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Agro atinge 28,6 milhões de trabalhadores no 3º trimestre de 2025
Mercado

Inadimplência do crédito rural chega a recorde de 9,7%, aponta Cepea

Por Redação 20/10/2026
Escrito por Redação

Inadimplência do crédito rural chega a recorde de 9,7%, aponta Cepea

A inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,7% do saldo em agosto de 2026, recorde da série histórica do Banco Central. Em dezembro de 2022, o índice era de 0,8%. O avanço é analisado no Texto Ocasional para Discussão (TOD) Endividamento rural no Brasil, 2013–2026: custo, composição e concentração da dívida por trás da inadimplência recorde, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Com base em dados do Banco Central, do próprio Cepea, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Mundial, o estudo investiga os fatores por trás do aumento dos atrasos. A conclusão é que o problema não decorre simplesmente do volume de dívida em relação à renda do setor, mas da elevação dos custos de financiamento, das mudanças nas fontes de crédito e da concentração das dificuldades de pagamento.

Este é o quarto Texto Ocasional para Discussão disponibilizado pelo Cepea. O trabalho destaca cinco fatores para compreender o atual cenário de endividamento rural.

1. O volume da dívida, isoladamente, não explica o recorde

Em 2025, o saldo do crédito rural equivalia a 94% da renda anual da agropecuária. A proporção está dentro da faixa de 87% a 109% observada entre 2013 e 2019, período em que a inadimplência era cerca de um terço da atual. Para os autores, a comparação indica que o volume da dívida em relação à renda, por si só, não explica a dimensão dos atrasos registrados em 2026.

2. O custo do crédito aumentou

A taxa média do crédito rural para pessoas físicas subiu de 6,3% ao ano, em 2021, para 12,2%, em 2025. No mesmo período, a despesa anual estimada com juros quase triplicou, passando de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões. Em relação à renda do setor, o peso dos juros avançou de 3,9% para 11,4%.

3. O atraso se concentra na modalidade de crédito que mais cresceu

As fontes privadas de financiamento a juros livres, como as operações lastreadas em Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), passaram de 5% do crédito rural contratado em 2013 para quase metade em 2023. Essas operações estão mais expostas às variações da taxa Selic e, segundo o estudo, concentram 77% do saldo em atraso. A inadimplência nessa modalidade chega a 17,6%, ante 3,8% nas operações com juros controlados.

As dificuldades também variam entre atividades. Nos segmentos de grãos, os preços reais estão 28% abaixo dos níveis de 2021, enquanto a relação de troca com fertilizantes atingiu seu pior resultado da série analisada. Na pecuária, por outro lado, o cenário é distinto, segundo o levantamento.

4. A inadimplência não revela toda a dimensão do problema

Em agosto de 2026, a carteira problemática do Banco Central somava R$ 205 bilhões, equivalente a 23,8% do crédito rural. Desse total, três quartos correspondiam a operações renegociadas ou prorrogadas, que não entram no cálculo da inadimplência. O indicador, portanto, não abrange toda a exposição financeira associada a dificuldades de pagamento.

O problema também apresenta diferenças regionais. O Rio Grande do Sul, responsável por 13% da carteira nacional de crédito rural, concentrava 21% da carteira problemática e 27% do saldo renegociado ou prorrogado, embora sua taxa de inadimplência fosse de 3,2%.

Já em estados produtores de grãos do Centro-Oeste e do Matopiba, as dificuldades aparecem de forma mais expressiva nos atrasos. A inadimplência alcançou 8,8% em Goiás e superou 15% no Maranhão e no Tocantins.

5. Parte do financiamento está fora das estatísticas, e a renegociação alcançou uma parcela limitada das dívidas

O investimento agropecuário cresceu 71% desde 2019, e 64% desse montante foi financiado por fontes externas ao crédito rural contabilizado nas estatísticas analisadas, como recursos próprios, Cédulas de Produto Rural (CPRs), fornecedores e leasing. O estudo ressalta que os dados disponíveis não permitem identificar quanto desse financiamento corresponde efetivamente a dívidas.

No âmbito da Medida Provisória 1.376/2026, as renegociações somavam R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, cerca de 5% do montante estimado no estudo. Apenas 1,3% desse valor correspondia a dívidas de investimento.

Renegociação exige diagnóstico individual

Para os autores, uma hipótese central é que dívidas de investimento contratadas entre 2020 e 2022, quando as margens dos produtores eram mais favoráveis, venceram em um cenário de redução da rentabilidade dos grãos e aumento dos juros. A hipótese ajuda a explicar por que o problema não pode ser compreendido apenas pelo volume total de crédito contratado.

Nesse contexto, o estudo aponta que a resposta não deveria se limitar ao alongamento generalizado das dívidas. Os autores defendem distinguir problemas de liquidez — quando o produtor enfrenta dificuldades para honrar compromissos no curto prazo — de problemas de solvência, nos quais a capacidade de pagamento está comprometida de forma mais estrutural. Essa avaliação, segundo o trabalho, deve considerar as contas e as condições financeiras de cada propriedade.

O diagnóstico também evidencia lacunas nas estatísticas disponíveis. Entre as informações consideradas necessárias pelos autores estão dados sobre inadimplência por finalidade do crédito, taxas de renegociação bilateral e o volume de dívidas contraídas fora do sistema financeiro.

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20/10/2026 0 Comentários
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Mudanças no clima reforçam planejamento para a pulverização
EmpresasMercado

Mudanças no clima reforçam planejamento para a pulverização

Por Redação 20/10/2026
Escrito por Redação

Mudanças no clima reforçam planejamento para a pulverização

Com a evolução do plantio da safra 2026/27, o acompanhamento das condições climáticas ganha importância para o planejamento das operações agrícolas. A previsão de El Niño entre outubro e dezembro pode alterar os padrões de temperatura e distribuição das chuvas em diferentes regiões do país, fazendo com que as condições encontradas no campo sejam diferentes das observadas habitualmente em determinados períodos.

Na pulverização, essa variabilidade exige atenção para identificar os momentos mais adequados para realizar a aplicação. Temperatura, umidade relativa do ar, vento e ocorrência de chuvas estão entre os fatores que precisam ser acompanhados para definir a entrada na lavoura e aproveitar a janela disponível para o trabalho.

“Quando a janela é curta, ter informação sobre o clima e sobre o desempenho da máquina ajuda o produtor a decidir com mais rapidez e aproveitar melhor o tempo disponível”, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produtos da Massey Ferguson.

Acompanhar as condições meteorológicas durante a operação permite identificar mudanças que podem interferir na aplicação. Temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar favorecem a evaporação das gotas, enquanto ventos mais fortes aumentam o risco de deriva. A ocorrência de chuva também precisa ser considerada no planejamento, tanto antes quanto depois da aplicação.

Quando o período adequado para a pulverização é limitado, os recursos disponíveis na máquina podem contribuir para acompanhar as condições da operação e manter a aplicação dentro dos parâmetros planejados. No pulverizador MF 500R, da Massey Ferguson, uma estação meteorológica disponibiliza informações sobre as condições climáticas durante o trabalho. Os dados ficam disponíveis na cabine e permitem ao operador acompanhar o cenário encontrado no momento da aplicação e avaliar a continuidade da operação.

Além das condições climáticas, o desempenho do equipamento também interfere na uniformidade da aplicação. Variações de velocidade, curvas e irregularidades do terreno podem alterar a distribuição da calda e exigem que a vazão acompanhe essas mudanças.

O MF 500R conta com o sistema OptiPulse, de pulverização pulsada, que controla individualmente os bicos por meio de válvulas PWM. A tecnologia permite ajustar a dosagem de acordo com a velocidade do equipamento e realizar a compensação em curvas, contribuindo para manter a uniformidade da aplicação.

Outro recurso é o nivelamento automático da barra, que acompanha as irregularidades do terreno para manter a altura adequada em relação à cultura. A solução ajuda a preservar a uniformidade da aplicação mesmo diante das variações encontradas ao longo da área e manter a qualidade de cobertura e tamanho de gotas.

A gestão dos produtos utilizados também pode influenciar o tempo necessário para realizar a operação. Trocas de defensivos, por exemplo, podem exigir procedimentos adicionais e aumentar a quantidade de produto que permanece no sistema. O modelo possui sistema de injeção direta, que realiza a mistura dos defensivos na linha de aplicação. Com isso, é possível fazer a troca de produtos sem esvaziar o tanque principal, dando mais flexibilidade à operação e permitindo adaptar o trabalho às necessidades da lavoura.

O equipamento conta ainda com o LiquidLogic, sistema que mantém a calda em circulação e devolve ao tanque o produto que permanece na tubulação ao final da aplicação ou durante a troca de produto. A solução também auxilia nos procedimentos de limpeza do sistema e na manutenção da homogeneidade da calda.

Quando as condições adequadas para a pulverização mudam rapidamente, a capacidade de realizar o trabalho dentro dessa janela também passa a ser um fator de planejamento. Velocidade, estabilidade e capacidade de deslocamento influenciam a área que pode ser atendida antes de uma mudança nas condições.

O MF 500R utiliza a transmissão Smart Drive, com controle independente das rodas. O sistema busca manter a velocidade de trabalho e reduzir o revolvimento do solo nas curvas. O equipamento pode operar em declividades de até 36%, dependendo das condições do terreno, ampliando as possibilidades de trabalho em diferentes áreas.

O Massey Guide, sistema de orientação e piloto automático, também auxilia na condução da operação, enquanto o Massey Ferguson Connect reúne informações sobre o desempenho e o trabalho realizado. A combinação de orientação, dados da máquina e acompanhamento da operação permite ao produtor ter mais informações para planejar as atividades e avaliar o trabalho executado.

“Na pulverização, acompanhar o clima e contar com recursos que permitam ajustar a aplicação são formas de aproveitar melhor as janelas disponíveis ao longo da safra, reduzindo os custos de produção, aumentando a produtividade com sustentabilidade.”, ressalta o especialista.

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20/10/2026 0 Comentários
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Reportagem especialTecnologia

John Deere amplia vendas de kits para modernizar máquinas em meio ao crédito caro

Por Redação 16/10/2026
Escrito por Redação

John Deere amplia vendas de kits para modernizar máquinas em meio ao crédito caro

Clarisse Sousa – Em meio aos juros elevados e à pressão sobre a rentabilidade do produtor rural, a John Deere amplia a oferta de kits que permitem incorporar tecnologias de agricultura de precisão a máquinas usadas. As soluções incluem recursos para controlar a distribuição de sementes, reduzir desperdícios na pulverização e automatizar operações, sem exigir necessariamente a compra de um equipamento novo.

Segundo Jackson Schneider, executivo à frente da área de Precision Upgrades, a John Deere passou a vender cinco vezes mais kits de modernização do que vendia há cinco anos. A equipe responsável pelo negócio, criada há quatro anos, passou de duas pessoas para cerca de 80.

O executivo concedeu entrevista ao Portal MIA durante visita de jornalistas à fábrica da John Deere em Catalão (GO), nesta quinta-feira, 15. Na ocasião, a empresa apresentou soluções para diferentes tipos de máquinas e necessidades de operação.

O que são os kits de atualização

Os kits de atualização reúnem componentes, sensores, sistemas eletrônicos e recursos de software que permitem incorporar novas funcionalidades a máquinas que já estão no campo. As soluções variam conforme o equipamento e a tecnologia escolhida, desde recursos específicos até sistemas mais avançados de automação e agricultura de precisão.

Nas plantadeiras, as atualizações podem incluir a eletrificação da distribuição de sementes, ampliando o controle sobre o plantio. Nos pulverizadores, há soluções para controlar individualmente cada bico, reduzindo sobreposições na aplicação, e tecnologias como o See & Spray, que identificam plantas daninhas e direcionam a pulverização aos locais onde elas estão presentes, evitando a aplicação de herbicidas em toda a área.

Os equipamentos também podem ser conectados ao Operations Center, plataforma digital da John Deere que reúne dados das operações agrícolas e auxilia o produtor no acompanhamento das atividades e no planejamento da produção.

A compatibilidade depende do modelo, da configuração e da arquitetura tecnológica de cada máquina. De acordo com Schneider, a fabricante dispõe de kits para cerca de 95% do portfólio de máquinas da marca fabricadas a partir de 2015. O percentual, porém, não significa que todas as atualizações estejam disponíveis para qualquer equipamento desse período.

Conforme explicou Pedro Cervo, gerente de produto de Precision Upgrades, a adoção pode começar por recursos como antenas de posicionamento, monitores e softwares embarcados e avançar para tecnologias que automatizam etapas da operação. A escolha depende das necessidades do produtor, das características da máquina e do investimento previsto.

Investimento e retorno

A vantagem dos kits é o custo do investimento em relação à compra de uma máquina nova. As atualizações para plantadeiras podem representar de 15% a 20% do valor de um equipamento, calcula Schneider. A oferta também inclui soluções de menor investimento. Em algumas aplicações para colheitadeiras, o executivo citou kits cujo valor pode representar cerca de 1% do preço de uma máquina nova, dependendo da solução considerada.

O retorno financeiro varia conforme a tecnologia adotada e as condições de uso. Schneider afirma que há kits cujo investimento pode ser recuperado em 12 a 18 meses. A avaliação deve considerar os ganhos efetivamente obtidos na operação, como a redução de insumos, o aumento da capacidade operacional e a diminuição de desperdícios.

Para o executivo, o cenário econômico tem reforçado a procura por alternativas à compra de máquinas novas.

“Se pensarmos no financiamento escasso, nos juros altos e também na pressão sobre a rentabilidade do produtor, ele está tomando decisões entre comprar outro equipamento ou atualizar o que já tem. E o nosso negócio cresceu. É uma oportunidade imensa para a John Deere, para o concessionário e também para o cliente”, afirmou.

Precisão para reduzir desperdícios

Além de ampliar o acesso à tecnologia, os kits buscam otimizar o uso de insumos e o desempenho das operações. No caso da pulverização, as soluções podem reduzir o consumo de herbicidas em média 60%, chegando a 90% em determinadas condições, conforme o nível de infestação da área, avalia Schneider. Os resultados variam de acordo com a tecnologia utilizada e as condições de operação.

O executivo também cita potencial de redução de até 7% no consumo de sementes e ganhos de até 20% na eficiência operacional. Os percentuais dependem das soluções adotadas e das condições de uso, não representando resultados garantidos para todas as operações.

Na pulverização, o controle individual dos bicos pode contribuir para evitar aplicações sobrepostas, enquanto sistemas de circulação e recuperação de calda podem ajudar a reduzir sobras de produto. Já nas plantadeiras, as atualizações podem incorporar recursos de controle da distribuição de semente e melhorar a precisão do plantio.

Kits e venda de máquinas novas

A John Deere não vê a ampliação das vendas de kits como uma ameaça ao negócio de máquinas novas. Schneider afirma que a proposta ajuda a ampliar as possibilidades de acesso às tecnologias da marca, inclusive para produtores que ainda não pretendem investir na renovação da frota. Nesse sentido, “os kits também podem funcionar como uma porta de entrada para a agricultura de precisão, aproximando novos clientes dessas soluções”.

“Não entendemos isso como uma ‘canibalização’ de vendas. A estratégia é acompanhar o produtor ao longo de sua jornada, oferecendo soluções compatíveis com suas necessidades e seu momento de investimento. Assim, quem opta por atualizar uma máquina existente pode incorporar tecnologias da John Deere sem precisar adquirir um equipamento novo naquele momento, enquanto a compra de uma máquina nova continua sendo uma opção quando fizer sentido para a operação.”

A conectividade é outra frente da estratégia da fabricante. Ao integrar máquinas novas e atualizadas ao Operations Center, a empresa busca ampliar o uso dos dados gerados no campo e preparar os equipamentos para acompanhar a evolução das ferramentas digitais.

“O mais importante é trazer esses equipamentos, novos ou atualizados, para o centro de operações da John Deere, para que o produtor possa se beneficiar da escalada da inteligência artificial”, concluiu Schneider.

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Conab estima produção superior a 367 milhões de toneladas para a safra de grãos 2026/27
Mercado

Conab estima produção superior a 367 milhões de toneladas para a safra de grãos 2026/27

Por Redação 15/10/2026
Escrito por Redação

Conab estima produção superior a 367 milhões de toneladas para a safra de grãos 2026/27

A produção brasileira de grãos para a safra 2026/27 está estimada em 367,1 milhões de toneladas. O valor aponta para um crescimento de 1,4% no volume a ser colhido em relação ao ciclo 2025/26, além do crescimento de 2,3% na área a ser semeada, que pode alcançar 85,4 milhões de hectares. Os dados foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (15) e estão reunidos no 1º Levantamento da Safra de Grãos 2026/27.

De acordo com a pesquisa da Companhia, a produção de soja pode chegar a 181,6 milhões de toneladas, superando em 0,7% o resultado obtido na última safra. O volume é influenciado pelo crescimento de 1,4% na área a ser semeada, prevista em 49,3 milhões de hectares. Com 15,6% da semeadura concluída no início de outubro, a cultura da oleaginosa apresenta 57% desse percentual em desenvolvimento vegetativo. Em Mato Grosso e no Paraná, maiores produtores do grão no país, os percentuais registrados para a área semeada são de 25,2% e 36%, respectivamente.

A projeção para a área plantada de milho também é de aumento, com estimativa de 23,7 milhões de hectares, valor 4,9% superior ao do ciclo 2025/26, considerando-se as três safras do cereal. O volume total da produção do grão pode chegar a 148 milhões de toneladas, ficando 2,4% acima do verificado na safra anterior. A primeira safra deve registrar o maior crescimento em área, totalizando 4,54 milhões de hectares, com incremento de 10,7% em comparação ao período antecedente. Na região Sul, a área semeada até o dia 9 de outubro já havia se aproximado de 80% nos três estados, atingindo o maior avanço em Santa Catarina, correspondente a 79,9%.

Já para o arroz, a Conab prevê queda de 2,9% no volume a ser colhido, estimado em 10,8 milhões de toneladas. Para a área total cultivada, a previsão é de 1,53 milhão de hectares. Apesar do crescimento em área de sequeiro, que deve ficar 7,1% acima do ciclo 2025/26, a área irrigada, que representa a maior parcela da produção nacional, deve decrescer 0,4%. Até a primeira semana deste mês, Santa Catarina e Rio Grande do Sul haviam registrado 44% e 27% de área semeada, respectivamente.

Para a produção total de feijão, os valores devem permanecer estáveis, com volume estimado em 2,9 milhões de toneladas. No conjunto das variedades do grão consideradas na pesquisa, a projeção para a área semeada na primeira safra é de 808,2 mil hectares, com incremento de 1,9% em relação ao último ciclo. A perspectiva de 963,1 mil toneladas para o volume a ser colhido, entretanto, é 1,1% inferior em relação à safra passada, mantendo-se a faixa de estabilidade. No contexto nacional, a semeadura já atingiu o percentual de 18,1%. Em São Paulo, 100% da área já foi semeada; na sequência, o Paraná alcançou 52% de superfície plantada e o Rio Grande do Sul, 42%.

Culturas de inverno

O trigo, que apresenta 40,3% de área colhida, tem produção prevista de 5,7 milhões de toneladas em 2026. O volume equivale a uma redução aproximada de 27,2% em comparação à safra anterior. Esse decréscimo está associado à diminuição verificada para a área plantada e para a produtividade do cereal.

Mercado

As exportações de soja em grãos estão estimadas em 117,97 milhões de toneladas, com crescimento de aproximadamente 1,51% em relação à safra anterior, o equivalente a um incremento de 1,76 milhão de toneladas. Para os embarques de farelo de soja, a Conab prevê alta de 3,06%, resultando em uma estimativa de 27,1 milhões de toneladas enviadas ao exterior. No mercado doméstico, a demanda deve permanecer aquecida, impulsionada pelo biodiesel e pelo aumento do consumo de proteína vegetal.

Já para o milho, no ciclo 2025/26 as exportações devem alcançar 43,9 milhões de toneladas, com estoques devendo ser ajustados para 16 milhões de toneladas em fevereiro de 2027. A ampliação do uso do cereal para a produção de etanol deve levar ao incremento de 6,6% no consumo interno do grão no ciclo 2026/27. A conjuntura comercial também é de exportações em patamares elevados, devido ao desempenho produtivo. Para os estoques de passagem, o ciclo deve ser encerrado com volume correspondente a 14,9 milhões de toneladas.

Em relação ao arroz, a perspectiva de menor disponibilidade interna deve levar à redução de 17,4% nas exportações, inicialmente previstas em 1,66 milhão de toneladas para o ciclo 2026/27. As importações e o consumo interno devem se manter estáveis, com projeção inicial de 1,3 milhão de toneladas para aquisições externas e de 10,8 milhões de toneladas para o abastecimento do mercado interno. A Conab também prevê redução nos estoques de passagem, que devem se estabilizar em 1,4 milhão de toneladas ao final de fevereiro de 2028, volume 22,7% inferior ao esperado para fevereiro de 2027.

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Classificado como arroz de grão nobre, ou premium, o produto apresenta, se bem manejado, altas taxas de grãos inteiros após o beneficiamento, cerca de 64%, característica relacionada ao valor do produto do mercado | Foto: Ariano Magalhães
Mercado

Semeadura do arroz irrigado alcança 32,82% da área prevista no RS

Por Redação 14/10/2026
Escrito por Redação

Semeadura do arroz irrigado alcança 32,82% da área prevista no RS

A semeadura do arroz irrigado para a Safra 2026/27 avança no Rio Grande do Sul. Conforme levantamento atualizado em 9 de outubro, 282.871,71 hectares já foram semeados, o equivalente a 32,82% da intenção de semeadura prevista para o ciclo, de 861.778,96 hectares.

Entre as regiões produtoras, a Fronteira Oeste apresenta o maior volume de área semeada, com 162.947 hectares, correspondentes a 65,81% da intenção regional. Na sequência, a Zona Sul registra 75.768,60 hectares semeados, atingindo 52,11% da área prevista.

Nas demais regiões, a Planície Costeira Externa contabiliza 14.905 hectares semeados, o equivalente a 14,59% da intenção; a Planície Costeira Interna soma 13.248 hectares (10,29%); a Campanha registra 10.155,11 hectares (8,34%); e a Região Central, 5.848 hectares, correspondentes a 5,09% da área prevista.

O acompanhamento da evolução da semeadura é realizado por meio de levantamentos periódicos das equipes regionais, com consolidação dos dados pela Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). As informações permitem monitorar o andamento das operações de campo nas principais regiões produtoras do Estado ao longo da safra.

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Tecnologia

Estudo mapeia áreas no Brasil mais vulneráveis à poluição difusa gerada pela agropecuária

Por Redação 14/10/2026
Escrito por Redação
John deere - Estudo mapeia áreas no Brasil mais vulneráveis à poluição difusa gerada pela agropecuária

Fertirrigação da cana-de-açúcar com vinhaça

Um estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da Embrapa Solos (RJ) mapeou e classificou os municípios brasileiros mais suscetíveis à poluição difusa proveniente das atividades agropecuárias. O objetivo foi identificar as áreas rurais que demandam maior atenção quanto ao monitoramento da qualidade da água. As análises também levaram em consideração a vulnerabilidade de fontes hídricas em relação às mudanças climáticas.

O trabalho, conduzido por Rachel Prado, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, compila indicadores relacionados às principais fontes de poluição difusa da agropecuária, com ênfase na contaminação por nitrogênio (N) e fósforo (P).

O pesquisador da Embrapa Solos Alexandre Ortega explica que a poluição dos cursos d’água ocorre por duas principais vias: fontes pontuais e fontes difusas. As fontes pontuais, como esgotos urbanos e efluentes industriais, são relativamente fáceis de identificar e controlar. “Já as fontes difusas apresentam comportamento muito mais complexo. Elas resultam do escoamento superficial das águas da chuva, que transportam resíduos provenientes das áreas rurais, como fertilizantes, defensivos agrícolas, sedimentos e nutrientes, até rios, córregos e reservatórios”, esclarece Ortega.

O trabalho tem como base cinco indicadores de fontes de poluição difusa da agropecuária: entrega de fertilizantes por cultura (nitrogênio, potássio e fósforo), número de cabeças animais, área com fertirrigação da cana-de-açúcar, balanço hídrico quantitativo por microbacias e erodibilidade do solo à erosão hídrica.

O monitoramento da qualidade da água no Brasil concentra-se historicamente nas áreas urbanas; assim, prioriza o controle da poluição pontual oriunda de esgotos, considerando seus impactos sobre a saúde pública. Ampliar esse monitoramento para as áreas rurais é fundamental para garantir a segurança hídrica e preservar os ecossistemas aquáticos. Nesse sentido, o mapeamento resultante do estudo pode orientar políticas públicas de controle de fontes difusas de poluição.

John deere - Estudo mapeia áreas no Brasil mais vulneráveis à poluição difusa gerada pela agropecuária

Regiões mais críticas

Os resultados do trabalho mostram que as áreas mais críticas se concentram principalmente em municípios dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além da região conhecida como Matopiba — considerada a principal fronteira agrícola em expansão no País, abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Também foram identificados, de forma mais localizada, municípios dos estados do Paraná e de São Paulo com elevada prioridade para ações de monitoramento.

Segundo o estudo, essas regiões apresentam combinação de intensa atividade agropecuária, elevado uso de insumos agrícolas e condições ambientais que favorecem o transporte de nutrientes e sedimentos para os cursos d’água, cenário que pode ser agravado por eventos climáticos extremos.

Cruzamento de indicadores

Rachel Prado explica que, para identificar as áreas prioritárias, a equipe reuniu e analisou grandes bases de dados nacionais já existentes, utilizando Sistemas de Informação Geográfica (SIGs). Entre os indicadores considerados estão a quantidade de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos aplicada por cultura e município (entrega de fertilizantes); a área plantada das principais culturas agrícolas; o efetivo de rebanhos; a área de cana-de-açúcar submetida à fertirrigação; o balanço hídrico quantitativo das microbacias e a erodibilidade dos solos à erosão hídrica.

Cada variável recebeu uma classificação de um a cinco em relação à necessidade de monitoramento, sendo 1 = muito baixa prioridade e 5 = muito alta prioridade. Posteriormente, os mapas temáticos foram integrados em um ambiente de geoprocessamento para a elaboração dos dois mapas síntese.

O primeiro identifica os municípios prioritários para o monitoramento da qualidade da água em função da presença de fontes difusas de poluição relacionadas à agropecuária. O segundo (abaixo) incorpora, além desses fatores, indicadores de vulnerabilidade às mudanças climáticas, considerando o balanço hídrico quantitativo e a erodibilidade do solo à erosão hídrica por município.

John deere - Estudo mapeia áreas no Brasil mais vulneráveis à poluição difusa gerada pela agropecuária

Mapa síntese 2: vulnerabilidade às mudanças climáticas, considerando o balanço hídrico quantitativo e a erodibilidade do solo à erosão hídrica por município.

Recomendações para a redução de fontes difusas de poluição no meio rural

Grande parte dos nutrientes aplicados na lavoura que não são aproveitados pelas plantas acaba se perdendo. Esse excedente é carregado pelo escoamento superficial durante as chuvas ou se infiltra no solo até atingir o lençol freático.

Pesquisas apontam que cerca de metade do nitrogênio utilizado é perdida para o ambiente, gerando prejuízos econômicos e impactos ecológicos. Em eventos de chuvas intensas, o transporte desses elementos para os corpos d’água compromete drasticamente a qualidade dos recursos hídricos, especialmente em bacias com solo exposto, manejo inadequado e processos erosivos acelerados.

O trabalho dá ênfase à contaminação das fontes de água por nitrogênio (N) e fósforo (P), dois elementos que compõem a grande maioria dos insumos agrícolas. Alerta também para o crescimento do consumo de fertilizantes no País: segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o volume entregue aos produtores aumentou de 14,7 milhões de toneladas em 1998 para 40,6 milhões de toneladas em 2020. Em 2024, esse total chegou a 45,6 milhões de toneladas, enquanto projeções indicam que a demanda poderá atingir cerca de 65 milhões de toneladas até 2050.

John deere - Estudo mapeia áreas no Brasil mais vulneráveis à poluição difusa gerada pela agropecuária

Para mitigar os riscos de contaminação da água, o estudo reforça a importância de técnicas de conservação do solo; uso e manejo adequado de fertilizantes; e manutenção de áreas com vegetação nativa em zonas ripárias. A adoção das medidas recomendadas ajuda a evitar o desperdício de insumos valiosos na lavoura, promove a proteção dos cursos d’água no meio rural e reforça a segurança hídrica do país.

 

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Parceria lança desafio para desenvolver soluções de prevenção de incêndios em máquinas agrícolas
Tecnologia

Parceria lança desafio para desenvolver soluções de prevenção de incêndios em máquinas agrícolas

Por Redação 14/10/2026
Escrito por Redação

A Sompo, subsidiária da empresa responsável pelas operações de seguro e resseguro do Grupo Sompo Holdings fora do Japão, e a HOTMILK, ecossistema de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), acabam de lançar o Desafio de Inovação Aberta para Prevenção Inteligente de Incêndios em Máquinas Agrícolas, programa de inovação aberta que visa identificar e desenvolver soluções tecnológicas voltadas à prevenção inteligente de incêndios em máquinas agrícolas, com foco inicial em colhedoras de cana-de-açúcar.

A iniciativa busca conectar startups, scale-ups, empresas de tecnologia e especialistas em inovação capazes de desenvolver soluções integradas que utilizem sensores, telemetria, inteligência artificial, análise preditiva e monitoramento em tempo real para reduzir a ocorrência e a severidade dos incêndios em equipamentos agrícolas.

O desafio nasce da necessidade de enfrentar um dos principais riscos operacionais do setor. Além dos prejuízos materiais, incêndios em máquinas agrícolas podem provocar interrupções na colheita, impactar a produtividade, comprometer a continuidade operacional e gerar perdas financeiras relevantes para produtores rurais e cooperativas segurados, além dos demais agentes da cadeia produtiva do agronegócio.

Embora existam diversas tecnologias disponíveis para monitoramento de equipamentos, a Sompo busca uma solução capaz de consolidar diferentes fontes de informação, interpretar sinais de risco de forma antecipada e gerar alertas preventivos que apoiem a tomada de decisão antes da ocorrência de um sinistro.

A solução deverá ser capaz de monitorar continuamente fatores críticos da operação, identificar sinais de superaquecimento, falhas elétricas e outras condições de risco, correlacionar dados provenientes de diferentes sensores e equipamentos e apoiar ações preventivas para evitar a evolução de incidentes para incêndios de grandes proporções.

A proposta é expandir o portfólio de soluções voltadas ao gerenciamento de riscos, agregando ainda mais valor aos serviços oferecidos aos segurados. A companhia já é reconhecida no mercado de seguros pela excelência na área de consultoria e suporte em gerenciamento de riscos nos ramos de seguros de Transporte, Propriedades e de Máquinas e Equipamentos Agrícolas.

“A transformação digital tem ampliado nossa capacidade de compreender riscos e criar soluções cada vez mais aderentes às necessidades dos clientes. Com este desafio, queremos aproximar o ecossistema de inovação de uma demanda concreta do agronegócio brasileiro, estimulando o desenvolvimento de tecnologias capazes de gerar mais previsibilidade, eficiência operacional e proteção para toda a cadeia produtiva”, afirma José Ricardo Paulino, Diretor de Estratégia, Inovação e Transformação da Sompo.

Entre as tecnologias de interesse estão sensores de temperatura, dispositivos de Internet das Coisas (IoT), câmeras térmicas, sistemas de telemetria, algoritmos de inteligência artificial preditiva, plataformas de gestão operacional, alertas em tempo real e soluções voltadas para máquinas agrícolas conectadas.

As propostas deverão apresentar potencial para monitorar continuamente condições críticas de operação, identificar anomalias, cruzar informações provenientes de diferentes sensores, gerar alertas acionáveis em tempo hábil e disponibilizar histórico de dados para análises e aprimoramento contínuo dos mecanismos de prevenção.

“A prevenção é um dos pilares da gestão de riscos e o uso inteligente de tecnologia representa uma oportunidade importante para ampliar a proteção de equipamentos e operações. Buscamos soluções que nos ajudem a antecipar eventos, minimizar impactos e contribuir para que produtores rurais tenham mais segurança e continuidade em suas atividades”, destaca Adailton Dias, Diretor Executivo de Subscrição, Gerenciamento de Riscos e Resseguros da Sompo.

“A inovação aberta ganha força quando empresas apresentam desafios reais e o ecossistema consegue mobilizar diferentes competências para encontrar respostas. Neste desafio, nosso papel é conectar a Sompo a soluções, tecnologias e empreendedores capazes de atuar de forma prática na prevenção de incêndios em máquinas agrícolas, transformando uma demanda concreta do agronegócio em oportunidade de inovação e geração de valor”, afirma Marcelo Moura, diretor da HOTMILK.

O programa prevê etapas de inscrição, triagem das soluções, avaliação técnica, seleção de finalistas, apresentações em formato pitch e desenvolvimento de Prova de Conceito (PoC). As iniciativas selecionadas poderão validar suas tecnologias em condições reais de operação, permitindo avaliar indicadores como capacidade preditiva, assertividade dos alertas, estabilidade da solução e potencial de geração de resultados para o negócio.

Entre os benefícios esperados estão a redução da ocorrência e da severidade dos incêndios, a diminuição das perdas financeiras associadas aos sinistros, o aumento da disponibilidade das máquinas agrícolas, a melhoria da previsibilidade operacional e o fortalecimento das estratégias de gestão de riscos.

Serviço: 

Desafio de Inovação Aberta para Prevenção Inteligente de Incêndios em Máquinas Agrícolas
Objetivo: desenvolver soluções inovadoras para prevenção de incêndios em máquinas agrícolas
Quem pode participar: startups, scale-ups, empresas de tecnologia, pesquisadores e especialistas em inovação com soluções aderentes ao desafio.

Etapas do programa:

  • Recebimento e triagem das inscrições;
  • Avaliação de aderência ao desafio;
  • Avaliação técnica, econômica e operacional;
  • Seleção das soluções finalistas;
  • Pitch e demonstração das propostas;
  • Definição do escopo da Prova de Conceito (PoC);
  • Execução e validação da PoC;
  • Avaliação dos resultados e potencial continuidade da parceria.

Prazo final para inscrições: 06 de novembro de 2026
Material recomendado para inscrição: pitch deck em PDF
Link de inscrição: https://hotmilk.pucpr.br/lista-desafios/

 

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Brasil exporta 3,89 milhões de sacas de café em setembro, alta de 3,1%
Mercado

Brasil exporta 3,89 milhões de sacas de café em setembro, alta de 3,1%

Por Redação 13/10/2026
Escrito por Redação

Brasil exporta 3,89 milhões de sacas de café em setembro, alta de 3,1%

O Brasil exportou 3,894 milhões de sacas de café de 60 kg em setembro de 2026, volume 3,1% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando os embarques somaram 3,778 milhões de sacas. Apesar do aumento no volume, a receita cambial recuou 7,1%, para US$ 1,282 bilhão, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

De acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, o crescimento das exportações reflete a retomada das remessas aos Estados Unidos após a redução das incertezas relacionadas às tarifas impostas ao café brasileiro.

“Em novembro de 2025, os EUA retiraram a taxação sobre a maior parte do produto brasileiro, mas, até julho deste ano, o café solúvel seguia tarifado. Com a continuidade do trabalho realizado pelo Cecafé, em conjunto com as demais entidades do setor, a americana National Coffee Association (NCA) e o governo, conseguimos reafirmar a isenção dos cafés verdes nas novas investigações ocorridas, obtendo, ainda, a inclusão do café solúvel nas listas de exceção. Isso possibilitou que o cenário comercial bilateral ficasse mais nítido, mitigando incertezas e possibilitando a retomada dos negócios”, afirma.

Em setembro, os Estados Unidos importaram 625.192 sacas de todos os tipos de café do Brasil, alta de 86,4% em relação às 335.339 sacas adquiridas no mesmo mês de 2025.

Exportações no ano-safra 2026/27

Nos três primeiros meses do ano-safra 2026/27, entre julho e setembro, as exportações brasileiras de café totalizaram 11,210 milhões de sacas, crescimento de 15,5% em comparação com as 9,707 milhões de sacas embarcadas no mesmo período do ciclo anterior. A receita cambial avançou 0,8%, para US$ 3,561 bilhões.

Exportações de janeiro a setembro

De janeiro a setembro de 2026, o Brasil exportou 29,095 milhões de sacas de café, volume praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado, com recuo de 0,2%. A receita cambial caiu 8,6%, passando de US$ 11,065 bilhões para US$ 10,113 bilhões.

Ferreira atribui a estabilidade no volume exportado à retomada recente dos embarques aos Estados Unidos e à entrada da nova safra brasileira no mercado internacional. Segundo ele, atrasos na colheita provocados pelas chuvas, principalmente em julho, retardaram a disponibilidade de café para exportação.

“Observamos, desde agosto, o aparecimento dos novos cafés para exportação e o ritmo dos negócios internacionais vem se normalizando, com tendência a crescer e superar o que registramos no ano passado até o fim de 2026”, projeta.

A redução da receita, por sua vez, está relacionada às cotações internacionais, à qualidade dos primeiros lotes exportados, especialmente de arábica, e ao aumento da participação dos cafés canéforas nos embarques, segundo o presidente do Cecafé.

“Além do cenário mercadológico, o fato de termos uma safra de arábica mais prejudicada em qualidade resulta em menores preços para esses cafés afetados, principalmente pela chuva. O aumento significativo da participação dos canéforas – naturalmente possuem cotações menores às do arábica – nas exportações também gera diminuição no faturamento e na média por saca exportada”, analisa.

Estados Unidos lideram destinos do café brasileiro

Com a retomada das compras em agosto e setembro, os Estados Unidos voltaram à liderança entre os principais destinos do café brasileiro no acumulado de janeiro a setembro de 2026, ultrapassando a Alemanha.

Os norte-americanos importaram 3,805 milhões de sacas no período, queda de 12,8% em relação aos nove primeiros meses de 2025. O volume correspondeu a 13,1% das exportações brasileiras de café.

A Alemanha ficou em segundo lugar, com 3,307 milhões de sacas, recuo de 11,4% ante as 3,732 milhões de sacas registradas no mesmo intervalo do ano anterior.

Entre os cinco principais destinos também estão a Itália, com 2,597 milhões de sacas, alta de 11,6%; a Bélgica, com 2,463 milhões, avanço de 44,5%; e o Japão, com 1,451 milhão, queda de 23,3%.

Exportações por tipo de café

O café arábica permaneceu como o tipo mais exportado pelo Brasil entre janeiro e setembro, com 20,739 milhões de sacas, equivalentes a 71,3% do total. O volume, porém, foi 10,7% inferior ao registrado nos mesmos meses de 2025.

Os cafés canéforas, que incluem conilon e robusta, somaram 5,162 milhões de sacas, ou 17,7% das exportações, crescimento de 68,3% na comparação anual.

O café solúvel respondeu por 3,141 milhões de sacas, o equivalente a 10,8% do total. Já os embarques de café torrado e torrado e moído somaram 53.412 sacas, representando 0,2%.

Cafés diferenciados

Os cafés de qualidade superior, certificados por práticas sustentáveis e/ou classificados como especiais representaram 17% das exportações brasileiras entre janeiro e setembro de 2026. Os embarques totalizaram 4,950 milhões de sacas, queda de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita cambial desse segmento chegou a US$ 2,020 bilhões, com preço médio de US$ 408,07 por saca. O resultado correspondeu a 20% da receita obtida com as exportações totais de café no período, mas ficou 19,6% abaixo do registrado nos nove primeiros meses de 2025.

Os Estados Unidos foram o principal destino dos cafés diferenciados, com 813.829 sacas, equivalentes a 16,4% do total exportado nessa categoria.

Na sequência aparecem Alemanha, com 548.961 sacas (11,1%); Bélgica, com 531.215 sacas (10,7%); Itália, com 460.012 sacas (9,3%); e Países Baixos, com 285.897 sacas (5,8%).

Santos concentra 70,7% dos embarques

O Porto de Santos (SP) foi responsável por 20,573 milhões de sacas de café exportadas entre janeiro e setembro de 2026, o equivalente a 70,7% do total brasileiro.

O complexo portuário do Rio de Janeiro ocupou a segunda posição, com 7,335 milhões de sacas e participação de 25,2%. Já o Porto de Paranaguá (PR) respondeu pelo embarque de 312.128 sacas, correspondentes a 1,1% das exportações no período.

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Mercado

Crédito rural empresarial soma R$ 107,1 bilhões no início da safra 2026/2027

Por Redação 13/10/2026
Escrito por Redação

Crédito rural para a agricultura empresarial soma R$ 107,1 bilhões em três meses da safra 2026/2027

O crédito rural destinado à agricultura empresarial somou R$ 107,1 bilhões nos três primeiros meses da safra 2026/2027, de julho a setembro de 2026. O montante considera as operações de crédito rural contratadas por produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e os Demais Produtores Rurais e os recursos captados por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR).

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil, e das registradoras de CPR – B3, CERC e CRDC.

As CPRs responderam por R$ 50,3 bilhões do total, o equivalente a 46,9% dos recursos contabilizados no período. Os títulos permitem ao produtor obter recursos mediante o compromisso de entrega futura de produtos agropecuários. Já o custeio convencional somou R$ 36,4 bilhões, correspondentes a 34% do total.

Custeio e comercialização

Do total destinado ao custeio da produção, os produtores classificados na categoria Demais Empresarial contrataram R$ 20 bilhões, o equivalente a 54,8% do total dessa modalidade. O Pronamp, linha voltada a produtores de médio porte, registrou R$ 16,5 bilhões, correspondentes a 45,2%.

As operações de crédito para comercialização da produção agropecuária somaram R$ 8 bilhões no período. Já as destinadas à industrialização, que financiam o processamento e a agregação de valor aos produtos agropecuários, alcançaram R$ 5 bilhões.

Os programas de investimento, voltados à aquisição de máquinas, equipamentos, irrigação e modernização de estruturas produtivas, somaram R$ 7,4 bilhões em contratações no trimestre. Entre os programas específicos, destacam-se o Pronamp Investimento R$ 1,019 bilhão e o RenovAgro, com R$ 845 milhões.

Por se tratar dos primeiros meses da safra, o volume contratado nos programas de investimento ainda é inicial em relação à programação orçamentária anual, com avanço esperado à medida que as instituições financeiras realizem novas contratações.

Segmentação por porte do produtor

Na análise por segmento, o grupo de Demais Produtores Rurais (fora do Pronamp) registrou R$ 39,3 bilhões, equivalentes a 36,7% do total concedido no período. O Pronamp contabilizou R$ 17,6 bilhões, ou 16,4% do total.

Ao todo, foram registrados 116.274 contratos de crédito rural na agricultura empresarial, dos quais 36.638 operações de CPR, evidenciando a participação desse instrumento na estrutura de financiamento do setor nos primeiros meses da safra.

A região Sul concentrou o maior volume de crédito rural entre as regiões brasileiras, com R$ 18,6 bilhões e 36.089 contratos. Em seguida, aparecem o Sudeste, com R$ 17,8 bilhões, e o Centro-Oeste, com R$ 12,7 bilhões. O Nordeste e o Norte registraram, respectivamente, R$ 4,9 bilhões e R$ 2,8 bilhões.

O levantamento também aponta diferenças no valor médio das operações de crédito entre as regiões. O Centro-Oeste apresentou o maior tíquete médio, de R$ 1,07 milhão por contrato. Na sequência, aparece o Nordeste, com R$ 960 mil, resultado que reflete, em parte, contratações na Bahia, no Maranhão e no Piauí, estados que integram a região conhecida como Matopiba, importante fronteira agrícola de produção de grãos. Já o Sul, apesar de liderar em número de contratos e em volume de crédito, apresentou o menor tíquete médio, de R$ 515,1 mil, indicando maior pulverização das operações.

Entre as fontes controladas de financiamento, os Recursos Obrigatórios – parcela dos depósitos à vista que os bancos são obrigados a destinar ao crédito rural – somaram R$ 13,5 bilhões, correspondentes a 32% do total dessas fontes. A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada resgitrou R$ 12,4 bilhões, ou 30%.

Entre as fontes não controladas, formadas por recursos captados livremente pelas instituições financeiras no mercado, a LCA Livre foi a principal, com R$ 12,2 bilhões destinados ao crédito rural.

Recursos equalizáveis

A programação de recursos equalizáveis para a safra 2026/2027 totaliza R$ 97,6 bilhões, conforme a Portaria MF nº 2.922/2026. Essas linhas de crédito contam com taxas de juros equalizadas pelo governo federal, com cobertura diferencial em relação às taxas de mercado por recursos do Tesouro Nacional.

Nos três primeiros meses da safra, foram concedidos R$ 20,4 bilhões em recursos equalizáveis. O volume corresponde a parte da programação prevista para o cliclo e pode avançar ao longo da safra, conforme as instituições financeiras realizem novas contratações.

Entre os programas de investimento equalizáveis, o Pronamp concentrou o maior volume concedido no período, com R$ 942,3 milhões, seguido pelo RenovAgro, com R$ 841,4 milhões, e pelo Moderfrota, com R$ 639,9 milhões.

Nas operações de investimento equalizáveis, o BNDES e o Banco do Brasil concentraram, juntos, cerca de 73% das concessões do período, com participações de 39,4% e 33,9%, respectivamente. Nas linhas de custeio equalizáveis, o Banco do Brasil liderou, com 43,7% das concessões, seguido pelo Sicredi, com 15,8%, e pela Cresol. com 10,5%.

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Tecnologia

Embrapa desenha aplicativo para se adaptar à realidade do agricultor orgânico

Por Redação 09/10/2026
Escrito por Redação

Embrapa desenha aplicativo para se adaptar à realidade do agricultor orgânico

A Embrapa está desenvolvendo um aplicativo para auxiliar produtores de alimentos orgânicos no processo de certificação participativa. Além de economizar tempo, a substituição de páginas e mais páginas em papel por um sistema digital gera um banco de dados para gerenciar a produção e comercialização, especialmente por meio das associações e cooperativas. Mas o desafio é maior do que entregar um aplicativo para smartphone; é chegar a uma ferramenta amigável para agricultores com baixíssima familiaridade com esse tipo de produto.

“Nosso objetivo é entregar uma ferramenta simples, eficiente e totalmente alinhada às necessidades reais dos usuários, fortalecendo a gestão da informação na produção orgânica”, resumiu a pesquisadora Gisele Freitas Vilela, da Embrapa Territorial, líder do projeto. A analista Vanessa Maia Aguiar Magalhães, da Embrapa Gado Leite (MG), complementa: “Não queremos que a pessoa se adapte ao sistema, mas que o sistema se adapte à realidade dela”.

Vanessa é especialista em letramento digital e conta que boa parte do público-alvo do projeto não reconhece sinais intuitivos para quem acompanhou a evolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Por exemplo, o ícone do disquete não é associado a um botão para salvar o arquivo; caixas de preenchimento não são reconhecidas como espaço para inserir informações; botões podem não ser entendidos como tal.

Oficinas com produtores

Para compreender de perto quais são as dificuldades e como minimizá-las, a Embrapa está realizando oficinas com produtores. Em setembro, uma equipe esteve em Três Cachoeiras (RS), Garopaba (SC) e Ribeirão Claro (PR), com uma primeira versão do aplicativo. Os agricultores o instalaram juntamente com uma ferramenta para gravar a interação. Assim, a equipe de desenvolvimento poderá avaliar o que funciona e as dificuldades, para reconfigurar o aplicativo.

Vanessa, que integrou a equipe das oficinas, explica que também é preciso considerar os tipos de equipamentos e conexão de que os agricultores dispõem. No caso do público do projeto, formado principalmente por pequenos produtores de orgânicos, são smartphones com tela pequena, imagens de baixa definição e capacidade de memória e processamento limitados. “Também enfrentamos uma resistência ao digital. A pessoa tem medo, tem vergonha de não saber usar, tem receio de que seus dados sejam roubados. Então, há algo a ser construído com eles”, pontua a analista.

Antes das oficinas na região Sul, a equipe do projeto realizou encontros semelhantes com produtores de São Paulo e Minas Gerais. Além de registrar a navegação, também coletou informações sobre hábitos de uso de tecnologias digitais, sempre com esclarecimento e autorização dos participantes, seguindo princípios éticos da pesquisa com humanos. Agora, todo o material está sendo analisado, para adaptação de linguagem, ícones, interface e navegabilidade. Outros eventos, para avaliar a nova versão, estão previstos.

Autonomia

Para Vanessa, o objetivo principal é que o usuário não apenas consiga usar o aplicativo, mas que ele interprete, compreenda e se aproprie da interface e do conhecimento. A meta é desenvolver uma metodologia e uma ferramenta que permitam ao produtor operar de forma verdadeiramente autônoma, entendendo o significado de cada campo e de cada ação realizada.

Ela diz que, mesmo que cheguem ao aplicativo mais amigável, muitos produtores ainda precisarão de treinamento e ajuda por um tempo. Mas esse tempo pode ser minimizado. E, mais do que conseguir usar o aplicativo, espera-se que os agricultores o operarem de forma verdadeiramente autônoma, entendendo o significado de cada campo e de cada ação realizada.

Vantagens da digitalização

O aplicativo está sendo criado especialmente para as organizações de certificação geridas pelos próprios agricultores, as OPACs e as OCSs, às quais estão vinculados 65% dos produtores de orgânicos no País. Reduzir o tempo gasto no preenchimento de documentos é uma das principais vantagens para os produtores. O volume de informações a serem registradas para comprovar o caráter orgânico da produção é muito grande e precisa ser refeito periodicamente.

Se há plantio de alface, por exemplo, é preciso informar a quantidade de sementes plantadas, como foram adquiridas, quanto se espera colher, cada produto utilizado como fertilizante ou para o combate de doenças e pragas, para quem foram vendidas, entre muitas outras informações. Há também que se reportar dados gerais sobre a propriedade, como medidas de conservação de solo, proteção de fontes de água e destinação de resíduos.

A expectativa é que a ferramenta reduza o tempo gasto no registro dessas informações, ao manter gravado o histórico, evitando ter que preencher todas as vezes campos em que as informações se repetem. Mas a maior vantagem pode estar na formação do banco de dados. Os formulários contêm informações como estimativa de produção e insumos mais usados, que podem ser utilizadas para melhorar a comercialização e organizar compras coletivas, por exemplo.

Espera-se também que os bancos de dados supram a demanda de órgãos públicos por informações que orientem políticas públicas voltadas ao segmento orgânico. Por isso, o Ministério da Agricultura e Pecuária é parceiro do projeto. Pela Embrapa, além da Embrapa Territorial e da Gado de Leite, a Embrapa Clima Temperado (RS) integra a iniciativa.

 

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