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Mercado

Colheita de café arábica chega a 93% no Cerrado Mineiro

Por Redação 31/08/2026
Escrito por Redação

Colheita de café arábica chega a 93% no Cerrado Mineiro

A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro evoluiu para 93% do total previsto até 28 de agosto, com 77% dos frutos já beneficiados, apresentando um rendimento médio de 490 litros por saca de 60 kg beneficiada. No mesmo período da safra passada, quando a produção foi menor, os trabalhos se encontravam em 95%. Os dados fazem parte do relatório semanal da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer).

Segundo os técnicos da entidade, com a safra entrando em sua fase final, as atenções nas propriedades dos cooperados estão cada vez mais direcionadas à conclusão das operações de campo.

Com o trabalho in loco, eles identificaram que cerca de 30% do café desta safra tenha caído ao chão em decorrência das chuvas e, desse percentual, aproximadamente 54% já tenha sido levantado. “Dessa forma, a colheita de chão se apresenta como uma das principais atividades a serem intensificadas neste momento”, pontuam.

Os técnicos da Expocacer informam, ainda, que, nos últimos dias, o cenário de tempo seco observado anteriormente deu lugar à ocorrência de chuvas, com volumes significativos em diferentes regiões do Cerrado Mineiro, variando entre as localidades.

O aumento da umidade tem interferido no ritmo das operações, especialmente no recolhimento do café de chão, já que algumas atividades mecanizadas precisam ser interrompidas ou adiadas.

Em determinadas situações, o café já “enleirado” – grãos agrupados no chão para a colheita – precisa ser novamente esparramado para secagem antes de ser recolhido. Contudo, a possibilidade de novas chuvas nos próximos dias pode dificultar ainda mais esse processo.

Diante dessas condições, os técnicos da Expocacer citam como fundamental aproveitar as janelas de tempo favorável para retomar e intensificar o recolhimento do café de chão, evitando que os frutos permaneçam úmidos por períodos prolongados e reduzindo os riscos de perda de qualidade.

Em relação à qualidade, o percentual médio de catação dos cafés recebidos permanece acima de 20%, comportamento associado principalmente ao aumento da participação dos cafés provenientes do chão.

Outro ponto de atenção após a ocorrência das chuvas, conforme eles, é a florada em algumas lavouras, com o produtor devendo acompanhar de perto a evolução dos botões florais e das floradas que possam ocorrer neste período.

Nas áreas irrigadas, os técnicos da Expocacer apontam que é importante manter o manejo da irrigação, realizando os ajustes necessários de acordo com a umidade do solo, a evapotranspiração e as condições de cada área, buscando manter uma disponibilidade hídrica adequada e reduzir possíveis perdas na florada e no pegamento dos frutos.

Neste momento, a prioridade é concluir a colheita e avançar principalmente no recolhimento do café de chão sempre que as condições permitirem, acompanhando atentamente as previsões meteorológicas.

Paralelamente, os cuidados com a irrigação, a florada e a sanidade das lavouras devem ser mantidos, buscando reduzir os impactos das condições climáticas e proporcionar melhores condições para o desenvolvimento do próximo ciclo produtivo.

Clima

O período mais recente foi marcado por uma mudança nas condições meteorológicas no Cerrado Mineiro. Após um período prolongado de tempo predominantemente seco, foram registrados volumes de chuva mais expressivos, com médias acumuladas que foram de 5 milímetros a 29 milímetros, dependendo da localidade.

A ocorrência dessas chuvas, segundo os técnicos da Expocacer, representa uma mudança importante no padrão meteorológico observado nas últimas semanas, contribuindo para uma elevação pontual da disponibilidade hídrica na região após um período de baixa precipitação.

Para os próximos dias, eles recomendam atenção total à possibilidade de ocorrência de novas chuvas, com maior probabilidade a partir do dia 2 de setembro. As temperaturas máximas devem variar entre 29°C e 32°C, ao passo que as mínimas devem oscilar entre 11°C e 17°C, mantendo a tendência de noites e manhãs mais amenas.

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31/08/2026 0 Comentários
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ExpointerMercado

Sicoob projeta R$ 1 bilhão em negócios prospectados na 49ª Expointer

Por Redação 28/08/2026
Escrito por Redação

Sicoob projeta R$ 1 bilhão em negócios prospectados na 49ª Expointer

O Sicoob SC/RS projeta prospectar R$ 1 bilhão em negócios durante a 49ª Expointer, que será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS). A expectativa é baseada no desempenho da instituição na fase de pré-feira: somente até esta quinta-feira (28), já foram ultrapassados R$ 550 milhões em negócios prospectados, volume 150% superior aos R$ 220 milhões registrados no mesmo período do ano passado. O resultado segue sendo atualizado diariamente.

Na atual safra, o Sicoob projeta crescimento de 15% no volume de crédito rural destinado a produtores do Rio Grande do Sul, em relação aos R$ 2,2 bilhões liberados no estado no Plano Safra 2025/26. Com a projeção, a instituição deve superar R$ 2,5 bilhões em recursos destinados ao crédito rural gaúcho no atual ciclo.

Em todo o país, o Sicoob deve disponibilizar R$ 70 bilhões em crédito rural no Plano Safra 2026/27, ampliando a oferta de recursos para custeio, investimentos e outras necessidades da atividade agropecuária. No Plano Safra anterior, o Sicoob nacional liberou R$ 59,5 bilhões em crédito rural, crescimento de 6,8% sobre o ciclo anterior. Desse total, o Sicoob SC/RS destinou R$ 12,6 bilhões a Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

“O produtor precisa de acesso a recursos para organizar a produção, investir e atravessar os diferentes ciclos da atividade. Nossa atuação no estado gaúcho é baseada nessa proximidade e na oferta de soluções de acordo com a realidade de cada produtor”, afirma Rodinei Munaretto, diretor de Negócios do Sicoob Central SC/RS.

Dentro da estratégia de agro, a agricultura familiar também terá espaço na atuação do Sicoob durante a Expointer. O segmento representa uma parcela importante da produção agropecuária e está entre os públicos atendidos pelo Sicoob com soluções voltadas ao custeio, investimento e estruturação das atividades no campo. No Plano Safra 2025/26, o Sicoob SC/RS destinou R$ 4,1 bilhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) aos pequenos produtores, o equivalente a 32% do total destinado ao crédito rural pela instituição.

No Rio Grande do Sul, foram R$ 631,8 milhões em recursos para apoiar produtores da agricultura familiar.
Durante a Expointer, a instituição pretende reforçar a proximidade com esse público e apresentar alternativas financeiras que contribuam para o planejamento e a continuidade das atividades.

Paulo Vitor Sangaletti, gerente de Agronegócio do Sicoob SC/RS, diz que a presença na Expointer ocorre em um momento em que o acesso a crédito tem papel relevante para a atividade rural. “O produtor gaúcho vem enfrentando os efeitos de eventos climáticos e precisa tomar decisões em um cenário que exige planejamento. O nosso papel é estar próximo, entender as necessidades de cada região e manter o crédito disponível para apoiar a produção e os investimentos”, afirma.

 

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Expointer

Kuhn apresenta tecnologias para otimizar o plantio e a proteção de culturas na Expointer

Por Redação 28/08/2026
Escrito por Redação

Kuhn apresenta tecnologias para otimizar o plantio e a proteção de culturas na Expointer

A Kuhn do Brasil apresenta na Expointer soluções tecnológicas direcionadas para dois dos momentos mais críticos do ciclo produtivo na região Sul: o plantio e a proteção fitossanitária. O evento, de 29 de agosto a 06 de setembro, também receberá uma série de máquinas no estande da Kuhn com foco em nutrição de alta performance, conservação de forragem, construção de solo e pecuária de precisão.

A agricultura no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná enfrenta desafios estruturais que demandam cada vez mais eficiência das máquinas. A necessidade de cumprir janelas operacionais curtas, tanto no estabelecimento das culturas de inverno quanto na implantação da safra de verão, aliada à exigência de aplicações fitossanitárias precisas em áreas com relevos variados, coloca a precisão e a robustez no centro da gestão agrícola.

Atenta a esse cenário, a Kuhn destaca a Semeadora Pneumática Quadra 10.000, projetada para reduzir o tempo de parada para reabastecimento e elevar a capacidade diária de hectares plantados. Ao assegurar a deposição precisa de sementes e adubo mesmo em alta velocidade, o equipamento garante a emergência uniforme da lavoura, considerado o primeiro passo para alcançar o teto produtivo e maximizar o retorno sobre o investimento do produtor.

Para a proteção das culturas contra pragas e doenças, a Kuhn destaca o pulverizador autopropelido Boxer 2000 H. O modelo alia economia de combustível e leveza para transpor terrenos acidentados sem amassar a cultura ou compactar o solo.

A combinação de tração hidro robusta, suspensão ativa e vão livre regulável se traduz em mais horas trabalhadas por dia com total conforto para o operador, garantindo a proteção da lavoura no momento exato e sem desperdício de defensivos em áreas íngremes.

“O produtor do Sul busca tecnologias que se traduzam em resultados concretos. Na Expointer, reforçamos nosso compromisso em entregar equipamentos que assegurem um plantio impecável e um manejo sanitário eficiente, protegendo cada etapa do potencial produtivo da lavoura”, destaca José Carlos Bassetti, Gerente de Divisão de Produtos, Pós-vendas e Marketing da Kuhn do Brasil.

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Renegociação de dívidas do agro: entenda as regras da MP 1.376
Mercado

Renegociação de dívidas do agro: entenda as regras da MP 1.376

Por Redação 28/08/2026
Escrito por Redação

Pronaf supera 1 milhão de contratos de crédito rural em seis meses

A publicação da Medida Provisória nº 1.376/2026 e da Resolução CMN nº 5.330/2026 trouxe uma alternativa decisiva para aliviar o endividamento do campo, permitindo renegociação de dívidas de produtores afetados por adversidades climáticas ou queda de preços de comercialização entre 2019 e 2025. Para auxiliar as lideranças sindicais e os agricultores paulistas a compreenderem as novas regras, o Departamento Econômico da Faesp sistematizou os principais pontos operacionais e as exigências para o enquadramento das operações.

São elegíveis para a renegociação as operações de custeio, comercialização e industrialização que tenham sido renegociadas ou prorrogadas até 31/05/2026 e que estejam adimplentes; as operações de custeio, comercialização e industrialização que tenham sido contratadas até 31/12/2025 e estejam inadimplentes a partir de 01/01/2024, assim permanecendo em 31/05/2026; e as de investimento, vencidas ou vincendas entre 01/01/2024 e 31/12/2026, desde que contratadas até 31/12/2025 e que tenham entrado em inadimplência a partir de 01/01/2024 e que permaneceram inadimplentes em 31/05/2026. Dívidas com revendas, tradings, agroindústrias ou débitos inscritos na Dívida Ativa da União ficaram de fora da medida.

As condições de pagamento variam conforme o nível de perda: perdas moderadas (em 2 ou mais safras, com queda mínima de 30% na renda bruta) garantem prazo de até 8 anos de pagamento, enquanto perdas severas (em 3 ou mais safras, com queda mínima de 40% na renda bruta) oferecem até 10 anos de prazo. Ambas as modalidades contam com 2 anos de carência para o principal (com pagamento anual dos juros) e taxas equalizadas que variam de 5% a 6% ao ano para o Pronaf, 8% a 9% para o Pronamp e 11% a 12% para os demais produtores, conforme o enquadramento.

Um dos pontos mais vantajosos da norma de renegociação de dívidas é a dispensa de decreto municipal de calamidade ou emergência. Em contrapartida, o acesso aos recursos exige obrigatoriamente a comprovação das perdas por laudo técnico emitido por profissional habilitado (Engenheiro Agrônomo ou Técnico Agrícola), que comprove os prejuízos causados por eventos climáticos extremos ou a redução dos preços de comercialização dos produtos agropecuários financiados.

Na prática, a Faesp orienta que o produtor não espere a iniciativa dos bancos: é fundamental protocolar formalmente a manifestação de interesse junto à agência financeira com antecedência. Durante o processo, o produtor tem o direito de solicitar a revisão e liberação de garantias em excesso. Além disso, a contratação da linha não poderá gerar impedimentos para novos financiamentos e nem motivar inclusão em cadastros restritivos.

O prazo para contratação do crédito termina em 12 de novembro de 2026. Os Sindicatos Rurais desempenham papel estratégico no esclarecimento dessas exigências e no suporte aos produtores locais, assegurando que o agro paulista utilize esse mecanismo de fôlego financeiro em sua totalidade.

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Mercado

Produção de milho 1ª safra dispara 41% no estado de SP no ciclo 2025/26

Por Redação 28/08/2026
Escrito por Redação

Produção de milho 1ª safra dispara 41% no estado de SP no ciclo 2025/26

A cultura do milho primeira safra registrou um salto expressivo na produção paulista de 41%. É o que aponta o terceiro levantamento de previsão e estimativa da safra 2025/26, realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, em parceria com a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI). O estudo confirma o otimismo das previsões parciais do milho 1ª safra e também aponta as estimativas finais para outras culturas relevantes no cenário paulista, como soja, amendoim e seringueira.

A produção do milho 1ª safra atingiu 2,06 milhões de toneladas, com o aumento de 26,5% na área plantada (277,8 mil hectares) e ganho de 11,5% na produtividade. A região de Itapeva liderou o estado, concentrando 26% desse volume. Além dela, destacam-se as regionais de São João da Boa Vista (11,5%), Itapetininga (7,7%) e Avaré (7,5%), totalizando 52,7% da produção estadual.

A soja, um dos principais pilares da agricultura paulista, fechou o ciclo 25/26 em 4,12 milhões de toneladas, mantendo estabilidade frente ao período anterior. Embora a área total tenha encolhido 5,1%, a produtividade cresceu 5,4% (média de 3.603 kg/ha). Esse cenário reflete uma forte otimização técnica nas principais regiões produtoras do estado: Itapeva (19,3%), Ourinhos (10,5%), Assis (10,3%), Itapetininga (7,0%), Orlândia (6,6%) e Avaré (5,0%), que totalizam 58,7%.

São Paulo mantém a liderança nacional na produção de amendoim, respondendo por 80%. Contudo, a retração nos preços internos da casca e as cotações externas desfavoráveis encolheram a área plantada em 8,7% e a produção em 2,8%. O impacto só não foi maior devido à alta de 6,4% na produtividade média. Jaboticabal e Presidente Prudente lideram o ranking estadual. Já a seringueira operou em estabilidade.

A safra encerra com 263,6 mil toneladas de coágulo de látex, leve recuo de 1,0%. A regional de São José do Rio Preto detém 31,7% do mercado do estado. O próximo levantamento trará os resultados finais das culturas anuais do milho segunda safra, trigo e triticale e das culturas perenes banana e café. O relatório é fruto do trabalho de campo conjunto de técnicos das Casas da Agricultura e analistas do IEA.

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Tecnologia

Famato esclarece regras para aplicação de defensivos agrícolas após decisão do TJMT

Por Redação 27/08/2026
Escrito por Redação
Famato esclarece regras para aplicação de defensivos agrícolas após decisão do TJMT

o Tribunal manteve a distância de 90 metros para grandes propriedades, reconheceu a distância de 25 metros para pequenas e médias propriedades e estabeleceu, para as pequenas propriedades, tratamento específico conforme a modalidade de aplicação / Foto: CNA

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) atuou como amicus curiae no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que discutiu a constitucionalidade da Lei Estadual nº 12.859/2025, que estabelece critérios para a aplicação terrestre de defensivos agrícolas em Mato Grosso. Durante o processo, a entidade apresentou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) argumentos jurídicos e informações técnicas sobre a atividade agropecuária, as tecnologias de aplicação e as medidas de redução da deriva.

A decisão do TJMT representa um avanço importante para o setor produtivo ao reconhecer a constitucionalidade da legislação estadual e, consequentemente, admitir critérios diferenciados para as distâncias mínimas na aplicação de defensivos agrícolas. Antes da edição da lei, prevalecia a regulamentação do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), que estabelecia, de forma geral, o distanciamento mínimo de 90 metros, sem a diferenciação posteriormente introduzida pelo legislador. Com o julgamento desta terça-feira (25), o Tribunal manteve a distância de 90 metros para grandes propriedades, reconheceu a distância de 25 metros para pequenas e médias propriedades e estabeleceu, para as pequenas propriedades, tratamento específico conforme a modalidade de aplicação.

Na prática, o novo cenário traz uma regulamentação mais adequada às diferentes realidades produtivas. Nas pequenas propriedades, de até quatro módulos fiscais (unidade de medida expressa em hectares, estabelecidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária para cada município), a aplicação manual ou costal poderá ser realizada sem distância mínima, desde que observadas as demais exigências legais e técnicas. Para a aplicação mecanizada ou tratorizada nessas propriedades, o TJMT fixou a distância mínima de 25 metros.

Assim, embora o julgamento tenha estabelecido essa limitação específica para a aplicação mecanizada nas pequenas propriedades, o resultado geral é positivo, pois supera a antiga lógica de aplicação indistinta dos 90 metros e consolida, em lei reconhecida como constitucional pelo Tribunal, critérios proporcionais ao porte da propriedade e à forma de aplicação.

Por isso, antes de realizar uma aplicação, o produtor deve verificar o porte da propriedade e qual método será utilizado. Nas grandes propriedades, permanece a exigência de 90 metros; nas médias, de 25 metros; e, nas pequenas, a distância dependerá do método de aplicação. Se a operação for manual ou costal, não há distância mínima estabelecida pela decisão. Se for realizada com máquina ou trator, deverão ser observados 25 metros.

O produtor também precisa observar as exigências previstas nas bulas e rótulos dos produtos, registros, licenças e demais normas federais, estaduais e municipais aplicáveis. Caso exista uma exigência mais restritiva, ela deverá ser respeitada.

Outro ponto importante é que a segurança da aplicação não depende apenas da distância física. Durante sua atuação no processo, a entidade apresentou argumentos técnicos demonstrando que fatores como tamanho das gotas, tipo de ponta de pulverização, pressão do equipamento, condições meteorológicas, calibração do maquinário, tecnologia empregada e capacitação dos operadores influenciam diretamente o potencial de deriva.

A deriva ocorre quando gotas ou partículas do produto se deslocam para fora da área que está sendo tratada. Por isso, mesmo quando a distância mínima prevista na decisão estiver sendo cumprida, o produtor deve planejar a operação considerando condições como velocidade e direção do vento, temperatura, umidade, tamanho das gotas, pressão e altura da barra de pulverização, além das condições de manutenção e regulagem do equipamento.

Segundo o gestor jurídico da Famato, Rodrigo Bressane, a entidade defende que a regulamentação da aplicação de defensivos agrícolas deve considerar a evolução tecnológica e as boas práticas adotadas no campo. Equipamentos modernos, pontas de pulverização com indução de ar, sistemas de controle de deriva, sensores meteorológicos e tecnologias de agricultura de precisão são ferramentas que podem contribuir para maior controle da aplicação e redução da dispersão para áreas não alvo.

“A atuação da Famato no processo buscou contribuir para que a discussão considerasse, além da proteção ambiental, a realidade da produção agropecuária e os avanços tecnológicos disponíveis. Sustentando também que a legislação deve compatibilizar a tutela ambiental, as novas tecnologias e a função social da propriedade com o desenvolvimento econômico sustentável, garantindo segurança operacional e jurídica para o uso dos defensivos agrícolas”, explica Bressane.

A decisão do TJMT reforça a importância de estabelecer critérios que conciliem a proteção ambiental e a segurança com a realidade da produção agropecuária. A entidade defende que a regulamentação sobre o uso de defensivos agrícolas seja baseada em evidências científicas, critérios técnicos e no avanço das tecnologias de aplicação, considerando que a redução dos riscos não depende apenas de distâncias, mas também de equipamentos adequados, condições meteorológicas, capacitação dos operadores e boas práticas agrícolas.

“A Federação continuará acompanhando os desdobramentos da decisão e atuando para que as normas aplicáveis ao setor promovam segurança jurídica aos produtores, proteção ambiental e condições para a continuidade de uma produção responsável em Mato Grosso”, reforça o gestor.

 

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Expointer é importante termômetro para a retomada do setor de máquinas agrícolas, diz Simers
ExpointerMercado

Expointer será termômetro para retomada do setor de máquinas agrícolas, diz Simers

Por Redação 27/08/2026
Escrito por Redação

Expointer será termômetro para retomada do setor de máquinas agrícolas, diz Simers

A Expointer poderá marcar o início de um novo momento para a indústria de máquinas e implementos agrícolas. Primeira grande feira do agro após o anúncio do Plano Safra 2026/2027, o evento será também o primeiro grande termômetro para medir a reação do mercado às novas condições de financiamento e a capacidade de transformar a intenção de compra dos produtores em investimentos. Essa é a expectativa do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (SIMERS), co-promotor da Expointer.

Realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), a Expointer reúne fabricantes de máquinas e implementos agrícolas, produtores rurais e compradores nacionais e internacionais. 

“A Expointer é uma vitrine estratégica para a indústria. É aqui que muitas empresas apresentam seus lançamentos, fortalecem o relacionamento com os produtores e transformam a tecnologia exposta em oportunidades de negócios. A presença de cerca de 135 empresas mostra que o setor continua apostando na feira e na força do mercado. Temos uma expectativa positiva de que esta edição ajude a movimentar as vendas e sinalize uma retomada dos investimentos no campo”, afirma o presidente do SIMERS, Claudio Bier.

Para Bier, o potencial da feira está diretamente relacionado ao funcionamento efetivo do Plano Safra e à chegada dos recursos ao produtor. “O produtor continua acreditando na tecnologia como ferramenta para produzir mais e melhor. O que esperamos é que as linhas de crédito estejam plenamente operacionais e acessíveis durante a Expointer. Se o financiamento chegar efetivamente ao produtor, teremos um ambiente muito favorável para impulsionar os negócios e estimular novos investimentos”, destaca.

A vice-presidente do SIMERS, Carolina Rossato, reforça que a disponibilidade de crédito será determinante para que o interesse do produtor se transforme em negócios.

“A indústria está preparada, e as empresas chegam à Expointer com inovação e soluções cada vez mais eficientes. O produtor demonstra interesse em investir e renovar seu parque de máquinas. O fator decisivo será a disponibilidade do crédito. Se os recursos do Plano Safra estiverem acessíveis, a feira terá todas as condições para acelerar negócios e sinalizar uma retomada consistente do mercado”, afirma.

A expectativa também é reforçada pela presença de produtores de diferentes regiões do Brasil e de compradores da Argentina e do Paraguai, mercados estratégicos para a indústria gaúcha de máquinas agrícolas. A combinação entre lançamentos, inovação, compradores qualificados e crédito disponível cria um ambiente favorável para novos investimentos e para o fortalecimento da competitividade do setor.

O cenário, no entanto, ainda exige atenção. A baixa rentabilidade das principais culturas, provocada pela combinação entre preços pressionados das commodities e elevados custos de produção, reduziu a capacidade de investimento do produtor rural ao longo dos últimos meses.

Para o SIMERS, esse contexto torna ainda mais importante que os recursos anunciados no Plano Safra estejam efetivamente disponíveis, com acesso simplificado e condições que permitam ao produtor tomar decisões de investimento.

Responsável por mais da metade da produção nacional de máquinas agrícolas, o Rio Grande do Sul chega à Expointer reafirmando seu protagonismo na fabricação de equipamentos e tecnologias para o agronegócio. Para o SIMERS, a edição de 2026 reúne elementos importantes para inaugurar um novo ciclo de investimentos: empresas preparadas, inovação, compradores qualificados e um ambiente de negócios consolidado. O passo decisivo será garantir que o crédito esteja disponível para transformar oportunidades em vendas.

“A Expointer sempre antecipou os movimentos do agronegócio brasileiro. Quando inovação, confiança e crédito caminham juntos, o produtor investe e toda a cadeia se fortalece. É essa combinação que esperamos ver nesta edição”, conclui Bier.

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Feiras & EventosTecnologia

Próximo salto da IA no campo será tema do SAE Brasil de Máquinas Agrícolas

Por Redação 27/08/2026
Escrito por Redação

Próximo salto da IA no campo será tema do SAE Brasil de Máquinas Agrícolas

A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a ser critério de decisão de compra no agronegócio brasileiro. Sistemas que antes apenas registravam o que aconteceu na lavoura, hoje recomendam e executam a ação seguinte. É esse deslocamento, da telemetria para a decisão autônoma, que estará no centro do 18º Simpósio SAE BRASIL de Máquinas Agrícolas, no dia 2 de setembro, no Teatro CIEE-RS Banrisul, em Porto Alegre (RS).

O encontro, tradicional no calendário do setor de máquinas agrícolas, reúne fabricantes, fornecedores e pesquisadores em torno das rotas tecnológicas da mecanização nacional. Entre os painéis previstos está o “IA no Campo: da Telemetria à decisão Autônoma”, que discutirá dados, inteligência embarcada e machine learning aplicado a partir de uma perspectiva global e terá Giancarlo Fasolin, gerente sênior de Marketing Estratégico da PTx para a América do Sul, como painelista.

A empresa reúne as tecnologias de agricultura de precisão da Precision Planting e da PTx Trimble e opera sobre uma premissa da compatibilidade entre marcas. “O produtor brasileiro raramente tem uma frota de uma única marca. Ele tem tratores, colhedoras e implementos de fabricantes e de anos diferentes convivendo na mesma operação. Qualquer discussão sobre inteligência artificial no campo passa por essa questão prática: de onde vêm os dados e se eles conversam entre si. Sem isso, o algoritmo não tem matéria-prima”, destaca Fasolin.

Retrofit como porta de entrada da autonomia

Um dos pontos que devem atravessar o debate é o papel do retrofit na difusão da automação. A adoção de tecnologia embarcada no Brasil tem avançado não apenas pela renovação de frota, mas pela atualização de máquinas já em operação — caminho que reduz a barreira de investimento e acelera a curva de adoção em propriedades de diferentes portes.

Nessa frente, soluções de piloto automático e de correção de sinal permitem que equipamentos existentes passem a operar com precisão centimétrica, enquanto plataformas construídas sobre o protocolo ISOBUS viabilizam a integração entre máquinas de fabricantes distintos. O passo seguinte já está em campo: sistemas como o OutRun, da PTx Trimble, permitem que tratores executem tarefas sem operador na cabine, sob supervisão humana.

“A decisão autônoma não substitui o produtor, ela realoca a atenção dele. Quando a máquina executa exatamente o que foi planejado, sem desvio e sem interrupção, a mão de obra qualificada passa a ser empregada onde realmente faz diferença. É aí que a tecnologia deixa de ser custo e vira produtividade”, diz o executivo.

Agenda de descarbonização e eficiência

A edição de 2026 do simpósio se organiza em torno da discussão de máquinas agrícolas para um agro mais inteligente e descarbonizado — agenda em que eficiência operacional e redução de emissões deixaram de ser temas paralelos. Para o setor de máquinas, o desafio é traduzir volume crescente de dados em ganho mensurável no campo — tema que o painel pretende endereçar a partir de casos e resultados de diferentes mercados.

Serviço

  • 18º Simpósio SAE BRASIL de Máquinas Agrícolas
    Data: 2 de setembro de 2026
    Local: Teatro CIEE-RS Banrisul – R. Dom Pedro II, 861, São João – Porto Alegre (RS)
    Painel: “IA no Campo: Da Telemetria à Decisão Autônoma. Foco em dados, inteligência embarcada e machine learning aplicado – uma perspectiva global”, apresentado por Giancarlo Fasolin
    Horário: 15h25 às 16h40
    Informações e inscrições: saebrasil.org.br
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EmpresasTecnologia

Parceria entre Senar MT e Case IH forma mais de 500 profissionais em tecnologias de automação

Por Redação 26/08/2026
Escrito por Redação

Parceria entre Senar MT e Case IH forma mais de 500 profissionais em tecnologias de automação

A necessidade contínua de profissionais qualificados para operar maquinários agrícolas de ponta tem transformado a realidade do agronegócio em Mato Grosso. Em parceria com a Case IH (grupo CNH), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) capacitou 582 em 69 cursos realizados entre janeiro e julho de 2026. As formações focam na operação, regulagem e manutenção de máquinas de alta tecnologia, atendendo a uma das maiores demandas dos produtores rurais da região.

As ações estão concentradas nos Centros de Treinamento (CT) de Campo Novo do Parecis e Rondonópolis, oferecendo uma estrutura onde trabalhadores e novos talentos aprendem na prática. Entre os cursos ministrados estão a Operação em Alta Performance Utilizando Colheitadeira de Grãos, Pulverizador Autopropelido, Trator, e Trator com Plantadeira.

O coordenador de regionais do Senar MT, Victor Fazinga, ressalta a relevância da aliança. “Essa parceria representa um importante avanço na qualificação de profissionais para o setor agrícola. Unindo a experiência do Senar MT em formação e capacitação à tecnologia e inovação da Case IH, essa iniciativa prepara operadores para os desafios do campo, garantindo mais eficiência, segurança e produtividade nas operações”, pontua.

A oferta de treinamentos busca sanar um gargalo histórico do setor produtivo. Segundo o supervisor regional do Senar MT, José Pio, a escassez de operadores preparados é uma queixa frequente entre os produtores rurais atendidos pelos sindicatos da região sul do estado, como Rondonópolis, Pedra Preta, Jaciara e Jucimeira.

“Hoje, a gente sabe que uma das grandes dores do produtor é não ter uma mão de obra qualificada na região. Nosso objetivo é formar profissionais aptos para atender a essa demanda e trabalhar de forma efetiva nas propriedades. A gente abre os cursos para o público urbano que quer se qualificar ou aperfeiçoar sua aptidão com máquinas. Grande parte das pessoas vem da cidade já com noções de direção para operar o equipamento com segurança”, completa o supervisor.

Além de suprir a demanda do mercado, os cursos têm se consolidado como uma porta de entrada para a inclusão feminina em atividades historicamente dominadas por homens. Alunas do curso de colheitadeiras no CT de Rondonópolis destacam a transformação profissional e o fim dos preconceitos na mecanização agrícola.

Natural de Rondônia e atualmente morando em Rondonópolis, Aylla Maciel, de 32 anos, é técnica agrícola e motorista de caminhão. Ela enxergou no treinamento a chance de se reconectar com suas raízes rurais e expandir sua atuação.

“Eu venho da área rural e da área de transporte, que são duas paixões. Vi a oportunidade de voltar para o agro e quero pegar firme nisso. Na área de transporte ou de máquinas, ninguém espera uma mulher, mas hoje não existe mais isso de mulher ficar só no fogão. Uma mulher pode dirigir um caminhão, uma máquina ou um avião. É preciso ter atenção aos detalhes do solo e da máquina para não estragar os equipamentos, e a instrução técnica nos dá essa base com excelência”, relatou Aylla.

Para Raquel Ferreira, estudante de Gestão de Recursos Humanos que se mudou para Mato Grosso há anos, o curso representou um desafio superado. “Para mim está sendo desafiador porque não tinha vivência na área, mas estou gostando muito. Até pouco tempo não tínhamos espaço, e hoje estamos fazendo um curso que antes era só para homens, quebrando paradigmas e preconceitos. As mulheres são capazes, e encorajo todas a virem sem medo”, afirmou.

Já a aluna Andressa Santos destacou o aprendizado detalhado sobre a tecnologia interna do maquinário e o cuidado diferenciado que a presença feminina agrega ao campo.

“É uma experiência muito válida para entender desde o funcionamento interno até a operação. A tecnologia ajuda, mas é preciso estar ciente dos sinais que a máquina dá. A mulher tem um cuidado a mais, um zelo e uma visão sistêmica do negócio. Isso faz diferença nos detalhes da manutenção, na verificação pós-colheita e na limpeza do equipamento”, explicou Andressa.

Os interessados em participar dos próximos cursos de mecanização agrícola devem procurar o Sindicato Rural de seu município para verificar a disponibilidade de turmas para realizar a inscrição.

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26/08/2026 0 Comentários
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Permite consultas rápidas e visualizações de gráficos sobre produção, distribuição territorial, risco climático e produção científica
Tecnologia

Embrapa lança plataforma com informações sobre a cafeicultura brasileira

Por Redação 26/08/2026
Escrito por Redação
Permite consultas rápidas e visualizações de gráficos sobre produção, distribuição territorial, risco climático e produção científica

Ferramenta permite consultas rápidas e visualizações de gráficos sobre produção, distribuição territorial, risco climático e produção científica // Foto: Renata Silva

Já está no ar o Painel – Café em Números, plataforma on-line interativa que reúne, em um único ambiente, informações oficiais sobre a cafeicultura brasileira. Desenvolvida em parceria entre a Embrapa Café (DF) e a Embrapa Territorial (SP), a ferramenta organiza e integra informações oficiais provenientes de diferentes instituições, facilitando o acesso e a visualização de indicadores estratégicos do setor.

O painel utiliza bases de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Censo Agropecuário, do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e da própria Embrapa, permitindo consultas rápidas e visualizações de gráficos sobre produção, distribuição territorial, perfil socioeconômico, risco climático e produção científica relacionada ao café.

Segundo a analista Daniela Maciel, da Embrapa Territorial, responsável pelo desenvolvimento da ferramenta, o setor convive com um grande volume de informações oficiais, mas distribuídas em diferentes sistemas, metodologias e de difícil utilização. “Faltava um ponto único e integrado de consulta”, explica ela.

A plataforma reúne informações sobre as duas principais espécies cultivadas no País — Coffea arabica e Coffea canephora — com recortes nacionais, regionais, estaduais e municipais. A série histórica de produção abrange o período de 2014 a 2024, enquanto os dados sobre estabelecimentos agrícolas e perfil dos produtores utilizam o Censo Agropecuário de 2017. A plataforma será atualizada sempre que forem publicados novos dados oficiais.

Para a chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, Renata Silva, ter informações integradas, oficiais e confiáveis é estratégico para a cafeicultura brasileira. “O Painel Café em Números fortalece a capacidade do setor de planejar, antecipar riscos, orientar investimentos e subsidiar decisões e políticas públicas baseadas em evidências”, destaca.

Módulos

O painel está organizado em sete módulos temáticos que apresentam diferentes dimensões da cafeicultura brasileira. A seção Visão Geral reúne indicadores nacionais de produção, área colhida, produtividade e valor da produção, com séries históricas e comparação entre cafés arábica e canéfora. Em Distribuição Territorial, o usuário pode consultar rankings de estados produtores, dados por região e mapas municipais da produção. Já o módulo Geografia da Produção detalha informações como valor gerado, produtividade média, área plantada, área colhida e rendimento por localidade.

Os demais módulos ampliam a análise para aspectos estruturais, sociais, climáticos e científicos. Estabelecimentos Agrícolas apresenta o número e o perfil das propriedades produtoras, incluindo a participação da agricultura familiar; Dados Socioeconômicos reúne informações sobre gênero, faixa etária e envelhecimento dos produtores; Zarc – Risco Climático mostra mapas e períodos de menor risco para o cultivo; e Café na Embrapa concentra a produção científica e tecnológica da Empresa, com dados sobre publicações, autores, temas de pesquisa e ativos tecnológicos.

Integração

Para Daniela Maciel, uma das principais contribuições do painel é oferecer uma visão integrada da cafeicultura brasileira. “Ele permite enxergar onde o café está sendo produzido, como essa produção evoluiu ao longo do tempo e quais características sociais, territoriais e produtivas estão associadas a cada região”, detalha. A analista ressalta que esse tipo de informação pode subsidiar decisões de diferentes públicos. “Vejo um potencial muito grande de utilização por pesquisadores, extensionistas, estudantes, gestores públicos e também pelo próprio setor produtivo. O objetivo é facilitar o acesso à informação e apoiar decisões baseadas em evidências.”

Outro diferencial é a integração dos dados do Zarc, que passam a estar disponíveis em um ambiente específico para a cultura do café. “A ideia é simplesmente facilitar o acesso às informações relacionadas exclusivamente à cafeicultura”, esclarece.

Inteligência Territorial

De acordo com Renata Silva, o painel é o primeiro passo para a construção da Plataforma Nacional de Inteligência Territorial do Café, que pretende ser um espaço construído coletivamente com instituições públicas, privadas e representativas da cafeicultura brasileira. Mais do que reunir informações, ela buscará consolidar dados oficiais e cientificamente validados que fortaleçam a tomada de decisão, orientem políticas públicas, apresentem a realidade brasileira, atraiam investimentos e ampliem a competitividade do setor.

“A Plataforma terá um papel estratégico na apresentação e comunicação da realidade da cafeicultura brasileira, oferecendo ao mercado nacional e internacional uma visão confiável, transparente e baseada em evidências sobre produção, produtores, sustentabilidade e os avanços do café brasileiro”, explica.

A Plataforma Nacional de Inteligência do Café reunirá dados georreferenciados, indicadores estratégicos, mapas interativos e análises sobre produção, mercado, logística, competitividade e riscos climáticos. Além da integração de bases oficiais, incorporará informações derivadas de sensoriamento remoto, permitindo o mapeamento e o monitoramento da cafeicultura brasileira por meio de imagens de satélite e outras tecnologias geoespaciais.

Também utilizará ferramentas de inteligência artificial em campo para apoiar a validação de dados estratégicos e o monitoramento de períodos de produção. A iniciativa está em fase de estruturação, com articulação de parcerias e viabilização de recursos para sua implementação em escala nacional.

Daniela Maciel destaca que a construção de uma plataforma completa demanda investimentos significativos. “Integrar e organizar dados sobre a cafeicultura brasileira utilizando imagens de satélite ou manter equipes dedicadas exclusivamente ao processamento e atualização dessas informações exige recursos humanos e financeiros. Por isso, optamos por iniciar com uma parte desse trabalho: reunir os principais dados oficiais já disponíveis e organizá-los de forma acessível.”

Transformando dados em informação

Embora as informações utilizadas no Painel Café em Números sejam públicas, transformar grandes bases estatísticas, com metodologias diversas, em um ambiente intuitivo e integrado exigiu um extenso trabalho de preparação dos dados.

“Quando você baixa uma tabela do IBGE, por exemplo, ela não está pronta para ser utilizada em um painel interativo. Primeiro é preciso identificar quais variáveis serão utilizadas, padronizar estruturas, reorganizar tabelas enormes e converter tudo para formatos compatíveis com processamento em banco de dados”, descreve Maciel.

Segundo ela, esse processo permite transformar milhares de linhas e colunas em informações organizadas, facilitando a navegação e a comparação entre diferentes indicadores. “No painel, quando o usuário faz uma consulta, ele não acessa diretamente o site do IBGE. Os dados já foram processados, tratados e estruturados pela equipe, ficando armazenados em ambiente próprio para consultas rápidas”, finaliza a analista.

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