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Notícias

Florestas plantas apresentam crescimento no Brasil

Por Redação 06/01/2020
Escrito por Redação

Setor de silvicultura e madeira cresce no País e se destaca no mercado internacional

Por Clarisse de Sousa

O Brasil tem uma das maiores áreas de florestas plantadas do mundo. Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em setembro, aponta que esse espaço aumentou 1,3% de 2017 a 2018, alcançando 9,9 milhões de hectares, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul (70,1%). Destes, 110,8 mil são de eucalipto, que ocupa 76,2% da área total. Juntos, as espécies eucalipto e pinus foram responsáveis pela cobertura de 96,3% das áreas cultivadas com florestas plantadas para fins comerciais. As áreas de eucalipto somaram 7,5 milhões de hectares, segundo o levantamento.

Na indústria de base florestal, o eucalipto serve de matéria-prima para celulose de fibra curta, utilizada principalmente na produção de papéis para impressões convencioanais. A madeira de pinus, por sua vez, destina-se à produção de celulose de fibra longa, utilizada na produção de papel de qualidade superior e que demanda maior resistência. Além de pinus e eucalipto, espécies como seringueira, acácia, paricá, teca, araucária e pópulus também estão entre as mais cultivadas no País.

- Florestas plantas apresentam crescimento no Brasil

Entre os produtos derivados das florestas, os principais são madeira serrada, compensados, painéis, pisos, portas e kits, molduras e componentes diversos. No mercado interno, segundo dados da Embrapa Florestas, três segmentos se destacam no consumo de madeira: a construção civil, respondendo por 70% do uso geral; o setor de móveis, que consome aproximadamente 20%; e de embalagens industriais, com 10% do total. 

O estudo do IBGE também destaca o crescimento da silvicultura pelo terceiro ano consecutivo, atingindo o valor de produção de R$ 16,3 bilhões. A principal influência foi o aumento de 50% no valor de produção do carvão vegetal, devido, principalmente, à melhora no desempenho da indústria siderúrgica em 2018 – setor de maior consumo deste produto como fonte energética – e consequente aumento na demanda. A produção do carvão vegetal teve aumento de 18,9%, alcançando R$ 4,1 bilhões.

A madeira destinada ao mercado de papel e celulose foi a que gerou maior valor em 2018 na silvicultura, segundo o IBGE, com participação de 31% e registrando R$ 5,1 bilhões (crescimento de 2,0%). Segunda posição no valor da silvicultura, a madeira em tora para outras finalidades representou 28,2% do total gerado pelo setor, somando R$ 4,6 bilhões. O crescimento de 5,3% foi influenciado, principalmente, pela melhora nos preços da madeira destinada ao mercado de serraria e laminação, com aumento de 4,4% no volume produzido.

Números da indústria
Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) divulgados neste ano apontam que, com uma receita de R$ 86,6 bilhões e representando 7% do Produto Interno Bruto (PIB), o setor florestal se destacou no último ano e colocou o Brasil no topo do ranking de maiores exportadores de celulose do mundo. O relatório apresenta indicadores econômicos, sociais e ambientais do setor brasileiro de árvores plantadas para fins industriais, referente a 2018, e coloca o setor como uma das grandes forças da economia brasileira.

Para Paulo Hartung, presidente da Ibá, os dados demonstram que o segmento, que inclui pisos e painéis de madeira, papel, celulose, madeira serrada e carvão vegetal, consolida cada vez mais sua relevância também em dados econômicos nacionais, com participação de 1,3% do PIB Nacional e 7% do PIB industrial. Segundo ele, as exportações impulsionaram o crescimento do setor, com vendas de US$ 12,5 bilhões, o que representa aumento de 24% em comparação a 2017. A celulose teve desempenho recorde no mercado externo, com o Brasil assumindo o papel de maior exportador desse insumo. A balança comercial teve desempenho recorde de US$ 11,4 bilhões, segundo a entidade.

Um segmento que aumentou expressivamente as exportações foi o de toras de eucalipto. Somente para a China, em 2018, o crescimento foi de mais de 100% nas exportações da tora para produzir celulose (de 97 mil toneladas em 2017 para 234 mil toneladas em 2018). Já toras de pinus, que são utilizadas para fazer chapas e acabamento em móveis, teve aumento nos primeiros quatro meses de 2019, quando cresceu em quase quatro vezes a comercialização da madeira (de 19.013 toneladas em todo 2018 para 74.184 toneladas no início de 2019).

- Florestas plantas apresentam crescimento no Brasil

“Com uma região de influência de cerca de mil municípios em 23 estados, o segmento tem um importante papel de gerar oportunidades e transformar vidas. A geração de empregos diretos em 2018 cresceu quase 1%, para 513 mil, impactando 3,8 milhões de pessoas direta e indiretamente. O setor de árvores plantadas contribui para o desenvolvimento socioeconômico e para a dinamização da economia local”, ressalta Hartung.

Segundo ele, este é um dos setores produtivos que mais conserva área no Brasil. “O segmento tem hoje 5,6 milhões de hectares de áreas naturais protegidas na forma de áreas de preservação permanente, reserva legal e reservas particulares do patrimônio natural. Assim, para cada hectare plantado com árvores para fins industriais, outro 0,7 hectare é conservado.  Estima-se que o estoque de CO2 equivalente do segmento seja de 4,2 bilhões de toneladas”, salienta o presidente da Ibá.

Sobre a indústria, ele afirma, “temos um dos parques industriais mais modernos do mundo. A crescente evolução técnica reduz consumos específicos, como de água e energia elétrica, além de geração de emissões. As melhores práticas globais estão presentes nas principais unidades de produção do setor. São unidades autossuficientes em energia elétrica e, em muitos casos, exportadoras para o sistema nacional de energia renovável. Os resíduos sólidos são reaproveitados na sua quase totalidade, o consumo de água tem sido reduzido e 100% dos efluentes são tratados”, completa.

Estudo sobre o setor
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) apresentou em setembro, durante a 3ª edição da WoodTrade Brazil, o Estudo Setorial Abimci 2019. O documento mostra panoramas atualizados do setor madeireiro e florestal, dados socioeconômicos, geração de emprego e renda, as contribuições do setor para a economia brasileira e seus principais desafios para o crescimento. O evento aborda oportunidades e desafios para o setor florestal, estimula discussões sobre competitividade, perspectivas e o potencial dos mercados para os produtos madeireiros, e faz parte da Semana Internacional da Madeira.

Paulo Pupo, superintendente da Abimci, conta que a publicação foi dividida em quatro capítulos – Floresta, Indústria, Mercado e Ações Prioritárias. Sobre a produção e o consumo, ele destaca que, quando comparado aos cenários da última edição do estudo, em 2016, alguns segmentos tiveram aumento efetivo de produção, mas que o consumo interno ficou estagnado e, em alguns casos, acabou diminuindo, por conta da apatia da economia nacional em importantes segmentos consumidores de madeira como o da construção civil, móveis e embalagens, que influenciam diretamente o setor. “Diante desses cenários, ocorreram algumas migrações de importantes volumes para o mercado externo, o que contribui para o aumento das exportações e o consequente aumento da oferta de alguns produtos.”


Previsão até 2023
Com o crescimento da economia verde, os produtos originados no setor florestal, que são reutilizáveis, recicláveis e, muitos deles, biodegradáveis, ganham espaço na indústria e no dia a dia das pessoas. Com isso, os investimentos do setor representado institucionalmente pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) apresentam crescimento. A entidade atualizou a projeção de investimentos do setor de florestas plantadas e calculou aporte de R$ 32,6 bilhões no período entre 2020 e 2023. Entre 2014 e 2018, o setor investiu, apenas em ampliação, mais de R$ 20 bilhões.
Os números englobam os segmentos de celulose, papel e painéis de madeira em seis estados e representam um aumento na produção de celulose em 3,2 milhões de toneladas; 1,9 milhão de toneladas de celulose solúvel; 1,2 milhão em papel; enquanto painéis de madeira subam em 570 mil m3 de MDF e 450 mil m3 de serrados. O presidente da Ibá, Paulo Hartung, reforça que esses recursos envolvem toda a cadeia de operações florestais, desde o plantio até a fabricação do produto final, incluindo áreas de tecnologia e inovação.  
Segundo ele, estão previstas obras para construção de pelo menos sete novas fábricas. A expectativa é que o setor gere nesse período mais de 35 mil empregos durante as obras e outros 11 mil empregos diretos após as unidades entrarem em operação. De acordo com dados da associação, deste total, R$ 20,4 bilhões serão investidos em unidades que irão produzir celulose e papel kraftliner para embalagens, reforçando o protagonismo da embalagem em papel cartão na bioeconomia.



“Com relação a desafios, é preciso promover a renovação do parque tecnológico e fazer novos investimentos para aumentar a competitividade”, diz Pupo. “Além disso, a possibilidade de acesso a novos mercados destaca a necessidade de avanço na normalização e certificação dos produtos madeireiros”, completa. 

Pupo participou de um workshop promovido pela Embrapa Florestas e a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) em março e, na ocasião, apresentou outros dados do setor. Sobre a produção de madeira serrada, apontou que o setor produz oito milhões de metros cúbicos (m3) de pinus e três milhões de madeira dura. No compensado, são 2.700 milhões de m3 de pinus e 273 milhões de m3 de madeira dura. “Enquanto o mundo vem produzindo 347 milhões de m3 de madeira, nós produzimos 8,6. Desse número, consumimos aproximadamente 6,0 e exportamos o resto”. 

Com relação à exportação, o superintendente da Abimci apontou um grande salto nos últimos 10 anos, e garantiu que este é um dos fatores mais preponderantes nos últimos anos, levando o Brasil ao patamar de um importante player no mundo. A atual situação de preços e de consumo no mundo foi um dos motivos, bem como a boa imagem do Brasil e do ambiente de negócios, a melhora dos mercados europeu e americano e o avanço da China. 

Pupo também falou sobre as expectativas do setor, como a retomada da economia e do consumo interno, a melhoria do ambiente de negócios, o andamento das reformas, o aumento do financiamento para produção, a renovação tecnológica e a chegada de novo capital estrangeiro.

06/01/2020 0 Comentários
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Notícias

Entenda a diferença e as possibilidades de aplicação dos óleos lubrificantes

Por Redação 06/01/2020
Escrito por Redação

Por Alex Ricciardi

Bom desempenho e durabilidade do trator, da colheitadeira, da semeadora: é isso que o produtor rural deve buscar ao manter em dia a lubrificação dos equipamentos que lhe custaram tanto para serem adquiridos. 

Dispositivos usados no campo precisam de manutenção, o que inclui lubrificação adequada. “Óleos lubrificantes são produtos usados para reduzir atritos, refrigerar e manter limpos os componentes móveis de motores e demais peças dos equipamentos agrícolas. São compostos de óleos básicos e aditivos”, explica Pedro Sachet, consultor técnico de negócios na Texaco. Com ele faz coro Tarcísio de Lima Azevedo, analista de mercado de lubrificantes da BR Distribuidora. 

“A lubrificação adequada tem papel fundamental para manter o bom desempenho do maquinário agrícola, protegendo componentes. A substância correto evita a perda de rendimento de um trator, por exemplo, e reflete-se em produtividade ao longo de sua vida útil. O lubrificante é o ‘sangue’ do equipamento que roda pelos campos”.

Óleo, graxa… o que é cada um
Existem diferenças entre as substâncias usadas para a lubrificação. Os óleos, por exemplo, que podem ser minerais. Eles têm um bom poder de lubrificação, o que lhes garante maior viscosidade. O outro tipo são os sintéticos, que têm uma gama maior de viscosidade. São usados na lubrificação de motores com temperaturas maiores e também que estejam sujeitos a uma utilização contínua, prolongada.

Em se tratando de dispositivos agrícolas, os óleos sintéticos são os mais indicados para a lubrificação. Afinal, máquinas pesadas geralmente operam sob sol quente (altas temperaturas) e dias a fio (utilização contínua e prolongada). Quanto à graxa, ela nada mais é do que um lubrificante composto por óleo, aditivos e sabão. Esse último funciona na fórmula como espessante.  

Sabendo cuidar, não vão faltar
Tal como outras substâncias, óleos e graxas sofrem degradação das propriedades físico-químicas. As condições de armazenamento influenciam decisivamente na condição de uso dos produtos. Convém ao agricultor ter galpões específicos e adequados para armazenamento de tais itens. A recomendação é mantê-los devidamente estocados e fechados depois de abertos, protegidos em local coberto, sem eventual contaminação por água (de chuva e/ou goteiras) e afastados de processos de fabricação que produzam poeira (carvão, cimento, trituração e/ou moagem etc).

“Quanto à qualidade do lubrificante, um bom indicador é conferir se ele possui o número de registro da ANP e se é oficialmente homologado por fabricantes”, ensina Pedro Sachet, da Texaco. Há, ainda, outros elementos a serem levados em conta neste assunto.

“Pensando na questão ambiental, tão importante para o homem do campo, os tambores, baldes e demais produtos e acessórios que guardem lubrificantes devem ser colocados sobre bacias de contenção ou pallets. O piso deve ser impermeável, tanto para evitar a contaminação do solo quanto para facilitar a limpeza”, pontua Flavio Nunes, da Pramalub. Ele lembra que tal armazenamento deve se dar em uma área isolada de pessoas para garantir a segurança humana em caso de incêndio. Dependendo do tamanho do galpão de uma fazenda, por exemplo, faz-se necessária a instalação de sprinklers, além de extintores e demais dispositivos de combate às chamas.

Por fim, Eliel Bartels, gerente de negócios do grupo Maqnelson, pontua: “Não há muito segredo aqui, é simples, basta seguir as especificações do fabricante da máquina. Afinal, quem projetou uma colheitadeira sabe qual é o melhor produto e forma de lubrificá-la, e isso se aplica a todas as máquinas agrícolas. Seguir corretamente os períodos de troca especificados no manual é fundamental para a vida longa do equipamento”, frisa.

Óleos e graxas: modo de usar
Algumas práticas utilizadas no armazenamento de óleos e graxas no meio agrícola são comuns a todas as fazendas e espaços rurais, como manter o lubrificante sempre na embalagem original; armazená-lo tampado; limpar os pontos de enchimento ou relubrificação antes de realizar a atividade; atentar para a data de validade do produto e o período de troca.

Quando se trata de máquinas agrícolas, aliás, há outros cuidados específicos para sua lubrificação. Em uma frota agrícola, deve-se realizar o monitoramento da saúde dos aparelhos através da análise dos lubrificantes, como ferramenta preventiva atrelada a outras medições, gerando dados que servirão para a tomada de decisão da equipe de manutenção.

- Entenda a diferença e as possibilidades de aplicação dos óleos lubrificantes

A contaminação vinda de óleos e graxas embaladas é uma das principais causas de falhas. Pode ocorrer durante o transporte, armazenamento, manejo e aplicação, a menos que cuidados essenciais sejam observados. Além disso, tal contaminação pode se dar com solventes, outros lubrificantes, vapores, água, umidade, grãos, gramíneas, material particulado sólido e demais elementos.

Como evitar contaminações
Verificar de forma acurada o nível de óleo do motor, sistema hidráulico ou demais partes do maquinário. A vareta deve ser higienizada sempre com um pano limpo, sem fiapos. Parece simples, mas ainda hoje agricultores limpam a vareta de nível com estopa, que sempre solta resíduos de algodão.

Sendo necessária a complementação do nível de óleo, sempre limpe previamente a região do bocal de enchimento, para que a simples abertura do mesmo não provoque a queda de poeira ou resíduos da colheita dentro do sistema. Muitas vezes jogam-se jatos de água no bocal de enchimento para limpeza, e se porventura o anel de borracha do bocal não o estiver vedando adequadamente, a carga de óleo pode ser contaminada.

Filtros negligenciados 
O filtro de óleo não costuma despertar muita atenção, o que é um equívoco. Ele tem uma função importante para desempenho do equipamento agrícola. Sua principal finalidade é impedir a circulação de impurezas no motor. Deve ser substituído a cada troca de óleo lubrificante, de acordo com o manual de manutenção do veículo.

“O lubrificante, quando utilizado além da quilometragem, pode causar borra no motor, chegando até a fundi-lo. Isto acontece em tratores com alguma frequência”, alerta André Gonçalves, engenheiro técnico da Mann-Filter. A falta de manutenção do filtro reduz a durabilidade do óleo recém trocado, pois, durante a troca, o filtro permanecerá cheio de óleo sujo, podendo contaminar o novo.

Um mercado diversificado
Não há porque se queixar da falta de opções quando a tarefa é escolher o melhor lubrificante. A gigante anglo-holandesa Shell tem em seu portfólio itens como o Shell Helix HX7 5W30, óleo lubrificante semissintético para carros com uma alta tecnologia de moléculas flexíveis, as quais mantém a proteção do motor em situações de intenso calor e pressão. Conta também com o Shell Rimula para motores de trabalho pesado a diesel – o tipo de motor aplicado às máquinas agrícolas.

- Entenda a diferença e as possibilidades de aplicação dos óleos lubrificantes

Já a americana Texaco oferece ao agronegócio nacional lubrificantes formulados para trabalhar com combustível S-10 e, também, S-500, mesmo no recente teor de 11% de biodiesel. Alguns dos produtos da empresa para o setor agrícola são a célebre linha de fluidos Havoline, as graxas Starplex, Longatex, Multifak, Molytex e Marfak e os fluidos para radiador Ursa. Vale mencionar também, da empresa americana, os óleos Universal e Texamatic.

Por fim, a brasileira BR Distribuidora conta com a conhecida linha Lubrax, um portfólio completo de lubrificantes para todos os segmentos. São mais de 130 famílias de produtos, e a marca é top of mind no mercado nacional. 

Para o maquinário agrícola, a empresa conta com o Unitractor Premium, um fluido para tratores de alto desempenho e tecnologia semissintética, indicado para o emprego simultâneo em sistemas de transmissão, hidráulicos e de freio úmido); o Unitractor, para tratores de alto desempenho para uso simultâneo nos sistemas de transmissão, hidráulicos e de freio; o Grans FD-1, óleo lubrificante mineral para comandos finais e eixos de tratores, esteiras e caminhões off-road; o Grans HR, óleo mineral monoviscoso para sistemas hidráulicos de equipamentos móveis fora de estrada; e o Lubrax Grans HV, um óleo hidráulico de alto índice de viscosidade, criado para sistemas hidráulicos de colhedoras de cana-de-açúcar e outras máquinas agrícolas.

- Entenda a diferença e as possibilidades de aplicação dos óleos lubrificantes

06/01/2020 0 Comentários
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Manutenção

Cuidados com a embreagem

Por Redação 06/01/2020
Escrito por Redação

Por Joel Alves *

Transferir o torque produzido pelo motor à caixa de marchas e interromper essa ação sempre que necessário é a função dos componentes da embreagem. Esse processo de transferência, porém, não pode ser abrupto, ao contrário, deve ser paulatino e progressivo. 

O  sistema é composto por disco de fricção (ou de embreagem), disco (placa) de pressão ou platô, rolamento de encosto, suporte (luva) de apoio do rolamento, garfo de acionamento e dispositivo de comando – este último pode ser mecânico, hidráulico, ou hidro-servo-pneumático. Trata-se de um conjunto mecânico situado entre o motor e a caixa de marchas ou de grupos, que possui carcaça metálica chamada pelos mecânicos de “capa seca”, pois trabalha sem lubrificante líquido, embora também exista um sistema de embreagem que trabalhe banhado em óleo e com discos cerâmicos, mas que atualmente está em desuso. 

A força produzida pelo motor fica disponível junto ao volante, a última peça do motor fixada na extremidade do virabrequim. Nesse volante se encontra fixado o platô com a placa de pressão e, prensado entre ambos (platô e volante), fica o disco de embreagem (fricção). A placa de pressão pode ser confeccionada de duas formas: por meio de um conjunto de molas helicoidais fortemente comprimidas em suporte de fixação ou com uma única mola de membrana cônica em aço especial, conhecida nas oficinas como “chapéu-chinês”. Esse último recurso é o mais usual atualmente. Também é importante destacar que nas máquinas com caixa automática a embreagem foi substituída por um sistema a óleo, o conversor de torque. Há tratores mistos, que utilizam conversor de torque na caixa de marchas mas mantém a seleção dos grupos através de embreagem.

Os principais cuidados em relação à embreagem se referem a aspectos operacionais. Devido ao uso constante durante deslocamentos e execução de serviços, o sistema é sempre demandado pelo operador, daí a necessidade de cuidados e a observância de recomendações práticas. Zelo e conhecimento acerca do funcionamento dos componentes do sistema são fundamentais para evitar danos e prolongar a vida útil das peças. 

- Cuidados com a embreagem

O que é importante saber? O comando sabidamente é dado com o pé esquerdo, quando o deslocamento do pedal deve vencer a pressão das molas do platô. A intensidade da força aplicada pelo operador varia conforme o tipo de sistema (mecânico ou hidráulico), a potência e o número de horas de funcionamento da máquina. Por isso, o operador deve saber identificar essa relação de força a ser aplicada pelo pé na hora de efetuar o acionamento e, consequentemente, adaptar-se à realidade do equipamento. É importante destacar que nem todos os operadores reconhecem esse procedimento e, muitas vezes, até apontam determinadas respostas da máquina como defeito. Claro que quando o acionamento está muito pesado ou muito leve há algum problema, mas há uma variação aceitável à qual o operador deve adequar-se para não realizar um comando muito brusco ou muito lento, que é prejudicial e causa desgaste prematuro ou ruptura dos discos.   

Outro ponto operacional chave é o exato momento em que a placa de pressão inicia o arrasto do disco de fricção, pois é quando há o confronto entre as forças do motor e a resistência do peso da máquina e do implemento. Isso requer capacidade do operador para identificar esse momento e saber controlar o ritmo da liberação do pedal. 

O acionamento deve ser em ritmo constante, não muito rápido e nem lento demais. Repito (é vocação instrucional!): Esse tipo de cuidado evita desgastes prematuros ou rupturas. Também é importante destacar que a posição em que o pedal começa a liberar a placa de pressão contra o disco varia conforme a máquina e as horas de funcionamento. Estando o pedal totalmente acionado, ao iniciar a liberação, deve haver um percurso livre de acionamento, antes de se iniciar o contato de arrasto – quando o contato fica muito próximo da parte inferior ou da parte superior. Neste caso, o operador deve acionar a manutenção para regulagem ou substituição de componentes. 

O acionamento do pedal da embreagem, por ser parte da rotina, muitas vezes, não recebe a devida atenção, mas descuido ou procedimento inadequado pode causar danos e demandar serviços de manutenção que poderiam ser evitados se o operador executasse o comando observando técnicas corretas. Portanto, conhecer os componentes e o funcionamento da embreagem é requisito de um profissional competente.

Manutenção
Todo componente mecânico, obviamente, requer manutenção, que pode ser preventiva ou corretiva. No caso da embreagem a preventiva é muito simples, enquanto a corretiva é demorada e implica custos significativos, dado que requer desmontagem da parte central da máquina. No caso de tratores pequenos e médios, que não possuem chassi, faz-se necessário abrir completamente a máquina junto ao flange de acoplamento entre o motor e a transmissão, o que demanda equipamentos pesados como talhas ou guindastes.

Os componentes da embreagem sofrem desgastes constantes e a vida útil depende do tipo de operação e serviço executado, bem como do número de acionamento – cada acionamento produz pequeno desgaste do disco de fricção devido ao efeito de arrasto. Esse desgaste faz com que haja perda na transferência da força, podendo ocasionar a patinagem do disco e o superaquecimento de todo o conjunto. Chegar a essa situação significa estar além do limite operacional, sendo necessária a troca dos componentes, ou seja: manutenção corretiva e dias de serviços com máquina parada na oficina.

E a preventiva? Muito simples: regulagem no sistema de acionamento mecânico (haste ou cabo). Até pouco tempo era exigida a lubrificação com graxa junto à luva de deslizamento do rolamento, mas atualmente a luva é confeccionada de material que dispensa lubrificante. No caso de acionamento hidráulico a preventiva é ainda menor, pois se restringe ao controle do fluído hidráulico e tubulações, que deve ser feito tanto na inspeção diária quanto nas revisões programadas, pois não há necessidade de regulagens. 

Quando a manutenção preventiva não é realizada, corre-se o risco de danos significativos e custos elevados com a substituição de componentes, além da indisponibilidade da máquina, pois sem embreagem a máquina necessitará ser rebocada ou se acabará por executar os serviços em local não recomendado. O sistema hidro-servo-pneumático é de pouco uso, mas a preventiva é similar ao sistema hidráulico, acrescido de ações preventivas de manutenção do sistema pneumático. Esse sistema é bastante raro no maquinário agrícola, apenas alguns tratores extrapesados o possuem, pois nesses casos o conversor de torque é mais usual.

- Cuidados com a embreagem

Como se vê, os maiores cuidados são referentes à operação. Um operador bem treinado, com capacidade técnica e que entenda o funcionamento do conjunto mecânico, certamente, manterá o sistema em boas condições por mais tempo. Além disso, como já comentamos em artigos anteriores, a ética profissional é indispensável para quem opera uma máquina ou um equipamento. De nada vale ter técnica e conhecimento se faltar ética. Basta querer agir com má vontade e é muito fácil danificar um sistema todo de conjunto de transmissão de forças através do uso incorreto e intencional. Sinto-me na obrigação de fazer tal alerta, pois já presenciei tais fatos. Lamentavelmente, nosso país ainda é palco dessas vivências.

Muita educação e orientação moral se fazem necessário em toda a sociedade e consequentemente no meio rural. Recorro a uma citação histórica de Warren Buffet (empresário e investidor de sucesso dos EUA): “Procurando pessoas para contratar, buscam-se três qualidades: integridade, inteligência e energia. E quando as duas últimas não forem acompanhadas da primeira, sua empresa corre sérios riscos de afundar.”

Joel Sebastião Alves é instrutor de operação e manutenção de máquinas e implementos agrícolas e rodoviários *

06/01/2020 0 Comentários
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Notícias

Filtros: entenda essa que é a principal barreira contra sujeiras

Por Redação 06/01/2020
Escrito por Redação

A manutenção preventiva de máquinas agrícolas é uma ação indispensável e pode dobrar a vida útil do equipamento e diminuir despesas futuras. O descaso com um simples filtro de ar pode causar consequências sérias ao maquinário, como fazer o motor fundir. As máquinas agrícolas, como colheitadeiras e tratores, trabalham em condições severas, com excesso de poeira e partículas no ar que podem causar sérios danos aos motor.

O filtro de ar é uma peça integrante do motor, cuja finalidade principal está em reter partículas nocivas ao sistema que podem ser trazidas pelo ar, óleo e combustível. A retenção ocorre por meio de um processo físico ou mecânico, intermediado por um meio filtrante de tela, algodão, lã, poliéster, feltro, fibras e papel, por exemplo. 

A manutenção do sistema de filtragem do ar é essencial para obter a quantidade e a qualidade de ar suficiente, aumentando o desempenho e a vida útil do motor. Os cuidados com o filtro de ar exigem atenção redobrada dos operadores. É preciso que essas peças estejam sempre em um bom estado de conservação. A principal recomendação é respeitar o período de troca, conforme determinação do fabricante da peça. Outro cuidado é trocar os componentes em uma oficina adequada. 

É importante que o produto seja original. Ao comparar o valor da troca dos filtros desse maquinário com o custo dos dias que o equipamento fica parado por falta de manutenção, a diferença é infinitamente menor, já que uma máquina parada gera prejuízos ao produtor.

A troca da peça, no momento certo, evita ainda o consumo excessivo de combustível, o aquecimento do motor, a perda de potência e o aumento de gases poluentes pelo escapamento. “O filtro de ar é importantíssimo, pois ele é responsável por evitar que toda a contaminação de pó, poeira, terra e umidade presente na atmosfera, contamine o óleo do sistema hidráulico”, destaca o gerente-geral da Argo-Hytos, Waldir Vianna Junior.

Perkins Motores
A Perkins fabrica filtros para máquinas agrícolas, inclusive os de ar, segundo o gerente de Vendas de Peças da empresa, Rodolfo Santiago. Ele destaca que o produtor deve utilizar esses equipamentos porque têm a função de proteger os motores e os equipamentos do ambiente severo.

O filtro de ar ganha ainda mais importância com o uso de máquinas equipadas com motores turbos. “O turbocompressor, que é caríssimo, sofre desgaste prematuro com o ar contaminado com pó e palhada. É muito importante que se faça uma adequada manutenção preventiva com a troca de filtros”, recomenda. Santiago ressalta a importância do uso de produtos novos para garantir que o agricultor não seja surpreendido por uma parada de máquina. “Uma colheitadeira de cana parada gera um prejuízo de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil por dia”, alerta. 

Manutenção preventiva ou troca de filtro postergada além do que o recomendado pelo fabricante, ou uso de filtros não genuínos, pode gerar um desgaste prematuro do equipamento.

Santiago indica o uso de filtros genuínos. “A diferença de preço entre um filtro genuíno e um genérico é pequena quando se compara com os prejuízos que o produtor pode ter com o desgaste anormal de um componente do motor”, assegura. O gerente de Vendas não recomenda que se faça manutenção ou procedimento de limpeza para o filtro de ar. “Ele deve ser trocado sempre que o indicador de restrição de ar; instalado na carcaça do filtro, mostre que o elemento filtrante já está saturado”, finaliza.

Mann-Filter
O engenheiro técnico da Mann-Filter, André Gonçalves, afirma que o uso de filtros de ar novos garante o aumento da vida útil do equipamento, reduz custos com manutenções por falta da substituição dos filtros e preserva a potência da máquina. Os sistemas, diz ele, funcionam por meio de dispositivos com elementos filtrantes, produzidos com fibras de celulose ou sintéticas, que filtram o óleo, ar ou combustível e impedem a passagem de partículas para dentro do motor. 

Quando os filtros estão saturados, eles fazem com que o motor perca a potência, chegando até a parar. “O filtro de ar tem como função reter as partículas contidas no ar aspirado pelo motor e cuidar para que somente ar limpo entre na câmara de combustão, evitando desgaste excessivo nas partes móveis do motor como pistão, anéis, camisa etc”, ressalta.

O engenheiro reforça que o produtor respeite o manual do fabricante na manutenção dos filtros, uma vez que visualmente não é possível identificar a necessidade. E jamais limpe o elemento filtrante do ar com ar comprimido. “Isso destrói as fibras do meio filtrante. Além da alta pressão do ar do compressor, geralmente há água, óleo e impurezas que serão pulverizadas dentro do filtro, agravando ainda mais a estrutura do meio filtrante. Não se deve limpar o filtro do ar e, sim, substituí-lo”, afirma Gonçalves.

Outra recomendação é que a troca seja realizada em uma oficina adequada. “Claro que pelas restrições de mobilidade das máquinas agrícolas, muitas vezes a troca é executada no campo. Neste caso, deve ser realizada sempre por profissionais treinados, para não causar nenhum tipo de dano ao equipamento”, completa.

- Filtros: entenda essa que é a principal barreira contra sujeiras

Newtec
A Newtec está no mercado desde 2004, produzindo filtros hidráulicos para aplicações em máquinas agrícolas, tanto na reposição como em participação no desenvolvimento do equipamento. A empresa dispõe de um portfólio diversificado, com produtos na linha de filtragem de retorno, pressão, sucção e filtros de ar, além de desenvolver elementos filtrantes conforme a necessidade dos clientes.

Os filtros de ar da Newtec, produzidos com meio filtrante de celulose ou fibra de vidro, são indicados para reservatório hidráulico e têm como função proteger a entrada do ar do contaminante em suspensão, evitando a contaminação do óleo. 

O executivo destaca que o local onde a máquina está trabalhando é determinante para uma boa troca dos filtros. “Quanto mais contaminantes em suspensão, maior se torna a necessidade de substituição do filtro”, recomenda. Ele salienta que a substituição dos filtros em tempo pré-determinado ajuda a evitar paradas inoportunas dos equipamentos por quebra em campo, prejudicando o processo do plantio. “A manutenção preventiva evitará desgastes no sistema hidráulico, podendo melhorar o custo em uma manutenção não prevista”, diz. 

O produtor deve respeitar os prazos de troca determinados pelos fabricantes. “Esses parâmetros estão embasados em testes ou horas. O ideal é que se respeite o que foi determinado em manual”, assinala. Os filtros devem ser substituídos quando há a parada ao final da safra, quando o equipamento segue para a manutenção preventiva, ou quando é percebida a dificuldade da bomba na sucção. “Se estes filtros não forem substituídos poderão vir a ocasionar perda de produtividade”, completa.

Mahle
A Supervisora de Vendas da Mahle Metal Leve, Laine Cracco, lembra que todo motor requer cuidado especial, ainda mais quando se trata de um equipamento de alto valor agregado. “Um bom conjunto de filtros proporciona proteção ao motor, menor gasto com manutenção e por consequência, economia com manutenções corretivas”, afirma. 

Laine sublinha que, além do filtro de ar (primário e secundário), em alguns casos utiliza-se um pré-filtro na captação do ar. “O pré-filtro faz a separação de fuligens mais grossas, evitando, assim, a saturação prematura dos filtros do ar”, afirma. 

A executiva frisa que o produtor precisa utilizar filtros novos. “Realizar a troca dos filtros de acordo com o que se pede no manual do equipamento, garante menor custo com manutenção corretiva”, argumenta. A reutilização dos filtros não é recomendada, já que qualquer tipo de sistema de limpeza ou reuso das peças pode ocasionar danos às fibras do meio filtrante, que podem causar danos irreversíveis ao motor. 

A supervisora é taxativa quanto ao uso de peças de qualidade. “A Mahle orienta que se utilize filtros que atendam às especificações do motor, independentemente de marca ou fabricante da peça”, declara. “O produtor deve sempre optar por produtos de qualidade, visto que os filtros são barreiras que impedem a entrada de partículas que podem ocasionar danos irreversíveis aos motores”, finaliza.

- Filtros: entenda essa que é a principal barreira contra sujeiras

MWM
A MWM, fabricante independente de motores diesel e geradores de energia, possui uma linha completa de filtros.  A empresa, que está há 66 anos no Brasil, possui um portfólio com mais de 16 mil itens. O diretor de Marketing, Thomas Püschel, lembra que as máquinas agrícolas trabalham em condições geralmente severas, expostas a ambientes com muita poeira, terra, barro e sujeitas a intempéries. E estão suscetíveis à contaminação do ar e a degradação dos fluidos. 

A utilização de filtros é necessária e indispensável, pois eles são parte integrante dos sistemas que compõem as máquinas agrícolas, como o motor e o sistema hidráulico. “Os filtros retêm partículas contaminantes do ar e dos fluidos, tendo papel fundamental na proteção dos mesmos. Eles previnem contaminação, desgaste e falhas, e garantem uma maior vida útil da máquina, evitando quebras e minimizando gastos com reparações”, observa.

O produtor deve investir sempre em marcas de qualidade comprovada, o que garantirá o perfeito funcionamento da máquina, segurança na sua operação e evitará prejuízos com reparações. Estes filtros são produzidos conforme os requisitos de projeto especificados pela engenharia, com elemento filtrante especial, tratado quimicamente, plissado, resinado, com micragem controlada, tendo a maior eficiência de filtragem com a menor restrição ao fluxo de ar e demais fluidos. “Já os filtros genéricos não atendem a estes requisitos de qualidade, apresentam desempenho ruim na filtragem, o que acarreta no mau funcionamento da máquina, além de trazer riscos à operação e prejuízos ao produtor”, pondera.

O diretor de Marketing diz que é preciso usar filtros novos. As peças devem ser substituídas periodicamente para que não ocorra a saturação. “Não se deve lavá-los, limpá-los com ar comprimido ou reaproveitá-los”, orienta. E é preciso respeitar os prazos de troca. “É de extrema importância que o produtor siga os prazos de troca, de acordo com a tabela de manutenção periódica especificada pelo fabricante da máquina”, alerta. “Caso contrário, ocorrerá a saturação dos filtros, comprometendo a proteção dos componentes e seu perfeito funcionamento”, acrescenta

Cummins
O gerente de Marketing da divisão de filtros da Cummins, Leandro Figueiredo Perez, destaca que o uso de filtros novos é a garantia de que a peça está em perfeito estado e que atenderá a performance exigida. “O produtor pode ter manutenções não planejadas, ou seja, antes do tempo previsto, em função de uma filtragem deficiente”, declara. 

Perez diz que o produtor deve fazer a troca respeitando o prazo de vida útil determinado pelo fabricante. Ele alerta que a troca não é visual e tem que ser feita conforme o indicador de restrição do filtro de ar, localizado no painel do maquinário. O indicador tem a função de apontar quando deve ser feita a limpeza ou a troca do elemento filtrante primário. Funciona por meio do vácuo gerado no condutor de admissão, quando o elemento primário está muito sujo, ocorrendo uma restrição à passagem do ar.

O executivo recomenda que o produtor não faça a limpeza do elemento filtrante principal usando jatos de ar comprimido ou soprando. “A sopradinha pode danificar o filtro e permitir a entrada de sujeira no motor, que pode até provocar uma falha catastrófica”, avisa. O gerente de Marketing recomenda ainda uma avaliação completa do sistema de tomada de ar. “Sempre que se trocar o filtro de ar é preciso fazer uma inspeção completa no sistema de tomada de ar, desde a tomada até a entrada do motor”, ensina.

Argo-Hytos
Os equipamentos da Argho-Hytos possuem meio filtrante inorgânico, normalmente em fibra de vidro, estruturado em uma carcaça de poliamida injetada. “São muito leves e com sistema antivandalismo, que não permite a abertura sem uma chave de segurança. Os filtros ainda contam com sistema antirrespingo, que previne o derramamento de óleo com o movimento das máquinas, e com sistemas de retenção de carga, que garante pressão positiva no tanque hidráulico, evitando a entrada de contaminantes, e desecantes”, descreve o gerente-geral da Argo-Hytos, Waldir Vianna Junior.

O executivo lembra que, devido ao baixo custo, os filtros de ar não possuem indicadores de saturação. Ele salienta que, para uma avaliação mais criteriosa, seria preciso a medição da pressão e depressão interna do tanque durante o movimento dos cilindros. Essa não é uma tarefa simples para O usuário final. “Como a contaminação do filtro de ar depende essencialmente do tempo de utilização da máquina versus taxa de ingresso de contaminante, e esta última pode ser muito distinta em diferentes regiões, máquinas, aplicação ou mesmo época do ano, sugiro seguir as recomendações do fabricante”, orienta.

Parker
O filtro de ar é o guardião do motor. Ele  garante que só ar limpo chegue aos sistemas do motor e à câmara de combustão, o que reduz o desgaste prematuro nas partes móveis do motor e prolonga sua vida útil. “Além disso, trocar o filtro de ar quando precisa evita o aquecimento do motor, a perda de potência do veículo, o consumo exagerado de combustível e o aumento de emissão de gases na atmosfera”, afirma o gerente de Desenvolvimento de Mercado da Parker, Roberto Silva. 

Para fazer a manutenção do componente, o produtor deve abrir a carcaça, retirar o filtro contaminado e efetuar a limpeza interna da carcaça com pano seco e livre de resíduos, que podem ser aspirados para dentro do motor. Ele precisa observar também se no modelo com junta frontal a peça não se soltou do filtro e ficou alojada no fundo da carcaça, o que na inserção do novo filtro ocasiona sobreposição das juntas e provável entrada de ar contaminado para dentro do motor. “O produtor tem que revisar os componentes que fazem parte da carcaça, assim como juntas, abraçadeiras e mangueiras, para garantir que todo o ar passe pelo elemento filtrante”, ensina Silva.

06/01/2020 0 Comentários
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Notícias

Unisys fará palestra na 32ª Show Rural Coopavel

Por Nadila Sousa 01/01/2020
Escrito por Nadila Sousa

Entre os dias 3 e 7 de fevereiro, a Unisys, empresa global de Tecnologia da Informação, participa da 32ª edição do Show Rural Coopavel, no município de Cascavel, no Paraná. A companhia conta com um estande para apresentar soluções de transformação digital voltadas ao setor e os diferenciais de seu premiado software de segurança Unisys Stealth®, que opera com recursos de isolamento dinâmico para mitigar e combater ameaças cibernéticas. Além disso, marca presença no Fórum Nacional de TI das Cooperativas, que faz parte do Show Rural Digital, espaço de inovação da feira.

No dia 6 de fevereiro, Alexis Aguirre, diretor de Segurança da Unisys para América Latina, e Marcel Valverde, VP de Vendas e Tecnologia da companhia, apresentam uma palestra sobre como a tecnologia e a segurança cibernética aplicadas ao agronegócio agregam valor aos processos ao proporcionar integração, dinamismo e confiabilidade.

“A automação no campo permite controle e análise das condições das criações com coleta de dados em tempo real. Essas informações, ao serem processadas por plataformas digitais, geram relatórios e insights que possibilitam tomadas de decisão imediatas e assertivas. O dinamismo e confiabilidade proporcionados pela tecnologia evitam possíveis perdas e direcionam mudanças nos processos para impulsionar a produção”, comenta Valverde, que também será um dos jurados do Hackathon do Show Rural Digital 2020.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o agronegócio foi responsável por 23% do PIB brasileiro em 2018. Além de gerar bilhões de reais para a economia, a atividade também produz enormes quantidades de dados que podem se transformar em inteligência de negócio para operações mais eficientes. Por isso, a implementação de tecnologia na cadeia de produção se destaca cada vez mais como diferencial competitivo.

“O aumento da conectividade no agronegócio agrega valor aos processos, mas também gera preocupação a respeito da segurança dos dados. Assim, contar com ferramentas que garantam a proteção da informação e mitigação de ameaças é indispensável para a integração da comunicação entre os profissionais do campo, filiais e matriz”, acrescenta Alexis Aguirre.

A Unisys desenvolve soluções de alto desempenho e segurança para empresas e governos ao redor do mundo e, no Brasil, é fornecedora de tecnologia de diversas empresas do agronegócio, entre as quais estão a LAR Cooperativa Agroindustrial, Copercana e Coopercitrus.

 

Palestra Unisys – Fórum Nacional de TI das Cooperativas

Data: 6 de fevereiro de 2020

Horário: 17h -18h

Local: Arena Hackathon Celepar – Show Rural Coopavel – Cascavel, PR

Mais informações e ingressos: http://www.sympla.com.br

 

Fonte: Assessoria da Unisys

01/01/2020 0 Comentários
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Notícias

ILPF gera ganhos produtivos e econômicos

Por Nadila Sousa 23/12/2019
Escrito por Nadila Sousa

A inserção de árvores nos sistemas integrados de produção agropecuária, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), ainda encontra resistência por parte de alguns produtores. Cada vez mais, entretanto, dados de pesquisas mostram que, se bem manejado, o componente arbóreo gera ganhos produtivos e econômicos.

Pesquisa realizada na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), em uma área de ILPF com Eucalyptus urograndis plantado em linhas triplas e renques distantes 30 metros, mostrou que nos cinco anos iniciais, as árvores no sistema integrado cresceram 18% a mais do que árvores plantadas em monocultura. As árvores da ILPF ganharam em média 3,8 cm/ano, enquanto aquelas em silvicultura solteira ganharam 3,2 cm/ano.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Hélio Tonini, a diferença evidencia a maior competição por luz na monocultura. Embora o crescimento fosse distinto, não havia se verificado variação significativa no volume de madeira entre os indivíduos comparados.

O manejo das árvores, com a retirada das linhas laterais e manutenção da linha central, entretanto, mudou esse quadro. Em dois anos, o ganho em volume da área de ILPF com linha simples chegou a ser 54% maior do que na área com monocultura e 25% maior do que na área com renques de linhas triplas.

” Antes do desbaste havia um efeito de competição muito grande. As linhas das bordas acabam suprimindo o crescimento da linha central. A média de crescimento do renque era alta, mas, se pegássemos somente a linha central, pensando em serraria, ela estava perdendo em crescimento. Quando fizemos o desbaste, convertendo de linhas triplas para simples, ele retomou o crescimento e isso possibilitou o ganho”, explica o pesquisador da Embrapa Maurel Behling.

As árvores suprimidas no decorrer do experimento foram utilizadas para produção de postes, outdoors e também como lenha. Em uma situação de fazenda, isso representa renda para o produtor antes mesmo do corte final da madeira.

Manejo beneficiou todos os componentes do sistema
Esse manejo das árvores suprimindo as linhas laterais do renque triplo também resultou em maior ganho para o sistema. Nos tratamentos em que havia lavoura, a soja chegou a ter perda de produtividade de 24% no quinto ano, quando comparada a uma lavoura solteira. Após o desbaste, porém, recuperou a produtividade, igualando à lavoura sem árvores. A pecuária também se beneficiou da maior entrada de luz para as pastagens, preservando a sombra para os animais. No sistema com árvore, o ganho de peso de novilhos nelore por hectare em um ano foi de 40 arrobas, cerca de 30% maior do que em um sistema sem árvores.

Behling explica que a decisão sobre o manejo das árvores deve ser tomada de acordo com a estratégia definida e com o propósito do uso da madeira.

“Se o objetivo é usar como biomassa, quanto menos intervenções, melhor, já que há um custo elevado de mão de obra para as podas e desramas. Agora, se o objetivo é ter madeira de qualidade para serraria, os manejos são necessários. Para isso, o valor agregado da madeira tem que compensar as despesas do produtor”, pondera.

- ILPF gera ganhos produtivos e econômicos
Desbaste de eucalipto no sistema ILPF | Foto: Gabriel Faria

“F” além do eucalipto
De acordo com dados da Associação Rede ILPF, dos 11,5 milhões de hectares com sistemas ILPF no Brasil na safra 2015/2016, somente 17% eram em configuração com árvores. O eucalipto ocupa a maior parte dessa área. Porém, não é a única espécie.

Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa em seus campos experimentais e em áreas comerciais, as chamadas Unidades de Referência Tecnológica (URT), testam e validam o uso de outras espécies. Os resultados têm servido para comprovar a viabilidade de algumas delas, para gerar dúvidas sobre outras e também para descartar algumas.

Em Mato Grosso, uma espécie que tem se sobressaído é a teca. Com alto valor agregado, a árvore tem um cenário econômico favorável e boas características silviculturais.

“Assim como o eucalipto, a teca já tem seu manejo consolidado. Além disso, ela se adapta bem às condições climáticas e tem alto valor agregado, chegando a R$ 1.500/m³”, explica Behling.

O bom rendimento financeiro, entretanto, vem à custa de uma longa espera até a teca atingir ponto de corte. Em monocultivos, os primeiros cortes ocorrem com 20 a 25 anos. Na ILPF, no entanto, a tendência é de haver redução na espera em até cinco anos. Isso ocorre devido à menor competição por luz entre as árvores. A expectativa em algumas URTs de ILPF é de se fazer o corte aos 18 anos.

- ILPF gera ganhos produtivos e econômicos
Teca em ILPF | Foto: Gabriel Faria

Uma desvantagem da teca é a perda de folhas no período seco em algumas regiões, reduzindo o conforto térmico para o gado.

“A desfolha varia de acordo com as características de solo e clima de cada local. Mas se o objetivo do produtor é ter conforto térmico para o gado, uma opção é fazer um consórcio, usando a teca com outras espécies”, argumenta o pesquisador da Embrapa.

Nas regiões Sul e Sudeste, espécies como a grevília, o pinus e a bracatinga têm se destacado no uso em sistemas integrados.

Na Região Norte, experiências com nativas, como o bordão-de-velho, mulateiro, taxi branco e cedro-doce, mostram que é possível usá-las tanto em plantios em renques quanto conduzindo a regeneração natural nas pastagens. Algumas delas são madeireiras, outras prestam serviços ao sistema. O bordão-de-velho é um exemplo. Como leguminosa, além de fornecer sombra, ele fixa nitrogênio no solo e suas vagens podem ser usadas na alimentação animal. O mesmo ocorre com a gliricídia, espécie muito utilizada em sistemas ILPF no Nordeste e que tem como principal função alimentar o gado.

A desvantagem de algumas espécies nativas é a lentidão no crescimento, o que exige em alguns casos de sistemas com pecuária que as mudas sejam protegidas com cerca, para evitar danos causados pelo gado.

O risco é que os animais predem o tronco das árvores ou mesmo as quebrem. A predação, inclusive, tem sido o maior entrave ao uso do mogno africano em ILPF. Os danos causados pelos dentes dos animais provocam deformações no tronco e prejudicam o crescimento.

 Algumas espécies frutíferas também têm se mostrado viáveis, principalmente para pequenos agricultores. Exemplos bem-sucedidos com o uso de pequizeiro, coqueiro, baru, guariroba, goiabeira e cajueiro mostram a versatilidade dos sistemas ILPF.

Baixa viabilidade
Outras espécies florestais como paricá (pinho-cuiabano) e pau-de-balsa a até chegam a ter características desejáveis para a ILPF, como o rápido crescimento e interesse de mercado. Entretanto, por demandarem manejo de condução de copa e por terem baixo valor agregado, na maioria das vezes não são economicamente viáveis. O mesmo ocorre com o bapuruvu.

A acácia mangium também demanda manejo quando destinada à serraria. Porém, por ser uma leguminosa, é uma boa alterativa para solos arenosos. Além disso, é possível agregar uma renda extra com a produção de melato, um mel produzido por abelhas a partir da seiva secretada pelas árvores.

Já o mogno brasileiro e o cedro enfrentam problemas com pragas, como a broca do ponteiro (Hypsypyla grandella), que inviabilizam a utilização nos sistemas ILPF.

Configuração das árvores na ILPF
Além da escolha da espécie, um aspecto importante para a utilização de árvores em sistemas integrados é o planejamento da configuração. A primeira questão a se levar em conta é qual é o carro-chefe do sistema. As árvores, a pecuária ou a agricultura? A resposta a essa pergunta ajudará a pensar na quantidade de árvores usadas e também na orientação do plantio.

Em terrenos com declividade acima de 3%, os princípios da conservação do solo devem vir em primeiro lugar. Dessa forma o plantio deve ser feito em nível. Já em áreas planas, recomenda-se o plantio sentido leste-oeste.

“Esse é o sentido do movimento do sol, o que favorece a quantidade de radiação luminosa que entra e é distribuída nos espaços entre os renques. Dessa forma, ocorre um benefício às culturas intercalares, que passam a ter maior potencial fotossintético”, explica a pesquisadora da Embrapa Cerrados Karina Pulrolnik.

O espaçamento entre os renques geralmente é definido pelo maquinário utilizado na fazenda.

“O produtor deve verificar qual é a operação mais cara que ele faz na área. Se for a colheita, fazemos múltiplos da largura da colheitadeira. Se forem as pulverizações, utilizamos a barra do pulverizador como referência. Sempre lembrando de deixar de um metro a um metro e meio de margem em cada lateral para evitar danos às árvores e facilitar a manobra”, explica o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Flávio Wruck.

A escolha da configuração dos renques, se com linhas simples, duplas, triplas ou múltiplas, depende dos objetivos do produtor. Se ele tem a finalidade de produzir madeira para serraria, renques simples ou triplos são mais indicados. Se quiser produzir biomassa, duplos, triplos ou múltiplos podem ser a alternativa. No caso de renques triplos, somente a linha central será conduzida para serraria.

Behling explica que com linha simples tem-se a adição de renda, uma vez que as árvores ocupam apenas o espaço dos próprios troncos, representando cerca de 5% do total da área. Na medida em que se aumenta o número de linhas, há uma substituição de renda, uma vez que o espaço ocupado pelas árvores e pela projeção da sombra delas é maior.

“A melhor opção vai depender de um conjunto de fatores. Se tenho uma situação restritiva de logística e de mercado, a adição de renda será a melhor opção. Se eu tenho uma condição com logística favorável e uma grande demanda por biomassa, a substituição de renda passa a ser mais interessante para o produtor”, explica o cientista, lembrando ainda de aspectos decisivos, como a disponibilidade de mão de obra.

Fonte: Embrapa

23/12/2019 0 Comentários
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Plantio de amendoim direto na palha reduz custo de produção em até 20%
Notícias

Manual orienta produtor de amendoim sobre segurança alimentar do consumidor

Por Nadila Sousa 20/12/2019
Escrito por Nadila Sousa

A produção de amendoim vem ganhando espaço nas lavouras brasileiras, principalmente no estado de São Paulo, nas regiões da Alta Mogiana e Alta Paulista, onde se concentra mais de 90% da produção nacional. Com um crescimento médio de 12% ao ano, o cultivo da oleaginosa avança em áreas de renovação de canaviais ou pastagens, com potencial para crescimento em novas regiões, como as de Minas Gerais e estados do Centro-Oeste. O Brasil hoje é o segundo maior produtor e exportador de amendoim da América Latina, com 466 mil toneladas. Além de abastecer o mercado externo, o amendoim brasileiro também se destina à exportação (cerca de 70% da produção) na forma de óleo e outros produtos de alto valor agregado.

Mas para acessar esses mercados, o produtor de amendoim deve seguir uma série de cuidados que visam garantir a segurança alimentar do consumidor. Um dos requisitos é a capacitação da equipe técnica responsável pela cultura em curso sobre a Produção Integrada Agropecuária (PI-Brasil). Para ajudar os produtores e técnicos a cumprir esses requisitos, a Embrapa lançou a publicação Normas Técnicas para Produção Integrada de Amendoim, onde são esclarecidas as principais dúvidas em relação ao tema.

“Nós apresentamos a Norma Técnica Específica (NTE) para a Produção Integrada de Amendoim, publicada pelo Ministério da Agricultura em 2016, acompanhada de comentários para auxiliar a compreensão dos requisitos que definem as obrigatoriedades, as recomendações e as proibições para que o amendoim seja certificado conforme os preceitos da PI Brasil, possibilitando a obtenção do selo Brasil Certificado”, explica o pesquisador da Embrapa Algodão Augusto Costa, um dos autores da publicação.

- Manual orienta produtor de amendoim sobre segurança alimentar do consumidor
Bishnu Sarang/Pixabay

A Norma Técnica Específica (NTE) para a Produção Integrada do Amendoim contém 14 áreas temáticas baseadas em boas práticas agrícolas, com orientações que estabelecem os critérios para escolha da região, condução do plantio, manejo fitossanitário, colheita e pós-colheita, incluindo práticas que reduzem a contaminação por aflatoxinas e o seu monitoramento, bem como o de resíduos de agrotóxicos; orientam os registros de informações sobre a produção e pós-colheita, conferindo rastreabilidade ao processo produtivo; e tem como uma das exigências cursos de capacitação específico em PI-amendoim.

“A segurança dos alimentos é um fator cada vez mais importante, pois visa garantir uma produção sem riscos à saúde do consumidor. Os protocolos de certificação da cadeia de produção tendem a cada vez mais serem exigidos pelo mercado nacional e internacional do amendoim, visando a maior qualidade dos alimentos com amendoim para atender a preferência dos consumidores, por meio da identificação de selos de qualidade”, afirma o pesquisador.

Capacitação em Produção Integrada
As capacitações de técnicos em Produção Integrada de Amendoim estão sendo realizadas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Coordenadoria de Ensino Aberto e à Distância (CEAD), em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Embrapa. O curso é voltado para a capacitação de responsáveis técnicos para atuação na Produção Integrada. Essa capacitação é um dos requisitos para os produtores que desejam obter o selo “Brasil Certificado”, fundamental para quem deseja diferenciação de seu produto, seja no mercado interno ou externo. 

Clique aqui e leia o resumo da norma.

Fonte: Embrapa Algodão

20/12/2019 0 Comentários
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Aplicativo auxilia produtor na adubação da erva-mate

Por Redação 19/12/2019
Escrito por Redação

Uma nova ferramenta vai auxiliar produtores de erva-mate e técnicos rurais a interpretar a análise de solo de ervais comerciais e recomendar a adubação nas fases de plantio, formação de copa e produção. É o aplicativo Ferti Matte desenvolvido pela Embrapa Florestas (PR) e disponível para celulares com sistema operacional Android.

Para gerar os dados, o usuário deve fornecer informações de análise de solo (o aplicativo tanto realiza simulações quanto trabalha com dados reais) de um talhão. O próprio sistema analisa as informações e gera um relatório com recomendações de aplicação de cada macronutriente. Além disso, a fase em que se encontra o erval também é considerada, pois as diferentes fases apresentam necessidades nutricionais diversas. Por isso, o Ferti Matte trabalha com os cenários de adubação de plantio, na etapa de formação de copa e na produção.

Além de gerar os relatórios, que ficam armazenados no aplicativo para consultas posteriores, o software gera uma base de dados que pode ser acessada pela Embrapa Florestas. Com essas informações, os cientistas serão capazes de identificar demandas de pesquisa e de transferência de tecnologias vindas do setor produtivo. Poderão perceber, por exemplo, se é necessário um reforço de mensagens sobre o manejo dos ervais. “Essa base nos dará um panorama de como estão os ervais dos usuários em termos de nutrição. É uma ferramenta excepcional de prospecção de informações e demandas”, analisa Ives Goulart, engenheiro-agrônomo e analista da Embrapa.

“A adubação de ervais comerciais ainda não faz parte do dia a dia da maioria dos produtores de erva-mate”, explica Goulart. “No entanto, a adubação é fundamental para o bom desenvolvimento dos plantios de erva-mate”, orienta.

Segundo Delmar Santin, engenheiro florestal especialista em nutrição de erva-mate, ervais com menos de 50% de sombreamento precisam de adubação, pois a exportação de nutrientes com a colheita precisa ser reposta. Os níveis de nutrientes extraídos do solo pela cultura são equivalentes aos demandados por milho e soja, por exemplo.

Resultados de pesquisa indicam que a erva-mate é uma cultura exigente em nutrientes. “Com o passar dos anos e sucessivas colheitas, o sistema natural não consegue repor tudo o que foi retirado e a planta acaba crescendo com menor vigor e redução de produtividade”, explica Santin.

“Por isso, é necessária uma mudança de hábito do produtor de erva-mate, com a adoção de práticas como análise de solo e adubação, para um equilíbrio entre saída e entrada de nutrientes no sistema”, ressalta Goulart. E completa: “no entanto, o Ferti-Matte não substitui a figura do técnico, pois não ajusta a dosagem recomendada à formulação pretendida. É o técnico, junto com o produtor, que define a formulação e a dosagem de campo”.

Erva-mate com ciência
Pensando na melhoria do sistema de produção de erva-mate, a Embrapa Florestas criou o sistema Erva 20, que reúne resultados de pesquisa que, se adotados, podem aumentar a produtividade e a qualidade dos ervais comerciais, dependendo do seu potencial produtivo. Além de um manual, o Erva 20 disponibiliza o aplicativo Manejo Matte, para auxílio no manejo dos ervais; o Planin Matte, para análise econômica; e agora o Ferti Matte. O aplicativo é baseado na recomendação de adubação para erva-mate publicada no livro “Propagação e nutrição de erva-mate”, pioneiro em informações sobre nutrição da espécie e fruto de mais de dez anos de pesquisas.

Adubação de acordo com a sombra
Ervais com mais de 50% de sombreamento apresentam menor número de plantas por área e não respondem à adubação. Por isso, ela não é recomendada. Acima disso, o sistema naturalmente não consegue compensar a retirada de nutrientes promovida pela colheita.

Os macronutrientes são indispensáveis para a erva-mate. Nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio precisam ser repostos nos cultivos comerciais da espécie. “A aplicação de calcário, que na maioria das outras culturas é realizada por causa do pH, na erva-mate tem outro fim: a reposição de cálcio e magnésio. Por essa razão, as doses de calcário recomendadas são bem menores, quando comparamos com as culturas agrícolas”, orienta Goulart.

Tecnologias praticamente triplicam a produção
“Devemos tratar a cultura da erva-mate de forma profissional, como se trata outras culturas. Enquanto produtores com baixa adoção de tecnologia colhem cerca de sete toneladas por hectare por colheita, produtores com alta adoção de tecnologias chegam a colher mais de 20 toneladas”, defende Delmar Santin, consultor na área de nutrição de erva-mate, ressaltando que a nutrição tem papel fundamental para quem quer ter uma produção profissional, produtiva e que disponibilize matéria-prima de qualidade. 

Para acessar o aplicativo, clique aqui.

Fonte: Embrapa Florestas

19/12/2019 0 Comentários
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Normas para segurança ocupacional em colhedoras

Por Nadila Sousa 19/12/2019
Escrito por Nadila Sousa

Por Luciana Fleury

As colhedoras contam com uma robusta coletânea de normas técnicas internacionais voltadas a garantir, por parte de seus fabricantes, a segurança, saúde e conforto ocupacional do operador. Um patamar para o qual o Brasil caminha a passos rápidos para alcançar com o trabalho realizado pela Comissão de Estudo de Equipamentos para Colheita e Conservação do ABNT/CB 203 – Comitê Brasileiro de Tratores, Máquinas Agrícolas e Florestais, que já resultou na adoção nacional de 14 textos normativos do total dos 24 existentes internacionalmente. “No momento, temos duas normas no penúltimo estágio antes da publicação e a expectativa é de chegarmos ao fim do primeiro semestre de 2019 com 16 em vigor”, comenta João Zago, coordenador da Comissão.

Apesar de um tanto tardia – o mundo conta com normas de colhedoras pelo menos desde 1983 enquanto a primeira versão nacional data apenas de 2015 – a adoção é relevante. “A imensa maioria dos fabricantes já considera o estabelecido internacionalmente no momento de desenvolver seus produtos, até porque atende outros mercados além do Brasil. Porém, a existência de normas brasileiras contribui para que a legislação nacional acompanhe os conceitos, padrões e graus de risco estabelecidos de forma global.

Na ausência de um texto sobre colhedora, por exemplo, qualquer regulamentação sobre sua operação teria de ser construída tendo como referência equipamentos similares que contam com normas, como máquinas operatrizes, o que não é o ideal”, explica Zago. Principal aspecto abordado nos textos normativos, a segurança em uma colhedora não é algo trivial. O equipamento realiza movimentos diversos, sendo dotado de muitas partes móveis de alta rotação; tem uma área de coleta e expulsão de resíduos, que, pela característica do funcionamento acaba ficando exposta, não podendo ser totalmente protegida; possui motor a diesel, demandando atenção com relação à temperatura que atinge determinadas partes; é de grande porte, com o operador chegando a ficar a 3 metros acima do solo, o que faz com que o risco de queda não possa ser desconsiderado; além disso, possui elementos afiados, destinados ao corte. Desta forma, vários requisitos recaem sobre a necessidade de proteção do operador, como os que determinam que as transmissões não fiquem expostas, os que incluem avisos sonoros ou luminosos no caso de algum mau funcionamento, os que preveem formas seguras para acesso a determinados componentes no momento da manutenção, os que exigem a existência de guarda-corpos, corrimões ou pega-mãos, entre inúmeros outros.

Indo além do aspecto da segurança, saúde e conforto, também são previstas padronizações importantes. Um exemplo é a ABNT ISO 5687 dedicada à determinação da capacidade e desempenho do dispositivo de descarga do tanque graneleiro de uma colheitadeira de grãos. Ela descreve como deve ser realizado o ensaio de esvaziamento do tanque e a forma como este resultado deve ser apresentado. “A grande vantagem é fornecer, para o consumidor final, dados comparativos para uma decisão de compra mais acertada”, comenta Alessandro da Silva, gerente de homologação da CNH Industrial. O estabelecimento de padrões também ajuda na compatibilidade entre equipamentos. “Uma colhedora de grãos é desenvolvida para trabalhar em diversas culturas e, para isso, funciona de maneira integrada com uma plataforma de corte específica para determinado cultivo. A padronização por norma técnica garante o correto acoplamento de diferentes plataformas, até mesmo de fabricantes diferentes”, diz Silva.

Demandas nacionais
Outro ganho resultante da adoção das normas ISO é a participação brasileira nas discussões normativas, possibilitando que a realidade e demandas nacionais possam ser incorporadas aos textos internacionais e passem a valer mundialmente. Por regra, todas as normas publicadas devem, periodicamente, passar por revisões, podendo ser simplesmente confirmadas e mantidas ou serem foco de alterações. Este é o momento para a incorporação de inovações e desenvolvimentos experimentadas pelo mercado como um todo, e, também, para o atendimento a questões identificadas localmente. Foi o que ocorreu com as colhedoras de cana. “Conseguimos incluir na parte 7 da ISO 4254, a principal norma de segurança do subcomitê de colhedoras, requisitos específicos para estes maquinários”, comemora Zago. “Era uma demanda represada, originada das políticas de melhoria das próprias usinas e dos produtores de cana”. Os novos itens tiveram como foco, por exemplo, o reforço da proteção de partes móveis – mais pesadas nas colhedoras de cana – e a inclusão de um aviso sonoro de mudança de direção do equipamento. “A norma ISO não prevê um alarme de ré para as colhedoras porque, em geral, elas trabalham de forma isolada. Muito diferente da colheita da cana, que demanda todo um aparato acompanhando a operação, especialmente para o transbordo, que é constante”, afirma.

A inclusão de novos requisitos vale a pena, mas é algo trabalhoso. Primeiro é preciso fazer com que o grupo de trabalho internacional responsável pelo texto aceite iniciar a discussão sobre o assunto, o que demanda a apresentação de estudos de caso, dados e fatos que comprovem a necessidade de se tratar do tema. Posteriormente, é necessário haver a clara comprovação da necessidade técnica dos aspectos apontados, debate sobre impactos da inclusão, das possíveis exceções e a identificação de desdobramentos (como ensaios respectivos). Uma vez formulada, a alteração passa por vários estágios de aprovação até a publicação de uma versão atualizada que a contemple. Nasce daí a importância da participação do consumidor final nos grupos de trabalho nacionais. Afinal, o agricultor pode agregar às discussões a visão de quem acompanha a realidade do uso do equipamento no campo, nas diferentes condições climáticas, nos distintos terrenos e, tem ciência até, de hábitos do operador que possam resultar em riscos. “O produtor participante tem a chance de levar suas necessidades e, também, pode contribuir com os estudos de caso comprobatórios, ajudando o grupo técnico a encaminhar a questão defendida. Além disso, é uma grande oportunidade de aprender sobre o maquinário e aprofundar seus conhecimentos sobre sua operação”, comenta Silva. Zago reforça que a participação é gratuita, voluntária e aberta a qualquer interessado, bastando entrar em contato com a secretaria do CB 203 pelo e-mail cb- 203@abnt.org.br para ter acesso ao calendário de reuniões.

Requisitos específicos
Considerado um bom arcabouço para a realidade internacional, o conjunto de normas para colhedoras ainda não abrange todos os equipamentos em uso no Brasil, uma das maiores potências agrícolas mundiais. É o caso das colhedoras de café. Ao contrário dos grãos, a cultura cafeeira é perene, ou seja, na colheita, retira-se apenas o fruto, mantendo-se a planta. Para atender o maior produtor mundial, o mercado disponibiliza maquinários sofisticados que realizam esta tarefa de forma segura e com alta produtividade, sem, no entanto, contar com a existência de normas específicas que padronizem os requisitos mínimos. “Grande parte das exigências básicas para colhedoras são atendidas pelas de café, porém, há itens que simplesmente não se aplicam e outros que não estão previstos”, comenta Paulo Henrique Fulanete Guirao, Gerente de Negócios de Colhedoras de Café da Jacto. A solução encontrada pelos fabricantes é, então, adotar partes das normas, selecionado aquilo que pode ser aplicado. Guirao, no entanto, acredita ser interessante a elaboração de uma norma específica. “Por suas características, acolhedora de café é dotada de diversos componentes hidráulicos que precisam ser projetados de forma a evitar vazamentos prejudiciais ao meio ambiente e ao próprio grão colhido”, destaca.

Para ele, inclusive, deveria haver textos normativos voltados ao desempenho e qualidade de operação, estabelecendo itens como critérios máximos de aceitação de perdas de café na colheita. Se faltam normas para um equipamento tão tradicional como uma colhedora de café, o que pensar da colhedora de amendoim, recém-chegada ao mercado. Produto da MIAC, foi lançado no ano passado e também projetado de forma a atender o maior número de requisitos normativos possíveis. Como explica Fábio Massahide Santos Tanaka, gerente de projetos da MIAC, divisão de máquinas agrícolas das Indústrias Reunidas Colombo, a colheita de amendoim, uma leguminosa, é bem peculiar, por ser indireta. É preciso realizar o arranquio do amendoim que está no solo, invertê-lo, deixar secar para depois colher.

A colhedora desenvolvida recolhe o que foi depositado, retirando as ramas separando-as da vagem e remove as impurezas minerais. “Se houvesse uma norma específica para este equipamento, esta questão da retirada dos resíduos teria de ser um ponto a ser considerado, pois é preciso garantir um nível máximo de geração de poeira, além de prever o uso de equipamentos de proteção individual”, comenta. Ele também defende a inclusão de requisitos de desempenho, visando garantir que a vagem não seja danificada. Em ambos os casos, seja no do café ou do amendoim, será necessário esperar, porém. No momento, as maiores demandas surgidas nos grupos de trabalho são para questões relacionadas a colhedoras de cereais e de cana, mas o caminho natural é o da inclusão destas temáticas no futuro.

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Notícias

Conheças as normas que regulam atividades de pulverização

Por Nadila Sousa 19/12/2019
Escrito por Nadila Sousa

Por Luciana Fleury,

Utilizado em quase todas as etapas da safra, desde a preparação das sementes até a nutrição das folhas das plantas adultas, o pulverizador tem funcionamento complexo e de grande impacto no resultado da lavoura, sendo responsável pela distribuição uniforme e adequada dos produtos que protegem a plantação contra pragas, doenças e insetos, e também de insumos que fornecem nutrientes necessários para o desenvolvimento adequado da cultura. O agricultor experiente sabe que são muitas as variáveis envolvidas na boa utilização de agroquímicos. São necessárias definições precisas de dose, volume de aplicação, cobertura, tamanho das gotas e pressão do sistema para que tudo saia a contento. É preciso, também, evitar a deriva – termo tecnicamente definido como o movimento do produto através do ar para fora do alvo durante a pulverização e que pode contaminar outros locais, lençóis freáticos e até populações próximas.

Todos esses cuidados podem ser perdidos diante de mau funcionamento do pulverizador que leve a variações do que é expelido pelos diferentes bicos, fazendo com que, na mesma linha de plantio, algumas plantas recebam a quantidade adequada de defensivo enquanto outras sejam pulverizadas de forma insuficiente e outras ainda sejam atingidas mais do que o necessário. O resultado são prejuízos financeiros e ambientais, problemas que se somam ao desafio de buscar uma produção sustentável, com o uso de produtos menos agressivos e em menor volume, frente ao aumento da resistência das pragas.

É exatamente por isso que as normas publicadas pelo CB-203 – Comitê Brasileiro de Tratores, Máquinas Agrícolas e Florestais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) dentro dessa temática têm particular ênfase nos requisitos relacionados à deposição e distribuição do líquido sobre o alvo e na minimização do espalhamento involuntário de produtos no ambiente circundante. Um primeiro grupo de normas tem a ver com o equipamento que chega ao mercado ao estabelecer requisitos de projeto e fabricação. São os textos que compõem a ABNT NBR ISO 16119. A parte 1 apresenta padrões gerais para qualquer pulverizador, enquanto as demais partes abordam especificidades dos diferentes tipos de equipamentos. “No caso dos pulverizadores de barra horizontal, por exemplo, há a determinação de que os dispositivos de abastecimento sejam projetados de modo a evitar retorno de líquido do tanque à fonte de abastecimento, contribuindo para a segurança do processo”, comenta Leoni de Souza Leite, chefe de secretaria do CB-203.

A maioria dos fabricantes já atende às recomendações por seguir padrões internacionais. A versão nacional, no entanto, formaliza esses padrões no Brasil, conferindo transparência aos requisitos mínimos adequados a um pulverizador e dando ao agricultor um importante instrumento de validação para a decisão de compra, podendo questionar se o equipamento em questão foi fabricado de acordo com o especificado em Norma.

Padrões para inspeções
Enquanto a ABNT NBR ISO 16119 diz respeito aos fabricantes, outra norma, a ABNT NBR ISO 16112, está relacionada diretamente ao dia a dia do produtor agrícola, ao definir padrões para a inspeção de pulverizadores em uso. Os textos apresentados nas partes de 1 a 4 detalham componentes a serem periodicamente verificados, o desempenho esperado, percentuais máximos de desvios e variações toleráveis, além de descrever os ensaios previstos e como devem ser realizados. O objetivo é avaliar se o pulverizador continua funcionando do modo como foi originalmente projetado e identificar necessidades de manutenção preventiva. É uma questão importante, já que não há como aferir o desempenho no cotidiano. Mesmo que o equipamento aplique a totalidade do agroquímico desejado na área prevista, é impossível ter certeza, por exemplo, de que a distribuição se deu por igual. Um estudo de campo, realizado pelo pesquisador Marco Antonio Gandolfo em sua tese de doutorado defendida em 2001 pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), mostra a relevância da inspeção periódica.

Diante da ausência de padrões nacionais à época, Gandolfo criou uma metodologia para a identificação de falhas nos equipamentos de pulverização e, utilizando uma unidade móvel, que transportava os instrumentos necessários para as avaliações até as propriedades rurais, analisou 82 pulverizadores de barra horizontal. Os resultados mostraram que todas as máquinas apresentaram problemas. A maior frequência foi registrada no manômetro (90% das máquinas), seguida pelas pontas (81,6% das unidades) com coeficiente de variação de vazão oscilando entre 4,86% e 12,92%. Erros na taxa de aplicação e de dosagem ocorreram em mais de 80% dos equipamentos enquanto os vazamentos apareceram em 56,6% das inspeções.

Melhoria dos serviços
Gandolfo conta que, após a publicação do trabalho, empresas fornecedoras de defensivos agrícolas utilizaram a metodologia desenvolvida para oferecer serviços de inspeção nos pulverizadores de seus clientes, o que contribuiu para uma melhoria do quadro. Apesar disso e do fato de os últimos anos terem sido marcados por melhorias nos investimentos realizados no campo, a situação ainda é crítica. “Continuo acompanhando estudos sobre o tema e posso estimar que 50% dos pulverizadores em uso no Brasil apresentam falhas”, afirma Gandolfo, professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná e CEO do Instituto DASHEN, entidade que, entre outras atribuições, oferece consultoria para cooperativas e empresas do agronegócio sobre qualidade em pulverização. Para ele, a publicação das normas é um grande avanço para a sustentabilidade financeira e ambiental do agronegócio.

A nova norma ajuda a padronizar serviços de inspeção como o Otimis Service, oferecido pela Jacto a clientes em um modelo iniciado como piloto em 2018. A proposta do serviço é verificar e testar o funcionamento de equipamentos e oferecer um laudo com orientações sobre o que precisa ser ajustado e uma listagem de quais peças devem ser substituídas. “Não acredito que a simples entrada em vigor das normas gere maior demanda de inspeções, pois é preciso antes um processo de conscientização. Nossos principais argumentos de venda são relacionados à redução de custo e eficiência operacional por uma aplicação sem desperdícios e de qualidade e disponibilidade do equipamento, evitando paradas imprevistas”, afirma Cristiano Okada Pompelli, gerente de negócios da Otimis. Segundo ele, a publicação das normas sobre inspeção não deve, também, alterar de maneira significativa a dinâmica utilizada pela empresa. “Já baseávamos nossa metodologia nos padrões internacionais, agora adotados nacionalmente, focando nos itens mais importantes para o bom funcionamento do pulverizador”, diz. “Estamos muito alinhados ao texto das normas, mas não totalmente, apesar de este ser o objetivo a médio prazo”. Como exemplo de item ainda não previsto no serviço prestado pela Otimis e preconizado em norma está a medição do ângulo do bico do pulverizador. “Outros ensaios garantem que, mesmo sem essa medição, o bico cumpra sua função de forma eficiente, por isso não identificamos isso como prioritário”, explica.

Regulamentação necessária
Importantes para a padronização de fabricação e condições de uso, as normas, no entanto, são de adoção voluntária, condição considerada não ideal pelo pesquisador Gandolfo. “A ausência de regulamentação que torne a inspeção obrigatória condiciona todo o sistema produtivo ao convencimento de cada produtor da importância de uma pulverização de qualidade, algo que leva tempo”, afirma. Para ele, a obrigatoriedade deveria ser acompanhada de fiscalização por parte dos órgãos públicos e da certificação de empresas que prestam esse tipo de serviço, acelerando a adoção de boas práticas e gerando benefícios ambientais e para a produtividade agrícola. Leite, do CB-203, destaca que a publicação dos textos não encerra o trabalho normativo. É preciso acompanhar as discussões para as atualizações, realizadas com os grupos de trabalho da ISO, necessárias para que os requisitos estejam alinhados à evolução do maquinário. Algo inclusive já sentido na atual versão, pois a versão internacional, base para as NBR mencionadas, data de 2013. “Há no mercado equipamentos com tecnologia embarcada não previstas nas normas. Em nossa linha há, por exemplo, um modelo automatizado que não usa manômetro, pois faz a medição por transdutor de pressão”, comenta Pompelli.

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