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Técnico de manutenção: na eletrônica, é preciso gente especializada

Técnico de manutenção: na eletrônica, é preciso gente especializada

Esse tipo de tecnologia demanda um técnico de manutenção com conhecimento abstrato, diferente da mecânica, que é visual e palpável

*Por Joel Sebastião Alves – Ao observarmos os objetos à nossa volta, logo identificamos algum componente eletrônico, presença constante no mundo moderno desde uma simples lâmpada, até os computadores e celulares, eletrodomésticos, ferramentas, controles de acionamentos e tantos dispositivos de uso diário e que não percebemos. Assim também acontece nos veículos e máquinas. E o que é um componente eletrônico?

Em poucas palavras: é um “semicondutor” de eletricidade. Qual seja um componente com capacidade de em determinada condição deixar ou não passar a corrente elétrica, ou ainda fazer variar a corrente elétrica de acordo com alguma condição.

Exemplo: um componente que altera alguma de suas características conforme altera a temperatura onde ele se encontra, esse componente pode ser utilizado como um sensor de temperatura, e enviar um sinal elétrico variável para uma central de controle. Simples, rápido e eficiente. Eis a eletrônica! Desde que funcione! Aí entra a manutenção.

Manutenção exige preparo, e a eletrônica requer o conhecimento abstrato, bem diverso da mecânica, que é visual, palpável.

Sendo assim, o técnico de manutenção, para bem realizar os serviços, deverá ter capacidade para assimilar os dois tipos de conhecimentos. Esse é um fato ainda em evolução nas equipes de serviços de manutenção, pois normalmente o mecânico não é afeito ao conhecimento abstrato, portanto possui dificuldades para a eletrônica, assim como o técnico de eletrônica não tem aptidões para mecânica.

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Como instrutor acompanhei de perto essas situações desde os primeiros treinamentos envolvendo o advento da eletrônica nos veículos.

Nos primórdios e com os primeiros lançamentos de veículos com eletrônica embarcada, houve a recomendação para os técnicos em eletrônica realizassem os treinamentos de injeção eletrônica e assim fossem preparados para executarem os serviços de manutenção.

Muito bem, o aprendizado do sistema de injeção eletrônica era muito fácil para quem já domina a eletrônica, porém na hora de executar os serviços envolvia tarefas junto a componentes mecânicos.

Aí se apresentou um problema sério: o técnico de eletrônica não possuía as mínimas condições de lidar com ferramentas e componentes mecânicos, e o aprendizado para tal seria praticamente impossível.

Então se mudou o foco, o mecânico passaria a ter um aprendizado básico de eletrônica e posteriormente faria o treinamento específico. Deu certo? Talvez, ainda hoje há muito desencontros, temos até uma nova profissão, o da mecatrônica, mas com baixos índices de aproveitamento.

Na prática, o que está acontecendo é o pessoal de mecânica adquirindo conhecimentos básicos de eletrônica e assim executando os serviços de manutenção, claro, isso com algumas dificuldades. De quais serviços falamos?

Técnico de manutenção deve ter leveza no manuseio

Ao observarmos com um pouco mais de atenção um trator ou qualquer outro implemento agrícola atual, logo iremos perceber a presença de vários fios e conectores elétricos, e são muitos fios em forma de cablagem ou mais conhecido como “chicote” elétrico, que estão interligados e conectados a vários componentes. Ao compararmos com um trator mais antigo a diferença é saliente. Para um mecânico a fiação é sempre de arrepiar, mas aos poucos vai acostumando-se. Técnico de manutenção: na eletrônica, é preciso gente especializada

O primeiro aprendizado é a cautela e leveza no manuseio de conectores e componentes eletrônico, pois são frágeis e rompem com alguma facilidade, claro que estamos comparando com componentes mais resistentes, como é o caso dos componentes mecânicos, que normalmente são de ligas metálicas e mais robustos.

Esse foi um dos primeiros obstáculos a ser superado: cuidados especiais no manuseio. Houve muitas perdas de componentes até chegarmos a um patamar aceitável. Depois, o aprendizado de saber utilizar os aparelhos de diagnósticos e o multímetro.

E por fim a execução dos serviços, sendo que nesse momento é onde aparece a grande vantagem a ser destacada, e o mecânico logo percebe: os serviços de pesquisar e detectar o problema ficaram mais fáceis. Aquela ação que envolvia tempo para buscar detectar onde poderia se encontrar a pane no funcionamento, agora ganhou um aliado de confiança, qual seja: o equipamento de diagnóstico.

Tanto na manutenção preventiva quanto na corretiva a identificação da falha agora está mais facilitada. Claro, se fazem necessário alguns procedimentos de confrontação das informações apresentadas pelo equipamento, daí a importância do conhecimento mecânico para não cometer um erro de interpretação.

Em muitos casos em que o mecânico apenas observou o resultado apontado no equipamento de diagnóstico, e realizou a substituição de um determinado componente, indicado com possível falha, sem realizar uma busca mais acurada no conjunto mecânico ou sistema onde o mesmo está inserido, o problema ou falha voltou a se apresentar. Então faltou uma interpretação do funcionamento de todo o conjunto mecânico do sistema onde o componente eletrônico é integrado.

Por exemplo: o operador informa que a luz de advertência de superaquecimento do motor em certos momentos acende ou fica piscando; o técnico de manutenção ou mecânico conecta o equipamento de diagnóstico e esse acusa falha no sensor de temperatura do líquido de arrefecimento: substitui o sensor? E o líquido de arrefecimento, está correto? Aí está a diferença entre conhecer o sistema e seus funcionamentos.

Assim, o técnico de manutenção irá primeiramente verificar todo o sistema de arrefecimento do motor, pois pode ser o líquido inadequado, ou até mesmo a polia ou correia de acionamento da bomba d’água. O equipamento de diagnóstico e os componentes eletrônicos são aliados primordiais, mas o conhecimento e os serviços são de características mecânicas.

Realidade estabelecida

Numa breve síntese, podemos afirmar que a eletrônica é uma realidade estabelecida definitivamente no maquinário, sendo possível entender seu funcionamento da seguinte maneira: o componente central de todo um sistema eletrônico é a unidade de controle, que nada mais é do que um microprocessador de dados, sendo que para tal necessita ser abastecido de informações que são enviadas pelos diverso sensores.

A partir do programa instalado na unidade de controle, então essa processa as informações e envia para os diversos pontos a serem controlados. Esses componentes são identificados como atuadores, e deverão modificar ou alterar alguns funcionamentos do sistema onde estão inseridos. Esses atuadores são componentes eletromecânicos, eletros-hidráulicos, ou eletros-pneumáticos. Esquematizando: sensores enviando sinais, unidade central processando informações, e atuadores entrando em ação.

Técnico de manutenção: na eletrônica, é preciso gente especializada

Exemplificando: sistema de injeção eletrônica diesel. Vários sensores tais como: sensor de RPM do motor, sensor de posição do acelerador, sensor de temperatura do ar, sensor do líquido de arrefecimento, sensor de posição do eixo de comando de válvulas, entre outros, enviando informações para a unidade central (também identificada de unidade eletrônica).

Essa processa as informações recebidas e envia um sinal aos bicos injetores, determinando o tempo de abertura dos mesmos, bem como a quantidade de vezes que devem abrir para cada momento de injeção do combustível. Assim, a unidade eletrônica controla totalmente a injeção do diesel e, por conseguinte o regime de funcionamento do motor. De maneira similar são os demais sistemas eletrônicos de controle, tanto da transmissão, como da tração e do sistema hidráulico. A eletrônica está presente em todos os conjuntos mecânicos da máquina.

Componentes eletrônicos e mecânicos convivem lado a lado hoje nas oficinas, bem como junto ao ferramental mecânico está o multímetro e os equipamentos de diagnósticos. Há que se fazer um destaque para a grande diversidade de sistemas usados pelos fabricantes, pois tal fato desencadeou uma diversidade de sistemas e equipamentos de diagnósticos, acarretando custos elevados para aquisição dos equipamentos.

Em várias situações, já se tentou uniformizar tais sistemas e criar um padrão de diagnósticos, mas ainda não se chegou a um consenso, pois envolve tecnologias específicas de fabricantes que não lhes são interessantes tal padronização. Inclusive houve tentativa por parte da ISO, mas não foi possível. É um verdadeiro paradoxo, pois o que era para simplificar, leva em muitos casos a dificultar os serviços e encarece os custos de manutenção.

Sistemas de controle e monitoramentos

Outro aspecto que também contribui para encarecer e dificultar as operações das máquinas e implementos é a diversidade de sistemas de controle e monitoramentos empregados e oferecidos aos usuários, pois cada fabricante tem o seu sistema. O produtor defronta-se com situações inacreditáveis de adquirir um implemento e ainda ter que instalar um programa adicional, com novos monitores e adaptadores para que possa ser integrado ao que já possui no trator.

Há caso da cabine do trator apresentar-se como uma sala de informática, tantos são os monitores e cabos conectados, uma verdadeira poluição de TI. Claro, já há empresas de TI que estão buscando soluções para agrupar todos os sistemas em um único módulo central e conectado a apenas um monitor, porém os custos ainda elevados.

Com advento da IoT no agro talvez haja uma aceleração e com menor custo. Assim esperamos. A tecnologia está aí para nos oferecer recursos e facilidades, estamos em um momento que tanto se recorre a tais recursos da ciência, lembro-me do grande escritor russo Leão Tolstoi, que nos brinda com suas preciosidades: “A verdadeira ciência, a verdadeira arte, é a ciência e a arte de viver; e isso é viver fazendo o mínimo possível de mal e o máximo possível de bem.” Se é para o bem de todos, então sigamos em frente com todos esses recursos que são oferecidos e disponibilizados junto ao maquinário, e o mecânico que trate de acostumar-se em lidar com tais recursos.

Ainda se faz necessário mais uma alerta: os campos magnéticos presentes em todos esses comandos e controles efetuados a distância entrarão também em choque? Ou apenas saturação e poluição magnética? O tempo dará a resposta no momento oportuno, e a terceira lei de Newton – ação e reação – nos mostrará o caminho. Confiamos que o bem será o vencedor.

* Joel Sebastião Alves é instrutor de operação e manutenção de máquinas e implementos agrícolas e rodoviários

 

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