Venda de máquinas agrícolas sobe 20,7%, mas tarifaço dos EUA traz incerteza

Clarisse Sousa – O mercado de máquinas agrícolas cresceu 20,7% no primeiro semestre de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado, somando R$ 33,2 bilhões em faturamento, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta quarta-feira (30).

Somente no mês de junho, o setor faturou R$ 6,3 bilhões – um aumento de 12,2% em relação ao mesmo mês de 2024. Na comparação com maio deste ano, no entanto, houve um recuo de 3,6%.

“Esse crescimento de 20,7% é bastante expressivo. É, de fato, um número relevante e interessante”, avalia Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq.

A previsão para os próximos meses, no entanto, é incerta. Isso porque o mercado de máquinas agrícolas pode ser diretamente impactado pelo tarifaço de 50% anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A preocupação maior recai sobre as cadeias do café, bovinos e laranja, que representam cerca de 17% das vendas de máquinas agrícolas no país, segundo Estevão.

“Desde o ano passado, vínhamos trabalhando com uma projeção de crescimento de 8% para 2024. Chegamos a discutir a possibilidade de rever esse número. Agora, passados seis meses, começamos a nos preparar para apresentar um resultado maior”, afirma Estevão.

“Isso considerando que o Plano Safra já está em vigor e que os volumes de recursos ficaram dentro do que esperávamos. Somando todas as linhas disponíveis, estamos falando de quase R$ 30 bilhões. É um valor bastante razoável, considerando que as taxas de juros estão abaixo da Selic. A taxa é boa? Não, ainda é alta. Mas, ao menos, o recurso está disponível”, completa.

Porém, o tarifaço dos EUA, que pode entrar em vigor a partir de 1º de agosto, frustrou as expectativas do setor. “Com o tarifaço anunciado pelo governo Trump, o cenário ficou um pouco nebuloso. Alguns fatores ainda precisam ser avaliados em determinadas culturas. A verdade é que não sabemos o que vai acontecer.”

Enquanto as culturas de café, bovinos e laranja são diretamente afetadas, “as demais seguem em um clima de incerteza, com produtores inseguros e até desanimados. Enquanto esse imbróglio não for resolvido, continuamos sem saber o que está por vir”, avalia Estevão.

“Se as negociações não forem concretizadas, podemos perder 17% em faturamento. Além disso, quando falamos de exportações para os EUA, 10% dos nossos produtos têm como destino aquele mercado. Se as vendas forem interrompidas, estimamos uma queda de 1,7% nas vendas totais.”

Apesar do cenário instável, Estevão acredita que ainda há espaço para negociação. “Precisamos aguardar os desdobramentos desse tarifaço para entender qual será o impacto final no faturamento do setor de máquinas agrícolas.”

Exportações e importações

As exportações de máquinas agrícolas também apresentaram crescimento no primeiro semestre de 2025. No acumulado de janeiro a junho, o aumento foi de 12,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Em junho, as vendas externas cresceram 10,9% na comparação com maio. Frente a junho do ano passado, o incremento chega a 27,8%.

As importações, por sua vez, caíram 10,8% em junho ante maio e 4,7% em relação a junho de 2024. No acumulado do ano, houve recuo de 2,3%.

Tratores e colheitadeiras

O segmento de tratores e colheitadeiras também teve aumento nas vendas totais ao longo de 2025, com 27.415 unidades comercializadas até junho, frente às 23.756 registradas no mesmo período de 2024, um incremento de 15,4%.

 

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