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Uma das maiores feiras do setor, EIMA registra resultados recordes

Uma das maiores feiras do setor, EIMA registra resultados recordes

45ª Exposição Mundial de Máquinas Agrícolas, a EIMA 2022, supera expectativas e marca retomada pós-pandemia com resultados expressivos

Por Leonardo Gottems (enviado especial)

A cidade de Bolonha, na Itália, recebeu no mês de novembro a 45ª edição da Exposição Mundial de Máquinas Agrícolas (EIMA 2022). Foi um evento diferente em relação aos anteriores, no qual a revista Máquinas & Inovações Agrícolas esteve presente, junto com outros 327.100 visitantes, sendo 57.300 estrangeiros. As diferenças começam já nesse número, que representou um novo recorde, superando o sucesso da edição de 2018 – quando foram 317.000 pessoas.

Foi visível o sentimento de retomada, firmando a EIMA como um dos maiores eventos do setor no cenário internacional. Durante os cinco dias de feira, organizada pela Federação Nacional dos Fabricantes de Máquinas Agrícolas da Itália (FederUnacoma), foi possível perceber claramente como o mercado está evoluindo rapidamente, de forma sustentável, e com os olhos fixos em um futuro cada vez mais digital e verde.

 A exposição de Bolonha superou definitivamente o período mais sombrio para eventos de exposições comerciais: os dois anos (2020-2022) de pandemia da Covid-19, seguido pela consequente crise econômica mundial. A EIMA atravessou todos os percalços e reforçou sua liderança no cenário mundial.

Visitantes internacionais vieram de todos os continentes, representando 18% do total de presenças, com 80 delegações oficiais de operadores econômicos animando encontros de negócios no especialmente montado “Pavilhão das Delegações Estrangeiras”.

Uma das maiores feiras do setor, EIMA registra resultados recordes“O sucesso da EIMA confirma o crescente interesse em tecnologias agrícolas de nova geração para atender às necessidades alimentares de uma população global que crescerá em quase um bilhão de pessoas nos próximos dez anos”, declarou o presidente da FederUnacoma, Alessandro Malavolti.

Ele confirmou que, como em todas as regiões do mundo, também na Itália trabalha-se para inovar os métodos de cultivo, buscando o uso científico e sustentável dos recursos hídricos e da fertilidade do solo. “Nesta perspectiva”, acrescentou Malavolti, “uma exposição comercial como a EIMA tem uma missão importante também para os próximos anos”.

A gerente-geral da FederUnacoma, Simona Rapastella, acrescentou que o saldo dessa edição da feira “é resultado de um acompanhamento muito rigoroso que realizamos como Federação, procurando oferecer, aos fabricantes e ao público comercial, serviços de feiras cada vez mais eficientes”.

Segundo ela, “também é resultado de investimentos substanciais que fizemos para promover a exposição e envolver todos os alvos estratégicos. Investimentos adicionais foram feitos pelo BolognaFiere para melhorar as estruturas do centro de exposições que continuará nos próximos anos em sintonia com uma feira que tem um grande presente e um grande futuro”, completa.

Ferramentas para enfrentar a crise

Durante o evento, alguns painéis discutiram o uso da tecnologia agrícola e como ela deve impactar no futuro próximo. Em um deles a presença de mais destaque foi a de Paolo De Castro, várias vezes Ministro da Agricultura da Itália e atual membro titular da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu. De acordo com ele, a tecnologia agrícola é uma ferramenta fundamental para combater a crise de energia e também de custos elevados na produção de alimentos.

“As inovações tecnológicas, com a aplicação da Agricultura Inteligente e de Precisão, confirmam seu lugar como ferramentas necessárias que não podem mais ser adiadas para agricultores que enfrentam uma grave crise de energia e custos crescentes de matérias-primas, que estão pressionando a renda agrícola. São técnicas já consagradas, como as da Evolução Assistida, que aguardam o sinal verde da Comissão Europeia, que em breve deverão permitir aos agricultores compensar a redução de 50% nos pesticidas de síntese química, conforme indicado no Green Deal”, indica ele.

Uma delegação de 10 parlamentares do Parlamento Europeu visitou a exposição para tratar de uma política mais focada em culturas especializadas, como das culturas “hortofrutícolas”, que são cada vez mais importantes para o mercado e para a rentabilidade do setor primário. 

A União Europeia considera a agricultura de precisão um objetivo incontornável para ultrapassar as dificuldades criadas pelas alterações climáticas e pelo crescimento da população mundial. Isso foi reafirmado pelo presidente da Comagri (Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu), o alemão Norbert Lins:

 “Fiquei impressionado com o nível tecnológico dessas máquinas. Vimos equipamentos muito especializados e até com inteligência artificial. A quantidade e a qualidade das novidades expostas impressionaram”, disse.

Ao final da visita à feira, Malavolti e Lins realizaram um breve debate aberto ao público. Antoine Hoxha, diretor técnico da Fertilizers Europe, associação de fabricantes de fertilizantes, participou do encontro por meio de um link-up e lembrou ao público como o preço do gás, ainda a principal fonte de energia mesmo para a indústria de seu setor, aumentou custos inesperadamente.

Modernização da produção

Ainda dentro da questão da tecnologia e da modernização da produção, o uso de robôs na agricultura também foi um tema central da EIMA 2022. Esse debate começou com o fato de a França, os Estados Unidos e alguns países do Leste Europeu já trabalharem efetivamente com robôs nas fazendas. Mas também na Itália, onde ocorreu a feira, a demanda por robôs na agricultura está começando a ganhar terreno para aumentar e melhorar a produção, complementando o trabalho humano e reduzindo o impacto ambiental. O principal obstáculo à disseminação, no entanto, continua sendo a segurança.

“Estamos na infância, ainda não surgiu uma demanda real do mercado, mas vemos muitos projetos de robôs pequenos e grandes surgindo também em nosso país. E há muita curiosidade por parte dos agricultores. O obstáculo que temos que superar é o da segurança da máquina quando ela interage com o homem”, explica Alessio Bolognesi, especialista em tecnologia digital da FederUnacoma.

Os robôs podem ser usados para muitas atividades, desde a poda de vinhedos até o controle de pragas e plantas daninhas, além de também serem uma ferramenta eficaz para reduzir o impacto ambiental do ciclo de produção. De fato, a robótica revela-se também útil para atingir mais rapidamente os objetivos traçados pela Comissão Europeia, destacadamente a redução de 50% dos pesticidas até 2030.

Contudo, outra barreira é o ceticismo, como aponta Riccardo Basantini, gerente de vendas da 12 Steps Distribution. “Ainda hoje, a robótica é uma tecnologia ao alcance de todos e que pode ser utilizada de forma simples. Além disso, a robótica pode ser um aliado valioso para a humanidade, para realizar todas aquelas operações que podem ser perigosas, como limpar o fundo de um vale, por meio de controle remoto”, diz.

De qualquer forma, o caminho para o uso de robôs está traçado, como também mostrou o Consórcio criado pelo Politecnico di Milano e a Universidade de Milão, juntamente com vários centros de pesquisa estrangeiros, precisamente para medir e melhorar o desempenho dos robôs. “Um consórcio com o qual estamos tentando medir o quão bom é um robô em distinguir entre culturas e ervas daninhas”, explica Matteo Matteucci, professor do Politécnico. 

Indo um pouco mais a fundo na tecnologia, as estimativas do Smart Agrifood Observatory apresentadas na Eima International indicam que a agricultura 4.0 na Itália vale 1,6 bilhão de euros em faturamento e cobre 6% das terras agrícolas cultivadas. Sendo assim, a conclusão do evento foi de que a corrida pela Agricultura 4.0 continua inabalável.

O crescente interesse, a multiplicidade de inovações e o aumento da confiança na tecnologia digital estão levando fazendas e fornecedores de equipamentos técnicos a novas soluções. A Eima International refletiu a tendência com uma multiplicidade de inovações nos salões e, sobretudo, com uma visão atual do fenômeno. 

“O crescimento da agricultura 4.0 é evidente e contínua. Em cinco anos, o faturamento na Itália aumentou mais de dez vezes de cerca de 100 milhões de Euros em 2017 para 1,6 bilhão de Euros em 2021, com um aumento de 23% somente no último ano. Este é um número significativo que acompanha o aumento da área coberta pela Agricultura 4.0. Em 2016, o Ministério da Agricultura havia declarado a meta de alcançar o manejo de precisão em 10% das superfícies até 2021”, enfatiza Andrea Bacchetti, diretor do Smart Agrifood Observatory.

“Não chegamos lá. Mas se você considerar que em 2019 ainda estávamos abaixo de 1%, em 2020 estávamos entre 3% e 4%, e em 2021 estimamos estar em torno de 6%, você pode entender qual é a tendência e aceleração do crescimento. A maior parte dos 1,6 mil milhões de euros é contabilizada pela maquinaria relacionada com a agricultura 4.0 (47% do total) e o controle de veículos e equipamentos (35%), embora haja um bom crescimento também em sistemas de apoio à decisão”, complementa Bacchetti.

Um dado final, significativo para uma atitude diferente das agroindústrias, é o dos benefícios esperados da Agricultura 4.0. “Esperávamos que no topo das expectativas das fazendas houvesse uma redução de custos, mas os agricultores que ativaram essas soluções colocaram em primeiro lugar a redução de insumos técnicos e economia de água, a melhoria da qualidade do solo e o produto final, e me

Cenário internacional

No cenário geopolítico contemporâneo, a competição entre os Estados não se dá apenas no terreno da indústria, das matérias-primas ou das finanças, mas também no da produção de alimentos. O setor primário é, portanto, como os demais, utilizado pelos Estados como estratégia para exercer sua influência no cenário internacional e, assim, condicionar as políticas de seus concorrentes. Foi o que falou o analista geopolítico Dario Fabbri no encontro intitulado “Agricultura, variável decisiva nos arranjos geopolíticos”.

“A guerra entre a Rússia e a Ucrânia é também uma guerra agrícola, e é significativo que o único ‘terreno comum’ de diálogo encontrado até agora entre os dois beligerantes tenha sido justamente a exportação de trigo pelo porto de Odessa [o chamado ‘Corredor do Mar Negro’]. O acordo permitiu desbloquear uma situação que poderia ter abalado a estabilidade política dos países africanos e do Oriente Médio mais dependentes do trigo ucraniano”, indicou o especialista.

Se hoje a agricultura é também um instrumento de influência política, a questão da autossuficiência alimentar e do aumento do rendimento produtivo tornou-se uma questão estratégica para muitos Estados. Um jogo muito importante, acrescentou ele, é que Índia e China estão jogando no campo da independência tecnológica, para criar máquinas cada vez mais avançadas que lhes permitam aumentar a produtividade e, assim, fortalecer sua posição no sistema de comércio global. 

“A agricultura emergiu nos últimos anos como um setor central e isso só pode mudar a percepção comum sobre a agricultura. Está ocorrendo uma transformação cultural que levará não só o mundo político, mas também as novas gerações a conceber a agricultura não mais como um setor marginal, mas como um elemento central da economia de cada país”, concluiu Dario Fabbri.

A próxima edição da EIMA Internacional já está marcada para 6 a 10 de novembro de 2024, mas também 2023 terá o regresso da Agrilevante by EIMA, que será realizada no centro de exposições de Bari, de 5 a 8 de outubro de 2023.

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