Produção de frango para corte. Toledo 06-2021. Foto: Ari Dias/AEN
Clarisse Sousa – O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou nesta quinta-feira (15) que foi identificado um caso de gripe aviária em um criadouro de aves comerciais no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Esse é o primeiro caso de gripe aviária detectado em uma criação comercial de aves no Brasil. Desde 2006, o vírus tem circulado principalmente na Ásia, na África e no norte da Europa.
O Mapa reforça que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne de frango nem de ovos. Ou seja, os produtos inspecionados continuam sendo seguros para a população, sem nenhuma restrição para o consumo. O risco de contaminação em humanos é baixo e, geralmente, está ligado a pessoas que têm contato direto e frequente com aves doentes, vivas ou mortas.
Inovação em filtragem melhora o desempenho das máquinas do campo
Em entrevista à Globonews nesta sexta-feira (16), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que “é fundamental que a gente esclareça que não há risco de contaminação para as pessoas ao consumirem carne de frango ou ovos. Podem consumir com total segurança”, explicou.
“Vale lembrar que ninguém consome carne de frango crua, nem ovos crus com frequência, até porque isso já pode trazer risco de outras doenças, como a salmonela. E o processo de cozimento elimina completamente o vírus da gripe aviária. Portanto, as donas de casa, os consumidores em geral, podem continuar consumindo esses produtos com tranquilidade. Eles passam por fiscalização rigorosa e têm o selo de qualidade do Ministério da Agricultura”, completou o ministro à Globonews.
Fávaro afirmou também que “o risco de contaminação em humanos existe apenas em casos específicos: para quem lida diretamente com as aves, como tratadores que estão em contato diário com os animais, ou profissionais responsáveis por recolher carcaças de aves que morreram infectadas. Para essas situações, já existe um protocolo de segurança bem definido.”
Segundo o Mapa, as medidas de contenção e erradicação do foco previstas no plano nacional de contingência já foram iniciadas e visam não somente debelar a doença, mas também manter a capacidade produtiva do setor, garantindo o abastecimento e, assim, a segurança alimentar da população.
Nos últimos anos, para prevenir a entrada dessa doença no sistema de avicultura comercial brasileiro, várias ações vêm sendo adotadas, como o monitoramento de aves silvestres, a vigilância epidemiológica na avicultura comercial e de subsistência, o treinamento constante de técnicos dos serviços veterinários oficiais e privados, ações de educação sanitária e a implementação de atividades de vigilância nos pontos de entrada de animais e seus produtos no Brasil.
China interrompe importação de frango do Brasil
Diante da confirmação do primeiro caso de gripe aviária no país, a China suspendeu a compra carne de frango e outros produtos avícolas de todo o Brasil por 60 dias. Durante a entrevista à Globonews, o ministro Fávaro confirmou que alguns países estão adotando algum tipo de restrição – “o que é natural em casos como esse”, afirmou.
Ele lembrou que o Brasil conseguiu evitar que vírus da gripe aviária chegasse à avicultura comercial, mesmo depois do primeiro caso registrado em aves silvestres, no Espírito Santo, há cerca de dois anos. “Desde então, intensificamos as negociações e ajustes de protocolos sanitários com nossos principais parceiros comerciais”, disse.
O Reino Unido, Japão, os Emirados Árabes, a Argentina e Arábia Saudita limitaram a suspensão à região afetada, no Rio Grande do Sul. Já com a China, segundo o ministro, como ainda não terminou o processo de ajuste no protocolo sanitário, “a suspensão acabou sendo nacional”.
“O protocolo prevê que, com a declaração de status sanitário de emergência, a suspensão dure 60 dias. Mas é importante destacar que o ciclo do foco da gripe aviária costuma durar, no máximo, 28 dias. Se conseguirmos conter bem a região afetada — no caso, Montenegro, no Rio Grande do Sul — e se mantivermos total transparência nas ações, a expectativa é de que tudo se normalize rapidamente.”
Fávaro destacou que é possível, inclusive, que o fluxo comercial com a China e outros países seja restabelecido antes mesmo desses 60 dias.
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