Máquinas agrícolas acumulam queda de 22,4% em 2026, aponta Abimaq

Clarisse Sousa – A indústria de máquinas e implementos agrícolas registrou queda de 27,5% no faturamento em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, somando R$ 4,87 bilhões, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta terça-feira (1º). Em relação ao mês de junho, houve queda de 2,1%.

De janeiro a julho, a receita líquida total do setor somou R$ 31,5 bilhões, uma retração de 22,4% em comparação aos sete primeiros meses de 2025. No mercado interno, a queda foi ainda maior: a receita líquida recuou 25,8% no acumulado do ano, para R$ 26,2 bilhões.

Exportações em alta, importações em queda

Em julho, as exportações de máquinas agrícolas somaram US$ 141,2 milhões, praticamente estáveis na comparação com o mesmo mês do ano passado, com alta de 0,4%. No acumulado do ano, entretanto, as vendas externas cresceram 14,8%, alcançando US$ 1,02 bilhão.

Já as importações registraram queda de 7,3% em julho frente ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 94,6 milhões. De janeiro a julho, a retração foi de 5%, com US$ 720,6 milhões em compras externas.

Expectativa de recuperação 

Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, a expectativa é de uma recuperação gradual a partir de agosto, período que, segundo ele, concentra maior volume de vendas, especialmente entre agosto e outubro.

“Esperamos que, a partir de agosto, haja uma leve melhora, especialmente com as vendas que devem sair com o novo Plano Safra. Os meses de agosto, setembro e outubro costumam ser um período de pico. Com isso, a gente espera terminar o ano com queda de 20%”, disse. 

Estevão destacou ainda os programas de financiamento disponíveis para a compra de máquinas. Para ele, linhas como Moderfrota, Pronaf, Pronamp e Move Brasil “estão funcionando”, embora o setor não consiga absorver integralmente esses recursos. “Se juntarmos todos os recursos, temos R$ 22 bilhões. É bastante. A gente não consegue pegar todo esse dinheiro”, destacou.

O Move Brasil, com juros de 9%, está previsto para terminar em 30 de outubro, conforme Estevão, mas a Abimaq discute com a Finep a possibilidade de estender o programa até o fim do ano.

Ele voltou a apontar a rentabilidade do produtor rural como um dos principais entraves para a retomada dos investimentos em máquinas. Na avaliação de Estevão, porém, o comportamento dos preços das principais commodities pode contribuir para uma melhora do cenário nos próximos meses. “Nos últimos 15 dias, os preços da soja e do milho deram um salto grande”, afirmou.

Além disso, uma possível quebra da safra nos Estados Unidos pode pressionar os preços das commodities para cima na próxima safra. “Com a quebra de safra nos EUA, podemos ter preços melhores na safra de verão. Com uma boa colheita, teremos um preço bom.”

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