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Notícias

Novo normal no agro inclui compras e serviços via internet

Por redação 22/02/2021
Escrito por redação

Por Leonardo Gottems

 

- Novo normal no agro inclui compras e serviços via internet

Crescem as Vendas de máquinas e equipamentos agrícolas em ambientes digitais

Mesmo que o ambiente digital ainda não seja o modelo de negócio em que se realiza a maioria das vendas de máquinas agrícolas, a pandemia do novo coronavírus fez com que esse tipo de transação comercial fizesse parte do chamado “novo normal”, competindo em espaço com modelos tradicionais de comercialização das principais marcas. 

A alteração no calendário de importantes eventos (como as feiras agrícolas presenciais, por exemplo, em que os fabricantes costumam apresentar seus lançamentos e que foram adiadas ou realizadas de forma virtual) não impactou o volume de vendas das máquinas do setor, que registrou desempenho acima de outros segmentos da economia, de acordo com Eduardo Kerbauy, diretor de mercado da New Holland. Isso porque, muitas vendas que eram concentradas nesses locais acabaram migrando para outros modelos de negócio.

“Como o agro não parou, o produtor rural também não deixou de investir na modernização de sua frota. Apesar de que, com o impacto da crise, podemos dizer que o agricultor manteve um pouco o pé no freio, pois com os recordes de produção no campo, as exportações em alta, dólar forte e boa valorização das commodities poderíamos supor um cenário ainda mais positivo para a venda de máquinas”, explicou.

Astor Kilpp, gerente de marketing e de produto da LS Tractor Brasil, lembra que as vendas de máquinas nos meses de abril, maio e junho de 2020 praticamente pararam, mas que esta suspensão foi muito mais pela falta de recursos do que pela pandemia.

“Em seguida ao anúncio do Plano Safra 2020/2021, os negócios voltaram com toda força, a partir de julho e, em setembro, já estávamos com a produção de 2020 toda vendida. Os fechamentos dessas vendas ocorreram das mais diferentes formas. Pelo contato direto do cliente com um de nossos vendedores, a visita do vendedor ao cliente e também do cliente à concessionária para ver de perto a máquina e de lá fazer a negociação. As feiras foram substituídas por muita atividade no campo e a busca pelo contato com o cliente de forma direta”, comentou.

Outro ponto que confirma essa situação é o volume de crédito para o setor que continuou crescente com o Banco do Brasil desembolsando 19% acima do realizado no mesmo período da safra anterior (jul/ a set de cada safra), totalizando R$ 28,4 bilhões. Conforme João Rabelo Júnior, vice-presidente de Agronegócios e Governo do Banco do Brasil, até set/20, o volume de financiamentos em operações de investimento no BB foi de R$ 16,4 bilhões, valor 16% superior a igual período do ano anterior.

“Reforçando o compromisso com o setor, recentemente o BB anunciou recursos adicionais de R$ 1 bilhão, para financiamento de máquinas e equipamentos agropecuários. Os financiamentos estão sendo contratados com recursos próprios, com taxas de 7,5% ao ano e prazo de até seis anos, complementando os volumes inicialmente disponibilizados para a Safra 2020/2021”, completou.

Tecnologia veio para ficar? 

- Novo normal no agro inclui compras e serviços via internet

A tendência é que sim, pelo menos é nisso que acredita Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Segundo ele, os formatos digitais vão continuar e tenderão a acelerar, a apresentação digital dos produtos deve continuar e a tecnologia empregada também deve seguir pelo mesmo caminho.

“Na realidade, essas práticas já estavam em processo, o que acontecia era uma certa resistência por parte das pessoas em adotá-las por preconceito, desconhecimento ou por medo da mudança. Com a situação de pandemia, não houve outra forma a não ser adotar essas tecnologias para poder tocar a operação e não parar. Acredito que, na sequência, as relações pessoais ainda vão prevalecer, pois é da nossa natureza: as pessoas preferem o contato e isso é saudável. Mas em diversas situações os ambientes virtuais viabilizam e aceleram o trabalho e a comunicação, reduzem custos e encurtam distâncias”, corrobora Rafael Dal Molin, diretor da Elevor.

Nesse mesmo cenário, Kerbauy acredita que pode haver um mix de eventos reais e virtuais, por exemplo, sendo que algumas operações tendem a continuar sendo feitas de modo presencial, e outras, que não exigem tanto a presença física do cliente, poderão se dar de forma on-line. 

No entanto, confia que a efetivação da maior parte das vendas de máquinas agrícolas se dará, ainda, em ambiente presencial. “Se tem uma coisa que o produtor rural gosta é de olhar no olho de quem está lhe vendendo um trator ou uma colhedora. Mas muitos processos, como a compra de peças, por exemplo, deverão migrar para o ambiente on-line”, disse.

“Vejo que as vendas nos ambientes virtuais devem continuar evoluindo, mas estamos muito longe ainda do momento em que este formato será o mais importante. O ambiente de negócios presenciais que predominam no mundo do Agro, principalmente para aquisição de máquinas e equipamentos, por enquanto, ainda são e serão a forma mais utilizada no fechamento de negociações”, comentou Kilpp, completando o que disse Kerbauy.

Bem e mal

Como toda a tecnologia inovadora, principalmente aquelas que surgem em tempos de emergência, a venda de máquinas agrícolas em ambientes virtuais pode trazer pontos positivos e negativos para o setor. Para Kerbauy, eles são mais positivos do que negativos, já que toda a inovação deve ser levada em consideração.

“De modo geral, o produtor ainda tem um pouco de resistência em comprar uma máquina de forma 100% digital, mas é uma boa maneira, por exemplo, de ele conhecer melhor o equipamento antes de se decidir pela compra. Aprendemos que é possível fazer tours virtuais pelos estandes dos fabricantes, conhecer em detalhes o equipamento e tirar dúvidas em tempo real com o especialista sem precisar sair do conforto da sua casa. Essa é uma grande vantagem da virtualização desses processos”, analisou.

Como ponto negativo, Kilpp cita a dificuldade de uma reação mais rápida da produção de máquinas em função da falta de componentes que se estabeleceu por conta das ações de distanciamento pessoal que acabou parando muitas fábricas no mundo afora. Com esta situação, ele diz que perderam  muitas oportunidades de vendas que aconteceriam com ou sem pandemia.

Para Estevão, que também é diretor de Relações Institucionais da Jacto, a disseminação de novas ferramentas digitais e a aceleração do processo que poderia demorar mais sem o fenômeno da Covid-19 é um ponto positivo. 

“Um aspecto que não é totalmente negativo porém não respondeu à altura foi o processo de vendas. Ao contrário das vendas de bens de consumo, que migraram em massa para o digital, a comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas em que o valor das compras é maior e a decisão é técnica não aconteceu em volume representativo”, disse.

“Como aspectos negativos, obviamente toda a questão de saúde e perdas que tivemos. Isso sempre vai estar em primeiro lugar, então certamente 2020 foi um ano muito triste. Depois, tivemos uma situação econômica desfavorável em modo geral, que está fazendo muitas empresas não conseguirem suportar tal pressão e isso se reflete nas perdas de empregos e tudo que isso implica na sociedade”, complementou Dal Molin, encerrando o assunto.

- Novo normal no agro inclui compras e serviços via internet

Planejamento

A LS Tractor vem trabalhando e direcionando investimentos para se posicionar nas plataformas digitais de negócios. Como estratégia futura a empresa pretende avançar nestes conceitos, evoluído as plataformas de negociação digital. Além disso tudo, integrar os concessionários nestes conceitos é no momento a prioridade para os próximos dois anos.

Já a New Holland acredita que muita coisa vai depender do andamento da pandemia, sendo que ainda há muitas incertezas em relação aos riscos sanitários e à normalização de toda a cadeia de fornecimento de peças, por exemplo, impactada principalmente em outros países, como na Ásia e Europa, o que afeta também em parte os seus suprimentos. “Buscaremos estar em todos os canais, sejam eles presenciais, como as feiras agrícolas tradicionais, ou online. Além disso, vamos investir em inovação tecnológica, com máquinas que permitam fazer diagnósticos de funcionamento à distância, sem que o técnico precise ir até o local para saber qual o problema. Acho que o caminho é por aí”, completou Eduardo Kerbauy, diretor de Mercado Brasil da New Holland Agriculture.

“Um dos pilares da Elevor é a proximidade com seus clientes e a preocupação no entendimento da realidade e necessidades de cada um. A empresa está intensificando esse trabalho e mapeando as lacunas nos processos para poder aprofundar o uso da tecnologia e preencher essas lacunas. Para efeito de comunicação, a empresa investe em uma nova forma de atendimento facilitada para agilizar o contato dos clientes com a empresa e vice-versa”, afirma Rafael Dal Molin, sobre a Elevor.

Em relação às instituições financeiras, o Banco do Brasil espera evoluir nos modelos de atendimento e de crédito, oferecendo alternativas de acesso a informações, seja via mobile, seja no atendimento presencial ou virtual. “Nesse sentido, iniciamos o processo de reutilizar a documentação do nosso produtor rural, em especial aqueles que contratam financiamentos todo ano. Vamos ampliar para incluir essa condição também para a agricultura familiar”, aponta o vice-presidente de Agronegócios do BB.

“Implementamos também o uso de um modelo preditivo no qual estimamos, por meio de inteligência analítica, a produção de nossos clientes para manutenção da oferta de crédito por meio dos seus limites de crédito. Esse processo gera automação e menor impacto nas demandas de informações de nossos clientes”, concluiu.ν

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Entrevista

Renato Conchon, da CNA: “com crise, cresce protecionismo”

Por redação 22/02/2021
Escrito por redação

 Por Adriana Gavaça

 

- Renato Conchon, da CNA: "com crise, cresce protecionismo"

Renato Conchon

O agronegócio mostrou, mais uma vez, sua força. Mesmo com os desafios impostos pelo novo coronavírus, o setor seguiu “blindado”, com mais uma produção recorde de grãos na safra 2019/2020. Com outros segmentos da economia sentindo os efeitos perversos das restrições impostas pela pandemia, o agropecuário foi um dos poucos a fechar o ano passado no azul, com um acréscimo aguardado para o PIB do segmento de 9%, em relação a 2019.

De olho na demanda externa e otimista com a abertura de novos mercados, o coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato Conchon, acredita que o agronegócio terá mais um ano positivo, apesar de alguns problemas climáticos, principalmente no Sul do País. A alta do dólar, aliada à busca por segurança alimentar, conforme o executivo, devem beneficiar outra vez os resultados da produção de grãos.

A seguir, o executivo traça um panorama para o agronegócio brasileiro, destaca as transformações que ocorreram nos últimos anos – que ajudaram o setor a chegar no patamar atual -, além de listar os desafios para o futuro. Acompanhe:

Ao que se pode atribuir os resultados do agronegócio em 2020? 

Foi um ano extremamente atípico. O setor agropecuário brasileiro, ao longo de 2020, foi agraciado com uma safra de grãos muito boa, novamente recorde, mesmo com alguns problemas climáticos pontuais. Nada que acarretasse em grandes prejuízos. Tivemos um resultado positivo, diferentemente de outros setores. A safra agrícola foi plantada no final de 2019 e início de 2020, portanto, antes do início da pandemia. Os outros setores (industrial, comercial e de serviços) tiveram que parar por conta do distanciamento social e isso acarretou em retração econômica, enquanto o setor agropecuário não parou. Ele foi tratado como atividade essencial, uma vez que o que estava plantado não poderia deixar de ser colhido. E era preciso fornecer alimento tanto para a população brasileira quanto para a população mundial. 

O Agro não para e não parou nem mesmo com a pandemia…

Exatamente. Com isso, devemos ter um crescimento em participação do setor agropecuário frente ao PIB nacional. Em 2019, 21% do valor correspondia ao agronegócio, ou seja, 21% de tudo que foi produzido no Brasil vinha do agronegócio. Em 2020, esse percentual deve chegar a 24%. Isso significa que quase um quarto de tudo que o Brasil produz hoje passa pelo campo.

O que esperar de 2021?

Esperamos por mais uma boa safra. Olhamos com atenção o desenrolar de efeitos climáticos regionais, que poderão impactar a produção, como a seca provocada por chuvas abaixo do esperado na região Sul do Brasil. Isso poderá levar a uma queda na produção agrícola em alguns lugares, reduzindo as estimativas previstas anteriormente. Mas, ainda assim, esperamos que o setor agropecuário brasileiro tenha uma boa safra e um bom ano, favorecido pelo volume produzido e pelos preços em alta no mercado internacional. Será um ano de transição, em que lutaremos para sair da crise da pandemia. Ainda assim temos condições de registrar crescimento, tanto no mercado interno quanto no internacional. 

Como se comportou o mercado externo em meio à pandemia?

O mercado externo foi pujante ao longo de 2020, muito por conta dos efeitos da pandemia nos principais países produtores de alimento do mundo. Alguns não conseguiram colher as suas produções e o Brasil aproveitou para vender parte da sua produção e isso fez com que o mercado internacional realmente fosse destaque, com vendas para locais em antes não atuávamos. 

Dá para avançar mais, mesmo com a adoção de políticas protecionistas por alguns países? 

Realmente esse é um grande desafio, porque nós observamos que o protecionismo é mais intenso em períodos de crises econômicas, como a que estamos vivendo por conta da pandemia do coronavírus em todo o mundo. É natural que, em momentos como esses, os países se tornem mais protecionistas a fim de resguardar a sua produção nacional. No entanto, observamos uma diferenciação, ao longo de 2020, em que, mesmo diante de uma crise econômica de proporções mundiais, o Brasil conseguiu ampliar sua participação e exportar produtos para o mundo todo. É um desafio que veio para ficar, mas o Brasil tem um diferencial que é produzir produtos, tanto agrícolas quanto pecuários, com garantia de sustentabilidade e segurança alimentar, que atendem aos pré-requisitos de abertura de novos mercados no mundo todo. 

Tanta demanda pressiona por mais área plantada?

A produtividade, a tecnologia e a inovação foram fatores fundamentais para que chegássemos ao patamar que nos encontramos hoje. O crescimento da safra agrícola, por exemplo, vai ao encontro principalmente dos resultados de investimento em pesquisa e desenvolvimento ocorrido nos últimos anos. Se observarmos isso, veremos que é possível ampliar a produção agropecuária sem a necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas, somente através de investimentos. 

Qual será o novo normal para o agro?

Acreditamos que o novo normal para o agro será cada vez mais intenso do ponto de vista da exigibilidade dos consumidores por sustentabilidade.  O Brasil tem esse diferencial e precisa vender melhor essa imagem, porque o nosso Código Florestal é exemplo para todo o mundo. Esse novo normal vai exigir do setor agropecuário, não só o brasileiro, mas, sobretudo nesse quesito, que o produtor rural, que o setor agropecuário tenha rastreabilidade, tenha consciência social e tenha a consciência ambiental cada vez maior, e isso nós temos. O que precisamos é reverberar para os consumidores de todo o mundo as boas práticas que adotamos aqui no Brasil já há algum tempo. 

O Brasil tem feito bem a lição de casa?  

Nos últimos anos, a adoção de um conjunto de fatores fez com que o Brasil atingisse um patamar de excelência na produção agropecuária mundial. Primeiro, teve a questão da pesquisa e desenvolvimento, como a realizada pela Embrapa, de culturas adaptadas para o cerrado brasileiro. Isso promoveu o crescimento no Centro-Oeste e tornou a região celeiro na produção de alimentos. Outro fator, foi a política agrícola adotada na década de 60 e 70, de fomento financeiro. A política de subvenção ao prêmio do seguro rural, que é mais recente; a equalização das taxas de juros; a criação de novos papéis financeiros, fizeram com que o setor tivesse recursos disponíveis para fomentar a pesquisa, o desenvolvimento, a aplicação em investimento e o custeio por parte dos produtores rurais. Por último, existe a questão da logística. Mesmo que de uma maneira um pouco mais atrasada e deficitária, houve avanços. Temos de enaltecer um conjunto de fatores que foram determinantes para trazer o Brasil no patamar em que estamos hoje, de ser um dos principais países produtores de alimentos em todo o mundo. 

Quais são os próximos desafios? 

O setor agropecuário brasileiro vai precisar cada vez mais de recursos tanto para custeio quanto para investimento agropecuário. As modalidades mais tradicionais de recursos estão exauridas como crédito oficial, a exemplo da subvenção da equalização da taxa de juros promovida pelo Plano Safra. O que precisaremos, de alguma maneira, é ampliar os recursos destinados ao financiamento e ao fomento da atividade agropecuária. Outro fator determinante para essa projeção, para que tenhamos condições de dobrar a produção, é o investimento em pesquisa e em desenvolvimento, por exemplo, que permita a migração de pastagens degradadas para áreas de pastagens produtivas ou agrícolas. Falamos, inclusive, da  conectividade no campo para ampliação de novas ferramentas que propiciem gestão tecnológica dos produtores rurais, não somente no escoamento de ferrovias, rodovias e portos, mas em infraestrutura de redes para administrar, para fazer com que promova o crescimento da produção e do escoamento da safra agropecuária. A questão da conectividade vai ser um fator preponderante nos próximos anos para alavancar e fazer a produção agropecuária se multiplicar.

Que papel a mecanização agrícola desempenha nesse processo?

A mecanização agrícola contribui como fator para o aumento da produtividade total dos fatores. O investimento em mecanização é visível quando observamos, por exemplo, os dados dos censos agropecuários desde 1950 até último censo agropecuário de 2017, e percebemos a ampliação do número de tratores, como também o aumento da produtividade per capita de cada estabelecimento agropecuário por conta do investimento em fatores tecnológicos, como a mecanização. Essa mecanização é que faz com que os produtores ampliem a sua produtividade, mesmo em áreas que anteriormente não estavam aptas ou tão boas para o desenvolvimento da agropecuária. É ela que permite ao produtor ampliar a produtividade per capita das suas áreas. A mecanização vai ainda ao encontro das necessidades que nós observaremos nos próximos anos, no sentido de produzir mais nas mesmas áreas. Isso agrega um fator de produtividade muito positivo para o setor agropecuário e para a sociedade brasileira.

E quanto às tecnologias embarcadas nas máquinas e em processos de gestão?

O investimento, o uso de tecnologias embarcadas em máquinas como tratores, colhedoras, plantadoras, alavancarão a produção agropecuária no sentido de fazer com que mais produção seja realizada em uma mesma área. Essa tecnologia permitirá que a agricultura de precisão, por exemplo, seja disseminada de uma maneira geral em todas as propriedades agropecuárias brasileiras. Para isso, além do uso de tecnologia, nós teremos a necessidade de uma maior conectividade no campo, porque sem conectividade o setor agropecuário realmente vai ficar à mercê de uma tecnologia obsoleta. A conectividade no campo, a utilização de big data, de grande volume de informações, trará o desenvolvimento para a atividade agropecuária brasileira e propiciará um investimento e um retorno por parte dos produtores rurais brasileiros.

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Entrevista

Ricardo Nicodemos: quais os novos hábitos dos produtores?

Por redação 22/02/2021
Escrito por redação
- Ricardo Nicodemos: quais os novos hábitos dos produtores?

Ricardo Nicodemos

Por Clarisse Souza

 

O produtor rural está cada vez mais antenado às inovações e ao que acontece ao redor do mundo, especialmente em relação aos avanços digitais e tecnológicos aplicados ao aumento da produtividade no campo. Foi o que apontou a 7ª edição da pesquisa “Hábitos do Produtor Rural”, da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA). Uma nova edição já está a caminho. A mais recente pesquisa ouviu 2.807 agricultores, criadores e pecuaristas em 15 estados e incluiu 180 questões para entender, por exemplo, o que mudou no perfil do produtor e como a tecnologia tem impactado a vida no campo. São levantados, entre outros dados, hábitos de compra e uso de máquinas e insumos e o uso de novas tecnologias digitais, como smartphone e redes sociais. 

Segundo o estudo, 96% dos entrevistados possuem um celular, e 61% são smartphones – em 2013, eram 17%. A pesquisa mostra que ¾ dos produtores que têm acesso a internet utilizam redes sociais. Perguntados se realizam alguma atividade de Agricultura de Precisão, e em quais atividades, 33% responderam que sim, sendo 78% na preparação do solo, 72% na análise de solo e 69% na regulagem de equipamentos, entre outros.

Desde a primeira edição, em 1985, a pesquisa serve de “mapa de navegação e bússola confiável para entender e aproveitar oportunidades do agronegócio”, conforme Ricardo Nicodemos, vice-presidente executivo da ABMRA e diretor da pesquisa. Na entrevista a seguir, ele destaca o papel do produtor nos dias atuais, o progresso no campo graças ao uso cada vez maior dos recursos tecnológicos e, ainda, apresenta as novidades da 8ª edição da pesquisa, que está em fase de conclusão. Acompanhe:

Quais as principais mudanças identificadas no perfil do produtor brasileiro nos últimos anos?

O produtor brasileiro mudou muito nas últimas décadas. Hoje o produtor rural é um empreendedor, um empresário. É evidente que em um país como o Brasil, com toda a sua extensão e com a sua diversidade de culturas e rebanhos, há de se encontrar diversos perfis de produtores, dos mais simples – que ainda mantêm práticas rudimentares – até aqueles que têm um grande arsenal tecnológico em suas propriedades. Além disso, a presença do jovem no agro e no dia a dia da propriedade vem aumentando a cada ano, como demonstram as informações da 7ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural.

Além dessa evolução do perfil dos produtores, há ainda uma evolução tecnológica contínua. Como avalia os impactos dessas novas tecnologias no campo?

Há cerca de 50 anos, o Brasil tinha grande dependência das importações de alimentos originadas de diversos países. Mas graças ao espírito de mulheres e homens empreendedores que arregaçaram as mangas e colocaram as mãos na enxada, e no laço e, com o auxílio da tecnologia, a realidade do agro nacional mudou, e mudou muito. Hoje somos exemplo de produtividade e de sustentabilidade. Grande parte desse progresso se deve à criação e ao uso da tecnologia no campo.

O produtor está mais atento aos recursos digitais como fonte de informação visando aumento de produtividade? 

O advento da internet e do mundo digital na vida das pessoas mudou muita coisa. Em todos os setores, o digital empregou uma nova dinâmica de negócios. No agro essa realidade não poderia ser diferente. O digital tem ajudado toda a cadeia produtiva a melhorar sua performance. A 7ª Pesquisa ABMRA mostrou que o produtor rural está conectado e acompanha os avanços tecnológicos. Portanto, as ferramentas digitais têm ajudado, sim, o produtor a descobrir e conhecer novas técnicas e, especialmente, como empregá-las na rotina diária no campo.

Existe ainda uma importante parcela de produtores, especialmente os menores, que não tem acesso à informação com tanta facilidade. Como fazer a comunicação chegar a esses produtores? Quais os desafios?

O Brasil é um país de proporção transcontinental e que possui milhões de produtores espalhados por toda a sua extensão. Há muitas áreas em que os sinais de transmissão da internet e de televisão não cobrem ou, quando cobrem, são de péssima qualidade. São para os produtores que estão nestas regiões – e que não são poucos – que há meios de mídia tradicionais que cumprem o papel de levar a informação, como, por exemplo, a revista impressa. Mesmo com a existência dos meios digitais, a revista tem um papel fundamental no disseminamento de conhecimento e das novas tecnologias. Por isso é importante entender que o digital e os novos meios que estão surgindo não excluem o que existe, ao contrário: se complementam e tornam a comunicação ainda mais forte.

De acordo com a pesquisa, há informações sobre quais regiões rurais brasileiras estão mais conectadas?

Todas as regiões estão conectadas e em busca de novas tecnologias e de informações. As que estão próximas dos grandes centros urbanos têm maior destaque neste processo.

Hoje, quais as principais demandas do produtor com relação à informação? O que eles estão buscando para suprir suas necessidades neste momento?

Não importam o perfil e o porte, o produtor brasileiro está consciente de que precisa melhorar sua performance e fazer mais com menos. Para isso, é imprescindível que ele aplique tecnologia e inovação. Muitas vezes, para se inovar não é necessário dispor de grandes recursos financeiros. Instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), e muitas outras, levam aos produtores novas visões e técnicas que os fazem mudar uma determinada realidade ou dificuldade de produção.

Quanto às marcas, de maneira geral, qual a melhor maneira de elas falarem diretamente com os produtores? 

Depende de muitos fatores, dentre eles, estabelecer os objetivos que a marca possui. Há alguns anos, com as facilidades e o poder da mídia digital e das redes sociais, muitas empresas imaginaram que havia alcançado a “receita” para resolver todos os problemas de comunicação.  Mas agora essas empresas estão se dando conta de que o digital não faz milagres e que é preciso investir muito recurso para construir bons conteúdos e boa comunicação capazes de atrair a atenção dos diversos públicos com os quais suas marcas se relacionam. Ao definir claramente quais são os objetivos da marca, é possível desenhar a estratégia e, a partir dessas duas condicionantes, entender quais meios de comunicação são os mais adequados.

A próxima pesquisa Hábitos do Produtor Rural deve inserir um capítulo sobre o papel dos influenciadores digitais na “tomada de decisão” dos produtores. Qual a sua percepção sobre esse tema?

A nossa visão é que os influenciadores digitais representam um novo meio de mídia. A 8ª Pesquisa ABMRA nos dará uma boa ideia sobre em que fase esse novo meio de comunicação está e o quanto de fato ele pode influenciar na tomada de decisão do produtor rural.

O engajamento com o conteúdo de jovens influenciadores digitais pode influenciar no aumento da inserção de produtores mais jovens no campo?

Não temos informações que possam embasar uma conclusão sobre isso. Mas, intuitivamente, entendemos que sim. Os jovens influenciadores digitais têm feito uma boa comunicação e mostrado o lado bom de se trabalhar no campo. E isso pode incentivar de forma positiva os jovens que estão em dúvida sobre se ficam ou não no campo.

De certa forma, há uma previsão de aumento também da participação de mulheres no agro em função do compartilhamento mais intenso de informações? 

A propagação de informações e as facilidades que a tecnologia e que o mundo digital trouxeram provavelmente ajudaram no interesse da mulher pelo agro. Mas a sua atuação no campo transcende a questão das informações e da tecnologia: está associada à evolução dos negócios. Em muitos setores como o financeiro, o industrial, o da comunicação, dentre muitos outros, a mulher construiu sua carreira e agregou ainda mais inteligência, intuição e sensibilidade aos negócios. Não poderia ser diferente no agro. A 7ª Pesquisa ABMRA mostrou que quase 1/3 das propriedades apresentam mulheres no gerenciamento e 81% dos entrevistados consideram esta participação vital ou muito importante. 

O que mais pode contar sobre a 8ª pesquisa sobre Hábitos do Produtor? Quais devem ser os principais levantamentos? 

A 8ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor será o mais completo levantamento do perfil e dos hábitos de compra e de mídia dos produtores. Ela abrangerá 15 estados, 15 culturas agrícolas e 4 atividades animais, com mais de 240 questões que avaliam os hábitos de mídia, informações de consumo profissional e pessoal, além de oferecer aos cotistas um software exclusivo de mineração de dados e relatórios estratégicos.O estudo avalia os hábitos de mídia dos produtores, considerando todos os meios: impressos (jornais, revistas e informativos), eletrônicos (TV aberta, TV a cabo, rádio) e digital, incluindo as suas plataformas e redes sociais. Pela primeira vez, a pesquisa analisará o papel dos influenciadores digitais. Além disso, foi criado um capítulo com a avaliação das mudanças de hábitos do produtor durante e pós-pandemia, o que ajudará as empresas cotistas a desenharem suas estratégias com informações sobre como será o “novo normal” no campo.ν

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Entrevista

Pedro Estevão, da Abimaq: máquinas ficarão mais inteligentes

Por redação 22/02/2021
Escrito por redação
- Pedro Estevão, da Abimaq: máquinas ficarão mais inteligentes

Pedro Estevão

Por Clarisse Souza

 

Safras recordes e preço favorável às exportações devido à desvalorização do real têm ajudado a manter o agronegócio em alta, apesar dos desafios impostos pela pandemia. Esse cenário impacta as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas, que vêm registrando números positivos no acumulado do ano. Enquanto alguns setores amargaram os sintomas da Covid-19, o Produto Interno Bruto (PIB) do agro cresceu 5,26% no 1º semestre na comparação com o mesmo período de 2019, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

De acordo com Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSMIA/Abimaq), o cenário é bastante favorável. O faturamento com venda de máquinas agrícolas deve crescer 7% no ano. A seguir, ele comenta sobre os números, aponta os desafios enfrentados e destaca os avanços do setor na última década, especialmente o papel da tecnologia embarcada como recurso revolucionário no campo. Acompanhe:

A que se deve o bom resultado na venda de máquinas agrícolas neste ano diferente de outros setores?

O agronegócio não parou em nenhum momento durante a pandemia. A indústria de máquinas agrícolas parou mais ou menos entre março e abril, por volta de 15 dias, para alguns arranjos nas fábricas e se adequar aos protocolos sanitários estabelecidos pelo Ministério da Saúde contra a Covid-19. Existia uma dúvida sobre como o mercado reagiria em relação à pandemia. Passado esse período, percebemos que o mercado continuava demandando e as fábricas voltaram a produzir normalmente, já com as normas sanitárias acertadas. Houve uma falta de matéria-prima em função da “quebra da cadeia”. Durante cerca de 45 dias tivemos falha na cadeia de fornecimento, com entregas atrasadas. Isso em função também dos fechamentos em algumas cidades. Hoje, esse fornecimento ainda não voltou totalmente à normalidade, porque a retomada acabou ocorrendo mais rapidamente do que se esperava e alguns produtos acabam faltando no mercado. As vendas, no entanto, não pararam e continuamos trabalhando, por isso também o aumento de 12% no primeiro semestre. Neste período o setor contratou pessoal, inclusive. Na prática, o que aconteceu foi que o câmbio subiu quase 30% e, com isso, tivemos maior rentabilidade nas chamadas culturas de exportação, como soja, milho, café, carnes em geral, celulose e algodão etc., em que todas elas subiram 30%. A rentabilidade do produtor subiu 30% em razão do câmbio. 

O cenário todo foi bastante favorável…

Além do aumento de rentabilidade, temos um novo recorde de produção neste ano. Se temos maior produção e o preço está bom, temos recordes nas exportações. Não tivemos queda nas exportações de commodities, logo o que se observou foi um cenário muito favorável ao agricultor. Trata-se de um momento histórico, pois, com mais rentabilidade, esse produtor investe mais. 

E quanto aos produtores, de que forma estão lidando com os desafios impostos por este momento?

Há atrasos pontuais no atendimento às demandas dos produtores. O que ocorre é que as entregas acabam se prolongando. Por exemplo, se um agricultor quer comprar determinado equipamento agora, a entrega ocorre daqui a 60 ou 90 dias, contra o prazo normal máximo de 8 semanas. O agricultor sabe quando precisa ir às compras para ter a máquina no período adequado de sua cultura. Para a safra de verão, em que o plantio deve ocorrer entre setembro e novembro, precisa negociar seu equipamento em abril para receber a máquina no período anterior ao plantio. Essa é uma dinâmica que o produtor conhece muito bem, assim como sabe da sazonalidade de compra antes da safra de verão. A dinâmica deste ano, apesar de mais complexa, está mais ou menos parecida.

Como avalia o parque tecnológico brasileiro, em relação à necessidade de renovação da frota?

Existe uma renovação natural do parque de máquinas comuns. Porém, a última demanda forte, em que se observou um boom de vendas foi há sete, oito anos. Nos anos de 2011, 2012 e 2013 houve grande crescimento de vendas. Essas máquinas estão ficando velhas. No Centro-Oeste, por exemplo, as máquinas estão bastantes velhas. Sobre esse aspecto prático, há necessidade de repor esses equipamentos. Outro detalhe é o aumento da área plantada marginalmente observado a cada ano, e que demanda mais máquinas. Como as exportações e o mercado externo estão sempre crescendo, as áreas plantadas também precisam ser aumentadas, o que exige mais equipamentos trabalhando. É uma reposição normal. 

E a questão da obsolescência de máquinas?

Esse é outro aspecto. Uma máquina comprada há 10 anos não tem a tecnologia embarcada que as máquinas novas, estando totalmente defasada. Nesse aspecto,o atraso em relação à tecnologia é bem maior. A tecnologia está caminhando a passos largos e o produtor não acompanha. Por exemplo, máquinas que têm computadores de bordo e são conectadas à internet recebem novidades a cada seis meses, assim como celulares, em que é possível agregar outras funções na parte eletrônica do equipamento. Obviamente, algumas máquinas não possibilitam essa atualização. 

Como avalia os efeitos do câmbio atual no setor?

O câmbio tem dois lados: aumenta o preço de venda do produto, mas também do custo de produção do agricultor e da indústria. Assim, a parte importada é pequena em relação ao custo total. Embora o percentual de itens importados de máquinas agrícolas varie muito de produto para produto, não é mais do que 15% na média. Para o agricultor, é benéfico ter um câmbio maior e pagar um custo dos importados do que um câmbio menor. 

A pandemia impactou muito o setor? 

De maneira geral, a indústria de máquinas não sofreu impactos negativos. Porém, algumas empresas menores, de um nicho específico, podem ter sofrido um pouco. Por exemplo, empresas que atuam com o setor de cana sofreu mais por causa do preço do petróleo. Outro caso são os hortifrutis, cujas vendas caíram. Os números que registramos são bastantes robustos e mostram que realmente não se observou grandes impactos na questão financeira.

Terminada a pandemia, ferramentas digitais, como as feiras virtuais, tendem a permanecer? 

Não somente feiras virtuais, mas muitas empresas organizaram eventos on-line nos próprios sites ou plataformas variadas, o que configurou uma “virtualização” das vendas. Elas trataram de fazer negócios e promoções virtuais que deram muito certo. Ao perceber que não ocorreriam as tradicionais feiras, as empresas arregaçaram as mangas para providenciar seus próprios eventos e participar dos novos eventos virtuais dessas feiras, que migraram para o mundo virtual neste ano. As feiras presenciais estão longe de acabar. Daqui para frente, haverá feiras presenciais e virtuais ao mesmo tempo. Não é possível, por exemplo, substituir uma feira como a Agrishow por um evento virtual, porque o contato pessoal do produtor com a máquina é essencial. O que se fez neste período foi aproveitar as ferramentas disponíveis para chamar a atenção do produtor. Empresas que já estavam aproveitando as facilidades do mundo virtual obviamente saíram na frente. 

Quais foram os maiores avanços do setor em 10 anos?

Primeiro é preciso destacar o tamanho das máquinas, que ficou maior. E isso melhorou, por exemplo, as operações no Centro-Oeste, realizadas em áreas gigantes em meio a janelas operacionais curtas. A tecnologia embarcada foi um avanço importante. Sistemas fazem análises da operação em tempo real, assim como do meio ambiente, e alimenta a máquina para se tomar a decisão mais acertada com base nessas análises. Essa análise fica salva e o produtor pode avaliar posteriormente se tudo está ocorrendo como esperado. Caso contrário, pode verificar onde está o problema e fazer a correção ou verificar pontos em que a operação poderá ser melhorada. O produtor passou  ter um controle muito grande de suas operações. Há 15 anos, o agricultor pulverizava uma determinada área e imaginava que estava tudo certo, já que o tanque finalizava a operação vazio. Ou seja, não sabia se a pulverização havia atingido o local certo na lavoura, se o tamanho da gota aplicada e se a velocidade estavam corretos. Hoje é possível ter total controle dessas atividades para uma operação cada vez mais eficiente. 

Vale destacar também a Agricultura de Precisão…

Sim. Hoje a Agricultura de Precisão faz parte da chamada Agricultura Digital, assim como da Indústria 4.0, que elevou a automatização para outros patamares, com a adoção de internet das coisas, inteligência artificial e big data.   

Qual a tendência para as máquinas do futuro?

A digitalização se aprofundará cada vez mais, com ferramentas que trarão ganhos operacionais, ganhos no consumo de insumos, melhora na segurança do operador e melhora na análise geral da gestão da fazenda. Haverá mais informações das operações para que a gestão agroeconômica e financeira seja ainda mais eficaz. As máquinas devem ficar ainda mais inteligentes e ser capazes de tomar decisões. Com isso, a capacitação de mão de obra, e não somente do operador, mas também do agrônomo, do administrador da fazenda e do dono, é essencial. A capacitação ainda está devagar, e é preciso acompanhar essa rápida evolução das máquinas. Todos precisam saber lidar com essa enorme quantidade de dados que os equipamentos fornecem para tomar a decisão certa na hora certa.

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Livro discute perdas no transporte de grãos no País

Por redação 22/02/2021
Escrito por redação

- Livro discute perdas no transporte de grãos no País

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) avalia novos índices de perdas utilizados no transporte e armazenagem de grãos. Os parâmetros foram obtidos em estudos elaborados com instituições parceiras. Os resultados desse e de outros trabalhos envolvendo a temática agrícola e de estocagem estão na publicação lançada pela Companhia nesta segunda-feira (22): o livro Perdas em Transporte e Armazenagem de Grãos – panorama atual e perspectivas.

Na obra, são apresentados os percentuais de perdas que ocorrem na estocagem de arroz e trigo e no transporte rodoviário de milho, apuração feita durante as pesquisas coordenadas pela Conab, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e executadas por universidades nacionais e pela Embrapa. “Essas análises abrem as portas para que haja mais estudos, envolvendo outros grãos de relevância nacional, como café, soja e feijão”, explica o superintendente de armazenagem da Conab, Stelito Assis dos Reis Neto. “Com isso poderíamos propor a atualização desses percentuais, que hoje são utilizados em diversas atividades de fiscalização, de remoção de estoques e outras políticas públicas”.

De acordo com o superintendente, a atualização destes valores referenciais é uma demanda há muito tempo reivindicada pelos setores de armazenagem e transporte de grãos no país. O indicador obtido na pesquisa considera as características específicas de cada grão e como se comportam nas diferentes regiões do país, entre outras particularidades. A continuidade nesse campo de pesquisa poderá trazer novos referenciais para as relações comerciais na área, com a abrangência de diversos produtos, e agregar especificidade aos parâmetros.

Além dos coeficientes, a publicação também traz ao leitor os protocolos para a redução de perdas na armazenagem do arroz e trigo, com foco nos procedimentos tecnológicos e operacionais de armazenagem e qualidade para a indústria. O trabalho, também inédito, foi elaborado pela Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (Faem), da Universidade Federal de Pelotas/RS.

O livro resgata ainda as discussões sobre a questão de perdas e desperdícios de alimentos realizadas pela Companhia, a partir da apresentação em dois seminários sobre o assunto, realizados em Brasília, de abrangência internacional, e em Curitiba, de amplitude nacional.

A obra foi lançada em formato digital e está disponível gratuitamente no Portal da Conab.

Fonte: Conab
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Documentário explora produção de café amazônico

Por redação 22/02/2021
Escrito por redação

- Documentário explora produção de café amazônico

O documentário “Robustas Amazônicos – Aroma, sabor e histórias que vêm das Matas de Rondônia”, retrata a realidade de uma cafeicultura única, emblemática e sustentável. São quase 50 minutos de uma imersão neste terroir amazônico, conduzida por meio das histórias de vida e de valores culturais e agronômicos desta região. Apresenta o perfil de produção de um café com qualidade que preserva a tradição dos pioneiros, a cultura do indígena e que mantém vivo o sonho de homens, mulheres e jovens no campo.

Estes cafés não refletem apenas a sua genética única, que se adaptou em terras amazônicas. São grãos especiais que agregam riqueza, tecnologia e preservação. Têm, em seus aromas e sabores, a complexidade e a mistura de sua gente. O documentário completo está disponível no canal da Embrapa no Youtube.

Todo o enredo se desenvolve na região que possui mais de 60% das áreas com lavouras de café em Rondônia, responsável por 83% dos mais de 2 milhões de sacas produzidas anualmente no estado. Trata-se da região Matas de Rondônia, o terroir dos Robustas Amazônicos, que está em processo final de reconhecimento da sua Indicação Geográfica – IG. Esta será a primeira IG de cafés canéforas (robusta e conilon) sustentáveis do mundo, com a chancela da Global Coffee Plataform – GCP.

Rondônia é o quinto maior produtor de café do país, segundo da espécie canéfora e responsável por 97% de todo o grão produzido na Amazônia. Nos últimos anos, as lavouras do estado vêm passando por uma contínua evolução tecnológica, tornando-se mais produtiva, sustentável e com aprimoramento da qualidade dos grãos. Em quase duas décadas, a produtividade evoluiu de 8 para 38 sacas por hectare e a qualidade de bebida dos Robustas Amazônicos e suas características sensoriais vêm conquistando concursos e novos consumidores.

A cafeicultura é uma das principais atividades agrícolas geradoras de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS para o Estado de Rondônia. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cultura é conduzida por cerca de 17 mil empreendimentos rurais. São módulos produtivos com média de quatro hectares plantados com a cultura. A base de toda a mão de obra é familiar e o processo de colheita é manual.  A exceção fica para um pequeno grupo de produtores que possui equipamentos para a colheita semimecanizada.

Identidade

Trabalhos realizados pela Embrapa e parceiros já demonstraram que o Estado de Rondônia, devido às suas características de clima, solo e seleção genética, é produtor de cafés robustas ou “arrobustados” – cruzamentos de cafés da espécie canéfora, das variedades botânicas robusta e conilon. Nestes híbridos naturais, predominam as características agronômicas e sensoriais da variedade botânica robusta.

Como o estado é o principal responsável pelo café produzido na Amazônia, não demorou muito para que a alcunha de ‘Robusta’ e ‘Amazônia’ fizesse parte do mesmo nome e passassem a representar o grão produzido em Rondônia e em toda a região Amazônica.

Mais que um nome tecnicamente apropriado, esta identidade carrega informações e agrega valores. É o reconhecimento de um café que tem características únicas em uma região que não tem igual no mundo. “A Embrapa foi audaciosa ao propor para o setor cafeeiro nacional uma nova identidade para os cafés amazônicos. A aceitação do mercado e os resultados obtidos até o momento demonstram que esta foi uma atitude acertada”, comenta o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves.

Além da genética única de seus cafezais, que foram selecionados em solos Amazônicos, ao longo de quatro décadas, representa a mistura de um povo que veio em busca de vidas melhores no Eldorado Amazônico. Hoje, estes cafeicultores, descendentes de mineiros, capixabas e paranaenses, se juntaram aos indígenas para produzir grãos finos e com características sensoriais muito especiais. Tem os aromas e sabores das florestas com castanhas, chocolates e frutas exóticas.

O documentário retrata a história de lutas e conquistas destes pioneiros, sua relação com a terra, a natureza e o café. Conta a saga dos que se apropriaram do conhecimento e da tecnologia, multiplicaram e estão ajudando a promover a evolução da cafeicultura do campo à xícara e a transformação de todo um setor.

Para o pesquisador Enrique Alves, o conhecimento tecnológico desenvolvido na área da pesquisa só faz sentido se for apropriado no campo, servindo de ferramenta para transformações positivas de cenários, geração de renda, melhoria da qualidade de vida e inclusão social. “Acredito no poder de transformação que o uso de tecnologias de produção sustentável pode ter na realidade da agricultura familiar e de comunidades tradicionais amazônicas”, afirma Alves.

O reconhecimento que a cafeicultura do estado tem conquistado nos últimos anos é reflexo da união de esforços entre produtores, instituições de pesquisa, extensão rural e órgãos governamentais.

Adoção de tecnologias

- Documentário explora produção de café amazônico

Com o uso de tecnologias há uma nova gama de possibilidades na produção de cafés canéforas com qualidade. O trabalho da Embrapa Rondônia tem sido o de motivar e subsidiar as boas práticas no campo. Na pós-colheita, os maiores avanços estão na busca do ponto ideal de colheita, na validação de equipamentos para a colheita semimecanizada e nos processos de secagem lenta e cuidadosa dos frutos para atingir a qualidade desejada.

Com a evolução dos materiais genéticos e lançamento de clones individuais, os pesquisadores recomendam que, apesar de serem plantados em linhas sucessivas – seis ou mais clones – no momento dos tratos culturais, adubação, poda e, principalmente, durante a colheita e pós-colheita, cada clone receba uma atenção individual (planta) e coletiva (lavoura). A pesquisa tem demonstrado que, cada clone tem características genéticas distintas e isso reflete em seu ciclo de maturação, conferindo características sensoriais próprias.

Diversos tipos de secadores solares também foram validados e recomendados para a melhoria da qualidade dos frutos em temperatura ideal (35 °C a 45°C) e de forma sustentável. Estes métodos são adequados para a produção de microlotes ou em pequenas áreas, como acontece em Rondônia. Técnicas mais elaboradas de processamento dos frutos são constantemente desenvolvidas e validadas nos campos experimentais da Embrapa ou áreas de produtores.

Os processos de fermentações controladas, ou positivas, também validados pela Embrapa, estão sendo cada vez mais adotados pelos cafeicultores. Resultado disso são os cafés premiados em concursos e que já fazem parte de um processo de transformação do perfil sensorial dos Robustas Amazônicos, deixando-os ainda mais exóticos e diferenciados. “O efeito da ação dos microrganismos nos frutos e grãos evidenciam e tornam mais intensas características de acidez e doçura, deixando a bebida bastante equilibrada e interessante aos mais exigentes paladares”, explica Enrique Alves.

Qualidade, inclusão e reconhecimento

O documentário é apresentado por seis famílias de cafeicultores que representam a diversidade e as riquezas culturais na produção dos Robustas Amazônicos especiais na Região Matas de Rondônia. Estas famílias resgatam a sua história e carregam o legado dos pioneiros visionários que vieram para a Amazônia em busca de um sonho. A origem de uma cafeicultura que resultou da mistura do conilon capixaba com os robustas levados para Rondônia, pela Embrapa em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas – IAC.

São produtores parceiros da Embrapa Rondônia que empregam tecnologias geradas, validadas e preconizadas por meio da pesquisa científica.  “Ainda há muito que fazer, mas já é possível ver que a Amazônia está no rumo certo, com uma cafeicultura cada vez mais preocupada em se fazer sustentável, inclusiva, eficiente e com qualidade”, conclui o pesquisador.

Fonte: Embrapa
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Nova geração influencia na gestão das propriedades

Por redação 22/02/2021
Escrito por redação

- Nova geração influencia na gestão das propriedades

Participação de filhos de produtores na gestão das propriedades altera estratégias e vendas do setor

Por Gustavo Paes

O jovem Gláucio Thiago Moraes, de 37 anos, é produtor de soja, milho e sorgo nas fazendas Campina e Recanto Alegre, localizadas em Terenos (MS). Engenheiro agrônomo por formação, ele herdou a agricultura do seu pai, Arão Antônio Moraes, 72, que sempre o incentivou a participar do negócio da família e o fez assumir parte da lavoura, ainda enquanto estudante, até criar seu próprio espaço na produção de grãos. “Há uns quatro ou cinco anos, o pai incentivou que eu assumisse a gestão das lavouras”, afirma Gláucio. 

Nas duas propriedades, que totalizam 5.870 hectares, a família Moraes cultiva soja durante o verão e milho no inverno. A produção é entregue as empresas ADM do Brasil e Cargill, de Campo Grande (MS). E, em uma área vizinha, eles plantam outros 3,4 mil hectares de milho safrinha e 1 mil hectares de sorgo. Os grãos são usados na fabricação de ração, que serve de alimentação para 3,5 mil matrizes de ciclo completo (cerca de 45 mil suínos), atividade que é administrada pela irmã mais velha de Gláucio, Tereza, 44. 

Gláucio, que em 2004 se formou em Agronomia na Universidade Anhanguera Uniderp, de Campo Grande (MS), é quem decide a hora de renovação do maquinário, mas não deixa de ouvir o pai e a mãe Jussara, 61 anos, que é quem controla as finanças. “Eu sempre ouço a opinião dos meus pais, mas sou a pessoa mais indicada para decidir pela compra das máquinas, já que faço a gestão das lavouras e sei do que é preciso para melhorar a nossa produtividade e reduzir os custos de produção”, diz o engenheiro agrônomo. 

Clientes da New Holland, do Grupo CNH, nos últimos anos eles compraram três pulverizadores SP 2500, três colhedoras CR 680 e outras três do modelo TC5090. E também adquiriram dois tratores de alta potência T7, aumentando a frota desse equipamento para 18 unidades. Os tratores T7 contam com uma nova barra de tração classe 3, que suporta os maiores implementos disponíveis no mercado para a sua categoria. E ganharam uma nova bomba hidráulica que aumentou o fluxo de 151 litros por minuto para 180 litros por minuto. A nova configuração permite mais agilidade em operações com implementos que demandem vazão maior.

Gláucio diz que, com a aquisição das novas máquinas, eles inseriram tecnologia na fazenda. Os equipamentos primeiro receberam GPS e, depois, piloto automático. Na sequência, os produtores passaram a fazer pulverização com controle bico a bico, mapas de plantio, marcação de linhas de plantio, uso da telemetria e taxa variável de fertilizantes. “Reduzimos o custo de sementes e fertilizantes com a otimização do uso e ainda aumentamos a produtividade, principalmente por conseguir plantar e colher em um período mais curto, dentro da janela ideal”, completa.   

Exportação de grãos

Em 2007, o agricultor Ernst Ferter entregou a administração dos negócios para os filhos Peter e Robert. Os dois cuidam de três fazendas em Dourados (MS), onde cultivam soja, milho e trigo em uma área de aproximadamente 16 mil hectares, entre terras próprias e arrendadas. Na principal delas, a Fazenda Paraíso, de 12,3 mil hectares (10,2 mil hectares próprios), durante o verão eles cultivam toda a área com soja e depois com milho safrinha. No inverno, a oleaginosa dá lugar ao trigo. 

- Nova geração influencia na gestão das propriedades

Cláucio Thiago Moraes, produtor de soja, milho e sorgo, com sua família, em Dourados (MS)

A produção é exportada e também comercializada no mercado interno, conforme Peter, que é sócio da FV Cereais, empresa que administra portos no município de Porto Murtinho (MS), localizado na Região Sudoeste do estado. 

As três fazendas contam com um grande número de máquinas. Na última safra foram usadas 20 colhedoras, 15 tratores de grande porte (acima de 300 cv), nove tratores na faixa de 180 a 200 cv e outros cinco tratores de 70 cv, além de cinco pulverizadores autopropelidos com barras de aplicação de 30 metros, duas adubadoras a lanço autopropelidas e um avião agrícola Air Tractor. 

A frota é renovada a cada oito anos. “Nós trocamos todo o maquinário em, no máximo oito anos, porque precisamos de máquinas novas, funcionando perfeitamente”, afirma o empresário. Ele explica que as janelas de plantio e colheita estão cada vez mais curtas e não pode perder um dia sequer com máquinas paradas na lavoura. “Nossa meta é estar com toda a safra de soja plantada entre os dias 15 e 20 de outubro e, em fevereiro, com 100% da área plantada e colhida com o milho”, adianta Peter, que é natural de Guarapuava (PR).

O empresário, de 49 anos, conta que todas as decisões são tomadas em família. Mesmo afastado da administração dos negócios, Ernst, hoje com 80 anos, ainda participa das reuniões. “Ele ainda anda pelas propriedades, mas no ritmo dele. Hoje o pai está aproveitando a vida, tomando uma cerveja”, conta Peter.

Jovens de opinião

A crescente importância da agricultura no Brasil em função dos mercados globalizados impõe às empresas rurais uma constante redução de custos operacionais, aumento da produtividade e racionalidade nos investimentos em busca de uma melhor rentabilidade, o que requer maior assertividade na tomada de decisões. Em função dos investimentos em máquinas e implementos agrícolas serem em grande parte vultuosos, o produtor precisa reduzir os riscos. 

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) junto aos compradores de máquinas agrícolas mostrou que a confiança na marca do maquinário é o atributo com maior peso para a maioria dos agricultores brasileiros. A facilidade operacional, a recomendação técnica e o valor de revenda são outros atributos considerados na hora de renovar o maquinário, conforme o estudo, conduzido em 52 empresas rurais do Rio Grande do Sul.

O acesso dos jovens às novas tecnologias facilita a busca por informações sobre os produtos. Usando celulares e tablets com acesso à internet, os agricultores recorrem às redes sociais – como Facebook e Instagram – e a aplicativos, especialmente o WhatsApp, para buscar referências de outros compradores de máquinas e implementos sobre o produto. Eles também utilizam a web para procurar informações no site do fabricante e participam de demonstrações e dias de campo promovidos pelos fabricantes.

Assim, os jovens, que já cresceram na era digital e usam com desenvoltura as ferramentas digitais, influenciam cada vez mais na hora de comprar uma nova máquina agrícola. Eles saem da faculdade com o diploma e novas ideias na cabeça para implantar nas propriedades que um dia serão deles, pela sucessão familiar.

Tecnologia no campo 

De acordo com uma estimativa da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), cerca de 40% dos produtores rurais deverão deixar de atuar nas atividades até 2030. Já o Censo Agropecuário 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que um, a cada quatro produtor rural tem mais de 65 anos.

Um dos motivos que leva ao problema é que, muitas vezes, os filhos dos produtores rurais não se sentem motivados com o negócio da família e acabam se mudando para as grandes cidades, em busca de melhores salários e qualidade de vida. Os dados do IBGE revelam que apenas 30% das empresas familiares chegam na segunda geração, e só 5% conseguem resistir até a terceira.

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Jovens que já cresceram na era digital

Essa situação só pode ser mudada com investimento em tecnologia, conforme Bernardo Fabiani, diretor-geral da TerraMagna, agfintech de São José dos Campos (SP) que facilita a concessão de crédito no agronegócio. “O campo tem que ser um lugar de pesquisa e adesão a novas tecnologias”, afirma o executivo. Ele cita o exemplo de software de gestão da propriedade, uso de inteligência artificial e monitoramento via satélite para manter os jovens no campo. “Essas tecnologias tornam o negócio da família mais atraente, facilitando a sucessão familiar”, completa Fabiani. 

Aumento da produtividade

Hoje, o meio rural tem uma internet – ainda que precária – e atrai mais os jovens, que saem da faculdade e voltam para trabalhar no campo, diz o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier. “Os jovens convencem os pais a investir em máquinas com maior tecnologia, pensando no aumento da produtividade, em maior qualidade”, salienta.

O dirigente diz que os jovens estão mais familiarizados com os novos equipamentos da Agricultura 4.0. “A tecnologia embarcada aumentou muito nos últimos anos. Hoje em dia, uma colhedora vai trabalhando e fazendo mapa da colheita e indicando onde é preciso aplicar mais insumos. E até mesmo tratores de pequeno porte têm seis computadores. A gurizada é que conhece e sabe operar essas máquinas”, destaca Bier. 

O produtor rural investe na aquisição de maquinário para reduzir custos e ser mais eficiente, segundo o dirigente. “As janelas de plantio e colheita estão cada vez menores e o produtor rural precisa de um equipamento para realizar a operação em menor tempo” lembra o presidente do Simers, acrescentando que perdas nas lavouras é coisa do passado. “Hoje em dia ninguém mais fala em perda de grãos”, completa o dirigente.  

Gestão na palma da mão

O diretor de Marketing da montadora sul-coreana LS Tractor, Astor Ricardo Kilpp, confirma que jovens estão influenciando mais na compra de novas máquinas. Seja na aquisição de um trator de pequeno porte equipado com cabine, para proporcionar mais segurança e conforto ao pai que opera o equipamento, como no processo de gestão das propriedades de maior porte. “O jovem não quer mais passar o dia inteiro na lavoura como o pai fazia, mas exige ter a gestão da propriedade na palma da mão”, declara o executivo. 

Kilpp lembra que os avanços tecnológicos em máquinas e equipamentos implantados no campo contribuíram para o aumento da produção, melhoria na renda e qualidade de vida do produtor brasileiro. 

“A agricultura tem se modernizado, especialmente com a implantação das tecnologias de ponta nos maquinários usados na plantação e colheita, utilizando modernos tratores, colhedoras e semeadoras equipadas com aparelhos GPS que mapeiam o terreno e toda a área a ser plantada, permitindo aos agricultores um aumento na produção e redução de desperdícios de sementes”, acrescenta Kilpp.

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Valor Bruto da Produção pode atingir R$ 1 tri

Por redação 18/02/2021
Escrito por redação

- Valor Bruto da Produção pode atingir R$ 1 tri

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) está estimado em R$ 1,002 trilhão para este ano de 2021. Houve um acréscimo real de 11,8% em relação ao ano passado (R$ 896,7 bilhões).  As lavouras projetam valores  de R$ 688,4 bilhões e a pecuária de R$ 314,5 bilhões. O acréscimo em relação ao ano de 2020 foi de 15,2% nas lavouras e 5,1% na pecuária. Os dados incluem as estatísticas atualizadas de janeiro deste ano.

“Dois fatores são decisivos para este resultado: preços agrícolas favoráveis para grande parte dos produtos e boas previsões para a safra deste ano”, analisa José Garcia Gasques, coordenador da pesquisa do VBP e coordenador geral de avaliação de Políticas e Informação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Desempenho favorável vem sendo apresentado pelo amendoim, com acréscimo de 4,9% no faturamento, arroz 9,6%, batata-inglesa 6,8%, cacau 14,9%, laranja 5,9%, mandioca 5,6%, milho 23,2% e soja 30,3%. Na pecuária, os destaques são os aumentos de 9,9% no VBP de carne bovina, 22,5% na carne de frango e 5% em leite. Os maiores valores do VBP são os de milho com R$ 126 bilhões e soja R$ 326,8 bilhões.

Um grupo importante de produtos tem apresentado queda no valor da produção, são eles: café (-28,4%), cana-de-açúcar (-1,8%), tomate (-7%), trigo (-3,7%), e ovos (-10,1%). De acordo com Gasques, esses recuos nesses produtos é uma combinação de preços mais baixos e produção menor. “Mas no café a redução de valor pode ser atribuída principalmente a redução de 33,6% da produção do café arábica”, explica.Segundo o IBGE, essa lavoura ainda ressente-se da seca ocorrida em 2020. “Observamos, ainda que a cana de açúcar tem tido redução sistemática no valor da produção nos últimos cinco anos. Isso afeta os resultados de São Paulo e de outros estados, onde a cana é relevante”, salienta.

Os cinco produtos que lideram o VBP são soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, que representam 83,3% do VBP das lavouras.

Os resultados regionais mostram impactos positivos do VBP. “Tomando alguns estados, onde a soja é o produto mais relevante, nota-se que em Mato Grosso, essa cultura representa 61,5% do VBP das lavouras; no Paraná 58%, e no Rio Grande do Sul, 64%. Na região do Matopiba, que compreende o bioma Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a soja representa 43,4% do faturamento da região” explica Gasques.

O que é VBP

O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. Calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, dos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil.

O valor real da produção, descontada a inflação, é obtido pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas. A periodicidade é mensal com atualização e divulgação até o dia 15 de cada mês.

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Papo MIA debateu mercado de máquinas usadas

Por redação 17/02/2021
Escrito por redação

- Papo MIA debateu mercado de máquinas usadas

O Brasil espera dobrar a produção de grãos sem avançar em novas áreas de cultivo. Uma saída para essa questão, conforme especialistas, está no investimento em mecanização. Hoje, dos cinco milhões de produtores rurais existentes no Brasil, apenas 500 mil fazem uso de mecanização agrícola em larga escala.

Diante desse cenário, o Papo MIA discutir com os especialistas Marcelo Kozar (diretor executivo do Grupo Via Máquinas), e Claudine Pinheiro Machado (economista, doutora em Agronegócio e CEO da Pinheiro Machado Assessoria Financeira) o papel do mercado de máquinas agrícolas usadas para o aumento da mecanização no campo, desafios, como a falta de linhas específicas de financiamento, além da importância do seguro.

Confira no link abaixo!

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Jacto participa da versão digital da Femagri Cooxupé

Por redação 17/02/2021
Escrito por redação
- Jacto participa da versão digital da Femagri Cooxupé

Arbus 400/725 café

Até o dia 26 de fevereiro a Jacto participa da versão digital da Femagri Cooxupé, oferecendo condições especiais para aquisição de suas máquinas.  Basta acessar o link (clique aqui) e falar com um dos especialistas da empresa, que fará a apresentação dos produtos e seus diferenciais.

Uma das máquinas de destaque para esta ação é a Arbus 400/725 Café, um pulverizador turbo acoplado com capacidade para 400 litros de calda, ventilador 725 mm, que promove uma excelente cobertura com menor consumo de potência do trator.

Outra possibilidade, com capacidade maior de tanque é a Arbus 2000. Um pulverizador turbo tratorizado, que possui defletores que melhoram a distribuição do ar, adequando-se ao formato das plantas, aproximando a pulverização do alvo, reduzindo a deriva e melhorando a qualidade das aplicações. Neste modelo, a capacidade é de 2000 litros de calda.

Já para a colheita do café, o destaque é para a colhedora tratorizada Jacto KTR 3500, desenvolvida para atender a realidade da cafeicultura brasileira e o agricultor que busca maior produção diária com grande eficiência de colheita.

Entre os seus diferenciais estão o sistema derriçador Jacto, que permite operar em velocidade de até 2,5 km/h em colheitas seletivas, com eficiência de derriça de até 97%, mesmo em plantas de pequeno porte.

Também, foi desenvolvida para operar em terrenos com até 20% de declividade, garantindo alta eficiência e segurança e possibilitando maior utilização da colheita mecanizada, mesmo em terrenos mais inclinados.

Fonte: Jacto
17/02/2021 0 Comentários
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