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Produção de café cresce no Brasil, enquanto preços continuam altos
Notícias

Indústria de café cresceu 85% na última década

Por redação 26/01/2023
Escrito por redação

Em comparação, indústrias de produtos alimentícios e de transformação tiveram alta de 34% e 18%, respectivamente

Produtividade da indústria de café cresceu 85% na última décadaPesquisa recente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo indica que, em termos relativos, a produtividade real da indústria de café aumentou 85% nos últimos dez anos, enquanto a indústria de produtos alimentícios cresceu, em média, 34%, e a da indústria de transformação teve alta de 18%.

O levantamento Agronegócio do Café – Produção, Transformação e Oportunidades aponta também que as empresas de beneficiamento de café registraram aumento real de 16% no faturamento líquido de vendas entre 2011 e 2020, saindo de R$ 11,6 bilhões para R$ 13,5 bilhões.

A atividade industrial dos produtos de café gerou R$ 4,2 bilhões em valor da transformação industrial, o que representa 1,6% do valor da transformação industrial dos produtos alimentícios, sendo São Paulo o estado com maior destaque no quesito agregação de valor, com R$ 1,1 bilhão. O estado de Minas Gerais aparece logo em seguida, com R$ 929 milhões.

Indústrias brasileiras

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Internamente, o setor tem relevante papel em termos econômicos e sociais. No total, são 1.050 unidades industriais de beneficiamento, que ocuparam 20,1 mil pessoas e pagaram, em 2020, mais de R$ 760 milhões em salários e mais de R$ 468 milhões em encargos trabalhistas e sociais, totalizando um gasto com pessoal de R$ 1,23 bilhão.

Os paulistas ocupam a segunda posição tanto em número de unidades de produção, o equivalente a 18% do total de empresas de café ativas no país, quanto em geração de empregos no beneficiamento do café, empregando 3,5 mil pessoas. São Paulo é o estado com maior desembolso em gastos com pessoal, R$ 481,2 milhões.

26/01/2023 0 Comentários
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As perspectivas mais concretas para a mecanização agrícola
Revista

As perspectivas mais concretas para a mecanização agrícola

Por redação 25/01/2023
Escrito por redação
As perspectivas mais concretas para a mecanização agrícola

Uma abordagem sobre a aplicação das teorias que norteiam a gestão operacional e administrativa na produção de grãos

Por Rodrigo Yudi Palhaci Marubayashi1, José Leonardo Bruno2 e Ricardo Ralisch3

Prezados leitores!

Finalizamos mais um ano e é comum realizarmos nesta ocasião uma retrospectiva.

É isso que nos propomos a trazer para esta edição, uma avaliação dos recentes acontecimentos na área da mecanização e quais são as perspectivas mais concretas.

Deve ser claro para todos que a Mecanização Agrícola é uma das tecnologias mais empregadas na agropecuária e uma das mais antigas. Desde o uso das ferramentas mais rudimentares no início da civilização humana, podemos considerar como adoção da mecanização no apoio à produção agropecuária. Fica evidente, então, quanto a mecanização tem evoluído.

Mesmo atualmente, quando se dá mais ênfase ao surgimento de novas tecnologias, como a engenharia genética e a digitalização do agro, observa-se que a mecanização acompanha esses avanços, mesmo que de forma pouco perceptível. 

Apoio à produção

Melhores condições de obter produção

Isso acontece porque a Mecanização Agrícola é uma tecnologia de apoio à produção. Ou seja, não se trata de uma tecnologia que visa a produção propriamente dita, mas que propicia aos agricultores melhores condições de obter essa produção, empregando, inclusive, as demais tecnologias. Neste aspecto, a mecanização não deve ser uma barreira ou uma limitação na adoção dessas outras tecnologias e sim uma alternativa para seu uso adequado.

O surgimento de novas tecnologias de produção agropecuária com eficiência comprovada, como as de ordem genética, de fertilização ou de controle sanitário das culturas, para citar algumas, impõe à mecanização alguma adequação para que tais tecnologias possam ser aplicadas de forma adequada.

Isso exige uma constante atualização dos agricultores quanto a estes avanços e o que está disponível a custos razoáveis. Não se pode imaginar que a cada evolução tecnológica, haja a troca do parque de máquinas dos agricultores. Deve-se, então, verificar quais recursos cada equipamento dispõe para se adaptar a essas novas propostas.

Uma forma conveniente dos agricultores se manterem atualizados e com acesso a informações de qualidade é justamente consultando sistematicamente revistas técnicas de qualidade, como esta que vocês estão lendo. Manter um acervo dessas revistas permite, inclusive, consultar edições anteriores que tragam artigos que possam interessar. Esse acesso às boas informações técnicas deve ser propiciado a todas as pessoas envolvidas num processo de produção de uma fazenda, podendo ser criados fóruns de debates internos para tratar dos assuntos mais sensíveis e importantes, o que facilita a tomada de boas decisões pelos responsáveis.

Capacitação

Para ter uma boa equipe 

Esse processo de acesso às informações deve fazer parte de uma estratégia de capacitação contínua da equipe da fazenda.

A capacitação da equipe também envolve os treinamentos, a adoção de métodos de programação das atividades, controles de execução das tarefas e indicadores de qualidade e de resultados.

O envolvimento de toda equipe no processo de produção de uma fazenda aumenta o comprometimento das pessoas e pode ser empregado, inclusive, para ampliar a participação no gerenciamento das atividades e do processo produtivo. Analogamente, é importante que as pessoas envolvidas também sejam valorizadas e, para tal, podem ser empregados as participações remuneratórias nos resultados das atividades. Mas há outras formas de reconhecimento que podem ser adotadas paralelamente, que dependem do tamanho da equipe e da originalidade dos gestores.

Avanços recentes

A eletrônica embarcada é a evolução tecnológica associada à mecanização mais recente e em evidência. Isso vem permitindo dotar os equipamentos de sensores que permitem os sistemas eletrônicos associados a verificar em tempo real a qualidade e a eficiência da operação sendo realizada. Os processos eletrônicos têm mais acurácia que a sensibilidade humana, portanto, os equipamentos estão “lendo” o que está sendo realizado melhor que os operadores.

O gerenciamento de dados obtidos a partir desses sensores, associados ao georreferenciamento em máquinas agrícolas, é outro ponto que merece destaque. A análise desses dados, realizada por meio de profissionais especializados, ou através do desenvolvimento de sistemas de IA (Inteligência Artificial), possibilita conhecer melhor as características da propriedade, como: os tipos e variações de solo, os fatores meteorológicos, o relevo e a topografia. Com esse conjunto de informações em mãos, o produtor reforça notavelmente a qualidade e a pertinência de suas decisões, reduzindo os custos, maximizando seus ganhos e sendo mais eficiente. 

Como tudo na eletrônica, as novidades surgem com valores muito caros e pouco acessíveis. Porém, paulatinamente vão reduzindo de preço. É exatamente isso que vem acontecendo na mecanização. Os sistemas de monitoramento eletrônico iniciaram nos equipamentos maiores e mais caros, mas hoje há uma clara tendência de democratização desse acesso, vindo a equipar máquinas médias e pequenas. Isso é muito significativo para essa característica fundiária, pois é para esses segmentos da produção agrícola que a eletrônica embarcada nas máquinas traz os melhores resultados no aumento da rentabilidade. Isto é tão importante e evidente que nós consideramos que deveria ser alvo de uma política pública.

Impactos da mecanização

As perspectivas mais concretas para a mecanização agrícola

Tecnologias recentes de monitoramento das condições ambientais ampliaram e facilitaram a compreensão dos efeitos da mecanização em diversos parâmetros ambientais, como solo, água, atmosfera e biodiversidade. A maior compreensão permitiu propor e adotar medidas de redução desses impactos negativos da mecanização.

Há, inclusive, uma evolução de alguns conceitos importantes, como a compactação e a descompactação do solo, por exemplo, associados a essa evolução tecnológica. A redução dos impactos negativos citados da mecanização e o aumento de seus impactos positivos, como a racionalização do uso de insumos e o aumento da rentabilidade, são os grandes avanços tecnológicos recentes no setor.

Mecanização, agricultura e ambiente

Desses avanços tecnológicos que induziram a evolução de alguns conceitos e a criação de novos, a preservação ambiental é a grande oportunidade da nossa agricultura. O ambiente é o principal ativo da atividade e uma agricultura bem-feita, que preserva o ambiente, será a atividade econômica mais valorizada mundialmente, em breve.

Agricultura conservacionista é o que nós, brasileiros, sabemos fazer e é isso que nós ensinamos o mundo a fazer. O Brasil é o único país do mundo que vem desenvolvendo o conceito de Mecanização Conservacionista, criando parâmetros adequados para tal.

Portanto, o momento pelo qual passamos é muito oportuno. A perspectiva de que os temas ambientais retornem às discussões de forma adequada é o assunto mais importante para a agropecuária e para a Mecanização Agrícola brasileiras. Fiquem atentos. Tenham todos boas safras e um excelente 2023!

1Professor de Mecanização Agrícola no Depto de Agronomia – UEL – marubayashi.yudi@gmail.com

2Diretor da Fazenda-Escola da Universidade Estadual de Londrina –  leonardobruno@uel.br

3Professor aposentado e conselheiro da FEBRAPDP – ricardoralisch@gmail.com

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25/01/2023 0 Comentários
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A gestão de qualidade em sistemas de semeadura
Revista

A gestão de qualidade em sistemas de semeadura

Por redação 25/01/2023
Escrito por redação
A gestão de qualidade em sistemas de semeadura

Uma abordagem sobre a aplicação das teorias que norteiam a gestão operacional e administrativa na produção de grãos

Por Afonso Peche Filho e Roberto da Cunha Mello

Alisando formas de gestão operacional de diferentes locais do Brasil, podemos afirmar que é marcante a falta de conhecimento por técnicas que monitoram e promovam a qualidade nas operações agrícolas. O conceito da qualidade operacional fica muito atrelado à qualidade de insumos e pouco foco tem-se na melhoria contínua do desempenho. Além disso, os administradores e gerentes aceitam passivamente o uso inadequado da tecnologia. É comum encontrar lavouras com defeitos operacionais básicos, com alto risco de geração de impactos ambientais, e custo operacional alto.

Uma forma de mudar essa característica é buscar a inovação nos modelos de gestão e investir  na capacitação de gerentes e pessoal de apoio. É necessário promover mudanças, modernizar e avançar para aperfeiçoar a utilização tecnologia disponível. 

Neste contexto, a filosofia e as técnicas da qualidade total são ferramentas poderosas que podem contribuir com mudanças significativas e consolidar uma nova ordem na gestão operacional que é a convivência com o controle de qualidade e com a melhoria contínua. 

O objetivo deste artigo, divido em duas partes, cuja primeira vocês acompanham abaixo e, a segunda, na edição 74, é contribuir para a discussão sobre aplicação das teorias que norteiam a gestão operacional focada na qualidade de sistemas de produção de grãos.  

Conceitos fundamentais

Fundamentos da gestão de qualidade

Gestão da qualidade é tanto uma filosofia quanto um conjunto de conceitos-guia, princípios e práticas que representam os fundamentos de uma organização em contínuo aperfeiçoamento. Aplica-se aos recursos humanos e aos métodos quantitativos e subjetivos para o aperfeiçoamento dos materiais e serviços, para melhoria de todos os processos internos e para aumento da capacidade da sua empresa em atender as necessidades atuais e futuras dos clientes e do mercado. Integra ações da administração, do gerenciamento e do operacional. Integra esforços para otimização da tecnologia num processo disciplinado, claro e contínuo de aprimoramento de processos.

Gestão da Qualidade Total significa um conjunto de ações através do qual uma organização cria e sustenta uma cultura comprometida com o contínuo aprimoramento. Gestão da qualidade total de acordo com Hunt, 1994, trata tanto da qualidade do gerenciamento como do gerenciamento da qualidade. Isto envolve cada um dentro de uma organização num esforço sistemático e de longo prazo para desenvolver processos flexíveis e sensíveis, orientados para o consumidor e de constante aprimoramento da qualidade.

A organização que adota a Gestão da Qualidade Total estará buscando deliberadamente criar um ambiente de trabalho dinâmico e positivo, fomentando o trabalho de equipe, aplicando métodos quantitativos e técnicas analíticas, apoiando a criatividade e o talento de todos os seus funcionários.

A filosofia de gestão da qualidade busca a compreensão do conceito de variação e suas implicações no aprimoramento dos processos. A gestão da qualidade total atinge todas as formas de trabalho e aplica-se igualmente a cada pessoa dentro das organizações, incluindo a alta administração, o pessoal de supervisão, os prestadores de serviços, pessoal da produção, funcionários administrativos e operários.

A Gestão da Qualidade não é um fim, mas um caminho em direção ao aprimoramento.

Feigenbaum, 1994 apresenta 9 fatores influenciadores da qualidade, e neles as organizações devem ter atenção:

Mercados: ditam as regras, mudam sempre, principalmente para empresa que procuram intensificar a qualidade ofertada a seus clientes.

Dinheiro: as recessões obrigam a revisão de custos, a diminuição dos custos proporciona ações para eliminação de retrabalho e aprimora a competitividade.

Gestão: É a alternativa para o aperfeiçoamento e a busca pelos altos índices de qualidade.

Informação: os sistemas cada vez mais técnificados obrigam a gestão para criar qualidade.

Máquinas e Mecanização: as inovações tecnológicas caminham muito próximas da qualidade.

Materiais: alternativas mais econômicas e menos poluentes geram produtos com qualidade.

Montagem de Produtos: a observação, as exigências, detalhes possibilitam a confecção de um produto final com qualidade. 

Pessoas: o capital intelectual é o maior investimento das empresas.

Motivação: a recompensa é necessária para funcionários que se destacam de forma criativa e inovadora.

Entre importantes conceitos que norteiam a exploração agrícola podemos destacar pelo menos seis que expressam a prática de uma agricultura focada no aprimoramento contínuo do seu sistema de produção.

O termo Sistema significa um conjunto de fatores, componentes ou elementos que se integram direta ou indiretamente de maneira que a modificação ou alteração de um acaba afetando os demais. Então o Sistema de Produção de Feijão pode ser definido como um conjunto de elementos integrados para ambientes agrícolas produtivos e lavouras competitivas.

Gestão significa o conjunto de atividades coordenadas no sentido de viabilizar a administração, a gerência e a operacionalização de uma organização ou um sistema de produção agrícola. 

Monitoramento operacional  é uma ferramenta de acompanhamento do ambiente operacional antes, durante e depois da execução com o objetivo de caracterizar o comportamento de elementos que influenciam na qualidade dos resultados. Entre os elementos de monitoramento nas operações podemos destacar: previsões e variações climáticas, tipo e estagio fisiológico das plantas de cobertura (mato ou cultivos), grau de cobertura do solo, umidade do solo, germinação e estado fisiológico de plântulas, nível de desgaste de máquinas, índice de quebras, armazenamento e consumo de insumos, potencial e riscos de geração de impactos ambientais, segurança e saúde dos operadores, perdas, desperdícios e defeitos.

Controle operacional pode ser definido como um instrumento de averiguação se as atividades efetivas estão ocorrendo de acordo com as atividades que foram planejadas. Na prática o controle pode ser entendido como a coleta de informações em tempo real e a comparação dos resultados com padrões previamente estabelecido com a finalidade de corrigi-los se necessário. O controle de qualidade operacional consiste em ações para manter os padrões dentro de uma norma, regra ou diretriz pré-estabelecidas. São ações para garantir a qualidade dos resultados operacionais.

Qualidade operacional pode ser definida como o resultado que atende em maior ou menor intensidade as expectativas criadas em função das recomendações técnicas e da tecnologia utilizada. Um ponto fundamental na gestão operacional é ter estratégias para monitorar e controlar a qualidade dos resultados operacionais. 

Na semeadura, um ponto fundamental para o entendimento da gestão na qualidade operacional é percepção da integração de ações administrativas, gerenciais e executivas influenciando no resultado da operação.

Confira, no quadro abaixo, os sete mandamentos da execução eficiente:

gestão de qualidade - A gestão de qualidade em sistemas de semeadura

 

Influência administrativa 

Ações necessárias no planejamento

Para fins de entendimento sobre a gestão da qualidade definimos que todas as atividades que envolvem burocracia fazem parte do administrativo, assim ações relacionadas com planejamento, custos, compras, vendas, treinamento são exemplos de ações administrativas que potencialmente exercem influências sobre a qualidade operacional da semeadura. 

Um bom planejamento operacional prevê tempo e recursos para avaliar o estado estrutural das máquinas bem como as condições da superfície e subsuperfície do solo. Ao estabelecer um plano para recondicionar a semeadora para uma nova jornada de trabalho o administrador está dando condições para que a operação ocorra livre dos efeitos de desgastes e fadigas das peças.

As substituições que por ventura são realizadas necessitam de um tempo para serem ajustadas e testadas no contexto funcional da máquina. Esse ajuste funcional é fundamental para que não ocorram surpresas na hora que a semeadura começar.

A decisão sobre a qualidade do insumo a ser utilizado na máquina é de caráter administrativo e influencia diretamente no desempenho operacional. Para questões relacionadas com peças e insumos (sementes, graxa e fertilizantes) e peças vale a premissa básica: “Não existe qualidade na semeadura sem garantia da qualidade de peças e insumos”. 

O treinamento operacional também é uma atividade administrativa que influencia muito na qualidade final das linhas de plantio. Em primeiro lugar é importante entender que cada safra é um novo desafio. Entender que em operações agrícolas o que já foi realizado é um passado que não volta mais, só resta resultados positivos e negativos.

O treinamento de operadores deve contemplar assuntos relacionados com os resultados da safra anterior e estratégias operacionais para a safra futura. Lembrar que o treinamento operacional para a semeadura não envolve somente operadores e sim ajudantes (badecos e auxiliares), envolve também logística e fisiologia vegetal. 
Gestão gerencial

A gestão da qualidade em sistemas de semeaduraPara fins de entendimento sobre a gestão de qualidade definimos que todas as atividades que envolvem liderança, condução, orientação e controle fazem parte da gerência, assim ações relacionadas com desenvolvimento profissional, formação de equipe, escalação de pessoal, ritmo e metas operacionais, elogio, punição, eficácia e eficiência são exemplos de ações gerenciais que potencialmente exercem influências sobre a qualidade operacional da semeadura. 

Cabe ao gerente traçar o perfil e formar boas equipes, saber estimular e tirar o máximo dos seus profissionais. Com o nível de tecnologia que os gerentes têm a disposição é inaceitável entregar a operação de semeadura a colaboradores não habilitados para tal. O gerente como um maestro tem que conduzir a semeadura do começo ao fim num padrão de qualidade que permita otimizar todo potencial genético do cultivar escolhido. Todos sabem que não basta germinar é preciso que a planta chegue à colheita produzindo muito mais do que foi investido nela. 

O ritmo operacional é outro fator importante na semeadura pois está relacionado com o clima e com o período que o cultivar impõe. Normalmente, no Brasil, a “janela de plantio” é pequena para o número de semeadoras disponível na propriedade. Nestas condições começar e terminar a semeadura vira um dilema para o gerente, pois as condições do solo impõe muitas restrições ao pleno desempenho dos componentes da máquina. 

Uma diretriz gerencial que estimule os operadores a aumentar o ritmo da operação somente aumentando a velocidade fatalmente vai comprometer a qualidade da lavoura. Os gerentes precisam encontrar soluções para operar com qualidade no “seco ou no molhado” e estimular as equipes buscarem estratégias para acertar mais em condições adversas de plantio. 

Normalmente, os gerentes agrícolas brasileiros não trabalham norteados pelos conceitos de eficácia e eficiência operacional e isso conduz a uma orientação deficiente para as equipes. Operar com eficácia é executar a operação corretamente, ajustada as condições para produzir resultados dentro dos padrões de qualidade agronômica. Operar com eficiência é repetir os padrões de qualidade nas diferentes condições do terreno, buscando sempre um menor custo, sem paradas sem perdas e sem desperdícios. 

Gestão operacional

Para fins de entendimento sobre a gestão de qualidade definimos que todas as atividades que envolvem execução, função, objetivo, procedimentos, padrões, desempenho, fazem parte do operacional, assim ações relacionadas com regulagens e operação de máquinas, logística, abastecimento, lubrificação, manutenção, apontamentos, controle são exemplos de ações operacionais que exercem influências sobre a qualidade da semeadura.

Um ponto fundamental para a gestão de qualidade operacional é entender que a empresa precisa adotar padrões de desempenho, que contemplem ações que expressam os esforços em atender as exigências que a tecnologia adotada impõe. Assim os padrões operacionais na execução passam por entender os componentes das semeadoras e as suas relações com o solo, com a planta e com a jornada de trabalho. 

Entender as relações dos componentes da semeadora com as condições do solo vai permitir orientar muito bem a execução para atender os padrões de qualidade e resultar numa linha que atinge os objetivos tecnológicos da empresa. 

Entender as relações dos componentes com a planta vai permitir orientar a execução para que os resultados contribuam com o perfeito desenvolvimento fisiológico da planta.

A qualidade operacional da semeadura é responsável em grande parte pelo sucesso da fase germinativa que é fundamental para uma boa produção. Ela é também muito influenciada pela qualidade da graxa e pela qualidade do serviço de lubrificação. Portanto a aquisição da graxa deve primeiro atender as especificações técnicas recomendada pelo fabricante e depois vem o preço e a disponibilidade de entrega. A capacitação dos profissionais que vão lubrificar e fazer a manutenção mecânica ficam a cargo do administrativo. 

Afonso Peche Filho e Roberto da Cunha Mello são pesquisadores científicos – Instituto Agronômico

 

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25/01/2023 0 Comentários
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Desafios 2023: fatores que produzirão uma desaceleração econômica
Revista

Desafios 2023: fatores que produzirão uma desaceleração econômica

Por redação 25/01/2023
Escrito por redação
Desafios 2023: fatores que produzirão uma desaceleração econômica

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) (de outubro/22), a economia mundial deverá registrar alta de 2,7% ao longo de 2023, inferior ao resultado estimado de 2022

Por André Diz, Roberta Possamai e Felippe Serigati

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) (de outubro/22), a economia mundial deverá registrar alta de 2,7% ao longo de 2023, inferior ao resultado estimado de 2022, com variação esperada de 3,2%. Esse cenário de acomodação das taxas de crescimento engloba tanto os países avançados (1,1% em 2023 contra 2,4% em 2022 – que configura uma desaceleração econômica) quanto os emergentes (3,7% para 2022 e 2023). 

Além disso, considerando os principais parceiros comerciais do Brasil, o cenário de menor crescimento econômico ao longo de 2023 também se mantém, com China, União Europeia e Estados Unidos expandindo, respectivamente 4,4%, 0,7% e 1,0%. 

É importante ressaltar que a economia brasileira não será exceção nesse cenário de desaceleração econômica e, em 2023, também será marcada, provavelmente, pelo menor crescimento econômico, sendo impactada, inclusive, pelas menores taxas de expansão do PIB das principais economias do globo. 

Nesse sentido, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central, as projeções indicam alta de 3,0% para 2022, mas de apenas 0,8% para 2023. Além disso, a instituição enfatiza que as projeções para o próximo ano contam com maiores incertezas do que o usual, uma vez que a concretização das expectativas irá depender de diversos fatores, tanto internos quanto externos, sendo que os principais serão vistos, brevemente, a seguir. 

gestão de qualidade - Desafios 2023: fatores que produzirão uma desaceleração econômica
Escalada global da inflação

Inflação mundial elevada

O movimento de normalização da circulação de pessoas e mercadorias ao longo de 2021, após o pior momento da pandemia de Covid-19, juntamente com a desorganização da cadeia produtiva mundial, pressionou os preços de diversos bens e serviços desde o fim do segundo trimestre de 2021.

Se por um lado, o desequilíbrio da cadeia global de suprimentos (falta de peças e componentes) gerou problemas na oferta; de outro lado, as políticas fiscais e monetárias de sustentação da atividade econômica (como isenção de tributos, pagamento de auxílios financeiros à população mais vulnerável, dentre outros) mantiveram a demanda elevada.

A consequência natural do descompasso entre os fundamentos da economia foi a escalada global da inflação em praticamente todos os mercados do planeta.

Além disso, como se não bastasse esse cenário, no fim do primeiro trimestre de 2022, ocorreu o início do conflito bélico entre Rússia e Ucrânia que, dentre outras consequências, desorganizou ainda mais os mercados essenciais para economia mundial (como petróleo, gás e alimentos), aumentando, de forma geral, os preços, que já se encontravam em patamares elevados.

O resultado foi uma crescente pressão sobre os níveis gerais de preços. Combustíveis mais caros elevam os preços de todos os demais produtos pelo encarecimento do transporte. Gás mais caro eleva o preço da energia, insumo para qualquer atividade produtiva, seja industrial ou de serviços.

Por fim, a desorganização na cadeia de algumas commoditites agrícolas seja pelo conflito europeu (trigo), seja por questões climáticas no hemisfério norte (milho) ou no hemisfério sul (soja), encerram um quadro de forte pressão inflacionária.

Conflito bélico no Leste Europeu

Guerra: sem perspectiva de acabar

Conforme visto anteriormente, no final de fevereiro de 2022, foi iniciada a ofensiva da Rússia na Ucrânia, trazendo diversas consequências que, dentre as principais, está o aumento dos preços de bens essenciais, a piora do quadro de insegurança alimentar no planeta e a maior dificuldade de recuperação das economias em um contexto pós-pandemia.

Ou seja, o conflito entre essas economias do Leste Europeu já trouxe graves consequências e o prolongamento da mesma trará outras, podendo levar as principais economias do planeta a entrar em recessão ou até mesmo entrar em “estagflação” (elevada inflação e baixo crescimento econômico – uma desaceleração econômica).

Aperto monetário

A desaceleração econômica em diversas nações 

Diante de todo esse cenário adverso, a correta resposta dos bancos centrais do planeta para tentar conter a escalada da inflação tem sido a elevação das taxas básicas de juros. Esse movimento de aperto monetário, vale ressaltar, já está gerando efeitos na inflação de importantes nações, como os Estados Unidos (porém, ainda longe do ideal).

Contudo, a intensidade, a amplitude e o horizonte de persistência dessas medidas, justificam ainda mais as perspectivas de desaceleração das taxas de crescimento da economia mundial.

No caso específico da economia brasileira, por um lado, esse movimento de aumento dos juros básicos nos mercados externos mantém a taxa de câmbio em patamares mais elevados, fato que contribui para o fortalecimento das exportações e consequente encarecimento das importações.

No entanto, a dificuldade em estancar a alta da inflação, (que deve encerrar 2022 com uma alta de 5,9% e, 2023, em 5,1%), mantém as taxas básicas de juros da economia brasileira em patamares elevados (13,75% em 2022 e 11,75% em 2023), encarecendo o crédito no mercado doméstico e freando a expansão de parte dos investimentos do setor agropecuário, inclusive de máquinas e implementos.

Efeitos da pandemia

Política de Covid-19 na China

Desde o início da pandemia de Covid-19, a China adota a política de “Covid Zero”, impondo regras bastante rígidas à sua população, com fortes controles nas fronteiras e radicais lockdowns.

Naquele momento, quando não existiam vacinas para a doença, outras nações adotaram as mesmas políticas, mas foram flexibilizando assim que as vacinas foram surgindo, ao contrário da economia chinesa, que ainda adota as mesmas medidas, com iguais ou maiores intensidades.

Essa política, além de não conter a disseminação atual do vírus que, com a variante Ômicron, tornou-se ainda mais transmissível, está restringindo o crescimento econômico do país e dificultando a recuperação da cadeia global de suprimentos no mundo inteiro, sem contar a insatisfação popular que essas medidas estão causando nos chineses.

No entanto, é importante ressaltar que, com a forte pressão popular, no início de dezembro/2022, o governo da China declarou que vai flexibilizar algumas das restrições impostas para combater a disseminação da Covid-19, porém, não deixou claro quais serão as medidas.

Além disso, as consequências para a economia e para o sistema de saúde são ainda mais incertas, uma vez que a vacinação continua em baixa no país.

Fatores internos relevantes e incertos

Desaceleração econômica no Brasil

O Brasil, claramente, não sairá imune à desaceleração econômica das principais economias do mundo, à possível manutenção do conflito entre Rússia e Ucrânia, ao aumento dos juros em importantes nações (como Estados Unidos e países da União Europeia), bem como não saíra ileso às medidas tomadas pela economia chinesa.

Além desses fatores externos, outras razões internas, provavelmente, irão contribuir para a desaceleração do PIB nacional. Entre elas:

  • Para conter a inflação, o Banco Central tem aumentado os juros nos últimos meses. A política monetária contracionista, de modo geral, demora a gerar reflexos, devendo impactar o crescimento econômico somente em 2023.
  • Incertezas sobre a política fiscal implicam em uma moeda nacional mais depreciada, o que piora as expectativas de inflação. Com isso, o Banco Central tem dificuldades de reduzir a taxa de juros, gerando efeitos negativos para a atividade econômica.

Diante disso, fica claro que não faltam motivos para explicar a perspectiva de desaceleração econômica brasileira neste ano, uma vez que o cenário externo e o interno contribuem para isso.

No entanto, é importante destacar que, se o novo governo fizer um esforço para melhorar a política social, sem abrir mão da fiscal, o país teria muito a ganhar em termos econômicos, notadamente, no longo prazo.

Perspectivas para o Agro em 2023

Agro deve passar ileso

Em 2023, o agronegócio, assim como a economia brasileira, também não deve passar ileso pela provável desaceleração mundial e pela manutenção do conflito bélico no Leste Europeu. Isso porque, esses fatores, possivelmente, deverão influenciar o comportamento das exportações do setor.

No cenário doméstico, os custos de produção podem ser pressionados pela desvalorização da moeda nacional, dependendo das incertezas sobre a condução da política fiscal e do controle das despesas públicas.

No entanto, a boa notícia fica por conta de uma nova expansão da safra, que deve atingir 293,6 milhões de toneladas em 2023 (IBGE), da manutenção do crescimento da produção animal (IPEA) e pela alta esperada do PIB da agropecuária em 4% ao longo dos próximos 12 meses (BACEN).

¹ Mestre em Economia Aplicada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP) e pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro).

² Mestre em Agronegócios pela Escola de Economia de São Paulo (EESP/FGV) e pesquisadora do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro). roberta.possamai@fgv.br

³ Doutor em Economia pela Escola de Economia de São Paulo (EESP/FGV), professor e pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro). felippe.serigati@fgv.br

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25/01/2023 0 Comentários
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Notícias

Sistema ILPF é um grande aliado para a produção sustentável

Por redação 24/01/2023
Escrito por redação

Sistemas integrados ILPF podem ser adotados em modalidades variadas para os mais diversos portes de propriedades e diferentes cultivos

Sistema ILPF é um grande aliado para a produção sustentávelApesar dos avanços no uso de tecnologias produtivas por parte dos produtores rurais, cerca de 50% das áreas de pastagens estão em algum estágio de degradação. Diante do cenário atual e perante as mudanças climáticas, o Brasil tem um grande desafio, que é produzir alimentos para atender a população crescente, sem abrir novas áreas. Neste contexto, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) traz a possibilidade de aumentar a produção de alimentos em uma mesma área e contribuir na recuperação de pastagens degradadas.

“Conceitualmente, a ILPF é uma estratégia de produção onde ocorre o cultivo em uma mesma área de espécies agrícolas, florestais e pecuária, seja em consórcio, sucessão ou rotação, buscando efeitos sinérgicos entre seus componentes, diz Marina Lima, Zootecnista e Técnica de Sementes e Sustentabilidade da SOESP.

Conheça os indicadores do painel para operar o trator

Sistemas integrados ILPF

Entre os sistemas integrados que podem ser adotados pelos produtores, pode-se destacar quatro modalidades:
Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Agropastoril:

Este sistema de produção integra espécies agrícolas e pecuárias, em consórcio, sucessão ou rotação em um mesmo ano agrícola ou por vários anos. Nessa modalidade não há a presença do componente arbóreo e é a modalidade mais adotada pelos produtores rurais, com aproximadamente 83% de adoção, principalmente pela maior facilidade de cultivo e retorno econômico a curto prazo.

Integração Lavoura-Floresta (ILF) ou Silviagrícola:

Com este sistema de produção há a integração de espécies florestais em consórcio com cultivos agrícolas anuais ou perenes. “Esta é mais adotada por pequenos produtores e pelo tempo em que o componente arbóreo está em crescimento e não pode ter a presença do animal. Cerca de 1% dos produtores adotam essa modalidade”, destacou.

Integração Pecuária-Floresta (IPF) ou Silvipastoril:

Um sistema de produção que integra pecuária (pastagem e animais) e espécies arbóreas, em consórcio. “Essa modalidade é adotada por cerca de 7% dos produtores rurais e mais utilizada em áreas que não possuem aptidão agrícola ou com topografia que dificulte o uso de maquinários agrícolas”, acrescenta a especialista.

A quarta opção é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Agrossilvipastoril:

Um sistema de produção que integra espécies agrícolas, florestais e pecuária (pastagem e animais) em rotação, consórcio ou sucessão. “Essa modalidade é adotada por 9% dos produtores rurais. O componente agrícola restringe-se ou não à fase de implantação das árvores”, diz a zootecnista.

Ainda segundo a especialista, é muito importante destacar que a escolha da modalidade mais adequada e das espécies para compor o sistema deve ser feita com base na análise das características da região, condições climáticas, ao mercado local e objetivos do produtor, podendo ser adotada por pequenos, médios e grandes produtores rurais.

Além disso, o tempo de utilização de cada componente na ILPF vai depender do sistema utilizado, como exemplo, a pecuária pode ser utilizada por três meses a cinco anos e retornar com a lavoura que pode ser utilizada por cinco meses ou até cinco anos. Já o componente florestal pode ser utilizado por um período curto ou longo, dependendo da espécie e finalidade.

Com a utilização dos sistemas ILPF, além da intensificação e maior eficiência no uso da terra, diversos benefícios ambientais, econômicos e sociais são gerados. “A ILPF é uma tecnologia que contempla os três pilares da sustentabilidade. O futuro é integrado, dificilmente um produtor que adota a ILPF voltará a utilizar sistemas em monocultivo”, finaliza a especialista.

 

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24/01/2023 0 Comentários
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Revista

Entrevista com Bruno Lucchi

Por redação 23/01/2023
Escrito por redação
gestão de qualidade - Entrevista com Bruno Lucchi

Entrevista Bruno Lucchi

Diretor Técnico da Confederação Nacional de Agricultura (CNA)

Um ano de muitos desafios

POR ADRIANA GAVAÇA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve fechar* 2022 no vermelho, com queda de mais de 4% no ano, após uma sucessão de recordes nos últimos anos. Em 2020, o PIB do setor avançou nada menos do que 20%. Em 2021, foram mais 8% de acréscimo. Clima adverso e aumento do custo de produção estão entre os fatores apontados como os vilões de 2022. “Havia uma previsão de 291 milhões de toneladas para a safra de 2021/2022.

O que aconteceu de lá para cá? Tivemos mais uma vez o fenômeno La Niña de intensidade alta, principalmente nos três estados do Sul, mais o Mato Grosso do Sul. Tivemos enchentes em Minas Gerais, na Bahia e em outros estados do Nordeste, que prejudicaram muito essa safra. Pegando só soja e milho, o prejuízo foi de R$ 83 bilhões”, afirmou o diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, durante divulgação dos resultados do setor em 2022 e expectativas para 2023.

Lucchi diz que a entidade trabalha com uma projeção de crescimento do PIB do agro para 2023 de até 2,5%, contra um crescimento previsto para a economia de 0,75%. O executivo falou ainda sobre as perspectivas para o cenário internacional, principalmente em relação à inflação, com a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, e de como isso poderá afetar o Brasil, além de analisar quais serão os principais desafios para o novo governo. Acompanhe!

Que resumo a CNA faz de 2022 para o setor?

Podemos dizer que o clima e os custos de produção elevados derrubaram o PIB do agronegócio. Começando a análise pelo cenário internacional, é preciso lembrar que mal tínhamos saído de uma pandemia, no início de 2022. A economia havia sido reduzida em alguns países, havia voltado a crescer pontualmente em alguns, mas o grande ponto que ocorreu, sem dúvida, foi a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada no início do ano e que perdura até hoje. A guerra trouxe, principalmente, uma questão inflacionária. Mesmo antes, com a Covid-19, que não tinha amenizado totalmente, a inflação não tinha voltado aos patamares anteriores, mas tivemos uma aceleração ainda maior da inflação de energia e alimentos no mundo, a partir do conflito.

Qual o impacto do conflito no cenário internacional?

Países que tinham taxas de inflação baixíssimas, como a Europa, que em 2020 registraram inflação de 0,2% ao ano, e de 5,3% ao ano, em 2021, agora basicamente registram 15% em 2022, puxada principalmente pela questão energética, que foi muito cara para os países europeus, e também pela alta dos alimentos. Muitos países tiveram uma ampliação muito grande na inflação de alimentos, alguns tiveram, inclusive, problemas no abastecimento. Com isso, o PIB do mundo, que cresceu 6% em 2021, deve finalizar 2022 em 3,2%.

E quanto ao Brasil?

No Brasil, no início de 2022, a expectativa era do PIB crescer menos de 1% no ano. Vamos fechar acima de 3%, como aponta o último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. E esse crescimento é muito em função dos auxílios que foram colocados pelo governo e pela redução dos tributos, principalmente dos combustíveis, que impactou muito na inflação brasileira. Os auxílios liberados (Auxílio Brasil, Auxílio Caminhoneiro, Auxílio Taxista e outros) favoreceram o aumento do consumo das famílias, o que, de certa forma, fez o PIB crescer.

A inflação foi controlada, após ter chegado a casa dos dois dígitos, com a elevação constante da taxa Selic, hoje em 13,75%, e outras medidas. Do ponto de vista tributário, a expectativa é de chegar ao final do ano* com uma taxa de inflação de 5,9%. Da mesma forma, o aumento da taxa Selic permitiu que o câmbio não chegasse a valores mais elevados, fechando em R$ 5,25 por dólar.

O resultado que podemos ver é um de superávit de 1,3%, em 2022. Em 2021, já havíamos registrado superávit de 0,8%. Muitos podem dizer que isso se deve à falta de aumento de salários ou que não houve concurso público, mas teve um ponto muito eficiente que foi a digitalização de processos, que ajudou a otimizar os gastos públicos e gerar superávit.

Como se comportou o agronegócio brasileiro?

Havia uma previsão da Conab, em dezembro de 2021, de 291 milhões de toneladas para a safra de 2021/2022. O que aconteceu de lá para cá? Tivemos mais uma vez o La Niña. Tivemos enchentes em Minas Gerais, Bahia e outros estados do Nordeste, que prejudicaram a safra. Pegando só soja e milho, tivemos um prejuízo de R$ 83 bilhões. E a safra fecha o ano, de acordo com o último balanço da Conab, em 231 milhões de toneladas, o que já é um valor muito maior ao registrado na safra anterior. Porém, poderia ter sido bem maior, não fosse o clima e os custos de produção.

Só para se ter uma ideia, comparamos os valores dos fertilizantes e do glifosato, de junho de 2021 a julho de 2022. No período, houve aumento de 100%, quando falamos de cloreto de potássio e de mais de 225%, no glifosato. O Plano Safra, que foi algo que trabalhamos muito, principalmente focando no pequeno e no médio produtor, foi suspenso em fevereiro, o que também dificultou muito a produção. Só que aí, uma medida assertiva que o Ministério da Agricultura tomou foi retomar o Plano Safra, com o Pronaf. Então, para pequenos produtores, da agricultura familiar, o custeio foi mantido.

Para os demais produtores, as linhas só foram reabertas em junho. Isso, de certa forma, onerou ainda mais a produção, porque se o produtor precisasse tomar juros no mercado, essas taxas, com a Selic mais alta, ficaram bem maiores. Como resultado, o custo de produção foi um dos maiores dos últimos anos. Para os produtores, que já haviam comprado os insumos para essa safra 21/22, o impacto ainda razoável.

Mas o custo para essa safra que se desenha agora, de 22/23, os insumos que foram comprados no início e no meio do ano e que estão usados em setembro, outubro e novembro, esses foram adquiridos com valores elevadíssimos! Quando olhamos para as cadeias da soja, do milho, do arroz, do trigo, os aumentos passaram de 40%.

Em resumo…

Vamos fechar 2022 com um PIB do agronegócio de menos 4,1%, principalmente em função da queda da produção e redução dos preços das commodities. O único segmento que vai crescer dentro do PIB do agronegócio é o dos insumos, que deve registrar um crescimento muito elevado.

O que esperar de 2023?

Quando analisamos o cenário internacional, avaliamos que o mundo inteiro vai crescer, porém, em ritmo mais lento. Não teremos percentuais elevados como nos últimos anos. Para 2022, a expectativa é de um crescimento da economia mundial da ordem de 3,2% e, para 2023, de 2,7%. Há uma desaceleração no ritmo de crescimento. Se pegarmos países da Zona de Euro, veremos que isso ainda vai ocorrer em decorrência da pressão inflacionária.

De certa forma, será algo generalizado, salvo poucas exceções. Quando falamos de inflação, imaginamos que ela também vai arrefecer. A tendência é de que ela caia. Porém, não acreditamos que ela volte para os patamares anteriores, em boa parte do mundo, onde ela deve permanecer elevada, porque ainda existem questões a serem revolvidas, como a energética, principalmente.

Essa inflação, de certa forma, continua sendo mais alta. Com relação à questão da produção, o trigo é a commodity que imaginamos que terá o maior preço, por conta dos países produtores, como União Europeia, a própria Ucrânia e Rússia, terem problemas na ampliação de sua produção e gastos elevados no contexto da guerra, que podem impactar ainda mais. No geral, todas as outras commodities tendem em ter uma redução.

Não significa que vão cair a valores que eram antigamente, mas não estarão tão elevadas como em 2022. Em que pese os custos, também teremos percentual ainda significativo. Aguardamos redução no preço de fertilizantes, mas não a patamares que tínhamos antigamente. Muito ainda vai depender da guerra, como irão se encaixar no contexto internacional.

Como a economia brasileira deve reagir a tudo isso, somado à troca de comando na presidência?

No contexto da economia brasileira, nós temos uma perspectiva para o PIB próximo à estagnação, com uma expectativa de crescimento muito pequena, de 0,75% no ano. Isso deve acontecer, principalmente, em função da arrecadação, que tende a ser menor, e do impacto inflacionário, que dever ser menor que o atual, mas que ainda estará longe do teto da meta de inflação, de 4,75%.

Nossa previsão para o ano é de inflação na casa de 5,08%. A taxa Selic deve ser reduzida de 13,75% para 11,75% no nosso ponto de vista, mas ainda assim será um valor bastante elevado. E a taxa de câmbio tende a permanecer constante no patamar de R$/USD 5,25, bem semelhante ao que observamos hoje. O consumo das famílias também não deve registrar incremento muito grande. Não tendo esse incremento no consumo, os próprios produtos do agronegócio também não tendem a crescer muito, nem nas exportações, em que podemos crescer em números, nem em preços.

O consumo doméstico, como um todo, deve ser um pouco baixo, como temos observado pelos indicadores econômicos. Projetamos que o PIB do agronegócio do próximo ano fique entre 0 e 2,5%, esperamos que ele cresça, mas em percentual menor. E aí é preciso destacar que crescemos, em 2020, algo em torno de 20%; em 2021, 8%. Em 2022, devemos cair 4%. Então, crescer 2,5%, em cima de uma base extremamente elevada, não é algo pequeno. Isso mostra que o setor segue importante e trazendo bastante divisas para o País.

E quanto ao novo governo… Quais são os principais desafios?

Um tema que tem sido muito discutido e que pode balizar as discussões em 2023 é em relação ao endividamento, o risco do endividamento do governo. Nós tivemos uma elevação desse risco na pandemia, quando chegamos a 88%, caiu no ano passado, continuou em queda em 2022, atingindo 76%, em função dos ajustes que foram feitos. Para 2023, a questão da PEC de transição, de certa forma, pode elevar esse risco, esse nível de endividamento do governo.

Cabe destacar o seguinte: as questões sociais não estão desatreladas da questão fiscal. Eu posso seguir trabalhando melhorias do ponto de vista social, mas tendo responsabilidade fiscal. A PEC, da forma que foi apresentada, com valores de despesas fora do teto para 2023, de R$ 200 bilhões, e com previsão para quatro anos, fez com que o mercado financeiro como um todo enxergasse isso como um risco elevado.

Será que precisamos de quatro anos? Ou poderíamos ter essa flexibilização no teto dos gastos pelo período de um ano e depois revisar e criar uma nova regra para o teto dos gastos? Acho até que é viável ter uma nova regra. Cabe realmente uma análise. Mas tem que tomar cuidado com os valores que serão colocados no próximo ano. Esse é o ponto principal, que chama a atenção do mercado hoje e que pode realmente não casar a questão fiscal com o desenvolvimento econômico.

Se eu tenho um endividamento maior, eu tenho aumento da taxa de juros, eu tenho aumento de inflação e eu prejudico principalmente aquele que o estado quer proteger neste momento, que são as famílias mais necessitadas. Então, é algo que fica como ponto de alerta para o próximo ano.

A CNA elaborou e divulgou um documento durante as eleições presidenciais, com as principais demandas do setor. O que se destaca neste documento?

Elaboramos e discutimos esse documento com produtores e apresentamos a todos os candidatos, tanto à presidência, quanto ao Congresso Nacional. Ele trata do que a CNA espera que seja trabalhado, no âmbito executivo e legislativo, e as reformas estruturantes necessárias.

Já se fala em a reforma tributária ser a primeira a ser discutida. A gente acredita que essa discussão é extremamente importante para o País. O setor apoia desde que ela simplifique e não onere ainda mais os setores da economia. Colocamos, inclusive, neste documento distribuído que, antes da reforma tributária, as reformas administrativa e política deveriam ser priorizadas, até para saber aonde é preciso alocar e ajustar a carga tributária.

Outras questões que estão em nosso documento dizem respeito à segurança jurídica, à política do Plano Safra, ao fortalecimento do seguro rural, ao desenvolvimento social e econômico caminhando junto com o desenvolvimento econômico, sendo um tripé. Enfim, esse documento continua atualizado, para que seja um norte para se buscar um estado mais forte e de crescimento estruturado.

E como o novo governo deve enxergar o agronegócio?

Muito se fala que o agronegócio é a locomotiva econômica do País e, de certa forma, ele tem mesmo ajudado muito. Mas tem uma análise que fizemos sobre a importância do agro para o desenvolvimento do País, sob o ponto de vista social, que às vezes não conseguimos materializar de forma clara.

A pesquisa consistiu em pegar 10% dos municípios do Mato Grosso, com maior aptidão ao agro, e, a partir daí, fizemos um recorte desses municípios comparando com o resto do estado. Quando analisamos, através de indicadores econômicos e sociais, de 2019 e 2020, observamos que quando se fala de PIB desses municípios “agro”, houve crescimento de, em média, 169%, enquanto que os demais cresceram 128% de um ano para o outro.

O emprego cresceu 431% nesses locais, ao passo que os demais registraram aumento de 143%. A taxa de abandono das escolas também foi menor nessas localidades. Enquanto nos outros caiu 0,8%, nos municípios que têm o agro desenvolvido, a queda foi de 0,4%. O mesmo ocorreu com a mortalidade infantil, o número de mortos para cada mil nascidos nos municípios com aptidão agro ficou em 13, enquanto nos outros municípios alcançou 20, para cada mil nascidos.

E assim segue uma tendência, mostrando que onde o desenvolvimento agropecuário é mais forte, os indicadores sociais são melhores. E aí se pode dizer que isso acontece porque o Mato Grosso já tem uma aptidão agropecuária. Pegamos então indicadores de São Paulo, que é um dos estados mais industrializados do Brasil. Consultamos 10% dos municípios do estado, com essa característica, que somou um total de 65 municípios, com maior aptidão agropecuária.

Fizemos a mesma análise comparativa de indicadores e o resultado é basicamente o mesmo: a variação do PIB do agro de 2019 a 2020 foi de 67,4% nos municípios paulistas “agro”, contra 35% dos demais. A taxa de emprego subiu 96,6% no comparativo de um ano para o outro nos municípios agrícolas, contra 65,7% nos demais.

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23/01/2023 0 Comentários
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As tecnologias como grandes aliadas do produtor rural
Revista

As tecnologias como grandes aliadas do produtor rural

Por redação 23/01/2023
Escrito por redação
As tecnologias como grandes aliadas do produtor rural

Softwares de gestão e monitoramento estão cada vez mais sofisticados e ajudam os produtores a tomar decisões mais acertadas, alavancar ganhos e reduzir perdas

POR LEONARDO GOTTEMS

Com a agricultura de precisão revolucionando a produção de alimentos desde a década de 1990, a questão do monitoramento e da gestãoda lavoura vem sendo cada vez mais necessária para uma maior eficiência agrícola, tanto na parte produtiva, quanto na parte financeira. E, nesse sentido, quanto mais tecnologia empregada no campo, maior é o número de coleta de dadosimportantes e mais respostas são dadas ao produtor rural para que ele evite perdas ou possa aumentar ganhos.

De acordo com Luciana Alvim Santos Romani, pesquisadora do setor de Agricultura Digital da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com o avanço das pesquisas, maissistemas têm sido desenvolvidos de forma a gerar informação de qualidade para auxiliar o proprietário na tomada de decisão.

“De forma complementar, políticas públicas como a do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) fornecem asdatas de plantio para diferentes culturas para todo o País. Dessa forma, tanto agricultores como bancos e empresas de créditoconseguem se planejar para diminuir as perdas devido a eventos climáticos adversos. O processo de gestão se torna fundamental, pois envolve o uso de tecnologia para o planejamento e monitoramento da produção, desde o plantio até a colheita, com possibilidade de tomadas de decisão maisassertivas, evitando perdas e maximizando os lucros”, comenta a especialista.

As tecnologias como grandes aliadas do produtor rural

Octávio Brasil, gerente de marketing da CAS Tecnologia, complementa: “com o avanço da tecnologia agrícola, as ferramentas de gestão e monitoramento da produção agrícola são fundamentais. Para o produtor, permite melhorar a gestão dos custos, obter mais produtividade e competitividade. Para o consumidor, saber que receberá um produto com mais qualidade e diversidade de ofertas. Todos, sejam eles pequenos, médios e grandes produtores rurais, incluindo o meio ambiente, são beneficiados”.

O diretor comercial da Aliare, Cláudio Barbosa lembra que uma boa gestão pode tornar a propriedade mais produtiva, eficiente e sustentável, sendo esta última uma grande meta internacional do setor da cadeia de suprimentos: produzir com sustentabilidade e não apenas produzir. “Redução de desperdícios, confiabilidade nas informações, controle de todos os processos e diminuição dos custos são alguns dos benefícios da gestão informatizada. Podemos considerar que os ERPs, softwares de gestão, são grandes aliados dos gestores agrícolas”, explica.

“A importância da gestão é fundamental na tomada de decisão da produção agrícola. Essa produção é inteiramente baseada na tomada de decisão, já que o produtor precisa tomar, em média, 140 decisões em um ano agrícola. Então isso é fundamental para que o produtor seja assertivo antes da porteira, dentro da porteira ou depois da porteira. O bom é que nós nunca tivemos tantas opções para obter informações do que estamos tendo agora”, indica o vice-diretor científico da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão (AsBraAp) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Christian Bredemeier.

 

As tecnologias como grandes aliadas do produtor rural
“No setor agropecuário é difícil indicar tecnologias mais populares. Há proprietários que adotam soluções desenvolvidas exclusivamente para seu negócio; há aqueles que utilizam soluções adotadas pela cooperativa da qual fazem parte; e ainda os que se beneficiam de apoio da assistência técnica oferecida pelas empresas estaduais ou federais de extensão rural”,
Luciana Alvim Santos Romani
pesquisadora de Agricultura Digital da Embrapa
Agricultura digital

Tendências de expansão no Brasil

Desde a década de 1990 o setor da agricultura brasileira vem evoluindo consideravelmente e adotando cada vez mais tecnologias importantes, auxiliando os produtores a tornar o País um dos principais agentes do mundo na produção de alimentos. De acordo com os especialistas, esse panorama é bastante positivo, porque conseguimos ver que a agricultura brasileira vem evoluindo tecnologicamente e buscando crescer cada vez mais.

Neste contexto, Bredemeier diz que a agricultura digital está se expandindo de forma considerável no Brasil, com muitos produtores adotando pelo menos alguma ferramenta conhecida do mercado e muitos se especializando nessa questão. 

“Esse conjunto de ferramentas e tecnologias que passou a ser chamado de agricultura digital está em expansão e existem estudos que mostram que, dependendo da cultura, em torno de 40% ou 50% dos agricultores adotam alguma ferramenta de agricultura de precisão. Claro que tem algumas que são mais populares, como a amostragem georeferenciada de solo”, indica ele.

Luciana Romani, da Embrapa, explica que “há diversas tecnologias disponíveis no País, tanto de máquinas e equipamentos, quanto de softwares e serviços especializados. As grandes, médias e pequenas empresas, incluindo as startups, possuem um conjunto vasto de soluções digitais que atendem grandes, médios e pequenos produtores. Há sistemas ofertados pelas próprias empresas de equipamentos, com centrais de monitoramento que integram suas soluções com as outras empresas. Há também soluções de ERP que podem ser customizadas para necessidades de cada produtor. Entretanto, ainda há muitas lacunas e problemas a serem resolvidos que têm sido alvo de pesquisas tanto no setor público (empresas de pesquisa e universidades) quanto privado”.

Para Barbosa, no entanto, ainda existem muitos desafios para as companhias de tecnologia para o agronegócio no Brasil, já que esse é um mercado relativamente novo e que muitas vezes enfrenta uma certa resistência por parte dos produtores, que já possuem uma forma de trabalhar. “Mas algumas estão realmente comprometidas em entender as necessidades dos agentes do agro para entregar sistemas cada vez mais modernos, intuitivos e funcionais. ERPs como o Siagri, da companhia Aliare, conseguem integrar as operações do campo e do escritório”, diz ele.

“Essas tecnologias estão cada vez mais presentes no agronegócio brasileiro. Já utilizamos tecnologias de comunicação como Internet das Coisas  (IoT) e oferecemos integração entre dispositivos e sistemas para que as informações estejam disponíveis online. Um exemplo é a existência de 1.703 agtechs em 2022 no País, segundo a Embrapa”, destaca Octavio Brasil.
Benefícios ao produtor

Mais eficiência e produtividade

Segundo Brasil, as agtechs têm apostado, principalmente, em ferramentas digitais para otimização de dados, gestão e monitoramento. No caso da sua empresa, ele destaca soluções de monitoramento de captação de água dos rios para irrigação, obtendo dados de medição a partir das localidades mais remotas, inclusive via satélite e plataforma de gestão. “Um bom exemplo de monitoramento é o das bombas elétricas, utilizadas para colher água dos rios, pois o monitoramento contínuo possibilita o uso inteligente de energia elétrica ou de combustível, reduzir os desgastes das bombas, preservar os mananciais e atuar em conformidade com as exigências regulatórias”, completa.

Com isso, ele garante que os benefícios são muitos, mas, principalmente, a eficiência operacional, a competitividade e a proteção da receita.

Já para Sílvio Roberto Medeiros Evangelista, analista da Embrapa Agricultura Digital, os principais benefícios são o menor risco de perda em função de problemas climáticos; ajuda na logística para preparação dos insumos e utilização de máquinas; permite saber se é possível e viável mais de uma colheita no ano safra, mesmo considerando diferentes culturas; e ajuda na previsibilidade do fluxo de caixa para a produção.

gestão de qualidade - As tecnologias como grandes aliadas do produtor rural“No setor agropecuário, por ter diferentes desafios e propriedades rurais com demandas tão específicas, é difícil indicar tecnologias mais populares. Há proprietários que adotam soluções desenvolvidas exclusivamente para seu negócio; há aqueles que utilizam soluções adotadas pela cooperativa da qual fazem parte; e ainda os que se beneficiam de apoio da assistência técnica oferecida pelas empresas estaduais ou federais de extensão rural”, indica Luciana.

Segundo o último Radar Agtech, de 2021, o Brasil já conta com mais de 1500 startups voltadas para o agro. ‘É difícil listar o trabalho de todas que desenvolvem soluções para fazendas, mas podemos considerar grandes avanços nessa área. Nas soluções tecnológicas e automação de dados, na otimização do uso de insumos e gestão de maquinários, no controle de operações e monitoramento de resultados: as agtechs estão se tornando protagonistas na evolução tecnológica do agronegócio”, explica Barbosa.

“Além dos ERPs de gestão para propriedades rurais e outros segmentos, soluções de acesso a crédito rural, digitalização de serviços, receituário agronômico digital e assinatura eletrônica são algumas das mais recentes e com boa aceitação entre o público agro”, ressalta.

O planejamento e o monitoramento das safras, segundo Christian Bredemeier, são fundamentais porque a partir desse planejamento é que depende toda a gestão e a tomada de decisão do ciclo de uma cultura e uma safra agrícola. Com a previsão do tempo, por exemplo, as tecnologias novas, como pequenas estações meteorológicas, estão tornando essa prática cada vez mais precisa e refinada, transmitindo essas informações em tempo real, limitando o erro, já que a ciência de dados consegue ser mais assertiva.

“Há diversos institutos de meteorologia que fornecem informações, cada vez mais precisas, sobre a meteorologia, a curto, médio e longo prazos. Assim, é possível planejar a irrigação, e os demais aspectos citados acima, durante toda a safra, do preparo da terra, passando pelo plantio e até a colheita”, complementa Brasil.

“O ERP Aliare faz o apontamento de pluviometria, que oferece ao produtor o registro do histórico por talhão. Há também aplicativos que disponibilizam a previsão do tempo aos seus usuários, como o App do Produtor da Aliare”, ressalta Barbosa.

 

O que esperar do futuro

Tecnologias sustentáveis

De acordo com Luciana, a tendência é cada vez mais a oferta de soluções digitais para os agricultores por meio de aplicativos ou serviços digitais que os apoiem na gestão de suas propriedades. Outro ponto importante é o investimento em Inteligência Artificial que acaba otimizando bastante os processos de tomada de decisão, facilitando o trabalho dos agricultores e o tornando mais sustentável.

“Além disso, há muitas iniciativas no sentido de ampliar a conectividade no campo, uso de imagens de sensoriamento remoto ou proximal, sensores para coleta de dados e plataformas digitais de integração. Além disso, tem se investido em IA e Data Analytics para gerar informação com mais qualidade. Também é fundamental que as tecnologias estejam alinhadas aos conceitos de ESG para promoção de uma Agricultura cada vez mais Sustentável e Responsável”, diz ela.

Neste cenário, Octavio Brasil acredita que o foco no futuro vai ser mesmo na sustentabilidade, que vem sendo tema dos principais fóruns de debate do mundo. Isso porque os especialistas estão discutindo formas para aumentar a produção de alimentos a fim de atender uma demanda crescente, ao mesmo tempo em que o meio ambiente precisa ser preservado.

“O futuro é unir ciência e tecnologias sustentáveis, do ponto de vista econômico, social e ambiental, de forma que as empresas atualizem continuamente suas práticas, buscando cada vez mais conformidade com os fatores ESG. O assunto não é apenas uma questão de meta, mas, sim, de atitudes positivas para um futuro melhor para todos, com mais qualidade de vida”, explica.

A tecnologia foi, garante Barbosa, essencial para o avanço do agronegócio brasileiro e, sabemos que, em breve, podemos chegar ao topo mundial da produção de alimentos.  Com isso, as empresas têm buscado cada vez mais essa evolução para não ficarem atrás no mercado. “Aqui na Aliare, queremos contribuir com essa evolução, por isso estamos trabalhando para construir o portfólio de tecnologia mais completo para o agro brasileiro, com soluções cada vez mais modernas e conectadas”, complementa.

“O que temos de projeção e que vai se tornar mais intenso no futuro é a agricultura de dados. Cada vez mais vai se usar a informação para auxiliar na tomada de decisão da produção agrícola, para se fazer a melhor recomendação para cada parte da lavoura. Isso seria uma recomendação mais precisa, mais assertiva e mais eficiente da intervenção, que muitos chamam de agricultura preditiva.  Para o futuro se verificam muitas tendências, com a agricultura cada vez mais digital, com o uso cada vez maior de imagens de drones e satélites, uso da IoT, que é essa transmissão de informações”, conclui Bredemeier.

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23/01/2023 0 Comentários
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Notícias

TV MIA: conheça os indicadores do painel para operar o trator

Por redação 23/01/2023
Escrito por redação

Conheça os indicadores do painel para a operação do trator agrícolaOs indicadores e medidores do painel do trator, cuja função é indicar e monitorar o funcionamento do trator, encontram-se nos painéis frontal, superior e lateral e de coluna ou do monitor. O operador deve conhecer e estar atento a eles durante a operação, além de realizar os devidos procedimentos para correções.

Guia rápido: saiba quais são os 10 melhores tratores agrícolas

É importante lembrar que para identificação dos indicadores, medidores e comandos operacionais do trator, existe uma simbologia utilizada universalmente.

No painel do trator, nas alavancas e interruptores existem indicadores, com sinal luminoso ou sonoro, individual ou em conjunto, para que o operador confira as condições de funcionamento e de operação do trator.

É importante que o operador entenda as funções de cada um deles e observe-os durante a operação do trator. Por segurança, alguns indicadores são sonoros para lembrá-lo de determinadas ações.

O Indicador de temperatura do motor, por exemplo, indica se a temperatura do líquido de arrefecimento do motor ultrapassou o limite aceitável.

Na videoaula desta semana, uma produção do Senar, em parceria com a Máquinas & Inovações Agrícolas, você vai aprender sobre essas sinalizações.

Assista:

23/01/2023 0 Comentários
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Notícias

Safra de milho 2022/23 deve chegar a 125 milhões/ton

Por redação 23/01/2023
Escrito por redação

Levantamento aponta aumento de 10,5% em comparação com o ciclo anterior

Safra de milho 2022/23 deve chegar a 125 milhões de toneladasA produção de milho 2022/23 caminha para um novo avanço. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de milho deve chegar a 125,062 milhões de toneladas, crescimento de 10,5% em relação ao ciclo anterior. A projeção faz parte do quarto levantamento da safra brasileira de grãos.

Guia rápido: saiba quais são os 10 melhores tratores agrícolas

A área de plantio é um dos fatores que impactaram no aumento. A cobertura teve alta de 3,4% comparado ao ciclo anterior, chegando a 22,316 milhões de hectares. Estima-se a produtividade em 5.604 quilos por hectare, aumento de 6,9%.

“A área de produção brasileira vem crescendo ao longo dos anos, resultando em novos recordes a cada ciclo. Internamente, os Estados vêm protagonizando suas especialidades e técnicas, gerando resultados que impactam na nossa visibilidade agronômica”, avalia Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, uma das maiores empresas de fertilizantes do país.

A segunda safra de milho deverá alcançar 96,271 milhões de toneladas, 12,1% acima da colheita passada. A terceira safra está estimada em 2,330 milhões de toneladas, crescimento de 5,4% em relação à temporada anterior.

“O aumento se deve também às condições climáticas favoráveis que beneficiam a área plantada nas lavouras. É necessário manter pesquisas no radar para que especialistas e suas equipes possam se adaptar. Se mantivermos o ritmo de investimentos novos recordes serão batidos nas próximas temporadas”, finaliza Sodré.

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Opinião

O papel da agroindústria e a importância da inovação no agro

Por redação 23/01/2023
Escrito por redação

O papel da agroindústria e a importância da inovação no agroPor Giordania R. Tavares* – As boas projeções para o agro em 2023 chamam a atenção de toda a economia do país, segundo previsão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a recuperação da produção de soja, a colheita brasileira deve atingir o recorde de 296,2 milhões de toneladas neste ano, um aumento de 12,6% em relação a 2022. Já o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), estima que o PIB do setor deve avançar 8% ante recuo de 2% em 2022. Caso as projeções se confirmem, será o maior crescimento registrado do setor desde 2017, com alta recorde de 14,2%.

Com o Produto Interno Bruto beirando 25%, segundo estimou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mesmo abaixo dos 27% de 2021 – quando atingiu patamar recorde, ainda coloca o Brasil em evidência como uma das principais nações agrícolas do mundo.

Não é à toa que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aprovou uma unidade para fomentar a inovação entre o agro e a indústria. A chamada agroindústria é um segmento que contribui diretamente para o desenvolvimento do setor, com soluções tanto para o benefício econômico quanto o sustentável.

O potencial do agro exige novos investimentos e, quando as instituições nacionais incentivam e colocam em prática a adoção de novas tecnologias em parceria com a indústria, todos ganham.

Além de nanotecnologia, biotecnologia, sensores, equipamentos, metodologias de precisão digital integrada a Internet das coisas (IoT), existem outras possibilidades tecnológicas, como produtos para garantir o controle de qualidade, segurança no armazenamento e na integridade dos colaboradores em todas as etapas de produção, além da automação, que pode ser integrada à inteligência artificial.

gestão de qualidade - O papel da agroindústria e a importância da inovação no agroCom passos rumo a mudanças significativas, a agroindústria, que tem participação de 5,9% no PIB segundo a Embrapa, promove transformação e integração relevantes entre o mercado e a economia, já que estimula, também, a utilização mais consciente dos recursos naturais.

Reconhecer que as diversas indústrias podem contribuir de alguma forma com soluções que vão elevar a produtividade, proteger o solo e economizar água é um grande passo para a redução de custos e fortalecimento de uma cadeia produtiva mais sustentável.

O Brasil tem todas as ferramentas necessárias para construir esse caminho longo e próspero para o agronegócio, com o apoio da agroindústria e demais players do mercado que tenham boas ideias e vontade de sustentá-las de forma inovadora e rentável.

*Giordania R. Tavares é CEO da Rayflex
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