Uma das novidades é a Plataforma Trigo no Brasil, desenvolvida pela Embrapa Territorial e lançada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em março // Foto/Arte: Silvana Teixeira
Na Agrishow 2026, realizada de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP), a Embrapa apresenta tecnologias e estudos voltados à produção agrícola sustentável. Entre os destaques estão uma plataforma digital com dados sobre a triticultura no Brasil, pesquisas sobre balanço de carbono em sistemas agrícolas e soluções que incluem controle biológico de pragas e ferramentas de agricultura digital.
Uma das novidades é a Plataforma Trigo no Brasil, desenvolvida pela Embrapa Territorial e lançada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em março. A ferramenta reúne, em 12 painéis interativos, informações organizadas em seis eixos da cadeia produtiva do cereal — da produção ao consumo. Com mapas, análises integradas e cenários prospectivos, a plataforma traz uma estimativa inédita sobre a proporção de áreas cultivadas em sistemas irrigados e de sequeiro, com foco na expansão da cultura no Brasil Central. Também apresenta projeções para o aumento da produção, seja pela incorporação de novas áreas ou pela redução de lacunas de produtividade.
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Na agenda ambiental, dois estudos reforçam o papel da agricultura brasileira na mitigação das mudanças climáticas. O projeto CarbCafé Rondônia demonstra que a cafeicultura nas Matas de Rondônia apresenta balanço positivo de carbono. Segundo a pesquisa, o sequestro é 2,3 vezes superior às emissões, gerando saldo médio de cerca de quatro toneladas por hectare ao ano. Além de mapear áreas produtivas e vegetação nativa, o estudo subsidia políticas públicas e abre perspectivas para inserção de produtores no mercado de créditos de carbono.
Já o CarbCitrus avaliou estoques de carbono em mais de 600 mil hectares de citricultura em São Paulo e no Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais. Os resultados indicam que cada hectare remove, em média, duas toneladas de carbono por ano, totalizando cerca de 36 milhões de toneladas estocadas. A pesquisa também identificou mais de 300 espécies de fauna nas áreas avaliadas, evidenciando a contribuição da citricultura para a conservação da biodiversidade.
Outro destaque da feira é o Guandu BRS Guatã, apresentado pela Embrapa Pecuária Sudeste como alternativa sustentável para o manejo de nematoides — pragas que causam prejuízos estimados em R$ 35 bilhões por ano à agricultura brasileira. A leguminosa atua no controle natural de cinco espécies desses parasitas e pode reduzir o uso de defensivos químicos. Além disso, contribui para a melhoria do solo por meio da fixação de nitrogênio, favorecendo a recuperação de pastagens.
A cultivar também se mostra estratégica para a pecuária, especialmente em períodos de seca. Com produção de até três toneladas de massa seca por hectare em condições de sequeiro, equivalente à obtida sob irrigação, o Guatã serve como alternativa de baixo custo para suplementação alimentar de bovinos. Sua tolerância ao déficit hídrico reforça o potencial de uso em cenários de mudanças climáticas.
No campo da agricultura digital, a Embrapa Agricultura Digital apresenta o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), ferramenta que orienta o produtor sobre as melhores épocas de plantio, reduzindo riscos de perdas por eventos climáticos adversos. Integrado ao aplicativo Plantio Certo, o sistema permite ao usuário selecionar município, tipo de solo e cultura para obter recomendações personalizadas com diferentes níveis de risco.
Outra inovação é a plataforma AgroAPI, que disponibiliza dados e modelos agropecuários da Embrapa para empresas, instituições e startups desenvolverem soluções digitais. O acesso ocorre por meio de APIs, permitindo a integração rápida e segura entre sistemas e reduzindo custos no desenvolvimento de softwares para o setor.
Na área de biotecnologia, a Embrapa Milho e Sorgo apresenta o evento transgênico BTMAX, desenvolvido em parceria com a empresa Helix. A tecnologia, aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, utiliza um gene da bactéria Bacillus thuringiensis identificado na biodiversidade brasileira e é eficaz no controle da lagarta-do-cartucho e da broca-da-cana, podendo reduzir significativamente o uso de inseticidas químicos.
A Embrapa Instrumentação destaca a atuação da unidade Embrapii ITECH-Agro, voltada à integração de tecnologias como nanotecnologia, fotônica, Internet das Coisas e inteligência artificial para o agronegócio. A iniciativa conecta demandas do setor produtivo com soluções tecnológicas avançadas, promovendo inovação em agricultura de precisão e na agroindústria.
Já a Embrapa Meio Ambiente apresenta o Auras, bioativo desenvolvido em parceria com a empresa NOOA a partir de microrganismos da Caatinga. A tecnologia atua na redução dos efeitos de estresses hídrico e térmico nas plantas, otimizando o uso da água e preservando o potencial produtivo das lavouras. O produto será tema de um evento comemorativo de cinco anos do lançamento da tecnologia no dia 27 de abril.
Entre as estratégias sustentáveis em evidência está também a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que combina atividades agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, promovendo recuperação de pastagens, aumento da produtividade e sequestro de carbono. A Embrapa Meio Ambiente também apresentará iniciativas como o AgNest, ambiente de inovação baseado no conceito de Farm Lab, que conecta empresas, pesquisadores e produtores para o desenvolvimento de novas soluções.
A abertura contará com a presença de Silvia Massruha, presidente da Embrapa e chefes-gerais de diferentes unidades, reforçando o papel estratégico da pesquisa pública na transformação sustentável do agronegócio brasileiro.
Parceiros
O estande da Embrapa contará com a participação de quatro parceiros estratégicos, reforçando a integração entre pesquisa, inovação e setor produtivo. Entre eles está a NOOA, colaboradora no desenvolvimento do bioativo Auras; a Helix, empresa do grupo Agroceres, que, em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo, desenvolveu o BTMAX, primeiro milho transgênico 100% brasileiro; e o AgNest, farm lab liderado pela Embrapa Meio Ambiente e pela Embrapa Agricultura Digital, com governança compartilhada com o Banco do Brasil e a Faesp- Senar, voltado ao estímulo da inovação no agronegócio.
Também estará no estande como parceira a Rede ILPF, associação resultante de uma parceria público-privada entre a Embrapa, a cooperativa Cocamar e empresas como Bradesco, John Deere, Soesp, Syngenta e Timac Agro, com foco na promoção da sustentabilidade da agropecuária por meio da adoção de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
As instituições apresentarão iniciativas conjuntas e soluções tecnológicas voltadas à sustentabilidade, à bioeconomia e à transformação digital no setor agropecuário, destacando o papel das parcerias público-privadas na aceleração da geração e da adoção de tecnologias no campo.
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