Este mês marca uma transição importante para a cultura da cana-de-açúcar no Brasil. Depois de um início de safra com chuvas acima do esperado em diversas regiões produtoras, parte dos canavicultores ainda trabalha na conclusão do plantio, enquanto outra já volta o manejo para os desafios típicos do inverno, como períodos de seca e risco de geadas.
Segundo Camillo Ferrarezi Giachini, engenheiro agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da ADAMA, o excesso de precipitações nos primeiros meses do ano alterou o ritmo tradicional da cultura em algumas áreas. “Maio costuma ser marcado pelo encerramento de grande parte do plantio da cana, porém, neste ano, muitos produtores ainda estão finalizando áreas devido ao volume de chuvas registrado no início da safra”, afirma.
Ao mesmo tempo, a colheita avança para o fim do primeiro terço da safra com boas perspectivas de produtividade, embora os índices de ATR — indicador que mede a concentração de açúcares recuperáveis da cana — estejam abaixo do observado em anos anteriores.
Com esse início do período mais seco, a preocupação passa a ser o estabelecimento das áreas plantadas mais recentemente e a capacidade da cultura de manter o desenvolvimento sem perda de potencial produtivo. De acordo com Giachini, a disponibilidade de água ainda gera apreensão entre produtores que avançaram com o plantio até maio, embora o cenário climático deste ano traga mais confiança em relação à ocorrência de chuvas de meio de safra associadas ao fenômeno El Niño.
Além das condições climáticas, este também é um período estratégico para avaliar a eficiência do manejo inicial, principalmente no controle de plantas daninhas. A recomendação é reforçar o monitoramento das áreas para identificar possíveis escapes antes que a matocompetição comprometa o aproveitamento de água, luz e nutrientes pela cultura.
“Esse é um momento que exige presença no campo, porque começamos a ter condições de avaliar a eficiência dos herbicidas utilizados. Caso ocorram escapes de plantas daninhas, o produtor precisa agir rapidamente para evitar perdas no estabelecimento da cultura”, ressalta.
Manejo fisiológico ganha espaço
Com a aproximação dos meses mais críticos para a cultura, o manejo fisiológico também passa a ganhar importância dentro das áreas produtoras. A adoção de estratégias preventivas pode ajudar a planta a atravessar períodos de seca e baixas temperaturas sem comprometer o desenvolvimento do canavial.
“Além de seca, os produtores começam a enfrentar também risco de geada em algumas regiões. Por isso, deve atuar preventivamente, adotando tecnologias que ajudem a planta a atravessar este período e voltar a expressar seu potencial produtivo quando houver novamente disponibilidade de água e temperaturas favoráveis”, destaca Giachini.
Entre os efeitos buscados nesse tipo de manejo estão maior enraizamento, incremento no número de perfilhos, preservação de folhas ativas, além de mais vigor e sanidade das plantas. Segundo o especialista, biossoluções à base de extratos de algas e compostos orgânicos têm sido utilizadas justamente para auxiliar a planta em momentos de estresse hídrico e térmico.
ASSINE MÁQUINAS E INOVAÇÕES AGRÍCOLAS – A PARTIR DE R$ 6,90
➜ Siga a Máquinas & Inovações Agrícolas no Instagram e no Linkedin!