Mercado de máquinas agrícolas recua 21,3% no primeiro semestre

 

Clarisse Sousa – O primeiro semestre de 2026 foi de forte retração para a indústria de máquinas e implementos agrícolas, com queda de faturamento, vendas de tratores e colheitadeiras e redução do emprego no setor, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta quarta-feira (29).

De janeiro a junho, a receita líquida total do setor caiu 21,3%, somando R$ 26,6 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. Somente em junho, a queda foi de 22,3% em relação ao mesmo mês de 2025.

“O mercado segue bastante restritivo”

“Desde o mês passado, trabalhamos com a perspectiva de uma retração próxima de 20% em 2026. A nossa avaliação é que esse cenário não deve piorar. Junho e julho costumam ser meses mais travados por causa da transição do Plano Safra, e muitos produtores adiaram a compra de máquinas aguardando a entrada dos recursos do Move Brasil”, avalia Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq.

A expectativa é que, a partir de agosto, o mercado apresente uma “pequena melhora”, embora, na avaliação de Estevão, isso não seja suficiente para reverter o resultado do ano.

“Se o mercado simplesmente parar de piorar, devemos encerrar 2026 com queda em torno de 20%. O principal fator continua sendo a baixa rentabilidade das lavouras. Com margens reduzidas, o produtor adia investimentos e, além disso, não esperamos expansão da área plantada neste ano, o que elimina um importante fator de demanda por máquinas. O mercado segue bastante restritivo”, disse.

As vendas no mercado doméstico continuam em retração, refletindo a menor disposição do produtor rural para investir em máquinas e equipamentos. No mercado interno, a receita líquida do setor somou R$ 22,1 bilhões entre janeiro e junho, queda de 24,9% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as exportações cresceram 17,5%, segundo os dados da Abimaq.

O setor também registrou redução do emprego, com média de 116,6 mil trabalhadores no semestre, queda de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Tratores e colheitadeiras em queda

De acordo com os dados da Abimaq, as vendas de tratores ao usuário final caíram 11,5% no primeiro semestre, enquanto as vendas de fábrica recuaram 16,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Em junho, foram comercializados 3.146 tratores ao usuário final e 3.636 unidades pela indústria, ambos com queda superior a 20% em relação a junho do ano passado. Um dos poucos indicadores positivos foi o das exportações, que avançaram 40,2% no acumulado do ano.

As colheitadeiras seguem como o segmento mais afetado pela retração dos investimentos. No primeiro semestre, as vendas ao usuário final caíram 31,1%, enquanto as vendas de fábrica despencaram 45,2%.

Em junho, foram vendidas 140 colheitadeiras ao usuário final e apenas 78 unidades pela indústria. As exportações do segmento cresceram 48,7%, mas também não compensaram o recuo do mercado interno.

 

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