Safra de algodão deve alcançar 4,1 milhões de toneladas na safra 2025/26

Clarisse Sousa – A safra de algodão deve alcançar aproximadamente 4,1 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026, com uma área plantada de 2 milhões de hectares, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) divulgados nesta terça-feira, 15, durante Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados.

“O Brasil ampliou sua produção, conquistou espaço no mercado internacional e hoje ocupa uma posição estratégica no fornecimento mundial de algodão. Nosso desafio é continuar conquistando mercados, mas também criar condições para ampliar o consumo e a transformação dessa matéria-prima dentro do Brasil”, afirma o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli.

A situação da indústria têxtil brasileira também esteve no centro das discussões. Entre janeiro e agosto de 2026, as importações de vestuário cresceram 50,3% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, a produção têxtil apresentou retração de 1,9%, enquanto a produção de vestuário caiu 4,2%.

Já para o mercado externo, há perspectiva de novo recorde das exportações na próxima temporada. A estimativa aponta para uma produção de aproximadamente 4,2 milhões de toneladas, segundo informações da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), divulgadas durante a reunião.

Valorização das fibras naturais

A Abrapa apresentou uma proposta de construção de um Projeto de Lei voltado à valorização das fibras naturais e ao enfrentamento da poluição por microplásticos.

A iniciativa prevê a criação de uma contribuição incidente sobre a importação de produtos têxteis acabados produzidos com fibras sintéticas. A proposta busca estimular o uso de fibras naturais, como o algodão, e destinar os recursos arrecadados a ações de inovação, sustentabilidade, mitigação da poluição por microplásticos, rastreabilidade ambiental e modernização industrial.

“A intenção é aperfeiçoar a iniciativa e construir apoio para uma agenda que concilie competitividade da indústria brasileira, inovação e valorização das fibras naturais”, afirmou o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero.

Mais espaço para o algodão

Apesar das boas perspectivas, o cenário exige atenção. Segundo o presidente da Anea, Dawid Wajs, o Brasil permanece competitivo no mercado internacional, mas enfrenta desafios para o escoamento de uma safra elevada, em um cenário de compradores mais cautelosos e maior disputa pelos mercados.

A diversificação dos portos utilizados para os embarques, com destaque para o crescimento de Salvador como alternativa a Santos, também foi apontada como estratégica.

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