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BNB contrata 52% a mais na agricultura familiar e supera R$ 8,6 bi em financiamentos
Mercado

Após sequência de recordes, número de pessoas no agro recua no 1º trimestre

Por Redação 24/08/2026
Escrito por Redação

Após sequência de recordes, número de pessoas no agro recua no 1º tri

O número de pessoas trabalhando no agronegócio brasileiro somou 27,79 milhões no primeiro trimestre de 2026, com pequena baixa de 1% (o que corresponde a uma redução de 267.298 trabalhadores) frente ao mesmo período do ano anterior, conforme apontam pesquisas realizadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Ressalta-se que essa retração é verificada após uma trajetória de sucessivos recordes.

Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento acompanhou a retração do mercado de trabalho brasileiro como um todo, que apresentou taxa de desocupação de 6,1% no período. Nesse contexto, os trabalhadores do agronegócio representaram 25,73% da população ocupada no Brasil no primeiro trimestre de 2026, participação inferior à verificada no primeiro trimestre de 2025 (26,33%) e também abaixo da registrada no último trimestre do ano passado (26,03%).

A retração no número de trabalhadores nos três primeiros meses de 2026 está atrelada sobretudo à diminuição observada nos agrosserviços (de -2,9%, ou 307.994 trabalhadores), segmento que respondeu pela maior parcela da queda, seguida pelas agroindústrias (-3,1%, ou 148.527 trabalhadores) e pelos insumos (-1,2%, ou 3.756 trabalhadores). Em sentido contrário, o segmento primário registrou crescimento de 2,5%, com acréscimo de 189.979 trabalhadores, atenuando parcialmente a redução da ocupação no agronegócio.

Perfil

Na comparação entre os primeiros trimestres de 2026 e de 2025, houve redução dos empregados sem carteira assinada (-3,6%, ou 147,4 mil pessoas), dos empregados com carteira assinada (-1,2%, ou 115,8 mil pessoas), dos empregadores (-5,2%, ou 55,8 mil pessoas) e dos trabalhadores familiares auxiliares (-5,0%, ou 68,5 mil pessoas). Em contraste, os trabalhadores por conta própria apresentaram crescimento de 1,8%, com acréscimo de aproximadamente 120,2 mil pessoas. Pesquisadores do Cepea indicam que esse resultado atenuou parcialmente a retração observada nas demais categorias, mas foi insuficiente para impedir a redução da ocupação total do setor.

Em relação à escolaridade, houve diminuição do número de trabalhadores sem instrução (-1,4%, ou 16,0 mil pessoas), com ensino fundamental (-1,9%, ou 191,4 mil pessoas) e com ensino médio (-1,1%, ou 91,8 mil pessoas). Em sentido contrário, o contingente de trabalhadores com ensino superior cresceu 1,6%, o equivalente a aproximadamente 72,9 mil pessoas. Dessa forma, ainda que a população ocupada total do agronegócio tenha recuado nas duas bases de comparação, manteve-se o avanço relativo dos trabalhadores com maior nível de instrução, dando continuidade ao processo de elevação da escolaridade média da força de trabalho do setor observado ao longo dos últimos anos.

Quanto ao gênero, o contingente de homens ocupados no agronegócio apresentou retração de 1,2% (ou aproximadamente 203,4 mil pessoas) e o de número de mulheres caiu 0,5% (ou cerca de 63,9 mil trabalhadoras). Pesquisadores do Cepea apontam que, embora ambos os grupos tenham registrado redução da população ocupada nas duas bases de comparação, a retração foi relativamente menos intensa entre as mulheres, resultando em um novo avanço de sua participação relativa na força de trabalho do agronegócio e dando continuidade à tendência observada nos últimos anos.

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24/08/2026 0 Comentários
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Tecnologia

Como silos nas fazendas pode salvar margem do produtor no segundo semestre

Por Redação 24/08/2026
Escrito por Redação

Como silos nas fazendas pode salvar margem do produtor no segundo semestre

O descompasso entre a capacidade real de armazenagem e o volume total de grãos colhidos a cada ciclo consolidou-se como um dos principais fatores de instabilidade na comercialização agrícola nacional. O gargalo ganha contornos críticos no segundo semestre com o escoamento simultâneo do milho e do algodão.

Enquanto os Estados Unidos retêm 65% de sua capacidade estática dentro das propriedades rurais, o Brasil armazena apenas 15% na origem, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Essa escassez força o produtor a uma venda compulsória logo após a colheita, pressionando as cotações internas no período de pico da oferta.

Segundo Franklin Oliveira, diretor comercial da AGI Brasil, uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país, o cenário exige uma análise que vai além do espaço físico.

“O déficit mensurado é mais agudo em regiões de expansão agrícola no segundo semestre, como o Matopiba e o norte de Mato Grosso. O armazenamento planejado protege o produtor contra a oscilação de preços, mas demanda superar barreiras regulatórias locais, garantir eficiência energética e manter a estrita conformidade com as exigências técnicas de certificação”, explica.

Gargalos regulatórios 

Os investimentos privados para consolidar novos projetos nas fazendas enfrentam entraves que vão desde licenças ambientais estaduais até o atendimento à Lei nº 9.973, que regulamenta o Sistema de Certificação de Armazéns do país. Soma-se a isso a necessidade de aportes para adequar as plantas às normas de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), como a NR-33, voltada para o trabalho em espaços confinados.

Nesse ambiente restritivo, Oliveira explica que o acesso a materiais de alta especificação, como silos construídos com aços de alta resistência estrutural e revestimentos galvanizados superiores, tornou-se determinante para suportar a carga dinâmica de carregamentos contínuos.

“No entanto, para combater o estresse térmico severo no interior do silo, a engenharia de proteção do grão precisa ir além da barreira física do aço”, alerta o diretor. “Se a estrutura de armazenagem não contar com um sistema ativo e automatizado de circulação de ar, a oscilação térmica interna acelera a taxa respiratória do grão, provocando o consumo de matéria seca e a consequente perda real de peso do lote. Projetos de alta performance integram sistemas de termometria digital e ventilação automatizada, permitindo o controle da temperatura e da umidade da massa de grãos, preservando suas características físicas, sanitárias e comerciais e atendendo aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e pelo mercado exportador”.

Diante de safras que testam anualmente a eficiência logística nacional, a expansão tecnológica da armazenagem surge como o elo regulador para proteger as margens do agronegócio. “A sustentabilidade financeira da porteira para dentro depende da autonomia de comercialização. E ela só é alcançada quando o produtor dispõe de uma estrutura robusta e capaz de preservar a integridade biológica do seu patrimônio por longos períodos”, conclui o diretor comercial.

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24/08/2026 0 Comentários
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Tecnologia

Sistema Faep lança curso inédito no Brasil sobre escoltas de máquinas agrícolas

Por Redação 21/08/2026
Escrito por Redação

Sistema Faep lança curso inédito no Brasil sobre escoltas de máquinas agrícolas

Desde o final de 2024, máquinas agrícolas podem circular em vias públicas. Isso trouxe um desafio para os produtores rurais, que precisam garantir que esse deslocamento ocorra com segurança. Para atender a essa demanda, o Sistema FAEP lançou um curso inédito no Brasil, voltado à capacitação em escoltas de máquinas agrícolas.

A formação foi desenvolvida após a publicação da Resolução 1.017/2024, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabeleceu critérios para o registro e a circulação de tratores e demais máquinas agrícolas em vias públicas. Entre as exigências da norma, está a realização de escolta para máquinas com largura superior a 2,80 metros durante o deslocamento em rodovias.

“A partir dessa resolução, reunimos sindicatos rurais e a Polícia Rodoviária Estadual para construir uma capacitação que permitisse esse trânsito com segurança. A criação do curso atende o campo”, explica o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “A capacitação é inédita entre os serviços do Senar [Serviço Nacional de Aprendizagem Rural] no Brasil, reforçando o protagonismo do Paraná na busca por soluções voltadas à segurança no meio rural”, complementa.

Embora a nova resolução não estabeleça critérios de capacitação para quem realiza a escolta, exigindo apenas que o condutor seja habilitado e que o veículo esteja em condições regulares de circulação, o Sistema FAEP desenvolveu o curso para auxiliar os agricultores e pecuaristas.

“A preocupação é com quem acompanha essas máquinas. Muitas vezes é o próprio produtor ou seus familiares. Ou seja, se ocorrer um imprevisto, essa pessoa precisa saber como sinalizar a via, orientar os demais motoristas, acionar os órgãos competentes e agir de forma segura”, destaca Meneguette. “O objetivo é garantir que o deslocamento das máquinas aconteça com segurança, reduzindo riscos tanto para o produtor quanto para os demais usuários das rodovias”, acrescenta.

Formação une teoria e prática

O curso possui carga horária de 12 horas, sendo oito horas de conteúdo teórico e quatro horas de atividades práticas. Cinco instrutores do Sistema FAEP passaram por uma capacitação específica para ministrar o treinamento.

Durante as aulas, os participantes recebem orientações sobre direção defensiva, posicionamento correto do veículo de escolta, distâncias de segurança, procedimentos para travessia de rodovias, comunicação entre o operador da máquina e o escoltador, noções de primeiros socorros e protocolos de emergência.

“Abordamos situações do dia a dia, como a distância adequada entre a máquina e o veículo de escolta, como agir em caso de neblina, quando é permitido circular e como proceder se houver uma pane ou um acidente durante o deslocamento”, explica o técnico Maurinei Benedito Igerski, do Departamento de Desenvolvimento da Oferta do Sistema FAEP.

Outro tema tratado na capacitação é a Autorização Especial de Trânsito (AET), documento exigido para a circulação de máquinas com dimensões específicas. Para participar do treinamento, é necessário procurar o sindicato rural da região.

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Tecnologia

IA muda a gestão do agro antes mesmo de transformar o campo, aponta TIVIT

Por Redação 21/08/2026
Escrito por Redação

IA muda a gestão do agro antes mesmo de transformar o campo, aponta TIVIT

A inteligência artificial começa a ocupar um espaço mais relevante na operação do agronegócio brasileiro. Depois de um período marcado por projetos piloto, a tecnologia passa a apoiar decisões relacionadas ao planejamento da produção, logística, manutenção de ativos e gestão de recursos naturais, áreas em que pequenas melhorias operacionais podem representar ganhos significativos de produtividade e eficiência.

Para a TIVIT, multinacional do Grupo Almaviva, a evolução é concreta, mas ainda desigual. Grandes grupos do agronegócio já incorporaram modelos analíticos a diferentes etapas da operação, enquanto outras empresas e produtores ainda precisam organizar seus dados, integrar sistemas e superar limitações de conectividade.

“Existe uma percepção de que a IA transforma primeiro o campo, mas muitas vezes os ganhos aparecem antes na gestão da operação. Quando ela passa a apoiar decisões do dia a dia, a empresa cria uma base sólida para aplicações cada vez mais avançadas”, afirma Daniel Calero, Diretor de Digital, Dados e Inteligência Artificial da TIVIT.

Na manutenção de máquinas, por exemplo, dados de sensores e históricos de funcionamento podem ajudar a identificar sinais de perda de desempenho antes de uma falha. Na logística, modelos analíticos apoiam o planejamento do transporte e a definição de rotas. Já na irrigação, o cruzamento de informações sobre solo, clima e operação pode orientar o uso mais eficiente da água.

Em projetos conduzidos pela TIVIT no agronegócio, a integração de sensores IoT, plataformas de dados e modelos de inteligência artificial, já permitiu reduzir em até 30% as paradas não planejadas de equipamentos, aumentando a disponibilidade dos ativos e a previsibilidade das operações.

Os resultados variam conforme a cultura, o nível de mecanização, as condições climáticas e a maturidade digital de cada operação. Por isso, não existe um único indicador capaz de representar os ganhos da IA no agronegócio. Os ganhos normalmente surgem da soma de melhorias como redução de desperdícios, melhor utilização de insumos, aumento da disponibilidade das máquinas e decisões mais precisas ao longo do ciclo produtivo.

“O maior erro é imaginar que a transformação digital começa pela tecnologia. Ela começa pelo entendimento da operação. Nenhuma tecnologia substitui dados confiáveis, processos bem definidos e conhecimento técnico. Quando essa base existe, a inteligência artificial acelera resultados; quando não existe, ela apenas torna problemas antigos mais sofisticados”, explica Thiago Lourenço, Head de Negócios Digitais da TIVIT.

As aplicações mais avançadas aparecem principalmente em segmentos mecanizados e que geram grandes volumes de dados, como grãos, cana-de-açúcar, florestas plantadas, citricultura e pecuária de grande escala. A expansão de serviços em nuvem, plataformas compartilhadas e modelos por assinatura, porém, também vem ampliando o acesso de pequenos e médios produtores.

A conectividade ainda representa uma limitação importante. Segundo o Indicador de Conectividade Rural, elaborado pela ConectarAGRO em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a parcela da área passível de uso agrícola com cobertura móvel passou de 18,7%, no fim de 2023, para 33,9% em março de 2025. Entre as principais culturas, a cobertura 4G e 5G alcança 33% da área de soja, 66% da cana-de-açúcar e 69% do café..

Por isso, projetos voltados ao setor precisam funcionar mesmo com comunicação intermitente. Atividades que exigem resposta imediata, como o monitoramento de máquinas, podem ser processadas localmente. Dados históricos, indicadores e análises mais amplas são sincronizados com a nuvem quando a conexão é restabelecida.

Além da busca por produtividade e redução de custos, fatores como rastreabilidade, exigências regulatórias, controle sanitário, sustentabilidade e gestão dos riscos climáticos aceleram os investimentos em digitalização no agronegócio.

“O Brasil reúne escala, diversidade produtiva e conhecimento agronômico para assumir uma posição de destaque na inteligência artificial aplicada ao agro. A tecnologia será cada vez menos um diferencial e cada vez mais uma condição para produzir com eficiência, previsibilidade e competitividade”, conclui Calero.

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21/08/2026 0 Comentários
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Brasil bate recorde na exportação de algodão na safra 2025/2026
Mercado

Brasil bate recorde na exportação de algodão na safra 2025/2026

Por Redação 20/08/2026
Escrito por Redação

Brasil bate recorde na exportação de algodão na safra 2025/2026

O Brasil encerrou o ano comercial 2025/26 com recorde histórico na exportação de algodão. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país exportou 3,37 milhões de toneladas da fibra, volume 19% superior ao registrado no ano comercial anterior, quando foram embarcadas 2,84 milhões de toneladas. As exportações geraram US$ 5,3 bilhões em receita.

Os números fazem parte do Relatório de Safra da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que reúne os principais indicadores da cotonicultura brasileira, com dados de produção, exportações, mercado doméstico, oferta e demanda e cenário internacional.

É a primeira vez que o Brasil supera a marca de 3 milhões de toneladas exportadas em um único ano comercial. O resultado reforça a crescente relevância do país no comércio internacional de algodão e consolida sua posição como maior exportador mundial da fibra.

Os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgados em agosto de 2026, indicam que o Brasil deve manter essa liderança também em 2026/27. A projeção aponta 3,33 milhões de toneladas de algodão exportadas pelo Brasil, contra 2,68 milhões de toneladas pelos Estados Unidos.

O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, explica que ultrapassar pela primeira vez a marca de 3 milhões de toneladas exportadas é um marco para o algodão brasileiro e para toda a cadeia produtiva.

“Esse resultado mostra que o Brasil conquistou escala, competitividade e confiança do mercado internacional. Mais do que comemorar um recorde, precisamos olhar para o que ele representa: o país se consolidou como um fornecedor estratégico de algodão para a indústria têxtil mundial.”

O desempenho ganha ainda mais relevância quando observado em uma perspectiva de médio prazo. No ano comercial 2022/23, o Brasil exportou 1,45 milhão de toneladas. O volume passou para 2,68 milhões em 2023/24, 2,84 milhões em 2024/25 e chegou a 3,37 milhões de toneladas em 2025/26.

Em quatro anos comerciais, o volume exportado pelo país mais que dobrou, evidenciando o avanço da participação brasileira no mercado internacional de algodão.

O desempenho também se refletiu na balança comercial. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o superávit brasileiro do algodão alcançou US$ 5,29 bilhões, resultado 9% superior ao registrado no mesmo período do ano comercial anterior.

China lidera compras do algodão brasileiro

No acumulado de agosto de 2025 a julho de 2026, a China encerrou o ano comercial como principal destino do algodão brasileiro, com 770,5 mil toneladas, aproximadamente 23% do total embarcado.

Na comparação com o mesmo período do ano comercial anterior, os embarques para o mercado chinês aumentaram 309,2 mil toneladas. Bangladesh também se destacou, com crescimento de 173,2 mil toneladas nas compras da fibra brasileira.

Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia também permaneceram entre os principais destinos do algodão brasileiro, reforçando a presença do país em diferentes mercados consumidores.

Para Piccoli, a diversificação dos destinos contribui para ampliar a presença internacional do algodão brasileiro e fortalece a posição do país entre os principais fornecedores mundiais.

“O mercado indiano, por exemplo, ampliou significativamente sua participação, enquanto China, Bangladesh e Turquia permaneceram entre os principais compradores. Essa presença em diferentes mercados reforça a competitividade do algodão brasileiro e amplia as oportunidades para toda a cadeia produtiva”.

Brasil mantém liderança sobre os Estados Unidos

A posição brasileira também se destaca no cenário projetado para o próximo ano comercial.

Segundo o USDA, o Brasil deve permanecer na liderança mundial das exportações de algodão em 2026/27, com aproximadamente 3,33 milhões de toneladas, enquanto os Estados Unidos aparecem com projeção de 2,68 milhões de toneladas.

O Brasil também deve permanecer como terceiro maior produtor mundial de algodão, com produção projetada pelo USDA em 3,97 milhões de toneladas na safra 2026/27, atrás apenas de China e Índia.

O cenário reforça o papel cada vez mais relevante do Brasil no abastecimento da indústria têxtil mundial, combinando escala de produção, competitividade e presença em mercados estratégicos. “Os números recorde não é uma linha de chegada. É uma conquista que aumenta nossa responsabilidade. Precisamos continuar investindo em qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade, inovação e relacionamento com os compradores para que a liderança brasileira seja cada vez mais reconhecida e sustentável no longo prazo”, destaca o presidente Piccoli.

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Moagem de cana-de-açúcar acumula 144,71 milhões de toneladas na safra 2026/27
Mercado

Produção de cana deve alcançar 705,2 milhões de toneladas na safra 2026/27

Por Redação 20/08/2026
Escrito por Redação

Moagem de cana-de-açúcar acumula 144,71 milhões de toneladas na safra 2026/27

A produção de cana-de-açúcar na safra 2026/27 está estimada em 705,2 milhões de toneladas. O volume, se confirmado, representa um crescimento de 4,7% em relação ao ciclo 2025/26, conforme indica o 2º Levantamento da cultura para a atual temporada. De acordo com o boletim, divulgado nesta quinta-feira (20) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o resultado decorre de uma elevação de 1,1% na área destinada para a colheita da cana, atualmente previsto em 9,1 milhões de hectares, e de uma melhora de 3,6% na produtividade média nacional, projetada em 77.905 quilos por hectare, diante das condições climáticas registradas que vêm beneficiando as lavouras desde o início do ciclo.

O Sudeste deve registrar uma produção de 451,4 milhões de toneladas. A principal região produtora de cana-de-açúcar no país apresenta um leve incremento de 0,4% na área destinada à colheita do produto, estimada em 5,6 milhões de hectares, e produtividade média de 80.872 kg/ha, 4,6% acima do que foi registrado na safra passada diante das condições climáticas melhores do que as observadas na última temporada. Apenas os produtores paulistas serão responsáveis por uma colheita de 362,8 milhões de toneladas.

Para a segunda maior região produtora de cana no país, o Centro-Oeste, a Conab espera para a safra 2026/27 tanto um incremento na área, com previsão de 2 milhões de hectares, como na produtividade média, podendo chegar a 78.755 quilos por hectare.

Diante deste cenário, a produção é estimada em 157 milhões de toneladas, 4,6% acima do volume obtido na safra anterior. Aumento de área e produtividade também na região Sul, onde a colheita projetada é de 37,3 milhões de toneladas de cana. Cenário semelhante é encontrado no Norte do país, onde a estimativa é de uma produção de 4,1 milhões de toneladas do produto.

Já no Nordeste, deverão ser colhidas 55,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que indica uma alta de 4,1%. Esse aumento é influenciado principalmente pela maior área a ser colhida, estimada em 923,5 mil hectares, uma vez que a produtividade média das lavouras na região deve registrar um leve aumento de 0,3% em relação ao ciclo anterior, projetada em 60.037 quilos por hectares.

Etanol

A Conab espera um menor volume produzido para o açúcar e um aumento na fabricação de etanol a partir da cana-de-açúcar. De acordo com o levantamento, devem ser produzidas 42,89 milhões de toneladas do adoçante na safra 2026/27, redução de 2,9% em relação à 2025/26.Já o etanol derivado da cana deve registrar aumento de 9,7% na atual safra, podendo chegar a 29,98 bilhões de litros.

Alta também para o combustível fabricado a partir do milho. A estimativa da Conab é que sejam produzidos 11,91 bilhões de litros para o combustível derivado do cereal, elevação de 17% para esta safra quando comparada com a temporada anterior. Com isso, a produção total de etanol no país deve chegar a 41,88 bilhões de litros, incremento de 11,7% em relação ao último ciclo.

Mercado

Os preços do açúcar no mercado internacional seguem em trajetória de alta em agosto, dando continuidade à recuperação iniciada no final de julho. A recuperação das cotações tem sido sustentada, entre outros fatores, pelas expectativas de maior restrição da oferta global, em um cenário marcado por riscos climáticos nas principais regiões produtoras e pela possibilidade de redução da parcela da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar, especialmente no Brasil.

O cenário de mercado para o etanol também permanece favorável. No mercado doméstico, a demanda pelo produto, em especial o anidro, tende a ser favorecida pela elevação do percentual obrigatório de mistura do biocombustível à gasolina, que passou de 30% (E30) para 32% (E32) no final de julho. Esse aumento pode ampliar a demanda pelo biocombustível e, consequentemente, reforçar os incentivos para o direcionamento da matéria-prima à produção de etanol.

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Tecnologia

John Deere lança nova geração de escavadeiras produzidas no Brasil

Por Redação 20/08/2026
Escrito por Redação

 

John Deere lança nova geração de escavadeiras produzidas no Brasil

A John Deere lançou a nova geração de escavadeiras DEX (Deere Excavators), formada pelos modelos 210 P, 230 P e 260 P. Desenvolvida com tecnologia própria da companhia, a linha reúne recursos de automação, conectividade e controle voltados às operações de construção e mineração.

Produzidas em Indaiatuba (SP), as máquinas chegam ao mercado latino-americano a partir de setembro. Segundo a empresa, antes do lançamento, os modelos passaram por mais de 165 mil horas de testes em diferentes países e aplicações.

O lançamento marca uma nova etapa da operação da John Deere no segmento de construção no Brasil. A companhia inaugurou duas fábricas em Indaiatuba há pouco mais de uma década, após investimento de US$ 180 milhões. As novas DEX são as primeiras escavadeiras da categoria produzidas no país com tecnologia John Deere e desenvolvidas a partir da engenharia própria e global da empresa.

“A nova geração de escavadeiras representa um divisor de águas para a John Deere no segmento. Mais do que uma renovação de portfólio, estamos trazendo ao mercado máquinas que carregam a tecnologia, a engenharia e o ecossistema da marca”, afirma Thomas Spana, gerente de Marketing da divisão de Construção da John Deere para a América Latina.

Automação e conectividade

Entre os recursos disponíveis está o SmartGrade 2D, sistema de nivelamento que utiliza referências digitais do terreno para auxiliar o operador nos movimentos de escavação. A tecnologia busca aumentar a precisão da operação e reduzir retrabalho, desperdício de material e tempo de execução.

As máquinas também podem contar com o SmartWeigh, sistema de pesagem que mede em tempo real o material movimentado, permitindo acompanhar volumes e produtividade.

Outro recurso é o Comando Inteligente, que auxilia no controle automático do braço, da lança e da caçamba. Já o sistema de Cercas Virtuais cria limites digitais para a operação e ajuda a evitar colisões com estruturas, obstáculos e áreas restritas.

A linha também incorpora sistemas de visão panorâmica e detecção de obstáculos, além de câmeras que ampliam a visibilidade ao redor da máquina.

Todas as escavadeiras são conectadas ao John Deere Operations Center, plataforma que permite monitoramento remoto, análise de dados operacionais, diagnóstico e suporte técnico à distância.

Cabine redesenhada

A cabine foi redesenhada e ganhou telas touchscreen G5 de 10 ou 12 polegadas e o CommandArm, apoio lateral que concentra os principais comandos ao alcance do operador. Os joysticks eletro-hidráulicos podem ser programados de acordo com a preferência e a aplicação.

O sistema eletro-hidráulico permite ajustes de fluxo e pressão diretamente pela cabine e foi desenvolvido para oferecer respostas mais rápidas e suaves aos comandos.

Entre os equipamentos disponíveis estão assentos com múltiplos ajustes, aquecimento e resfriamento, ar-condicionado, rádio com Bluetooth e botão de partida sem chave, com senha individual.

A John Deere também oferece recursos de acesso e controle remoto do display. O Acesso Remoto de Display (RDA) permite que técnicos acompanhem a operação, orientem ajustes e realizem atualizações de software à distância. Já o Controle Remoto de Display (RDC) permite configurar as informações do display fora da cabine, mediante autorização do operador.

As escavadeiras foram projetadas para aplicações em ambientes severos, com mudanças estruturais voltadas à durabilidade e à redução da necessidade de manutenção.

Os chassis e estruturas frontais utilizam aço estrutural de alta resistência. O novo sistema de pinos e buchas pode ampliar a vida útil dos componentes em até cinco vezes, segundo a John Deere.

O conjunto rodante teve aumento de 20% na durabilidade, enquanto as novas caçambas, desenvolvidas com materiais mais resistentes ao desgaste, podem ter vida útil até 12% maior.

A linha também apresenta aumento da força de escavação, capacidade de elevação e profundidade de escavação, além de ganhos de eficiência operacional e consumo de combustível, de acordo com a fabricante.

As máquinas podem ser configuradas com engate rápido hidráulico e diferentes linhas auxiliares, permitindo o uso de implementos para diferentes aplicações.

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Produção de soja está estimada em 180,4 milhões de toneladas, diz Abiove
Mercado

Produção de soja está estimada em 180,4 milhões de toneladas, diz Abiove

Por Redação 20/08/2026
Escrito por Redação

Produção de soja está estimada em 180,4 milhões de toneladas, diz Abiove

Clarisse Sousa – A produção nacional de soja em grão está estimada em 180,4 milhões de toneladas em 2026, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgados nesta quinta-feira, 20. As projeções acompanham o levantamento oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta uma produção de 180,6 milhões de toneladas, avanço de 5,3% em relação à safra passada.

Segundo a Abiove, os dados indicam continuidade do ritmo produtivo e processador no país, acompanhando o comportamento da oferta nacional e o atendimento aos mercados interno e externo. 

As exportações do grão estão projetadas em 115,4 milhões de toneladas, enquanto o volume destinado ao esmagamento industrial alcança 63,3 milhões de toneladas.

Para as importações de soja em grão, as estimativas apontam para 900 mil toneladas. No segmento de derivados, a produção de farelo de soja é projetada em 48,7 milhões de toneladas, com volume exportado ajustado para 25,3 milhões de toneladas, representando uma alta de 1,6% em relação à estimativa anterior.

Para o óleo de soja, a produção prevista é de 12,7 milhões de toneladas, com embarques ao exterior projetados em 1,7 milhão de toneladas e importação em 125 mil toneladas.

“A revisão das estimativas reflete a manutenção do dinamismo no processamento nacional de soja e a sólida demanda externa, impulsionada pelo avanço nas exportações de farelo. O crescimento contínuo do esmagamento no acumulado do ano reforça a capacidade operacional e a competitividade do setor industrial brasileiro. Seguimos acompanhando as variáveis de oferta e demanda com prudência para garantir o abastecimento dos mercados interno e externo”, afirma Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove.

Acumulado do ano

Em junho de 2026, o processamento mensal de soja somou 4,95 milhões de toneladas, o que representa um recuo de 5,3% em comparação a maio de 2026 e uma elevação de 7,3% em relação a junho de 2025. No acumulado do ano até junho, o volume processado alcançou 28,3 milhões de toneladas, o que corresponde a um aumento de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025, também considerando o ajuste amostral.

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Esmagamento de soja deve bater recorde em 2026, com 61,5 milhões de toneladas
Mercado

Embarques de soja em grão devem atingir 10,5 mi de toneladas em agosto

Por Redação 19/08/2026
Escrito por Redação

Esmagamento de soja deve bater recorde em 2026, com 61,5 milhões de toneladas

Os embarques de soja em grão devem atingir 10,561 milhões de toneladas em agosto, contra 8,107 milhões de igual mês de 2025, indicam projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Já as exportações de farelo devem alcançar 2,517 milhões de toneladas em agosto, contra 2,021 milhões do mesmo mês do ano passado. Os embarques de milho devem chegar a 5,632 milhões de toneladas em agosto, contra 7,335 milhões de igual mês de 2025.

Fonte: Datagro

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19/08/2026 0 Comentários
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Tecnologia

Manejo adequado pode reduzir impactos do El Niño sobre a soja na safra 2026/27

Por Redação 19/08/2026
Escrito por Redação
Manejo adequado pode reduzir impactos do El Niño sobre a soja na safra 2026/27

Enquanto no Sul a expectativa é de chuvas acima do normal, no Norte e Nordeste são previstas redução e maior irregularidade das precipitações // Foto: Luiz Menegheti

A ocorrência do El Niño durante a safra 2026/2027 deve exigir atenção redobrada dos produtores de soja, com riscos distintos entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sul poderá enfrentar excesso de chuvas, maior erosão do solo e condições favoráveis à ocorrência de doenças, no Norte e no Nordeste, os principais riscos estão associados à redução e à irregularidade das precipitações. Pesquisadores da Embrapa apontam que práticas de manejo adotadas desde o planejamento da safra podem reduzir esses impactos.

Entre as estratégias recomendadas estão o respeito aos períodos de semeadura indicados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a formação de palhada para proteção do solo, o escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com diferentes ciclos. As medidas ajudam a diminuir os riscos associados tanto ao excesso quanto à redução e irregularidade das chuvas ao longo da safra.

Para o pesquisador José Renato Bouças Farias, da Embrapa Soja (PR), o impacto do El Niño sobre a produção agrícola irá depender da intensidade, do volume e da distribuição de chuva e também do manejo agrícola implantado em cada propriedade. “Mesmo sendo um ano de risco, o produtor pode se precaver adotando, desde agora, diferentes práticas agrícolas que diminuam os efeitos deste fenômeno”, avalia.

A expectativa é que no Sul do Brasil, o El Niño provoque um volume de chuvas acima do normal e, no Norte e Nordeste, haja menos chuva. Para a mitigação e a adaptação aos impactos desse fenômeno climático, a Embrapa recomenda a adoção de estratégias integradas de gestão de riscos climáticos para culturas.

“Uma das primeiras observações é o respeito aos períodos de semeadura preconizados pelo Zarc para as culturas de verão”, enfatiza o pesquisador.

Ele aponta ainda que, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os efeitos do El Niño deverão ser menos perceptíveis na próxima safra de soja. “Às vezes, o fenômeno provoca maiores temperaturas, menor umidade do ar e atraso no início das chuvas para a safra de verão na região Centro-Oeste”, afirma. Mesmo assim, as práticas agrícolas recomendadas para o Norte, o Nordeste e o Sul podem ser estendidas também às regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Planejamento

Tanto para a região Sul quanto para o Norte e para o Nordeste, antes da semeadura das culturas de verão como a soja e o milho, a Embrapa indica a implantação de plantas de cobertura para favorecer a formação abundante de palhada. De acordo com Farias, no Sul, um dos principais riscos será a erosão hídrica severa. Por isso, a formação da cobertura vegetal (centeio, aveia – foto abaixo -, nabo forrageiro, entre outros) ainda no inverno, aparece como estratégica para a proteção do solo. “Essa recomendação pode diminuir o efeito do impacto da gota da chuva sobre o solo: principal fator de erosão causado pela chuva”, observa.

No Norte e no Nordeste, as culturas de verão estão sujeitas ao maior risco de falta de água, o que pode ser minimizado também com a cobertura do solo com palhada, por intermédio de plantas de serviço como a braquiária, milheto, crotalária, entre outras. “

Essas plantas promovem maior disponibilidade de água, estimulando a infiltração e a diminuição da evaporação, além de reduzir a temperatura do solo”, complementa o pesquisador.

Ainda nas regiões Norte e Nordeste, o manejo fitossanitário da cultura da soja merece atenção para as possíveis alterações na ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas, em virtude de redução do volume e irregularidades na distribuição das chuvas. “Essa condição geralmente reduz a ocorrência de doenças foliares. Por outro lado, pode dificultar o controle de plantas daninhas e favorecer algumas pragas, como a mosca-branca. Por isso, o monitoramento é importante para orientar a aplicação de defensivos no momento adequado”, destaca o também pesquisador da Embrapa Soja Maurício Meyer.

Para distribuir o risco ao longo da safra, outra indicação apontada pela Embrapa é a semeadura escalonada para evitar o desenvolvimento concentrado numa mesma fase. A prática pode minimizar tanto os efeitos da ocorrência de seca quanto os do excesso de chuva — que também pode ser prejudicial dependendo da fase da cultura em que ocorra. Farias salienta que a indicação da Empresa é combinar o escalonamento da época de semeadura com o uso de cultivares em diferentes ciclos para reduzir os riscos, pois caso ocorra algum evento extremo, nem toda a lavoura será igualmente afetada.

Particularidades do Sul do Brasil

A Embrapa elaborou uma nota técnica que aborda a mitigação dos efeitos do El Niño 2026/2027 na agropecuária da Região Sul do Brasil. Em anos com altos volumes de chuva e maior frequência de dias nublados na primavera-verão, os pesquisadores entendem que os desafios no manejo da soja e do milho merecem atenção redobrada.

Para minimizar riscos, uma das recomendações é a semeadura em nível (ou em contorno), técnica conservacionista em que as linhas acompanham as curvas de nível, perpendicularmente ao sentido do declive. A prática reduz a velocidade do escoamento superficial ao diminuir a energia da água. Segundo Farias, favorece também a infiltração de água no perfil do solo, abastecendo o reservatório da lavoura e reduzindo a possibilidade de erosão por escoamento superficial.

Outra prática recomendada para garantir condições adequadas de drenagem superficial são os terraços. O terraceamento agrícola é uma prática de conservação do solo e da água em áreas agrícolas, por sua capacidade de reduzir o impacto da declividade, controlar o escoamento superficial, aumentar a infiltração de água no solo, minimizar as perdas por erosão hídrica, e colaborar com o armazenamento de água. Quando adequadamente dimensionado, o sistema de terraços desempenha papel central na retenção de água e na conservação dos recursos do solo.

Outro ponto importante é o manejo das tecnologias de aplicação de defensivos. O excesso de chuva pode dificultar as pulverizações para o controle de pragas, plantas daninhas e doenças. Farias alerta que “o manejo fitossanitário tem que ser muito mais racional. O produtor deve ficar atento para aplicar no momento adequado, porque senão joga dinheiro fora”.

Mais chuva, maior atenção às doenças

De acordo com o relatório do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os modelos indicam probabilidade acima de 90% de permanência do fenômeno El Niño até, pelo menos, o início de 2027, trazendo bom volume de chuvas para a cultura da soja na Região Sul.

O verão mais chuvoso, com calor e curtos períodos de sol, forma o ambiente perfeito para a incidência de doenças fúngicas na soja. Por isso, é importante reforçar o monitoramento, principalmente porque o molhamento prolongado favorece algumas doenças da soja, como ferrugem-asiática, mofo-branco, mancha-alvo, antracnose e doenças de final de ciclo; e do milho, como cercosporiose, mancha-branca, helmintosporiose e podridões.

A pesquisadora da Embrapa Trigo (RS) Leila Costamilan explica que o primeiro problema que poderá aparecer nas lavouras, em anos de chuvas frequentes, é a podridão-radicular de fitóftora, a doença mais frequente em áreas compactadas, com solos mal drenados e acúmulo de água. Ela causa maiores perdas durante a emergência das plantas, levando à ressemeadura de soja em muitas lavouras. A orientação é utilizar cultivares resistentes e fazer o tratamento de sementes com fungicida específico.

Em anos chuvosos, a principal doença a ser controlada é a ferrugem-asiática da soja, que continua requerendo atenção de controle pelo seu elevado potencial de causar redução de produtividade. Segundo Meyer, períodos prolongados de molhamento foliar e temperaturas amenas favorecem o progresso da doença.

“Recomendamos o monitoramento das condições ambientais favoráveis e o acompanhamento dos primeiros relatos de ocorrência da doença para definir o melhor momento do controle químico e a utilização de fungicidas preventivamente ou no aparecimento dos sintomas”, afirma. O monitoramento da doença, durante a safra, pode ser feito pelo site do Consórcio Antiferrugem.

Outras medidas de manejo da doença recomendadas pela Embrapa incluem o cumprimento do vazio sanitário, o escape pela semeadura de cultivares precoces (no início da época recomendada) e a utilização de cultivares com genes de resistência. A publicação Eficácia de fungicidas para controle das principais doenças na cultura da soja também pode auxiliar os produtores na composição de programas de aplicações de fungicidas para controle de doenças da soja.

 

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