Safra de cana 2025/26 encerra com 673,2 milhões de toneladas e queda na produtividade

Relatório elaborado pelo Departamento Técnico da Faesp, com base em dados da Conab, aponta que a safra 2025/26 de cana-de-açúcar, que encerrou em abril, teve produção total de 673,2 milhões de toneladas, volume 0,5% inferior ao registrado no ciclo anterior. O resultado superou em 1,5% a estimativa inicial.

A área colhida cresceu 2,1%, alcançando 8,95 milhões de hectares, mas as condições climáticas adversas — como restrições hídricas, especialmente na Região Centro-Sul, altas temperaturas e incêndios — impactaram a produtividade, que caiu para 75.184 kg por hectare. O rendimento industrial também apresentou recuo, com queda de 2,3% no ATR, que totalizou 90,9 milhões de toneladas. O ATR médio atingiu 135 kg por tonelada de cana.

Em São Paulo, principal estado produtor, a colheita somou 347,9 milhões de toneladas, redução de 1,6% na comparação entre safras. A produtividade média estadual caiu 2,1%, atingindo 78.425 kg/ha, influenciada por fatores climáticos e episódios de geada, enquanto o ATR teve retração de 2,8%, totalizando 47,8 milhões de toneladas. “Mesmo diante de desafios climáticos, a produção paulista se reafirma, consolidando sua liderança nacional com quase 60% da produção de açúcar de todo o país”, diz Tirso Meirelles, presidente da Faesp.

O mix de produção ao longo da safra priorizou o açúcar, que teve produção estimada em 44,2 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ciclo anterior. Os preços apresentaram queda significativa, refletindo um cenário global mais equilibrado entre oferta e demanda.

Já a produção total de etanol chegou a 37,5 bilhões de litros, crescimento de 0,8%, impulsionado pelo avanço do etanol de milho, que registrou volume recorde. Em contrapartida, o etanol de cana apresentou queda de 6,9%, impactado pela menor disponibilidade de matéria-prima, redução do ATR e enfraquecimento de preços.

Mesmo com preços médios mais elevados ao longo da safra, o mercado de etanol apresentou oscilações e redução no volume comercializado do hidratado, indicando ajustes na demanda.

 

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