Trigo tem 19% da área colhida no RS, mas qualidade dos grãos preocupa

A colheita do trigo alcançou 19% da área cultivada no Rio Grande do Sul, enquanto 45% das lavouras estão em maturação e 35% em enchimento de grãos. Embora as produtividades observadas nas áreas colhidas sejam satisfatórias, a qualidade dos grãos ficou abaixo das expectativas iniciais em parte das regiões, com redução do Peso Hectolitro (PH), além de ocorrência de grãos avariados e chochos. As informações são do Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (22/10) pela Emater/RS-Ascar.

A estimativa atualizada pela entidade, com base em dados da primeira quinzena de outubro, aponta área cultivada de 763.121 hectares, redução de 34,56% em relação aos 1,16 milhão de hectares registrados em 2025. A produtividade está estimada em 2.833 kg/ha, alta de 4,88% em relação à previsão inicial de 2.701 kg/ha, mas 5,55% abaixo dos 2.968 kg/ha obtidos na safra anterior.

Com a redução da área plantada e a produtividade projetada, a produção de trigo deve somar 2,16 milhões de toneladas, queda de 37,48% ante as 3,46 milhões de toneladas colhidas em 2025. Em algumas lavouras, a dessecação vem sendo utilizada para uniformizar a maturação e preservar a qualidade dos grãos.

Soja tem apenas 3% da área semeada

A semeadura da soja para a safra 2026/27 avança lentamente no Estado e alcançou 3% dos 6,65 milhões de hectares previstos. Segundo a Emater/RS-Ascar, a elevada umidade do solo e as chuvas frequentes reduziram as janelas de plantio. As baixas temperaturas e a menor disponibilidade de radiação solar também retardaram o desenvolvimento das primeiras lavouras.

O período de tempo mais firme favoreceu a preparação das áreas e a entrada de máquinas em algumas regiões, mas o avanço da semeadura continua condicionado às condições de umidade do solo. Em áreas implantadas antecipadamente, as chuvas volumosas prejudicaram a emergência, embora os estandes permaneçam, em geral, satisfatórios.

O monitoramento de esporos da ferrugem-asiática já detectou a presença do fungo em plantas de soja guaxa em diferentes pontos do Estado.

Plantio do milho chega a 78% da área prevista

A semeadura do milho para a safra 2026/27 atingiu 78% dos 896.401 hectares previstos no Rio Grande do Sul. O avanço ocorre em ritmos diferentes entre as regiões, com áreas próximas da conclusão e outras ainda no início da implantação, especialmente as destinadas ao autoconsumo.

Nas lavouras estabelecidas, 98% estão em desenvolvimento vegetativo e 2% já chegaram à floração. A maior disponibilidade de radiação solar em parte do período favoreceu o crescimento das plantas, que apresentam bom desenvolvimento, colmos espessos e enraizamento adequado.

Na região de Passo Fundo, o plantio alcançou 90% da área projetada. Em Ijuí, o índice chegou a 92%, com lavouras bem desenvolvidas e áreas precoces próximas da formação do pendão. Já em Caxias do Sul, a elevada umidade do solo limitou o avanço das operações, enquanto as baixas temperaturas e a nebulosidade retardaram o desenvolvimento inicial.

Canola amplia área, apesar das perdas climáticas

A canola se destaca entre as culturas de inverno pelo crescimento da área cultivada. A estimativa atual da Emater/RS-Ascar aponta 379.887 hectares no Estado, aumento de 117,83% em relação aos 174.394 hectares plantados em 2025.

Apesar da expansão, as condições climáticas prejudicaram o potencial produtivo. O excesso de chuvas, o granizo e os ventos fortes provocaram abertura de síliquas, debulha natural e danos mecânicos, sobretudo em áreas do Noroeste. A produtividade está estimada em 1.340 kg/ha, redução de 17,23% em relação à projeção inicial de 1.619 kg/ha.

A produção deve alcançar 508.863 toneladas, volume 78,25% superior às 285.481 toneladas colhidas em 2025. A colheita segue em andamento, mas a permanência das lavouras no campo aumenta o risco de escurecimento das síliquas e ocorrência de grãos mofados.

Aveia-branca e cevada também enfrentam problemas de qualidade

A colheita da aveia-branca está avançada, mas ainda há lavouras em maturação e enchimento de grãos. A redução da umidade permitiu retomar as operações em algumas localidades. Entretanto, o baixo Peso Hectolitro continua restringindo a comercialização de parte da produção para a indústria. A área cultivada está estimada em 382.637 hectares, queda de 2,67% em relação a 2025, e a produção deve recuar 10,99%, para 832.848 toneladas.

Na cevada, parte das lavouras já está em maturação e a colheita começou em áreas do Planalto Médio destinadas à produção de ração animal. A indústria cervejeira também iniciou o recebimento de grãos para malteação, mas alguns lotes foram desclassificados por não atenderem aos padrões de qualidade. Entre os problemas relatados estão índices de germinação e tamanho dos grãos abaixo do desejado, além de teores de desoxinivalenol (DON), micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium, acima dos níveis considerados adequados.

A área cultivada de cevada está estimada em 21.591 hectares, redução de 32,55% em relação a 2025. A produção deve totalizar 67.242 toneladas, queda de 42% ante as 115.935 toneladas colhidas no ano anterior. Segundo a Emater/RS-Ascar, a diminuição da área plantada está relacionada ao prognóstico de El Niño e aos riscos produtivos associados às condições climáticas esperadas durante o ciclo.

Arroz tem avanço lento no plantio

A semeadura do arroz também avança de forma lenta e desigual, condicionada pela umidade do solo e pelas condições de tráfego das máquinas. Os volumes elevados de precipitação registrados nas três semanas anteriores exigiram esforços para manter os sistemas de drenagem das lavouras.

As baixas temperaturas atrasaram a germinação e a emergência em algumas áreas, provocando estandes desuniformes e dificultando o planejamento de operações como aplicação de herbicidas, adubação nitrogenada e início da irrigação.

Para a safra 2026/27, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) projeta área de 861.779 hectares. A produtividade inicial estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.741 kg/ha.

Feijão e milho para silagem

A semeadura do feijão da primeira safra ocorre de forma desigual entre as regiões gaúchas. O plantio está mais avançado em áreas de menor altitude, enquanto nas regiões mais elevadas, como os Campos de Cima da Serra, ainda não começou. As lavouras implantadas estão em desenvolvimento vegetativo, com crescimento inicial mais lento nas áreas submetidas a temperaturas amenas e baixas.

A Emater/RS-Ascar estima o cultivo de 24.587 hectares de feijão na primeira safra, com produtividade inicial de 1.759 kg/ha.

Já a implantação do milho destinado à silagem avançou pouco no período, devido ao escalonamento do plantio e à elevada umidade do solo. A cultura está predominantemente em desenvolvimento vegetativo, e as adubações nitrogenadas de cobertura seguem nas áreas com condições para a entrada de máquinas. A projeção estadual é de 369.389 hectares cultivados, com produtividade de 38.392 kg/ha.

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