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Moagem de cana no Centro-Sul atinge 601 milhões de toneladas, queda de 2,22%
Mercado

Superávit do agro paulista registra US$ 12,16 bilhões de janeiro a julho de 2026

Por Redação 12/08/2026
Escrito por Redação

Superávit do agro paulista registra US$ 12,16 bilhões de janeiro a julho de 2026

Nos primeiros sete meses de 2026, o agronegócio paulista registrou superávit de US$ 12,16 bilhões. Esse resultado foi impulsionado por exportações que somaram US$ 15,63 bilhões, frente a importações de US$ 3,47 bilhões. No período, o setor respondeu por 37,2% do total das exportações do estado, enquanto as importações do agronegócio representaram 6,6% do total estadual.

O diretor da APTA, Carlos Nabil, mostra que os resultados da balança comercial do agro paulista evidenciam a diversidade da pauta exportadora do estado. “O desempenho dos diferentes grupos de produtos reflete tanto as condições do mercado internacional quanto a dinâmica da produção e da demanda em cada cadeia” , afirma.

Principais produtos

O complexo sucroalcooleiro foi responsável por 23,6% do total exportado pelo agro paulista, totalizando US$3,68 bilhões. Deste total, o açúcar representou 94,3% e o álcool etílico, etanol, 5,7%. O setor de carnes veio logo em seguida com 17,2% das vendas externas do setor, totalizando US$2,68 bilhões, com a carne bovina respondendo por 83,7%.

O complexo soja teve participação de 13,9% do total exportado, registrando US$2,17 bilhões, 82,6% referentes à soja em grãos e 11,5% de farelo de soja. Produtos florestais representaram 12,3% do valor exportado, com US$1,91 bilhão, com 62,5% de celulose e 30,7% de papel.

Os sucos responderam por 7,0% de participação, somando US$1,09 bilhão, dos quais 96,1% são referentes ao suco de laranja. Esses cinco grupos representaram, em conjunto, 79,7% das exportações do agronegócio paulista. O café ocupa a sexta posição, com 5,7% de participação na pauta de exportações, somando US$893,75 milhões, 64% referentes ao café verde e 30,7% de café solúvel.

As variações nos valores exportados, em comparação com o mesmo período do ano passado, apontaram aumentos nas vendas dos grupos de soja (+20,2%), carnes (+16,3%) e produtos florestais (+8,2%), além de quedas nos grupos de sucos (-40,0%), sucroalcooleiro (-20,7%) e café (-19,0%).

Principais destinos

A China segue sendo o principal destino das exportações, com 27,5% de participação, adquirindo principalmente produtos do complexo soja, carnes, florestais e produtos do setor sucroalcooleiro. A União Europeia aparece em seguida, com 14,1% de participação, enquanto os Estados Unidos responderam por 10%.

No cenário nacional, o agronegócio paulista ocupa o segundo lugar no ranking de exportações, com 15,1% de participação, logo atrás de Mato Grosso (20,4%).

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Café arábica: colheita evolui para 74% na região da Expocacer
Mercado

Exportação de café do Brasil sobe 9,9% em julho, para 3 milhões de sacas

Por Redação 12/08/2026
Escrito por Redação

Exportação de café do Brasil sobe 9,9% em julho, para 3 milhões de sacas

De acordo com o relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 3,030 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto em julho, primeiro mês do ano-safra 2026/27, volume que implica alta de 9,9% em relação ao mesmo mês do ciclo anterior. A receita cambial, contudo, recuou 13,2% no mesmo intervalo comparativo, saindo de US$ 1,042 bilhão para os atuais US$ 903, 9 milhões.

Com o desempenho em julho, as exportações de café do Brasil chegaram a 20,897 milhões de sacas no acumulado dos sete primeiros meses deste ano, rendendo US$ 7,449 bilhões nas transações comerciais ao país. Na comparação com o intervalo entre janeiro e julho de 2025, há quedas de 5,9% em volume e de 13,1% em receita.

O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, comenta que o atraso na colheita e a continuidade dos gargalos logísticos nos portos brasileiros e seus entornos fizeram com que o volume de exportação de café do Brasil não avançasse como o esperado em julho.

“Aguardávamos uma evolução expressiva nos embarques no mês passado, principalmente com a chegada do café arábica, mas a ocorrência de chuvas em importantes regiões produtoras dessa variedade retardou os trabalhos de colheita, impactando as exportações. Além disso, a infraestrutura defasada nos principais portos de exportação do país seguem gerando dificuldade para as cargas conseguirem embarque, gerando milhões de reais em prejuízos aos exportadores com custos extras por causa de armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions”, explica.

Ferreira acredita que os embarques devem ganhar maior ritmo a partir da segunda quinzena de agosto, com o avanço da colheita de arábica no Brasil, possibilitando que o país atinja um bom volume no acumulado ao final do ano.

“A expectativa é que alcancemos um bom nível exportado nos 12 meses de 2026, mas isso não deve ser visto de imediato, já que, com os produtores capitalizados devido aos bons preços nas safras recentes, o fluxo de café deve se manter cadenciado, com os cafeicultores aproveitando os momentos de alta para vender e, eventualmente, saindo do mercado nas baixas. Ainda assim, entendo como possível uma recuperação ante 2025”, projeta.

Outro ponto que deve favorecer o crescimento das exportações é uma virtual retomada de importações substanciais por parte dos Estados Unidos, que, até o momento, têm queda de mais de 30% nas aquisições neste ano.

“O trabalho que o Cecafé realizou, em parceria com (Associação Brasileira da Indústria de Café) Abic, (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) Abics e a National Coffee Association (NCA) permitiu a retirada das tarifas americanas sobre todos os cafés brasileiros. Considerando que a vigência do tarifaço começou em agosto passado, a não existência dessas tarifas a partir deste mês deve estimular o avanço das exportações ao nosso principal mercado importador”, estima.

Em relação à queda na receita cambial, o presidente do Cecafé conclui que ela reflete, além do volume inferior de café remetido ao exterior, o menor preço médio por embarque, que é US$ 356,45 por saca nos sete primeiros meses de 2026, valor 7,7% aquém dos US$ 386,26 por saca registrado no mesmo intervalo do ano passado.

Destinos

Os Estados Unidos figuram como o principal importador dos cafés do Brasil no acumulado dos sete primeiros meses de 2026, com a aquisição de 2,590 milhões de sacas, montante que representa 12,4% dos embarques totais no período, mesmo significando um recuo de 30,5% ante mesmo intervalo em 2025.

A Alemanha ocupa a segunda posição, com 2,426 milhões de sacas – 11,6% do total –, o que implica queda de 8,9% frente aos sete primeiros meses do ano passado. Na sequência aparecem Itália, com 1,881 milhão de sacas e alta de 8,3%; Bélgica, com 1,577 milhão de sacas e incremento de 14,4%; e Japão, fechando o top 5 com 1,114 milhão de sacas e queda de 23,6%.

Tipos de café

O café arábica, com 14,987 milhões de sacas, é o tipo mais exportado pelo Brasil de janeiro ao fim de julho de 2026. Esse montante equivale a 71,7% do total, mesmo representando declínio de 16,6% na comparação com o primeiro setimestre do ano passado.

A espécie canéfora (conilon + robusta) vem na sequência, com o embarque de 3,387 milhões de sacas (16,2% do total), apresentando substancial crescimento de 73,5% em relação ao remetido ao exterior nos sete primeiros meses de 2025.

O segmento do café solúvel, com 2,486 milhões de sacas (11,9% do geral) e o setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 36.456 sacas (0,2%) completam a lista.

Cafés especiais

Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais respondem por 16,7% das exportações totais brasileiras entre janeiro e o fim de julho de 2026, com o envio de 3,498 milhões de sacas ao exterior, volume que significa recuo de 26,5% ante o registrado no mesmo intervalo de 2025.

A um preço médio de US$ 419, 57 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 1,468 bilhão, o que corresponde a 19,7% do obtido com todos os embarques de café no primeiro setimestre de 2026. No comparativo anual, o valor é 27,6% inferior ao apurado entre janeiro e julho do ano passado.

OS EUA também lideram o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 464.885 sacas, o equivalente a 13,3% do total desse tipo de produto exportado.

Fechando o top 5, aparecem Alemanha, com 390.478 sacas e representatividade de 11,2%; Bélgica, com 378.900 sacas (10,8%); Itália, com 357.109 sacas (10,2%); e Suécia, com 203.959 sacas (5,8%).

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Feiras & EventosFenasucro & Agrocana

Fenasucro começa nesta terça com expectativa de gerar R$ 13 bi em negócios

Por Redação 11/08/2026
Escrito por Redação

Fenasucro começa nesta terça com expectativa de gerar R$ 13 bi em negócios

A 32ª Fenasucro & Agrocana começa nesta terça-feira, dia 11, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP), com expectativa de movimentar R$ 13 bilhões em negócios. Maior feira do mundo voltada exclusivamente à cadeia da bioenergia, segue até sexta-feira, dia 14, e reunirá empresas, compradores, investidores, especialistas e representantes do setor produtivo do Brasil e do exterior.

A cerimônia de abertura oficial ocorre às 15h e terá a presença de Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana; Hugo Cagno Filho, presidente de honra da edição e presidente da UDOP; Antônio Eduardo Tonielo, presidente emérito da Fenasucro & Agrocana; Rosana Amadeu, presidente do CEISE Br; Zezinho Gimenes, prefeito de Sertãozinho; Ricardo Silva, prefeito de Ribeirão Preto; entre outras autoridades.

“Chegamos à abertura da 32ª edição, que amplia a presença internacional da Fenasucro & Agrocana e reúne uma programação conectada às demandas atuais da cadeia. São quatro dias para aproximar empresas, compradores e investidores e apresentar tecnologias voltadas à eficiência produtiva, redução de custos, sustentabilidade e novas oportunidades para a bioeconomia brasileira”, afirma Montabone.

Congresso internacional

A agenda internacional começou nesta segunda-feira (10), em Ribeirão Preto, com a abertura do 13º Congresso Latino-Americano da ATALAC – “José Paulo Stupiello”. Realizado pela primeira vez no Brasil, o encontro segue até sexta-feira, dia 14, reunindo profissionais, pesquisadores, empresas e instituições da América Latina e do Caribe para o intercâmbio de conhecimento e experiências sobre a cadeia bioenergética.

A programação de abertura contou com três palestras magnas. Plínio Nastari, da Datagro, falou sobre a diversificação como estratégia para aumento da renda, segurança e sustentabilidade. Glaucia Mendes Souza, professora da Universidade de São Paulo (USP), abordou a contribuição do etanol de cana-de-açúcar brasileiro para a mitigação das mudanças climáticas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Já Chris Meniw apresentou a palestra “A 6ª revolução industrial”.

Promovido pela STAB, CEISE Br e Fenasucro & Agrocana, o ATALAC integra a estratégia de internacionalização desta edição, com uma programação voltada às discussões sobre o futuro da bioenergia e aproximação das delegações internacionais com as tecnologias apresentadas na feira.

FenaBio

Outro destaque será a 2ª edição da FenaBio, realizada nos dias 12 e 13 de agosto. A conferência reunirá especialistas e executivos para discutir temas como biogás, combustível sustentável de aviação (SAF), etanol, bioeletricidade, distribuição de energia e novos mercados para a bioenergia.

Negócios e tecnologia

Em uma área superior a 100 mil metros quadrados, a Fenasucro & Agrocana terá mais de 600 marcas expositoras, cerca de 3 mil produtos nacionais e internacionais e mais de 100 horas de conteúdo. A expectativa é receber visitantes de mais de 80 países e representantes de 100% das usinas brasileiras, conectando fornecedores, compradores e profissionais de diferentes elos da cadeia.

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Mercado

Inflação cai pelo quarto mês seguido e acumulado no ano fica dentro da meta

Por Redação 11/08/2026
Escrito por Redação

Inflação cai pelo quarto mês seguido e acumulado no ano fica dentro da metaInflação cai pelo quarto mês seguido e acumulado no ano fica dentro da meta

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho foi de 0,07%, 0,09 ponto percentual (p.p.) abaixo do 0,16% registrado em junho. No ano, o IPCA acumula alta de 3,44% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,44%, abaixo do teto da meta do Banco Central, que é de 3% de inflação ao ano, podendo variar entre 1,5% e 4,5%. Em julho de 2025, a variação havia sido de 0,26%.

Foi o quarto mês seguido de queda da inflação. Em março de 2026, inflação foi de 0,88%, com reduções em abril (0,67%), maio (0,58%), junho (0,16%) e julho (0,07%).

Alimentação e bebidas caiu 0,67% no mês, com -0,14 p.p. de impacto. Os demais grupos variaram entre -0,66% em Vestuário, 0,99% em Habitação, e 0,40% em Saúde e cuidados pessoais.

Alimentação e bebidas recuou 0,67% por influência da alimentação no domicílio (-1,14%). As principais quedas foram no tomate (-29,09%), principal impacto negativo (-0,10 p.p.) no resultado do mês, batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%). No lado das altas, destaque para leite longa vida (2,47%) e frutas (1,20%). A alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho, com o lanche saindo de 0,13% para 0,76%, e a refeição de 0,15% para 0,42%, no mesmo período.

A variação de Transportes (0,05%) reflete, além da alta de 11,67% das passagens aéreas, o recuo de 1,44% nos combustíveis, com todos em queda: etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

O grupo Habitação acelerou de junho (0,63%) para julho (0,99%), puxado pela alta da energia elétrica residencial, que saiu de 1,53% para 3,09%, e exerceu o principal impacto individual no mês (0,13 p.p.). Esse resultado contempla os seguintes reajustes tarifários: 8,85% em uma das concessionárias em São Paulo (7,55%), a partir de 04 de julho; 14,89% em uma das concessionárias em Porto Alegre (0,32%), a partir de 19 de junho e 19,55% em Curitiba (12,15%), vigente desde 24 de junho. Em julho, permanece vigente a bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos.

Ainda em Habitação, destaque também para taxa de água e esgoto (0,40%), que reflete os reajustes de 3,57% em Salvador (1,31%), a partir de 20 de julho; 5,77% em Porto Alegre (2,85%), a partir de 1º de julho e 3,97% em Brasília (0,24%) e 6,00% em Rio Branco (0,37%), ambos vigentes desde 1º de junho. A redução de 0,04% no gás encanado se deu devido à redução média de 2,00% nas tarifas no Rio de Janeiro (-0,12%), vigente desde 1º de junho.

No grupo Saúde e cuidados pessoais (0,40%), sobressaem os artigos de higiene pessoal (0,64%), com destaque para perfume (1,04%), e o plano de saúde (0,42%), cuja variação reflete os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para os planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o percentual é de até 5,11%, com vigência a partir de maio de 2026 e cujo ciclo se encerra em abril de 2027. Para os planos contratados antes da Lei nº 9.656/98, os percentuais autorizados foram de 5,52% e 6,20%, a depender do plano.

Em relação aos índices regionais, a maior variação (0,32%) ocorreu em Rio Branco, por influência de passagem aérea (12,27%) e energia elétrica residencial (2,66%). Já a menor variação ocorreu em Belém (-0,45%), por conta dos recuos da gasolina (-3,42%) e do açaí (-14,24%).

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte. A pesquisa abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília. Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 01 de julho de 2026 a 30 de julho de 2026 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de maio de 2026 a 30 de junho de 2026 (base).

INPC fica em -0,01% em julho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou -0,01% em julho, 0,15 p.p. abaixo de junho (0,14%). O INPC acumula alta de 3,50% no ano e de 4,10% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,33% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2025, a taxa foi de 0,21%.

Produtos alimentícios saíram de -0,29% em junho para -0,74% em julho. Já a variação dos não alimentícios passou de 0,28% em junho para 0,23% em julho.

Quanto aos índices regionais, a maior variação ocorreu em São Paulo (0,28%), influenciada pelas altas da energia elétrica residencial (7,60%) e conserto de automóvel (2,61%). A menor variação ocorreu em Belém (-0,49%), por conta dos recuos da gasolina (-3,42%) e açaí (-14,24%).

 

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Congresso da ABAG debate sustentabilidade, crédito e planejamento de longo prazo
Feiras & Eventos

Congresso da Abag debate sustentabilidade, crédito e planejamento de longo prazo

Por Redação 11/08/2026
Escrito por Redação

Congresso da ABAG debate sustentabilidade, crédito e planejamento de longo prazo

O 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), abordou assuntos estratégicos voltados ao desenvolvimento econômico e à inserção do Brasil no comércio internacional. O evento reuniu lideranças do setor, especialistas e representantes públicos para debater as diretrizes e os desafios da produção agropecuária no país. 

Entre os temas inseridos na programação do evento, destacaram-se a negociação de acordos internacionais, o panorama do comércio exterior e a adoção de práticas de sustentabilidade nas cadeias produtivas.

O presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, que tem defendido um Plano Brasil — conjunto de medidas de planejamento e investimento de longo prazo ao setor — como o apresentado hoje durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, parabenizou a organização por colocar este tema como destaque.

“O acompanhamento das demandas globais exige investimentos contínuos na capacitação do produtor rural, no acesso a inovações tecnológicas e na busca por estabilidade jurídica. A oferta de planejamento e previsibilidade a quem produz é um fator fundamental para garantir a eficiência da produção e a segurança alimentar. O Plano Safra anual como vem sendo feito é ineficaz para o setor produtivo.”

Ingo Plöger, presidente da ABAG, disse durante a abertura oficial do Congresso irá enviar aos candidatos à Presidência da República um plano estratégico para o setor, que foi construído com base em uma análise de mais de 80 fatores considerados prioritários ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro, construindo assim uma agenda de longo prazo. Ao final de sua exposição entregou cópia do documento ao vice-presidente Geraldo Alckmin.

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Tecnologia

Manutenção antecipada reduz riscos de paradas durante a safra

Por Redação 11/08/2026
Escrito por Redação

Manutenção antecipada reduz riscos de paradas durante a safra

Com a aproximação de uma nova safra, a manutenção preventiva das máquinas agrícolas ganha importância no planejamento. As inspeções realizadas durante a entressafra permitem avaliar as condições de tratores, plantadeiras, pulverizadores e colheitadeiras antes do início das atividades no campo.

“A revisão pré-safra dá ao produtor algo que ele quase nunca tem durante a operação: tempo para decidir. Quando um desgaste é identificado com a máquina parada na fazenda ou na concessionária, ainda é possível planejar a compra de peças, reservar mão de obra, organizar o transporte e testar o equipamento depois do reparo”, explica Vinícius Oliveira, gerente de Marketing de Serviços AGCO América Latina.

A manutenção preventiva reduz a exposição a paradas não programadas. Um rolamento aquecendo, uma mangueira ressecada, um filtro restrito ou uma bateria enfraquecida costumam ser problemas simples quando encontrados cedo. Se forem ignorados, podem provocar danos em outros componentes e transformar uma intervenção de rotina em uma parada longa e cara.

Revisão deve considerar cada tipo de máquina

A inspeção começa por uma base comum a todos os equipamentos: motor, combustível, lubrificação, arrefecimento, filtros, transmissão, sistema hidráulico, elétrica, bateria, pneus ou rodados, freios, direção, vazamentos, proteções e códigos de falha. Depois, a avaliação precisa considerar a função de cada máquina.

Nos tratores, a revisão inclui transmissão e embreagem, tomada de potência, levante, comandos hidráulicos, direção, freios, pneus, lastro, engates e comunicação com o implemento. Nas plantadeiras, devem ser avaliados discos de corte, sulcadores, rolamentos, correntes, dosadores, tubos condutores, sistema pneumático, pressão de linha, profundidade, rodas compactadoras, sensores e calibração de sementes e fertilizante.

Nos pulverizadores, a inspeção envolve bomba, filtros, mangueiras, bicos, válvulas, seções, barras, controle de altura, pressão, vazão, agitação, sensores e calibração da aplicação.

Nas colheitadeiras, a atenção deve estar voltada para plataforma e sistema de corte, canal alimentador, correias, correntes, rolamentos, rotor ou sistema de trilha, separação e limpeza, elevadores, sem-fins, redutores finais, circuitos hidráulico e hidrostático, arrefecimento, elétrica, sensores e limpeza das áreas de acúmulo de resíduos.

“Muitas paradas começam com sinais conhecidos: correias trincadas ou fora de tensão, rolamentos com folga ou temperatura elevada, filtros saturados, radiadores e telas sujos, mangueiras deterioradas, vazamentos, terminais de bateria oxidados, falhas de carregamento e combustível contaminado. Também são frequentes os problemas causados por regulagem inadequada ou por componentes que já estavam próximos do limite de desgaste”, afirma o especialista.

Hora de programar a revisão

O processo deve começar na entressafra, assim que o equipamento for liberado da operação anterior. Em vez de estabelecer um prazo único, o produtor pode trabalhar a partir da data prevista de retorno ao campo, reservando tempo para inspeção, diagnóstico, aprovação, chegada de peças, execução do serviço e um novo teste.

Frotas maiores, máquinas sem equipamento reserva e colheitadeiras que possam exigir intervenções mais complexas devem entrar primeiro na programação. O erro mais comum é deixar a avaliação completa para a última semana. Nessa situação, mesmo um reparo simples pode ficar condicionado à agenda da oficina ou ao prazo de fornecimento de um componente.

Uma intervenção programada também permite comprar a peça correta, combinar deslocamento, organizar a mão de obra e testar a máquina sem a pressão da operação. Além disso, filtros limpos, pneus calibrados, sistema de arrefecimento em ordem e regulagens corretas ajudam o equipamento a trabalhar próximo da condição para a qual foi projetado, sem esforço ou consumo desnecessário.

Agricultura de precisão também entra na revisão

Pilotos automáticos, monitores, sensores e softwares também precisam ser avaliados. A verificação deve começar pela alimentação elétrica, incluindo bateria, alternador, aterramentos, fusíveis, chicotes e conectores. Baixa tensão ou instabilidade de conexão podem gerar vários códigos de falha e dar a impressão de um problema de software.

Depois, entram terminal, receptor e antena de posicionamento, sensores, câmeras, unidades eletrônicas, comunicação com o implemento, fonte de correção, calibrações e versões de software. As atualizações devem seguir a orientação aplicável ao modelo e ser concluídas com configuração e teste. Também é recomendável preservar mapas, parâmetros e dados importantes antes de qualquer intervenção.

Teste final evita surpresas na operação

A revisão não termina quando o reparo é concluído. Depois dos serviços, o equipamento precisa atingir a temperatura de trabalho e passar por um teste funcional. Quando possível, o teste deve ser realizado com a plataforma ou o implemento que será usado. É nessa etapa que podem aparecer vazamentos sob pressão, aquecimento, falhas intermitentes e regulagens que pareciam corretas com a máquina parada.

A inspeção visual também pode ser combinada com teste de bateria e análise de fluidos. Óleo, combustível e líquido de arrefecimento podem revelar contaminação, diluição ou desgaste antes de o problema ficar evidente.

O operador também tem papel importante. Ele é o primeiro sensor da máquina e pode perceber alterações de ruído, temperatura, vibração, potência e qualidade do trabalho. A rotina diária deve incluir limpeza, níveis, vazamentos, pontos de lubrificação, pneus, proteções, alarmes e condição visual dos principais componentes.

Entre os erros que mais aceleram o desgaste estão continuar trabalhando com alarme ou sintoma ativo, operar acima da capacidade, usar regulagem incompatível com a condição da lavoura, negligenciar a limpeza de radiadores e áreas com palha, atrasar lubrificação, abastecer com combustível de procedência duvidosa e contornar proteções ou intertravamentos.

“Não é necessário que o operador faça o diagnóstico completo, mas ele precisa saber quando parar e acionar o suporte. Um sintoma que aparece apenas sob carga ou depois de algumas horas pode não se repetir na oficina. Por isso, vale registrar a condição de trabalho, o código exibido e, quando possível, fotos ou vídeos”, completa Vinícius Oliveira.

 

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Crédito rural empresarial atinge R$ 404 bilhões no Plano Safra 2025/2026
Mercado

Crédito para a agricultura empresarial soma R$ 28,2 bilhões no primeiro mês da safra 2026/27

Por Redação 11/08/2026
Escrito por Redação

Crédito para a agricultura empresarial soma R$ 28,2 bilhões no primeiro mês da safra 2026/27

A agricultura empresarial contratou R$ 28,2 bilhões em crédito rural em julho de 2026, primeiro mês da safra 2026/2027. O levantamento reúne operações realizadas por produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e pelos demais produtores, com base em dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil, e das registradoras de títulos, no caso das Cédulas de Produto Rural (CPR).

As CPR responderam por R$ 18,8 bilhões das operações contratadas no mês, o equivalente a 66,6% do total. O custeio convencional somou R$ 6,5 bilhões, correspondente a 23% das contratações.

Custeio, comercialização e industrialização

No custeio da produção, o Pronamp respondeu por R$ 3,5 bilhões, o equivalente a 53,5% do total destinado à modalidade. Os demais produtores empresariais contrataram R$ 3 bilhões, ou 46,5%.

As operações de comercialização da produção agropecuária somaram R$ 1,5 bilhão em julho. Já a industrialização, que contempla o processamento e a agregação de valor aos produtos agropecuários, registrou R$ 891 milhões.

Os programas de investimento, destinados a itens como máquinas, equipamentos, irrigação e modernização de estruturas produtivas, registraram R$ 118,1 milhões em aplicações no primeiro mês da safra. Entre os programas, foram contratados R$ 56 milhões pelo RenovAgro e R$ 31 milhões pelo Pronamp Investimento.

Operações por porte do produtor

Fora do Pronamp, os médios e grandes produtores contrataram R$ 5,9 bilhões, correspondentes a 21% do total concedido no mês. No Pronamp, foram registrados R$ 3,5 bilhões em operações, equivalentes a 12,4% do total.

Ao todo, foram realizados 26.034 contratos de crédito rural pela agricultura empresarial em julho. Desse número, 12.940 foram operações de CPR.

Crédito por região

O Sul registrou o maior volume de crédito entre as regiões em julho, com R$ 3,6 bilhões e 6.887 contratos. Na sequência aparecem o Sudeste, com R$ 2,5 bilhões, e o Centro-Oeste, com R$ 2,2 bilhões. O Nordeste registrou R$ 678 milhões, enquanto o Norte teve R$ 400 milhões em concessões.

O levantamento também mostra diferenças no tíquete médio das operações, que corresponde ao valor médio de cada contrato. No Centro-Oeste, o valor chegou a R$ 1,25 milhão por contrato. No Sul, o tíquete médio foi de R$ 529 mil.

Fontes de recursos

Entre as fontes controladas utilizadas no financiamento do crédito rural, os Recursos Obrigatórios foram responsáveis por R$ 3,9 bilhões, o equivalente a 69,8% do total dessas fontes. Os Recursos Obrigatórios correspondem à parcela dos depósitos à vista que as instituições financeiras devem direcionar ao crédito rural.

Entre as fontes não controladas, a LCA Livre foi a principal fonte de captação de recursos privados, com R$ 3,4 bilhões destinados ao crédito rural.

Recursos equalizáveis

Para a safra 2026/2027, a programação orçamentária de recursos equalizáveis soma R$ 97,6 bilhões, conforme a Portaria MF nº 2.170/2026. Os recursos equalizáveis são destinados a linhas de crédito com taxas de juros controladas pelo governo federal, e o diferencial em relação às taxas de mercado é coberto pelo Tesouro Nacional.

No primeiro mês da safra, R$ 1,3 bilhão dos recursos equalizáveis programados foi concedido.

Entre os programas de investimento equalizáveis, foram contratados R$ 56,1 milhões pelo RenovAgro, R$ 20,7 milhões pelo Pronamp e R$ 17,6 milhões pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).

Nas operações equalizáveis de investimento, o Banco do Brasil respondeu por 86,8% das concessões do mês, seguido pelo Sicredi, com 12,8%. Nas linhas equalizáveis de custeio e comercialização, o Banco do Brasil concentrou 68,9% das concessões, seguido por Cresol (11%), Sicredi (10%) e Credicoamo (8,9%).

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Café arábica: colheita evolui para 74% na região da Expocacer
Mercado

Café arábica: colheita evolui para 74% na região da Expocacer

Por Redação 10/08/2026
Escrito por Redação

Café arábica: colheita evolui para 74% na região da Expocacer

Após a ocorrência de precipitações acima do esperado na semana antecedente, a colheita de café arábica voltou a ganhar ritmo na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), evoluindo para 74% até a última sexta-feira, 7 de agosto.

Desse volume, 56% foram beneficiados e o rendimento médio observado é de aproximadamente 500 litros de café em coco por saca de 60 kg beneficiada.

Na comparação com a safra anterior, que foi menor em volume frente à temporada atual, há leve atraso, uma vez que os trabalhos estavam em 80% nessa mesma época em 2025.

Conforme boletim técnico da Expocacer, a colheita avançou de forma significativa na semana passada, favorecida pelas condições de tempo seco e firme, que proporcionaram maior ritmo às operações nas propriedades dos cooperados na região do Cerrado Mineiro.

Os técnicos de campo da cooperativa informam que a maior parte dos lotes colhidos se encontra no estágio seco, condição que tem reduzido o tempo de permanência nos terreiros e contribuído para maior eficiência das operações de pós-colheita.

No que tange à qualidade, observou-se novo aumento no percentual de catação ao longo da semana passada, que se mantém acima de 15%. Segundo eles, esse cenário exige maior atenção durante o beneficiamento, uma vez que pode impactar tanto o rendimento quanto a qualidade final dos lotes.

Clima

Até o próximo dia 12 de agosto, os modelos meteorológicos indicam manutenção do tempo seco, sem previsão de chuvas na região do Cerrado Mineiro. As temperaturas máximas devem variar entre 28°C e 31°C, enquanto as mínimas ficam entre 13°C e 17°C, mantendo elevada amplitude térmica.

A continuidade das condições secas, conforme os técnicos da Expocacer, tende a favorecer o avanço das operações de colheita e a secagem dos cafés nos terreiros. A ausência de chuvas também contribuirá para a redução gradual da umidade do solo, especialmente caso esse modelo climático persista.

Considerando que podem ocorrer variações locais nas condições climáticas, eles recomendam que os produtores acompanhem atentamente as atualizações meteorológicas de cada município e propriedade.

Também de acordo com os profissionais da Expocacer, é importante redobrar a atenção na finalização da colheita nas plantas e no recolhimento do café de chão nesse período, antes da ocorrência de novas chuvas, as quais podem dificultar os trabalhos e comprometer a qualidade dos frutos.

Os técnicos da cooperativa pontuam, ainda, que é fundamental evitar atrasos nas demais operações de manejo das lavouras após a colheita para garantir que os tratos necessários sejam realizados no momento adequado, com foco na proteção das lavouras e na preparação para a próxima safra.

Com faturamento aproximado de R$ 3 bilhões em 2025 e um quadro com mais de 800 produtores associados, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado projeta uma produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua região de abrangência em 2026.

Contando atualmente com 19,4 mil hectares de café certificados em cafeicultura regenerativa e 29 mil hectares conduzidos sob manejo regenerativo, a Expocacer se tornou a primeira cooperativa do mundo a conquistar a certificação em Agricultura Regenerativa da Regenagri®, concedida pela Control Union após auditoria independente.

 

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Tecnologia

Declaração do imposto sobre imóveis rurais pode ser feita por internet

Por Redação 10/08/2026
Escrito por Redação

Declaração do imposto sobre imóveis rurais pode ser feita por internet

A Receita Federal disponibiliza a partir desta segunda-feira (10) a versão web do serviço Minhas Declarações do ITR, que permite preencher, transmitir, retificar e consultar online a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), sem necessidade de instalar programas no computador, segundo informações da “Agência Brasil”.

O acesso será feito pelo Portal de Serviços da Receita Federal com conta gov.br nível prata ou ouro.

O uso da plataforma será obrigatório para pessoas jurídicas e físicas proprietárias de imóveis rurais com área superior a 100 hectares. Proprietários de áreas de até 100 hectares também poderão apresentar a declaração por meio do Programa Gerador da Declaração (PGD ITR 2026).

A DITR é o documento usado para informar à Receita Federal os dados cadastrais do imóvel rural e de seu titular, as áreas do imóvel e outras informações necessárias para a apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

Devem apresentar a declaração os proprietários, usufrutuários, titulares do domínio útil ou detentores de imóveis rurais, pessoas físicas ou jurídicas. Em situações específicas, a obrigação também alcança condôminos, compossuidores e inventariantes.

Segundo a Receita Federal, o ambiente digital reúne, em um único local, declarações, recibos e documentos relacionados ao ITR, além de oferecer recursos como pré-preenchimento de dados cadastrais e acesso por dispositivos móveis.

A entrega da DITR fora do prazo está sujeita à Multa por Atraso na Entrega da Declaração (Maed).

 

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10/08/2026 0 Comentários
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Mercado

Paraná terá o maior déficit de abastecimento de trigo de sua história

Por Redação 10/08/2026
Escrito por Redação

Paraná terá o maior déficit de abastecimento de trigo de sua história

O Paraná está prestes a enfrentar o maior déficit de abastecimento de trigo de sua história. A produção estadual projetada para a safra 2026/27 é de 2,2 milhões de toneladas, enquanto a moagem anual dos moinhos paranaenses, estimada pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), é de 3,85 milhões de toneladas.

O gap de cerca de 1,6 milhão de toneladas pressiona ainda mais o setor, que compõe o maior parque moageiro do país e responde por 30% da produção nacional de farinha. Os moinhos vêm de um período de margens apertadas pela dificuldade de repassar a alta do grão para o preço da farinha. O grão subiu no primeiro semestre, mas a farinha não acompanhou a mesma intensidade.

A presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR), Paloma Venturelli, afirma que a indústria moageira opera sob pressão constante de variáveis internas e externas, mas este ciclo se desenha como particularmente desafiador.

“A subida do preço do grão sem o correspondente repasse para a farinha comprime as margens e afeta diretamente a rentabilidade dos moinhos. Some-se a isso o enfraquecimento do mercado de farelo de trigo, um dos principais coprodutos da moagem. É um momento que exige do setor atenção redobrada e medidas que preservem a competitividade e a eficiência operacional, sem abrir mão da qualidade”, frisa.

Para discutir esse cenário e aproveitando a proximidade do início da colheita do trigo no Estado, o Sinditrigo-PR realiza no próximo dia 11 de agosto a 9ª edição do Café Moageiro, a partir das 8 horas, na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina. O evento reunirá representantes dos moinhos, cooperativas, entidades do setor e especialistas em uma programação dirigida.

Cenário nacional crítico

O analista da Safras & Mercado, Élcio Bento, será um dos palestrantes do evento, apresentando um diagnóstico aprofundado do momento. Segundo ele, a retração paranaense acompanha um panorama crítico nacional. A safra brasileira, que no início do ano era estimada em 7,2 milhões de toneladas, foi revisada para 5,9 milhões – uma queda provocada pela combinação de desestímulo ao plantio, seca no Cerrado e perdas já consolidadas em lavouras em Minas Gerais e Goiás.

“Como consequência direta, a projeção é que o Brasil caminha para registrar a maior importação de trigo de sua história, com volume estimado em quase 9 milhões de toneladas”, pontua Bento.

No Paraná, a área plantada recuou para 740 mil hectares, retração de 13,5% em relação aos 855 mil hectares do ciclo anterior. O menor investimento tecnológico, reflexo do encarecimento de insumos importados – especialmente fertilizantes nitrogenados como a ureia – deve derrubar a produtividade média em 9,5%. O resultado é uma queda de 21% no potencial produtivo do Estado, que na safra anterior havia colhido 2,8 milhões de toneladas.

Mercado externo: oferta escassa, cara e com qualidade inferior

Se a dependência externa já é estrutural na cadeia brasileira, neste ciclo ela se torna mais aguda. A Argentina segue como a origem mais competitiva pela proximidade logística e pela inserção no Mercosul, mas carrega um problema qualitativo severo. A safra vigente, que abastece o mercado até novembro, apresenta baixo teor de proteína e de glúten úmido – resultado direto do menor uso de fertilizantes nitrogenados nas lavouras vizinhas, os mesmos que encareceram a produção no Brasil.

Na análise de Bento, a próxima safra argentina ainda é uma incógnita. Com estimativa de produção próxima a 20 milhões de toneladas, o volume seria suficiente para tranquilizar o abastecimento – desde que a qualidade acompanhe.

Buscar qualidade em outras origens eleva drasticamente os custos. O trigo norte-americano chega a custar cerca de R$ 300 a mais por tonelada em relação ao argentino, pressionado pela menor safra dos Estados Unidos desde 1970 e pelo menor saldo exportável registrado desde 1960, segundo a série histórica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No Mar Negro, o recrudescimento dos conflitos entre Rússia e Ucrânia, com ataques a navios cargueiros e graneleiros no Mar de Azov e no Mar Negro, inflacionou fretes e seguros marítimos.

O Paraguai, parceiro tradicional que costuma enviar trigo ao Paraná, também projeta redução em seu saldo exportável: de 600 mil toneladas no ciclo anterior para no máximo 350 mil toneladas.
A única variável que tem amenizado parcialmente o custo das importações é o câmbio. Com um dólar próximo de R$ 5, o trigo negociado em dólares fica mais barato em reais. A escalada dos preços internacionais, no entanto, tem superado esse alívio cambial, resultando em custos de importação mais elevados nesta temporada.

El Niño e o risco sobre a qualidade

Mesmo com o clima atualmente favorável, Bento alerta que a confirmação de um El Niño de alta intensidade adiciona incertezas a um cenário já comprometido. Segundo o analista, historicamente não há registros de safras sob El Niño de forte intensidade que tenham escapado de perdas qualitativas. O fenômeno, caso se confirme, pode agravar ainda mais o quadro de oferta restrita e pressionar os preços do cereal no mercado interno.

Programação do Café Moageiro

A abertura institucional do Café Moageiro, dia 11 de agosto, em Londrina, será com Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR, e Daniel Kümmel, presidente da Abitrigo, pontuando sobre o momento atual do setor.

Na sequência, Bento apresentará um panorama atualizado da safra.

Outro tema será o uso de coprodutos da indústria, com palestra da pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Terezinha Bertol, sobre os benefícios do DDG e do farelo, além das diferenças comerciais entre os dois produtos.

O evento será encerrado com um painel das cooperativas, conduzido por Flávio Turra, gerente de Desenvolvimento Técnico da Ocepar. A conversa discutirá a visão das cooperativas sobre o atual cenário da cultura do trigo. O painel também deverá abordar como moinhos, sindicatos, cooperativas e governos podem atuar de forma coordenada para garantir o abastecimento e contribuir para a segurança alimentar.

 

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