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Notícias

Aplicativo facilita gestão de casas de sementes e intercâmbio entre elas

Por Daniel Santos 14/11/2019
Escrito por Daniel Santos

A partir de novembro, agricultores que gerenciam casas de sementes ganharão uma ferramenta que facilitará rotina e administração desses espaços. O BioSemeie, aplicativo gratuito para celulares com sistema operacional Android, será lançado pela Embrapa no dia 19 de novembro, durante o Semiárido Show, em Petrolina (PE), e terá como principais funções o controle de estoque e o intercâmbio de sementes e conhecimentos, integrando seus futuros usuários, que poderão fazer o download a partir do Google Play.

O BioSemeie foi desenvolvido pelo médico veterinário Raimundo Lôbo, pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE), que possui experiência em desenvolvimento de sistemas de tecnologia da informação para pesquisa agropecuária. Segundo ele, o desafio de criar uma ferramenta em uma área de atuação diferente (ele é pesquisador de Melhoramento Genético Animal) foi motivado pela preocupação com a gestão de casas de sementes, e com os riscos de perda da biodiversidade e do conhecimento tradicional de agricultores a respeito das sementes crioulas.

“A partir dessa preocupação, pensei: por que não desenvolver um aplicativo que tanto fizesse controle do estoque de sementes, como também registrasse as características do conhecimento que o agricultor tem sobre elas?”, recorda Lôbo. A ferramenta permitirá que os administradores cadastrem informações sobre suas sementes, facilitando, inclusive, que outros agricultores possam buscar sementes de acordo com características que desejarem, permitindo um intercâmbio.

Durante o período de desenvolvimento, o aplicativo foi testado por alguns parceiros, que destacaram o potencial para organização das casas de sementes, cujo controle de estoque se faz, na maior parte das vezes, de forma manual (com uso de formulários impressos no caso de algumas).

Os registros de entrada e saída de sementes muitas vezes são processos muito informais, conforme ressalta Lourdes Camilo, gestora pública da Cáritas Diocesana de Tianguá (CE). “A maioria não conta com um processo informatizado. O aplicativo tem potencial enorme, porque traz dados como a localização das casas, a quantidade de sócios e pode fortalecer a organização, com acesso rápido à informação sobre quantidade e variedade de sementes”, avalia ela.

Aplicativo fácil de operar
A partir do download, o usuário pode se cadastrar escolhendo um dos perfis: o de administrador de casas de sementes ou de usuário geral. Este último terá acesso ao catálogo das sementes cadastradas, poderá conhecer as características descritas e fazer suas buscas. Já os administradores das casas, além dessas funcionalidades, também terão, com o registro de suas credenciais, acesso completo ao sistema do aplicativo, para inserir as informações sobre as sementes que tem à disposição e suas características, como espécies e cores. O próprio aplicativo disponibilizará um passo a passo para que cada usuário saiba como proceder com seu cadastro.

Segundo Lôbo, uma das vantagens da ferramenta é permitir que os administradores das casas de sementes possam alimentar informações sobre seu material de estoque mesmo sem conexão com a internet – uma demanda sugerida pelos próprios agricultores consultados, uma vez que no campo nem sempre há redes. Ele recomenda, porém, que esses usuários se conectem, sempre que possível, para fazer as sincronizações de suas informações com o banco de dados do aplicativo. “Se ele não faz a sincronização, toda a informação fica só no aparelho dele. Se não compartilha, ele não colabora com os demais administradores de casas de sementes, nem com o objetivo maior, que é a manutenção da biodiversidade”, alerta o pesquisador.

Outra vantagem do BioSemeie será a flexibilidade das informações no banco de dados, retroalimentável a partir das descrições dos usuários, para favorecer a disseminação do conhecimento tradicional dos agricultores. Assim, o usuário poderá caracterizar sementes segundo suas características agronômicas (cores, ciclos, resistência à seca, entre outras), mas também inserir outras características que julgue importantes.

“Você pode cadastrar a cor de uma semente que é marrom, mas o agricultor pode chamar essa cor de outra forma. Então, ficarão o cadastro da cor agronômica em si e também da forma como o agricultor se expressa, ele terá permissão para isso”, explica Lôbo. Com isso, espera-se também facilitar as buscas por sementes com características desejáveis no BioSemeie, que informará ainda onde esse material estará disponível.

Biodiversidade de sementes
Além de facilitar gestão e intercâmbio, o BioSemeie pretende ser uma ferramenta para favorecer o uso de sementes, em especial as chamadas variedades crioulas, de tradicional utilização por comunidades de agricultores e que podem ser alternativas quando não há disponibilidade de sementes comerciais. No Semiárido brasileiro, é hábito de famílias rurais produzirem e guardarem suas próprias sementes, que mostram, inclusive, bons resultados em termos de tolerância a adversidades ambientais ou à baixa fertilidade dos solos. A troca de conhecimentos, por meio do aplicativo, pode ser útil também para pesquisadores da área de Melhoramento Genético Vegetal, que poderão identificar e testar esses materiais.

De acordo com o engenheiro-agrônomo Marcelo Renato Araújo, analista da Embrapa Caprinos e Ovinos, algumas sementes crioulas vêm sendo selecionadas há muitas décadas por agricultores no Semiárido e sobrevivido a transformações, sem alterar qualidade. “É um processo de seleção contínua: feita de forma consciente pelo uso do agricultor e pela própria seleção natural, pela qual só sobrevive quem é adaptado”, explica.

Para Araújo, é fundamental observar que as sementes encontradas nas casas costumam ser renovadas pelos próprios usuários, permitindo que o material esteja em constante evolução. “São sementes que estão interagindo com o ambiente e os sistemas de cultivo, o que é mais importante”, frisa ele, ressaltando que, por isso, o BioSemeie poderá ser uma rica fonte de conhecimento para os melhoristas vegetais. “Essas sementes podem servir para futuros programas, com cruzamentos entre elas ou com outras variedades comerciais”, acredita o analista da Embrapa.

Maior facilidade na busca pelas sementes crioulas poderá também resultar em ganhos para a autonomia dos produtores rurais, na avaliação de Lourdes Camilo, da Cáritas de Tianguá. “Eles podem ter as sementes no tempo certo para o plantio, reduzindo a dependência de programas governamentais. Assim que chegar o período, a semente já estará no ponto para preparar o roçado”, prevê.

Conhecimento tradicional auxiliando o científico
Tradicionalmente difundidas e usadas pelos próprios agricultores, que acumulam décadas de conhecimentos sobre elas, as sementes crioulas têm sido objeto de pesquisas para validar, de forma científica, o que o saber tradicional recomenda. Uma dessas pesquisas envolveu a equipe da Embrapa Caprinos e Ovinos e alguns dos parceiros que testaram o BioSemeie: a avaliação de sementes crioulas de milho e feijão-caupi usadas por agricultores em Sobral (CE).

De acordo com Araújo, foram verificadas em análise preliminar características como a resistência à seca e foi identificado um gene que, além de conferir essa resistência, promove produção de grãos e palha em uma das variedades crioulas. Para o analista da Embrapa, resultados como esse demonstram que o conhecimento tradicional não deve ser somente preservado, mas também catalogado e o aplicativo poderá ser ferramenta útil nesse processo.

“Ficamos encantados com os conhecimentos que os agricultores têm. Eles podem não ter um conhecimento científico, mas sabem qual a melhor semente para comer, para comercializar, para resistir à estiagem. É uma tradição que temos que contribuir para que continue, de forma organizada”, defende Lourdes Camilo.

Fonte: Embrapa

14/11/2019 0 Comentários
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Notícias

Adoção de ILPF em Mato Grosso pouparia quase 2,5 milhões de hectares de terras

Por Daniel Santos 14/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Quase 2,5 milhões de hectares de terras de uso agropecuário poderiam ser poupadas em Mato Grosso se metade das áreas de sojicultura e de pecuária de corte no estado fossem convertidas em integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Isso ocorreria porque as produtividades, tanto a da soja como a da pecuária, aumentam em sistemas integrados. Essa diferença da produção maior seria o equivalente ao que é produzido em 499 mil ha de soja solteira e 1,98 milhão de hectares de pastagens. As áreas somam 2,48 mil km2.

A projeção é parte de um estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril (MT), Rede ILPF e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No trabalho, foram feitas simulações sobre o avanço do uso de estratégias de ILPF em áreas de lavoura de soja e de pecuária de corte. Para isso, foram usados dados reais de produtividade de dez Unidades de Referência Tecnológica de ILP estudadas pela equipe em Mato Grosso e números médios de produtividades do estado.

De acordo com a pesquisa, se 25% dos 9,5 milhões de hectares de lavoura de soja fossem convertidos em áreas com sistemas integrados de produção agropecuária, o aumento da produtividade gerado pelo sistema produtivo compensaria a produção de 256 mil hectares. Se a adoção avançasse para 50%, seriam poupados 499 mil hectares. Na hipótese de 100% da área, o total de terras poupadas chegaria a 950 mil hectares.

Pecuária em ILPF poupa ainda mais terras
No cenário de adoção da ILPF em 25% dos pastos, seria poupado 1,03 milhão. Com a adoção chegando à metade da área de pecuária do estado, a poupança estaria em torno de 1,98 milhão de hectares. Já no cenário improvável de total adoção da ILPF na pecuária, seriam poupados 3,64 milhões de hectares em Mato Grosso. Ou seja, o sistema integrado produziria o equivalente a uma área quase 15% maior formada somente por pastagens. No cenário simulado em que Mato Grosso inteiro só criasse gado de corte em sistema ILPF, cada 100 hectares de produção economizariam quase 15 ha de pastagens convencionais.

- Adoção de ILPF em Mato Grosso pouparia quase 2,5 milhões de hectares de terras

A simulação feita sobre os 23 milhões de hectares de pastagens usadas para a pecuária de corte em Mato Grosso é ainda mais expressiva. Além do ganho em escala de área, a diferença entre as produtividades médias da pecuária tradicional do estado (239,42 kg/ha) e dos sistemas ILPF (284,35 kg/ha) contribui para esse maior efeito “poupa-terra”.

O pesquisador da Embrapa Júlio César dos Reis destaca que o trabalho é um exercício de estatística comparativa, ou seja, mexe-se em um indicador, mantendo os demais iguais, como forma de simular o efeito da mudança. Dessa forma, ele não leva em consideração fatores limitantes e impeditivos à adoção dos sistemas ILPF, como relevo, logística, aptidão do produtor, disponibilidade de mão de obra, investimento, mercado consumidor, entre outros.

“O estudo é relevante, pois demonstra o expressivo potencial dos sistemas ILPF em colaborar para a redução da pressão sobre as áreas de floresta na Amazônia”, analisa o pesquisador.

Sequestro de carbono relevante
O estudo ainda simulou estatisticamente a contribuição que os sistemas ILPF podem dar para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. Tomando como base a pesquisa encomendada pela Rede ILPF na safra 2015/2016, que mostrou que Mato Grosso possuía 1,5 milhão de hectare com sistemas ILPF e as médias de crescimento da tecnologia nos anos anteriores, pesquisadores projetaram cenários futuros.

Considerando-se o fator de sequestro de carbono da ILPF em 1,86 t CO2 eq./ha ao ano e o crescimento médio da área com sistemas ILPF de 11% ao ano, em 2030, Mato Grosso teria 7,5 milhões de hectares de ILPF. Essa área sequestraria cerca de 14 milhões de t CO2 eq. naquele ano. Para se ter uma ideia do que esse volume representa, a estimativa é que os 23 milhões de hectares de pastagens no estado tenham emitido 9,2 milhões de t CO2 eq. em 2018.

“Essas informações sobre impactos ambientais, em conjunto com resultados econômicos dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, podem ser um importante instrumento de política pública do governo brasileiro, alinhado à perspectiva do Big Push Ambiental e à Agenda 2030, para promover a adoção de sistemas agrícolas sustentáveis nas regiões de Cerrado e Amazônica”, avalia Júlio Reis.

Potencial de ILPF crescer para até 50% das lavouras
A pesquisa encomendada pela Rede ILPF na safra 2015/2016 mostrou que nos cinco anos anteriores a taxa de crescimento da área de ILPF em Mato Grosso foi de 11%. Para o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Flávio Wruck, essa velocidade de crescimento tem sido positiva.

“Com esse crescimento gradual, o mercado consegue ir se ajustando. Se tivéssemos um crescimento maior, teríamos desequilíbrios, como o aumento de preços de sementes de forrageiras, por exemplo”, explica.

Embora confirme o potencial de crescimento dos sistemas integrados e seus benefícios agronômicos, Wruck prevê um teto para a expansão. Para ele, dificilmente um sojicultor destinará mais de 50% de sua área para pastagem. O mesmo percentual seria o limite para os pecuaristas, uma vez que em metade da área há impedimentos de relevo, solo e logística que inviabilizam a integração com lavoura.

Os sistemas silvipastoris, por sua vez, poderiam ser implantados em toda a área de pastagem, mas o tamanho do mercado para a madeira será o limitante, explica o pesquisador.

Independentemente da viabilidade técnica e do reconhecimento dos benefícios da ILPF, Flávio Wruck vê no alto investimento necessário a maior barreira de entrada para os sistemas integrados.

- Adoção de ILPF em Mato Grosso pouparia quase 2,5 milhões de hectares de terras

“Um agricultor que quer fazer pecuária precisa de um grande investimento na compra do gado e na montagem da infraestrutura necessária. Para o pecuarista que quer entrar na lavoura a situação é ainda pior, sendo necessária a compra de maquinário. Embora seja uma tecnologia que reduz o custo de produção por unidade de produto, ela é uma intensificação do uso da terra. Assim, o capital necessário é maior”, analisa o pesquisador.

Com maior disponibilidade de capital, grandes grupos empresariais têm sido os maiores responsáveis pela expansão das áreas de ILPF em Mato Grosso.

“Os médios e pequenos produtores também estão mudando para os sistemas integrados, mas de maneira mais lenta e gradual. Na medida em que vão capitalizando, eles expandem suas áreas”, comenta Wruck.

Apesar do maior investimento, o pesquisador Júlio Reis ressalta que o retorno do investimento em sistemas ILPF é mais rápido. Dessa forma, explica, a disponibilização de linhas de crédito competitivas pode estimular o aumento da adoção da tecnologia.

 

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Conab estima safra de grãos 2019/20 em 246,4 milhões de toneladas

Por Daniel Santos 14/11/2019
Escrito por Daniel Santos

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para a cima a estimativa para a safra brasileira de grãos, que deve registrar um novo recorde no ciclo 2019/2020. No segundo relatório relativo à safra nova, divulgado nesta quarta-feira (13/11), é estimada uma produção de 246,369 milhÕes de toneladas, um crescimento de 1,8% em comparação com a temporada 2018/2019. No relatório anterior, divulgado em outubro, eram previstos 245,814 milhões de toneladas.

“A intenção de plantio sinaliza uma variação positiva de 1,4% quando comparado com a área da última safra, chegando a 64,1 milhões de hectares”, informa a Companhia, no comunicado oficial. O relatório anterior, de outubro, apontava uma área plantada de 63,933 milhões de hectares com grãos no país.

Mesmo com o atraso do plantio em relação ao ano passado, a Conab elevou sua estimativa para a produção nacional de soja, de 120,393 milhões para 120,860 milhões de toneladas. Se confirmado, será um crescimento de 5,1% em relação à colheita passada (115,030 milhões de toneladas).

Na avaliação dos técnicos, a produção da oleaginosa tende a aumentar em função, principalmente do ganho de área. As exportações são estimadas em 72 milhões de toneladas, menos que no ano passado. Mas o cenário é de demanda interna aquecida.

“A demanda interna deverá se manter aquecida em virtude do crescimento da economia, do aumento da produção de carnes para exportação, da mistura do biodiesel, que passará de B11 para B12 e os estoques finais de soja que deverão se manter baixos por mais um ano e, com isso, preços mais elevados no mercado interno para 2020”, avalia a Conab, conforme a versão resumida do relatório.

Já a produção de milho passou por uma leve revisão para baixo, considerando os três ciclos anuais para a cultura, conforme a Conab passou a estimar para a safra atual. O número passou de 98,389 milhões para 98,366 milhões de toneladas. Para os técnicos, a expectativa é de aumento de 2,4% na primeira safra, que deve atingir 26,269 milhões de toneladas.

A segunda safra deve totalizar 70,936 milhões de toneladas. A estimativa é a mesma de outubro e representa uma redução de 3,1% em relação ao mesmo período na temporada 2018/2019. A terceira safra, plantada em uma região que inclui parte de Sergipe, Alagoas e Bahia, deve ser de 1,159 milhão de toneladas.

No algodão, a Conab fez uma pequena elevação nos números, mas mantém uma expectativa de produção praticamente estável em relação à safra 2018/2019, apontando um crescimento de apenas 0,2%. O volume de algodão em caroço deve ser de 4,093 milhões de toneladas e o de pluma, 2,730 milhões.

A Companhia prevê uma produção praticamente estável também de arroz, que deve crescer apenas 0,2% em relação à safra passada. O volume estimado no relatório divulgado nesta quarta-feira é de 10,471 milhões de toneladas, sendo 9,596 milhões de áreas irrigadas e 875,3 mil toneladas de lavouras de sequeiro.

Estabilidade é o que os técnicos projetam também para a produção de feijão, considerando os três ciclos anuais para a cultura, nas variedades cores, caupi e preto. A colheita total deve ser de 3,025 milhões de toneladas, sendo 1,039 milhão no primeiro ciclo, 1,250 milhão no segundo e 736,5 mil toneladas no terceiro.

“Embora o plantio da primeira safra da temporada atual tenha sido prejudicado pelo atraso das chuvas e índices pluviométricos abaixo da média para o período em algumas regiões, a estimativa é que ocorra um aumento da produção nacional em cerca de 5%, resultado do aumento da produtividade média das lavouras”, informa a Conab.

Culturas de inverno
Entre as culturas de inverno, a Companhia Nacional de Abastecimento também revisou a estimativa para cima. Passou de 6,570 milhões de toneladas para 6,737 milhões. Na principal dessas culturas, a do trigo, é prevista uma colheita de 5,277 milhões de toneladas.

O Brasil também deve produzir 933,2 mil toneladas de aveia e 426,6 mil toneladas cevada. Canola, centeio e triticale devem totalizar, juntas, 100 mil toneladas, de acordo com a Conab.

Fonte: site Globo Rural

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Newtec Filtros oferece serviços personalizados e eficiência no atendimento

Por Daniel Santos 14/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Desde 2014 a Newtec está presente no mercado, atuando, inclusive, no segmento agrícola. Nesses 15 anos, dedica-se à fabricação de filtros para máquinas de diversos tamanhos e variadas operações.

A empresa possui portfólio de produtos próprios, desenvolvidos com matérias-primas de procedência, o que ajuda a reduzir falhas e o tempo gasto com operações de reparo e manutenção dos equipamentos. São diversas soluções para filtragem de retorno, pressão, sucção e filtros de ar, entre outros equipamentos.

Os clientes da Newtec também têm à disposição um atendimento exclusivo para o desenvolvimento de elementos filtrantes de acordo com suas demandas e com as características técnicas dos equipamentos nos quais serão aplicados. Esses projetos especiais, segundo a empresa, visam gerar impactos positivos na performance e eficiência do maquinário, além de auxiliar na redução de custos com operações de manutenção. “Nosso departamento técnico atua em conjunto com uma equipe de campo, entendendo o que o cliente quer, para oferecer a solução correta e mais bem ajustada à realidade e às necessidades do mercado agrícola”, comenta Eduardo Azevedo, sócio-diretor da empresa.

A localização da fábrica, no município de Guarulhos (SP), também otimiza o atendimento, permitindo que o serviço de reposição seja realizado com mais  eficiência. A unidade possui fácil acesso a algumas das principais rodovias do estado, o que garante maior agilidade na entrega dos produtos.

- Newtec Filtros oferece serviços personalizados e eficiência no atendimento
“A Newtec busca de maneira contínua novas tecnologias e soluções mais eficientes para oferecer aos clientes um serviço de maior qualidade e com menor custo-benefício. A substituição dos filtros em tempo pré-determinado, com mais rapidez, reduz paradas inoportunas do maquinário, além de mitigar prejuízos durante as atividades no campo. Isso tudo elimina custos excessivos com manutenções preventivas ou com aquelas não previstas. Esse é o nosso objetivo: atender rapidamente, com qualidade e expertise”, explica Azevedo.

Novos negócios e produtos
A economia brasileira ainda dá poucos sinais de retomada do crescimento, porém, o atual cenário não afeta as previsões dos players agrícolas, que enxergam um ambiente favorável para os negócios, como é o caso da Newtec. “Estamos atuando no desenvolvimento de novos projetos de filtragem com algumas montadoras, tendo o segmento agrícola como um dos nossos focos. A aposta da Newtec é no crescimento deste mercado, e essa avaliação é fruto dos bons resultados que temos tido na comercialização dos nossos produtos nos últimos anos”, explica o sócio-diretor da empresa.

Para ampliar as operações e se firmar cada vezes mais no segmento, é necessário a atualização constante do portfólio, algo que a empresa vem fazendo. Recentemente, a Newtec lançou novos produtos, como o filtro de pressão que permite a montagem diretamente no bloco manifold, além de reduzir a contaminação dos dispositivos. O outro lançamento é filtro de retorno top tank, que realiza filtragem de dentro para fora. O equipamento reduz a perda de carga inicial e também diminui a possibilidade de contaminação dos componentes hidráulicos.

“Utilizamos novas tecnologias e conhecimentos em aplicações técnicas para aprimorar nossos produtos, mantendo as características de desempenho e eficiência, mas sem abrir mão de um design moderno e inovador”, finaliza Eduardo Azevedo. 

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Hydac inaugura fábrica no Brasil para expandir operações

Por Daniel Santos 14/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Uma cópia mais moderna da matriz alemã. É assim que a equipe Hydac define sua nova unidade, que entrou em operação em setembro em Indaiatuba, interior do estado de São Paulo. “Com capacidade de produção de 500 mil elementos filtrantes por turno, a nova fábrica trouxe para o Brasil a versão mais moderna do maquinário desenvolvido pela matriz na Alemanha e espera triplicar as vendas de elementos filtrantes já no primeiro ano de operação”, afirma Jody Haibara, gerente de Produção.

“O Brasil tem um potencial imenso, com um mercado agrícola em constante crescimento e necessidade de investir em infraestrutura. Esse cenário cria a demanda ideal para a ampliação do número de máquinas que dependem dos nossos componentes”, comenta Kurt Dannegger, diretor executivo da Hydac, sobre a decisão da empresa investir no Brasil.

A implantação da nova fábrica será realizada em duas fases. A primeira delas teve investimento de R$ 60 milhões para a construção da planta de fabricação das unidades de filtros e elementos, em uma área com mais de 40 mil m2, sendo 7 mil m2 de área produtiva. Por enquanto, teve início a operação de elementos filtrantes; a partir do próximo ano, começam a ser produzidos os filtros de processo, filtros de retrolavagem, filtros de linha e sistemas de filtração.

Possibilidade de customização
A nova unidade de Indaiatuba não é apenas uma fábrica de filtros hidráulicos. Ela representa o início de uma nova fase para a Hydac Brasil que poderá, a partir de agora, desenvolver soluções customizadas para seus clientes com muito mais agilidade.

“Com os equipamentos que temos agora na fábrica somos capazes de analisar as máquinas do nosso cliente, verificar se elas têm contaminação sólida ou líquida, checar a sua necessidade de filtragem, enfim, analisar tudo isso no campo e desenvolver um filtro específico para a sua máquina aqui no Brasil”, afirma Kurt.

Para auxiliar nesse desenvolvimento, a Hydac conta com laboratório e bancadas de testes. O laboratório é munido com equipamentos de medições capazes de realizar testes em elementos filtrantes e óleos hidráulicos, permitindo uma análise mais apurada das novas tecnologias desenvolvidas. A bancada CTU (Contamination Test Unit) certifica o processo de limpeza dos componentes utilizados na produção. Já as bancadas de testes de fadiga, verificam a durabilidade das carcaças e cabeçotes. “Esses testes eram todos feitos na Alemanha e demoravam muito tempo. Ganhamos agilidade”, comenta o diretor.

Outro serviço diferenciado da unidade de Indaiatuba (SP) é a calibração dos contadores de partícula. Única na América Latina, a bancada realiza a aferição dos sensores de contaminação oferecidos pela empresa, como CS1000, FCU2000, FCU 1310 e outros. A Hydac é a única fabricante que faz a calibração no Brasil, reduzindo o tempo de entrega dos componentes calibrados aos clientes.

Soluções eficientes
A Hydac conta com o mais completo portfólio de sistemas de controle destinado ao mercado agrícola. Além da linha completa de filtros (sucção, pressão e retorno), a empresa conta com blocos hidráulicos, acumuladores e trocadores de calor. “É a única empresa do mercado que consegue oferecer a solução completa para uma máquina, incluindo eletrônica, agricultura de precisão e hidráulica”, comenta Carlos Augusto de Souza, diretor-executivo. “Isso facilita para o cliente, que pode comprar todos os componentes de um único fornecedor.”

“A capacitação das equipes de produtos torna esses componentes em sistemas cada vez mais seguros, eficientes e inteligentes. Nosso foco é gerar aos clientes ganhos operacionais, maior disponibilidade de máquina e eficiência energética por meio de soluções criativas e eficientes”, afirma Juliano Liprandi, gerente do segmento Mobil.

- Hydac inaugura fábrica no Brasil para expandir operações

Diretores e colaboradores da Hydac comemoram a produção do primeiro lote de elementos na nova fábrica

A linha de filtros hidráulicos Hydac é líder mundial de vendas, sucesso replicado no Brasil por conta da grande capacidade de retenção em massa de partículas sólidas para tamanhos nominais diversos, robustez estrutural e tecnologia de ponta. “Existe uma tendência de utilização de componentes hidráulicos mais compactos e, portanto, mais vulneráveis à contaminação sólida”, diz Gabriel Souza, gerente de Produto. “A tecnologia aplicada aos nossos filtros, atrelada à eficiência de remoção, garante que os componentes não sofram desgastes prematuros ocasionados por partículas extremamente pequenas, próximas a 3 µm.”

“Com a nova fábrica, os filtros e elementos filtrantes estarão ainda mais competitivos, com maior disponibilidade e rapidez nas entregas e, ao mesmo tempo, mantendo a qualidade e garantia que somente um produto líder de mercado pode oferecer”, finaliza Carlos Augusto Souza.

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ConectarAGRO deve se tornar associação em prol da conectividade do campo

Por Daniel Santos 14/11/2019
Escrito por Daniel Santos

A solução de conectividade aberta, simples e acessível promovida pelo ConectarAGRO vem colaborando diretamente para levar internet aos campos agrícolas brasileiros. Com mais de 1,6 milhão de hectares conectados, a iniciativa agora evolui e está prestes a se tornar uma associação, formada por AGCO, Climate FieldView, CNH Industrial, Jacto, Nokia, Solinftec, TIM e Trimble. A novidade foi anunciada durante a Futurecom, maior evento de transformação digital da América Latina, que aconteceu entre os dias 28 e 31, em São Paulo (SP).

A diversidade, a competência e o interesse comum das empresas criaram um ambiente para melhor entender o problema de conectividade no campo brasileiro, através dos seus diversos ângulos, contribuindo para gerar estratégias efetivas para solucioná-lo, beneficiando o agronegócio nacional.

No final de abril deste ano, as mesmas ideias se transformaram em realidade e nasceu o ConectarAGRO, iniciativa que chegou para promover um ecossistema favorável de acesso à internet móvel nas mais diversas regiões agrícolas do País, utilizando a rede 4G na faixa de 700MHz, tecnologia global que permite a cobertura com melhor compromisso entre cobertura e capacidade.

Agora, quando os tramites jurídicos e administrativos forem finalizados, a iniciativa dará o seu próximo passo com o “nascimento” de uma associação civil sem fins lucrativos. Sem negociar nenhum produto, seu objetivo continuará sendo levar o acesso à internet no campo e fomentar políticas públicas de conectividade para o setor, além de favorecer ainda mais o surgimento de novas soluções para o agronegócio por meio das várias AgTechs que surgem nesse ecossistema.

No futuro próximo, a associação espera ampliar a sua rede por meio de novos apoiadores. Em breve, as regras de admissão de novos membros serão disponibilizadas. Outros detalhes sobre o ConectarAGRO estão também disponíveis no site www.conectaragro.com.br. Informações sobre os produtos e serviços específicos de cada empresa que apoia essa iniciativa estão disponíveis em seus respectivos sites e canais de relacionamento.

Conectando máquinas e pessoas
O ConectarAGRO promove não apenas a conexão de máquinas, mas também a de pessoas, permitindo por meio desta flexibilidade um maior aproveitamento da solução. Adicionalmente, por seguir um conceito aberto de padrão global, a solução promovida oferece ainda mais benefícios em relação às demais soluções tecnológicas disponibilizadas no mercado, que seguem conceitos fechados, que limitam seu uso e geram insegurança de investimento por parte de agricultor, dificultando sua adoção em larga escala.

Com a solução promovida, independente do segmento em que atua, o produtor rural pode usufruir, de forma completa, dos recursos disponíveis hoje de agricultura de precisão, digital e automação, além de ter acesso a uma infinidade de novos produtos e serviços habilitados com a disponibilidade da conectividade.

Dessa forma, o ConectarAGRO, promovendo a conectividade no campo, é fundamental para otimização das máquinas e da lavoura, contribuindo para que o agronegócio brasileiro dê um novo salto de produtividade e aumente ainda mais a sua competitividade no cenário internacional.

A TIM, operadora de telecomunicações associada ao ConectarAGRO, estima que o investimento para implantar a tecnologia é de até meia saca de soja por hectare – o que representa um investimento baixo frente aos benefícios que serão obtidos pelo agricultor.

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Vipal Máquinas se consolida no mercado brasileiro e internacional

Por Daniel Santos 14/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Quem está sempre ao lado de seus parceiros e conhece de perto as suas necessidades, caso da Vipal Borrachas, tem condições de criar as melhores soluções de mercado. Ainda mais quando essas soluções envolvem alta tecnologia e expertise. A Vipal Máquinas, unidade da empresa responsável por desenvolver equipamentos destinados à reforma de pneus, é um exemplo disso. Desde o início de suas operações, em 2016, a Vipal Máquinas já comercializou para os reformadores parceiros de todo o mundo 50 equipamentos. Além de empresas do Brasil, as máquinas tiveram como destino países da Oceania e América do Sul.

Líder na América Latina e uma das principais fabricantes mundiais de produtos para reforma de pneus, a Vipal vê no segmento de máquinas uma diversificação necessária para o aperfeiçoamento do seu principal mercado, o de reforma de pneus. A iniciativa faz parte da visão da companhia de focar na competitividade dos seus parceiros, distribuídos em mais de 90 países dos cinco continentes. Com unidade própria em Nova Prata (RS), Vipal Máquinas é resultado das iniciativas feitas pelo Grupo de Inovação, time multidisciplinar formado pela Vipal em 2015.

 O primeiro equipamento produzido pela Vipal Máquinas, a raspadora VR01 Smart nas versões Uno e Duo (uma e duas torres de raspagem, respectivamente), é destinada para raspagem de pneus, processo no qual se remove a parte remanescente da banda de rodagem, deixando o pneu com as dimensões corretas para ser reformado. A VOT Heavy Duty foi desenvolvida para aplicação automatizada de borracha no processo de reforma de pneus agrícolas e conta com diversas funcionalidades alinhadas com o que existe de mais moderno no mercado internacional. Já a VOC Cargo, voltada para aplicação de borracha de ligação no processo de reforma de pneus de carga, vêm em três versões de potência e busca otimizar as demandas das reformadoras e a um custo baixo.

“Estamos sempre trabalhando para melhorar o desempenho da nossa rede de clientes. Neste ano, realizamos a integração das nossas máquinas com os sistemas ERP dos clientes, agilizando os processos, melhorando os controles e a gestão do negócio. Para o próximo ano, vamos ampliar nosso portfólio de produtos para seguir atendendo as necessidades de nossos reformadores parceiros”, comenta Evandro Rossi, Gerente de Engenharia Industrial da Vipal Máquinas. 

Não apenas no Brasil, onde a Vipal Máquinas é baseada, mas também no exterior empresas estão se valendo dos benefícios dos equipamentos da marca. Desde 2017, reformadoras de outros países como Nova Zelândia, Uruguai e Argentina vêm adquirindo maquinários da Vipal. “O principal objetivo da Vipal Máquinas é levar tecnologia de ponta aos nossos parceiros, estejam onde estiverem, oferecendo a eles otimização dos recursos, seja no quesito energia, de mão de obra ou de melhoria no espaço físico”, destaca o Diretor de Negócios Internacionais da Vipal Borrachas, Leandro Rigon. “A Vipal Máquinas emprega na sua engenharia toda a capacidade técnica e tecnológica que a Vipal Borrachas soma ao longo de seus mais de 46 anos. Assim, seguiremos apostando na expansão de nosso portfólio de equipamentos e negócios no mercado global”, completa.

Segundo o Diretor Comercial e Marketing da Vipal Borrachas, Guilherme Rizzotto, “a Vipal Máquinas segue a estratégia da empresa de trazer inovações para o mercado, oferecendo sempre as melhores soluções para os nossos clientes”. Conforme Rizzotto, a empresa está em constante processo de diversificação, sobretudo em seu core-business. “Nossas ações são no sentido de aperfeiçoar aquilo que está em nosso DNA, que é a reforma de pneus. Qualificando nossos parceiros, elevamos seu nível de competitividade, valorizando o mercado como um todo”, finaliza.

14/11/2019 0 Comentários
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Manutenção

Qualidade do combustível afeta o desempenho do maquinário e a rotina de manutenção

Por Daniel Santos 06/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Por Joel Alves *

Motores de combustão interna necessitam de um produto de qualidade para realizar com eficiência a transformação térmica da energia do combustível em energia mecânica. Essa exigência cresce ainda mais no atual estágio de desenvolvimento tecnológico de controle e monitoramento dos elementos da combustão, em que temos sistemas eletrônicos com alta precisão de dados. Por isso, cabe questionar: o combustível disponível no Brasil possui a qualidade requerida? Resposta categórica: não! O produto oferecido ao usuário brasileiro é de qualidade vergonhosa. Vejamos a situação encontrada na realidade rural e, mais especificamente, a do óleo diesel, de ampla e predominante aplicação no maquinário agrícola.

O que temos na realidade agrária em relação a abastecimento, armazenagem e distribuição de diesel? Como esse combustível afeta o desempenho dos motores diesel?

O sistema de alimentação de combustível dos motores diesel é composto, basicamente, pelo tanque, bomba de baixa pressão, bomba injetora (alta pressão), bicos injetores, filtros e tubulações. É um conjunto de peças que faz com que o combustível saia do tanque e chegue ao bico injetor no momento correto, para desencadear a combustão, trabalhando com alta precisão mecânica e/ou eletrônica (nos motores atuais).

O pleno desempenho do motor está diretamente relacionado ao correto funcionamento desse sistema. Para tal, exige-se manutenção adequada e combustível de boa qualidade. Mas o que acontece se não for de boa qualidade? A manutenção padece e a preventiva não vai ser suficiente, pois podem ocorrer panes inesperadas e custos adicionais significativos.

Os componentes internos de bombas e bicos injetores são peças que trabalham com ajustes em milésimos de milímetros, de alta precisão, e necessitam serem lubrificadas pelo próprio óleo diesel, que, além de combustível, deve ter características de lubrificante. Quando essa exigência não é atendida corretamente os desgastes prematuros são evidentes. O que vem acontecendo na prática no uso de máquinas agrícolas propulsionadas por motor diesel é a necessidade de manutenção corretivas nos elementos de bomba e bicos injetores mais frequentes do que deveria.

Advento do biodiesel
Em muitos locais de armazenagem de combustível no meio rural verificamos que, com advento da adição de biodiesel no diesel mineral, ocorre uma sedimentação nos reservatórios. Na parte inferior se encontra uma borra gelatinosa e na superior do reservatório um líquido de coloração mais clara e mais fluida. Algo diferente do que no momento do recebimento, ou seja, ao longo da armazenagem houve alteração das características do produto. Essa situação é agravada em períodos frios e úmidos, o que tem levado produtores a adicionar certos aditivos, visando amenizar em parte a degradação observada.

O problema é que não se sabe se tais produtos afetam os componentes. Os fabricantes de sistemas de injeção, certamente, não recomendam a adoção de tais aditivos, dado que orientam, apenas, o uso de diesel de boa qualidade. As informações possíveis que se tem sobre esses aditivos é que na formulação possuem algum biocida combinado com dispersante de umidade.

Estamos diante de uma situação bastante embaraçosa, pois não há alternativas, visto que o fabricante é único e as distribuidoras não têm muito que fazer para melhorar o produto. Em alguns casos, contribuem para piorar a situação a falta de estrutura e de um sistema de logística confiável e seguro. E o entregador final (TRR – transportador revendedor retalhista) também interage em toda essa sequência de atropelos e devaneios desde a origem até o consumidor final.

Haja paciência e serenidade do produtor rural diante de tanto desmandos e falta qualificação no fornecimento de óleo diesel. Talvez fosse até mais vantajoso produzir álcool ou gás metano na propriedade e utilizar motorização ciclo Otto, para reduzir problemas e custos. No oeste do Paraná há um projeto-piloto em teste com tratores agrícolas de propulsão a metano. Esperamos que apresente resultados positivos e que eles sejam disponibilizados aos demais produtores. 

Questões ambientais
Outro aspecto importante a destacar nesse emaranhado todo é a questão da combustão e dos resíduos que dela surgem. Evidentemente, quando o combustível não possui as qualidades indicadas, a combustão não será correta e todo controle para melhorar o processo fica prejudicado, aumentando os resíduos e afetando o meio ambiente. Além da perda de potência do motor, temos aumento da carbonização nos pistões e anéis, e também nas válvulas do motor e suas sedes. Isso, além de diminuir a vida útil, pode levar à ruptura e até a danos irreparáveis, com substituição de peças e serviços de retífica prematuramente, o que significa gastos bastante elevados. O fato é que combustível inadequado carboniza rapidamente, ainda mais em motores com monitoramento eletrônico.

O controle de poluição ambiental apresenta normas cada vez mais rígidas, mas o diesel oferecido não consegue atingir o desempenho esperado, o que tem levado fabricantes de motores a recorrerem a dispositivos auxiliares de controle. Dois recursos são os mais adotados atualmente: a adição de um produto junto aos gases de escapamento (identificado com “arla 32”) ou, dependendo do fabricante, a combinação deste com uma válvula entre os gases de escapamento e o ar de admissão (identificada como EGR – Exhaust Gas Recirculation). Quaisquer dos dois dispositivos são compostos por peças sujeitas a desgastes e, portanto, dependentes de manutenção, compondo mais itens e mais opções de falhas e panes.

A válvula EGR é muito suscetível a panes, pois trabalha em contato direto com os gases carregados de resíduos decorrentes do combustível, o que acarreta travamentos, fazendo com que os gases recirculem de forma permanente para o coletor de admissão, aumentando o consumo e levando à perda de potência e carbonização de peças. Na verdade, essa válvula é o “ressuscitar” de uma distante aplicação em motores aeronáuticos. O “arla 32” requer um sistema auxiliar de peças e sensores eletrônicos e monitoramento por diagnósticos, acarretando mais custos à rotina de manutenção. E pensar que tudo isso poderia ser evitado se o combustível fosse de boa qualidade!

Fim de uma Era
Estamos diante dos últimos suspiros de uma Era que deveria fazer parte do passado da humanidade: os motores de combustão. Novas tecnologias, há muito, deveriam estar presentes em nossa realidade, o que não acontece pela cobiça descabida do segmento petrolífero em buscar manter, até as últimas gotas, o “ouro preto”, mesmo a um custo econômico e ambiental elevado. Motores elétricos, hidráulicos, pneumáticos e tantas outras formas de energia já deveriam estar incorporadas à nossa realidade há algumas décadas.

Claro que os motores de combustão interna, e, principalmente, os motores diesel, também participam desse universo energético, mas não com exclusividade, e dentro da sua especificação energética, qual seja, onde não é possível outra alternativa.  Em resumo: cada forma de energia na sua e todas convivendo em harmonia. Talvez um dia chegaremos a esse nível, quando então poderemos apontar uma solução para os problemas que atualmente afligem toda a ciranda do refino e distribuição do óleo diesel. No atual cenário, não é possível visualizar melhoria, agravada ainda mais por toda a triste realidade conjuntural brasileira. Como diria o historiador Capistrano de Abreu: “austera e vil tristeza.”

Realidade do campo
O que encontramos no dia a dia das pessoas que trabalham com máquinas e motores agrícolas? Respondo com fatos observados no momento em que elaboro o presente texto, na propriedade onde estou ministrando treinamento para as equipes de operação e manutenção. O proprietário construiu instalações novas para armazenagem e abastecimento de óleo diesel e, mesmo assim, continua tendo problemas com resíduos e sedimentações no produto. Ele acrescenta aditivos químicos de alto custo e, ainda, continua tendo problemas. Em períodos de frio e umidade há uma constante insatisfação dos usuários em relação ao produto. Destaco: nos últimos dois anos, tenho observado um contínuo descontentamento no setor agrário. É um reclame geral quanto à qualidade do diesel. Faz-se urgente solução.

Enquanto isso… vai-se encurtando as horas da manutenção preventiva e aprendendo a conviver com a corretiva dos elementos de bomba e bico, antes que os danos atinjam outros componentes básicos dos motores – estes, sim, com custos mais elevados.

A indignação expressa de um funcionário sintetiza muito bem: “isto é uma barbaridade, estamos num mato fechado e sem cachorro”. Paga-se um preço elevado pelo produto, não se tem qualidade e ainda se faz necessário recorrer a aditivos e, mesmo assim, os problemas continuam. Outro dia, em tom de brincadeira um aluno do curso de manutenção preventiva sentenciou: “mas as oficinas e as autopeças também precisam sobreviver.”   

Perspectivas
Biodiesel, biocidas, dispersantes, óleo diesel (com enxofre ou sem enxofre?), diesel metropolitano, diesel aditivado, diesel inverno, são muitas as opções, mas nenhuma solução. A questão do enxofre do diesel é outra polêmica histórica, na qual entram a preservação do meio ambiente e também as estruturas metálicas da construção civil, pois os resíduos em contato com a umidade do ar transformam-se em solução ácida, o que afeta a atmosfera e os metais. A quantidade de enxofre no diesel deve estar controlada no diesel S10 em 10 ppm (partículas por milhão), porém a adição do biodiesel agravou o surgimento de microrganismo sedimentados no fundo dos reservatórios.

De fato, é uma espiral de problemas que gera um efeito em cascata altamente prejudicial a todos, pois soluções definitivas ainda estão longe. Esperamos que novas alternativas logo se façam presentes e o mundo das tecnologias simples assumam posições definitivas em motores e máquinas.

Joel Sebastião Alves Instrutor de Operação e Manutenção de Máquinas e Implementos Agrícolas e Rodoviários .*

06/11/2019 0 Comentários
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Manutenção

Custo da falta de manutenção preventiva no momento certo

Por Daniel Santos 06/11/2019
Escrito por Daniel Santos

Por Joel S. Alves *

Muitos cálculos e teorias já foram experimentados tentando-se definir o custo de uma correta manutenção do maquinário agrícola. Manuais de administração financeira e trabalhos de conclusão de curso voltados ao agronegócio estão repletos de orientações sobre o tema, porém, ainda é acentuada a distância entre teoria e prática. Todos sabem que há um custo, o problema é defini-lo com exatidão. E ainda há mais: quando os valores não são considerados e, sobretudo, quando a manutenção não é realizada, os custos aparecem e aumentam exponencialmente.

Dada a dificuldade exposta, buscaremos mensurar o custo de não fazer a manutenção, considerando a prática recomendada e o que acontece quando ela é ignorada. Adotemos como referência um trator agrícola médio, de 140cv. Analisemos alguns itens de manutenção preventiva, conforme segue:

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Motor – Troca do óleo lubrificante e filtro, substituição dos filtros de combustível, verificação e limpeza do filtro de ar, condições e limpeza do sistema de arrefecimento.
– Transmissão – Verificação do óleo do conjunto, condições do sistema de embreagem, verificação do óleo dos redutores, limpeza dos suspiros.
– Sistema hidráulico – Verificação do óleo, limpeza das hastes dos cilindros, ajustes do dispositivo de três pontos.

Intervenções no motor
A troca do óleo lubrificante e do filtro de um motor diesel de 140cv equivale a cerca de R$400. Ao não fazer a troca ou adiá-la depois de muitas horas de funcionamento, o que pode acontecer? Antes disso, vejamos: o óleo lubrificante é contaminado pelos resíduos após a queima da mistura inflamável. Nesse caso, portanto, sofre influência das condições em que a combustão é realizada, como motor frio ou superaquecido, qualidade do combustível, condições do ar e do local onde a máquina está operando, além das condições dos componentes dos sistemas de alimentação de combustível e ar. Muitas variáveis influenciam a qualidade da combustão, gerando maior ou menor quantidade de resíduos. O refugo é absorvido pelo lubrificante (quanto melhor sua qualidade melhor a absorção). Porém, em determinado momento o lubrificante fica saturado, exigindo substituição de óleo e filtro.

Quando a troca não é realizada, os resíduos se acumulam, gerando impactos negativos. Primeiramente, nas caneletas dos pistões, onde estão os anéis de segmento (de compressão e de lubrificação). Problema: dificuldade na lubrificação dos cilindros do motor, ocasionando desgaste prematuro. À medida que os resíduos aumentam, pode ocorrer até travamento dos anéis e acentuar desgastes, com perda de potência, maior consumo e mais aumento de resíduos, criando um efeito cascata.

Outro local que acumula resíduos é a cabeça dos pistões, fazendo surgir uma crosta de carvão que reage com o material de fabricação do pistão, modificando a sua configuração e o seu formato. Quando atinge valores elevados pode alterar a relação de compressão do motor, ocasionando vibrações e até rupturas e trincas de peças. O acúmulo de resíduos também atinge válvulas e suas sedes, chegando o travamento de válvulas ou a incorreta vedação, fazendo com o motor perca potência.

Outros problemas podem acontecer em decorrência de o óleo não apresentar mais a característica de lubrificação, atingindo os mancais de virabrequim e das bielas, fazendo os custos dispararem.

Para fazer a conta corretamente, todas as possibilidades devem ser consideradas. Assim, torna-se fácil perceber a diferença de custos. Por exemplo: troca de anéis, brunimento dos cilindros, serviços de válvulas e cabeçote – é o que as oficinas chamam de “fazer a parte de cima do motor”. Em cifras, deve situar-se acima de dez vezes mais que a troca de óleo e filtro. Isso se o proprietário dispuser de local próprio e funcionário para auxiliar.

O cálculo também depende da marca e do modelo do trator e da disponibilidade de peças. A conta pode ficar maior se for necessária a reforma completa do motor, o que pode acontecer se as intervenções preventivas forem ignoradas.

Manutenção dos filtros de combustível e de ar. Quanto custa? Esse item varia muito conforme marca e modelo. Pela média, o valor é de R$300. É um serviço que requer pessoal treinado, pois o sistema de alimentação de combustível não tolera ar em tubulações e conexões. Ao substituir filtros é necessário cautela e conhecimento para não deixar dispositivos com entrada de ar adicional. A limpeza ou substituição do filtro de ar também demanda procedimentos adequados para evitar entrada de sujeiras e contaminantes externos.

Ar e combustível formam a essência da combustão. Quando contaminados, desencadeiam combustão de péssima qualidade, muitos resíduos e pouca energia térmica, ou seja, motor menos potência. E o mais grave: problemas nos elementos mecânicos da bomba e bicos injetores, componentes que trabalham com ajustes de milésimos de milímetros.

No tocante ao filtro de ar, é importante destacar que resíduos decorrentes de poeiras são altamente abrasivos e geram desgastes prematuros nos cilindros do motor. Quanto custa não reparar tais itens? Serviços de bomba e bicos injetores são altamente especializados e necessitam de bancadas de testes e pessoal com qualificação, além de as peças de reposição terem preços elevados. É um serviço complicado de quantificar, pois varia muito de região,  mas, no mínimo, R$2 mil. Comparados com os R$300 da preventiva, vai uma boa diferença!

- Custo da falta de manutenção preventiva no momento certo

Sistema de arrefecimento: limpeza e verificação das condições. A intervenção deve ser feita com periodicidade curta e regularmente, porém apresenta baixo custo, pois requer apenas tempo do funcionário (o mesmo da operação, mas treinado). O importante é realizá-la, para evitar surpresas. Quais? Superaquecimento do motor e até queima de juntas e problemas no cabeçote, podendo chegar a um processo de fundição.

Também podem ocorrer danos ao radiador, mangueiras, válvula termostática, excesso de contaminação do líquido de arrefecimento, com perdas de rendimento e parada do motor. Quantificando apenas os serviços e peças do sistema (válvulas, mangueiras e líquido de arrefecimento) chegamos a algo em torno de R$300. Com a preventiva esse custo seria evitado! Agora, acrescentemos os custos de problemas maiores no caso de superaquecimento, que provavelmente passam de R$1 mil.

A diferença entre manter ou não o motor em dia é de milhares de reais. Do ponto de vista financeiro o que é melhor: fazer ou não? Sinceramente, não consigo entender quando alguém opta por não fazer.

Sistema de transmissão
O conjunto da transmissão envolve os componentes desde o motor até as rodas e a tomada de força. São conjuntos mecânicos compostos por eixos, engrenagens, rolamentos e dispositivos de acoplamentos. A essência da manutenção desses componentes chama-se lubrificação. Óleo e filtro do sistema formam a manutenção principal. Custo: R$500, no caso de um trator médio, incluindo troca de óleo dos redutores e limpeza dos suspiros.

Se o procedimento for ignorado, o desgaste de componentes é o primeiro efeito, embora não imediato, pois são peças resistentes e que suportam condições de pouca lubrificação, mas desgastes e folgas levarão a rupturas e a consequente falha de funcionamento.

Entre os itens críticos estão os redutores de cubos de rodas, que trabalham com esforço torcional elevado e pequena quantia de lubrificante. O período de troca neste caso é menor.

Ainda assim, nos defrontamos frequentemente com serviços não executados e folgas e ruídos aumentando… E ouvimos: “vai tocando, enquanto dá. Se quebrar a gente vê o que faz”. Máquina parada no meio da lavoura é prejuízo certo. Quanto vai sair esse estrago? Tudo depende de onde quebrou. Foi no redutor de cubo? Ainda bem, pois é mais rápido e pode ser feito no local. Foi na caixa de marchas ou no diferencial? Aí é problema graúdo. O custo é quantas vezes maior do que a simples troca de óleo e filtro? Vai longe. Lá se vai uma parte grande da safra…

Sistema de hidráulico
Sistema hidráulico e dispositivo de três pontos: lubrificação dos pontos com graxas, verificação das regulagens e ajustes de folgas nos braços e tirantes do acoplamento, óleo e filtro do sistema. É um custo baixo, mas que demanda tempo. Em muitos casos, o próprio operador pode executar, desde que treinado e com ferramental e material – e, claro, tempo para executar os serviços, que é um custo. Quando não é feito? Desgaste prematuro no dispositivo de acoplamento, podendo acarretar quebra ou rupturas, levando a substituição de peças. Qual valor? Às vezes, é possível recondicionar com custo baixo, mas, no caso de substituição, o custo não fica abaixo de R$300, isso se não afetar a haste do cilindro hidráulico.

Encerrando a conta: é fácil perceber a diferença de quanto custa fazer ou não fazer a manutenção do maquinário. Vão alguns milhares de reais em perdas. É preciso planejar para executar os serviços de forma correta e racionalizando as operações. Fazer ou não fazer? Não é apenas uma questão. E sim uma opção de planejamento estratégico do administrador rural, focado nos resultados com preservação do maquinário e sustentabilidade da propriedade e do negócio.

Joel S. Alves é instrutor de operação e manutenção de máquinas e implementos agrícolas e rodoviários. *

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06/11/2019 0 Comentários
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Notícias

Edição 54º

Por redação 29/10/2019
Escrito por redação

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