Fazenda revisa PIB da agropecuária e aponta queda de 2,5% em 2024

Clarisse Sousa – O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária em 2024 foi revisado para baixo pelo Ministério da Fazenda. Segundo o Boletim Macrofiscal, da Secretaria de Política Econômica, divulgado nesta quinta-feira (18), a variação esperada para o PIB caiu de -1,4% para -2,5%.

A nova previsão leva em conta as estimativas de queda para as safras de soja, milho e trigo, além dos impactos das inundações recentes no Rio Grande do Sul, que também contribuíram para essa revisão negativa.

Para o segundo trimestre deste ano, a expectativa para o setor é de um recuo de 2,4%. A pecuária também deverá contribuir menos para o crescimento do setor no período. Em contrapartida, destacam-se as revisões para cima nas estimativas de safra para o café, uma cultura relevante para o desempenho da atividade no trimestre.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB da agropecuária deve recuar 3% no segundo trimestre. Um resultado semelhante ao registrado no primeiro. 

Impacto das enchentes

O Rio Grande do Sul, que representou 4,6% do abate nacional de bovinos, 10,6% do abate de frangos e 17,1% do abate de suínos em 2023, foi duramente atingido pelas chuvas, afetando tanto a pecuária quanto a agricultura. Diante disso, a Emater/RS estima perdas de cerca de 8,7% na safra de arroz, 11,4% na safra de soja, 6,8% na safra de milho e 22,9% na safra de feijão. Para culturas como trigo e fumo, as perdas foram pontuais em áreas recém-semeadas, que deverão ser replantadas.

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De acordo com o Boletim, a produtividade e as intenções de plantio dessas e de outras culturas, como batata e tomate, tendem a ser prejudicadas, refletindo os danos causados ao solo e os prejuízos sofridos pelos produtores. A destruição de áreas de cultivo também deve impactar significativamente a produção de culturas perenes, como a uva.

Na pecuária, a produção de leite e ovos foi particularmente afetada devido aos problemas de escoamento e conservação causados pelas enchentes e interrupções no fornecimento de energia. Embora as perdas nos rebanhos de gado, suínos e aves sejam pequenas, a recuperação das áreas de pastagem e da infraestrutura produtiva será lenta.

 

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