Redução de áreas de trigo no Sudeste e Sul pode impactar a produção nacional

Colheita de trigo. Pitanga,11/10/2019 Foto: Jaelson Lucas / AEN

A semeadura da safra de trigo 2024/2025 já alcançou aproximadamente 56,6% da área estimada para cultivo no país. No entanto, as projeções mais recentes divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma tendência de redução das áreas cultivadas nas regiões Sudeste e Sul, o que pode impactar negativamente a produção nacional.

No Rio Grande do Sul, as chuvas ocorridas durante o segundo decêndio do mês interromperam temporariamente as atividades de semeadura, que foram retomadas com a estabilização das condições meteorológicas. De modo geral, segundo a Emater/RS, as primeiras lavouras implantadas apresentaram boa emergência e estabelecimento inicial.

Entretanto, em microrregiões como Alto Uruguai e Missões, as interrupções foram mais críticas, resultando em perdas de plântulas e episódios de erosão do solo. Nas áreas recentemente semeadas, foram observadas perdas associadas à erosão superficial, encharcamento e compactação do solo, especialmente em talhões em fase de germinação e emergência, além de solos arenosos severamente afetados pelas chuvas, os quais demandam replantio.

Em lavouras em fase de desenvolvimento vegetativo, foram registrados sintomas de estresse fisiológico, como crescimento reduzido e baixo perfilhamento, atribuídos à combinação de alta umidade do solo e baixa radiação solar. Atualmente, cerca de 39% da área prevista no estado já foi semeada.

No Paraná, aproximadamente 85% da área destinada ao cultivo de trigo já foi implantada, com lavouras em diferentes estágios fenológicos, abrangendo desde a emergência até o florescimento. As temperaturas mais baixas observadas nas últimas semanas têm favorecido o desenvolvimento fisiológico das plantas.

De acordo com o Deral/PR, as lavouras apresentam, em sua maioria, boas condições sanitárias e fisiológicas. Contudo, as geadas ocorridas no final do mês afetaram talhões localizados em estágios sensíveis, como emborrachamento, florescimento e início do enchimento de grãos, aumentando a vulnerabilidade dessas áreas a danos térmicos.

Em Santa Catarina, de acordo com a Epagri/SC, os trabalhos de semeadura tiveram início de forma pontual, com expectativa de intensificação das operações até o final do mês. Observa-se, contudo, uma retração de 5,6% na área total cultivada em relação à safra anterior, refletindo ajustes regionais na estratégia de cultivo.

Nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, beneficiadas pelas condições climáticas amenas predominantes, que têm favorecido tanto a emergência quanto o estabelecimento inicial das plantas.

 

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