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Os desafios e as oportunidades para o agronegócio brasileiro

As exportações brasileiras de soja em grãos estão estimadas em 96,5 milhões de toneladas

Movimentação Porto de Paranaguá – Paranaguá, 10/06/2019 – Foto: Cláudio Neves/APPA

por Carlos Cogo* – O Brasil assumiu a liderança na exportação mundial de soja em grãos na safra 2012/2013, ultrapassando o até então líder Estados Unidos. De lá para cá, essa posição nunca mais foi ameaçada. As exportações brasileiras de soja em grãos estão estimadas, pela nossa Consultoria, em 96,5 milhões de toneladas na próxima temporada 2023/2024, ante uma projeção de 53,7 milhões de toneladas dos Estados Unidos, segundo maior exportador global, divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em seu relatório de oferta e demanda global para a safra 2023/2024.

Nas últimas três décadas, as exportações brasileiras de soja em grãos crescem a uma CAGR de 11,7%, enquanto as norte-americanas registram 3,9%. No caso do milho, a liderança das exportações globais do grão pelo Brasil deverá se consolidar em 2023.

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As projeções da nossa Consultoria apontam para embarques de 50 milhões de toneladas de milho pelo Brasil na safra 2022/2023, ante 47,1 milhões de toneladas projetadas pelo USDA para os Estados Unidos. E para a próxima temporada 2023/2024, a projeção da nossa Consultoria é de exportações de 54 milhões de toneladas de milho, ante embarques projetados pelo USDA de 53,3 milhões de toneladas para os Estados Unidos. 

O caso do trigo é mais recente. O Brasil ainda é um importador líquido de trigo, ou seja, importa mais do que exporta. Mas já embarcamos 3,1 milhões de toneladas de trigo em grãos em 2022 e poderemos seguir ampliando as exportações desse grão nos próximos anos. Na liderança das exportações globais de grãos, o Brasil é sucedido pelos Estados Unidos e Argentina, países que ocupam o segundo e terceiro lugar, respectivamente.

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Basicamente, a maior diferença entre esses três players é o ritmo e a capacidade de expansão da área, produção e exportações de grãos. No Brasil, entre as safras 1990/1991 a 2022/2023, a área de cultivo de grãos cresce a um CAGR de 2,3%, enquanto a produtividade média por hectare avança a CAGR de 3,2%. Essa combinação resulta em uma expansão sustentada de 5,6% (CAGR) da produção brasileira de grãos neste período.

E esse ritmo vem se mantendo na última década. Nossas diferenças estão no fato de ainda termos área passível de expansão para a agricultura, sem nenhuma necessidade de desmatamento. Além disso, temos um diferencial único que é a possibilidade de semear três safras anuais em uma mesma área. Enquanto isso, Estados Unidos e Argentina, assim como diversos outros grandes produtores agrícolas globais, praticamente não têm mais áreas passíveis de expansão para a agricultura.

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O ritmo de expansão das exportações brasileiras de grãos é elevado, quando comparado ao dos nossos concorrentes. Nossas exportações avançam a uma CAGR de 6,6% nesta última década, enquanto o segundo colocado – os Estados Unidos – registra apenas 0,2% e a Argentina, que deverá retomar a terceira colocação na safra 2023/2024, avança 5,9%. Temos todas as condições de manter essa liderança e ampliar gradualmente nossa fatia nas transações globais dos principais grãos.

As projeções da nossa Consultoria indicam que o Brasil deverá chegar ao final da próxima década, na safra 2033/2024, com potencial para produzir 624 milhões de toneladas de grãos, incluindo soja, milho, trigo, arroz, sorgo, feijão e outros. Isso deverá garantir a consolidação do Brasil na liderança das exportações globais de grãos e, também, nos encaminharmos para a assumir a ponte na produção mundial. Para isso, muitos desafios precisarão ser superados, envolvendo, principalmente, as questões ligadas à infraestrutura e logística. Dentre os grandes desafios a serem superados, destacamos:

Superar estrangulamentos de logística e de escoamento das safras;

Mitigar riscos climáticos sobre as safras e expandir a superfície irrigada;

Renovar 59% da frota de tratores e 66% da frota de colhedoras;

Expandir a conectividade nas áreas rurais;

Expandir a oferta de recursos para custeios, investimentos e seguro rural; e

Expandir a produtividade média e a área plantada de forma sustentável.

 

*Carlos Cogo é sócio-diretor da Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio; Possui pós-graduação em Agronegócios pela Universidade Federal do PR (UFPR); Especialização em Análise de Mercados pela UFPR; Colunista e Comentarista do Canal Rural e do Canal do Criador ; Professor convidado da Fundação Dom Cabral em Gestão em Agronegócios; e Professor Convidado na Escola de Negócios da ATITUS

 

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