Máquinas agrícolas têm queda de 18,8% no faturamento em fevereiro

Clarisse Sousa – As vendas de máquinas e equipamentos agrícolas registraram queda em fevereiro de 2026, acompanhando o desempenho mais fraco da indústria, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

No mês, a receita líquida total do setor somou R$ 4,4 bilhões, uma retração de 18,8% em relação a fevereiro de 2025. No mercado doméstico, o recuo foi ainda mais intenso, de 20,2%, refletindo a desaceleração da demanda interna.

No acumulado do ano, o desempenho também é negativo. A receita do setor apresenta queda de 17%, enquanto a receita no mercado interno recua 18,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, destaca que a queda nos preços das commodities e os juros elevados têm impactado diretamente o setor. Segundo ele, diante desse cenário, o produtor rural passa a priorizar o custeio da safra, garantindo recursos para a operação no curto prazo.
Com isso, os investimentos, especialmente na renovação de máquinas e equipamentos, acabam sendo adiados.

Além disso, o aumento da inadimplência e a maior restrição na concessão de crédito têm limitado os investimentos no setor. “Com os bancos mais seletivos, o acesso ao financiamento fica mais difícil, o que acaba travando novos negócios”, explica Bastos.

“Os dados de fevereiro ainda não refletem os impactos do cenário internacional. Eventuais efeitos da guerra [entre Estados Unidos, Israel e Irã] devem aparecer apenas a partir de março, o que indica que, até o momento, o desempenho do setor é explicado principalmente por fatores do mercado interno.”

Mesmo com esse cenário, há um fator positivo, segundo Bastos. “A safra deve ser recorde, com alta produtividade. No entanto, a queda nos preços foi mais intensa do que o ganho em volume, o que deve resultar em retração do PIB agrícola, estimada em cerca de 3%.”

De forma geral, a avaliação da Abimaq é de que “2026 tende a ser um ano difícil para o setor”. A expectativa é de um primeiro semestre mais fraco, com alguma melhora relativa no segundo semestre, em função de uma base de comparação mais baixa, já que a segunda metade de 2025 foi particularmente negativa, conforme Bastos.

Exportações e importações

As exportações registraram leve crescimento. Em fevereiro, houve alta de 3,9% na comparação anual, somando US$ 121,9 milhões. No primeiro bimestre, o avanço é de 8,9%.

Já as importações cresceram 4,6% no acumulado do ano, apesar da queda de 6,1% na comparação com 2025.

Tratores e colheitadeiras

De acordo com os dados da Abimaq, as vendas de tratores ao usuário final registraram queda de 20,4% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o recuo é de 15,9%.

As vendas de fábrica de tratores também apresentaram forte retração, com queda de 31,4% na comparação anual e de 34,1% no acumulado de 2026.

No segmento de colheitadeiras, o cenário é ainda mais desafiador. As vendas ao usuário final caíram 45,5% em fevereiro frente ao mesmo período do ano passado, enquanto as vendas de fábrica recuaram 50,5%. No acumulado do ano, as quedas são de 40,2% e 42,7%, respectivamente.

 

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