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Tecnologia

Plano Safra impulsiona a recuperação de pastagens e amplia oportunidades para a ILPF

Por Redação 03/08/2026
Escrito por Redação

Plano Safra impulsiona a recuperação de pastagens e amplia oportunidades para a ILPF

As pastagens brasileiras representam um dos maiores ativos da agropecuária nacional. Com cerca de 165 milhões de hectares, elas guardam um enorme potencial para ampliar a produção de alimentos, fibras, madeira e bioenergia por meio da recuperação produtiva e da adoção de tecnologias sustentáveis (Fonte Embrapa Territorial).

Para a Rede ILPF, esse potencial encontra no Plano Safra 2026/2027 uma importante oportunidade de transformação. Entre as diversas linhas de crédito disponibilizadas pelo programa, o RenovAgro Recuperação e Conversão se destaca como uma das principais alavancas para impulsionar a recuperação de pastagens degradadas e sua conversão em sistemas produtivos mais eficientes, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

A linha oferece uma das menores taxas de juros entre os programas de investimento para projetos voltados à recuperação de pastagens degradadas e sua conversão em sistemas produtivos de maior eficiência, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

As operações contam com taxa prefixada de até 8,5% ao ano, prazo de até 12 anos para pagamento, com possibilidade de carência conforme o projeto, e limite de financiamento de R$ 5 milhões por produtor, por ano agrícola, independente de outros créditos concedidos ao amparo de recursos controlados do crédito rural.

Segundo Francisco Matturro, presidente executivo da Rede ILPF, o crédito rural é um instrumento estratégico para acelerar a intensificação sustentável da produção agropecuária.

“O futuro do agro brasileiro está nas pastagens. O Brasil possui uma oportunidade única de aumentar sua produção recuperando áreas que já estão abertas, sem necessidade de expandir a fronteira agrícola. O RenovAgro é uma importante alavanca para que o produtor transforme pastagens de baixa produtividade em sistemas integrados mais eficientes, produzindo mais alimentos, gerando mais renda e promovendo benefícios ambientais.”

O RenovAgro Recuperação e Conversão financia investimentos voltados à recuperação de pastagens degradadas, implantação de sistemas ILPF, Integração Lavoura-Pecuária (ILP), Integração Lavoura-Floresta (ILF), Integração Pecuária-Floresta (IPF) e sistemas agroflorestais. Também contempla investimentos em correção e manejo do solo, aquisição de sementes e mudas, implantação e recuperação de cercas, bebedouros, assistência técnica, máquinas, equipamentos e demais estruturas necessárias para implantação dos projetos.

Além de aumentar a produtividade utilizando áreas já abertas, a recuperação de pastagens contribui para melhorar a qualidade do solo, ampliar a ciclagem de nutrientes, favorecer o bem-estar animal, diversificar a produção e fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos frente às mudanças climáticas. Para a Rede ILPF, trata-se de uma estratégia capaz de conciliar ganhos econômicos, ambientais e sociais, reforçando a competitividade da agropecuária brasileira.

Embora o Plano Safra reúna diferentes programas destinados ao fortalecimento do setor agropecuário — como linhas voltadas à inovação tecnológica, armazenagem, modernização da produção e infraestrutura — o RenovAgro ocupa posição de destaque ao incentivar diretamente investimentos em sistemas de produção sustentáveis.

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03/08/2026 0 Comentários
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Safra 2024/25 começa a ganhar ritmo no Oeste da Bahia, com previsão de 780 mil toneladas de algodão
Mercado

Colheita do algodão alcança 13,1% em Mato grosso e Imea indica atraso

Por Redação 03/08/2026
Escrito por Redação

Colheita do algodão alcança 13,1% em Mato grosso e Imea indica atraso

A colheita do algodão da safra 2025/26 em Mato Grosso alcançou 13,11% da área cultivada nesta última semana de julho. Apesar da evolução dos trabalhos no campo, o ritmo para este período está abaixo da média dos últimos cinco anos, quando o índice era de 20,97%. Os dados constam no boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado na segunda-feira (27).

Segundo o instituto, na comparação com o mesmo período da safra passada, quando 9,75% da área havia sido colhida, o desempenho atual é superior em 3,36 pontos percentuais (p.p.). Já em relação à média histórica, o atraso na colheita é de 7,86 p.p.

Esse reflexo do atraso foi em decorrência das chuvas registradas em diversas regiões do estado durante meados de junho, que adiaram o início da colheita.

A analista de algodão do Imea, Cíntia Teixeira, explica que as precipitações levaram muitos produtores a postergar a entrada das máquinas nas lavouras. Ela afirma que a expectativa é de aceleração dos trabalhos nas próximas semanas, impulsionada pelo avanço da segunda safra.

“A colheita do algodão dessa safra atingiu apenas 13,1% da área estimada. Apesar do atraso inicial provocado pelas chuvas registradas em junho, a expectativa é que o ritmo se intensifique nas próximas duas semanas, especialmente porque a segunda safra representa mais de 85% da área cultivada no estado”, afirmou.

Entre as regiões produtoras, o Nordeste mato-grossensse apresenta o maior avanço da colheita, com 46,80% da área já colhida, seguido pelo Sudeste, que alcançou 22,12%.

O avanço da oferta também começou a refletir nas cotações da pluma em Mato Grosso. Na última semana, o indicador do Imea fechou em R$ 126,80 por arroba, queda de 0,28% em relação à semana anterior.

O movimento ocorreu na direção oposta ao mercado internacional, conforme aponta o Imea. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os contratos apresentaram valorização ao longo da semana, sustentados pelas incertezas climáticas sobre a safra norte-americana e pelas tensões geopolíticas envolvendo o Mar Negro e o Oriente Médio.

Outro destaque do boletim desta última semana de julho foi a queda de 3,16% no preço do caroço de algodão disponível, cotado em R$ 856,47 por tonelada. Essa redução é resultado do aumento da oferta com o avanço do beneficiamento da safra.

De acordo com o Imea, a comercialização da pluma da safra 2026/27 atingiu 29,35% da produção estimada em julho. Já a safra 2025/26 registra 73,01% da produção negociada.

Ao mesmo tempo, o instituto revisou para cima a produtividade da safra 2025/26, estimada em 310,67 arrobas por hectare, contribuindo para uma projeção de 6,41 milhões de toneladas de caroço de algodão no estado.

 

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Mercado

São Paulo terá safra recorde de soja mesmo com queda na produtividade

Por Redação 31/07/2026
Escrito por Redação

São Paulo terá safra recorde de soja mesmo com queda na produtividade

As projeções para a safra de grãos no estado de São Paulo apontam aumento da área cultivada e da produtividade média das lavouras, o que favorece a expectativa para o recorde histórico de 12,14 milhões de toneladas. Os dados constam do “Relatório de acompanhamento mensal da safra de grãos” da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) deste mês.

O relatório, elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp, tem como base dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Um dos destaques é a soja, que deve alcançar recorde de produção no estado de São Paulo e também na colheita deste grão em todo o País. Apesar da redução de produtividade de 1,2% esperada, a produção está projetada em 5,37 milhões de toneladas, resultado 1,7% superior ao registrado em 2024/25, que já havia estabelecido o recorde estadual. Outros itens com bom desempenho são o amendoim, com produção estimada em 1,03 milhão de toneladas, crescimento de 11,6%; e milho, com produção prevista de 4,58 milhões de toneladas, aumento de 4,1%.

Na produção nacional de grãos espera-se novo recorde para a safra, que deve chegar a 360,1 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior. O rendimento médio das lavouras e a área cultivada tiveram crescimento. A soja se destaca, com aumento de 5,3% na produção, chegando ao volume recorde de 180,6 milhões de toneladas.

O milho apresenta bom desempenho, beneficiado pelas condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras e expectativa de preços mais atrativos, mas sofreu queda nas estimativas da 3ª safra em razão da redução da precipitação nas principais regiões produtoras. A produção total deve ter crescimento de 0,4%, chegando a 141,7 milhões de toneladas.

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31/07/2026 0 Comentários
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Mercado

PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode avançar 6,87% em 2026

Por Redação 31/07/2026
Escrito por Redação

PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode avançar 6,87% em 2026

Estudos realizados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), apontam que o PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode avançar 6,87% em 2026.

Segundo pesquisadores do Cepea/Abiove, esse resultado está atrelado à colheita de uma safra recorde no Brasil (2025/26) e à intensificação do processamento do grão por parte da indústria. Com isso, o PIB da cadeia produtiva deve representar 21,2% do PIB do agronegócio em 2026 e 4,8% do PIB nacional. O avanço projetado para 2026 soma-se ao forte crescimento observado em 2025, quando o PIB da cadeia produtiva expandiu 11,72%.

Dados do Cepea/Abiove mostram crescimentos em todos os segmentos da cadeia. Para insumos, o aumento é estimado em 2,57%, devido à expansão da área e da produção de soja e ao avanço do manejo no campo, que resultam em maior demanda por sementes, fertilizantes, defensivos e tecnologias.

Para a soja, o crescimento deve ser de 7,26%, o que decorre do avanço da produção, estimada em patamar recorde de 180,56 milhões de toneladas em 2025/26, conforme a Conab. A combinação entre aumento de área e ganhos de produtividade – com uso de tecnologia e condições climáticas favoráveis – sustenta esse desempenho.

Na agroindústria, pesquisadores do Cepea/Abiove apontam que a elevação para 2026 é estimada em 7,74%, impulsionada pela maior oferta do grão e por demandas firmes pelos derivados, que estimulam o esmagamento no ano.

Para as rações, as perspectivas positivas estão pautadas nas expectativas de avanço das cadeias pecuárias, conforme o Sindirações. No caso do biodiesel, destaque em crescimento na agroindústria (de expressivos 10,93%), a produção no primeiro trimestre de 2026 superou a do mesmo trimestre do ano passado, refletindo a maior demanda, ainda em decorrência da adoção do B15 desde agosto de 2025.

Segundo pesquisadores do Cepea/Abiove, a estimativa de avanço de 6,89% no PIB dos agrosserviços em 2026 é explicada pela maior produção de soja e pela ampliação do processamento, que elevam a demanda por transporte, armazenagem, comercialização e demais serviços associados ao escoamento do grão e dos derivados.

Considerando os valores agregados por tonelada, estimativas realizadas com base em informações disponíveis até o primeiro trimestre de 2026 apontam que o PIB gerado por tonelada de soja produzida e processada (R$ 6.710) representou 3,84 vezes o PIB gerado pela soja produzida e exportada diretamente (R$ 1.747).

Empregos

O número de pessoas ocupadas na cadeia produtiva da soja e do biodiesel totalizou 2,54 milhões de trabalhadores no primeiro trimestre de 2026, aumento de 3,29% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com esse contingente, a participação da cadeia produtiva foi de 2,49% na economia brasileira e de 11,21% no agronegócio, ambas ligeiramente superiores às registradas em 2025.

Na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período do ano anterior, o Cepea/Abiove aponta crescimento do emprego nos insumos (1,81%), na agroindústria (9,23%) e nos agrosserviços (6,09%), enquanto redução foi observada na produção de soja (-6,74%) – pesquisadores do Cepea/Abiove destacam que esta retração no primeiro trimestre de 2026 parece consolidar uma tendência de queda da PO na cultura, que já passou por diminuições em 2023, 2024 e 2025.

Comércio exterior

As exportações da cadeia da soja e do biodiesel totalizaram 29,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, volume 5,95% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Em valor, as vendas externas somaram US$ 12,3 bilhões, avanço de 11,8%, impulsionado tanto pelo aumento do volume embarcado quanto pela elevação de 5,52% nos preços médios de exportação da cadeia.

Para a soja em grão, pesquisadores do Cepea/Abiove apontam que o avanço nos volumes embarcados refletiu a colheita da safra recorde brasileira e a firme demanda internacional. Os preços internacionais da soja, por sua vez, foram sustentados especialmente pela valorização do petróleo e pelas expectativas de expansão dos biocombustíveis.

Quanto ao óleo, a forte demanda internacional por matérias-primas destinadas à produção de biodiesel e diesel renovável, especialmente na América do Norte e na Ásia, impulsionou as exportações do derivado. Em relação aos preços, a valorização do petróleo e o avanço das políticas de biocombustíveis também sustentaram as cotações internacionais.

As exportações brasileiras de farelo de soja foram sustentadas pela demanda internacional aquecida, com destaque para o aumento dos envios ao Oriente Médio e ao Sudeste Asiático. Contudo, o aumento do esmagamento nos principais produtores mundiais e a maior oferta de farelos concorrentes, como canola e girassol, ampliaram a disponibilidade global. Como resultado, apesar do crescimento dos embarques, os preços médios de exportação registraram leve recuo no primeiro trimestre de 2026.

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Tecnologia

Projeto busca diretrizes para automatizar o monitoramento agrícola no Brasil

Por Redação 31/07/2026
Escrito por Redação
Projeto busca diretrizes para automatizar o monitoramento agrícola no Brasil

Plantação de trigo, região de Tibagi/Pr
Foto: Gilson Abreu/AEN

O monitoramento agrícola, de práticas e cultivos a partir de imagens de satélite em áreas extensas como as do Brasil ainda carrega dificuldades. Com condições muito diferentes de solo, temperatura, regime de chuvas, entre outros fatores, bastante trabalho humano para rotulagem de dados ou interpretação visual de imagens ainda é necessário com os métodos disponíveis. Isso gera custo elevado que, muitas vezes inviabiliza, o monitoramento sistemático, com a periodicidade necessária.

De olho nesse desafio, um novo projeto pretende obter a um conjunto de diretrizes metodológicas baseadas em aprendizado profundo de máquinas para otimizar o mapeamento da produção agrícola no País, em especial lavouras irrigadas e cultivos de inverno.

O objetivo do trabalho não é entregar um mapeamento ou sistema completo para fazê-lo, mas disponibilizar à comunidade científica e órgãos governamentais uma base de conhecimento robusto sobre o uso de aprendizado profundo em sensoriamento remoto agrícola, identificando limites e possibilidades.

Para o trabalho, serão testados protocolos para dois cenários especialmente desafiadores no monitoramento da agricultura. O primeiro é a irrigação, recurso cujo uso vem crescendo nos últimos anos.

“O mapeamento da irrigação já está sendo trabalhado em outros projetos, mas sempre com o gargalo de depender de análise visual humana em alguma etapa e de ficar restrito a determinado período de tempo. Escalar para a área e para a periodicidade necessária para os demandantes é um problema em aberto”, diz a pesquisadora Celina Maki Takemura, que está à frente da iniciativa.

O segundo cenário a ser testado é o das culturas de inverno no Sul do País, tais como trigo, aveia e cevada. Elas têm aspectos visuais muito próximos, que por si só já dificultam a diferenciação em imagens. Como são cultivadas no mesmo período do ano, também não é possível diferenciá-las pelos estágios de crescimento, por exemplo. “A classificação de cereais de inverno é um problema difícil até para especialistas, dependendo do estágio de desenvolvimento das plantas. Então, para uma máquina também é um grande desafio”, explica a pesquisadora.

A previsão é que o trabalho dure 36 meses e gere: uma avaliação comparativa do desempenho de diferentes arquiteturas profundas; protocolos testados de transferência de aprendizado entre regiões, sensores e safras; diretrizes metodológicas para orientar iniciativas de mapeamento agrícola em maior escala; e bases de dados organizadas e documentadas para experimentos futuros.

A Embrapa Agricultura Digital lidera a iniciativa, e tem como parceiros o IBGE, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, a Conab e a Fundação Universidade Federal de Sergipe.

 

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31/07/2026 0 Comentários
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Tratores pequenos e médios ganham cada vez mais espaço no mercado brasileiro
EmpresasMercado

Plano Safra 2026/27 é ampliado, mas rigor no acesso ao crédito gera preocupação

Por Redação 30/07/2026
Escrito por Redação

Plano Safra 2026/27 é ampliado, mas rigor no acesso ao crédito gera preocupação

O aumento dos recursos anunciado pelo Governo Federal no Plano Safra 2026/27 foi recebido de forma positiva pelo setor de máquinas agrícolas, mas o acesso efetivo ao crédito continua sendo motivo de preocupação. Embora o programa amplie o volume de financiamentos e reduza as taxas de juros em algumas modalidades de investimento, o maior rigor das instituições financeiras na concessão de crédito ainda limita a chegada de fato desses recursos ao produtor rural.

O Plano Safra prevê R$ 525,1 bilhões para o crédito da agricultura empresarial, um aumento de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior. Desse total, R$ 72,6 bilhões serão destinados aos médios produtores enquadrados no Pronamp e R$ 452,5 bilhões aos demais produtores rurais e cooperativas. Para a agricultura familiar, foram reservados R$ 85,2 bilhões para operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), principal linha de crédito voltada aos pequenos produtores.

Segundo Felippe Vieira, diretor comercial da LS Tractor, multinacional sul-coreana com coração brasileiro, o Plano Safra 2026/27 representa um avanço ao ampliar os recursos destinados à agricultura familiar e oferecer condições mais favoráveis em importantes linhas de investimento. No entanto, a efetividade dessas medidas depende da capacidade de o crédito chegar ao campo durante toda a safra.

“Nos últimos anos, vimos recursos anunciados se esgotarem rapidamente ou as operações deixarem de ser aprovadas por causa do maior rigor das instituições financeiras. O produtor precisa ter a segurança de que, quando decidir investir em um trator, encontrará o crédito disponível e condições para contratar esse financiamento”, afirma.

De acordo com o executivo, o aumento da inadimplência observado nos últimos anos contribuiu para que bancos e demais agentes financeiros endurecessem os critérios de concessão de crédito. “Exigências maiores de garantias, análises mais rigorosas e menor apetite para assumir riscos reduziram o número de operações aprovadas. Além disso, enquanto não houver medidas que permitam ao produtor reorganizar sua situação financeira, uma parcela importante continuará sem conseguir acessar esse crédito”, explica Vieira.

Alternativas

Mesmo diante desse cenário, a classe produtora precisa manter os investimentos para garantir a continuidade da produção e a competitividade da propriedade. Para os agricultores familiares que buscam mecanizar suas operações, a principal porta de entrada continua sendo o Pronaf. Conforme explica o diretor comercial da LS Tractor, essa modalidade permite financiar tratores de até 80 cavalos com juros equalizados de 5% ao ano, além de oferecer prazos mais longos e período de carência.

“Esperávamos uma redução na taxa de juros para aquisição de tratores, mas isso infelizmente não aconteceu. Mesmo assim, o Pronaf continua sendo uma excelente ferramenta para quem está adquirindo o primeiro equipamento ou substituindo seu usado por um novo”, cita.

Do portfólio da multinacional, por exemplo, a empresa oferece modelos como MT2, MT4, R50, R65, MT7 além da linha Plus, que permitem aos agricultores familiares ter acesso a tecnologias antes disponíveis apenas em máquinas de maior porte. “O MT4, por exemplo, é um trator extremamente versátil, indicado para atividades como cafeicultura, fruticultura, horticultura, tabaco e pecuária. Costumamos dizer que ele é o ‘SUV’ da propriedade rural pela capacidade de atender diferentes operações”, reforça Vieira.

Como alternativa para ampliar o acesso à mecanização, a marca também vem fortalecendo soluções próprias de financiamento. Uma delas é o consórcio, que passou a ganhar importância estratégica dentro da companhia. Desde o ano passado, a fabricante contempla mensalmente dez tratores, iniciativa que tem ampliado as oportunidades para produtores que desejam investir em novos equipamentos sem depender exclusivamente das linhas tradicionais de crédito rural.

Além do consórcio, o banco de fábrica e as cooperativas de crédito também vêm se consolidando como alternativas para aqueles que encontram dificuldades nas instituições financeiras tradicionais. “As cooperativas costumam conhecer melhor o histórico do produtor e conseguem avaliar cada caso de forma mais próxima. Muitas vezes, operações negadas por bancos comerciais acabam sendo aprovadas por essas instituições, ampliando as possibilidades de acesso ao crédito”, afirma o diretor comercial.

Mesmo diante de um cenário mais desafiador para o crédito rural, a LS Tractor mantém seu plano de expansão no mercado brasileiro. Desde 2024, a multinacional sul-coreana investiu R$ 40 milhões no País e, recentemente, anunciou um novo aporte de R$ 20 milhões para os próximos dois anos. Os recursos serão destinados à modernização do portfólio de produtos, à infraestrutura da fábrica, aos sistemas de tecnologia da informação e ao fortalecimento da estrutura de pós-venda.

Além disso, prepara o lançamento, ainda este ano, de um novo trator de 80 cavalos voltado ao segmento de entrada, ampliando seu portfólio com equipamentos mais acessíveis, sem abrir mão da tecnologia. “Hoje somos reconhecidos pelos produtos premium que entregam alta produtividade, mas também queremos ampliar a atuação em segmentos mais econômicos. O objetivo é democratizar o acesso à mecanização e oferecer tecnologia para produtores de todos os portes, com equipamentos modernos, eficientes e competitivos”, conclui Vieira.

 

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30/07/2026 0 Comentários
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Vendas de tratores e colheitadeiras recuam no primeiro bimestre
Mercado

Mercado de máquinas agrícolas recua 21,3% no primeiro semestre

Por Redação 29/07/2026
Escrito por Redação

 

Mercado de máquinas agrícolas recua 21,3% no primeiro semestre

Clarisse Sousa – O primeiro semestre de 2026 foi de forte retração para a indústria de máquinas e implementos agrícolas, com queda de faturamento, vendas de tratores e colheitadeiras e redução do emprego no setor, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta quarta-feira (29).

De janeiro a junho, a receita líquida total do setor caiu 21,3%, somando R$ 26,6 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. Somente em junho, a queda foi de 22,3% em relação ao mesmo mês de 2025.

“O mercado segue bastante restritivo”

“Desde o mês passado, trabalhamos com a perspectiva de uma retração próxima de 20% em 2026. A nossa avaliação é que esse cenário não deve piorar. Junho e julho costumam ser meses mais travados por causa da transição do Plano Safra, e muitos produtores adiaram a compra de máquinas aguardando a entrada dos recursos do Move Brasil”, avalia Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq.

A expectativa é que, a partir de agosto, o mercado apresente uma “pequena melhora”, embora, na avaliação de Estevão, isso não seja suficiente para reverter o resultado do ano.

“Se o mercado simplesmente parar de piorar, devemos encerrar 2026 com queda em torno de 20%. O principal fator continua sendo a baixa rentabilidade das lavouras. Com margens reduzidas, o produtor adia investimentos e, além disso, não esperamos expansão da área plantada neste ano, o que elimina um importante fator de demanda por máquinas. O mercado segue bastante restritivo”, disse.

As vendas no mercado doméstico continuam em retração, refletindo a menor disposição do produtor rural para investir em máquinas e equipamentos. No mercado interno, a receita líquida do setor somou R$ 22,1 bilhões entre janeiro e junho, queda de 24,9% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as exportações cresceram 17,5%, segundo os dados da Abimaq.

O setor também registrou redução do emprego, com média de 116,6 mil trabalhadores no semestre, queda de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Tratores e colheitadeiras em queda

De acordo com os dados da Abimaq, as vendas de tratores ao usuário final caíram 11,5% no primeiro semestre, enquanto as vendas de fábrica recuaram 16,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Em junho, foram comercializados 3.146 tratores ao usuário final e 3.636 unidades pela indústria, ambos com queda superior a 20% em relação a junho do ano passado. Um dos poucos indicadores positivos foi o das exportações, que avançaram 40,2% no acumulado do ano.

As colheitadeiras seguem como o segmento mais afetado pela retração dos investimentos. No primeiro semestre, as vendas ao usuário final caíram 31,1%, enquanto as vendas de fábrica despencaram 45,2%.

Em junho, foram vendidas 140 colheitadeiras ao usuário final e apenas 78 unidades pela indústria. As exportações do segmento cresceram 48,7%, mas também não compensaram o recuo do mercado interno.

 

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29/07/2026 0 Comentários
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Mercado

Setor hortigranjeiro comercializou 16,6 milhões de toneladas em 2025

Por Redação 29/07/2026
Escrito por Redação

Setor hortigranjeiro comercializou 16,6 milhões de toneladas em 2025

O setor hortigranjeiro movimentou 16,6 milhões de toneladas no ano de 2025, com R$ 68,7 bilhões comercializados. Os dados foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (28) e fazem parte das ações do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort). A pesquisa avaliou o valor transacionado por 54 Centrais de Abastecimento (Ceasas) por subgrupos de hortaliças e de frutas, com o objetivo de verificar o comportamento de cada segmento.

De acordo com o levantamento, as centrais com maior comercialização de hortigranjeiros em 2025 foram a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), na unidade da capital paulista, com volume de 2,99 milhões de toneladas e montante de R$ 13,9 bilhões; o Mercado Municipal de Juazeiro/BA, com cerca de 1,62 milhão de toneladas e R$ 6,11 bilhões; a CeasaMinas, localizada em Contagem, com 1,499 milhão de toneladas e R$ 6 bilhões; e a Ceasa/RJ, na capital fluminense, com 1,497 milhão de toneladas e R$ 6,11 bilhões comercializados.

A pesquisa da Conab também apontou estabilidade no volume total de hortigranjeiros vendidos nos entrepostos atacadistas considerados, com redução de 0,82% em relação a 2024. Para o quantitativo negociado, a queda de 9,29% está associada aos patamares superiores de preços verificados em 2024, devido às condições climáticas adversas. No comparativo por regiões, o Sudeste foi responsável por 52% do volume de vendas de hortigranjeiros em 2025 e por 54% do total negociado.

Entre as 26 Ceasas que compõem a base de dados do Sistema de Informações do Mercado Atacadista de Hortigranjeiros (Simab), a movimentação de hortaliças cresceu em seis unidades, com maiores percentuais em Rio Branco/AC (44,9%), Belo Horizonte/MG (4,4%) e Foz do Iguaçu/PR (4,2%). No total, houve redução de 2,8% na quantidade de produtos comercializados em 2025. O documento evidencia a interferência das condições climáticas adversas sobre a produção.

Para as frutas, a Companhia registrou aumento no quantitativo transacionado em 11 Ceasas. Os maiores indicadores foram apurados em Rio Branco/AC (24,11%) e Goiânia/GO (21,04%). No comparativo anual, o levantamento apontou queda de 1,52% na comercialização de frutas no último ano. De acordo com a análise, a variação reflete um mercado resiliente, com influência de variações térmicas e regime de chuvas sobre o volume ofertado.

Exportações

O Brasil exportou cerca de 1,3 milhão de toneladas de frutas em 2025, com elevação de 19,7% em relação a 2024. Entre janeiro e dezembro do último ano, o faturamento cresceu 29%, atingindo U$S 1,56 bilhão. Os números resultam do aumento dos envios de mangas, melões, melancias, limões e limas para o mercado exterior, que representam mais de 73,5% do total exportado. O principal destino das frutas brasileiras foi a União Europeia.

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Embarques de soja em grão devem atingir 3,2 milhões de toneladas em janeiro
Mercado

Embarques de soja em grão devem fechar julho em 12,4 milhões de toneladas

Por Redação 29/07/2026
Escrito por Redação

Embarques de soja em grão devem fechar julho em 12,4 milhões de toneladas

Os embarques de soja em grão devem atingir 12,486 milhões de toneladas em julho, contra 11,943 milhões de igual mês de 2025, indicam projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Já as exportações de farelo devem alcançar 2,600 milhões de toneladas em julho, contra 2,143 milhões do mesmo mês do ano passado. Os embarques de milho devem chegar a 3,704 milhões de toneladas em julho, contra 3,339 milhões de igual mês de 2025.

Fonte: Datagro

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Mais de 85% da dívida rural do RS fica fora da MP de renegociações, aponta Farsul
Mercado

Mais de 85% da dívida rural do RS fica fora da MP de renegociações, aponta Farsul

Por Redação 29/07/2026
Escrito por Redação

Mais de 85% da dívida rural do RS fica fora da MP de renegociações, aponta Farsul

Um levantamento da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que 88,3% do saldo devedor de uma amostra de contratos de crédito rural analisados pela entidade não conseguem, hoje, acessar as condições facilitadas da Medida Provisória nº 1.376/2026, que criou linhas de crédito para renegociação de dívidas do setor. Dos R$ 93 milhões em saldo devedor analisados, apenas R$ 10,85 milhões (11,7%) reúnem as condições de enquadramento previstas na norma.

“Nós fizemos um estudo com casos reais, de produtores que se disponibilizaram a passar seus contratos para a gente avaliar o quanto se enquadraria e o quanto não se enquadraria, porque víamos que a MP era muito limitada, sobretudo no que diz respeito às CPRs e aos investimentos. Rodamos as operações de cada um dos produtores e o valor deu pouco mais de 11% do estimado. Temos um universo de dívida que não para de crescer, dobrando a cada 12 meses, e uma solução que não chega nem perto do problema”, afirma o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz.

O ponto mais crítico é a Cédula de Produto Rural (CPR), que já responde por 42,8% de todo o crédito rural concedido no Brasil na safra 2025/26 (ante 37,4% na safra anterior), segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, superando o custeio tradicional como principal instrumento de financiamento da produção. Mesmo assim, a porta de entrada mais vantajosa da MP, com juros controlados entre 6% e 12% ao ano, menciona apenas custeio, comercialização e industrialização, sem incluir a CPR.

Um produtor com CPR em dia, renegociada com o credor, não tem hoje nenhuma via de acesso às condições facilitadas. Na amostra da Farsul, essas operações somam R$ 10,55 milhões. Para quem já está inadimplente, a MP prevê uma via específica, mas restrita a CPR emitida em favor de bancos, deixando de fora as emitidas para cooperativas e fornecedores de insumo, comuns no financiamento da produção gaúcha.

O levantamento chama atenção para o que descreve como um “paradoxo gaúcho”. Segundo a Serasa Experian, o RS tem a menor taxa de inadimplência rural do Brasil, 5,3% no quarto trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, dados do Banco Central mostram que o Estado concentra a maior carteira de crédito rural problemática do país em valor absoluto, sendo R$ 39,9 bilhões em abril de 2026, quase o dobro do Mato Grosso, segundo colocado, com R$ 21,8 bilhões.

“O Rio Grande do Sul, de acordo com o Banco Central, tem a maior carteira estressada do Brasil, com a maior quantidade de prorrogação e renegociação. Mas, por outro lado, o produtor gaúcho é o que tem a menor inadimplência do país. Para se manter adimplente, ele aceitou prorrogações e renegociações absurdamente caras e difíceis de honrar, mas foi lá e fez, à espera de uma solução mais estruturada. E a MP deixou de fora justamente esse produtor, que fez um sacrifício para manter a adimplência. É um erro grave ao punir quem mais se esforçou”, diz Antônio da Luz.

“Mesmo o custeio adimplente, categoria com melhor desempenho na amostra, exige renegociação prévia formalizada; o investimento adimplente não tem hoje nenhuma porta de entrada”, completa.

Com base nesse diagnóstico, a Farsul leva seis propostas de alteração de texto ao Congresso durante o prazo de conversão da MP em lei, que se encerra 120 dias após a publicação: incluir a CPR entre os instrumentos do inciso I, sob as condições do custeio; ampliar o artigo 6º para aceitar CPR emitida em favor de cooperativas e fornecedores de insumo; permitir que investimentos renegociados por aditivo formal, mesmo sem declaração expressa de inadimplência, acessem a linha facilitada; trocar a data-limite fixa de 31 de maio de 2026 (anterior à própria publicação da MP, em 15 de julho) por um critério vinculado à data de contratação da nova linha; abrir exceção à vedação para quem renegociou sob a MP 1.314/2025, quando houver um novo evento de perda; e criar uma porta para capital de giro, hoje sem enquadramento em nenhum inciso da norma.

Juntas, as propostas endereçariam os R$ 82,15 milhões hoje fora do alcance da MP na amostra, sem alterar os parâmetros de mérito já definidos pelo legislador.

A MP 1.376/2026, publicada em 15 de julho, autoriza linhas de crédito rural para renegociação de dívidas de custeio, investimento e CPR, além da participação da União em um fundo garantidor para produtores afetados por eventos climáticos, com juros de 6% a 12% ao ano e prazos de até dez anos para quem se enquadra.

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