior produtor do Brasil. A área de colheita foi ajustada em 2,3%, também em relação aos dados apurados em agosto, alcançando 8.307,3 mil hectares. Sudeste – Com a maior produção do País, equivalente a 63% da safra nacional, o volume colhido foi 4% superior ao da safra passada. A área colhida caiu para 5.107,8 mil hectares devido à concorrência da cana-de-açúcar com outras culturas. Centro-Oeste – Semelhante à Região Sudeste, houve pequenos ajustes na área e na produtividade em relação ao levantamento anterior. A área de 1.781,7 mil hectares é menor que à do ano passado.  Nordeste – Devido a problemas climáticos na última safra, muitas lavouras foram abandonadas ou dedicadas a outros fins, na última safra. Na temporada 2022/23, estas áreas retornaram à produção, observando-se um crescimento de 3,2% na área a ser colhida. Sul – Nos últimos anos, a região tem perdido consistentemente área de cana-de-açúcar para outras culturas como soja, milho, mandioca e pastagens. A área colhida estimada para a safra é de 496 mil hectares, 5,2% abaixo da anterior. Norte – Apesar do incremento de área e de produtividade em relação à safra passada, a região é responsável por menos de 1% da produção nacional. A previsão é de se se colher 3.951,1 mil toneladas de cana-de-açúcar na safra 2022/23.


De acordo com Naufel, a produção está sendo 80% acima e o consumo de combustível 20% abaixo do equipamento convencional de uma linha. “Nossa expectativa e objetivo é manter esses resultados com o aumento da vida do equipamento”, afirma. Para a safra 2024/25 o objetivo é de expandir a frota de colhedoras modelo CH950.

“Neste um ano e meio, os equipamentos entregaram o que esperávamos em produção e redução de consumo de combustível, consequentemente redução do custo operacional. Mas acredito que temos oportunidades e desafios nas próximas safras para que o equipamento mantenha estável e viável na nossa operação”, projeta. 

A Bioenergética Aroeira é uma empresa relativamente nova, com 14 anos, que tem se destacado pela ascendente expansão. Para a safra de 2023/24, a expectativa, conforme o executivo, é de que sejam processados 3,2 milhões de toneladas de cana. Hoje a usina tem 1,2 mil funcionários e 185 equipamento motores.

Inovação na colhedora CH950 

De acordo com a John Deere, a colhedora CH950 é um projeto pioneiro para colheita de duas linhas simultâneas nos canaviais de espaçamentos simples de 1,4m ou 1,5m.

Principais características da CH950

• Tecnologia RowAdapt™ ajusta automaticamente os dois conjuntos de corte e alimentação;

• Duas linhas de corte simultâneo e independentes para espaçamentos de 1,4 e 1,5m;

• Redução da compactação, do pisoteio e danos a soqueiras, trazendo mais longevidade e produtividade;

• Redução significativa de perdas de cana.

A colhedora CH950 trabalha com a mesma velocidade das máquinas de uma linha, o que gera impacto direto na redução da mão de obra e no consumo de combustível. “Os ganhos em eficiência e economia de combustível são notórios. O equipamento proporciona uma redução de consumo de combustível em torno de 30%, o que permite maior economia e sustentabilidade”, afirma Rodrigo Junqueira, gerente da divisão de Negócios da John Deere.

A colhedora CH950, conforme divulga a fabricante, traz eficiência e números significativos, como quase o dobro da produtividade, 28% menos necessidade de tratores transbordos, 50% de redução de perdas por estilhaço (aproximadamente 3 toneladas por hectare), e 60% a menos em área compactada. Agronomicamente, a diminuição da compactação do solo já mostra benefícios na brotação e no desenvolvimento das soqueiras.

Para a melhor performance, explica o executivo, é preciso se atentar a dois pontos principais: sistematização e colheitabilidade. “É importante evitar “matações” nas linhas de sulcação do canavial e tiros longos sem carreadores de acesso que facilitem a logística. A máquina deve colher posicionada nas linhas gêmeas, ou seja, onde foi o rastro do trator de plantio, para evitar que haja variação de distância entre as linhas que estão sendo colhidas”, assinala o executivo. 

Outro diferencial da colhedora CH950 são os Centros de Soluções Conectadas (CSC), lançados em 2020 pela John Deere. Trata-se de um serviço de suporte remoto às operações agrícolas de clientes e parceiros que usa uma base de dados – colhidos pelas próprias máquinas durante as operações – para identificar oportunidades de redução de custos e otimização de equipamentos. 

O executivo destaca ainda que a inovação tem sido uma das prioridades da marca. Globalmente, a companhia investe US$ 6,7 milhões todos os dias em Pesquisa e Desenvolvimento.

“A colhedora CH950, é um projeto sustentável, tanto do ponto de vista ambiental quanto financeiro, pensada para os agricultores. Desenvolvida para oferecer uma maior longevidade e produtividade do canavial, possui tecnologia e evolução desde os cortes de base, que copiam o solo de forma independente, até o sistema de limpeza, que proporciona uma limpeza mais eficiente com 50% de redução de perdas por estilhaços. Sermos parte desse desenvolvimento do campo é muito satisfatório, mas é só um dos muitos passos rumo ao avanço sustentável que damos”, finaliza Junqueira.

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