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Notícias

Tomra abre regional no Chile

Por redação 27/08/2020
Escrito por redação

- Tomra abre regional no Chile

Instalações, localizadas em Santiago do Chile, contam com centros de experiência do cliente e regional de treinamento

A Tomra Food abriu uma sede regional em Santiago (Chile), com o objetivo de aprimorar o suporte a processadores e embaladores de alimentos na América Latina. Com a unidade, a empresa, em conjunto com a Compac e a BBC Technologies, refortalece a presença na região, por meio do fornecimento global de frutas, nozes e vegetais, produtos à base de batata, grãos e sementes, frutas secas, carnes e frutos do mar.

- Tomra abre regional no Chile

Para João Medeiros, gerente Comercial da Tomra Food Brasil, “os maiores benefícios serão a proximidade geográfica, similaridade cultural, maior estoque de peças regional, que servirá como um centro de distribuição para América Latina, máquinas disponíveis para testes, demonstrações e treinamento. Além disso, a nova sede fortalecerá a presença na região, com um time de profissionais qualificados”.

Por sua vez, Jacinto Trigo, diretor Regional da Compac para a América Latina, destaca a importância desta sede: “A Tomra Food está crescendo tanto na América Latina quanto em outras partes do mundo, e o Chile é o lugar perfeito para aumentar nossa presença aqui. As novas instalações vão permitir juntar os nossos engenheiros e vendas, reafirmando nosso compromisso com o futuro desta região, com um centro de experiência do cliente e um centro regional de treinamento que também promoverão a criação de oportunidades de emprego locais. Poderemos entender melhor seus desafios operacionais, ambições e tendências agrícolas na região. É importante porque a América Latina é uma fonte grande na cadeia de suprimentos global e ainda está em desenvolvimento”.

Tecnologia e localização estratégicas

Localizada no parque comercial ENEA, na área de Pudahuel, em Santiago, a nova sede fica perto do aeroporto internacional da cidade, o que facilita o acesso a clientes de toda a América Latina. João Medeiros explica “que além da proximidade geográfica e cultural, os clientes terão à disposição um centro de teste e demonstração, o que é um passo muito importante”. “Com certeza o escritório será um ponto de referência para realização de eventos com clientes na América Latina, como seminários e demonstrações, que vão permitir acelerar o processo de atendimento ao cliente”. O edifício de 810 m2 de dois andares se une às instalações da BBC Technologies, que operam há 10 anos, com mais de 20 funcionários.

- Tomra abre regional no Chile

“Do ponto de vista do serviço técnico e pós-venda, a disponibilidade e gerenciamento local do estoque de peças, sem dúvida, terão um impacto positivo em termos de velocidade de serviço, caso o cliente necessite de serviço técnico”, esclarece o responsável da Tomra.

A área de demonstração da sede representa uma vantagem competitiva para a companhia, pois permitirá aos clientes testar as máquinas com suas amostras de produtos, sem a necessidade de longas viagens para as instalações da empresa na Califórnia.

“Os clientes terão a possibilidade de ver as máquinas trabalhando com seus produtos na área de demonstração, experimentar novas tecnologias e desenvolver aplicações. Além disso, poderão tomar decisões sobre a seleção de tecnologias rapidamente”, destaca João Medeiros.

A área de demonstração de Santiago possui 5 classificadores ópticos: Tomra 5A, Tomra 5B, Tomra 3C, Tomra Nimbus BSI + e Blizzard. Com esses equipamentos, já foram realizados testes em uma ampla variedade de produtos: morangos frescos e IQF, framboesas, mirtilos, amoras, mirtilos IQF, uvas IQF, feijão verde, nozes, amêndoas e algas. “Os testes foram um sucesso completo e superaram as expectativas dos clientes. Tivemos a oportunidade de mostrar a eles as vantagens de nossa tecnologia e o valor agregado que ela traz. Além disso, apesar da pandemia, os clientes continuam determinados a testar nossos equipamentos no novo Demo Center e investir em nossas tecnologias”, reforça João Medeiros. No próximo ano, os clientes também poderão testar um classificador Compac de pista única com os sistemas de classificação Spectrim, UltraView e Inspectra nesse mesmo espaço.

- Tomra abre regional no Chile

Devido à situação causada pela COVID-19, existem restrições e medidas de segurança que impedem os clientes de viajarem para Santiago neste momento. “Por esse motivo, a Tomra Food oferece a alternativa de fazer testes com demonstrações remotamente. Nossa equipe continua a colaborar com os clientes, realizando reuniões remotas e disponibilizando ferramentas de treinamento on-line para eles”, afirma Jacinto Trigo. Essa nova sede se junta a escritórios regionais nos Estados Unidos, China e África do Sul, bem como a sede da Tomra Food na Bélgica e 32 escritórios regionais em todo o mundo.

Fonte: Tomra Food
27/08/2020 0 Comentários
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Notícias

Tomra Food publica eBook para embaladores de batatas frescas

Por redação 24/08/2020
Escrito por redação

- Tomra Food publica eBook para embaladores de batatas frescas

A publicação aborda os desafios intensificados pela pandemia da COVID-19

A Tomra Food publicou eBook para ajudar os embaladores de batatas frescas a enfrentarem os desafios operacionais intensificados pela pandemia de COVID-19. A publicação de 19 páginas, disponível gratuitamente para download no site da empresa, oferece informações e conselhos aos embaladores não só agora, enquanto as condições do mercado são distorcidas, mas também para depois da pandemia.

O eBook aponta que o dano infligido à indústria de batata pela COVID-19 não é imparcial. Ele destaca que, embora muitos produtores e processadores de batata tenham sofrido por causa da perda de demanda nos estabelecimentos de serviços alimentícios, outros produtores e embaladores estão prosperando porque as vendas no varejo de batatas frescas embaladas foram impulsionadas pelo aumento da frequência da comida caseira. O eBook relata como o valor monetário das vendas de batata em supermercados de várias lojas aumentou rapidamente em 67%.

O texto ressalva o fato de os consumidores terem redescoberto a batata fresca, mas também pergunta se esse novo caminho durará. Pesquisas, apontadas no documento, relatam que a maioria dos consumidores espera continuar cozinhando mais em casa após a pandemia, e 63% dos millennials dizem que continuarão comendo os alimentos de conforto que desfrutaram durante os bloqueios. Mesmo que isso não aconteça, o consumo global de batatas frescas está aumentando: o crescente número de pessoas que pertencem à classe média nos países em desenvolvimento do Leste, onde o arroz é o alimento tradicionalmente preferido, está adquirindo gostos mais variados, influenciados por dietas de estilo ocidental.

Acompanhar a demanda, aumentando o rendimento da produção, é o maior desafio que muitos empacotadores enfrentaram durante a pandemia. Embora isso seja compreensível, o eBook observa que também é lamentável: quando os grandes varejistas de batata descobrem que seus fornecedores regulares não conseguem lidar com volumes maiores, procuram ajuda em outro lugar e os negócios que são evitados nem sempre voltam. Outro desafio relacionado à demanda é a necessidade de aproveitar a oportunidade de obter novos negócios, mas alguns empacotadores não possuem os sistemas operacionais, tecnologias de linha ou poder das pessoas para fazer isso.

As dificuldades de recrutar e reter mão-de-obra manual, conhecidas há muitos anos, também foram intensificadas pela pandemia. Menos pessoas estão dispostas a fazer esse tipo de trabalho. Nos países desenvolvidos, a maioria dos trabalhadores não qualificados prefere a segurança do emprego permanente a contratos sazonais; nos países em desenvolvimento, os trabalhadores manuais agora estão descobrindo que têm empregos mais desejáveis ​​para escolher. Consequentemente, muitas empresas de embalagens dependem de trabalhadores estrangeiros temporários, mas devido a restrições de viagens relacionadas à pandemia, em muitos lugares esse estoque de mão-de-obra secou.

Outro desafio relacionado ao trabalho é o medo, alimentado por relatos de surtos em várias fábricas de processamento de alimentos, americanas e europeias, de pegar a COVID-19 no trabalho. Isso é constrangedor para linhas de embalagem que se baseiam em métodos manuais para remover batatas de baixa qualidade e geralmente fazem com que as pessoas trabalhem próximas umas das outras.

Há ainda a necessidade de flexibilidade operacional. O aumento da popularidade das batatas frescas significa que elas se tornaram uma arma de escolha na batalha entre supermercados para tentar compradores com ofertas especiais, mas essas ofertas mudam rapidamente de uma semana para a próxima. Isso significa que os embaladores devem ter a capacidade de mudar a linha de um tipo de batata ou especificação de produto para outra a curto prazo.

O eBook também analisa as necessidades de longa data de qualidade consistente do produto, que podem ser tão influentes quanto a oferta e a demanda na determinação da lucratividade e maior produtividade, porque taxas típicas de empacotamento de 60 a 80% significam que os empacotadores estão perdendo entre 20% e 40% do produto recebido. Esses números enfatizam o valor da recuperação do produto. O documento dá o exemplo de como embalar batatas de Grau 1 em sacos transparentes pode parecer um bom negócio, porque o produto tem preço premium, mas a lucratividade pode depender da recuperação de batatas inferiores da linha para venda como produto de Grau 2.

O novo eBook da Tomra Food conclui explicando como todos esses desafios podem ser resolvidos com as tecnologias de classificação ótica. Como benefício principal, as máquinas de classificação garantem a segurança dos alimentos e a qualidade consistente do produto, eliminando materiais estranhos e batatas não comercializáveis ​​da linha de embalagem. Mais do que isso, os classificadores também reduzem a dependência do trabalho manual; possibilitar alternar com agilidade de um lote de produto para outro; melhorar o rendimento identificando problemas de fluxo de linha; maximizar os rendimentos recuperando produtos que não precisam ser desperdiçados; e classificar com precisão cada batata para garantir que o produto atenda às especificações exigidas.

Uma cópia do e-book, intitulada ‘Potato Fresh Packers and COVID-19 Challenges’, pode ser baixada aqui (em inglês).

Fonte: Tomra Food
24/08/2020 0 Comentários
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Notícias

Barreira contra sujeiras

Por redação 24/08/2020
Escrito por redação

- Barreira contra sujeiras

Filtro tem a função de capturar toda a poeira e impurezas que prejudicam o funcionamento do maquinário

Por Gustavo Paes

A manutenção preventiva de máquinas agrícolas é uma ação indispensável e pode dobrar a vida útil do equipamento e diminuir despesas futuras. O descaso com um simples filtro de ar pode causar consequências sérias ao maquinário, como fazer o motor fundir. As máquinas agrícolas, como colheitadeiras e tratores, trabalham em condições severas, com excesso de poeira e partículas no ar que podem causar sérios danos aos motor. O filtro de ar é uma peça integrante do motor, cuja finalidade principal está em reter partículas nocivas ao sistema que podem ser trazidas pelo ar, óleo e combustível. A retenção ocorre por meio de um processo físico ou mecânico, intermediado por um meio filtrante de tela, algodão, lã, poliéster, feltro, fibras e papel, por exemplo.

A manutenção do sistema de filtragem do ar é essencial para obter a quantidade e a qualidade de ar suficiente, aumentando o desempenho e a vida útil do motor. Os cuidados com o filtro de ar exigem atenção redobrada dos operadores. É preciso que essas peças estejam sempre em um bom estado de conservação. A principal recomendação é respeitar o período de troca, conforme determinação do fabricante da peça. Outro cuidado é trocar os componentes em uma oficina adequada.

É importante que o produto seja original. Ao comparar o valor da troca dos filtros desse maquinário com o custo dos dias que o equipamento fica para- do por falta de manutenção, a diferença é infinitamente menor, já que uma má- quina parada gera prejuízos ao produtor.

A troca da peça, no momento certo, evita ainda o consumo excessivo de combustível, o aquecimento do motor, a perda de potência e o aumento de gases poluentes pelo escapamento. “O filtro de ar é importantíssimo, pois ele é responsável por evitar que toda a contaminação de pó, poeira, terra e umidade presente na atmosfera, contamine o óleo do sistema hidráulico”, destaca o gerente-geral da Argo-Hytos, Waldir Vianna Junior.

Perkins Motores

A Perkins fabrica filtros para máquinas agrícolas, inclusive os de ar, segundo o gerente de Vendas de Peças da empresa, Rodolfo Santiago. Ele destaca que o produtor deve utilizar esses equipamentos porque têm a função de proteger os motores e os equipa- mentos do ambiente severo.

O filtro de ar ganha ainda mais importância com o uso de máquinas equipadas com motores turbos. “O turbocompressor, que é caríssimo, sofre desgaste prematuro com o ar contaminado com pó e palhada. É muito importante que se faça uma adequada manutenção preventiva com a troca de filtros”, recomenda. Santiago ressalta a importância do uso de produtos no- vos para garantir que o agricultor não seja surpreendido por uma parada de máquina. “Uma colheitadeira de cana parada gera um prejuízo de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil por dia”, alerta.

Manutenção preventiva ou troca de filtro postergada além do que o recomendado pelo fabricante, ou uso de filtros não genuínos, pode gerar um desgaste prematuro do equipamento.

- Barreira contra sujeiras

Santiago indica o uso de filtros genuínos. “A diferença de preço entre um filtro genuíno e um genérico é peque- na quando se compara com os prejuízos que o produtor pode ter com o desgaste anormal de um componente do motor”, assegura. O gerente de Vendas não recomenda que se faça manutenção ou procedimento de limpeza para o filtro de ar. “Ele deve ser trocado sempre que o indicador de restrição de ar; instalado na carcaça do filtro, mostre que o elemento filtrante já está saturado”, finaliza.

Mann-Filter

O engenheiro técnico da Mann-Filter, André Gonçalves, afirma que o uso de filtros de ar novos garante o aumento da vida útil do equipamento, reduz custos com manutenções por falta da substituição dos filtros e preserva a potência da máquina. Os sistemas, diz ele, funcionam por meio de dispositivos com elementos filtrantes, produzidos com fibras de celulose ou sintéticas, que filtram o óleo, ar ou combustível e impedem a passagem de partículas para dentro do motor.

- Barreira contra sujeiras

André Gonçalves, engenheiro técnico da Mann-Filter

Quando os filtros estão saturados, eles fazem com que o motor perca a potência, chegando até a parar. “O filtro de ar tem como função reter as partículas contidas no ar aspirado pe- lo motor e cuidar para que somente ar limpo entre na câmara de combustão, evitando desgaste excessivo nas partes móveis do motor como pistão, anéis, camisa etc”, ressalta.

O engenheiro reforça que o produtor respeite o manual do fabricante na manutenção dos filtros, uma vez que visualmente não é possível identificar a necessidade. E jamais limpe o ele- mento filtrante do ar com ar comprimido. “Isso destrói as fibras do meio filtrante. Além da alta pressão do ar do compressor, geralmente há água, óleo e impurezas que serão pulverizadas dentro do filtro, agravando ainda mais a estrutura do meio filtrante. Não se deve limpar o filtro do ar e, sim, substituí-lo”, afirma Gonçalves. Outra recomendação é que a troca seja realizada em uma oficina adequa- da. “Claro que pelas restrições de mobilidade das máquinas agrícolas, muitas vezes a troca é executada no campo. Neste caso, deve ser realizada sempre por profissionais treinados, para não causar nenhum tipo de dano ao equipamento”, completa.

Newtec

A Newtec está no mercado desde 2004, produzindo filtros hidráulicos para aplicações em máquinas agrícolas, tanto na reposição como em participação no desenvolvimento do equipamento. A empresa dispõe de um portfólio diversificado, com produtos na linha de filtragem de retorno, pressão, sucção e filtros de ar, além de desenvolver elementos filtrantes conforme a necessidade dos clientes.

- Barreira contra sujeiras

Os filtros de ar da Newtec, produzidos com meio filtrante de celulose ou fibra de vidro, são indicados para reservatório hidráulico e têm como função proteger a entrada do ar do contaminante em suspensão, evitando a contaminação do óleo. O executivo destaca que o local onde a máquina está trabalhando é determinante para uma boa troca dos filtros. “Quanto mais contaminantes em suspensão, maior se torna a necessidade de substituição do filtro”, recomenda. Ele salienta que a substituição dos filtros em tempo pré-determina- do ajuda a evitar paradas inoportunas dos equipamentos por quebra em campo, prejudicando o processo do plantio. “A manutenção preventiva evitará desgastes no sistema hidráulico, podendo melhorar o custo em uma manutenção não prevista”, diz.

O produtor deve respeitar os prazos de troca determinados pelos fabricantes. “Esses parâmetros estão embasa- dos em testes ou horas. O ideal é que se respeite o que foi determinado em manual”, assinala. Os filtros devem ser substituídos quando há a parada ao final da safra, quando o equipamento segue para a manutenção preventiva, ou quando é percebida a dificuldade da bomba na sucção. “Se estes filtros não forem substituídos poderão vir a ocasionar perda de produtividade”, completa.

- Barreira contra sujeiras

Mahle

A Supervisora de Vendas da Mahle Metal Leve, Laine Cracco, lembra que todo motor requer cuidado especial, ainda mais quando se trata de um equipamento de alto valor agregado. “Um bom conjunto de filtros proporciona proteção ao motor, menor gasto com manutenção e por consequência, economia com manutenções corretivas”, afirma.

Laine sublinha que, além do filtro de ar (primário e secundário), em alguns casos utiliza-se um pré-filtro na captação do ar. “O pré-filtro faz a separação de fuligens mais grossas, evitando, assim, a saturação prematura dos filtros do ar”, afirma.

- Barreira contra sujeiras

Laine Cracco (Mahle)

A executiva frisa que o produtor precisa utilizar filtros novos. “Realizar a troca dos filtros de acordo com o que se pede no manual do equipamento, garante menor custo com manutenção corretiva”, argumenta. A reutilização dos filtros não é recomendada, já que qualquer tipo de sistema de limpeza ou reuso das peças pode ocasionar danos às fibras do meio filtrante, que podem causar danos irreversíveis ao motor.

A supervisora é taxativa quanto ao uso de peças de qualidade. “A Mahle orienta que se utilize filtros que atendam às especificações do motor, in- dependentemente de marca ou fabricante da peça”, declara. “O produtor deve sempre optar por produtos de qualidade, visto que os filtros são barreiras que impedem a entrada de par- tículas que podem ocasionar danos ir- reversíveis aos motores”, finaliza.

MWM

A MWM, fabricante independente de motores diesel e geradores de energia, possui uma linha completa de filtros. A empresa, que está há 66 anos no Brasil, possui um portfólio com mais de 16 mil itens. O diretor de Marketing, Thomas Püschel, lembra que as máquinas agrícolas trabalham em condições geralmente severas, expostas a ambientes com muita poeira, terra, barro e sujeitas a intempéries. E estão suscetíveis à contaminação do ar e a degradação dos fluidos.

A utilização de filtros é necessária e indispensável, pois eles são parte integrante dos sistemas que compõem as máquinas agrícolas, como o motor e o sistema hidráulico. “Os filtros retêm partículas contaminantes do ar e dos fluidos, tendo papel fundamental na proteção dos mesmos. Eles previ- nem contaminação, desgaste e falhas, e garantem uma maior vida útil da má- quina, evitando quebras e minimizando gastos com reparações”, observa.

O produtor deve investir sempre em marcas de qualidade comprovada, o que garantirá o perfeito funcionamento da máquina, segurança na sua operação e evitará prejuízos com reparações. Estes filtros são produzidos conforme os requisitos de projeto especificados pela engenharia, com elemento filtrante especial, tratado quimicamente, plissa- do, resinado, com micragem controlada, tendo a maior eficiência de filtragem com a menor restrição ao fluxo de ar e demais fluidos. “Já os filtros genéricos não atendem a estes requisitos de qualidade, apresentam desempenho ruim na filtragem, o que acarreta no mau funcionamento da máquina, além de trazer riscos à operação e prejuízos ao produtor”, pondera.

O diretor de Marketing diz que é preciso usar filtros novos. As peças devem ser substituídas periodicamente para que não ocorra a saturação. “Não se deve lavá-los, limpá-los com ar comprimido ou reaproveitá-los”, orienta. E épreciso respeitar os prazos de troca. “É de extrema importância que o produtor siga os prazos de troca, de acordo com a tabela de manutenção periódica especificada pelo fabricante da máquina”, alerta. “Caso contrário, ocorrerá a saturação dos filtros, comprometendo a proteção dos componentes e seu per- feito funcionamento”, acrescenta

Cummins

O gerente de Marketing da divisão de filtros da Cummins, Leandro Figueiredo Perez, destaca que o uso de filtros no- vos é a garantia de que a peça está em perfeito estado e que atenderá a performance exigida. “O produtor pode ter manutenções não planejadas, ou seja, antes do tempo previsto, em função de uma filtragem deficiente”, declara.

- Barreira contra sujeiras

Perez diz que o produtor deve fazer a troca respeitando o prazo de vida útil determinado pelo fabricante. Ele alerta que a troca não é visual e tem que ser feita conforme o indicador de restrição do filtro de ar, localizado no painel do maquinário. O indicador tem a função de apontar quando deve ser feita a limpeza ou a troca do elemento filtrante primário. Funciona por meio do vácuo gerado no condutor de ad- missão, quando o elemento primário está muito sujo, ocorrendo uma restrição à passagem do ar.

O executivo recomenda que o produtor não faça a limpeza do elemento filtrante principal usando jatos de ar comprimido ou soprando. “A sopradinha pode danificar o filtro e permitir a entrada de sujeira no motor, que pode até provocar uma falha catastrófica”, avisa. O gerente de Marketing recomenda ainda uma avaliação completa do sistema de tomada de ar. “Sempre que se trocar o filtro de ar é preciso fazer uma inspeção completa no sistema de tomada de ar, desde a tomada até a entrada do motor”, ensina.

Argo-Hytos

Os equipamentos da Argho-Hytos possuem meio filtrante inorgânico, normalmente em fibra de vidro, estruturado em uma carcaça de poliamida injetada. “São muito leves e com sistema antivandalismo, que não permite a abertura sem uma chave de segurança. Os filtros ainda contam com sistema antirrespingo, que previne o derramamento de óleo com o movimento das máquinas, e com sistemas de retenção de carga, que garante pressão positiva no tanque hidráulico, evitando a entrada de contaminantes, e desecantes”, descreve o gerente-geral da Argo-Hytos, Waldir Vianna Junior.

O executivo lembra que, devido ao baixo custo, os filtros de ar não possuem indicadores de saturação. Ele salienta que, para uma avaliação mais criteriosa, seria preciso a medição da pressão e depressão interna do tanque durante o movimento dos cilindros. Essa não é uma tarefa simples para O usuário final. “Como a contaminação do filtro de ar depende essencialmente do tempo de utilização da máquina versus taxa de ingresso de contaminante, e esta última pode ser muito distinta em diferentes regiões, máquinas, aplicação ou mesmo época do ano, sugiro seguir as recomendações do fabricante”, orienta.

Parker

O filtro de ar é o guardião do motor. Ele garante que só ar limpo chegue aos sistemas do motor e à câmara de combustão, o que reduz o desgaste prematuro nas partes móveis do motor e prolonga sua vida útil. “Além disso, trocar o filtro de ar quando precisa evita o aquecimento do motor, a per- da de potência do veículo, o consumo exagerado de combustível e o aumento de emissão de gases na atmosfera”, afirma o gerente de Desenvolvimento de Mercado da Parker, Roberto Silva.

Para fazer a manutenção do componente, o produtor deve abrir a carcaça, retirar o filtro contaminado e efetuar a limpeza interna da carcaça com pano seco e livre de resíduos, que podem ser as- pirados para dentro do motor. Ele precisa observar também se no modelo com junta frontal a peça não se soltou do filtro e ficou alojada no fundo da carcaça, o que na inserção do novo filtro ocasiona sobreposição das juntas e provável entrada de ar contaminado para dentro do motor. “O produtor tem que revisar os componentes que fazem parte da carcaça, assim como juntas, abraçadeiras e mangueiras, para garantir que todo o ar passe pelo elemento filtrante”, ensina Silva.

 

24/08/2020 0 Comentários
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Coluna

Impactos ambientais e efeitos na saúde do solo

Por redação 23/08/2020
Escrito por redação

Como a mecanização agrícola afeta a fertilidade do solo

*Por Profa. Dra. Adriana Pereira da Silva / Dr. Afonso Peche Filho, Dra. Amanda Leticia Pit Nunes/ Prof. Dr. Ricardo Ralisch

Estamos de volta, agora para tratar dos efeitos das operações agrícolas no solo. Tecnicamente, esse assunto é tratado como impactos ambientais da mecanização. Estes impactos também podem ser sociais e econômicos e podem resultar em respostas positivas ou negativas. Por motivos óbvios e intuitivos buscamos que estes impactos sejam sempre positivos, mas como saber?

Dentre os impactos ambientais causados pela mecanização, os incidentes no solo são os mais importantes, pois afetam diretamente a água, a atmosfera e a biodiversidade. Quando se altera a capacidade de infiltração e de retenção de água no solo, afetamos diretamente no ciclo hidrológico, ou seja, como a água circula na atmosfera, no solo e na superfície da Terra.

É importante considerar que não se “cria” mais água, seu volume é constante no planeta. Deste modo, afetar seu ciclo significa impactar sua disponibilidade e qualidade. Assim funciona com todos os demais elementos químicos da natureza, estes são reciclados e não gerados e é o que consta na Lei de Lavoisier: “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do soloO efeito estufa e as mudanças climáticas, que são tão mencionados ultimamente, têm nas mudanças do uso do solo uma das maiores contribuições nas emissões de carbono para atmosfera. Dentre estas mudanças estão as causadas pelas operações agrícolas de preparo do solo, que ao mobilizá-lo liberam o carbono que está fixado na superfície do solo em forma de matéria orgânica.

O carbono deve ficar no solo, para preservar a fertilidade e sua funcionalidade e, consequentemente, garantir a produtividade agropecuária. Finalmente, o impacto da mobilização do solo afeta sua biodiversidade, o mais importante dos recursos naturais. O solo tropical fértil, na sua camada superficial, é o ambiente com a maior biodiversidade do planeta, que é o principal componente da fertilidade do solo. Amplo, não é? Pois bem, todos que se interessam pela mecanização agrícola devem dar especial atenção aos seus impactos no solo, para o bem de todos.

Fertilidade e qualidade do solo

Fertilidade, deriva do latim fertilitate traduzido como a capacidade de se produzir com facilidade, que evoluiu para definir a fecundidade, se referindo a produzir vida. Logo, passemos a considerar que um solo fértil é o solo que gera vida! As plantas precisam de disponibilidade de nutrientes, ar e água no solo para atingirem seus potenciais produtivos. Ar e água se encontram na porosidade.

Os nutrientes acabam sendo extraídos pelas plantas por uma sinergia com o solo muito mais complexa do que se considerou por muito tempo. A importância dos teores mínimos e adequados de Matéria Orgânica do Solo (MOS), para esta dinâmica dos nutrientes já é amplamente reconhecida. A MOS deriva da decomposição e mineralização de material orgânico. O principal material orgânico em volume são os resíduos vegetais, tanto da parte aérea como das raízes.

Para termos MOS, precisamos ter muitas plantas sobre o solo e muitas raízes dentro do solo. Além da quantidade de plantas é preciso contar com ampla diversificação de espécies vegetais nas áreas de cultivo, para que existam diferentes sistemas radiculares atuando no solo e diferentes composições químicas dos resíduos destas plantas, contribuindo com a cobertura do solo e com a reciclagem de nutrientes.

Para todo este material se decompor precisamos ter intensa atividade biológica no solo. Esta atividade biológica é composta, principalmente, por insetos, oligoquetas (minhocas), ácaros, protozoários, fungos e bactérias, que se alimentam destes resíduos, na maioria vegetais, liberando nutrientes para as plantas. Eis por que hoje se considera que a fertilidade e a saúde do solo são consequências da sua biologia. As propriedades químicas e físicas deste solo favorecem ou desfavorecem a biologia, portanto a fertilidade.

A qualidade do solo é um conceito que vem ganhando cada vez mais importância. Este conceito vai além da quantificação de algumas propriedades químicas, físicas ou biológicas; ela reflete a capacidade do solo em desempenhar suas funções no ecossistema: ciclagem de nutrientes, filtragem, tamponamento e transformação de substâncias, sustentação para todas as atividades humanas e, a mais importante, a produção vegetal, base de toda a cadeia alimentar! Se pretende enfatizar esta amplitude funcional do solo com o conceito de “saúde do solo”, que é o centro do tema de hoje.

É muito difícil termos impactos positivos da mecanização no solo e o que devemos buscar é que estes sejam o menos negativo possível.

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do solo

Estrutura do Solo

Do ponto de vista do manejo de uma atividade agropecuária, o componente do solo que mais afeta a sua fertilidade, alterando sua qualidade e saúde é a Estrutura do Solo. Ela é antrópica, pois é alterada e afetada pela ação humana através do manejo do solo e das culturas, sendo diretamente impactada pela mecanização agrícola.

O solo tem também a estrutura pedológica, usada para o classificar e que depende diretamente dos minerais que fazem parte de sua composição e de sua textura. Adotamos a terminologia Estrutura do Solo para distinguir da estrutura pedológica e para incorporar os conceitos de fertilidade, qualidade e saúde do solo. A Estrutura do Solo pode ser explicada como a forma com a qual os agregados e os torrões do solo se organizam, formando a porosidade entre eles. Os agregados são formados pelas diferentes proporções de areia, silte e argila, típicas da textura de cada solo e matéria orgânica.

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do soloNa Figura 2 se visualiza uma camada superficial de solo agrícola, com sua Estrutura do Solo preservada e alta fertilidade. Um solo ideal hipotético tem 50% do volume com porosidade, por onde circulam água e ar, fundamentais para a atividade biológica do solo, para as raízes e, consequentemente para as plantas e para a fertilidade. A água circula pelos macroporos, cerca de 17% do volume e o ar pelos microporos, cerca de 33%, dependendo da textura.

Esta estrutura é construída pela atividade biológica e preservada pela MOS. Portanto, a Estrutura do Solo, principal componente da fertilidade do solo, é uma consequência desta fertilidade, fechando o ciclo simbiótico que temos num solo e que é fundamental para os demais ciclos dos elementos químicos presentes na natureza. Por isso que tais ciclos são chamados de biogeoquímicos da Terra.

A boa estrutura no solo proporcionada pela atividade biológica, como os canais, orifícios e galerias formados pelas raízes e pela macrofauna, propicia condição de maior e melhor enraizamento das plantas, que ao crescerem liberam exsudatos, que são diversos tipos de substâncias no solo, que alimentam os microorganismos como fungos e bactérias, que se associam às raízes, aumentando sua capacidade de absorção e de crescimento das plantas, alimentando o solo e os demais seres vivos.

Modificações na estrutura do solo afetam diretamente o ambiente onde se encontram os microrganismos, que são considerados componentes importantes dos sistemas agrícolas, pois esses regulam a taxa de decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes no solo. Eis aqui a interface da fertilidade do solo com a mecanização, pois a Estrutura do Solo, muito vulnerável, é o primeiro e principal componente do solo a ser afetado e impactado pela mecanização, que, na maior parte das vezes, é negativo. Resulta na destruição dos agregados, provocando profundas modificações no comportamento físico do solo. De imediato reduz a produtividade das culturas e pode tornar os efeitos dos veranicos e erosivos das chuvas ainda mais acentuados.

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do solo- Impactos ambientais e efeitos na saúde do solo

Mecanização e manejo do solo

Passemos então a considerar como Mecanização Conservacionista aquela mecanização racional que reduz o impacto negativo sobre a Estrutura do Solo. Para tanto, ao optar por uma operação agrícola, deve-se atentar à real necessidade desta operação, definindo claramente que tipo de ação ou efeito se pretende com ela e com que implemento se atingirá este objetivo, levando em consideração qual o tipo e condição do solo que se realizará a operação.

Deve-se definir quais são as condições operacionais, como regulagens, lastros e velocidade e ambientais, como temperatura, umidades do ar e do solo e vento, são as mais adequadas e quais destas condições devem ser evitadas e que levem a interrupção da operação, se for o caso.

Com esta postura gerencial, teremos menor impacto negativo da mecanização. A consolidação do Sistema Plantio Direto, reconhecido mundialmente como o fundamento da Agricultura Conservacionista e a base para a sustentabilidade, demonstra isto ao propor que se reduza drasticamente as operações agrícolas e que se adote a mínima mobilização do solo, necessária para a implantação das culturas, como um de seus pilares, reduzindo a agressão direta na Estrutura do Solo.

Os impactos da mecanização na Estrutura do Solo são a compactação e a desagregação, que contribuem com a erosão, consequência direta do mal uso de máquinas e que empobrece os solos, contamina, polui e assoreia as águas superficiais. A compactação é a redução proporcional do volume dos macroporos em relação ao volume de solo avaliado, que pode ser devido a uma deformação do solo causado por uma compressão.

O tráfego de máquinas é o exemplo típico. Pode ser causada, também, por uma redistribuição ou reorganização dos torrões do solo, com os menores, gerados por alguma operação agrícola que rompa esses torrões, ocupando os espaços porosos existentes entre os maiores, reduzindo a proporção de macroporosidade sem necessariamente reduzir o volume do solo. Os efeitos das hastes sulcadoras das semeadoras ilustram este resultado, que são degradações da estrutura do solo, reduzindo sua fertilidade, não adiantando suprir com mais fertilizante químico, pois não haverá resposta e ainda pode piorar a estrutura.

A MOS atenua estes efeitos por deixar a estrutura do solo menos vulnerável, atuando como um amortecedor entre os agregados do solo, diminuindo a deformação e reforçando as ligações entre os agregados, aumentando sua estabilidade e a resistência desses aos efeitos das operações de alguns implementos. A desagregação do solo é mais grave.

Causada pelo atrito que ocorre entre a ferramenta de um implemento agrícola com o solo e mesmo do solo com o solo, na passagem desta ferramenta, numa condição de compactação prévia. Esta compactação aumenta a coesão entre os agregados do solo, pelas reduções da porosidade e dos teores de MOS, concentrando a energia do atrito da passagem das ferramentas de um implemento nos agregados, rompendo-os em agregados pequenos ou partículas, cujo efeito é a redistribuição destas partículas e agregados entre os agregados e torrões do solo, compactando-o em níveis mais graves que os anteriores em curto espaço de tempo.

Um volume grande de solo desagregado, como uma camada de 2 a 3 centímetros, por exemplo, tem excesso de porosidade, deixando o solo muito vulnerável à erosão, reduzindo a retenção e a reserva de água e, finalmente, oxidando a MOS presente na estrutura do solo, convertendo o carbono (C) em CO2, emitindo-o para a atmosfera. Esta degradação da estrutura é o mais grave efeito da mecanização no solo e no ambiente, devendo ser evitado. Uma evidência grosseira desta ocorrência é o pó do solo liberado pela operação agrícola, quanto mais pó, pior para o solo.

Mas não devemos confiar só nesta indicação, pois a não emissão de pó não significa necessariamente que não há agressão ao solo de outra forma, como deformando sua estrutura e compactando o solo, quando se realizam operações com excesso de umidade no solo.

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do solo

Parâmetros

Ressalta-se que a compactação e a desagregação do solo são degradações da sua estrutura, com efeito acumulativo. Trata-se de uma questão de forças, já que a energia despendida por uma operação agrícola é muito maior do que a resistência da Estrutura do Solo. São parâmetros muito variáveis em função de tipo e condição do solo e características dos equipamentos agrícolas. Porém um bom parâmetro para verificar se as condições do solo estão adequadas para receber as diferentes operações agrícolas, é sua consistência.

Trata-se de uma propriedade que pode ser avaliada a campo, portanto, sendo afetada pela umidade do solo ou teor de água no solo. Respeitar estes parâmetros de umidade do solo para as diferentes operações agrícolas contribuem para que haja resiliência do solo, ou seja, a capacidade da Estrutura do Solo se recuperar depois de uma alteração.

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do soloConsiderando que esta estrutura do solo é, e só pode ser formada, construída e reconstituída pela atividade biológica, que depende diretamente da existência contínua de raízes abaixo da superfície do solo e de resíduos vegetais na superfície, deve-se adotar uma estratégia no manejo das culturas, com fornecimento de muitas e variadas raízes ao solo, adotando rotações de culturas, com grande volume de biomassa vegetal na superfície do solo com culturas de cobertura, que não casualmente são os outros dois princípios do Sistema Plantio Direto, além do mínimo revolvimento do solo, já citado.

Não há nenhuma operação agrícola que faça Estrutura do Solo, logo não há máquina que descompacta o solo. Na melhor das hipóteses, quando executada adequadamente, a operação agrícola pode favorecer a atividade biológica para uma recuperação mais rápida da Estrutura do Solo. Sendo assim, qualquer operação agrícola que se opte por fazer visando a restauração da Estrutura do Solo, deve vir acompanhada de uma eficiente estratégia de introdução de abundante quantidade de raízes no solo para fortalecer a atividade biológica.

A atividade biológica do solo afeta e é afetada pelo enraizamento das plantas, por isto que adotamos as raízes como um indicador básico desta atividade biológica, sendo de fácil visualização e percepção por qualquer pessoa interessada. Monitoramento É fundamental acompanhar como evolui a Estrutura do Solo das áreas agrícolas, para que se adotem as medidas necessárias, manter ou corrigir as estratégias de produção. É impossível separar as operações agrícolas do sistema de produção adotado, pelos motivos citados acima.

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do soloPortanto, o que sugerimos é que se façam avaliações periódicas nas áreas ou glebas de produção e procurem relacionar os efeitos identificados com as ações realizadas, sejam as operações agrícolas ou as práticas culturais ou manejo das culturas. A melhor metodologia para se avaliar as estruturas do solo se chama Perfil Cultural, que avalia a distribuição das diferentes estruturas do solo numa parede, ou perfil de solo de uma trincheira aberta nas áreas avaliadas.

A identificação destas estruturas segue um procedimento e critérios específicos, que dão confiabilidade e comparabilidade à avaliação. Há no box anterior, um link em que se pode obter uma publicação sobre esta metodologia adaptada para o Brasil. Uma derivação desta é o DRES, Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo, metodologia publicada recentemente e que se baseia nos resultados avaliados durante 30 anos com Perfil Cultural e se propõe a fazer uma avaliação rápida e superficial, que pode ser empregada para avaliar a evolução destas estruturas e definir onde serão feitas as avaliações mais aprofundadas, com Perfil Cultural.

A vantagem do DRES, além da rapidez, é a possibilidade de se documentar e quantificar os resultados. As Figuras 11 e 12 trazem duas amostras do DRES avaliando os efeitos de dois sistemas de manejo num mesmo solo da região de Dourados, MS. É preciso dizer qual é o melhor? Além da avaliação, a metodologia permite dar uma nota para facilitar a documentação. Trouxemos neste artigo alguns parâmetros fundamentais sobre um tema muito complexo.

Nossa intenção é aguçar o interesse das pessoas envolvidas na mecanização para que atentem aos parâmetros do solo, tão importantes, e continuem a se informar para tornar as operações agrícolas mais eficientes e duradouras. Agricultura moderna se caracteriza por adoção de tecnologias respeitando o ambiente de produção agropecuária. Uma Mecanização Conservacionista colabora para que haja maior rentabilidade da atividade no longo prazo, o que interessa a todos. Colabore com esta discussão, enviando suas sugestões. Cuidem de todos cuidando do solo. Boas safras!

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do solo

- Impactos ambientais e efeitos na saúde do solo

*Profa. Dra. Adriana Pereira da Silva 1, Dr. Afonso Peche Filho 2, Dra. Amanda Leticia Pit Nunes 3 e Prof. Dr. Ricardo Ralisch 1
1- Universidade Estadual de Londrina, Depto Agronomia 2- Instituto Agronômico de Campinas 3- Total Biotecnologia – Biotrop

 

Artigo originalmente publicado na Revista Máquinas & Inovações Agrícolas – Ed. 58 (Jul/Ago 2020)

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Coluna

Relação máquina e solo: capacidade de tração

Por redação 23/08/2020
Escrito por redação

- Relação máquina e solo: capacidade de tração

Aspectos de desempenho das máquinas agrícolas para uma boa gestão

Por MSc. Lara Marie Guanais Santos e Prof. Dr. Ricardo Ralisch*

Trataremos da importante relação que há entre o solo e os equipamentos agrícolas. Por se tratar de tema amplo e complexo, dividiremos em duas edições. Nesta abordaremos os aspectos de desempenho das máquinas e no próximo enfocaremos os efeitos no solo. Separamos os assuntos para dar maior embasamento teórico em cada tema e enfatizar aspectos fundamentais para a boa gestão da atividade agropecuária e das máquinas agrícolas.

Quais operações interagem com o solo?

Todas, com exceção das aplicações aéreas de insumos, com aviões, helicópteros, drones, vants ou semelhantes. Em todas as demais operações agrícolas há interação de algum equipamento ou componente com o solo e o exemplo clássico é o tráfego das máquinas e o comportamento dos rodados.

Tratores

O termo ¨trator¨ deriva do equivalente em inglês ¨tractor¨ originado na contração dos termos ¨traction motor¨, cuja tradução é motor de tração. E os tratores agrícolas são exatamente isso, motores equipados para realizarem a tração, geralmente de implementos agrícolas.

Esta tração é obtida pela transmissão e conversão da potência gerada pelo motor em torque nos rodados de tração, que são as esteiras ou os pneus. Este torque nos rodados é aplicado ao solo, cuja resistência a esta força aplicada se converte em deslocamento do trator, em sentido oposto à resistência oferecida. A capacidade de tração dos tratores depende diretamente da interação dos rodados com o solo e, obviamente, das características e condições de ambos.

Quanto menos coesão a superfície do solo tiver, menos resistência aos rodados ela oferece, se deforma mais e reduz a capacidade de tração do trator. Da mesma forma, quanto pior for a condição dos rodados de tração, pior será o contato com a superfície do solo, reduzindo a capacidade de tração do trator. Portanto, a capacidade de tração do trator se inicia na potência gerada pelo seu motor. Passa pela transmissão do trator e chega nos rodados, promovendo o deslocamento, com uma potência disponível para realizar a tração que é definida como Potência na Barra de Tração, ou PBT.

Esta PBT é sempre menor que a potência do motor, com uma eficiência que depende das características da transmissão, se é mecânica ou hidráulica, se tem multiplicadores de velocidade ou não, quantidade de marchas, tipos e características da coroa e pinhão e das reduções finais e, finalmente, do tipo e das condições dos rodados, como pressão interna e vida útil dos pneus no caso dos tratores de rodas. Num trator de rodas hipotético, com transmissão mecânica, tração 4×2, em boas condições e operando adequadamente em solo firme, sem preparo, estima-se que apenas 45 a 55% da potência do motor esteja disponível para tração na barra de tração.

Algumas destas características são intrínsecas ao trator, fazem parte do projeto que os tornam mais ou menos eficientes e não alteramos, mas algumas dependem de decisões gerenciais na forma de operar o trator e das manutenções adequadas. Vejamos quais:

Velocidade operacional

A velocidade afeta a disponibilidade de potência do trator para realizar a tração, pois esta potência disponível é limitada e quanto mais rápido se faz uma operação, mais potência se necessita. As operações que mobilizam o solo são as que merecem mais atenção quanto a velocidade, pois nestes casos há uma interação de alguns mecanismos do implemento com o solo. A velocidade deve ser adequada à forma de ação destes mecanismos e ao tipo do solo. Trataremos disto no próximo artigo.

Outra preocupação quanto a velocidade é o efeito “galope” das máquinas, que são os tratores e os autopropelidos. Sabemos que estas máquinas não possuem suspensão nos eixos, logo o efeito da sua oscilação vertical causada pelo deslocamento é absorvido inteiramente pelos rodados e transferido para o solo. Portanto, quanto maior a velocidade operacional, maior o “galope” da máquina e maiores são as pressões sobre o solo e consequentemente sua compactação.

- Relação máquina e solo: capacidade de tração

Seleção de marcha

A escolha da marcha a ser empregada nas diferentes operações é fundamental para a eficiência da operação e, por ser um assunto negligenciado pela maioria, é um dos erros operacionais mais frequentes.

Lembrem-se que o que define a velocidade operacional é a marcha selecionada, com o motor se comportando como estacionário. Definida a velocidade operacional pretendida, seleciona-se a marcha em que a rotação do motor esteja o mais próximo de seu regime de maior potência. Isto fará com que a operação se torne mais econômica, permitindo ao motor atuar em seu regime de maior eficiência. Num motor bem concebido, um eventual aumento de demanda de tração durante a operação, o motor reduz naturalmente a rotação, empregando a reserva de torque, sem interferência do operador.

Um trator deve oferecer ampla gama de marchas, para que as diferentes velocidades disponham de algumas marchas que a atendam e o operador deve escolher a mais longa e mais econômica, num regime do motor dentro da faixa de “Reserva de rotação”, de preferência mais próximo da rotação de máxima potência. Desta forma, disporá de marchas mais curtas em uma eventual necessidade de aumento da capacidade de tração onde a reserva de torque do motor não for suficiente.

Assim, se privilegia a velocidade pretendida, de forma mais eficiente e econômica da máquina e são nestas situações que os multiplicadores de velocidades são muito úteis, pois permitem uma pequena redução de marcha sem nenhuma interrupção da operação.

Rodados

Em termos de rodados, os tratores agrícolas se diferenciam em esteira e de rodas. Daremos mais ênfase aos tratores de rodas e a atenção devida aos pneus. Por haver alguns tratores da construção civil, com esteiras metálicas associados às atividades agrícolas e já haver no mercado opções de tratores agrícolas com esteiras e esteiras de borracha adaptáveis, daremos algumas informações básicas.

Como proposta, as esteiras possuem mais área de contato com o solo, aumentando a eficiência de tração. Consequentemente, reduzem a compactação do solo e o efeito galope, por distribuir as pressões em maior área. Têm um custo inicial alto, mas as manutenções preventivas são mais espaçadas que nos pneus.

Estas manutenções em esteiras metálicas são mais especificas e devem ser seguidas para aumentar sua vida útil. Em geral se tratam de inspeções visuais nos pontos de desgastes como roletes, segmentos da roda dentada, verificando seus parafusos de fixação, bordos da esteira e suas buchas. Verificar também se não há vazamentos de óleo nos roletes lubrificados.

Já as esteiras de borracha, originais em alguns tratores ou adaptadas, permitem o tráfego em vias pavimentadas, mas isto reduz sua vida útil por aumentar o desgaste e deve ser evitado. O tensionamento da esteira é hidráulico e permanente, sendo que a manutenção deve visar sua lavagem periódica para reduzir os atritos, troca de óleos dos sistemas lubrificados e inspeção de desgaste da banda de rodagem das esteiras. Como sempre, recomenda-se que se adote o procedimento de manutenção preventiva orientado pelo fabricante, para atender às especificidades não trazidas aqui.

Quanto aos pneus, destacaremos algumas ações que são importantes para otimizar a capacidade de tração das máquinas, aumentando suas eficiências e reduzindo seus custos operacionais. Da mesma forma, estas ações repercutirão em menor impacto sobre o solo, reduzindo as consequências negativas das operações agrícolas.

- Relação máquina e solo: capacidade de tração

Desgaste

Nos pneus agrícolas de tração, as garras são concebidas e construídas nos pneus para aumentar sua capacidade de tracionar sobre o solo, que sofrerá uma deformação sob esta pressão, aumentando a área de contato. Portanto, é fundamental que estas garras possuam uma altura mínima da banda de rodagem, pois sua redução, diminui a capacidade de tração do trator, aumenta a patinagem, reduzindo a eficiência da máquina e aumenta o custo operacional.

Recomenda-se usar o pneu agrícola até que a altura da garra atinja 1/3 de sua altura inicial. Verifique também se este desgaste é regular em toda a banda de rodagem dos pneus, pois um acentuado desgaste no centro denota emprego de pressão de insuflação alta, enquanto se este desgaste for nas laterais, denota baixa pressão.

Pressão de insuflação

Trata-se da pressão interna do pneu, que deve estar na faixa recomendada pelo seu fabricante, para evitar os desgastes citados anteriormente. Além disto, pressões incorretas reduzem a área de contato da banda de rodagem do pneu com o solo, diminuindo sua capacidade de tração, aumentando a patinagem e os custos operacionais, já que a vida útil do pneu também reduz. Pressão interna alta também aumenta a pressão externa exercida pelo pneu sobre o solo, acentuando o efeito de compactação e do “galope” da máquina.

Pressões internas inadequadas tendem a fazer com que haja mais patinagem das máquinas, com todas as consequências negativas disto. Para minimizar estes problemas, habituem-se a verificar esta pressão ao menos semanalmente.

Lastros

Toda máquina agrícola permite alguns recursos de lastreamento, visando aumentar sua massa, em função da exigência de tração da operação a ser realizada. As operações podem ser chamadas de “pesadas, médias ou leves” em função da exigência de tração, associado, justamente, a esta alternativa operacional do lastreamento. Lastros em excesso oneram as operações agrícolas, por aumentar o consumo de combustível e o desgaste dos pneus, além de aumentar a compactação do solo. Lastros em falta, diminuem o contato dos pneus com o solo e aumentam a patinagem dos rodados de tração. É justamente este critério que deve ser usado para se avaliar o lastreamento, pois nas operações agrícolas com tratores de pneus a patinagem deve ficar entre 5 e 13%.- Relação máquina e solo: capacidade de tração

Há algumas formas de se adicionar lastros ao trator, como a inclusão de pesos metálicos nos rodados ou até mesmo água no interior dos pneus. Os melhores lastros são os que se aplicam nos rodados de tração, porém, em alguns casos e acoplamentos de implementos, os lastros dianteiros nos tratores favorecem a distribuição de pesos entre os eixos.

Eis algumas regras básicas que auxiliarão a empregar os equipamentos agrícolas com mais eficiência e com melhores resultados.

Boa safra e até a próxima edição!

Referências:

OKUNO, M. O que você precisa saber sobre reserva de torque. www.inteliagro.com.br

MANTOVANI, Evandro Chartuni; LEPLATOIS, Michael;

INAMASSU, Ricardo Yassushi. Automação do processo de avaliação de desempenho de tratores e implementos em campo. Pesq. agropec. bras.,  Brasília ,  v. 34, n. 7, p. 1241-1246,  July  1999 .   Available from <encurtador.com.br/fjktD>. access on  15  Apr.  2020.

*MSc. Lara Marie Guanais Santos – doutoranda em Agronomia – UEL Prof. Dr. Ricardo Ralisch – Depto Agronomia – UEL
23/08/2020 0 Comentários
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Notícias

IAC comemora aniversário

Por redação 22/08/2020
Escrito por redação

- IAC comemora aniversário

 

Centro de pesquisas desenvolve sistemas revolucionários para levar mecanização à colheita da uva e melhorar desempenho de colhedoras de cana; meio ambiente e agricultura conservacionista também estão no foco

Movido por uma equipe de cientistas atuante em diferentes segmentos do agronegócio, o Centro de Engenharia e Automação (CEA), do Instituto Agronômico (IAC), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, completou 51 anos em julho. Instalado na cidade de Jundiaí, o CEA abriga aos programas Aplique Bem, Adjuvantes da Pulverização, Quepia e Unidade de Referência. Lidera, ainda, projetos disruptivos nas áreas ambiental e de mecanização agrícola.

Um dos desafios tecnológicos encampados pela instituição em períodos recentes está sob responsabilidade do pesquisador Antonio Odair Santos, agrônomo e pós-doutor em viticultura e enologia. Trata-se da mecanização da colheita da uva, tecnologia ainda inédita no mundo. Santos desenvolveu e testa protótipos de máquinas colhedoras da fruta. Os equipamentos em análise realizam também a desfolha, poda e pulverização de videiras, por exemplo.

Além da colheita, Odair Santos estuda a qualidade da uva. Trabalho conduzido por ele e pela pesquisadora Maria A. Lima,  doutora na área de tecnologia pós-colheita, deu origem a um veículo motorizado e a um aparelho portátil que operam integrados no mapeamento de padrões de qualidade da fruta. “O equipamento fornece amostras precisas de compostos fenólicos da uva antes da colheita, inclusive nível de açúcar, acidez e taninos”, destaca Maria.

A vocação do CEA para a mecanização agrícola encontra respaldo em outro projeto de última geração, este tocado pelo engenheiro e pesquisador Roberto da Cunha Mello. À frente de estudos sobre colhedoras de cana-de-açúcar, ele desenvolve uma máquina específica para minimizar efeitos da colheita mecanizada sobre a planta da cana, como a perda de produtividade.

“Não existe no mercado mundial uma colhedora capaz de corrigir preparo do solo, plantio ou cultivo não adequados à colheita mecanizada”, antecipa Mello.

Engenheiro agrônomo e pesquisador há quase 35 anos, Afonso Peche conduz no CEA estudos nas áreas de agricultura conservacionista e gestão agroambiental. São diretrizes do trabalho dele medir e avaliar impactos ambientais de ocupação e uso da terra, além de desenvolver modelos para gerir e mitigar efeitos da intervenção da agricultura na natureza e fazer o inventário de águas no Estado de SP.

Fonte: CEA do Instituto Agronômico (IAC)
 
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Notícias

Coopercitrus: soluções da agricultura 4.0 na palma da mão

Por redação 21/08/2020
Escrito por redação

- Coopercitrus: soluções da agricultura 4.0 na palma da mão

Pelo celular ou computador, produtor rural pode solicitar os serviços de tecnologia agrícola da Coopercitrus

Usar mapeamento de áreas via satélite, fazer pulverização localizada com drone, ter análises de solo georreferenciada, mapear áreas com falhas ou infestações, acompanhar as operações remotamente, garantindo um manejo com mais precisão para otimizar custos e aumentar a rentabilidade. A transformação digital está cada vez mais presente na atividade agropecuária. Acompanhando esses avanços tecnológicos, a Coopercitrus desenvolveu o aplicativo Campo Digital,  que reúne informações para o dia a dia no campo.
A ferramenta é grátis e pode ser acessada pelo celular, tablet ou computador. Com ela, conforme a companhia, o produtor pode solicitar  a tecnologia ideal para sua lavoura, como serviço de correção de solo, mapeamento de área georreferenciado por satélite ou Vant.
“O Coopercitrus Campo Digital foi mais uma maneira que encontramos de manter um diálogo direto e transparente com o produtor, que agora tem autonomia para solicitar os produtos e serviços de tecnologia e acompanhar o passo-a-passo de cada solicitação”, explica o gerente de Agricultura de Precisão da cooperativa, Tiago Aleixo. Pelo aplicativo, o agricultor tem ainda acesso a informações, como cotações, bulas de defensivos, previsão do tempo e o portal da Coopercitrus.
O Campo Digital está disponível para cooperados e pode ser baixado no celular ou ser usado por do site da empresa.
Fonte: Coopercitrus
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Coluna

Gerenciamento de riscos

Por redação 21/08/2020
Escrito por redação

- Gerenciamento de riscos

 

Enquanto a tecnologia avança na mecanização, produtores devem adotar medidas para reduzir danos ao seu patrimônio

Por Marco Lorenzzo Cunali Ripoli*

No ambiente agrícola muitos produtores continuam correndo riscos desnecessários por não fazer seguro de suas máquinas, equipamentos agrícolas e instalações rurais – bens estes de alto valor agregado e fundamentais. Pode parecer incomum por aqui, mas essa prática é muito adotada em alguns países como instrumento de gestão da operação.

Agricultores tomam decisões todos os dias, as quais afetam as operações agrícolas e muitos dos fatores que as influenciam não podem ser previstos com a devida exatidão – é o chamado “risco”. Quanto maior a escala da operação e o nível de complexidade, a agricultura torna-se cada vez mais arriscada, levando os agricultores a precisar compreender os riscos e ter habilidade de gestão, para melhor antecipar os problemas e reduzir as suas consequências. Isso pode parecer um tanto óbvio, contudo, pouco vem sendo levado em consideração.

A tomada de decisão é a principal atividade de gestão, pois é a partir dela que ações serão deflagradas. Na maioria das situações o resultado de uma resolução não pode ser previsto, pois quanto mais complexo for o risco, mais difícil torna-se para os agricultores tomarem uma decisão informada. Podemos citar diversos exemplos no mercado e, no setor sucroalcooleiro, não é diferente…

Os riscos na atividade do campo aparecem de muitas formas: mudanças climáticas, incidência de pragas e doenças, avaria e roubo dos equipamentos, flutuações de preços de mercado, financiamento e empréstimos, taxas de juros, mudanças nas políticas governamentais. Esses riscos têm, muitas vezes, grande impacto na renda agrícola. Há ainda os riscos relacionados com a saúde e o bem-estar do agricultor e sua família e a disponibilidade de mão de obra para a fazenda.

Alguns agricultores estão dispostos a aceitar mais risco e exposição do que outros e, mediante isso, podemos citar três diferentes perfis: os não tomadores de riscos, são aqueles que tentam evitar correr riscos e preferem ser menos arrojados; os tomadores de riscos, são pessoas que estão abertas a negociações mais arriscadas e têm maior conhecimento sobre o que pode acontecer com a volatilidade do mercado (e não mercado, como clima, no caso das commodities plantadas); e os neutros, que são agricultores que se encontram no meio termo da tomada de riscos.

Olhando para pequenos e médios produtores, muitas vezes um conserto ou necessidade de reposição, em caso de um sinistro pode gerar despesas que afetem o fluxo de caixa de sua operação. Os incêndios, acreditem, são a segunda ocorrência mais frequente, seguindo da colisão com obstáculos no solo.

Como amenizar isso e garantir que a conta não pesará no futuro? Se entende por “gestão” a correta atribuição de mão de obra, materiais e demais recursos, com o objetivo de promover resultados satisfatórios. É buscar alcançar rendimentos eficazes, determinados previamente, lidar e prevenir possíveis desvios, motivar e treinar equipes para atuações necessárias e padronizar atividades.

A evolução tecnológica é um caminho sem volta, fazendo com que o produtor se adeque e não perca oportunidades. As melhores decisões de gestão de risco dependem da qualidade das informações, de como são utilizadas e não da quantidade. Informações ajudam o tomador de decisões na sua gestão.

As fontes de informação disponíveis incluem registros de fazenda, estatísticas, informações de revendedores de insumos, comerciantes, extensionistas, outros agricultores e dados de preços de mercado. Se informe! O agronegócio segue rumo à sincronização tecnológica aumentando a capacidade produtiva, sem a necessidade de expansão de terras.

A indústria vem trazendo soluções integradas, com equipamentos aperfeiçoados e serviços que juntos otimizam o trabalho e promovem suporte a tomada de decisões. Há três grandes motivos para a indústria, não apenas voltada à agropecuária, buscar incluir cada vez mais softwares em redes em suas máquinas e implementos, que permitam obter mais benefícios no processo produtivo:

Engajamento– interação do cliente por meio do uso das máquinas e equipamentos pelos operadores;

Manutenção Preditiva – leva em considerações relatórios de atividades e reparos remotos;

Comunicação Máquina a Máquina – redução do trabalho humano e aumento da eficiência e segurança das operações;

Com o engajamento e interação do cliente é possível compartilhar informações, através de todos os tipos de aparelhos, a fim de criar valor diferenciado e forma de oferta de serviços. O profissional do campo, como qualquer outro, busca estar conectado e atualizado em relação a suas operações e deseja se apoiar em dispositivos modernos, com interfaces interativas e portáteis para condução de suas atividades no dia a dia.

Estamos falando da 4ª Revolução Industrial que impulsionará outro crescimento da indústria, dos processos e da automação das fábricas.

De acordo com a empresa Cisco, a visão mais otimista do valor que a Internet das Coisas (loT) pode entregar até 2022 é de US$ 14 trilhões. A manufatura será responsável por 27% (3,88 trilhões), deste valor US$ 1,67 trilhões seriam provenientes do engajamento de equipes e usuário.

Uma soma de US$ 675 bilhões vem devido a melhor gestão dos ativos, em que a manutenção mais inteligente desempenha um papel importante. Outro ganho de US$ 1,54 trilhões será oriundo da redução de todas as formas de desperdícios, como tempo, graças ao uso da comunicação M2M. As manutenções, principalmente as preditivas, trazem mais confiabilidade e performance para as máquinas e implementos.

Muitas empresas já desenvolvem aplicações que utilizam análises avançadas para a auxiliar na melhor tomada de decisões de seus clientes. A condição das máquinas e seus diversos componentes são monitorados por sensores, pois independente se são novas, com o uso intenso podem desgastar de forma prematura.

Mapear as atividades executadas e saber quais máquinas foram utilizadas nos diversos tipos de operações permite que a manutenção seja programada de forma a atender à necessidade específica de cada máquina e/ou equipamento.

Sensores enviam dados das máquinas via internet, wi-fi, rádio etc. para sistemas centrais (ou centrais de operações) que auxiliam nas intervenções, cujo objetivo é assegurar que não se perca tempo com inatividade, promovendo condições de uma máxima produtividade do equipamento, mudando da manutenção corretiva para preditiva, reduzindo significativamente os gargalos ou defeitos que podem resultar em danos irreparáveis para os sistemas.

A utilização da comunicação máquina a máquina (M2M) traz cada vez mais eficiência e segurança nas áreas produtivas das fazendas, desde o planejamento das atividades até a sua realização.

Um caso muito comum, fora do setor sucroalcooleiro que gosto de mencionar é o da Pecuária de Precisão – já ouviu falar nas fazendas sem fazendeiros, as Farmerless? Utilizando-se de sensores, animais são acompanhados e reconhecidos automaticamente por máquinas de alimentação, as quais podem até elaborar uma ração específica para cada animal, fazer a separação por lotes e, ainda, onde as fêmeas receberam dispositivos digitais que informam o momento correto quando entram em seu período de fertilidade.

Quem imaginaria isso anos atrás? M2M é sinônimo de tecnologia de comunicação que ocorre sem intervenção humana. As diversas aplicações utilizam microeletrônica e tecnologia sem fios, por meio da qual os aparelhos incorporados reúnem e distribuem dados em tempo real. Um sistema M2M só é possível com uma estrutura de rede de comunicações, seja fixa, sem fio ou híbrida para que o software de aplicação converta os dados (ex.: de horímetro, temperatura, posicionamento geográfico etc.) em informações que sirvam como suporte a tomada de decisões. Empresas de telecom já reconhecem a grande oportunidade de expandir seus serviços juntos ao agronegócio.

A 4ª Revolução Industrial está mudando a nossa agropecuária, sociedade e economia. O Agro não para!

*Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, fundador do movimento O AGRO NÃO PARA, executivo, disruptor, multiempreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria
21/08/2020 0 Comentários
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Notícias

Prêmio Mulheres do Agro 2020 entra na reta final

Por redação 21/08/2020
Escrito por redação
- Prêmio Mulheres do Agro 2020 entra na reta final

A premiação valoriza iniciativas sustentáveis na gestão de propriedades rurais por mulheres, em todo o Brasil

A terceira edição do Prêmio Mulheres do agro entra no último mês de inscrições. As interessadas ainda podem cadastrar sua história até dia 15 de setembro. A iniciativa, idealizada pela Bayer, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), é destinada às mulheres que se destacam à frente da gestão de propriedades agrícolas, sejam elas pequenas, médias ou grandes, e tem o objetivo de valorizar a atuação feminina no agro.
O prêmio “Gestão Inovadora”  reconhecerá iniciativas para boas práticas agropecuárias e gestão sustentável com foco nos pilares econômico, social e ambiental como: uso racional de recursos naturais, aumento da eficiência da produção com gestão inovadora, projetos que permitam o desenvolvimento social da comunidade ou de colaboradores da propriedade, bem-estar animal e valorização do capital humano. Serão premiadas as candidatas que ficarem nas três primeiras colocações de cada categoria (pequena, média e grande propriedade), o que significa um total de nove finalistas.
Desde a primeira edição, mais de 320 produtoras se inscreveram na iniciativa, que já agraciou 18 agricultoras de várias regiões do Brasil. As vencedoras serão reveladas no dia 27 de outubro durante o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio , que terá formato digital em 2020, e será realizado entre 26 e 29 de outubro.
As inscrições podem ser feitas aqui.
Fonte: Bayer

21/08/2020 0 Comentários
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Coluna

Solucionar problemas, não causá-los

Por redação 20/08/2020
Escrito por redação

- Solucionar problemas, não causá-los

Máquinas devem atender perfil adequado de cada operação

*Por Prof. Dr. Ricardo Ralisch

A mecanização agrícola é uma das tecnologias que intensificam a produção agropecuária e deve ser empregada para otimizar e qualificar o trabalho ao oferecer redução de riscos às pessoas e ao ambiente. A ferramenta tem evoluído junto com a agropecuária e, no Brasil, apresenta uma história com algumas particularidades em relação a outros países, pois é um claro caso de evolução espontânea, ou seja, sem indução por políticas específicas contínuas.

Um pouco de história

No País, a introdução da mecanização agrícola aconteceu na década de 1960, atendendo a um programa do governo federal de modernização da agricultura: o Plano Nacional da Indústria de Tratores de Rodas, de 1959. Esta indústria veio na esteira da indústria automobilística, incentivada fortemente pelo governo federal na década de 1950. Segundo João Amato Neto, da USP de São Carlos (SP), em 1960 se produziu no Brasil 37 tratores agrícolas, 35 destes da marca Ford. Em 1964 foram produzidos 11.537 tratores, já com maior diversidade de marcas, como Massey Ferguson, Ford, Fendt, Valmet, Demisa e CBT.

Este foi o único plano federal específico para a mecanização agrícola, cuja evolução derivou da dinâmica natural do setor e atendeu mais a aspectos mercadológicos. Como consequência, houve uma natural e significativa diferença evolutiva para variados setores agropecuários e regiões, em função das diferenças nos desempenhos econômicos que houve na época e continuam até hoje. Junto com os tratores, foram introduzidos alguns implementos agrícolas, que são os realizadores de operação agrícola de fato, concentrados nas operações de preparo de solo.

- Solucionar problemas, não causá-los

Considerou-se o conceito que vigorava na época, derivado da Europa, de que quanto mais preparado for o solo, melhor. Por influências que não são totalmente esclarecidas, mas baseado em outros países de expansão recente da agricultura, como os EUA, optou-se no Brasil por introduzir os implementos de preparo de solo a discos, como arados e grades, em função das dificuldades operacionais que se encontrariam nas áreas recém desmatadas, em função dos resíduos dos desmatamentos que deveriam ocorrer, como galhadas, raízes etc.

A lógica empregada foi de que os discos, pelo seu modo de ação, têm maior capacidade de cortar e, eventualmente, superar estes obstáculos, diferentemente se os implementos forem dotados de ferramentas fixas, como aivecas ou hastes. Nota-se que nestas decisões vigorou o interesse pelo desempenho das operações agrícolas sobre o efeito destas no ambiente, ou no solo especificamente.

Ainda segundo João Amato Neto, na distribuição da venda global nacional de implementos agrícolas por segmentos, os de preparo de solo superaram a 36% em 1976, seguido pelos implementos de colheita, como debulhadores e peneiras, com 34%, mostrando a importância que estes equipamentos de preparo de solo assumiram.

Destaca-se que, nestes casos, a fabricação é menos complexa do que dos tratores de pneus, portanto pôde ser feita por indústrias menores, pequenas oficinas e empreendimentos familiares, de forte conotação regional e com importante efeito na cadeia produtiva da agropecuária. No final da década de 1970 se iniciou o ciclo da soja no Brasil, alterando significativamente a paisagem agrícola em muitas regiões, por substituir lavouras perenes ou semi-perenes por uma cultura anual, com alto potencial de ser mecanizada.

Aliás, este foi um dos fatores da mudança de atividade de muitos agricultores, pois a soja depende menos de mão de obra e passávamos pelos resultados da expansão para o meio rural dos efeitos da Consolidação da Leis Trabalhistas (CLT), concebida para o meio urbano e suas indústrias, no governo Vargas.

O objetivo foi combater a exploração dos trabalhadores rurais, principalmente no nordeste do Brasil, mas a consequência foi uma avalanche de ações trabalhistas em atividades agropecuárias das regiões Sul e Sudeste do Brasil, por terem desenvolvido uma relação diversificada entre proprietários e trabalhadores rurais, mas que não estava prevista na CLT. Portanto, a mecanização e a soja passaram a ser vistas como uma alternativa a esta situação. O ciclo da soja se consolidou devido a enorme expansão do mercado consumidor desta leguminosa.

Temos, então, um contexto em que houve um pequeno incentivo à mecanização associado à expansão da produção de soja e a consolidação da produção de outras culturas cerealistas e anuais, rotacionando com a soja, como feijão, trigo e milho, dependendo da região. Vigorava o conceito de se realizar o preparo do solo a cada safra, com implementos a discos como arados, grades leves, médias e pesadas, realizando 3, 4 a até 5 operações de preparo de solo em cada safra, ora para afofar o solo, para combater mato, pragas e doenças, e em alguns momentos para incorporar insumos como herbicidas.

Isto degradou acentuadamente o solo, deixando-o muito vulnerável, o que resultou na calamidade da extensa erosão até o final da década de 1980, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, principalmente. O Centro-Oeste ainda se caracterizava por uma ampla adoção de pecuária extensiva. Portanto, o ciclo de erosões que tivemos no Brasil de meados ao final do século 20 se deveu, principalmente, a uma adoção inadequada da mecanização agrícola, realizando operações prejudiciais ao campo.

Apesar dos excelentes programas nacionais e de alguns estaduais de controle da erosão realizados, esta só foi controlada de fato com a consolidação do Sistema Plantio Direto, que surgiu graças a persistência de alguns agricultores pioneiros, simbolizados por agricultores do Paraná: Manoel Henrique Pereira, o Nonô, de Palmeira; Franke Djikstra de Carambeí; e Herbert Bartz, de Rolândia, este último tendo importado em 1972, por sua conta e risco, uma semeadora de Plantio Direto dos Estados Unidos, a Allis Chalmers, que vinha sendo usada pelo agricultor Harry Young Jr. em Plantio Direto, chamado lá de ¨No-Till¨, já havia 10 anos.

O advento do Plantio Direto rompeu o conceito do preparo de solo, evoluiu para o Plantio Direto na Palha, que propunha promover a cobertura permanente do solo, também limitando a incorporação dos restos vegetais da safra encerrada no solo pelo seu preparo, culminando no conceito do Sistema Plantio Direto (SPD), que se baseia na mínima mobilização do terreno, na manutenção da sua cobertura permanente e em promover a rotação de culturas e a diversidade vegetal.

O impacto positivo foi tão grande que a FAO, organismo da ONU para agricultura e alimentação, adotou estes três pilares como a base da Agricultura Conservacionista proposta para todos os países. Na mecanização, esta mudança de conceito reduz drasticamente a importância do preparo de solo, operação substituída pelas semeadoras, que devem promover o preparo da linha de semeadura, com a menor perturbação possível da cobertura e pelos pulverizadores, pois as aplicações são mais frequentes, já que na maioria dos casos o controle do mato passa a ser feito com herbicidas.

Além destes, as colhedoras assumem o papel de bem distribuir a palha durante a colheita, para atender a premissa do solo coberto e para facilitar o papel das semeadoras. O mercado de máquinas agrícolas se agita, muitas pequenas indústrias se adequam, oferecem boas alternativas aos agricultores e crescem, outras não resistem, mas muitas novas surgem e a gama de opções se ampliou.

- Solucionar problemas, não causá-los

A consolidação do SPD permitiu a expansão da produção cerealista ao Centro-Oeste, promovendo, inclusive, uma segunda safra, devido a redução dos tempos operacionais das máquinas e a preservação da umidade da terra. Surgiu a proposta da implantação de cultura forrageira associada à de cereais e a consolidação da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e o surgimento da integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e nossas produtividade e produção global se expandem vertiginosamente.

 

O Brasil se tornou modelo de Agricultura Conservacionista, refletindo no desempenho econômico e no sucesso de nossa balança comercial nas últimas duas décadas. O Agro do Brasil passou a atrair muitas empresas fornecedoras de tecnologias, inclusive fabricantes de máquinas.

Mercado de máquinas

Nosso mercado de máquinas se consolidou e há uma boa oferta de alternativas às diferentes atividades agropecuárias. Os tratores e as colhedoras combinadas automotrizes, chamadas de colheitadeiras, são fornecidas pelos grandes fabricantes multinacionais, enquanto na área dos implementos e alguns autopropelidos são fornecidos pelas indústrias regionais ou de origem regional que se tornaram nacionais. Isto nos leva ao comentado no texto da edição anterior, colocando o papel dos grandes fabricantes em fornecer equipamentos genéricos, voltado para o mercado de atividade mais intensa, enquanto os fabricantes regionais oferecem soluções mais adequadas às realidades de seu entorno.

Uma atenção que deve ser dada pelos agricultores é que os grandes fabricantes de máquinas possuem estrutura e marketing nacionais e tratam todos os agricultores ¨de forma semelhante¨, promovendo equipamentos que se adequam à uma determinada realidade, como da região Centro-Oeste, às demais regiões. Há nisto um sério risco de adoção de equipamentos inadequados ao ambiente de produção do interessado na máquina.

Um exemplo disto foi a retirada de terraços em curva de nível iniciada na região Sul há 15 ou 20 anos, e que se expandiu rapidamente. A justificativa para tal fato foi a busca pelo aumento da eficiência operacional das máquinas, que se consegue com facilidade ao adotar equipamentos de maior largura de trabalho. Aliás, este tem sido um argumento de venda de máquinas, generalizado, mas irresponsável, até hoje. Esta justificativa se apoia na crença ou na informação oportunista de que o SPD controla erosão. Não controla.

Como tratado acima, a concepção do SPD possibilitou que as outras estratégias de controle a erosão funcionassem, por interromper o preparo de solo e sua degradação sucessiva, por recuperar a produção de biomassa, a matéria orgânica e a estrutura do solo, aumentando a capacidade de infiltração de água que diminuem o potencial erosivo das chuvas. Portanto, informar que o SPD controla a erosão é uma desinformação ou uso de má fé para promover, por exemplo, a venda de equipamentos específicos.

Mas a indução por emprego de máquinas mais largas, de maior potência e de maior eficiência operacional se generalizou, promovendo a retirada dos terraços em boa parte de nossa área agrícola e a erosão voltou a ser alarmante. Portanto, este novo ciclo de erosões, da década de 2010, também teve como fato deflagrador a mecanização inadequada. Outro problema desta busca por maiores rendimentos operacionais dos equipamentos agrícolas sem critérios adequados é o aumento dos custos operacionais.

Se o dimensionamento destes equipamentos for acima do recomendado para as características fundiárias e da atividade agropecuária, estes custos oneram o produtor, reduzem a rentabilidade, podendo inviabilizá-lo. Este fato já está sendo constatado em algumas regiões, inclusive com tendências a mudanças de atividades. Isto deveria preocupar os fabricantes e fornecedores de equipamentos agrícolas e poderia partir deste setor uma iniciativa de promoção da mecanização agrícola racional e por quê não a chamar de Mecanização Conservacionista, para entrar nesta onda.

Mecanização para solucionar problemas

Uma das características desta Mecanização Conservacionista deve ser a racionalidade, de custos, de meios de produção, de energia e de equipamentos. Mas este conceito exige mais: deve ser focado na solução dos problemas e dificuldades encontrados no cotidiano da agropecuária. Isto exige uma clara identificação e reconhecimento destes problemas e dificuldades. É comum encontrarmos no campo produtores que dispõem de equipamentos desnecessários, gerando ociosidade e custos. Situação que se agrava quando o produtor opta então por usar estes equipamentos.

Identificar o problema é importantíssimo na busca da melhor solução e normalmente é mais difícil do que parecer ser. A melhor forma de acoplar um implemento, características operacionais, como manobras, velocidades, uso adequado dos recursos dos tratores, como marchas, multiplicadores de velocidades, freios independentes, bloqueio de diferencial, bitola, lastros, pressão de inflação dos pneus, manutenções preventivas, regulagens dos implementos, posição das ferramentas, se necessário, altura ou profundidade de atuação, desgaste dos componentes, distribuição de insumos se houver, recolhimento de produtos para citar genericamente algumas situações.

Um produtor bem informado ou um bom consultor em mecanização, por exemplo, devem ser aptos a identificar o problema, para buscar a melhor solução em mecanização disponível no mercado. Também definem adequadamente as condições operacionais, como velocidade, regulagens, manobras, reabastecimentos, manutenções, condições climáticas e de solo para que a operação traga os melhores resultados possíveis.

- Solucionar problemas, não causá-los

Se as condições operacionais citadas dependem das condições climáticas e de solo, como temperatura do ambiente, umidade do ar e do solo e vento, estas devem ser alteradas durante o dia, o que exige um bom acompanhamento das operações por quem decide por estas adequações ou uma boa capacitação do operador se esta decisão for delegada a ele. De qualquer forma, é importante criar um sistema de monitoramento destas decisões tomadas, para constante avaliação. Estes sistemas podem ser simples, com fichas e apontamentos pelo operador ou mais complexos, como monitoramento remoto, como a telemetria, que já está disponível no mercado para todas as operações e equipamentos.

Das operações agrícolas que dependem das condições do ambiente, as que interagem com o solo são as que mais preocupam, pois operações inadequadas afetam diretamente nos custos operacionais, mas também podem causar grandes danos no solo e na sua estrutura, principal propriedade do solo afetada pela mecanização, mas este será o tema que abordaremos na próxima edição. Boa safra.

*Prof. Dr. Ricardo Ralisch é professor da Universidade Estadual de Londrina, doutor em agronomia, pesquisador de mecanização agrícola e manejo de solos, diretor da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação e consultor da FAO-ONU
20/08/2020 0 Comentários
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