



A receita líquida da indústria de máquinas e equipamentos registrou R$ 12,6 bilhões em janeiro, crescimento de 38,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em termos absolutos, este foi o melhor janeiro desde 2015, quando o setor havia faturado R$ 13,2 bilhões. O setor de máquinas começa 2021 aquecido em relação ao observado nos últimos anos, mas ainda abaixo da média de 2010-2013. Em 2021, a receita líquida deverá contar com a manutenção das vendas internas, mas o timing da recuperação das exportações ainda é impreciso. Os dados fazem parte do balanço divulgado pela Indústria Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Em janeiro, a receita líquida de máquinas e equipamentos foi impulsionada pela manutenção do mercado interno. Após crescer 50,3% em dezembro, as vendas internas avançaram 50,8% em janeiro na comparação interanual. Dentre os segmentos que sinalizaram aumento nas vendas, destaque para máquinas agrícolas com avanço nas empresas de todos os portes. Outro segmento que tem colaborado para a alta das vendas internas é máquinas para infraestrutura, incentivado, em grande medida, pelo andamento do Programa de Parcerias de Investimento (PPP).
As exportações de máquinas e Equipamentos sentiram fortemente a redução do comércio global em razão da pandemia em 2020.Após crescer 0,9% em dezembro, as exportações de máquinas recuaram 1,6% em janeiro de 2021, em linha com a sazonalidade de início de ano. A queda modesta de janeiro sinaliza uma possível mudança de rumo das exportações ao longo de 2021. Se o comércio internacional ganhar ritmo junto à expansão da vacinação mundo a fora, o cenário para as exportações de máquinas poderá ser benéfico, principalmente, mantido o câmbio desvalorizado.
O ensaio da recuperação das exportações ocorre de forma heterogênea entre os segmentos de máquinas. Em janeiro, houve avanço das vendas ao exterior nos segmentos de máquinas: Agrícolas (+16,1%); Logística e construção civil (+16,1%); Indústria de transformação (+16,1%); Bens de Consumo (+7,5%). Por outro lado, as vendas externas registraram retração nos segmentos de: Infraestrutura e Indústria de base (-4,0%); Petróleo e energia renovável (-55,8%).
Em janeiro, o recorte por destino das exportações mostrou recuperação das vendas de máquinas para importantes países-clientes do setor. As exportações de máquinas para os EUA cresceram 5,0% em relação a janeiro do ano passado. Nesta mesma comparação, as vendas para os países da América Latina avançaram 2,1%, puxadas por Chile (+53,6%) e Peru (+27,1%). Por outro lado, as exportações para a Europa ainda registraram forte queda -as vendas encolheram 37,6% em janeiro.
Após dois meses consecutivos de alta das importações de máquinas, houve queda de 7,5% das compras em janeiro. Ainda que o ano comece com retração das importações, o cenário é sazonal e deverá ser revertido nas próximas leituras. As importações de máquinas e equipamentos respondem à confiança interna. A expectativa de demanda futura por parte dos empresários geram compras de máquinas tanto de fabricação nacional, como estrangeira. Portanto, o ganho de fôlego e confiança de setores ligados à indústria de transformação e construção civil tendem a puxar também as importações em 2021.
O desempenho das importações de máquinas por segmento é bastante diverso. Em janeiro, os segmentos que contribuíram na recente retomada das importações foram: Petróleo e energia renovável (+99,3%); Componentes (+11,7%)üBens de Consumo (+2,7%). Por outro lado, os segmentos que contribuíram para a queda das importações foram: Infraestrutura e indústria de base (-37,5%); Logística e Construção civil (-17,6%)üAgricultura (-34,6%)
Entre as principais origens das importações, China, EUA e Alemanha comandam o ranking respectivamente. Em janeiro, as importações oriundas da China cresceram 32,4% e o país asiático retomou a posição de líder com 30,8% das compras totais de máquinas pelo Brasil. Neste mesmo mês, as compras oriundas dos EUA recuaram 13,3%, levando o país a ocupar a segunda posição (14,9% de share). Em janeiro, as importações da terceira colocada, Alemanha, recuaram 39,8%. Máquinas da Itália cresceram 1,4% e o país passa a ocupar a quarta colocação no ranking, deixando o Japão na quinta posição.

A produção de batata, cebola e tomate no DF e Entorno, regiões predominantemente destinadas à safra de grãos, motivou a escolha dos produtos para um estudo inédito divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta quarta-feira (24), que aponta as oportunidades e desafios enfrentados pela maioria dos produtores rurais no cultivo dessas hortaliças. O resultado apontou uma produção de aproximadamente 94 mil toneladas de batata, 44 mil toneladas de cebola e 135 mil toneladas de tomate, com total de quase 274 mil toneladas das três culturas no período amostral realizado.
Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, foram visitadas 92 unidades localizadas na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride), onde foram apurados dados de produção, área plantada, produtividade, rentabilidade e custo estimado. A Ride abrange o DF, 29 municípios do estado de Goiás e quatro de Minas Gerais. “Esta foi a primeira vez que a Conab fez um levantamento em campo da produção de hortaliças”, ressalta Joyce Fraga, gerente de Estudos do Mercado Hortigranjeiro da Conab. “Esses dados serão agregados às informações de comercialização nas Centrais de Abastecimentos, que já disponibilizamos no Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado de Hortigranjeiro (Prohort)”.
Os técnicos da Conab avaliaram os motivos que levaram os produtores locais a optarem por estas hortaliças, além de levantar dados e informações sobre a origem dos investimentos, os mecanismos escolhidos e os principais entraves para a produção e comercialização. “A escolha desses produtos foi feita exatamente pela relevância desses cultivos na região”, explica o superintendente da Conab no Distrito Federal, Rafael Bueno. “Além disso, também levamos em consideração a importância econômica, indicada pelo peso desses itens na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)”.
Além do impacto dos custos de produção no cultivo destes produtos, o estudo mostrou que, com relação aos obstáculos relativos à comercialização, 51% dos entrevistados indicaram a carência de assessoria para realizá-la, enquanto 30% apontaram a dificuldade para acessar locais de comercialização, tais como mercados, feiras, Ceasas, etc. Outra questão apontada foi quanto a problemas no transporte, citado por 14% dos participantes da pesquisa.
Para as próximas ações, a Conab pretende incluir nos levantamentos futuros as frutas mais importantes para a economia local do Distrito Federal e Entorno, além de aperfeiçoar a coleta dos dados. Outro objetivo é expandir o projeto para outras localidades e com isso relacionar estes resultados obtidos aos dados de comercialização do Prohort.

O futuro tecnológico no agronegócio, que há alguns anos parecia ser algo tão distante, chegou e já é uma realidade dentro das fazendas. Com a tecnologia LeafSense, por exemplo, os fruticultores têm à disposição sensores e inteligência artificial para ajudar no manejo das culturas. Ela foi desenvolvida pela startup Adroit Robotics, e reúne informações detalhadas de produtividade e saúde dos pomares, analisando plantas e frutos um a um, de forma totalmente automatizada.
O diretor de tecnologia da empresa, Angelo Gurzoni Jr, explica que os sensores geram imagens de altíssima resolução que são enviadas para algoritmos que analisam tudo de forma individual, em detalhes. “A tecnologia LeafSense traz uma visão abrangente do pomar. Quantidade de frutos, curvas de maturação (maduros ou verdes), diâmetros e taxa de queda no chão são apresentadas juntamente com informações sobre as plantas, como número de árvores ausentes e replantios, cubicagem (volumetria), altura das copas e presença de cipós e daninhas. O fruticultor também conta com acesso às imagens de alta resolução do pomar, georreferenciadas, atuais e históricas”, detalha.
Além disso, a LeafSense, com todos esses indicadores, também pode ser apresentada como linhas de evolução temporal, permitindo o acompanhamento das ações de manejo. É possível também visualizar comparativos dos indicadores entre diferentes datas, setores, variedades e outros aspectos do pomar, e até entre fazendas.
Cada pomar monitorado pela tecnologia contribui para o aumento contínuo da base de conhecimento do sistema. Segundo Gurzoni Jr, na citricultura, os próximos passos serão a combinação dos modelos de produtividade com as condições climáticas e o histórico de manejo do pomar. “Assim será possível fazermos recomendações de aumento de produtividade, bem como o constante refinamento dos modelos de detecção de pragas, doenças e deficiências nutricionais”, conta.
Embora a tecnologia LeafSense tenha sido lançada com foco nos cítricos, foi projetada pensando também em cultivos como café, uva, maçã e manga. A empresa já iniciou experimentos em outras culturas e em breve deve apresentar versões que poderão ajudar outros fruticultores a ampliarem seus ganhos. “Com essa ferramenta será possível definir o ponto ideal da colheita, uma necessidade de muitos produtores de frutas. Através do acompanhamento do estágio de maturação, quantidade e calibre dos frutos, eles poderão atender aos critérios de tamanho e aparência das redes varejistas e também otimizar os custos de colheita”, diz Gurzoni Jr.
As informações fornecidas pela tecnologia possibilitam economia e racionalização da aplicação de insumos nas medidas e locais exatos. Estima-se uma redução que pode ultrapassar 20% no consumo de insumos com o uso dos mapas de produtividade da tecnologia, além de evitar que o solo seja saturado com nutrientes e agroquímicos.
Pragas e doenças afetam bastante os produtores de frutas, e em especial os de cítricos em climas quentes. O monitoramento de sintomas de pragas e doenças permite um complemento muito mais frequente e objetivo às inspeções convencionais e o mapeamento dos sintomas permite definir estratégias amplas e consistentes.
Desde o início do desenvolvimento da tecnologia, os fundadores da empresa contaram com o apoio, incentivo e sugestões do engenheiro agrônomo, Rubens Stamato, da SJS Campo Consultoria Agrícola. Ele conta que incentivou os então pesquisadores a olharem com atenção para a citricultura, onde havia viabilidade e necessidade de novas tecnologias. “Acreditei desde o início no potencial da tecnologia, cheguei a participar de experimentos, montando sensores em minha própria caminhonete para coleta de dados”, conta.
Iniciou-se assim a parceria com o consultor, que hoje recomenda e ajuda seus clientes a utilizar o LeafSense. “Inclusive uma ideia deles era de fazer um robô automotriz que carregasse os sensores pelos pomares“, relembra Stamato. A ideia acabou evoluindo para os atuais sensores montados em tratores, que permitem amostragem frequente do pomar.
A ferramenta da Adroit Robotics já está sendo utilizada em diversas fazendas no Estado de São Paulo. “Para aqueles produtores que apresentamos o equipamento, a reação foi bem positiva e ficaram bastante impressionados. Gostaram bastante das informações que podem ser geradas”, destaca o consultor da SJS.
Ainda segundo Stamato, que atende produtores nas regiões de Paranapanema, Botucatu e Sorocaba, alguns deles que já começaram a utilizar a LeafSense, têm feito uma avaliação muito positiva principalmente pela contagem da quantidade de frutas. “Na citricultura, este hoje é um gargalo na hora de negociar a safra. Não tem como ter um número exato na mão. É difícil, por mais que a gente conheça e saiba calcular a estimativa de produção, nunca é algo preciso. Então essa tecnologia ajuda muito”, finaliza ele.

O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, anunciou nesta terça-feira (23) o volume de R$ 16 bilhões para o custeio antecipado das atividades agrícolas na safra 2021/22. A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) participou da live.
No custeio antecipado, o produtor rural pode usar o crédito para adquirir antecipadamente insumos, tratos da lavoura, mudas e sementes, ração e medicamentos. Com a compra antecipada, o produtor rural consegue melhores condições de preço e mercado. O pré-custeio está disponível para as lavouras de soja, milho verão, algodão, arroz, cana-de-açúcar e café.
“É importante prover essa autonomia para vocês [produtores rurais] para conseguirem fazer a aquisição de insumos de forma antecipada e com certa previsibilidade”, destaca o presidente do Banco do Brasil, André Brandão.
No crédito antecipado, as taxas de juros são de 5% ao ano para médios produtores e 6% ao ano para demais produtores.
O presidente acrescentou que a expectativa é alcançar R$ 210 bilhões na carteira de crédito do agro do banco este ano. Brandão anunciou ainda que o banco não irá mais cobrar tarifa na análise de crédito nas operações de renovação a partir de hoje.
A ministra Tereza Cristina ressaltou que o anúncio do aumento dos recursos destinados para o custeio antecipado é uma notícia animadora para o planejamento dos produtores rurais. “O crédito rural precisa cada vez de mais parceiros, mais gente acreditando no nosso negócio, assim como o Banco do Brasil faz isso há décadas. Precisamos também de mais créditos novos, diferentes. O pré-custeio é importantíssimo, pois o produtor pode comprar antecipadamente e diminui o custo de frete, da logística”.
Sobre o fim da cobrança de tarifas para análise de crédito, a ministra destacou que essa era uma antiga demanda do setor, já que a taxa acabava pro encarecer o crédito.
Participaram da cerimônia virtual o vice-presidente de Agronegócio do BB, João Rabelo, e o gerente de soluções, Fernando Gallo.

Brasília, DF, Brasil: Caixa Econômica Federal. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente da CAIXA, Pedro Guimarães, anuncia em live, nesta segunda-feira (22/02), a ampliação do Custeio Agro Antecipado para R$ 12 bilhões. Pedro Guimarães divulga ainda a abertura de 21 novas unidades do banco dedicadas exclusivamente para o setor do agronegócio. O evento conta com a participação da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina.
As operações do Crédito Rural incluem linhas como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) e Demais Produtores. Disponíveis até junho de 2021, os recursos atendem a diversas finalidades, especialmente para financiar as despesas do ciclo de produção das principais culturas do país, como soja, milho, algodão, arroz, feijão, mandioca e café, bem como atividades pecuárias.
O presidente da CAIXA, Pedro Guimarães, ressalta a parceria do banco com o homem do campo. “Com a criação de 21 unidades especializadas, a CAIXA está ampliando sua presença em cidades estratégicas para o agronegócio. A expansão em investimentos permitirá que mais trabalhadores rurais tenham acesso aos recursos, fomentando o agronegócio, a geração de empregos e favorecendo a economia brasileira”.
A CAIXA foi o primeiro banco a lançar, já em dezembro de 2020, a antecipação do custeio da safra verão 2021/2022, já tendo sido financiado valor superior a R$ 200 milhões, possibilitando ao produtor de grãos um melhor planejamento financeiro para a aquisição dos insumos. Estão disponíveis recursos suficientes para atender a demanda dos produtores com processo mais ágil e taxas de juros aderentes ao mercado.
Por meio de recursos próprios, a CAIXA disponibiliza R$ 2 bilhões para o financiamento do investimento. Em um processo ágil, para atender às necessidades dos produtores, o prazo para pagamento é de até 15 anos, já incluída a carência, que é de até três anos.
Podem ser financiados para a ampliação e modernização da infraestrutura produtiva, a construção de armazéns, a aquisição de máquinas e equipamentos novos, animais, formação ou recuperação de pastagens, construção de cercas, currais e galpões, além de programas específicos para a implantação de sistemas de irrigação e armazenagem.
A CAIXA lançou também, no início do ano agrícola 2020/2021, a linha de crédito de custeio Pronaf, destinada ao financiamento da aquisição de insumos e pagamento de serviços, cujo público-alvo são os agricultores familiares enquadrados no Pronaf. A taxa parte de 2,75% a.a. e varia de acordo com o empreendimento financiado.
O Pronamp possui linhas de custeio e de investimento que permitem ao produtor rural financiar tanto despesas inerentes ao ciclo produtivo, quanto ações de implantação, ampliação ou modernização da infraestrutura de produção e a realização de serviços relacionados à melhoria da atividade agropecuária na propriedade, além de viabilizar a aquisição de bens ou serviços cuja utilização se estenda por vários períodos de produção. A taxa parte de 4% a.a. e varia de acordo com o empreendimento financiado.
Com oito anos de atuação no crédito rural, a CAIXA possui uma carteira em evolução, por meio da qual já foram financiados mais de 52 mil empreendimentos, superando R$ 44 bilhões liberados no mercado do agronegócio e beneficiando produtores rurais, cooperativas e agroindústrias.
Em 2020, entre janeiro e dezembro, o volume de recursos emprestados em operações de crédito rural cresceu 73%, em comparação ao ano de 2019. Entre julho e dezembro de 2020, houve um crescimento de 33% no volume de recursos emprestados em operações de crédito rural, se comparado com o mesmo período do ano agrícola 2019/2020.
Demonstrando a relevância do setor para a CAIXA, em janeiro foi concedido volume de recursos superior a R$ 400 milhões, o que representa mais de 350% comparado a janeiro de 2020.
O banco abrirá 21 unidades especializadas no atendimento ao agronegócio. Cada uma delas contará com estrutura e equipe dedicadas ao atendimento exclusivo dos produtores rurais.
Os municípios que receberão as unidades especializadas no agronegócio foram definidos considerando a estratégia de atuação do banco para o setor e o potencial para o mercado nas regiões. As novas unidades fomentarão o atendimento aos produtores rurais, que terão à disposição as melhores soluções de crédito.
Os produtores rurais contam também com o atendimento de uma rede de gerentes exclusivos do agronegócio, que atuam em todas as regiões, prontos para oferecer as melhores soluções de crédito. O cliente poderá obter mais informações no site www.caixa.gov.br ou nas agências da CAIXA.
Mais uma ação para aproximar o banco do setor, a Carreta Agro CAIXA é um evento itinerante de atendimento especializado ao agronegócio em que são visitadas cidades estratégicas, ou eventos e feiras, para realizar reuniões técnicas, atendimento a clientes e assinatura de contratos.
Para 2021, a Carreta Agro CAIXA já tem programação para mais de 20 cidades de 13 estados diferentes:

O Brasil é o mais novo membro do Sistema Global de Informação (Glis, sigla em inglês para Global System Information) mantido pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) por meio do Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura (Tirfaa). A estreia se dá com a inclusão de 20 mil amostras do Banco Ativo de Germoplasma de Arroz (BAG Arroz) e amplia as possibilidades de consulta, intercâmbio e melhoramento genético com instituições de pesquisa mundiais.
E o que é mais importante: a rastreabilidade das amostras do BAG Arroz está garantida pelo DOI (sigla em inglês para Digital Object Information), um código criado com base no Tirfaa para rastrear recursos genéticos vegetais. Os acessos do BAG Arroz foram os primeiros cadastrados pelo Brasil, mas a ideia é estender a iniciativa para todos os bancos de germoplasma vegetais mantidos pela Embrapa, como explica a pesquisadora Rosa Lia Barbieri.
Trata-se de um padrão de identificação que já existe há tempos para assegurar documentos na Internet, mas o seu uso com recursos genéticos é recente. “É o que há de mais atual e moderno nas pesquisas nessa área e representa um marco para a pesquisa agropecuária brasileira, pois confere uma identidade única e permanente, que permite rastrear cada uma das amostras”, pontua a pesquisadora.
Segundo ela, que até o fim de dezembro de 2020 esteve à frente da Supervisão do Sistema de Curadorias de Germoplasma Vegetal da Empresa, o DOI é como uma identidade digital das amostras e possibilita identificar quando elas são intercambiadas com outras instituições e usadas em programas de melhoramento genético.
As informações sobre o BAG Arroz já estavam à disposição dos cientistas do Brasil e de algumas instituições parceiras da Embrapa por meio do Sistema Alelo, que reúne um total de 164 BAGs de plantas. Esses dados vão desde a origem da variedade até detalhes como a quantidade de vezes em que foi utilizada e por quais organizações científicas, tudo muito bem documentado e com busca facilitada por código de barras. “O cadastro no DOI representa mais um avanço em relação a essa ferramenta, pois é um código único e permanente que permite rastrear todas as informações referentes às amostras, envolvendo os mais de 60 países que fazem parte do Tirfaa,“ observa Barbieri, que é também a representante das Américas no Banco Mundial de Sementes de Svalbard.

O chefe-geral da Embrapa Arroz e Feijão (GO), Elcio Guimarães, destaca a parceria entre as equipes de pesquisa e de TI da Unidade com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia para a visibilidade mundial que a Empresa alcança com uma das mais importantes culturas destinadas à alimentação humana incluída do Glis.”O Tirfaa, baseado no tripé conservação, uso e repartição dos benefícios, é um importante instrumento assinado por vários países no qual há reconhecimento da contribuição dos agricultores para a diversidade de culturas que sustentam a alimentação da população mundial”, diz Guimarães.
“Além disso, o tratado estabelece um sistema global para fornecer aos agricultores, melhoristas de plantas e cientistas acesso a materiais genéticos vegetais. Dessa forma, o Tirfaa assegura que os destinatários compartilhem os benefícios derivados do uso dos materiais genéticos com os países de onde são originários, observa a chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Cléria Inglis. Ela explica que todo o processo de recebimento, remessa e envio de germoplasma é organizado pela Coordenação Técnica do Sistema de Curadorias de Germoplasma e 100% das informações sobre os acessos de recursos genéticos vegetais estão organizados no Sistema Alelo, também sob a coordenação da Unidade. “A rastreabilidade dos recursos fitogenéticos mantidos em condições ex situ é fundamental para o atendimento às exigências do tratado, o que é possível devido à organização da Embrapa e do Sistema de Curadoria”, destaca a pesquisadora.

Um elo entre a Embrapa e os sistemas de informação sobre bancos de germoplasma de instituições mundiais, o Alelo Vegetal, que já é parte do Genesys (um sistema no qual é possível encontrar informações sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e Agricultura/RFAA conservados em bancos de germoplasma em todo o mundo), agora une o BAG do Arroz ao GLIS. O analista do Núcleo de TI da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Renato Sales trabalhou com a equipe de TI e de pesquisa da Embrapa Arroz e Feijão para os ajustes necessários à alimentação do Alelo da parte vegetal, bem como da plataforma que coloca a estatal brasileira em destaque no cenário internacional.
Sales conta que para todos os dados do BAG do Arroz serem registrados e disponibilizados à comunidade científica mundial por meio do GLIS, foi necessário ter consolidada uma base com recursos da tecnologia da informação (TI) que não só viabilizasse as consultas, mas que “conversasse” com as plataformas internacionais instituídas com a mesma finalidade. Por isso a importância do código único obtido pela Embrapa para esse o BAG do Arroz.
Nesse sentido a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia não só criou como também mantém atualizado (trabalho realizado com as demais Unidades da Empresa) o Portal Alelo Vegetal, no qual estão todos os dados da coleção de base da Embrapa (Colbase). Esse repositório é o maior banco de germoplasma vegetal da América Latina, com 127.783 amostras de sementes de 1.019 espécies de plantas,conservadas em uma temperatura de 18ºC abaixo de zero.
É um site de informações que abriga recursos de sistemas e ferramentas de apoio à gestão de dados de pesquisa e desenvolvimento em recursos genéticos da Embrapa.
O Alelo é composto por um conjunto de sistemas concebidos e implantados conforme a vertente de pesquisa em que atua (animal, microrganismo ou vegetal) com objetivo de guarnecer dados de passaporte, caracterização e avaliação do acervo de coleções de pesquisa e desenvolvimento de seus usuários:
1. Sistema AleloAnimal – gestão de dados de recursos genéticos animal.
2. Sistema AleloMicro – gestão de dados de coleções e Centro de Recursos Biológicos (CRBs) de Microrganismos e
3. Sistema AleloVegetal – gestão de dados e informações de Pesquisa e Desenvolvimento com Recursos Genéticos Vegetais, especialmente dedicado aos Bancos Ativos de Germoplasma (BAGs) da Embrapa e instituições parceiras.

As máquinas agrícolas, na figura do trator, surgiram originalmente na Europa com o intuito de tracionar, ou seja, puxar ferramentas pesadas, como arados e afins. No Brasil, o primeiro trator totalmente feito no País surgiu em 1960, mas foi somente a partir da década de 1990, com a abertura da economia nacional e a redução das taxas de importação (de 32,1%, em 1990, para 13,1%, em 1995), que esses maquinários ganharam notoriedade.
Com o tempo, a ideia de tracionar – que aliás deu o nome ao “tractor” –, foi sendo ultrapassada, segundo afirma José Paulo Molin, que é Professor Associado do Laboratório de Agricultura de Precisão (LAP). De acordo com ele, os tratores passaram a ter a função de “acionar”, ou seja, fazer com que ferramentas como plantadoras e pulverizadores funcionassem a partir da sua força e de seu motor.
“O trator deixou de apenas tracionar as coisas para acionar quando surgiu a tomada de potência (TDP) e logo a após a tomada de três pontos e também o levante hidráulico. Então a ferramenta atrás do trator passou a ser acoplada e não mais arrastada. Isso foi um grande mudança, um enorme avanço”, comenta.
No entanto, mesmo importante, esse não parece ser o único avanço destacado pelo professor. Ele explica que, a partir do ano de 2015, começou a notar que os tratores na Europa estavam migrando para a hibridização, que consiste na integração entre a hidráulica, eletrônica e a elétrica. “Nós aprendemos a lidar com a hidráulica, mas a sinalização agora é de que têm métodos mais eficientes, mais controláveis. Entra o acionamento elétrico”, completa.
O sistema híbrido, principalmente a tecnologia diesel-elétrica, defendida por muitos especialistas, consiste em um motor diesel conectado a um gerador para proporcionar a eletricidade necessária, tanto aos componentes de potência quanto aos sistemas auxiliares. O argumento usado é de que esse tipo de sistema oferece vantagens inclusive em relação ao sistema mecânico convencional, por exemplo, ao usar apenas o motor elétrico e as cargas da bateria quando o trator estiver parado, em marcha lenta ou alimentar o condicionador de ar.
“O acionamento elétrico implica em converter potência lá do motor em eletricidade e fazer acionamentos não mais por hidráulico ou TDP. Acho que nós vamos evoluir rápido para isso porque ele é mais automatizado, é perfeitamente controlado e compacto, sem os famosos vazamentos que os hidráulicos sempre têm”, indica.
Molin explica que, atualmente, são as semeadoras que estão definindo o modelo de trator a ser usado pelo agricultor, papel que os arados e as grades definiram no passado. Contudo, as semeadoras estão cada vez mais eletrificadas, com motores elétricos individuais para cada uma de suas 46 linhas, por vezes. “Nenhum trator disponível no mercado brasileiro tem a capacidade de acionar esse tipo de semeador, porque não foram equipados com a eletrificação. Então eu acredito que é evidente essa necessidade, isso falando somente do trator”, conta.
Segundo o que informou Marcos Werner, supervisor de Marketing de Produto Colheitadeira na AGCO América do Sul, o uso no Brasil do conceito de processamento híbrido começou bem tímido em meados de 2008, atendendo inicialmente a um nicho de mercado de máquinas destinadas a colheita de arroz. Apesar disso, uma possibilidade maior de disseminação acabou sendo vislumbrada na época.
“Por ser uma condição de movimentação de material bem agressiva com a máquina, vislumbrou-se naquela época a possibilidade de trabalhar com esse conceito para outros grãos, olhando também, é claro, a performance desse tipo de processamento na Europa, porém em outros cultivares”, afirma.
No que se refere a motorização, devido às elevadas cargas exigidas de uma máquina agrícola, e à deficiência do armazenamento de energia elétrica, sistemas híbridos se detêm ainda a protótipos, mesmo em países na vanguarda do desenvolvimento tecnológico. E, consequentemente, no Brasil. É isso que acreditam o professor José Fernando Schlosser e o graduando Junior Garlet Osmari do Laboratório de Agrotecnologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
“Quanto à transmissão de potência de forma híbrida, tanto para tração quanto para acionamento de subsistemas, já temos alguns produtos entrando no mercado. No entanto, crescerá nos próximos anos com a utilização de pequenos geradores nas máquinas. Mas é necessário ficar atentos para avaliar as perdas na conversão de energia e não criar sistemas que apresentem essas perdas”, completam.
Apesar de o Brasil ter alguns produtos entrando no mercado, os pesquisadores da UFSM não veem ainda uma grande movimentação no setor. A explicação é de que, pelos trabalhos agrícolas executados no Brasil, muito exigentes em torque e potência, o desenvolvimento de altas demandas de tração é mais adequado aos meios de transmissão mecânica, ou seja, a base de engrenagens, por oferecerem mais eficiência energética.
Com isso, o sistema hidráulico nesses modelos possui apenas funções mais básicas, e os acionamentos são, em sua maioria, mecânico e a eletrônica segue em paralelo à indústria automobilística e está crescendo muito em tratores e outras máquinas, seja para implementar conceitos de agricultura 4.0, como agricultura de precisão, conectividade e automação. A elétrica ainda está pouco desenvolvida, e precisará de mais tempo para ser aperfeiçoada e se provar eficiente em um ambiente tão exigente como o agrícola.
A primeira colhedora híbrida do Brasil foi lançada pela Massey Ferguson com a capacidade de iniciar o trabalho no campo antes e finalizar depois que as demais colhedoras. A colhedora híbrida ofereceu, na época do lançamento, três tipos de plataforma de alto desempenho, a Dynaflex 8250 (caracol), Dynaflex 9250 (draper), única do mercado, e a série 3000 (milho) todas destinadas para suportar o máximo desempenho no corte e recolhimento dos produtos.
Mesmo sendo um produto com tecnologia avançada, de acordo com Werner, a aceitação do público vem sendo boa, já que esse conceito é o que consegue entregar a maior capacidade de processamento com menor perda de grãos, que é um fator decisivo na hora da compra. “Como a Massey Ferguson é a precursora desse tipo de processamento no Brasil, no que diz respeito a aceitação inicial percebeu-se que precisaríamos passar por uma quebra de paradigmas, visto que o pequeno e médio produtor só conhecia até então o sistema de saca palhas, há décadas no mercado. No entanto, hoje a performance já é reconhecida, o que torna muito mais fácil a comercialização das colhedoras, e também porque desde o lançamento o coração do sistema é o mesmo, apenas com pequenas modificações”, comenta ele.
“Entre Brasil e Europa, o conceito em termos gerais é o mesmo, ou seja, ambas são máquinas com trilha convencional e separação axial. Porém, esse conceito na Europa é utilizado em máquinas maiores, Classes VI e VII,e no Brasil, não só a Massey Ferguson como os outros fabricantes no mercado, utilizam esse sistema em máquinas IV e V, trazendo para o pequeno e médio produtor uma tecnologia de ponta, muito bem reconhecida na Europa”, completa.
Na Europa, no entanto, existem outras duas vertentes crescendo, que são os motores totalmente elétricos e também aqueles maquinários de motor interno a diesel totalmente convertidos. Molim indica que esses são outros caminhos que estão um pouco mais distantes do Brasil, mas que estão se desenhando para sistemas totalmente autônomos. “O trator elétrico, com potência elétrica é outra vertente, é outro desafio que está acontecendo em paralelo”, afirma.
Em relação à conversão, o executivo explica que há hoje dois grandes caminhos para irem os tratores e as máquinas. “Um deles é o motor de combustão interna convertendo 100% de sua potência em energia elétrica, que é o modelo da locomotiva moderna a diesel, ela converte toda a potência em energia elétrica e os acionamentos são todos elétricos e todos com a máxima eficiência e atendendo a demanda. A outra vertente são as células fotovoltaicas, ou veículo agrícola elétrico movido a baterias, aí entra a energia solar que pode promover uma autonomia energética, carregando as baterias enquanto o trator trabalha, mas isso é muito para o futuro ainda”.
Para os pesquisadores da UFSM, pouca coisa mudará do estágio que temos agora nos próximos cinco anos. “O que virá pela frente depende do grau de influência que os mercados mais desenvolvidos oferecerão nos seus países de origem. Mas sem dúvida, tudo que tiver sucesso será o que for mais eficiente, com menores custos e, em segundo plano com maior conforto. A restrição crescente da mão de obra também influenciará a expansão da automação, o que é tendência também em outros setores”, garantem.
“Se fosse apostar, diríamos que tratores essencialmente mecânicos sempre terão seus nichos e nunca desaparecerão. Os tratores com itens hidráulicos aumentarão, principalmente pela versatilidade que eles oferecem. Os pacotes tecnológicos hoje concentrados em modelos de maior potência, serão encontrados em modelos menores também. Quanto à eletrônica, certamente teremos um embate nos próximos anos quanto à vida útil de itens eletrônicos e à dependência externa dos sistemas eletrônicos, principalmente software e hardware, mas tudo caminha para um aperfeiçoamento e maior empregabilidade da eletrônica”, acreditam.
Para Werner, na busca por excelência em colheita, no que tange a conceitos, estamos bem avançados. “Os próximos passos diria que seriam a otimização de componentes e sistemas específicos, buscando tirar o máximo de desempenho e entregar um valor de colheita para o cliente, seja esse um valor rentável ou um valor agronômico”, diz.
Isso porque, ele crê que a integração desses três pilares é essencial para um bom funcionamento de uma máquina agrícola, pois a mecânica vem para fazer o serviço pesado, a hidráulica para agilizar e minimizar o esforço da máquina, e a eletrônica para fazer os dois conversarem e poder tirar o máximo de proveito do produto. “Por isso cada vez mais as máquinas serão carregadas de componentes eletroeletrônicos, visto que eles vêm para monitorar e aumentar a eficiência do equipamento a cada colheita”, conclui.

A pecuária tem sido apontada por ativistas como sendo uma das principais fontes emissoras de gases de efeito estufa (GEE), especialmente por causa do gás metano gerado no processo de digestão dos ruminantes. No entanto, vários estudos comprovam que a atividade é capaz de compensar suas emissões ao integrar a produção de proteína com o plantio de árvores e o manejo adequado das pastagens, entre outras técnicas.
De acordo com a organização sem fins lucrativos O Eco, gases do efeito estufa são aqueles que envolvem a Terra e têm como principal característica absorver parte da radiação infravermelha refletida pela superfície terrestre, impedindo que a radiação escape para o espaço e aqueça a superfície da Terra. Nesse sentido, os principais são os gases carbônico e metano.
Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima, o CO2 é o principal “culpado” pelo aquecimento global, sendo o gás de maior emissão (aproximadamente 78%) pelos humanos. O gás metano (CH4) é produzido pela decomposição da matéria orgânica. É abundante em aterros sanitários, lixões e reservatórios de hidrelétricas, e também pela criação de gado (a pecuária representa 16% das emissões mundiais de gases de efeito estufa) e cultivo de arroz.
O controle do carbono é mais simples. Basta aplicar o chamado “sequestro de carbono”, que pode ser realizado de forma natural ou artificial. Nos oceanos, florestas e outros locais, os organismos, por meio de fotossíntese, capturam o carbono e lançam oxigênio na atmosfera. São exemplos o reflorestamento e o sequestro geológico de carbono, uma forma de devolver o gás para o subsolo – onde é comprimido, transportado e depois injetado em um reservatório geológico.
O caso do metano é considerado mais complicado, já que a redução da emissão está ligada à melhoria da dieta do gado, com uma nutrição dos animais que minimizam as perdas de nutrientes, à melhoria dos pastos, à fertilização adequada dos solos e outras medidas que reflitam numa produção mais eficiente. No entanto, o lixo segue sendo uma fonte importante de metano. A prática de queima utilizada em lixões e aterros já assegura um benefício ambiental por transformar metano em dióxido de carbono que, como mencionado, é mais fácil de ser sequestrado e menos nocivo.
Buscando aliviar as emissões dos gases de efeito estufa na produção agrícola do Brasil, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram protocolo a ser seguido por fazendas interessadas em produzir carne mitigando os impactos causados por essas emissões. A entidade afirma que essas diretrizes são baseadas em experimentos com medições e estimativas de emissão e absorção de carbono-equivalente envolvidas na pecuária.
O resultado foi o protocolo “Carne Carbono Neutro (CCN)”, que tem como base os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), ou silvipastoris. “A CCN está baseada nesse protocolo, um conjunto de normas que devem ser seguidas pelos produtores e atestadas por uma certificadora credenciada pela Embrapa,” resume a pesquisadora Fabiana Villa Alves.
A principal exigência dessas diretrizes é a essencial presença de árvores no processo produtivo. “A ILPF promove a recuperação de áreas de pastagens degradadas agregando, na mesma propriedade, diferentes sistemas produtivos, como os de grãos, fibras, carne, leite e agroenergia. Busca melhorar a fertilidade do solo com a aplicação de técnicas e sistemas de plantio adequados para a otimização e a intensificação de seu uso. Assim, permite a diversificação das atividades econômicas na propriedade e minimiza os riscos de frustração de renda por eventos climáticos ou por condições de mercado”, explica o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Em experimentos de longa duração, pesquisadores concluíram que o ideal é manter entre 200 e 400 árvores por hectare para neutralizar as emissões de metano de um a três bovinos adultos por ano, considerando que geralmente apenas metade dessas árvores são destinadas para produção de madeira serrada, que é o que efetivamente entra no cálculo de neutralização de acordo com o protocolo CCN.
“A integração, sendo bem feita, gera lucratividade bem interessante”, atesta o engenheiro florestal Moacir Reis, diretor da fazenda Boa Aguada, do grupo Mutum, e presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore MS). O gestor é da opinião de que, quando se trabalha com um único produto, a atividade fica muito vulnerável aos riscos econômicos, o que se reduz com a diversificação de renda.
Além da ILPF, que é a mais comum, outras técnicas também promovem uma agricultura de baixo carbono. Uma delas é a conservação de solo. De acordo com a Embrapa, conservação do solo representa o conjunto de práticas agrícolas destinadas a preservar a fertilidade química e as condições físicas e microbiológicas do solo.
“A maior parte dessas medidas coincidem com aquelas recomendadas para o preparo do solo, como o uso de cobertura morta, o plantio em nível e a redução do uso de máquinas e implementos”, diz a entidade.
Isso porque, segundo artigo de Ildegardis Bertol, que é professor titular de uso e conservação do solo no Departamento de Solos da Universidade do Estado de Santa Catarina, até a década de 1960, predominou no Brasil o regime colonial de exploração das terras, em pequenas áreas, em que o preparo mecânico do solo era pouco agressivo. “O manejo do solo iniciava com a eliminação da vegetação nativa, seguida de preparo mecânico com tração animal, semeadura manual ou com tração animal e terminava com a queima dos resíduos após a colheita”, indica ele.
Com esse desgaste, outra prática bastante usada é o plantio direto, que consiste no processo de semeadura sem ter o solo revolvido. “O plantio direto é uma técnica de cultivo conservacionista em que o plantio é efetuado sem as etapas do preparo convencional da aração e da gradagem. Nessa técnica, é necessário manter o solo sempre coberto por plantas em desenvolvimento e por resíduos vegetais. Essa cobertura tem por finalidade proteger o solo do impacto direto das gotas de chuva, do escorrimento superficial e das erosões hídrica e eólica.
Indo mais a fundo e além do solo e do plantio, a recuperação das pastagens degradadas também é fundamental para o meio ambiente e para aumentar os lucros dos produtores. De acordo com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), pastagens degradadas são sinônimo de forragens pobres e solo erodido.
“Nas décadas mais recentes, com a exaustão dessa fertilidade, os produtores iniciaram trocas sucessivas de espécies forrageiras por outras menos exigentes em fertilidade, e consequentemente com menor produtividade, até o ponto em que mesmo essas espécies menos exigentes, como o capim-braquiária, não conseguem sobreviver”, diz a Embrapa.
“A possibilidade de sustentabilidade econômica de um sistema em que as pastagens estão degradadas é muito pequena. Então, há necessidade da tomada de decisão para reversão do problema, escolhendo-se a reforma ou a recuperação dos pastos degradados.

Para o produtor que quiser implantar a ILPF ou a ILP (Integração-Lavoura-Pecuária), não basta apenas plantar as árvores e distribuir o gado nas lavouras, existem métodos e certificações que garantem uma melhor eficácia. “Caso o produtor pense em implantá-lo em uma área de pastagem, deve ter o cuidado de colocar os animais somente quando as árvores estiverem com, no mínimo, seis centímetros de diâmetro. Essa medida assegura que a entrada dos animais no sistema não causará danos às árvores, diminuindo o valor comercial da madeira que será produzida. É também exigida a apresentação do inventário florestal anual contínuo, para fins de monitoramento do sequestro de carbono”, indica a Embrapa.
“Com finalidade semelhante, é obrigatório o registro dos teores de carbono no solo, por meio de amostragens bianuais. Esses valores não podem diminuir ao longo do tempo. Plantas invasoras na área da pastagem devem ser controladas, e o produtor deve fazer a reposição de nutrientes no solo. Caso haja excedente de pastagem, outros animais poderão pastejar na área CCN desde que seja respeitada a lotação máxima e que os animais estejam devidamente identificados. Já os animais do Programa CCN não devem pastejar em áreas não certificadas”, completa.
Para uma maior eficiência, a fonte principal de alimentação para os animais deve ser o pasto, e eles devem ser suplementados o ano todo. A suplementação alimentar não deve exceder a taxa de 2% do peso vivo, sendo permitida a terminação com suplementação (“confinamento à pasto”) por até 105 dias. A água fornecida aos animais deve ser de boa qualidade e por fluxo corrente ou, na impossibilidade, por renovação frequente.
“A CCN é uma tecnologia genuinamente brasileira. Não fomos atrás e soluções do exterior, pelo contrário, somos referência para especialistas que vêm de outros países conhecer nossa tecnologia”, orgulha-se Fabiana Villa, ressaltando que o trabalho brasileiro tem embasado programas de mitigação de GEE na pecuária de outros países, como Austrália e Argentina.
Conseguir essa certificação não é simples, mas a Embrapa garante que o retorno é bastante promissor. O mercado da carne vermelha é de 13,2 milhões de toneladas anuais exportadas. Só o Brasil exportou 2,2 milhões, em 2019. “O mercado para uma carne especial como da CCN é favorável, assim como é crescente o número de consumidores que exigem qualidade e sustentabilidade dos produtos. Grupos frigoríficos têm se interessado e acompanhado a evolução da produção da CCN”, indica.
O pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Roberto Giolo, acredita que a carne brasileira será beneficiada com o selo CCN e atingirá mercados mais exigentes, tanto o interno quanto o o externo, podendo aumentar a exportação brasileira. Entre os potenciais clientes estão países da Europa.
“O programa é inovador e com grande potencial,” aposta Fabian Perez Gonçalves, da empresa SGS de serviços de certificação. Sergio Pimenta, da certificadora SBC, disse que ficou surpreso com a base tecnológica e científica do protocolo CCN. “É bem ampla e nunca vi algo tão detalhado. São muitos conceitos, e o selo vai incentivar produtores a adotarem as tecnologias necessárias,” declara. A SBC opera vários protocolos no Brasil e é a maior certificadora de animais de rastreamento para exportação.
Um caso utilizado como exemplo pela própria Embrapa e divulgado através da Rede ILPF, que presta serviços de informação para produtores que desejam implantar essa tecnologia no Brasil todo, é o da propriedade em Rondônia, a “Fazenda Dom Aro”. “Chegamos à conclusão no momento, que remonta há cinco anos, que não tinha outra decisão. Nós na verdade só tínhamos três alternativas: deixar tudo como estava e ir levando a meia boca; usar agroquímicos e reduzir o rebanho enormemente; ou dar uma parada no processo e começar a reestabelecer dentro dos princípios modernos das técnicas agronômicas”, comenta Giocondo Vale, pecuarista e proprietário da fazenda.
De acordo com ele, integrar a lavoura junto com a pecuário foi fundamental para pagar os custos desta reestruturação. No entanto, Vale não pensou apenas no lucro, investiu muito também na parte ambiental da sua fazenda. O pecuarista afirma que fez o caminho inverso da maioria, primeiro acreditou no meio ambiente, para depois começar a produzir.
“Eu fiz uma opção inversa. Optei primeiro por consolidar a parte ambiental, porque há tempos a gente já percebeu os possíveis problemas com a legislação e com o meio ambiente, então resolvi me antecipar a isso, porque é mais fácil fazer pelo bom senso. Dessa consolidação ambiental se estrutura o solo e agora nós vamos para a soja”, completa.
Com o solo degradado, Vale afirma que conseguia produzir meio animal por hectare de terra. Após a consolidação, produz três animais por hectare, fazendo suplemento no coxo na época da seca. “A evolução é excepcional”, conclui o produtor.

Mesmo que o ambiente digital ainda não seja o modelo de negócio em que se realiza a maioria das vendas de máquinas agrícolas, a pandemia do novo coronavírus fez com que esse tipo de transação comercial fizesse parte do chamado “novo normal”, competindo em espaço com modelos tradicionais de comercialização das principais marcas.
A alteração no calendário de importantes eventos (como as feiras agrícolas presenciais, por exemplo, em que os fabricantes costumam apresentar seus lançamentos e que foram adiadas ou realizadas de forma virtual) não impactou o volume de vendas das máquinas do setor, que registrou desempenho acima de outros segmentos da economia, de acordo com Eduardo Kerbauy, diretor de mercado da New Holland. Isso porque, muitas vendas que eram concentradas nesses locais acabaram migrando para outros modelos de negócio.
“Como o agro não parou, o produtor rural também não deixou de investir na modernização de sua frota. Apesar de que, com o impacto da crise, podemos dizer que o agricultor manteve um pouco o pé no freio, pois com os recordes de produção no campo, as exportações em alta, dólar forte e boa valorização das commodities poderíamos supor um cenário ainda mais positivo para a venda de máquinas”, explicou.
Astor Kilpp, gerente de marketing e de produto da LS Tractor Brasil, lembra que as vendas de máquinas nos meses de abril, maio e junho de 2020 praticamente pararam, mas que esta suspensão foi muito mais pela falta de recursos do que pela pandemia.
“Em seguida ao anúncio do Plano Safra 2020/2021, os negócios voltaram com toda força, a partir de julho e, em setembro, já estávamos com a produção de 2020 toda vendida. Os fechamentos dessas vendas ocorreram das mais diferentes formas. Pelo contato direto do cliente com um de nossos vendedores, a visita do vendedor ao cliente e também do cliente à concessionária para ver de perto a máquina e de lá fazer a negociação. As feiras foram substituídas por muita atividade no campo e a busca pelo contato com o cliente de forma direta”, comentou.
Outro ponto que confirma essa situação é o volume de crédito para o setor que continuou crescente com o Banco do Brasil desembolsando 19% acima do realizado no mesmo período da safra anterior (jul/ a set de cada safra), totalizando R$ 28,4 bilhões. Conforme João Rabelo Júnior, vice-presidente de Agronegócios e Governo do Banco do Brasil, até set/20, o volume de financiamentos em operações de investimento no BB foi de R$ 16,4 bilhões, valor 16% superior a igual período do ano anterior.
“Reforçando o compromisso com o setor, recentemente o BB anunciou recursos adicionais de R$ 1 bilhão, para financiamento de máquinas e equipamentos agropecuários. Os financiamentos estão sendo contratados com recursos próprios, com taxas de 7,5% ao ano e prazo de até seis anos, complementando os volumes inicialmente disponibilizados para a Safra 2020/2021”, completou.

A tendência é que sim, pelo menos é nisso que acredita Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Segundo ele, os formatos digitais vão continuar e tenderão a acelerar, a apresentação digital dos produtos deve continuar e a tecnologia empregada também deve seguir pelo mesmo caminho.
“Na realidade, essas práticas já estavam em processo, o que acontecia era uma certa resistência por parte das pessoas em adotá-las por preconceito, desconhecimento ou por medo da mudança. Com a situação de pandemia, não houve outra forma a não ser adotar essas tecnologias para poder tocar a operação e não parar. Acredito que, na sequência, as relações pessoais ainda vão prevalecer, pois é da nossa natureza: as pessoas preferem o contato e isso é saudável. Mas em diversas situações os ambientes virtuais viabilizam e aceleram o trabalho e a comunicação, reduzem custos e encurtam distâncias”, corrobora Rafael Dal Molin, diretor da Elevor.
Nesse mesmo cenário, Kerbauy acredita que pode haver um mix de eventos reais e virtuais, por exemplo, sendo que algumas operações tendem a continuar sendo feitas de modo presencial, e outras, que não exigem tanto a presença física do cliente, poderão se dar de forma on-line.
No entanto, confia que a efetivação da maior parte das vendas de máquinas agrícolas se dará, ainda, em ambiente presencial. “Se tem uma coisa que o produtor rural gosta é de olhar no olho de quem está lhe vendendo um trator ou uma colhedora. Mas muitos processos, como a compra de peças, por exemplo, deverão migrar para o ambiente on-line”, disse.
“Vejo que as vendas nos ambientes virtuais devem continuar evoluindo, mas estamos muito longe ainda do momento em que este formato será o mais importante. O ambiente de negócios presenciais que predominam no mundo do Agro, principalmente para aquisição de máquinas e equipamentos, por enquanto, ainda são e serão a forma mais utilizada no fechamento de negociações”, comentou Kilpp, completando o que disse Kerbauy.
Como toda a tecnologia inovadora, principalmente aquelas que surgem em tempos de emergência, a venda de máquinas agrícolas em ambientes virtuais pode trazer pontos positivos e negativos para o setor. Para Kerbauy, eles são mais positivos do que negativos, já que toda a inovação deve ser levada em consideração.
“De modo geral, o produtor ainda tem um pouco de resistência em comprar uma máquina de forma 100% digital, mas é uma boa maneira, por exemplo, de ele conhecer melhor o equipamento antes de se decidir pela compra. Aprendemos que é possível fazer tours virtuais pelos estandes dos fabricantes, conhecer em detalhes o equipamento e tirar dúvidas em tempo real com o especialista sem precisar sair do conforto da sua casa. Essa é uma grande vantagem da virtualização desses processos”, analisou.
Como ponto negativo, Kilpp cita a dificuldade de uma reação mais rápida da produção de máquinas em função da falta de componentes que se estabeleceu por conta das ações de distanciamento pessoal que acabou parando muitas fábricas no mundo afora. Com esta situação, ele diz que perderam muitas oportunidades de vendas que aconteceriam com ou sem pandemia.
Para Estevão, que também é diretor de Relações Institucionais da Jacto, a disseminação de novas ferramentas digitais e a aceleração do processo que poderia demorar mais sem o fenômeno da Covid-19 é um ponto positivo.
“Um aspecto que não é totalmente negativo porém não respondeu à altura foi o processo de vendas. Ao contrário das vendas de bens de consumo, que migraram em massa para o digital, a comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas em que o valor das compras é maior e a decisão é técnica não aconteceu em volume representativo”, disse.
“Como aspectos negativos, obviamente toda a questão de saúde e perdas que tivemos. Isso sempre vai estar em primeiro lugar, então certamente 2020 foi um ano muito triste. Depois, tivemos uma situação econômica desfavorável em modo geral, que está fazendo muitas empresas não conseguirem suportar tal pressão e isso se reflete nas perdas de empregos e tudo que isso implica na sociedade”, complementou Dal Molin, encerrando o assunto.

A LS Tractor vem trabalhando e direcionando investimentos para se posicionar nas plataformas digitais de negócios. Como estratégia futura a empresa pretende avançar nestes conceitos, evoluído as plataformas de negociação digital. Além disso tudo, integrar os concessionários nestes conceitos é no momento a prioridade para os próximos dois anos.
Já a New Holland acredita que muita coisa vai depender do andamento da pandemia, sendo que ainda há muitas incertezas em relação aos riscos sanitários e à normalização de toda a cadeia de fornecimento de peças, por exemplo, impactada principalmente em outros países, como na Ásia e Europa, o que afeta também em parte os seus suprimentos. “Buscaremos estar em todos os canais, sejam eles presenciais, como as feiras agrícolas tradicionais, ou online. Além disso, vamos investir em inovação tecnológica, com máquinas que permitam fazer diagnósticos de funcionamento à distância, sem que o técnico precise ir até o local para saber qual o problema. Acho que o caminho é por aí”, completou Eduardo Kerbauy, diretor de Mercado Brasil da New Holland Agriculture.
“Um dos pilares da Elevor é a proximidade com seus clientes e a preocupação no entendimento da realidade e necessidades de cada um. A empresa está intensificando esse trabalho e mapeando as lacunas nos processos para poder aprofundar o uso da tecnologia e preencher essas lacunas. Para efeito de comunicação, a empresa investe em uma nova forma de atendimento facilitada para agilizar o contato dos clientes com a empresa e vice-versa”, afirma Rafael Dal Molin, sobre a Elevor.
Em relação às instituições financeiras, o Banco do Brasil espera evoluir nos modelos de atendimento e de crédito, oferecendo alternativas de acesso a informações, seja via mobile, seja no atendimento presencial ou virtual. “Nesse sentido, iniciamos o processo de reutilizar a documentação do nosso produtor rural, em especial aqueles que contratam financiamentos todo ano. Vamos ampliar para incluir essa condição também para a agricultura familiar”, aponta o vice-presidente de Agronegócios do BB.
“Implementamos também o uso de um modelo preditivo no qual estimamos, por meio de inteligência analítica, a produção de nossos clientes para manutenção da oferta de crédito por meio dos seus limites de crédito. Esse processo gera automação e menor impacto nas demandas de informações de nossos clientes”, concluiu.ν
O Portal Máquinas Agrícolas é uma plataforma integrada de informação, conhecimento e serviços sobre mecanização e inovações agrícolas.
R. Cristóvão Pereira, 1626
04620-012 – São Paulo/SP
Tel. + 55 (11) 5042-5260
Seu cadastro foi realizado com sucesso!
© BMComm | Portal Máquinas Agrícolas ::: Site desenvolvido por Código 1 TI