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Notícias

Pontos importantes para adoção do padrão ISOBUS

Por Nadila Sousa 13/12/2019
Escrito por Nadila Sousa

Por Luciana Fleury

A adoção pelo Brasil de todas as partes da norma ISO 11783 trouxe a padronização da comunicação eletrônica entre tratores e implementos. O feito, alcançado este ano, é o ponto essencial para resolver um problema recorrente nas propriedades rurais, que é a incompatibilidade eletrônica entre o trator e equipamentos de marcas diferentes, gerada pelo fato de cada máquina se comunicar em sua própria “língua”. Ao estabelecer um protocolo único, a norma ISO 11783 cria um “idioma oficial” mundial para todos os componentes, o Isobus – termo composto pela sigla ISO (International Organization for Standardization) e “bus” que, em inglês, quer dizer barramento, ou seja, o conjunto de linhas de comunicação que permitem a interligação entre dispositivos.

A adoção pelo Brasil de todas as partes da norma ISO 11783 trouxe a padronização da comunicação eletrônica entre tratores e implementos. O feito, alcançado este ano, é o ponto essencial para resolver um problema recorrente nas propriedades rurais, que é a incompatibilidade eletrônica entre o trator e equipamentos de marcas diferentes, gerada pelo fato de cada máquina se comunicar em sua própria “língua”. Ao estabelecer um protocolo único, a norma ISO 11783 cria um “idioma oficial” mundial para todos os componentes, o Isobus – termo composto pela sigla ISO (International Organization for Standardization) e “bus” que, em inglês, quer dizer barramento, ou seja, o conjunto de linhas de comunicação que permitem a interligação entre dispositivos.

A solução é muito bem-vinda para a realidade atual, mas ainda mais fundamental em uma perspectiva de desenvolvimento acelerado de soluções da agricultura de precisão, internet das coisas e de conectividade no campo. Depois de ter visto ser superada a dificuldade no acoplamento físico de implementos em tratores de fabricantes diferentes, o agricultor passou a se deparar com barreiras a cada novidade trazida pela tecnologia embarcada. 

O mercado vem oferecendo equipamentos cada vez mais inteligentes que, por exemplo, se valem de dados como localização geográfica (dada por GPS) e a velocidade de marcha para determinar o ritmo de liberação dos insumos a fim de manter o nível programado. Sem falar nas informações disponibilizadas em tempo real para o operador, detalhando o funcionamento do implemento, e dos diferentes comandos disponíveis, possibilitando diversos ajustes para maior eficiência da ação realizada. No entanto, para tudo isso acontecer, é preciso haver comunicação de dados entre as partes, muitas vezes só possível com acessórios fornecidos pelo mesmo fabricante. Neste caso, resta ao agricultor adaptar o trator da marca A, adicionando os sensores, os comandos e o monitor do implemento da marca B. O resultado é aumento do custo, pela aquisição dos componentes, e maior complexidade na operação. “Como, geralmente, o mesmo trator é usado em diversas etapas da produção, como preparo de solo, plantio, pulverização, colheita, é muito comum encontrar cabines de tratores com uma quantidade de interfaces que torna seu manuseio tão intricado quanto o de uma aeronave”, afirma Ricardo Inamasu, pesquisador da Embrapa na área de automação. A adoção de um padrão de comunicação resolve este problema. Em um ambiente de mercado onde todos os produtos “falem” Isobus, todo trator, a ter um implemento conectado, identificará de forma automática a função do equipamento, carregando em seu display as informações específicas, realizando a coleta de dados e enviando os comandos determinados pelo operador.

Nos mínimos detalhes

Complexa e extensa, a norma ISO 11783 é composta por 14 partes e demandou um longo trabalho para se tornar a ABNT NBR ISO 11783. Os esforços para sua adoção integral começaram em 2005, com a criação de uma força tarefa para isso e só foram concluídos agora. “A versão internacional passou por diversas revisões, recebendo várias incorporações ao longo destes anos. E quando um texto entra em atualização, o trabalho de tradução é interrompido, para não se trabalhar em uma versão antiga; este processo de aguardar o texto mais atualizado foi nossa maior dificuldade”, diz Inamasu, que atua como coordenador da CE-203:019.002 Comissão de Estudos de Comunicação Eletrônica e Embarcada – uma das comissões de estudos do ABNT/CB-203 – Comitê Brasileiro de Tratores, Máquinas Agrícolas e Florestais. A CE203:019.002 é um grupo brasileiro, espelho do existente na ISO (onde ocorrem as discussões internacionais para as normas técnicas), dedicado a analisar, traduzir para o português e submeter à ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) as normas sobre comunicação eletrônica entre dispositivos embarcados em máquinas agrícolas. 

Para se ter ideia do volume de trabalho, a parte 6 da norma tem mais de 300 páginas, algo realmente considerável quando se trata de padronização. A questão é que, ao contrário de outras normas, que só determinam o que deve ser feito, a ABNT NBR ISO 11783 precisa dizer, também, como tudo deve acontecer. “Afinal, se cada empresa decidir implementar a solução do seu jeito, não haverá compatibilidade; e, apesar da versão atual buscar deixar bastante claras as determinações, ainda há casos que dão margem a interpretações, o que pode gerar dúvidas”, comenta Alexandre Malgarizi, membro da Comissão de Estudos e Engenheiro da CNH Indústria.

É por isso que foram necessárias centenas de páginas para a parte 6, dedicada a definir como deve concebido o chamado terminal virtual, o display onde são disponibilizadas as informações para o operador. O material indica não só quais dados devem ser apresentados e de que forma, mas, ainda, qual local devem ocupar na tela. “Esta padronização facilita o dia a dia do operador e torna mais amigável a interface, pois, não importa qual seja o implemento conectado ao trator, os comandos estarão disponibilizados da mesma maneira, o que muda é apenas a função”, diz Gustavo Lourencetti Gonçalves, secretário da Comissão de Estudos e gerente de contas OEM da Danfoss. Outra parte rica em detalhes é a que aborda os serviços de diagnóstico. Além de indicar quais processos de investigação de falhas devem ser automáticos, ainda há a descrição da forma como os problemas são reportados ao operador, seja por uma mensagem na tela, um alarme sonoro etc. 

Apesar de muito positivo, este aprofundamento de padronização provoca um efeito colateral. “O desenvolvimento acelerado da tecnologia gera situações nas quais o atendimento à norma limita o desempenho”, afirma Malgarizi. É o caso vivido por uma empresa especializada em soluções para o monitoramento de plantio. “A quantidade e a frequência de coleta de informações realizadas no momento do plantio pelos componentes e protocolo de comunicação desenvolvidos por eles é muito superior ao que o Isobus consegue alcançar na versão atual”, explica Malgarizi. O jeito é esperar que este patamar seja atingido pelo mercado e o Isobus adquira os novos “vocabulários” necessários para conversar no mesmo nível com a sofisticada plantadeira. Enquanto isso, a solução já é conhecida: adaptar o trator. O exemplo mostra porque é uma utopia imaginar se chegar à versão definitiva de um texto normativo; as normas sempre precisarão se atualizar às inovações, que são contínuas.

Uma questão de mercado

Vale destacar que a entrada em vigor de todas as partes da ABNT NBR ISO11783 não garante que, a partir de agora, os produtos comercializados no Brasil tenham, obrigatoriamente, de dominar o idioma Isobus. A adoção, pelos fabricantes, é facultativa e vai depender não só da capacidade técnica, mas também da estratégia comercial. Apesar disso, já é possível encontrar maquinário agrícola fluente em Isobus, como os tratores da CNH, que atua no mercado com as marcas Case e New Holland. “A maioria dos nossos tratores ou já é oferecida com o protocolo Isobus completo ou, no caso dos menores, esta condição é opcional, por uma questão de custo para o cliente”, diz Malzani. A CNH também produz, no Brasil, plantadeiras com sistema eletrônico baseado no Isobus.

Alguns fabricantes, segundo Malzani, seguem a estratégia não ser 100% compatível. Ele cita o caso de uma empresa cujos tratores são compatíveis, porém, algumas funções em determinados implementos seguem protocolo próprio. “Neste caso, a aplicação de semente da plantadeira da empresa é em Isobus enquanto o mesmo não acontece na aplicação de fertilizantes. Assim, se um cliente comprar nosso trator para usar esta plantadeira, a parte de fertilizante não vai funcionar; ele terá de realizar adaptações”, descreve. 

Outro ponto importante com relação à adoção de um protocolo de comunicação comum é a necessidade de envolvimento de toda a cadeia. Isso porque todos os componentes eletrônicos que fazem parte do trator e do implemento precisam falar Isobus para tudo funcionar. Algo que ainda não ocorre com os produtos da Danfoss, por exemplo. “Hoje, todos os nossos controladores, atuadores e demais equipamentos eletrônicos têm bobinas que se comunicam em protocolo CAN, utilizado pela indústria automotiva e que, inclusive, serviu de base para o desenvolvimento do Isobus”, diz Gonçalves. “A Danfoss tem capacidade de implementar o Isobus, mas economicamente isso ainda não se justifica, pois seria necessário criar toda uma estrutura comercial para esse atendimento”, explica. É só uma questão de tempo, porém. “A adoção do protocolo Isobus já está em nosso planejamento estratégico, mas estamos esperando o amadurecimento do mercado para isso acontecer”.

Como, de modo geral, as empresas pretendem adotar o Isobus “de acordo com a demanda” e “a fim de atender as necessidades do mercado”, a peça que falta para mover esta engrenagem é o usuário final. Toda a cadeia envolvida na produção de maquinários agrícolas precisa entender que os agricultores querem usufruir dos benefícios de contar com a padronização do protocolo de comunicação; cabe ao produtor, no momento de sua decisão de compra, dizer isso em bom português.

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Notícias

Conheça as normas técnicas e de segurança dos tratores agrícolas

Por Redação 11/12/2019
Escrito por Redação

Por Luciana Fluery

A indústria de máquina agrícolas trabalha em ritmo de constante inovação, com foco na melhora da produtividade e desempenho. O trator, por exemplo, é um dos equipamentos agrícolas que mais passa por renovações. Por esse motivo, a normalização para esse tipo de máquina deve passar por aprimoramento recorrente para garantir a segurança e a saúde ocupacional dos operadores.

Atualmente, estão em vigor 57 textos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), versões em português de normas internacionais, com o foco específico no trator. “O arcabouço normativo é bastante completo. Se um novo fabricante entrar no mercado buscando atender as normas em vigor, conseguirá entregar um trator de ótima qualidade”, comenta Luís Eduardo Accordi Ferrari, gerente de Assuntos Regulatórios para América Latina da John Deere.

Além de possuir o maior número de normas entre os maquinários, o trator também foi pioneiro nesse sentido. Registros da ABNT apontam que é de 1969 o primeiro texto normativo do segmento, a ABNT MB 484:1969 com o título “Método de ensaio de tratores agrícolas”. Após passar por revisões e novas versões, ela foi substituída por normas da International Organization for Standardization (ISO) que contemplam os requisitos das versões anteriores. No entanto, só com o estabelecimento do Comitê Brasileiro de Tratores, Máquinas Agrícolas e Florestais da ABNT (CB 203) e da criação da Comissão de Estudos de Tratores Agrícolas e Ensaios Comuns, em 2013, que o ritmo de adoção das normas internacionais ganhou fôlego no Brasil, chegando ao nível atual e melhorando a qualidade dos equipamentos. “As normas técnicas vieram se somar ao esforço dos auditores do Ministério do Trabalho que fizeram um trabalho de longo prazo com os fabricantes; inspeções realizadas em eventos como a Agrishow, por exemplo, geravam laudos de adequações para itens obrigatórios para o atendimento à NR-31 (Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura) e à NR-12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos)”, lembra Ila Maria Corrêa, engenheira agrícola e pesquisadora aposentada do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e que atuou por 36 anos em comissões de estudos na ABNT.

- Conheça as normas técnicas e de segurança dos tratores agrícolasIla destaca, dentre os textos em vigor voltados para tratores agrícolas, as normas relativas à segurança como a ABNT NBR ISO 26322, Partes 1 e 2, que especifica os requisitos gerais de segurança e sua verificação para o projeto e construção de tratores tanto convencionais quanto pequenos e de bitola estreita; as normas relativas aos métodos de ensaio de estruturas de proteção na capotagem, estabelecendo procedimentos, definindo uma zona de segurança e condições de aceitação (ABNT NBR ISO 5700 e ABNT NBR ISO 12003, Partes 1 e 2); e a norma relativa aos cintos de segurança de retenção pélvica, com requisitos de localização e de resistência das ancoragens (ABNT NBR ISO 3776, Partes 1 e 2).

Outro ponto ressaltado por Ila são os textos que tratam dos acoplamentos, fundamentais para compatibilidade equipamentos de diferentes marcas. Neste quesito, estão as normas sobre a tomada de potência, que versam sobre dimensões, rotações e localização dos quatro tipos de tomada de potência (série ABNT NBR ISO 5000); as relativas ao engate de três pontos, que abordam dimensões e outros requisitos para todos os tipos de engate de implementos no trator (série ABNT NBR ISO 730) e as que determinam especificações para os acopladores do engate de três pontos (série ABNT NBR ISO 11001). Também fazem parte desta lista a ABNT NBR 7811, que padroniza as dimensões, a localização e as cargas verticais estáticas para barra de tração e a ABNT NBR ISO 5675, relativa aos engates rápidos hidráulicos, utilizados para transmitir potência hidráulica dos tratores aos implementos agrícolas.

Trabalho contínuo
Apesar da ampla abrangência das normas em vigor, o trabalho de normalização é contínuo. Por regra, todo texto internacional deve passar por revisão a cada cinco anos para garantir a atualização frente às inovações do mercado, processo que envolve todos os países participantes da ISO. As demandas brasileiras têm feito parte das discussões. “O Brasil solicitou a revisão da norma ISO 23205, sobre assento instrucional em tratores agrícolas em 2012 e liderou esta revisão até sua publicação em 2014”, diz Ferrari, da John Deere. A existência de um assento instrucional possibilita que um instrutor, aprendiz ou técnico de manutenção acompanhe o operador para orientação, aprendizagem ou identificação de problemas com o maquinário com segurança. A revisão aprimorou os requisitos de segurança e ergonomia.

Além das revisões, a Comissão de Estudos de Tratores Agrícolas e Ensaios Comuns do CB-203 continua com seu trabalho de tradução de normas internacionais para a adoção por aqui. Um exemplo é a entrada em vigor, em agosto de 2018, da norma ABNT NBR ISO 5721-1, que trata dos requisitos, procedimentos de ensaio e critérios de aceitação para o campo de visão do operador, sendo que a Parte 1 aborda o campo de visão dianteiro e a Parte 2 os de visão lateral e traseiro. “A determinação de campos de visão é de suma importância. Basta lembrar que o operador do trator está elevado em relação ao solo e, em alguns casos, dentro de uma cabine que abafa alguns sons externos, além de próximo a um motor que gera ruído. Em função disso tudo, ele precisa ter uma visão clara do que está a seu redor, para evitar acidentes”, explica Ferrari. “Desta forma, os projetos devem prever áreas de visão livres. Um cano de escape, por exemplo, não pode estar posicionado de maneira a bloquear a visão do operador”.

Ferrari lembra, ainda, da Parte 4 da ABNT NBR ISO 789, de janeiro deste ano. “O texto descreve como devem ser os procedimentos de ensaio para medição da fumaça de exaustão emitida pelos motores dos tratores operando em velocidade constante”, diz. Segundo ele, a padronização é importante para garantir que todos os fabricantes realizem os testes da mesma forma, inclusive apresentando os resultados com as mesmas métricas, possibilitando comparações. A norma também serve de parâmetro para legislações que visam limitar emissões.

Impacto no campo
O gerente agrícola do Grupo Agro Alberti, Lauro Antunes Neto, costuma considerar vários pontos cruciais, no momento da compra do maquinário agrícola. O atendimento dos fabricantes às normas técnicas não é um dos critérios fundamentais. “Este tipo de informação, sobre como o teste de uma plataforma de trator é feito ou se determinada empresa realiza este teste, não chega para nós”, comenta. “A preocupação maior é se o equipamento permite o atendimento às normas reguladoras, como por exemplo, a existência de cinto de segurança ou de corrimão para acesso à cabine”.

Com 25 anos de atuação profissional, ele é testemunha da evolução da segurança de equipamentos como os tratores agrícolas. Muitos desses aprimoramentos vieram de requisitos estabelecidos em normas. “Hoje, são inúmeros os alarmes para sinalizar o operador; se ele não coloca o cinto de segurança ou levanta do assento sem acionar o freio de mão”, exemplifica Neto. Ele destaca ainda as proteções de parte móveis, elementos também disseminados pelas normas técnicas. “Conversamos e ministramos treinamentos com o pessoal operacional para reforçar a importância das proteções, que dificultam no momento de realizar as manutenções, pois é necessário a retirada destes componentes para ter acesso às correias, por exemplo. Precisamos, com muito treinamento, reiterar que elas estão lá para evitar acidentes”, explica.

Neto gerencia uma frota de 35 tratores, nove colheitadeiras, seis pulverizadores, além de plantadeiras, semeadeiras e outros equipamentos, espalhados em fazendas no Paraná que somam de 7 mil e de 10 hectares e produzem soja, milho, feijão, trigo e aveia. Para ele, o fator chave para a escolha de que marca adquirir é o custo da manutenção. O avanço da agricultura de precisão vem, no entanto, criando novas situações e demandando análises mais apuradas, especialmente em relação à compatibilidade dos sistemas eletrônicos. “É o caso do monitor do trator, que não transfere dados para o monitor de uma plantadeira de outra marca”, comenta. A incompatibilidade faz com que informações importantes, como a população de sementes que está sendo lançada por metro, o aviso de falha em algumas das linhas, dados de quantos hectares já foram plantados e o rendimento operacional, deixem de ser apresentadas para o operador. A solução é adquirir o trator e a plantadeira da mesma marca ou adquirir um outro monitor, encontrando uma forma de instalá-lo no trator e contar que o operador consiga trabalhar com dois monitores – um com informações do trator, outro apresentando os dados da plantadeira – correlacionando as estatísticas. “Já que as normas visam à padronização, bem que poderia haver uma que abordasse este tema, promovendo a integração de sistemas de fabricantes diferentes, não?”, pergunta Neto.

A questão, porém, é que já existem normas para isso. Elas são o foco da Comissão de Estudos Comunicação Eletrônica e Embarcada, responsável pelas traduções dos textos normativos publicados no âmbito do ISO/TC 23/SC 19 Agricultural Electronics. “A principal norma que trata deste tema é a ABNT NBR ISO 11783, com 14 partes, a maioria delas já adotadas no Brasil”, explica Leoni de Souza Leite, chefe de secretaria do CB-203. “No entanto, vale lembrar que todas as normas técnicas, ao contrário das normas regulamentadoras, são de adesão voluntária e a decisão de utilizá-las em seus projetos cabe exclusivamente aos fabricantes dos maquinários e implementos”, conclui.

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Manutenção

Lubrificação no ponto certo prolonga a vida útil do maquinário

Por Redação 11/12/2019
Escrito por Redação

Lubrificação no ponto certo prolonga a vida útil do maquinário

Joel S. Alves* – Que a lubrificação do maquinário agrícola é importante todos sabem. A questão é se é realizada adequadamente. A experiência prática me mostra que, na maioria dos casos, os serviços não são executados como deveriam. Talvez algum dia seja dada a devida atenção aos serviços de manutenção, nem que seja em nome dos custos financeiros.

O fato é que máquinas e implementos agrícolas são constituídos por diversos conjuntos mecânicos que requerem permanente lubrificação para funcionar corretamente e ter o desempenho esperado e, acima de tudo, garantir uma vida útil prolongada.

Qual a contribuição da lubrificação para esse desempenho? A função básica da lubrificação é a redução de atrito entre duas superfícies dotadas de movimento. Para tal, introduz-se entre ambas uma camada de uma substância lubrificante, formando uma fina película de óleo ou graxa.

As principais funções da lubrificação:

* Redução do atrito e do desgaste
* Dissipação do calor
* Prolongamento da vida útil do equipamento
* Prevenção contra oxidação
* Proteção contra elementos nocivos

Existem dois tipos básicos de lubrificantes: por óleo e por graxa. Em algumas aplicações especiais emprega-se lubrificante sólido, como o disulfeto de molibdênio, ou ainda grafite.

Lubrificação com graxa

Os lubrificantes graxos são relativamente fáceis de manusear e requerem somente os mais simples dos dispositivos de vedação. Por essas razões, a graxa é o lubrificante mais amplamente utilizado nos rolamentos.

As graxas lubrificantes são compostas de uma base de óleo mineral ou de uma base de óleo sintético. A essas bases são acrescentados espessantes e outros aditivos. As propriedades de todas as graxas lubrificantes são determinadas, principalmente, pelo tipo de óleo-base utilizado, e pela combinação dos espessantes e dos vários aditivos.

Espessantes: são combinados com óleos-base para manter o estado semi-sólido das graxas. Os espessantes são formados por dois tipos de bases: sabão metálico e livre de sabão. Os espessantes à base de sabão metálico incluem: lítio, sódio, cálcio etc. Os espessantes com base livre de sabão são divididos em dois grupos: inorgânicos (sílica gel, bentonite etc.) e orgânicos (poliuréia, fluorcarbono etc.).

As características especiais de uma graxa, tais como campo limite de temperatura, estabilidade mecânica, resistência à água etc., dependem em grande parte do tipo de espessante utilizado. Por exemplo, uma graxa com base de sódio é geralmente de baixa resistência a água, enquanto graxas que utilizam bentonite (silicato de alumínio), poliuréia e outros sabões não metálicos como espessantes têm geralmente propriedades superiores em condições de alta temperatura.

Aditivos: com o objetivo de melhorar as propriedades e a eficiência das graxas, são acrescentados vários tipos de aditivos. Por exemplo: existem antioxidantes, aditivos de alta pressão (aditivos EP), inibidores da ferrugem e anticorrosivos. Em rolamentos submetidos a cargas pesadas e/ou cargas de choque deve-se utilizar graxas que contenham aditivos para alta pressão. Para altas temperaturas de funcionamento, ou em aplicações onde a graxa não pode ser trocada durante longos períodos de tempo, é melhor utilizar uma graxa com um estabilizante antioxidante.

Consistência: a consistência de uma graxa indica sua rigidez e liquidez, sendo expressa por um índice numérico. Os valores NLGI para o índice indicam a suavidade relativa da graxa: quanto maior o número mais espessa a graxa. A consistência de uma graxa é determinada pela quantidade de espessantes utilizados e pela viscosidade do óleo-base. Para a lubrificação dos rolamentos são utilizadas graxas com números de consistência NLGI 1, 2 e 3.

Mistura das graxas

Como regra, não se deve misturar graxas com diferentes óleos-base, nem graxas com espessantes diferentes. Adicionalmente, as graxas de diferentes marcas não devem ser misturadas por causa dos diferentes aditivos que elas contêm.

Entretanto, se for o caso de misturar graxas de diferentes fontes que, ao menos, sejam escolhidas aquelas que contenham o mesmo óleo-base e os mesmos espessantes.

De qualquer forma, considere que mesmo quando se misturam graxas com o mesmo óleo-base e espessantes, a qualidade do produto pode ser prejudicada devido à diferença dos aditivos. Mudanças de consistência e outras qualidades devem ser verificadas antes da aplicação.

Graxa sólida

A “graxa sólida” é um lubrificante composto basicamente por graxa lubrificante e um superpolímero de polietileno. A graxa sólida tem a mesma viscosidade de uma graxa em temperatura normal, mas, com a aplicação de um processo especial de tratamento térmico, ela se solidifica, retendo uma grande parcela do lubrificante dentro do rolamento. O resultado é que a graxa não vaza facilmente do rolamento, mesmo quando o dispositivo está sendo submetido a fortes vibrações ou forças centrífugas.

Lubrificação com óleo

A lubrificação com óleo é conveniente em aplicações nas quais se requer que o calor gerado, ou o calor proveniente de outras fontes, seja extraído e dissipado para fora. Os principais métodos de lubrificação com óleo são:

Banho de óleo: é o mais comumente utilizado e empregado em aplicações com baixas e moderadas rotações. Em aplicações com eixos horizontais, o nível de óleo deverá ser mantido aproximadamente no centro do corpo rolante mais baixo, quando em repouso. Em eixos verticais com baixas rotações o nível deverá ficar entre 50% e 80% dos corpos a serem lubrificados.

Pulverização: neste caso, um impulsionador ou dispositivo semelhante montado sobre o eixo recolhe o óleo e faz a pulverização. O método pode ser utilizado em rotações consideravelmente altas.

Gotejamento: o óleo é coletado acima e permitido o gotejamento para dentro de um alojamento onde é vaporizado
ao entrar em contato com os corpos rolantes.

Circulação: utilizado em aplicações para resfriamento dos componentes ou para sistemas automáticos de lubrificação onde o suprimento de óleo é localizado centralmente. Uma das vantagens deste método é que dispositivos de resfriamento e filtros adotados para manter a pureza do óleo podem ser instalados dentro do sistema.

Neblina de óleo: utilizando ar comprimido, o óleo de lubrificação é atomizado antes de entrar nos espaços a serem lubrificados. Em função da baixa resistência do lubrificante, este método é apropriado para aplicações com altas rotações.

Jato de óleo: este método lubrifica, por meio da injeção sob pressão do óleo lubrificante, diretamente o local desejado.
É um sistema confiável para altas rotações, altas temperaturas ou outras condições severas. Utilizado principalmente para a lubrificação de rolamentos de motores a jato e turbinas a
gás e outros equipamentos de altas rotações.

Execução adequada

A execução do procedimento de lubrificação é onde reside o diferencial para que o maquinário esteja sempre pronto e disponível para o trabalho. Sabemos que muitas vezes no dia a dia do campo nem sempre isso é possível, mas é importante destacar que, não raras vezes, as consequências pela não execução acabam sendo as piores possíveis.

Hoje, o mundo agrário dispõe dos recursos que a tecnologia oferece de melhor em sistema de lubrificação de máquinas. Claro, falamos de máquinas atuais, onde há sistemas de lubrificação automáticos. Também já é possível encontrar implementos agrícolas com mancais e eixo com lubrificação permanente, através de lubrificantes sólidos ou buchas especiais de material sinterizado. São realidades que já estão presentes em muitas máquinas e melhorias que contribuem para o desempenho e eficácia nos serviços.

Observamos uma evolução desde a época (ainda presente em algumas propriedades) do caminhão comboio (da lubrificação e abastecimento), aqui no sul conhecido como caminhão da “melosa” e o pessoal dos serviços de “meloso”, pois normalmente apresentavam-se bastante sujos de óleo e graxa. Um passado não muito distante e que se faz presente em alguns casos, principalmente em lavouras de arroz irrigado.

O custo da lubrificação automática ou centralizada ainda pesa bastante, e muitos produtores não conseguem absorver tais custos, mas é uma tendência cada vez mais nos equipamentos de larga produção, pois aumenta o tempo de disponibilidade sem a necessidade de paradas para lubrificar.

Outra vantagem é a lubrificação de todos os pontos, mesmo os de difícil acesso, e na quantidade correta, evitando desperdícios. Claro que tal sistema também necessita de manutenção e equipes de operação e manutenção preparadas para essa realidade. Mais uma vez, destacamos a importância da inspeção diária bem acurada feita pelo operador, pois se as conexões do sistema automático não estiverem corretas e sem vazamentos a lubrificação poderá falhar naquele ponto e as consequências serão graves.

Inovações são bem-vindas e o maquinário agrícola está sendo contemplado, ainda que isso represente um custo adicional de aquisição, o qual, certamente, será diluído ao longo da vida útil do equipamento. Tais inovações serão tão perenes quanto a simplicidade que possam oferecer nos procedimentos para aplicação. Para finalizar, uma frase do filósofo Martin Heidegger: “O simples guarda o enigma do que permanece e do que é grande”.

Joel S. Alves é instrutor de operação e manutenção de máquinas e implementos agrícolas e rodoviários.

 

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Notícias

Janela da safrinha de milho em 2020 deve ser mais curta, diz AgRural

Por Redação 28/11/2019
Escrito por Redação

O período ideal (janela) de plantio para a safrinha de milho do Brasil no ano que vem deve ser mais curto, já que a irregularidade das chuvas nas últimas semanas fez com que a semeadura de soja se atrasasse em diversos Estados do Centro-Sul do País. A projeção é da consultoria AgRural. “Uma colheita mais tardia (de soja) vai fazer com que o plantio do milho comece e termine um pouco mais tarde do que o normal, estendendo-se março adentro”, estima a consultoria em boletim divulgado nesta terça-feira (26/11).

Para a AgRural, 53% da área de milho safrinha no Paraná estará plantada no fim de fevereiro, ante 56% em 2018 e 71% em 2019. Embora a janela para o plantio da segunda safra termine na segunda quinzena de março, plantar no terceiro mês do ano é mais arriscado “porque esse milho irá polinizar sob condições potencialmente menos favoráveis”, como dias mais curtos, que podem incluir chuvas e eventualmente geadas.

O risco maior vale para Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. A exceção, para a AgRural, é Mato Grosso, onde a projeção é de plantio de 90% da área até o fim de fevereiro do ano que vem, ante 93% no mesmo período de 2019.

A consultoria, que divulgará na primeira quinzena de dezembro a projeção inicial de área plantada de milho safrinha no ano que vem, afirma que preços firmes do cereal no Brasil “tendem a estimular o produtor a plantar mais ou a pelo menos manter a área semeada em 2019”.

Fonte: revista Globo Rural

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Notícias

Governo libera 100% do orçamento para o seguro rural em 2019

Por Daniel Santos 28/11/2019
Escrito por Daniel Santos

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa nesta quarta-feira (28) que foi liberada a parcela que faltava para execução integral do orçamento previsto, para 2019, do Programa de Subvenção do Seguro Rural (PSR), totalizando R$ 440 milhões.

Em março deste ano, o orçamento foi contingenciado em R$ 70 milhões, o que reduziu a disponibilidade inicial para R$ 370 milhões. No final do mês de outubro, houve o desbloqueio de R$ 50 milhões, e agora foram liberados os R$ 20 milhões restantes.

Com esse orçamento de 2019, será possível atender em torno de 100 mil apólices, 58% a mais que no ano anterior, quando os produtores tiveram acesso à subvenção em 63.241 apólices.

Para o diretor do Departamento de Gestão de Riscos da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, Pedro Loyola, o governo federal tem dado sinais consistentes de que o seguro rural será um dos principais instrumentos da política agrícola nos próximos anos.

“A execução de 100% do orçamento previsto na Lei Orçamentária deve ser comemorada por todo o setor, pois isso não acontecia desde 2013. Isso demonstra o comprometimento com as políticas de gestão de riscos agropecuários”, disse. 

“Para o próximo ano, está previsto o recurso de R$ 1 bilhão para o PSR, que depende ainda de aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2020, em tramitação no Congresso Nacional”, complementa. O valor previsto para 2020 será o maior para subvenção desde a criação do programa, em 2004. 

O que é o seguro rural?
O produtor rural adquire uma apólice de seguro para a lavoura/atividade com o auxílio financeiro do governo federal. Em caso de quebra da safra por causa de evento climático adverso (seca ou excesso de chuvas, por exemplo) ou variação de preços, as obrigações financeiras do produtor serão pagas pela seguradora.

Com esse mecanismo, o produtor consegue taxas de juros mais baixas, já que o risco de ficar inadimplente cai. O seguro minimiza ainda as chances de um possível socorro financeiro governamental e renegociação de dívidas após a safra.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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Manutenção

Cuidados corretos com o sistema de câmbio

Por Daniel Santos 28/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Por Joel Alves

O sistema de transmissão do trator é o responsável por fazer com que a força produzida pelo motor chegue às rodas de tração da máquina. Essa força, porém, deve ser modificada conforme a necessidade dos serviços, dos implementos e dos locais onde o trator estiver operando. A modificação é sempre uma reduzida de velocidade e a consequente aumento de força. O conjunto mecânico que executa essa modificação de força e rotação é a caixa de marchas e de grupos, também identificado como o câmbio do trator. Isso é feito através de engrenagens com diferentes números de dentes que são acopladas conforme a necessidade de força e rotação.

Na caixa de marcha há três ou quatro opções que são identificadas como primeira, segunda, terceira ou quarta marcha; alguns tratores possuem caixa com até seis marchas. Nos grupos há dois, três ou até quatro, normalmente identificados pelas letras: A, B, C, D. Quando há dois grupos apenas: alta e baixa, ou lebre e tartaruga. 

Na operação para cada grupo são disponibilizadas todas as opções de marcha. Então, no trator com quatro grupos e quatro marchas, dispõe-se de 16 combinações de rotação e força para melhor utilização conforme a necessidade operacional. Há, ainda, tratores com mais um conjunto de grupo posterior a caixa de marcha, oferecendo mais opções de relação. 

Atualmente um fabricante disponibiliza um câmbio com 54 opções, uma caixa de 6 marchas com um grupo anterior de 3 opções e um grupo posterior de mais 3; 6 x 3 = 18 x 3 = 54. Também é possível encontrar tratores com um grupo de reversão onde a marcha a ré não se encontra na caixa de marchas e é feita através de um grupo separado, o que possibilita a mesma quantidade de marchas para trás e para frente. 

Com tantas opções disponíveis o operador deve estar preparado e treinado para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis na máquina, assim como o proprietário deve saber escolher na hora da aquisição do equipamento o que melhor atende suas necessidades. Hoje, o Brasil é farto de opções de maquinário, o preço elevado é que faz com que muitos produtores não consigam adquirir o ideal. O trator certo e o operador treinado é ainda uma realidade distante. Mas enveredamos nesse sentido.

Saber escolher a marcha e o grupo adequado para executar o serviço de maneira eficaz é essencial para um bom operador.
Veja a seguir procedimentos básicos que devem serem observados:

Consultar o manual para saber a potência e o torque do motor e as opções de marchas e grupos;

Identificar o giro (RPM) do motor que apresenta o melhor rendimento, é a chamada faixa de torque do motor. Consta no manual e também em alguns dos indicadores de RPM (conta-giros) no painel do trator;

Observar as características do implemento que vai ser utilizado e quais recursos operacionais oferece, bem como quanto exige de esforço do trator;

Reconhecer o local onde vai executar o serviço, tais como: tipo de solo, relevo, inclinações, irregularidade e outros aspectos específicos do lugar;

Condições gerais do trator e do implemento quanto a manutenção e conservação;

Recomendações do fabricante do implemento e do orientador técnico para o tipo de serviço a ser executado;

Então, de posse dessas informações, é que o operador deve escolher a marcha e o grupo que melhor corresponde às necessidades para tal operação;

Ao efetuar a operação de troca de marcha observar o giro (RPM) do motor para que se mantenha dentro da faixa de torque, e também manter um controle correto do acionamento da embreagem, para que não seja muito lento e nem muito rápido. Há um tempo adequado para se manter o pedal da embreagem acionado e que varia conforme o implemento e o trator. Esse procedimento de troca de marcha, e controle da embreagem, deve ser feito com atenção pelo operador, pois muitos problemas poderão advir pelo uso incorreto de tal operação. O destaque a ser feito é que somente com muito treinamento e a prática do dia a dia é que os operadores adquirem o ritmo adequado para um trabalho profissional e eficiente. O trator é uma máquina robusta, que disponibiliza muita força, e toda a operação que envolve mudança nas relações de forças entre os diversos conjuntos mecânicos, e em especial a transmissão, devem ser operadas com bastante cuidado e atenção evitando movimentos bruscos e solavancos que podem provocar rupturas momentâneas ou posteriores.

Exemplo prático
Em um trator com três ou quatro grupos, o último grupo (de maior rotação) deve ser utilizado somente para deslocamentos; e os grupos mais baixos (de menor rotação e mais força) para implementos e serviços mais pesados.

Como regra básica, utilizar os grupos intermediários: B ou C, com marcha intermediária segunda ou terceira. Se houver necessidade de correção é possível fazer sem mudanças bruscas, primeiro nas marchas e somente, se houver necessidade, no grupo. Cito um exemplo: a velocidade recomendada para um serviço de 9 km/h, as combinações de marchas e grupos para tal velocidade em um trator com 4 marchas e 4 grupos, mantendo o giro dentro da faixa de torque, são as seguintes: C1, B4, B3. O operador deverá optar por B4 ou B3; com implemento mais leve, B4; implemento mais pesado B3; e deve evitar C1, pois se houver necessidade de correção deverá trocar de grupo, uma operação que exigem mais cuidados ou até parar o trator. 

Sempre trabalhar com a opção de reduzir nas marchas e não nos grupos, assim, evita-se trancos e mudanças bruscas no trator e implemento, sendo que as correções também devem serem feitas na RPM do motor, desde que observados os limites da faixa de torque. Não se deve corrigir a velocidade indicada através da RPM abaixo do torque do motor, por isso, evita-se o grupo mais alto. 

A operação correta e bem orientada certamente levará a uma vida útil maior para todo o conjunto de transmissão e, em especial, de câmbio. Ainda estamos carentes de profissionais competentes, que executem os serviços com rapidez e com os devidos cuidados do maquinário. O rumo a seguir é treinamento e aprimoramento constantes. É na rotina do dia a dia que se deve corrigir alguns procedimentos inadequados. 

Manutenção
A preventiva é simples, agora se houver necessidade de manutenção corretiva, aí vamos ter problemas com maquinário parado por um período mais longo e com custos de peças.

A manutenção preventiva da caixa de câmbio consiste na troca periódica do óleo lubrificante e do filtro. Esse procedimento é especificado pelo fabricante, mas, normalmente, situa-se entre 500 ou 600 horas de uso para os filtros, e 1000 ou 1200 horas para o óleo.

 É necessário estar atento aos procedimentos recomendados, pois, normalmente, esse óleo também é o mesmo para o sistema hidráulico. Alguns fabricantes vem utilizando mais um filtro na linha de sucção da bomba hidráulica, com recomendação de limpeza ou substituição com número de horas trabalhadas menores. 

Certos tratores, que possuem o comando totalmente mecânico e com a alavanca de acionamento posicionada ao lado direito, utilizam um tambulador. Esse dispositivo necessita de lubrificação específica, que se não realizada produzirá o desgaste prematuro e acoplamento de duas marchas, na linguagem dos operadores: “acavalar as marchas”. Ainda faz parte da preventiva a inspeção diária do operador, que nesse caso é a verificação do nível do óleo da transmissão, bem como observar se a alavanca de marchas apresenta folga. 

A manutenção corretiva ocorre quando a preventiva não foi realizada corretamente ou os serviços executados estavam além da capacidade do trator, ou devido ao mau uso do operador. Claro que o desgaste natural, após anos de uso, também poderá levar a uma manutenção corretiva, mas isso demora, pois as caixas de transmissão possuem componentes bastante robustos e duráveis. A desmontagem para consertos demanda muito tempo, custos com peças e pessoal capacidade e ferramental adequado. 

Eixos, mancais, rolamentos, engrenagens, dispositivos de acoplamentos, luvas deslizantes, anéis sincronizadores, hastes de acionamento, reténs de engrenamento, e inúmeras peças menores tornam o serviço meticuloso e exigem muita precisão na montagem, pois qualquer descuido pode favorecer estragos posteriores maiores. 

Câmbio automatizado
Atualmente estamos presenciando uma fase de transição nos sistemas de câmbio mecânico para os automatizados. Alguns fabricantes estão adotando um sistema híbrido com grupos com dispositivo mecânico, mas as marchas são automáticas. Nos automatizados a embreagem é substituída por um sistema totalmente hidráulico, o “conversor de torque”, que é bastante simples mas requer cuidado especial quanto ao fluído específico. 

Nesse sistema a caixa de marchas e de grupos funciona com dispositivo de engrenagens tipo conjunto epicíclico, com discos de acionamento banhado a óleo. Nas oficinas é conhecido como “pacotes das marchas”. Esse é um sistema mais compacto e robusto, porém com custos de manutenção corretiva mais elevados. Durante a manutenção preventiva desse conjunto, que também está relacionada à troca de óleo e filtros nos períodos recomendados, é de fundamental importância observar as especificações corretas dos mesmos. Já presenciamos sérios danos aos conjuntos epicíclicos por utilização de óleo incorreto. 

Outras novidades nos sistemas de transmissão são os conjuntos variáveis, identificados como: CVT, AVT, VT ou variação infinita. Tais sistemas podem ser mecânicos, hidráulicos ou híbridos, mas ainda estão presentes apenas nos maquinários de maior potência e nas opções top de linha das montadoras. Observando a sequência da linha do desenvolvimento de máquinas agrícolas, arrisco-me a afirmar que o futuro (e bem próximo) dos sistemas de transmissão de tratores será totalmente hidráulico, também conhecido como transmissão hidrostática, já presente na maioria dos pulverizadores autopropelidos. 

De todos os requisitos exigidos pela moderna agricultura, a transmissão hidráulica atende com eficiência, simplicidade e precisão. Preparem-se mecânicos, operadores e agentes administrativos: a hidráulica está chegando para marcar posição por um longo período. A evolução avança para melhor, e é assim, pois necessitamos de mais tecnologia para produzir os alimentos de bilhões de pessoas.

Joel Sebastião Alves é instrutor de operação e manutenção de máquinas e implementos agrícolas e rodoviários *

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Notícias

Como as agtechs vêm revolucionando o agronegócio brasileiro

Por Daniel Santos 28/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Por Cristina Defendi

A revolução digital que o agronegócio brasileiro enfrenta atualmente é uma das principais apostas para mantermos os constantes ganhos de produtividade que marcaram o setor nas últimas décadas. Utilizando a Tecnologia da Informação, a Agricultura de Precisão tem ajudado o setor racionalizando o uso dos recursos e entendendo os processos biológicos, além de permitir o aumento da produtividade e a redução de custos e de erros da colheita, graças a dados de geolocalização, variabilidade do solo e níveis nutricionais, entre outros.

Análises preditivas possibilitam a antecipação dos efeitos das mudanças climáticas sobre plantios, contribuindo para embasar tomadas de decisão e gerar mais produtividade. Empresas têm recorrido às tecnologias embarcadas e recursos de Internet das Coisas inseridos nas máquinas agrícolas para monitorar processos de plantios em tempo real, como preparo, adubação e correção do solo. Inteligência artificial e machine learning (máquinas que aprendem) são conceitos que já estão sendo utilizados no campo para garantir ao agricultor uma produção melhor, mais eficiente e mais sustentável.

De onde vem tanta tecnologia? Para responder essa pergunta, precisamos olhar de perto as agtechs, empresas, em geral startups, que desenvolvem soluções para aumentar a produção e eficiência em todas as áreas da agricultura e que têm contribuído muito para a aceleração do desenvolvimento do setor.

- Como as agtechs vêm revolucionando o agronegócio brasileiro

Drones podem auxiliar no mapeamento de solo e durante atividades de plantio, colheita e pulverização

 

As agtechs fornecem serviços em diferentes áreas de atuação. Em função da variedade de serviços e da importância de aplicação, essas empresas têm sido alvo de investimento pelas grandes empresas do setor. Aquisições e parcerias movimentam o mercado, a fim de acelerar descobertas e o desenvolvimento, gerando uma movimentação significativa com US$ 437 milhões investidos apenas em 2017, cerca de 94,2% a mais do que no ano anterior, de acordo com a consultoria americana CB Insights.

Em 2014 o mercado das agtechs superava o das fintechs, recebendo investimentos da ordem de US$2,36 bilhões contra os US$2,1 bilhões da segunda.

Hoje, o Brasil conta com 1125 startups agtechs, segundo o “Radar Agtech 2019: Mapeamento das Startups do Setor Agro Brasileiro”, levantamento sobre o ecossistema de inovação brasileira para a agricultura, lançado em setembro pela Embrapa, SP Ventures e a consultoria Homo Ludens. De acordo com o estudo, quase 90% delas localizam-se nas regiões Sul e Sudeste do País. A cidade que concentra maior número delas é São Paulo, com 262, seguida por Piracicaba (SP), com 41, e Campinas (SP), com 38. Nas regiões Norte e Nordeste, a expressividade das agtechs em números ainda é tímida, mas as comunidades de empreendedores já começaram a descobrir o alto potencial do setor agropecuário.

Como elas atuam
De acordo com o relatório da CB Insights, as agtechs podem ser divididas em 18 categorias de solução, que podem ser aplicadas à pesquisa e desenvolvimento de fertilizantes, insumos agrícolas e controladores de pragas e doenças para uso no setor; formulação e criação de novos alimentos, aplicações que auxiliam na criação e gestão de programas de atração e fidelização, recomendação e recompensas para os consumidores; gestão animal, de lavoura e de propriedade; novas formas de plantio e acompanhamento e previsão de condições climáticas; automatização de criações de plantações; IoT; tecnologias para o monitoramento e acompanhamento de ativos, insumos e produtos gerados no campo; e drones e geoprocessamento, entre outros.

A Netword Agro, criada em 2017, possui um ambiente computacional web com elementos de IoT que disponibiliza aos agricultores o monitoramento continuado, com sensor de proximidade, da variação espacial georreferenciada dos atributos de solos e sua necessidade nutricional. As soluções da empresa permitem a identificação de possíveis danos antes mesmo de eles acontecerem, graças ao monitoramento por imagens da variação espacial georreferenciada dos atributos de lavouras (ervas daninhas, pragas e infestações).

“Nossos drones fazem o voo sobre determinado terreno, capturam as imagens, que são então armazenadas na nuvem, e posteriormente processadas, gerando mapas de incidências de pragas, doenças etc. A partir dos mapas gerados, integramos as informações com o maquinário de pulverização no campo. Tal inteligência de integração permite a redução de uso de defensivos em 40% na média, diminuindo também os custos operacionais”, comenta Marcos Ferronato, CEO da empresa.

- Como as agtechs vêm revolucionando o agronegócio brasileiro

O 5G proporcionará uma banda ultralarga, garantindo maior velocidade de conexão também no campo. Esse recurso é muito importante para aplicações em IoT, conectando máquinas e outros equipamentos agrícolas | Foto: Shutterstock

Já a Agrosmart, por meio de um sistema integrado a uma plataforma e um aplicativo móvel, realiza, em tempo real, a medição de diversas variações ambientais, como volume de chuva, umidade do solo, propensão de pragas, entre outras, por meio de sensores de solo e imagens. Todo o relatório gerado, de forma simples e informativa, mostra para o produtor informações exatas da plantação e o auxilia nas tomadas de decisões, podendo até diminuir os gastos. Com sensores espalhados pelas plantações, alguns clientes da Agrosmart apontam que tiveram uma economia de até 60% no consumo de água, 40% no consumo de energia e até 15% no aumento da produtividade.

“Hoje, nos deparamos com um problema sério para a população mundial. Em 25 anos, se não superarmos os atuais níveis de produtividade no campo, não haverá alimento suficiente para todos no planeta. Então, desde já é necessária a criação de soluções que ajudem a suprir essas demandas”, afirma Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart.

A Agrize, startup catarinense focada em atender os rizicultores, criou um método inovador de pulverização agrícola, substituindo o trator por um drone. A solução garante agilidade e segurança, pois a aplicação dos defensivos agrícolas ocorre de forma remota, não deixando o operador exposto a substâncias tóxicas. Esse serviço de pulverização agrega sustentabilidade ao negócio, evitando o desperdício. Outra vantagem é a possibilidade de aumentar a receita em 15%, já que sem o uso do trator não há o amassamento do arroz e, consequentemente, perdas na colheita.

De olho em todos esses benefícios, uma das maiores empresas de alimentos do país, a Urbano Agroindustrial, garantiu um aporte de R$ 2 milhões para a startup. A companhia, que atua no beneficiamento de arroz, feijão, farinha e macarrão de arroz, já utiliza a tecnologia da Agrize em fase de testes e acredita que a tecnologia do drone traz a solução de rastreabilidade, monitorando a produção, e mostra dados como o período de carência dos defensivos, trazendo mais valor agregado.

Prestígio Internacional
A Solinftec, que nasceu em Araçatuba e tem hoje pouco mais de uma década de vida, atende clientes que cobrem mais de oito milhões de hectares, em diversas culturas como a cana-de-açúcar, soja, milho, algodão, citros e café, em diversos países do mundo. A empresa utiliza uma plataforma integrada composta por soluções ponta a ponta que atendem tanto a demanda de gestão do parque de máquinas quanto a otimização da utilização de insumos, herbicidas, adubos e sementes.

Desde 2018, a Solinftec tem investido pesadamente em inteligência artificial (IA), lançando a Alice, sua plataforma de IA projetada para trabalhar com agricultores, e para integrar e processar dados de máquinas, pessoas, clima e insumos externos relevantes. Ela utiliza um sistema baseado em redes neurais e deep learning, e é treinada para analisar grandes massas de dados. Além disso, ela é capaz de detectar padrões que escapam ao olho humano, possibilitando melhorar o rendimento, indicar as melhores práticas, comparar, alertar e ajudar a programar as atividades do agricultor de forma mais eficiente.

Tanta inovação rendeu à Solinftec, no início desse ano, o reconhecimento como startup internacional mais inovadora na categoria Farm Tech do prêmio AgFunder Innovation Awards, que reconhece os empreendedores que impulsionam a indústria de tecnologia agrícola em todo o mundo.

Segundo Daniel Padrão, COO da empresa, “esse prêmio representa muito para a Solinftec e para o Brasil, pois demonstra como o ecossistema brasileiro de agtechs está crescendo e pronto para conquistar mercados internacionais. Certamente, é um reconhecimento que abre portas não só para nós como para outros empreendedores brasileiros”, conclui.

Impacto do 5G no agronegócio
Países de todo o mundo vêm estudando o 5G há cerca de uma década. No Brasil, a futura geração de telecomunicação móvel começou a ser discutida em 2015, mas somente em 2017, as operadoras, a indústria de telecomunicações e os centros de pesquisas fecharam um acordo do movimento 5G Brasil com seus equivalentes europeus. Com isso, o Brasil entrou na lista de países que debatem os últimos avanços e visões de pesquisa e desenvolvimento sobre essa tecnologia, espectro, padronização, teste de campo e aplicativos, com países como Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e China, além de parceiros.

No ano passado, as pesquisas começaram a dar espaço à preparação para o lançamento das primeiras redes, que poderão surgir a partir do primeiro leilão 5G, previsto para março de 2020. Entretanto, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já anunciou que a previsão pode mudar, por causa das interferências em antenas parabólicas. Isso porque uma das faixas que será leiloada é a frequência de 3,5 GHz e, de acordo com testes, a chegada na nova conexão pode causar interferências no sinal de TV transmitido por antenas parabólicas, que estão presentes em aproximadamente 22 milhões de domicílios brasileiros, principalmente em zonas rurais.

Enquanto o leilão não chega, a expectativa só aumenta. A tecnologia 5G irá proporcionar uma banda ultralarga, garantindo maior velocidade de conexão e, além disso, um maior número de usuários poderá ser conectado na mesma torre sem congestioná-la. Esse recurso é muito importante para aplicações IoT, em que os dispositivos conectados necessitam acessar e enviar informações em tempo real, remotamente, para garantir o monitoramento do comportamento e da produção no campo.

- Como as agtechs vêm revolucionando o agronegócio brasileiro

“Sabemos que o futuro do agronegócio está na conectividade. Os benefícios que ela traz para a agricultura de precisão são diversos. Além das funções tradicionais, tratores e colheitadeiras conectados se transformam em geradores de informações sobre o solo e a lavoura, auxiliando no combate às pragas e na correção da acidez do solo, entre outros inúmeros exemplos. A distância, é possível também ter dados do maquinário em tempo real, em geral, obtidos com alto investimento, permitindo a manutenção preventiva e customizada para cada tipo de equipamento, auxiliando, assim, na redução de custos”, explica José Gustavo Sampaio Gontijo, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia e Inovação Digital da Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

O Gontijo comenta ainda que a baixa latência é o benefício mais esperado da tecnologia 5G. Segundo ele, esse recurso garantirá, por exemplo, a telemetria em tempo real e, portanto, maior precisão do funcionamento das máquinas. Assim, o agricultor poderá ser mais ágil no processo corretivo durante as colheitas, além de conseguir fazer manutenções preventivas no campo.

Por fim, mas não menos importante, a 5G também irá endereçar o longo alcance para áreas pouco densas, como as rurais. “Hoje, a distância máxima de alcance de conexão é de 10km. A 5G considera incrementar essa distância para 50km a 70km”, conclui o diretor do MCTIC.

Câmara Agro 4.0
Além da chegada do 5G, o Governo Federal, através de uma iniciativa entre as pastas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou recentemente a criação da Câmara Agro 4.0 como parte do Plano Nacional de Internet das Coisas. A proposta dessa iniciativa é promover ações de expansão da internet no campo e a aquisição de tecnologias e serviços inovadores no ambiente rural.

Com um Conselho Superior formado por representantes do MAPA, MCTIC, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Câmara 4.0 possui quatro grupos de trabalho, focados nos seguintes eixos: desenvolvimento tecnológico e inovação; capital humano; cadeias produtivas e desenvolvimento de fornecedores; regulação, normalização técnica e infraestrutura.

O plano de ação para o período de 2019-22 foi aprovado em setembro e visa alavancar o uso de conceitos e práticas relacionados à Indústria 4.0 no Brasil. Outros objetivos são melhorar a inserção do País nas cadeias globais de valor e introduzir o uso de tecnologias da manufatura avançada nas pequenas e médias empresas.

Uma das ações já feitas pela Câmara foi o mapeamento dos hubs de inovação e das maiores e menores concentrações de conectividade no País. “A ideia foi cruzar as informações para determinar por onde o trabalho deve iniciar, especialmente nas áreas menos privilegiadas”, finaliza Gontijo.

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Manutenção

Boas práticas e desafios para abastecimento de diesel nas propriedades rurais

Por Daniel Santos 28/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Por Joel Alves *

Reservatórios de aço, bobonas de plásticos, carretas rebocáveis, tonéis e depósitos industriais de acrílico com guarnição metálica. Essas são algumas opções utilizadas para armazenagem de diesel nas propriedades rurais. O que podemos considerar correto ou incorreto? O que é melhor: aço ou plástico? Fixo ou rebocável? É possível evitar a sedimentação de resíduos? E a contaminação pela umidade? Qual melhor opção? São questões complexas que ainda se acentuam em função da qualidade do produto e da logística de distribuição. Diante dessa situação é que o produtor rural se depara para suprir de combustível seu maquinário. Somam-se ainda as exigências legais de segurança definidas na NR-20 do Ministério do Trabalho. Que orientações podemos dar?

Iniciamos pela NR 20, a norma de segurança que estabelece requisitos mínimos para segurança e saúde dos trabalhadores contra os riscos inerentes a atividades com combustíveis inflamáveis. É uma norma bastante complexa e que abrange todos os procedimentos desde recebimento, armazenagem e abastecimento, classificados como procedimentos de inspeção, manutenção, análise e operação nas instalações. A classificação das instalações é feita conforme o volume de combustível armazenado. São três classes:

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Classe I – até 5.000 m3
Classe II – até 50.000 m3
Classe III- acima de 50.000 m3

Alguns itens previstos da Norma:

20.8 Manutenção e Inspeção das Instalações

20.8.1 As instalações classes I, II e III para extração, produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis devem possuir plano de inspeção e manutenção devidamente documentado.

20.8.2 O plano de inspeção e manutenção deve abranger, no mínimo:

a) equipamentos, máquinas, tubulações e acessórios, instrumentos;
b) tipos de intervenção;
c) procedimentos de inspeção
e manutenção;
d) cronograma anual;
e) identificação dos responsáveis;
f) especialidade e capacitação do pessoal de inspeção e manutenção;
g) procedimentos específicos de segurança e saúde;
h) sistemas e equipamentos de proteção coletiva e individual.

20.8.3 Os planos devem ser periodicamente revisados e atualizados, considerando o previsto nas Normas Regulamentadoras, nas normas técnicas nacionais e, na ausência ou omissão destas, nas normas internacionais, nos manuais de inspeção, bem como nos manuais fornecidos pelos fabricantes.

20.8.3.1 Todos os manuais devem ser disponibilizados em língua portuguesa.

Quanto às instalações a Norma também faz algumas exigências:

20.12.5 Os tanques que armazenam líquidos inflamáveis e combustíveis devem possuir sistemas de contenção de vazamentos ou derramamentos, dimensionados e construídos de acordo com as normas técnicas nacionais.

20.12.5.1 No caso de bacias de contenção, é vedado o armazenamento de materiais, recipientes e similares em seu interior, exceto nas atividades de manutenção e inspeção.

20.13 Controle de fontes de ignição:

20.13.1 Todas as instalações elétricas e equipamentos elétricos fixos, móveis e portáteis, equipamentos de comunicação, ferramentas e similares utilizados em áreas classificadas, assim como os equipamentos de controle de descargas atmosféricas, devem estar em conformidade com a Norma Regulamentadora n.º 10.

Citamos apenas alguns itens para destacar o quanto a Norma detalha os procedimentos, entre itens e subitens são mais de 200 procedimentos. Observam-se ainda as Normas Técnicas citadas na NR-20 e que são expedidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). São Normas Brasileiras (NBR) que tratam dos procedimentos específicos para armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis. Citamos algumas:

ABNT NBR 15428:2006 
Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis – Manutenção de unidade de abastecimento;

ABNT NBR 15456:2007 
Armazenamento de líquido inflamável e combustível – Construção e ensaios de unidade de abastecimento;

ABNT NBR 14606:2013 
Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis – Entrada em espaço confinado em tanques subterrâneos e em tanques de superfície.

Atualmente é comercializado um conjunto de plataforma, chamado de módulo de abastecimento, que consta de um tanque de armazenamento de combustível com a bacia de contenção. Também há o módulo de combustível completo, com tanque aéreo, bacia de contenção e kit com bomba para abastecimento. O proprietário escolhe, podendo fazer a contenção de seu tanque com base de alvenaria, desde que suporte a contenção de todo o líquido armazenado.

Ainda é importante destacar que todo pessoal envolvido na operação de recebimento, armazenagem e abastecimento deve participar de treinamento específico, sendo necessária a realização de reciclagens periódicas. Eis a lei! E a nossa realidade? Ainda estamos longe de atingir os requisitos determinados, embora tenhamos dados alguns passos nessa direção.

- Boas práticas e desafios para abastecimento de diesel nas propriedades rurais

Enquanto isso, como fazer para que a armazenagem na propriedade não contamine mais o já combalido diesel? Filtragem e descontaminação. Mais serviços e tarefas – e custos! É possível eliminar toda umidade dos reservatórios? É praticamente impossível, principalmente nos climas úmidos, mas pode-se manter sob controle quantidades pequenas, que não acarretem problemas para o suprimento e demanda dos motores. Note bem, os motores diesel não toleram presença de água para seu correto funcionamento, porém, possuem dispositivos próprios de filtragem, desde que executadas as revisões periódicas recomendadas. Assim, alguma umidade ainda presente nos reservatórios deve ser eliminada no sistema de alimentação do motor. Alguns procedimentos básicos recomendados na operação de abastecimento:

  • Diariamente drenar a água dos tanques de armazenagem da propriedade, também repetir a operação antes de efetuar o abastecimento do maquinário.
  • Efetuar o abastecimento das máquinas no final do dia antes
    de recolher para o galpão, pois assim evita a sedimentação da umidade que adentrou pelo
    suspiro do tanque.
  • Também efetuar a drenagem do reservatório e/ou da linha de combustível da máquina.
  • Realizar as manutenções preventivas das máquinas conforme previsto, principalmente os filtros de combustíveis (limpeza e substituição).

Atenção: se for o caso, instalar mais um filtro na linha de alimentação do motor. Há no mercado de autopeças filtros com maior capacidade de filtragem recomendados pelos próprios fabricantes de motores diesel, bem como instalar (no caso de não haver no motor) um separador com sistema de drenagem. Atualmente, é possível encontrar no mercado separadores com drenagem automática.

Por fim, outro procedimento adotado por alguns produtores é adicionar nos reservatórios produtos aditivos químicos para melhoria do diesel. Esses produtos possuem duas propriedades: são emolientes dispersantes da umidade e biocidas. Assim, consegue-se evitar parcialmente a contaminação, pois elimina-se principalmente a presença por fungos e bactérias, que se multiplicam pela ação da umidade com o biodiesel.

Dentre as opções de instalações de tanque de abastecimento a mais adotada no momento é o tanque aéreo. Instalado acima do solo esse tipo de tanque pode ser considerado uma alternativa mais segura do que os tanques subterrâneos, já que permite um fácil acesso para inspeções de monitoramento contra vazamentos e corrosões. A facilidade de acesso também permite praticidade para a armazenagem, abastecimento e limpeza do tanque. Quanto ao material do tanque, além do aço, é possível encontrar tanques de polipropileno.

Filtragem e microfiltragem: é um recurso bastante recomendado em todas as etapas. Há no mercado empresas especializadas em prestar serviços de instalação e manutenção desses sistemas. Também pode ser executado tanto nos reservatórios de abastecimento como junto ao sistema de alimentação dos motores. Esse recurso vem sendo adotado por alguns há algum tempo. O que há de mais atual é a microfiltragem. Qual a diferença? A filtragem trabalha com retenção de partículas em torno de 8 a 10 micros ou como é mais conhecida “micras” (milésimos de milímetro), enquanto a microfiltragem é de 2 micros. A microfiltragem consegue até eliminar pequenas quantidades de umidade. 

Essas alternativas possuem custos significativos aplicados sobre um custo já elevado do produto, fato que leva muitos produtores a não implementarem essas medidas, pois, além da implantação, necessita de manutenção periódica, o que ainda soma custos na preventiva. Na verdade, deveríamos ter um diesel de melhor qualidade e com preço mais acessível. Muitos acham isso impossível. Respondo: é só deixar a saudável competição empresarial no setor de refino de petróleo chegar nesse país.  Por enquanto, ficamos no aguardo. Talvez tenhamos gratas surpresas no momento em que enveredamos para o final da segunda década desse milênio. O agro clama por um tratamento mais adequado ao porte e envergadura que ocupa na economia nacional e mundial. Demonstração de competência e capacidade de produção os produtores apresentam sistematicamente ano após anos, com repetidas super-safras.

Joel Sebastião Alves Instrutor de Operação e Manutenção de Máquinas e Implementos Agrícolas e Rodoviários .*

 

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Vídeos

Aplicativo ajuda a reconhecer e controlar pragas e doenças do maracujazeiro

Por Daniel Santos 27/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Um aplicativo desenvolvido pela Embrapa vai auxiliar produtores de maracujá no diagnóstico e controle das principais pragas e doenças da cultura. Denominada AgroPragas Maracujá, a inovação foi lançada durante o Semiárido Show e permite comparar fotos das pragas e sintomas das doenças identificadas no campo com as imagens disponíveis no aplicativo. Outra grande vantagem é que a tecnologia pode ser acessada off-line, sem necessidade de conexão à internet. Basta o usuário baixar o aplicativo no celular ou em outro dispositivo móvel e acessar a tecnologia, que é mais uma solução da Embrapa no âmbito da agricultura digital para atender a demandas do setor produtivo.

O aplicativo se baseia nas informações do Guia de Identificação e Controle de Pragas do Maracujazeiro, publicação lançada em 2017 pela Embrapa na forma de cartilha impressa. No AgroPragas Maracujá, as informações estão apresentadas de maneira mais sucinta, adaptadas ao ambiente virtual.

O guia impresso foi bem recebido por produtores, técnicos e estudantes na época do lançamento, mas a sua utilização no campo era prejudicada, especialmente pela necessidade de imprimir as fotos para compará-las às pragas e doenças encontradas no pomar. “Muitas vezes, a má qualidade da impressão no papel comum inviabilizava o diagnóstico. Por isso, investimos no desenvolvimento do aplicativo, que permite em tempo real o diagnóstico e controle”, informa a pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) Cristina de Fátima Machado.

Cristina Machado é responsável por essa atividade que integra o programa de melhoramento genético do maracujazeiro, liderado pelo pesquisador Fábio Faleiro, da Embrapa Cerrados (DF). O guia conta com a participação de nove pesquisadores da Embrapa e do professor Quelmo de Novaes, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), especialista em viroses do maracujazeiro.

Por dentro do aplicativo
O aplicativo pode ser utilizado em diferentes momentos durante o desenvolvimento das plantas de maracujazeiro em campo. O acesso ao conteúdo é rápido, normalmente feito por meio de consulta ao tópico de interesse. Estão disponíveis no alto da tela fotos de cada uma das pragas e sintomas das doenças descritas na ferramenta — que foram atualizadas em relação ao guia original. As diferentes telas do AgroPragas Maracujá trazem as informações por categoria: fungos, bactérias, insetos, vírus e nematoides, assim como informações sobre as espécies de insetos ou sintomas (na parte aérea ou subterrânea), os danos que causam, fatores favoráveis à ocorrência do problema e as formas de controle para cada uma das pragas ou doenças.

- Aplicativo ajuda a reconhecer e controlar pragas e doenças do maracujazeiroFoto: Alessandra Vale

O fitopatologista Hermes Peixoto (veja box ao lado) destaca a opção que o usuário tem de fotografar a praga ou sintoma da doença na plantação e comparar com as fotos do aplicativo. “Comparando foto com foto, a identificação fica mais fácil”, acrescenta o pesquisador. O supervisor do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Murilo Crespo, menciona também a opção de buscas textuais. Ao digitar qualquer texto de busca, o aplicativo realiza uma pesquisa avançada no conteúdo da sua base de conhecimento e apresenta os resultados realçados de acordo com a correlação e relevância do texto pesquisado. “É uma facilidade muito grande para o produtor encontrar diretamente a informação que precisa,” acredita Crespo, que destaca também o recurso “marcar favorito”. Fazendo isso, a praga ou o sintoma selecionado vai para a página inicial do aplicativo. “Se [o problema] for recorrente, o usuário não precisa voltar e procurar. Já fica em destaque logo na abertura do aplicativo”, diz Crespo.

Aprovação do setor produtivo
Durante seminário sobre a cultura do maracujazeiro realizado em junho em Brejões, interior baiano, o pesquisador João Roberto Oliveira apresentou aos participantes o protótipo do aplicativo, que teve boa aceitação. O produtor e secretário de Agricultura do município, Euderico Filho, resumiu a opinião do público que assistiu à apresentação.

“O aplicativo é interessante, pois é uma forma moderna de uso da tecnologia em tempo real com a qual podemos comparar uma situação de campo com fontes de informações seguras sobre as características das pragas e sintomas das doenças das plantas como um todo, raiz, caule, folha, flor e frutos, facilitando o diagnóstico, proporcionando ao técnico ou ao produtor a possibilidade de dar uma resposta para solucionar o problema no maracujazeiro”, analisa o secretário.

Aplicação para outras culturas
Murilo Crespo diz que a intenção é que o AgroPragas Maracujá sirva de piloto para a criação de um aplicativo multicultura. “A ideia é desenvolver uma plataforma digital de identificação de pragas para outras culturas, como abacaxi, manga, citros, mamão etc., contendo sintomas, padrões de comparação de imagem e controles fitossanitários aplicados, que seria alimentada pelos próprios pesquisadores. Eles entrariam numa ferramenta web e cadastrariam característica por característica ao longo do tempo de uso”, informa Crespo.

Ele explica que está em fase de submissão o projeto para a criação dessa API (Interface de Programação de Aplicativos, na tradução do inglês) — um conjunto de padrões e linguagens de programação que permite, de maneira automatizada, a comunicação entre sistemas diferentes de forma ágil e segura. E seria absorvida pela plataforma AgroAPI da Embrapa, que oferece informações e modelos agropecuários que podem ser utilizados por empresas, instituições públicas e privadas e startups para a criação de softwares, sistemas web e aplicativos móveis para o setor agropecuário, com redução de custo e de tempo.

“O conteúdo dessa plataforma teria múltiplos usos, não só para aplicativos a exemplo do de maracujá, mas ficaria disponível para universidades, empresas de tecnologia voltadas para a agricultura etc. A ideia é que a Embrapa forneça essa base de conhecimento e deixe o ecossistema explorá-la”, conclui Crespo.

Fonte: Embrapa Mandioca e Fruticultura

27/11/2019 0 Comentários
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Apostando na motorização compacta, Guarany amplia a linha de atomizadores costais

Por Daniel Santos 27/11/2019
Escrito por Daniel Santos


Reconhecida no mercado pela qualidade de seus produtos, a Guarany, uma das empresas líderes em pulverização no Brasil, amplia sua linha de atomizadores costais motorizados com o lançamento de um novo equipamento no mercado. Batizado de G59, o produto alia a tradição da marca com os diferenciais tecnológicos empregados nos equipamentos fabricados pela empresa.

“Seguimos nosso objetivo de oferecer soluções que garantem resultados mais do que satisfatórios aos nossos clientes, o Atomizador G59 chega para complementar nossa linha de motorizados com um custo x benefício bastante atraente levando em consideração as características técnicas diferenciadas que o equipamento oferece”, afirma Ronaldo Callmann, gerente de Novos Produtos.

Segundo Callmann, o equipamento, que incorpora um motor de 59,2 cilindradas, foi amplamente testado em campo em diferentes culturas, sendo bem aceito pelos usuários. “O Atomizador G59 foi muito bem avaliado sob diferentes requisitos técnicos como ergonomia, facilidade no uso e qualidade na aplicação”.

- Apostando na motorização compacta, Guarany amplia a linha de atomizadores costais

Aplicação em cultivo de café em Serra Negra (SP) 

A ergonomia é um dos diferencias ressaltados na peça já que o Atomizador G59, possui encosto e alças largas e acolchoadas, além de um tanque químico de 18 litros com baixo centro de gravidade, proporcionando maior equilíbrio ao operador mesmo quando utilizado em terrenos acidentados e inclinados. “Buscamos oferecer em nossos equipamentos, o máximo de conforto ao usuário mesmo no uso intensivo durante longas jornadas de trabalho”, ressalta o gerente.

Desenvolvido para aplicação de líquidos além de pó, pequenas sementes e granulados quando utilizado com um acessório, o Atomizador costal motorizado G59 incorpora o comando unificado tipo joystick além do exclusivo sistema de agitação do líquido no tanque químico, acionado por intermédio da injeção de ar proveniente do conjunto moto-ventoinha.

“O novo Atomizador G59 segue os padrões de qualidade já conceituados nos produtos Guarany, aliando versatilidade e comodidade ao usuário, que agora conta com um equipamento robusto e motor compacto para situações que não requerem aplicações em longas distâncias”, finaliza Ronaldo.

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