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Tecnologia

Produtividade da soja cresce 11,1% a cada avanço nos níveis de manejo do solo

Por Redação 29/09/2026
Escrito por Redação
Produtividade da soja cresce 11,1% a cada avanço nos níveis de manejo do solo

Vista do experimento de longa duração com diferentes sistemas de produção e níveis de manejo, em Dourados (MS) // Foto: Rafael Ferreira

Pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) validaram, em condições reais de campo, a eficiência da metodologia Zoneamento Agrícola de Risco Climático – Níveis de Manejo (ZarcNM). Os resultados evidenciam uma relação linear entre a qualidade do manejo do solo e o desempenho produtivo da soja. Para cada nível de avanço no manejo conquistado pelo produtor, observa-se um aumento médio de 11,1% na produtividade relativa da cultura. A metodologia classifica os talhões (unidades de cultivo) em quatro níveis de manejo – NM1 (menor qualidade) a NM4 (maior qualidade).

A pesquisa foi conduzida em um experimento de longa duração instalado há 30 anos no município de Dourados (MS) e analisou 28 safras consecutivas de soja , entre 1998 e 2026. Ao todo, mais de 4,3 mil pontos georreferenciados foram avaliados. Nesses pontos, ao longo dos anos foram registrados valores de análises químicas, da cobertura do solo e da produtividade dos cultivos, o que possibilitou aplicar a classificação dos níveis de manejo (NM) e relacioná-la às produtividades da soja em cada ponto e safra.

O trabalho comprova que o manejo do solo é importante para determinar o sucesso da produção de soja. Áreas onde são adotadas práticas conservacionistas apresentam maior produtividade, enfrentam melhor os períodos de estiagem e são menos vulneráveis a riscos de perdas, o que confirma a relevância da conservação do solo para a sustentabilidade da agricultura.

O pesquisador Júlio Cesar Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste, reforça que a forma como o solo é manejado influencia diretamente a capacidade das lavouras de suportar períodos de deficiência hídrica. “Solos bem manejados armazenam mais água, oferecem melhores condições ao desenvolvimento das raízes e tornam a cultura da soja mais resistente às oscilações climáticas”, afirma.

Avaliação de risco climático

Tradicionalmente, o Zarc considera fatores como clima, tipo de solo, época de semeadura e ciclo das cultivares para indicar as janelas de semeadura com menor risco de perdas. A inovação do ZarcNM consiste em acrescentar a qualidade do sistema de manejo do solo adotado pelo agricultor a essa análise. A metodologia classifica os talhões em quatro níveis de manejo, identificados como NM1, NM2, NM3 e NM4.

O NM1 representa sistemas de menor qualidade, geralmente associados ao preparo convencional, ao monocultivo da soja e à degradação gradual do solo. Já o NM4 corresponde ao nível mais elevado, caracterizado por práticas conservacionistas, como o sistema plantio direto (SPD) e a integração lavoura-pecuária (ILP).

Na prática, quanto maior o nível de manejo, maior a capacidade do solo de funcionar como uma espécie de reservatório natural de água, reduzindo os efeitos provocados pelos veranicos – períodos sem chuvas que ocorrem em plena estação chuvosa, frequentes em Mato Grosso do Sul.

Modelos de produção

A validação do ZarcNM foi realizada com base em três modelos distintos de produção agrícola. O primeiro correspondeu ao preparo convencional, caracterizado pelo monocultivo da soja e pelo revolvimento constante do solo por meio de gradagens (preparo do solo que ocorre com o uso de grades de discos antes da semeadura).

O segundo envolveu o sistema plantio direto, no qual o solo permanece sem revolvimento e ocorre a rotação de diferentes culturas ao longo dos anos.

O terceiro avaliou a integração lavoura-pecuária, modelo em que a soja é alternada com pastagens, o que promove melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo.

Os pesquisadores analisaram indicadores relacionados a atributos químicos, cobertura do solo, diversidade de culturas e tempo sem revolvimento do solo.

Avanço no manejo, maior produtividade

A pesquisa mostra que, para cada nível de qualidade do manejo conquistado pelo produtor – por exemplo, transicionar do NM2 para o NM3–, ocorre aumento médio de 11,1% na produtividade relativa. As médias obtidas durante as 28 safras foram expressivas, com produtividade relativa de 44,0% no NM1 ; de 55,1% no NM2; de 66,2% no NM3 ; e de 77,2% no NM4.

Ao longo do período avaliado, a produtividade variou bastante como ocorreu na região de Dourados, com valores, na maioria das vezes, oscilando entre duas e cerca de 90 sacas por hectare, resultado da interação entre a ocorrência de chuvas, o momento e a duração de veranicos e as práticas de manejo do solo.

Nos anos mais favoráveis, algumas áreas ultrapassaram 80 sacas por hectare. Em contraste, durante eventos climáticos extremos, sistemas conduzidos sob preparo convencional chegaram a registrar perda total da produção.

“O estudo comprova que investir na qualidade do manejo significa reduzir riscos, aumentar a estabilidade produtiva e preparar o sistema para enfrentar eventos climáticos adversos”, destaca Salton.

Seis indicadores

Para enquadrar cada área entre os níveis NM1 e NM4, são utilizados no ZarcNM seis indicadores considerados essenciais para avaliar a qualidade do manejo: o tempo sem revolvimento do solo, a quantidade de cobertura vegetal existente antes da semeadura, a saturação de bases na camada superficial, o teor de cálcio e a saturação por alumínio nas camadas mais profundas e a diversidade de cultivos nos três últimos anos agrícolas.

Segundo os pesquisadores, sistemas baseados em monocultivo tendem a permanecer nos níveis inferiores, enquanto áreas conduzidas com rotação de culturas e integração lavoura-pecuária alcançam mais facilmente os níveis superiores.

Um dos aspectos destacados pela pesquisa foi a importância da diversidade de culturas. O indicador considera o histórico dos três últimos anos agrícolas, avaliando se houve alternância de espécies vegetais ou predominância de monocultivo.

“Essa diversidade favorece a melhoria da estrutura física do solo, aumenta a atividade biológica, amplia a infiltração de água e contribui para a formação de um ambiente mais favorável ao crescimento das raízes. Como consequência, as plantas conseguem explorar camadas mais profundas do perfil do solo, aumentando sua capacidade de suportar períodos de estiagem”, explica Salton.

Os resultados mostram que os maiores benefícios do manejo conservacionista aparecem em anos de déficit hídrico moderado. Nessas condições, áreas classificadas como NM3 e NM4 mantiveram níveis significativamente superiores de produtividade em comparação aos sistemas convencionais.

Mesmo assim, o estudo ressalta que existem limites impostos pelas condições climáticas. “Na região centro-sul de Mato Grosso do Sul, a ocorrência de veranicos frequentes e a baixa capacidade de retenção de água dos solos têm historicamente comprometido o rendimento da cultura, como nas safras 2003/04, quando a precipitação foi bastante reduzida (entre 150 mm e 200 mm), e 2020/21, em que as perdas foram expressivas, com o menor volume de chuva de toda a série de registros (inferior a 100 mm)”, relata o pesquisador Carlos Ricardo Fietz com base em dados históricos do Guia Clima, sistema de monitoramento agroclimático da Embrapa Agropecuária Oeste.

Enquanto áreas conduzidas sob manejo convencional chegaram à produção nula em alguns casos, sistemas conservacionistas conseguiram reduzir parcialmente os prejuízos. “O manejo adequado não elimina completamente os efeitos de uma seca extrema, mas aumenta significativamente a capacidade da lavoura de enfrentar déficits hídricos moderados e minimiza o risco de perdas severas”, ressalta Salton.

Impactos podem alcançar crédito e seguro rural

Além dos benefícios agronômicos, a validação do ZarcNM pode apoiar decisões técnicas e políticas públicas voltadas ao setor agropecuário, pois a metodologia permite identificar o risco climático associado à qualidade do manejo de forma mais precisa. “Isso contribui para o acesso mais justo ao seguro agrícola ao considerar atributos de manejo além da textura da terra. Ao investirem na conservação do solo, os produtores apresentam menor probabilidade de perdas decorrentes da seca”, diz a pesquisadora Michely Tomazi.

Segundo dados de 2022 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 80,5% dos sinistros registrados em Mato Grosso do Sul foram relacionados à deficiência hídrica. “O estudo demonstra que práticas como o sistema plantio direto e a integração lavoura-pecuária deixam de ser apenas recomendações técnicas e passam a constituir instrumentos concretos para ampliar a segurança produtiva, econômica e ambiental da soja em Mato Grosso do Sul e em outras regiões produtoras do País”, conclui Salton.

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Transmissão CVT eleva eficiência operacional e amplia produtividade no campo
Tecnologia

Transmissão CVT eleva eficiência operacional e amplia produtividade no campo

Por Redação 29/09/2026
Escrito por Redação

Transmissão CVT eleva eficiência operacional e amplia produtividade no campo

A adoção da tecnologia CVT (transmissão continuamente variável) vem ganhando espaço na agricultura brasileira por permitir que tratores operem com maior eficiência, precisão e menor desgaste mecânico. O sistema elimina as trocas de marcha e ajusta a rotação do motor para atingir a velocidade desejada de forma contínua, o que se traduz em ganho de produtividade.

“A transmissão CVT representa um avanço significativo na eficiência operacional do produtor. Os tratores equipados com transmissão continuamente variável conseguem otimizar a entrega de potência e torque, o que resulta em redução média de consumo de combustível que pode chegar a mais de 30% e maior agilidade no trabalho, já que o sistema mantém a velocidade estável mesmo em terrenos irregulares ou sob variação de carga”, explica Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson.

A tecnologia traz ganhos importantes em operações que exigem velocidades específicas e extremamente consistentes, como no plantio de grãos ou transbordo e colheita de cana-de-açúcar. A resposta imediata em variações de terreno ou carga também melhora o fluxo das atividades e reduz a fadiga do operador.

Outro impacto relevante é a durabilidade do conjunto mecânico: por evitar mudanças bruscas de marcha e manter o motor sempre ajustado, a tecnologia contribui para menor desgaste de componentes e, consequentemente, diminui custos de manutenção e aumenta a disponibilidade da máquina para trabalho.

A combinação desses fatores tem impulsionado a procura por tratores com CVT, especialmente entre produtores que buscam mais eficiência por hectare, maior uniformidade operacional e tecnologias que ajudem a enfrentar desafios como custos elevados de insumos e necessidade crescente de produzir mais com menos.

A Massey Ferguson já disponibiliza no mercado nacional modelos de alta potência equipados com transmissão CVT, como as séries MF 9S, MF 8S Xtra e MF 8700. Nesses modelos, a transmissão continuamente variável proporciona precisão em velocidade, além de recursos de gestão automática do motor que mantêm a máquina sempre operando nas condições ideais.

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29/09/2026 0 Comentários
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Banco do Brasil disponibiliza R$ 33 bilhões para a safra 2026/27 em São Paulo
Mercado

BB intensifica atendimento para apoiar produtores na renegociação de dívidas rurais

Por Redação 28/09/2026
Escrito por Redação

BB intensifica atendimento para apoiar produtores na renegociação de dívidas rurais

O Banco do Brasil intensificou o atendimento a produtores rurais e cooperativas de São Paulo que buscam renegociar operações de crédito rural com base nas condições previstas na Medida Provisória nº 1.376/2026.

A medida estabelece condições especiais para a renegociação de dívidas de produtores que enfrentaram perdas provocadas por eventos climáticos ou de mercado em duas ou mais safras entre 2019 e 2025. As condições incluem até dois anos de carência e taxas de juros de 5% a 12% ao ano, conforme a regulamentação da linha de crédito.

Para agilizar o atendimento aos clientes potencialmente elegíveis, o Banco do Brasil estruturou uma esteira dedicada à adesão à MP. As agências contam com equipes reforçadas e suporte especializado para orientar os produtores durante o processo.

Segundo o banco, a iniciativa busca apoiar a recuperação da capacidade produtiva das propriedades rurais, a regularização financeira dos empreendimentos e a retomada dos investimentos e do fluxo de caixa. Os prazos das operações podem chegar a 10 anos.

Atualmente, cerca de 5 mil operações estão na esteira de contratação do BB. A medida, segundo a instituição, contribui para a continuidade das atividades agropecuárias e para a sustentabilidade do crédito rural.

“O Banco do Brasil está mobilizado para oferecer um atendimento ágil e próximo, ajudando cada cliente a encontrar a melhor solução para reorganizar seu fluxo de caixa e garantir a continuidade da atividade produtiva, evitando, inclusive, a execução de garantias. Como os recursos são limitados, é fundamental que os produtores procurem uma agência o quanto antes para verificar sua situação”, orienta Delio Cirino, superintendente do BB no estado.

Como acessar

Os produtores podem procurar qualquer unidade do Banco do Brasil para verificar se atendem aos critérios do programa. A contratação está sujeita à análise das condições previstas na Medida Provisória e à apresentação de laudo técnico que comprove as perdas na produção ou a redução da renda bruta agropecuária esperada.

O Banco do Brasil também oferece soluções de crédito e renegociação de acordo com as condições de produção, fluxo de caixa e garantias de cada produtor.

Em todo o país, a carteira agro do Banco do Brasil possui cerca de 113 mil clientes com operações potencialmente elegíveis às condições previstas na MP, que representam um volume de até R$ 100 bilhões. Desse total, aproximadamente 36% correspondem a operações inadimplentes, enquanto o restante contempla operações adimplentes que foram prorrogadas ou renegociadas.

 

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EmpresasEntrevistaTecnologia

Mahindra chega a 7% do mercado de tratores e prepara lançamentos para abril

Por Redação 28/09/2026
Escrito por Redação
Mahindra chega a 7% do mercado de tratores e prepara lançamentos para abril

O Mahindra OJA140 é um trator utilitário de pequeno porte, desenvolvido para atender os produtores de uva, hortifruti e cafés especiais, trabalhando principalmente com pulverização, transporte e limpeza

Clarisse Sousa – No ciclo 2012/2013, o Brasil colheu uma supersafra de grãos, na casa de 185 milhões de toneladas. Além do recorde de produção, os preços da soja e do milho estavam elevados devido à quebra da safra nos Estados Unidos, que enfrentava os efeitos da seca. Ao mesmo tempo, a área plantada de grãos cresceu 4,8%, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Naquele ciclo, os produtores brasileiros estavam bastante capitalizados.

O ambiente era favorável ao mercado de máquinas agrícolas. Com juros de 2,5% ao ano, proporcionados pelo antigo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), tomar dinheiro emprestado significava, na prática, pagar juros reais negativos. A combinação de crédito barato e produtores capitalizados estimulou a renovação da frota. Em 2013, as vendas de máquinas agrícolas cresceram 18,4%, segundo a Anfavea, em um recorde histórico para o setor.

Da Índia, a Mahindra acompanhava esse crescimento. De olho no mercado brasileiro, a marca iniciou sua operação no país em 2012. Na época, a comercialização dos tratores era feita de forma indireta, por meio de parcerias. No primeiro ano, foram vendidos cerca de 200 tratores.

Nos anos seguintes, o mercado de máquinas agrícolas passou a sentir os efeitos do forte ciclo de renovação de frota de 2013. O setor enfrentou uma queda acentuada no faturamento e, em dezembro de 2015, as vendas de máquinas recuaram 45,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo a Anfavea.

Nesse período, as vendas da Mahindra permaneceram estáveis, entre 200 e 300 tratores por ano. Enquanto a indústria de máquinas agrícolas enfrentava o fim do PSI, a alta dos juros e a escassez de crédito, a marca lidava com o desafio de nacionalizar seus componentes. Isso porque, para acessar programas de financiamento com taxas de juros mais baixas, os tratores da Mahindra precisavam atender a um percentual mínimo de nacionalização.

Mudança de rumos

Diante do desafio de ganhar competitividade, em outubro de 2016, a Mahindra assumiu o controle total da operação brasileira e estabeleceu sua operação industrial em Dois Irmãos (RS), região com forte demanda agrícola.

A prioridade do CEO nomeado para a operação, Jak Torretta Jr., foi elevar o índice de nacionalização dos componentes, condição necessária para que os tratores pudessem acessar linhas de financiamento, incluindo operações vinculadas ao Finame.

A partir daí, a marca iniciou um plano de expansão da rede de concessionárias e passou a desenvolver produtos específicos para o perfil do agricultor brasileiro, como tratores estreitos voltados à cafeicultura e à fruticultura.

A expansão também alcançou outros mercados da América Latina. Desde o início do ano passado, a subsidiária brasileira assumiu a gestão das operações no Mercosul e na América Central e passou a atuar nas exportações para a região.

“A gente passou de, no máximo, 200 tratores por ano naquela época para 3 mil tratores por ano hoje. Tivemos realmente um avanço muito forte nesses dez anos. Passamos de quatro concessionários ativos, em 2016, para 40 empresas dentro do nosso grupo, com quase 90 pontos de venda pelo Brasil”, diz Torretta.

Segundo ele, dois pontos foram fundamentais para esse avanço: o crescimento em volume e o crescimento da rede de concessionários. “Tudo isso foi suportado por um portfólio de produtos que também cresceu demais. A gente tinha dois, três tratores nacionalizados naquela época. Hoje nós temos um portfólio de 13 tratores, de 25 a 110 cavalos, cabinados ou não. Temos um portfólio de produtos que vem crescendo cada vez mais para atender às diversas demandas pelo país.”

O foco da Mahindra sempre foi o agricultor familiar. Segundo ele, um dos principais desafios no início da operação no Brasil era mostrar a esses produtores que os tratores da marca eram confiáveis e capazes de atender às suas necessidades.

“O produtor da agricultura familiar quer um trator que não pare. Precisa ter custos baixos de produção. É um setor que não existe força de capital forte. São agricultores que fazem conta e buscam o suporte do Pronaf.”

De acordo com Torretta, a Mahindra é a marca que mais vende tratores no mundo. “Estamos falando de um volume de produção e vendas de 420 mil tratores por ano, globalmente. A Mahindra, em um mês, conseguiria fornecer tratores para o Brasil durante um ano. O nosso mercado está em torno de 40 e poucos mil tratores. Tem meses em que a Mahindra faz até mais do que isso. Em um mês, faz o que o Brasil consome, de todas as marcas, em um ano inteiro”, explica.

Para a próxima década, a estratégia passa pela ampliação da estrutura industrial, pelo desenvolvimento de novos produtos e pelo fortalecimento da rede de atendimento. Em entrevista ao Portal Máquinas Agrícolas, Torretta detalhou os planos da companhia e avaliou o cenário atual do mercado. Acompanhe a seguir:

Mahindra chega a 7% do mercado de tratores e prepara lançamentos para abril

Jak Torretta Jr. está à frente da Mahindra Brasil como diretor-geral de Operações e CEO desde o início das operações da subsidiária no Brasil, em 2016

Portal Máquinas Agrícolas (MIA) – Quais foram as principais diferenças que vocês perceberam entre as demandas do produtor indiano e as do produtor brasileiro ao chegar ao Brasil?

Jak Torretta Jr. – O produtor brasileiro, principalmente nesse nosso setor, não pode ter o trator parado. E eu vejo que um dos pontos fundamentais, olhando para as características do produto da Mahindra, é a questão da robustez. É um trator com uma durabilidade acima da média do mercado e a gente vê isso principalmente nos nossos índices de garantia.

E uma forma de a gente medir quanto que o produto é, ou não, confiável, é o quanto a gente paga de garantia. Desde o início, nós lançamos uma garantia de cinco anos. E eu, que venho de outras empresas na área de tratores, me assustei quando vi. Me assustei positivamente quando vi qual era o índice de garantia dos tratores da Mahindra.

Desde o início, a gente vem batendo no fator confiabilidade. A economia de combustível é outro ponto que a empresa busca. Somos em torno de 15% a 20% mais econômicos em termos de consumo de combustível. Então, quando se fala de tecnologia, a tecnologia está aí: em fazer o trator não quebrar, está aí em fazer o motor ser econômico e eficiente.

Essas características, que fazem parte do DNA da Mahindra, se deram muito bem aqui no Brasil para começar a formar realmente uma imagem de uma marca confiável. Estamos no país desde 2012. Então, o importante para nós foi realmente passar isso para o agricultor: a confiabilidade da marca e do produto.

Portal MIA – E como funciona o pós-venda e a manutenção dentro desses cinco anos de garantia?

Jak Torretta Jr. – Para o agricultor ter esse prazo de garantia, vale lembrar, todas as revisões precisam ser feitas com o concessionário, usando peças genuínas. Temos um programa de treinamento técnico, principalmente com os nossos concessionários. Então, todos os mecânicos da nossa rede são treinados pela fábrica.

Inclusive, vou adiantar uma novidade. Vamos inaugurar agora em outubro um novo centro de treinamento, localizado em Mogi das Cruzes (SP), para oferecer uma condição ainda melhor de prestar esse serviço de treinamento para toda a rede. Teremos não só os treinamentos técnicos, em que os mecânicos são treinados para fazer qualquer tipo de manutenção em toda a linha de tratores, mas também os treinamentos de produto, de conhecimento de produto para a área comercial. O centro terá capacidade para receber de 15 a 20 alunos por curso, praticamente toda semana.

Portal MIA – A Mahindra pretende avançar para novas faixas de potência ou segmentos?

Jak Torretta Jr. – Olha, eu diria que a Mahindra não vai entrar em tratores acima de 110 cv. Ela é especialista em tratores de baixa potência. Em termos de durabilidade da tecnologia incorporada nos sistemas de transmissão, motor e tal, é o forte dela. Não temos planos de trabalhar na agricultura de larga escala.

Somos uma marca que foi criada para o pequeno e médio agricultor. E, aqui no Brasil, nós vamos manter esse padrão de atividade. Sempre olhando para a agricultura familiar. Esse setor que coloca a comida na nossa mesa. E eu acho que é uma missão nobre apoiar a agricultura familiar.

soja - Mahindra chega a 7% do mercado de tratores e prepara lançamentos para abril

O trator Mahindra 6075 (80 cv) está disponível nas versões cabinada e plataformada. O modelo atende às atividades gerais da fazenda, e seu redutor de velocidades é essencial para operações com forrageiras e trituradores

Portal MIA – Qual é o papel da operação brasileira na estratégia para a América Latina?

Jak Torretta Jr. – No Brasil, desde o início do ano passado, nós passamos a gerenciar os mercados que estão aqui no Mercosul e na América Central. Isso era feito diretamente pela Índia. No ano passado, a gente começou a desenvolver novamente todo esse mercado. Hoje nós já temos seis distribuidores apontados em diversos países, desde Argentina, Paraguai, Bolívia, Equador e alguns outros entrando agora.

Então, essa é mais uma função da subsidiária brasileira, que é cuidar também das exportações, tanto da Índia direto para esses países, como do Brasil para esses países. E eu imagino que a nova fábrica, quando estiver pronta, vai transformar a Mahindra no Brasil para a América Latina.

Portal MIA – Sobre a nova fábrica, o que deve mudar na operação brasileira?

Jak Torretta Jr. – Para os tratores que são nacionalizados, são necessários 40% de componentes locais para seguir as regras do Finame. Então, esses tratores precisam ser efetivamente montados em uma fábrica. Hoje, a nossa capacidade de produção em Dois Irmãos (RS) já está totalmente desenvolvida.

Ainda não temos uma data prevista para a inauguração da nova fábrica, mas estamos trabalhando para que ela supra as nossas necessidades de crescimento. A empresa também prepara novos produtos no portfólio de tratores Mahindra, que serão apresentados em abril, como parte das comemorações dos 10 anos, durante o nosso encontro com a rede de concessionários.

Portal MIA – E você pode antecipar quais são esses novos produtos?

Jak Torretta Jr. – Infelizmente não.

Portal MIA – Mas como deve ser essa nova linha de tratores?

Jak Torretta Jr. – Essa nova linha de tratores será muito mais avançada em termos de tecnologia e conectividade. Não só com o implemento, mas também a conectividade em termos de georreferenciamento, agricultura de precisão. Já tem todo um aspecto mais tecnológico que se vê hoje nas grandes propriedades, nos maquinários de maior porte.

Essas soluções de tecnologia já são bastante desenvolvidas na Índia, justamente porque eles têm uma grande demanda de pequenos agricultores e, da mesma forma que aqui, o pequeno agricultor lá precisa ter uma tecnologia que seja suportável em termos de custo. Para essa nova linha de tratores, mas também para as atuais, a gente já tem planos de incorporar alguns sistemas de telemetria, por exemplo.

Portal MIA – Falando agora do mercado, como você avalia o atual cenário para a mecanização e quais são os principais obstáculos para o produtor investir?

Jak Torretta Jr. – Olhando um pouco para o que aconteceu nos anos anteriores… Durante a pandemia, a gente tinha não só uma condição de juros mais baixa, mas também dinheiro sobrando no mercado. E o agricultor, quando tem dinheiro, compra terra, troca caminhonete, mas o trator ele financia. E ele fez financiamento de muitas máquinas, em um dos picos da pandemia, sem pensar no futuro. As commodities estavam lá em cima, então assumiram compromissos.

O que acontece agora? A gente tem as commodities lá embaixo, se bem que algumas vão se recuperando mais recentemente, mas caiu o preço do produto agrícola, os juros aumentaram e a conta chegou. Agora ele está tendo que pagar aquelas máquinas que comprou dois, três anos atrás.

Mesmo você tendo recursos disponíveis, Moderfrota ou Pronaf, a maior dificuldade que a indústria tem é encontrar agricultores que possam tomar mais financiamento. Então, eu diria que o problema número um para o resultado que a indústria está tendo é a inadimplência. Logicamente, os juros altos também impedem você de fazer novos investimentos ou até na própria propriedade.

Portal MIA – E como esse cenário deve afetar o desempenho da Mahindra neste ano?

Jak Torretta Jr. – Nesses últimos cinco anos a gente teve um crescimento muito forte, não só de volume, mas a própria participação de mercado. Eu acredito que esse ano, em função de todos os problemas que o mercado está tendo, de juros altos, falta de recursos, da inadimplência, e a própria eleição, a gente ouve muito do agricultor: “Não, vamos ver o que vai dar, depois eu decido o que eu vou fazer, se eu vou investir, se eu não vou”.

Infelizmente, a eleição é um fator que segura o investimento. Mas é o que digo, como diz o concessionário, que vive repetindo isso: ‘o agro não para, o agro não pode parar’. Então, independente de quem vencer a eleição, o agricultor sabe plantar, cuidar da lavoura, vender, esse é o negócio dele, e não vai deixar de fazer isso.

Na Mahindra, a gente vem crescendo ano a ano. Então, o crescimento esse ano talvez seja menor em função do mercado. No nosso ano fiscal, que a gente analisa de abril até agora [setembro], o nosso setor – segmento de tratores de até 120 cv – caiu 10%. A Mahindra foi uma das poucas marcas que cresceu este ano. A gente está com participação em torno de 7%, que era o planejado. Para os próximos 10 anos, esperamos atingir 15% desse mercado.

Vamos ver como é que esse mercado se comporta, se a gente vai ter uma liberação mais efetiva de recursos agora, em outubro. O mercado precisa desse dinheiro. Se esse dinheiro não aparecer agora, só vai postergar ainda mais a decisão de compra. No geral, imagino que o nosso segmento deva cair em torno de uns 10%. Não acredito que seja mais do que isso.

Portal MIA – Onde estão os principais mercados da Mahindra no Brasil?

Jak Torretta Jr. – Em termos de volume, a gente tem um volume muito significativo no próprio Rio Grande do Sul, que foi onde tudo começou, onde estão os concessionários mais antigos. Em termos de volume, é o nosso segundo maior mercado, com mais de 15% de market share.

Temos presença bastante forte de 16% a 17% em Santa Catarina, que é um estado de pequenos e médios produtores. Depois vem, em termos de volume, Minas Gerais. Durante esses últimos dois anos, foi realmente o maior mercado no Brasil.

São Paulo é um estado que tem um potencial muito grande, mas a gente ainda tem que desenvolver mais a rede de concessionários no estado. Geograficamente, nossos principais pontos são esses. Claro, estamos desenvolvendo também o Nordeste. A Bahia está tendo um bom desempenho, assim como Pernambuco e Sergipe. Ou seja, já estamos nos consolidando também no Nordeste. No Centro-Oeste também, em Goiás, Tocantins e no Mato Grosso.

Portal MIA – Quais são os planos de expansão da rede de concessionários para os próximos anos?

Jak Torretta Jr. – Em termos de rede de concessionários, a gente tem dois grandes objetivos. O primeiro é melhorar ainda mais a nossa atual rede, desenvolver os concessionários. Outro é crescer também em número de pontos de venda nas regiões onde nós ainda não cobrimos adequadamente. Por exemplo, algumas regiões do Paraná, algumas regiões do estado de São Paulo, um pouco na Bahia, Alagoas, onde a gente ainda não tem uma cobertura adequada. Ainda existe uma possibilidade de crescer bastante em termos de pontos de venda nessas regiões.

Portal MIA – Fazendo um balanço desses 10 anos, como você avalia a trajetória da Mahindra no Brasil até aqui?

Jak Torretta Jr. – O balanço é extremamente positivo. Não foi fácil. Foram anos difíceis. A gente passou por crises lá no início, por um período de aceitação da marca, em que a gente tinha que buscar concessionários. Hoje, as empresas nos procuram, então isso já mostra o quanto que a marca já vem sendo bem percebida pelo mercado.

Nesses 10 anos a gente construiu uma base, chegamos na adolescência e agora vamos para a vida adulta. Todo o investimento na fábrica, em novos produtos, isso vai fazer com que a Mahindra atinja um novo patamar de desenvolvimento interno, de participação de mercado, de produção e de portfólio.

O plano está feito, está em execução e eu só vejo realmente um futuro muito legal para a marca, porque é uma marca que vem sendo cada vez mais conhecida e reconhecida, com um produto durável, robusto e simples. É uma marca que aqui a gente fala: “Forte ao seu lado”.

 

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28/09/2026 0 Comentários
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Agropecuária avança 11,7% em 2025 e puxa PIB brasileiro para 2,3%
Mercado

Fazenda revisa para cima projeção para agropecuária em 2026, para 2,8%

Por Redação 25/09/2026
Escrito por Redação

Fazenda revisa para cima projeção para agropecuária em 2026, para 2,8%

A agropecuária deve crescer 2,8% em 2026, segundo projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda divulgada no Boletim MacroFiscal de setembro. A estimativa representa uma revisão para cima em relação à previsão anterior, de 1,8%. A elevação ocorre em meio à redução das projeções para os serviços e a indústria, que levaram a Fazenda a revisar de 2,3% para 2% a expectativa de crescimento do PIB brasileiro neste ano.

Apesar da revisão positiva para o resultado anual, a agropecuária deve perder ritmo no segundo semestre. Para o terceiro trimestre, a SPE projeta crescimento de 3,7% na comparação com o mesmo período de 2025, ante 6,8% no segundo trimestre. Na comparação com o trimestre anterior, com ajuste sazonal, a previsão é de recuo de 0,7%.

Segundo a Fazenda, a desaceleração está relacionada principalmente ao encerramento da colheita da soja e à dissipação do efeito da safra de 2025 sobre a base de comparação. A moderação também considera a retração no abate de bovinos, a queda das lavouras de algodão e trigo e a desaceleração da produção de café e cacau.

Desempenho no segundo semestre

A projeção da Fazenda indica que o resultado da agropecuária em 2026 ficará apoiado no desempenho do primeiro semestre, período em que a participação do setor no produto é mais elevada. Para o quarto trimestre, a atividade agrícola deve contribuir negativamente para o crescimento na comparação interanual.

No cenário geral da economia, a revisão para cima da agropecuária compensa apenas parcialmente as reduções nas estimativas para os demais setores. A projeção de crescimento dos serviços passou de 2,4% para 1,8%, enquanto a da indústria caiu de 2,1% para 1,7%. Com isso, a previsão para o PIB brasileiro em 2026 passou de 2,3% para 2%.

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Exportações de algodão crescem 18% no terceiro trimestre
Feiras & EventosMercado

Algodão agroecológico busca ganhar escala no Semiárido com tecnologia e conexão com a indústria

Por Redação 25/09/2026
Escrito por Redação

Algodão agroecológico busca ganhar escala no Semiárido com tecnologia e conexão com a indústria

O algodão agroecológico produzido no Semiárido brasileiro reúne características valorizadas pelo mercado internacional, movimenta a agricultura familiar e já apresenta experiências concretas de integração entre produtores e indústria. O desafio agora é transformar esse potencial em escala sem perder as características ambientais, sociais e produtivas que diferenciam essa fibra. O tema esteve no centro do workshop “Produção de algodão em bases agroecológicas”, realizado nesta quinta-feira (24), durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), no Expominas, em Belo Horizonte (MG).

Integrante da programação de Gestão Ambiental e Social, a atividade reuniu diferentes elos da cadeia para discutir o cenário internacional das fibras sustentáveis, os avanços tecnológicos alcançados no Semiárido, a experiência de integração da produção à indústria no Ceará e os impactos econômicos, sociais e ambientais observados no Rio Grande do Norte.

O encontro foi moderado por Adriana Gregolin, coordenadora regional de projetos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e contou com a participação de Silvio Moraes, Senior Engagement Manager para América Latina da Textile Exchange; Marenilson Batista da Silva, pesquisador da Embrapa Algodão; Wanderley Magalhães, coordenador do Desenvolvimento da Agricultura Familiar da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará; e Renata Fonseca, gerente do Instituto Riachuelo.

Adriana destacou que um dos desafios é justamente ampliar a visibilidade de um tema ainda menos presente nas discussões, mas que ganha relevância diante das mudanças climáticas. A proposta do workshop foi colocar em contato diferentes “fios” dessa cadeia — campo, indústria, marcas, pesquisa, extensão, poder público, estudantes e sociedade.

Mercado busca fibras com atributos de sustentabilidade

A dimensão internacional foi apresentada por Silvio Moraes. Segundo ele, a transformação ambiental da indústria têxtil precisa começar na origem das matérias-primas. Dados apresentados durante o workshop apontaram uma produção global de aproximadamente 137 milhões de toneladas de fibras e materiais destinados à indústria têxtil em 2024. As fibras sintéticas representam a maior parcela desse volume, enquanto o algodão responde por aproximadamente 18% a 19%.

Dentro do algodão, entretanto, há um movimento de expansão dos padrões associados à sustentabilidade. Segundo Moraes, 37% do algodão que chega atualmente à indústria possui algum tipo de certificação ou protocolo que incorpora critérios de sustentabilidade.

Esse percentual vem aumentando, mas a discussão internacional avança também para atributos regenerativos, como saúde do solo, biodiversidade, conservação dos recursos naturais e impactos positivos sobre as comunidades envolvidas na produção. O algodão orgânico ocupa uma posição particular nesse mercado. “O algodão orgânico é algo que a indústria sempre desejou. E essa produção existe e vem crescendo, mas não no ritmo esperado”, afirmou.

Segundo os dados apresentados, a produção global certificada de algodão orgânico permanece há alguns anos na faixa de aproximadamente 700 mil toneladas anuais, apesar do potencial de expansão.

Na América Latina, Moraes destacou o crescimento do Peru e apontou que o Brasil também reúne características capazes de diferenciar sua produção. Além da qualidade da fibra, o algodão agroecológico brasileiro está relacionado à agricultura familiar, a práticas regenerativas, à recuperação de áreas e a sistemas participativos de garantia da produção orgânica.

A produção certificada representa apenas uma parcela desse universo, já que existem iniciativas conduzidas em bases agroecológicas que não entram nas estatísticas de algodão orgânico certificado.

Para Moraes, o conjunto dessas características representa uma oportunidade ainda pouco explorada. A mensagem apresentada foi de que há demanda internacional pela fibra, mas atender esse mercado passa por tornar a cadeia mais competitiva e profissionalizada e, ao mesmo tempo, garantir que a atividade represente uma alternativa efetiva de renda para as famílias produtoras.

Tecnologia adaptada à realidade do Semiárido

A construção dessa cadeia precisa considerar características bastante diferentes daquelas encontradas nas grandes regiões produtoras do Cerrado. Marenilson Batista da Silva apresentou o contexto do Semiárido, onde a precipitação média em determinadas áreas fica na faixa de 400 a 500 milímetros durante o período chuvoso, muito abaixo dos volumes encontrados nas regiões de Cerrado produtoras de algodão.

Historicamente, o algodão teve papel importante como cultura de renda para as famílias do Semiárido. Esse cenário mudou a partir da década de 1980, com a chegada do bicudo e outras transformações econômicas e produtivas, como o avanço das fibras sintéticas e as mudanças no mercado brasileiro nos anos seguintes.

A região perdeu, assim, uma de suas principais culturas geradoras de renda. A retomada do algodão ocorreu acompanhada de pesquisa e do desenvolvimento de sistemas adaptados à nova realidade. “O que nós produzimos hoje no Semiárido é ouro. Imaginem produzir algodão sem pulverização. Isso é graças a muito conhecimento e muita tecnologia”, afirmou Marenilson.

Para o pesquisador, tecnologia nesse contexto não significa necessariamente utilizar equipamentos sofisticados. Ela precisa ser capaz de responder às condições do território e permitir uma produção sustentável do ponto de vista econômico, ambiental e social.

Uma das estratégias é integrar o algodão a consórcios agroalimentares, com culturas como feijão, milho e outras espécies. Dessa forma, uma mesma área pode gerar fibra, alimentos e recursos que também dialogam com a criação animal, importante atividade das famílias durante os períodos mais secos do ano.

Conhecimento precisa chegar ao agricultor

Entre os avanços apresentados por Marenilson está a Unidade de Aprendizagem e Pesquisa Participativa (UAP), metodologia desenvolvida para aproximar pesquisa, assistência técnica e realidade dos agricultores.

A proposta é testar e adaptar tecnologias dentro das condições efetivamente encontradas nas propriedades, reduzindo a distância entre o conhecimento produzido pelas instituições e sua utilização no campo. “Nem sempre uma tecnologia serve para você ou serve para mim. Ela precisa ter um processo de adaptação”, explicou.

Esse princípio também aparece no controle do bicudo, ainda considerado um dos principais desafios da produção agroecológica de algodão no Semiárido. Entre as estratégias utilizadas estão armadilhas e a eliminação das plantas de algodão antes da safra seguinte. Nos programas apresentados, os agricultores precisam eliminar as plantas de algodão com antecedência de aproximadamente 90 dias, reduzindo a permanência da praga entre os ciclos.

A certificação orgânica participativa e a valorização comercial da fibra foram apontadas como outros avanços da cadeia. O desafio seguinte é justamente ampliar a produção. “Escalar a produção é um desafio que eu posso dizer, sem medo de errar, que é muito grande”, afirmou Marenilson.

Segundo ele, a expansão não pode ocorrer de um ano para outro seguindo a mesma lógica das grandes áreas do Cerrado. É necessário ampliar gradualmente o número de agricultores, garantir conhecimento sobre o sistema produtivo e, principalmente, assegurar mercado para uma fibra diferenciada.

Logística e beneficiamento aparecem entre os gargalos. A distância entre as propriedades, unidades de processamento e compradores pode aumentar custos e dificultar a organização da cadeia.

Ceará projeta 600 toneladas em 2026

A experiência do Ceará mostra como a articulação entre diferentes instituições pode contribuir para essa expansão. Wanderley Magalhães apresentou o modelo desenvolvido no estado, que reúne governo, universidades, prefeituras, instituições de assistência técnica, organizações da agricultura familiar e indústria. Entre as ações estão a distribuição de sementes, disponibilização de insumos, preparação de áreas, assistência técnica, controle fitossanitário e apoio à logística e comercialização.

Para 2026, o programa trabalha com aproximadamente 800 hectares plantados e expectativa de colher cerca de 600 toneladas de algodão em rama. O sistema utiliza consórcios com culturas como feijão-caupi, milho e gergelim, estratégia relacionada à segurança alimentar, ciclagem de nutrientes, equilíbrio do agroecossistema e maior resiliência às condições climáticas.

Na transição agroecológica, o programa também utiliza biodefensivos. Entre os insumos citados durante a apresentação estiveram Bacillus thuringiensis, Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae.

Outro eixo é a mecanização adaptada à agricultura familiar, com capacitações e utilização de equipamentos de menor porte, além das Unidades de Aprendizagem e Pesquisa Participativa. Ensaios realizados no estado também vêm avaliando novos materiais de algodão. Em uma das experiências apresentadas, linhagens testadas alcançaram resultados próximos de 47% de fibra, mesmo diante de condições climáticas adversas durante parte do desenvolvimento.

Garantia de compra aproxima agricultor da indústria

A comercialização é uma das peças centrais do modelo apresentado no Ceará. Os parceiros envolvidos possuem funções definidas dentro da cadeia, enquanto a indústria participa como compradora e também apoia etapas relacionadas à logística. A organização é particularmente importante porque os agricultores estão distribuídos em diferentes localidades e trabalham em áreas menores.

Depois da colheita, o algodão é pesado e identificado, os dados dos produtores são registrados e a produção é organizada para transporte e processamento. A experiência mostra crescimento da produção entre 2024 e 2026, apesar de dificuldades climáticas e operacionais enfrentadas em algumas regiões. “Com apoio do Estado e de outras entidades, podemos dar condições para o homem e a mulher do campo terem mais condições de produzir e ter mais qualidade de vida”, destacou Wanderley.

A integração entre produção e mercado também ajuda a responder a uma questão apontada ao longo do workshop: para que o agricultor assuma o desafio de produzir uma fibra diferenciada, precisa existir uma cadeia preparada para absorvê-la.

Programa conecta produção agroecológica à moda

No Rio Grande do Norte, a experiência apresentada por Renata Fonseca mostrou o envolvimento direto da iniciativa privada nessa construção. Criado em 2021, o Agro-Sertão, desenvolvido pelo Instituto Riachuelo na região do Seridó, trabalha com agricultores familiares na retomada da produção de algodão em bases agroecológicas.

Um dos elementos do modelo é a garantia de compra de 100% do algodão produzido dentro do programa, reduzindo a incerteza comercial para os participantes. Em cinco anos, a iniciativa expandiu sua atuação e passou a conectar a produção agrícola à cadeia industrial e ao consumidor.

Os dados apresentados para 2026 indicam mais de 230 toneladas de algodão agroecológico colhidas, com 247 agricultores e agricultoras impactados em 17 municípios. O programa também contabiliza 269 hectares de Caatinga regenerados e mais de R$ 1 milhão em renda gerada a partir do algodão agroecológico.

A fibra já chegou ao varejo. Segundo Renata, mais de 70 mil camisetas produzidas com 100% de algodão agroecológico foram desenvolvidas a partir da iniciativa. A experiência inclui ainda produtos que combinam a fibra agroecológica com pigmentos naturais, criando uma conexão entre práticas adotadas no campo, processamento industrial e desenvolvimento de produtos para o consumidor final.

Escala depende de manter valor ao longo da cadeia

As quatro experiências apresentadas convergiram em um ponto: o desafio do algodão agroecológico não termina quando a fibra é produzida. Existe demanda de mercado e há conhecimento acumulado para produzir nas condições do Semiárido. Também existem experiências mostrando que a fibra pode sair das pequenas propriedades, chegar à indústria e se transformar em produtos disponíveis ao consumidor.

Para ampliar esse movimento, porém, a cadeia precisa avançar de forma coordenada. Pesquisa e extensão precisam desenvolver e adaptar tecnologias às condições dos territórios. Governos e instituições locais podem contribuir com assistência técnica, infraestrutura e organização. A indústria, por sua vez, desempenha papel importante ao criar mercado, apoiar a logística e dar previsibilidade à comercialização.

Essa integração ganha relevância justamente porque o modelo de expansão não pode simplesmente reproduzir a lógica das grandes áreas produtoras de algodão. A escala, nesse caso, depende da capacidade de incorporar novos agricultores gradualmente, preservar os atributos ambientais e sociais da produção e garantir que o valor agregado da fibra também gere renda para as famílias envolvidas.

Ao sintetizar as experiências apresentadas, Adriana destacou que tornar essas iniciativas sustentáveis e escaláveis depende de pesquisa, extensão rural, governança e articulação entre os diferentes atores.

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Café arábica: colheita evolui para 74% na região da Expocacer
Mercado

Produção de café deve chegar a 67,6 milhões de sacas em 2026

Por Redação 24/09/2026
Escrito por Redação

Produção de café deve chegar a 67,6 milhões de sacas, influenciada por bienalidade positiva em 2026

Com 99% da área colhida, a produção brasileira de café para 2026, ano de bienalidade positiva, está estimada em 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, uma alta de 19,6% em comparação à safra de 2025. O resultado é influenciado tanto pelo aumento da área em produção e pela melhora na produtividade média nacional e se configura como o maior da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados estão no 3º levantamento da cultura, divulgado nesta quinta-feira (24) pela estatal..

Movimento comum em ano de alta bienalidade, principalmente para a espécie arábica, a área em produção de café no país deve crescer 5,1%, sendo estimada em 1,95 milhão de hectares. No caso da produtividade média nacional, a variação positiva chega a 13,8%, saindo de 30,4 sacas por hectares em 2025 para 34,6 sacas por hectare neste ano. Além da influência das condições fisiológicas da planta, o melhor desempenho verificado nas lavouras também se deve ao crescente uso de tecnologias nos manejos pelos cafeicultores e à combinação das condições climáticas mais favoráveis.

Para o arábica, espécie que representa cerca de 70% da produção total de café, a estimativa aponta para uma colheita neste ano de 48,2 milhões de sacas, elevação de 34,8% em comparação ao volume obtido em 2025. Só em Minas Gerais, a safra está estimada em 34,96 milhões de sacas de arábica, sendo que no sul e centro-oeste mineiro a produção chega a 15,93 milhões de sacas..

O ciclo de bienalidade positiva e a melhor distribuição das chuvas, principalmente, nos meses precedentes à floração, além do clima favorável até março, o que proporcionou uma boa granação, são fatores que contribuem para uma boa produtividade nas lavouras de Minas.

As condições climáticas favoráveis registradas em São Paulo também foram benéficas aos cafezais e a estimativa é de uma produção de 6,19 milhões de sacas de arábica. As chuvas regulares e bem distribuídas após períodos secos, temperaturas amenas sem calor excessivo e um regime térmico alinhado à bienalidade positiva da cultura, impulsionaram a produtividade das lavouras no interior do estado.

No caso do conilon, a produção estimada para 2026 é de 19,4 milhões de sacas, redução de 6,6% se comparado com o ano passado. Com aumento de 4% na área em produção da variedade, estimada em 386,6 mil hectares, a queda é influenciada pela menor produtividade nacional, impactada principalmente pelo menor desempenho registrado no Espírito Santo.

O estado capixaba, principal produtor de conilon no Brasil, deverá registrar uma queda de 5,4% na produção total de café. Esse resultado se deve à florada irregular nas lavouras da espécie conilon, causada pelas baixas temperaturas registradas na região produtora, tendo como consequência uma redução na produção de 14,3%, sobre a safra anterior, somando 12,1 milhões de sacas.

Contudo, a safra do café arábica, sustentada pelas boas condições climáticas, pela expansão de 4,9% na área em produção, além do ciclo de alta bienalidade, registra um crescimento de 33% na produção, totalizando 4,38 milhões de sacas.

Outro importante estado produtor, a Bahia registra crescimento 1,2% na produção total, impulsionado pela regularidade das condições climáticas, pelo maior investimento em insumos e pela entrada de novas áreas em produção. Do total estimado, 1,19 milhão de sacas são de arábica e 3,3 milhões de sacas são de conilon.

Com plantio exclusivo de conilon, o ciclo encontra-se praticamente encerrado em Rondônia. Com 98% das áreas em produção colhidas até o fim de agosto, a estimativa da Conab é de uma safra de 2,88 milhões de sacas, incremento de 24% em relação a 2025.

Os efeitos climáticos benéficos, especialmente no quesito das chuvas, vivenciados no decorrer do desenvolvimento da cultura permitiram que os grãos demonstrassem, em âmbito geral, boa qualidade e rendimento. Esse bom resultado não se deve somente às condições climáticas favoráveis, mas também ao bom pacote tecnológico adotado por uma parcela significativa dos cafeicultores.

Mercado

A exportação brasileira de café em agosto de 2026 foi a maior já registrada da série histórica em comparação com o mesmo mês dos anos anteriores. Apenas neste mês, Brasil exportou 3,8 milhões de sacas de 60 quilos de café em agosto de 2026, o que representa alta de 25,8% em relação ao mês anterior e aumento de 43,2% na comparação com agosto de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ainda assim, no acumulado de janeiro a agosto de 2026, foram exportadas 24,6 milhões de sacas de 60 quilos de café, o que representa uma baixa de 6,6% na comparação com igual período de 2025, segundo dados do MDIC.

A produção mundial de café tem previsão recorde no ciclo 2026/27, estimada em 189,7 milhões de sacas de 60 quilos, o que corresponde a uma alta de 6,1% em relação à temporada anterior, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Ao mesmo tempo, o consumo mundial de café está previsto em 179,7 milhões de sacas na temporada 2026/27, o que corresponde a uma alta de 3,6% em relação ao ciclo anterior. Esse crescimento na demanda ocorre tanto em polos tradicionais de consumo, como a Europa, os Estados Unidos e o Brasil, quanto em mercados em expansão, como a China.

Neste cenário, as cotações internacionais do café estão sob pressão de baixa diante da entrada da safra brasileira no mercado, da aproximação da colheita no Vietnã e do aumento sazonal da produção colombiana no último trimestre do ano. A recuperação da produção nesses países ameniza a preocupação com a oferta, embora não sejam esperadas reduções expressivas das cotações em razão do baixo patamar dos estoques atuais e do aumento da demanda mundial. As previsões de El Niño no ciclo 2026/27 também influenciam a sustentação dos preços, podendo afetar negativamente a produção em muitos países.

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Queda nos preços deve reduzir faturamento da agropecuária em 2026
Mercado

Valor Bruto da Produção deve atingir R$ 1,45 trilhão, uma queda de 4%, diz CNA

Por Redação 23/09/2026
Escrito por Redação

Valor Bruto da Produção deve atingir R$ 1,45 trilhão, uma queda de 4%

O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária está estimado em R$ 1,45 trilhão em 2026, o que representa uma queda de 4,0% em relação ao valor registrado em 2025, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Esse resultado, segundo a entidade, reflete a combinação da redução dos preços reais na comparação com 2025, embora se observe uma  lenta recuperação das cotações de algumas commodities agrícolas, com variações positivas na produção agropecuária.

Para a agricultura, o faturamento estimado para 2026 é de R$ 942,6 bilhões, o que representa uma retração de 4,2% em relação a 2025. Destaca-se a queda nos VBPs de produtos com participação relevante no total, como a cana-de açúcar (-7,5%), seguida pelo milho (-6,1%), pelo algodão em pluma (-3,8%) e pelo café robusta (-31,5%).

A entidade explica que a retração esperada no VBP desses produtos decorre exclusivamente da queda dos preços reais na comparação anual, enquanto a produção apresenta projeção de alta, insuficiente, contudo, para compensar a redução dos preços.

Entre as culturas com crescimento do VBP, destacam-se a soja, com alta de 3,5%, e o café arábica, com avanço de 0,12%, impulsionados particularmente pelo aumento esperado da produção, uma vez que os preços reais permanecem abaixo dos níveis de 2025.

Para a pecuária, o faturamento projetado é de R$ 506,2 bilhões, o que representa uma queda de 3,5% em relação a  2025. A exceção é a carne bovina, para a qual se espera crescimento de 7,7% no VBP.

Para os demais produtos do segmento, projeta-se redução do VBP, refletindo os menores preços reais recebidos pelos produtores, apesar do aumento esperado da produção. Nesse sentido, esperam-se reduções de 27,0% no VBP da carne suína, de 21,1% no da carne de frango, de 7,6% no de ovos e de 5,2% no do leite.

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Publicada portaria que regulamenta a equalização de juros do Plano Safra 2026/2027
Tecnologia

Safra 2026/27 amplia área de soja e reforça importância da eficiência no plantio

Por Redação 23/09/2026
Escrito por Redação

Safra 2026/27 amplia área de soja e reforça importância da eficiência no plantio

A nova safra de soja começa com perspectiva de expansão da área cultivada. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a oleaginosa ocupe 49,3 milhões de hectares na temporada 2026/27, avanço de 1,4% em relação ao ciclo anterior.

A abertura gradual das janelas de plantio da soja nas diferentes regiões produtoras marca o início de uma corrida contra o calendário. Com o solo preparado e as condições climáticas adequadas, produtores precisam colocar as máquinas em campo e aproveitar o período ideal para a semeadura. A dimensão da propriedade pode variar, assim como a capacidade dos equipamentos utilizados, mas a necessidade de precisão e eficiência está presente em diferentes escalas de produção.

Tecnologias como piloto automático, controle de insumos, monitoramento em tempo real e automação de manobras ajudam a aumentar o controle sobre a semeadura, reduzir sobreposições, elevar a eficiência operacional e transformar dados e informações do campo em decisões durante o trabalho.

“Cada propriedade tem uma realidade diferente, e a tecnologia precisa acompanhar essa diversidade. Independentemente do tamanho da operação, o produtor busca mais precisão e controle no campo. O objetivo é aproveitar melhor a janela de plantio, reduzir desperdícios e tornar cada passada da máquina mais eficiente”, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing Produto da Massey Ferguson.

Tecnologia para diferentes escalas de produção

Do trator de 105 cv destinado a propriedades de menor porte aos modelos de 425 cv desenvolvidos para grandes áreas, a Massey Ferguson reúne equipamentos e tecnologias para diferentes operações de plantio.

Nas propriedades de pequeno e médio porte, um dos exemplos é a série MF 5M, com modelos entre 105 cv e 145 cv. Os tratores podem contar com piloto automático e telemetria, recursos que permitem maior precisão na condução e acompanhamento remoto das operações.

O conjunto pode ser utilizado com a plantadeira MF 500, disponível com até 17 linhas e equipada com tecnologias da Precision Planting. O sistema pode atingir até 99% de singulação, índice relacionado à uniformidade na distribuição das sementes. A combinação dos equipamentos pode ampliar em até 20% a capacidade operacional no campo.

Em propriedades que demandam maior capacidade de trabalho, o trator MF 8S Xtra, com versões de 265 cv a 305 cv, pode operar com a plantadeira Momentum de 18 a 24 linhas. A combinação reúne recursos para aumentar o controle sobre a aplicação de insumos e a execução das atividades.

Um dos destaques é o sistema vApply Granular, que controla a aplicação de fertilizantes e pode reduzir em até 50% o desperdício de insumos. O conjunto incorpora ainda soluções voltadas ao tráfego controlado, permitindo que as operações sejam realizadas sobre os mesmos rastros ao longo do ciclo da lavoura.

No trator, a transmissão Dyna-VT permite adequar a velocidade às condições de trabalho. O MF 8S Xtra conta ainda com hélice reversível, que realiza a limpeza automática do capô, além do conceito Protect-U, que isola o motor da cabine e reduz a transferência de ruídos, calor e vibrações para o operador.

Para as grandes áreas, o trator MF 9S, maior e mais potente da Massey Ferguson, chega a 425 cv e foi desenvolvido para trabalhar com a nova plantadeira Momentum de 30 e 40 linhas. O trator reúne recursos como MF AutoTurn e AutoHeadland, que automatizam as manobras realizadas nas cabeceiras. Durante o plantio, a tecnologia ajuda a reduzir sobreposições e falhas entre as passadas, além de diminuir a necessidade de intervenções constantes do operador.

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Feiras & EventosMercado

Primeiro dia do Congresso Brasileiro de Algodão destaca avanços da cotonicultura brasileira

Por Redação 23/09/2026
Escrito por Redação

Primeiro dia do Congresso Brasileiro de Algodão destaca avanços da cotonicultura brasileira

O 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) começou nesta terça-feira (22), em Belo Horizonte (MG), reunindo produtores, pesquisadores, empresas, autoridades, jornalistas e representantes dos diferentes elos da cadeia produtiva. Realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o evento segue até quinta-feira (24), no Expominas.

Na abertura, o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, destacou os avanços conquistados pela cotonicultura brasileira e a necessidade de o setor continuar olhando para o futuro. Ao abordar o tema desta edição, “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, Piccoli ressaltou a importância de ampliar o debate sobre sustentabilidade, consumo e fibras naturais com base em ciência, pesquisa e informação.

“O algodão é uma fibra natural. Renovável. Biodegradável. E quando olhamos para a trajetória do algodão brasileiro, temos muito a mostrar”, afirmou o presidente da Abrapa durante a abertura.

A cerimônia contou também com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, que ressaltou a importância do Congresso como espaço de integração entre produtores, pesquisadores, empresas, autoridades e demais representantes da cadeia do algodão.

Um olhar para as transformações globais

Entre os destaques da programação do primeiro dia esteve a palestra do economista Ricardo Amorim. Ele analisou as transformações econômicas, tecnológicas, demográficas e geopolíticas em curso e as oportunidades que esse novo cenário pode representar para o Brasil e para o algodão brasileiro.

Amorim também chamou atenção para a valorização do humano e do natural em um ambiente de acelerado avanço tecnológico, aproximando o debate econômico do tema central desta edição do CBA.

Reconhecimento e ciência

A abertura também foi marcada por homenagens a produtores indicados pelas associações estaduais, ex-presidentes da Abrapa e empresas apoiadoras do movimento Sou de Algodão.

A ciência também ganhou espaço com a premiação dos melhores trabalhos científicos apresentados no Congresso. Foram reconhecidas pesquisas nas categorias graduação, pós-graduação e profissional, além dos professores orientadores, valorizando a produção de conhecimento e sua contribuição para o desenvolvimento da cotonicultura brasileira.

O 15º CBA segue nesta quarta (23) e quinta-feira (24), com uma programação dedicada a temas como ciência, tecnologia, sustentabilidade, manejo, mercado, inovação e competitividade.

 

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