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Manutenção

Motor agrícola exige manutenção diária para manter bom funcionamento

Por redação 30/08/2022
Escrito por redação

Equipamento exige manutenção diária para manter o bom funcionamento durante as operações das máquinas no campo

Motor agrícola exige manutenção diária para manter bom funcionamentopor Gustavo Paes – As máquinas agrícolas operam por horas seguidas e sob duras condições de campo, com poeira, barro e, dependendo da região, muito calor ou frio. Operações como preparo e cultivo do solo, adubação e plantio, assim como aplicação de defensivos e colheita, entre outras, exigem bastante do maquinário. E, como o produtor não pode correr o risco de ficar com o equipamento parado quando mais precisa, é necessário tomar cuidados essenciais na manutenção do motor.

Os especialistas recomendam, entre outras medidas, que o produtor siga as instruções do manual de operação e utilize peças originais. Além de apresentar maior qualidade, especificações ideais para cada uma das máquinas, ao serem instaladas pela concessionária, as peças genuínas possuem garantia de fábrica.

Peças originais

A garantia do bom funcionamento dos motores das máquinas agrícolas passa pelo uso de peças originais, conforme as especificações do fabricante. “O filtro de ar, por exemplo, serve para evitar que as partículas de impureza do ar cheguem à câmara de combustão do motor. Com ele em dia, reduz-se o desgaste em componentes do kit camisa/pistão/anéis, além de diminuir o consumo de combustível”, explica o especialista de marketing produto da FPT Industrial, Edinilson Almeida.

No sistema de alimentação de ar, a manutenção de filtros, mangueiras e braçadeiras íntegras impede a entrada de poeira no motor, evitando o desgaste prematuro e a perda de potência. Almeida salienta que é importante respeitar rigorosamente os períodos de manutenção (tempo) e utilizar peças e componentes de alta qualidade (genuína/original) e em conformidade com as especificações do fabricante.

O especialista considera que o sistema de injeção de combustível é o coração do motor diesel. Por meio da pressurização e da injeção de combustível, o sistema força-o no ar que foi comprimido à alta pressão na câmara de combustão. O sistema de injeção diesel consiste em bomba de injeção de combustível, tubo de alta pressão, bico injetor e filtro de combustível.

É importante realizar inspeções diárias, drenagem da água acumulada no pré-filtro e limpeza das impurezas, de modo que não ocasionem a restrição da passagem de combustível para o sistema de injeção, o que pode acarretar perda de potência do motor, além de entupimentos ou desgaste prematuro de componentes do sistema.

Manutenção do motor: lubrificação

Almeida diz que a manutenção preventiva do sistema de lubrificação garante que o motor não sofra danos. Assim, a prática avalia o nível de óleo, se há vazamentos e o momento da troca do óleo e do filtro para que o equipamento continue em perfeito funcionamento. Se possível, realizar anualmente a análise do óleo do motor para verificar o nível de desgaste e as condições do componente.

O especialista frisa que o sistema de arrefecimento é responsável por resfriar o motor, garantindo que ele funcione na temperatura ideal e mantendo o desempenho do equipamento. Ou seja, quando o arrefecimento não vai bem, as chances de superaquecer e até fundir o motor são grandes. O sistema de arrefecimento é composto pelas seguintes peças principais: radiador; bomba d’água; válvula termostática; sensores de temperatura; vaso expansor e mangueiras. Falhas no sistema de arrefecimento estão associadas à falta de manutenção preventiva. “Importante ficar atento e checar periodicamente correia, ventilador, bomba d’água, válvula termostática, nível do fluído, mangueiras, abraçadeira e o radiador”, ensina.

A transmissão é um conjunto de componentes que tem como principal objetivo levar a energia produzida pelo motor até as rodas. Outra função importante é regular o torque, a força que vai para as rodas por meio da seleção das marchas. Os principais cuidados com os sistemas de direção e transmissão estão relacionados a vazamentos. É importante checar periodicamente se há vazamentos de óleo nos cubos e nas mangas dos eixos. As caixas do diferencial e de marcha também devem ser checadas.

A lubrificação adequada, por meio da troca de óleo do motor, do sistema hidráulico e da transmissão, é fundamental para impedir o desgaste prematuro de peças que apresentam contato direto e estão expostas à cargas e condições extremas. “Em transmissões mecânicas, as manutenções básicas referem-se à troca de lubrificantes e filtros, variando períodos”, orienta. A manutenção do sistema hidráulico consiste na verificação de nível de óleo, sua troca e a substituição de filtros no período adequado. Um a cada três tratores e uma a cada três colheitadeiras comercializadas no Brasil são movidos por motores da FPT. A empresa lançou, na Agrishow, o motor FPT S8000 da nova geração Tier 3. Versátil, é ideal para aplicações abaixo de 75 kW (100 cv) de potência, sendo reconhecido e aplicado em muitos modelos de tratores na América Latina.

Qualidade do combustível

O gerente de Engenharia de Serviços da Cummins Brasil, Marcos Schiesari, avalia que a manutenção é vital para aumentar a vida útil do motor. E recomenda que o produtor faça uma breve avaliação diária na máquina, que não requer ferramentas especiais, habilidades específicas ou muito tempo. É uma análise visual buscando vazamentos, como de óleo do sistema hidráulico, mangueiras ou bolsas do sistema de ar furadas ou rasgadas, vazamentos de óleo do trem de força ou vazamentos no sistema de refrigeração do motor etc. E também verifique o nível de óleo na vareta do cárter do motor, se a colmeia do radiador está suja e o nível da água do sistema de arrefecimento. “Esta avaliação diária pode identificar detalhes que, se não tratados adequadamente, podem, em curto ou médio prazo, causar danos maiores aos sistemas do motor e ao equipamento”, alerta.

E cheque o sistema de combustível, verificando se no filtro primário (que fica geralmente preso ao chassi da máquina) existe água no compartimento inferior (comumente chamado de “copinho”). É recomendável drenar este líquido. A presença de água indica que o combustível está deteriorado e o ideal seria até mesmo substituí-lo, incluindo ainda a verificação do tanque do equipamento, bem como o tanque principal que abastece todas máquinas na fazenda.

A água causa oxidação do sistema de combustível, pode travar todo o sistema (bombas e bicos principalmente) e fazer com que a máquina perca desempenho, apresente fumaça e tenha dificuldade de partir, entre outros problemas. Schiesari diz que o combustível de má qualidade é o maior vilão que existe no campo em todos os segmentos (automotivo, geração de energia e agrícola). “Infelizmente, ainda nos deparamos com combustível de má qualidade no Brasil e, em operações mais afastadas, como fazendas, a disponibilidade e a logística para levar o diesel até estes locais são mais complexo, e se o manuseio não for correto desde a bomba até o tanque do equipamento, os riscos de contaminação são ainda maiores”, lamenta.

A Cummins fabrica motores de 2.8 litros a 95 litros para diversas aplicações. Para o segmento agrícola, a empresa oferece motores eletrônicos nacionais, que variam de 4.5 a 9 litros (QSB 4.5, QSB 6.7, QSC 8.3 e QSL 8.9). E duas versões importadas: QSX 15 litros e QSG 12 litros. Recentemente, a companhia anunciou a versão mais potente do QSB 6.7 para o mercado agrícola. Pertencente a linha de motores médios, o QSB 6.7, antes de 270 cv, agora conta com 295 cv, com torque de 1.051 Nm (anteriormente 990 Nm), atualizações que trouxeram redução de consumo de combustível. Os maiores clientes Cummins no setor são a Jacto, Pauny, Stara e Khun, mas a companhia também atende a Komatsu, Hyundai, XCMG e JCB, montadoras que atuam no segmento de construção e no setor agrícola.

Instruções do manual

O coordenador de serviços AGCO Power, Patrick Reimerink, orienta que o produtor siga as recomendações. O executivo lembra, por exemplo, que o sistema de alimentação de ar do motor das máquinas agrícolas possui um indicador de restrição de baixa pressão com luz de advertência no painel de instrumentos. Quando esta luz acende, está no momento de limpar o filtro de ar ou de realizar a troca do componente. Deve-se consultar o manual do operador e entender qual a instrução. “Também é importante manter o intercooler limpo, para que ele possa fazer a troca de calor apropriadamente”, assinala. A manutenção do sistema de combustível da máquina envolve outras questões além do motor, como o armazenamento do combustível na propriedade, segundo Reimerink. Os tanques de armazenagem devem estar limpos, secos e protegidos de luz e de temperaturas extremas. E também é importante garantir a contínua renovação do conteúdo dos tanques de estocagem para reduzir a presença de combustível envelhecido.

Deve ser feita semanalmente a drenagem de produto remanescente no fundo do tanque de armazenagem para a retirada de água, material microbiológico ou outras impurezas. “É recomendada a utilização de aditivos para estabilização do diesel, evitar o envelhecimento prematuro, acúmulo de água e proliferação de bactérias”, ensina. Reimerink observa que os motores eletrônicos possuem sensor de pressão do combustível no filtro de combustível e na entrada da bomba de alta pressão, ou seja, quando no painel acusar erro de saturação de filtro o mesmo deverá ser substituído, ou quando atingirem o número máximo de horas de operação também devem ser trocados, o que ocorrer primeiro.

A troca de óleo deve ser feita conforme o tipo de óleo lubrificante utilizado. “Vale ressaltar a importância de quando o operador for verificar o nível de óleo lubrificante, limpar a vareta de medição em pano limpo, livre de poeira e impurezas”, assinala. Já na manutenção do sistema de arrefecimento do motor, a recomendação é usar o fluido de arrefecimento genuíno e não utilizar água de torneira nem água de poço, para não danificar a bomba d’água e os demais componentes do motor.

Mais performance

A manutenção é de extrema importância para preservar a vida útil do motor das máquinas agrícolas. Ela evita desgastes e falhas prematuras, o alto consumo de combustível e de óleo lubrificante, reduz o risco de paradas do equipamento e gastos com reparações, minimizando os custos operacionais e evitando prejuízos. “E há o aumento de performance e maior índice de disponibilidade do equipamento, maximizando lucros”, destaca o diretor da Unidade de Negócios de Peças de Reposição e Marketing da MWM, Thomas Püschel.

O executivo frisa que é importante que os intervalos de manutenção sejam seguidos. “Esses dados foram definidos pela área de engenharia, de acordo com os requisitos de projeto do motor, garantindo o seu maior rendimento com a maior vida útil possível, evitando-se desgastes prematuros e custos desnecessários”, avalia.

O produtor deve usar peças genuínas, de alta qualidade e confiabilidade, que garantem a maior vida útil do motor. “A peça genuína mantém toda a caraterística desenvolvida pela nossa engenharia, assegurando e preservando os requisitos mínimos de sua atuação, como entrega da potência esperada, qualidade assegurada e confiabilidade no produto genuíno”, ressalta Püschel.

O gerente admite que o modo de operação da máquina influencia diretamente no funcionamento do motor. “Operações em condições severas e/ou em desacordo com as especificações do fabricante do equipamento, podem influenciar no desempenho e provocar falhas prematuras, até mesmo danos de maior gravidade, acarretando a perda do motor”, salienta.

Os motores MWM atendem a diversos segmentos. No agro, a empresa tem como clientes a Kuhn, Stara, Jacto, JAN, Pulverjet, Irrigabrasil, Pauny (Argentina), entre outros. Na Agrishow 2022, a MWM apresentou uma solução de transformação de veículos e máquinas, originalmente movidos a diesel, para operarem em biometano e/ou gás natural, por meio da instalação de sistema de alimentação a gás, novo motor com tecnologia exclusiva de combustão. O biometano é gerado a partir do tratamento e purificação do biogás, com a remoção resíduos e gases não combustíveis, como o dióxido de carbono, e é uma excelente alternativa para o abastecimento de máquinas agrícolas de alto rendimento.

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Revista

Tratores grandes: pesados e potentes, para grandes áreas agrícolas

Por redação 30/08/2022
Escrito por redação

Tratores de grande porte são indicados para atividades desenvolvidas em áreas agrícolas extensas, como o cultivo de soja e milho, as quais exigem maiores potências

Tratores grandes: pesados e potentes, para grandes áreas agrícolaspor Leonardo Gottems – O mercado de tratores no Brasil contava, no último ano-safra, com 281 modelos, de diversas faixas de potência, produzidos por 17 marcas, segundo o consultor e técnico agrícola Vitor Hugo Baratieri. “Há algumas formas de classificar os tratores e uma delas é quanto à potência, que pode ser medida por diferentes protocolos e parâmetros, apresentados por normas e regulamentos, como ISO, SAE, DIN, entre outras”, aponta.

Uma das classificações adotadas no mercado considera os tratores muito pequenos (potência de até 50cv), os pequenos (50,1cv até 79,9cv), os médios (80cv até 109,9cv), além daqueles que são o alvo desta reportagem: os grandes (potência em torno de 110cv a 159,9cv), os muito grandes (até 199,9cv) e os extragrandes (mais de 200cv).

Segundo o consultor Arno Dallmeyer, até 2005 não havia tratores grandes (ou pesados) no mercado brasileiro e, então, quase simultaneamente a John Deere e a Massey Ferguson apresentaram tratores de 200-220cv. Isso ocorreu porque multinacionais começaram a trazer tratores grandes de outros países para o Brasil. “Todas as empresas (exceto Agrale) que atuam de forma significativa no mercado brasileiro são multinacionais, com sedes em países com mecanização tecnificada. Dos países de origem vieram os tratores de grande porte, como são vendidos nos Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, França ou Itália. Nestes países existe uma competição grande por tecnologia, com operadores familiares e bom nível de treinamento. Assim houve um grande salto tecnológico nos tratores, trazendo motores emissionados, transmissões servo-assistidas (power shift), direção automática, GPS, conexão Isobus, e, em muitos casos, preparo para autonomia”, explica Dallmeyer.

O pesquisador Roberto da Cunha Mello, do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico, diz que evolução tecnológica das grandes máquinas está sendo algo sem precedentes. São muitas as inovações, que variam desde a parte estética, passando por mecânica, combustível e até automação e telemetria. “Muitas das inovações são na parte mecânica, como injeção eletrônica de combustível, embreagem caixa de marchas controle eletrônico de tração. Na parte operacional, temos piloto automático, máquinas inteligentes utilizadas em agricultura de precisão e as máquinas autônomas já são uma realidade”, diz.

Características dos grandes

A classificação por categorias de potência não é um consenso absoluto. Segundo Dallmeyer, ao se aprofundar mais nas características, seriam considerados de grande porte os tratores com potência acima de 200cv. “Por projeto, esses tratores são destinados a serviços pesados, como preparo de solo e semeadura (plantio). Poucas vezes são usados para transporte ou cultivo. A demanda de aplicações em ‘janelas’ cada vez mais estreitas de preparo de solo ou semeadura exige velocidades maiores de trabalho. Há pouco tempo, as velocidades de semeadura padrão eram de 8 km/h, exageradamente a 12 km/h, atualmente estão estendidas para até 16 km/h. Essa situação exige maiores potências”, indica. “Essas máquinas são ideais para grandes áreas, principalmente no na região Central do País, onde se cultiva soja, milho e cana-de-açúcar. Trata-se de máquinas mais caras, mais pesadas e com maior consumo de combustível”, completa Mello.

Neste contexto, o especialista em máquinas afirma que o principal fator que diferencia esses tratores dos menores, com relação à tecnologia, são as soluções digitais, basicamente.

“São equipados com transmissões geridas por computador de bordo, acionadas por demanda. Além de sistemas de posicionamento por satélite, cabines confortáveis, com absorção de ruido, de calor e ar-condicionado digital. Conectividade com implementos e transmissão de dados via telefonia ou satélites às sedes da fazenda e de concessionários”, segundo Dallmeyer, o que seriam alguns diferenciais desses equipamentos.

“O conforto e a segurança na operação também são aspectos importantes de incremento de tecnologias, em que principalmente o baixo nível de ruído e a excelente vedação das cabines, no que diz respeito à contaminação por elementos externos (poeira, resíduos de agroquímicos, outros), são aspectos fundamentais para a eficiência e segurança do operador do equipamento”, reforça Baratieri.

A introdução de componentes eletrônicos no sistema hidráulico, proporcionando maior controle de vazão e pressão do sistema, também tem sua influência na eficiência e no conforto, ocasionando maior controle e qualidade nas operações no campo. “Devemos lembrar que a ótima eficiência operacional desses equipamentos de grande porte está também relacionada ao uso de tecnologias como piloto automático, corte de seção, geração de mapas diversos (produtividade, compactação de solo e fertilidade), telemetria, proteção de motor, entre outras funcionalidades que o sistema eletrônico pode proporcionar”, complementa.

As tecnologias embarcadas são as relacionadas à Agricultura de Precisão, com o auxílio do GPS na construção de mapas de produtividade. A telemetria também é muito utilizada, pois permite aos usuários um acompanhamento em tempo real do desempenho e da produtividade da máquina no campo, segundo Mello.

Situação do mercado brasileiro

Se considerados os tratores acima de 100cv, 110cv como de porte grande, “verifica-se que, em 2020, a venda desses equipamentos representou quase 50% do mercado nacional, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)”, aponta Vitor Hugo Baratieri.

A demanda por alimentos no mundo tem crescido aceleradamente e o Brasil, pela qualidade de solo, clima favorável e pelo empreendedorismo do homem do campo, tem contribuído fortemente para atender a essas demandas. Somente 1% do número de propriedades rurais no País possuem áreas acima de 1000 hectares, mas somente essas representam 45% da área ocupada para produção.

“Então, temos aí uma forte demanda para a utilização de tratores de grande porte, buscando a eficiência operacional e a maior rentabilidade das lavouras. A adequação das janelas de plantio, em especial nas lavouras do Centro-Oeste, por exemplo, contribui na busca de melhores e maiores equipamentos para atender a essas necessidades”, explica Baratieri.

O preço de produtos como soja, milho, laranja e café, entre outros, que tiveram maior rentabilidade ao produtor rural, incentivaram o agricultor a investir no aumento da área plantada e, consequentemente, em novos equipamentos, contribuindo para o atendimento da demanda por alimentos e com a comercialização de equipamentos.

O aumento na demanda por equipamentos de grande porte têm, inclusive, incentivado os fabricantes de máquinas agrícolas a introduzir novas tecnologias para melhorar a eficiência operacional nesses tratores.

“As normas para redução de gases poluentes, por exemplo, têm levado os fabricantes de motores a melhorar os ganhos de potência em seus equipamentos e a atender essa necessidade de redução de emissão de gases poluentes. Exemplo mais gritante dessa preocupação é a introdução da injeção eletrônica em motores diesel para o uso agrícola”, diz o especialista.

Outro exemplo notório da adequação dos tratores a essa nova realidade é a mudança na caixa de câmbio dos veículos. Baratieri considera esse um componente que evoluiu muito nos últimos anos e tem uma importância muito grande na melhora do desempenho das máquinas e também na economia de combustível.

“Também podemos observar que, no que diz respeito às caixas de câmbio, o grande avanço na tecnologia desse componente nos tratores agrícolas é a leitura que motor e caixa de câmbio fazem entre si para atender da forma mais adequada o aproveitamento da tração com o consumo adequado, menor índice de patinagem, velocidade adequada e, consequentemente, ótima eficiência operacional”, cita.

O que reserva o futuro

Segundo Dallmeyer, a mundo vem evoluindo no quesito conectividade e isso poderá impactar diretamente no desenvolvimento de máquinas agrícolas de grande porte, que dependem cada vez mais de internet e podem ser potencializadas com a chegada da tecnologia do 5G. Além disso, a maior preocupação ambiental também deve guiar esse movimento, com diminuição no uso de combustíveis fósseis.

“A efetiva conectividade (implantação de comunicação por internet 5G), autonomia de direcionamento e determinação de velocidades, inteligência artificial. A médio prazo, haverá mudanças na propulsão, na busca por energias limpas, levando ao uso da energia elétrica; talvez via eletrificação com baterias, já conhecido e dominado tecnologicamente; talvez a conversão de etanol em eletricidade”, explica.

Essas são questões que Mello considera como prioridade e tendência. Isso porque o produtor rural está tendo a capacidade de produzir a sua própria energia elétrica, com a instalação de painéis solares, por exemplo. Com isso, tratores movidos a eletricidade podem começar a ser desenvolvidos e o uso do óleo diesel cada vez fica mais superado.

“A principal inovação no curto e médio prazos são as máquinas elétricas recarregadas por energia solar. Como já disse, no Brasil temos sol em abundância, e de graça. O produtor rural agora também vai produzir sua própria energia não necessitando mais transportar nem armazenar óleo diesel. Nós, do Centro de Engenharia Agrícola, estamos trabalhando no desenvolvimento de uma colhedora de cana-de-açúcar movida a energia solar. Essa máquina irá colher a cana com emissão zero de carbono. A evolução não para e quem não se atualizar não terá mais chance de competir neste mercado cada vez mais exigente”, diz.

Para Vitor Hugo Baratieri, se considerarmos a necessidade do aumento da produção e da produtividade agrícola, é preciso também se elevar os índices de mecanização agrícola, que no Brasil está na média de um trator para cada 112 hectares.

Segundo ele, nossa frota “está envelhecida”, e aproximadamente 25% dos tratores no campo têm mais de 10 anos. A mecanização, portanto, tende a ser um agente indutor de novas tecnologias nos sistemas de produção agrícola.

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Revista

Tratores médios: muita versatilidade e presença no campo

Por redação 30/08/2022
Escrito por redação

Modelos se destacam pela robustez, eficiência, economia de combustível e tecnologia embarcada

Tratores médios: muita versatilidade e presença no campopor Gustavo Paes – O Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o número de tratores no campo cresceu 49,7% de 2006 a 2017, para um total de 1.228.634 unidades, o equivalente a 407.916 novas máquinas. Mais de 200 mil estabelecimentos passaram a usar tratores no período, alcançando um total de 733.997 produtores em 2017. O número era quatro vezes maior do que o registrado no Censo Agropecuário de 1975, quando havia 323 mil tratores em uso no campo no País. Os tratores médios, que possuem entre 80cv a 109,9cv, se destacam pela robustez, economia de combustível e tecnologia embarcada. “Eles podem ser usados em diferentes operações, como a pulverização, plantio ou no transporte de insumos e ferramentas”, afirma o instrutor de mecanização agrícola do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural gaúcho (Senar-RS), Marcos Hearter.

Na Massey Ferguson, os tratores médios vão de 100cv a 160cv e são desenvolvidos para desempenhar múltiplas tarefas dentro da propriedade, desde o preparo de solo, plantio, tratos culturais e até na alimentação do gado de leite e corte.

O coordenador de marketing de produto tratores, Eder Pinheiro, diz que o maquinário é indicado para culturas como arroz, grãos em geral, cana e também para a pecuária. O tamanho da área varia conforme a aplicação e/ou cultura. “Em alguns casos, o produtor possui apenas um trator na propriedade para várias tarefas, como também pode ter vários tratores para uma atividade específica, por exemplo, adubação na cana”, observa.

Pinheiro frisa que todos os tratores, de maneira geral, tiveram grandes mudanças, como a tração auxiliar, telemetria para monitoramento em tempo real, piloto automático, aumento de potência e cabine mais ampla e confortável, com comandos dispostos ergonomicamente. “Hoje, a máquina pode ser guiada automaticamente com o uso do piloto automático e acessada remotamente para que o agricultor tenha informações sobre seu funcionamento e desempenho por meio da telemetria”, salienta.

Mas o sistema de transmissão foi a principal evolução. Os tratores ganharam transmissões automáticas, opções mais eficientes e maior número de marchas, o que traz maior comodidade e agilidade durante a operação, como a utilização da tecnologia powershift, que permite a troca de marcha automática sem a intervenção do operador, facilitando a operação e fazendo com que os tratores tenham uma maior produtividade, alto desempenho e economia de combustível. Os tratores também receberam motores mais eficientes, com controles de emissões de poluentes, inclusive com injeção eletrônica, e monitoramento que ajuda a evitar falhas graves e aumentar a vida útil. “Esses benefícios resultam em maior produtividade das lavouras, com menor custo, além da facilidade que o operador tem para executar a mesma operação”, completa.

Tecnologias mais avançadas

O especialista em marketing de produto da Mahindra Brasil, Gilberto Dutra, observa que os tratores médios possuem sistemas e tecnologias mais avançadas, como, por exemplo, motores agrícolas adequados à legislação MAR-1, que entregam alto torque e consumo de combustível reduzido, sistemas de transmissão/caixa de câmbio com excelente escalonamento de marchas, TDP (Tomada de Potência) de pelo menos duas velocidades (540 + 540E). “São itens básicos que aumentam a versatilidade em campo”, afirma. O equipamento também recebeu sistemas de piloto automático e telemetria para gerenciamento do trabalho e/ou aplicação.

Os tratores médios são utilizados na produção de grãos e na pecuária, para trabalho de preparo de solo, plantio e pulverização, além de movimentação de carga por meio de carregadores frontais. “Modelos dessa categoria geralmente são utilizados por produtores de médio porte”, assinala Dutra.

Para o especialista de marketing de produto da New Holland, Juliano Perelli, os tratores médios são destinados a chamada agricultura intermediária, mas podem ser utilizados tanto por pequenos, médios ou grandes produtores. Suas configurações permitem a utilização de diferentes opções de implementos, que basicamente serão movimentados por tratores de variados tipos e especificações técnicas, desde transmissões mecânicas a transmissões hidráulicas e motores eletroeletrônicos, além de sistema de Agricultura de Precisão.

Esses modelos são utilizados em 90% dos cultivos, pois essa classe de potência se destaca pela versatilidade nas operações de campo, como grandes fazendas, usinas de cana e prestadores de serviço que necessitam desde o trator mais simples, com transmissão e motor mecânico, a tratores mais tecnológicos, com sistema de telemetria. “Os tratores médios são usados no preparo de solo, grãos, arroz, plantio, nivelamento de solo, transbordo de cana e cultivo florestal, entre outras operações”, explica.

Na John Deere, são considerados tratores médios os equipamentos que vão de 100cv a 200cv. A empresa possui duas linhas principais de tratores de médio porte produzidas no Brasil: a série 6M tem cinco tratores, com potência que varia de 135cv a 210 cv, enquanto a 6J conta com oito opções, que vão de 100cv a 210 cv. Algumas soluções da família 7J, também produzidas no Brasil, se encaixam em faixas de potência parecidas com as linhas 6M e 6J.

“No setor canavieiro, são muito utilizados para transbordo da cana colhida até o caminhão que transporta a produção à usina”, afirma. Pela grande gama de aplicações, a atuação dos tratores médios abrange quase todas as culturas – desde as mais tradicionais, como soja, milho, e cana, até culturas mais especializadas, como batatas, algodão e arroz. “Os tratores médios também são utilizados na pecuária para preparo e distribuição da alimentação do gado em sistemas de confinamento”, observa o gerente de produtos, Paulo Verdi.

Essa categoria de equipamento prevê uma ampla faixa de aplicação em área. Algumas culturas de alto valor agregado podem justificar um trator como o 6R ou o 6J com 50 hectares ou até menos, enquanto grandes produtores de grãos e cana, com mais de 100 mil hectares plantados, também possuem tratores de médio porte para algumas funções específicas, como aplicação de fertilizantes ou transbordo. “Nas fazendas de grãos do centro-sul do País, é bastante comum que o trator principal seja de médio porte em propriedades de 100 a 500 hectares”, declara.

Verdi diz que muitas das tecnologias que já estavam em uso foram solidificadas e atingiram novos patamares, com mais inteligência artificial, conectividade rural, aprendizado de máquinas e análise de dados.

“Os tratores médios podem atender todo tipo de operação, sendo versáteis e de grande utilidade em uma propriedade agrícola”, afirma o gerente de marketing de produto da Case IH, Lauro Rezende. Esses equipamentos podem exercer diversas atividades no campo, como arar, preparar o solo, cultivar e plantar. “As máquinas também podem trabalhar em outras áreas, como transporte e atividades de suporte à construção”, diz.

Independentemente do modelo, da potência e do tamanho do trator, a tecnologia é para todos. Geralmente, o médio produtor procura máquinas com recursos que aumentem a produtividade e a rentabilidade no campo. “Por isso, tecnologias, que antes só eram encontradas em grandes máquinas, hoje são disponibilizadas para tratores voltados para a agricultura de médio porte”, destaca.

Os tratores médios sofreram grandes mudanças. Quase que 100% dos modelos saem de fábrica com cabines fechadas. E as transmissões passaram de somente mecânicas a ter opções de ser semiautomáticas ou totalmente automáticas.

“Os tratores de médio porte são dotados da mesma tecnologia existente nas máquinas de grande porte sem deixar nada a desejar”, complementa.

Os tratores de média potência da Valtra possuem como características a alta especificação de transmissão.  Os tratores médios da marca são projetados para atender todas as aplicações no campo de preparo de solo, plantio, cultivo e colheita, conforme o diretor de vendas, Alexandre Vinicius de Assis.

Ele lembra que não existe limite para área de cobertura de um trator médio. O produtor pode ter várias unidades para realizar suas atividades no campo. Porém, uma unidade é adequada para uma área de até 300 hectares.

A principal evolução dos tratores médios foram as transmissões com maior número de marchas, sistema de reversores e embreagens desenvolvidos para atender todo e qualquer tipo de operações. “A telemetria também é um componente presente, embora ainda novo para essa categoria de tratores, mas o sistema de piloto automático, por exemplo, é um acessório desejado pelo operador”, diz.

Conforto para o operador

Os tratores médios da Agrale evoluíram no desempenho e conforto para o operador. Inicialmente, tratores desta faixa de potência ofereciam, no máximo, de seis a oito marchas à frente e duas à ré, sem sincronização. “Hoje, alguns modelos oferecem até 15 marchas a frente, com opção de inversor, proporcionando as mesmas 15 marchas a ré”, diz o diretor comercial e de marketing, Edson Martins.

As máquinas saem de fábrica com tomada de força independente com opções de velocidades, levante hidráulico de três pontos e múltiplas válvulas de comandos hidráulicos, para atender à demanda dos modernos implementos acionados hidraulicamente. “Amplas plataformas com alavancas laterais e comandos ergonomicamente posicionados diminuem a fadiga do operador, sem contar com as opções de cabinas climatizadas”, destaca.

Com a implementação do MAR-1, os sistemas de injeção de combustível e combustão sofreram alterações. A Agrale optou por manter motores com sistema de injeção puramente mecânico, menor custo, onde os limites de emissões são atendidos com alteração de ponto e aumento nas pressões de injeção de combustível. Há também opções de motores com recirculação parcial dos gases de escape e outros com sistema de gerenciamento eletrônico de injeção combustível.

Os tratores médios convencionais têm características de maior altura, pneus de maior dimensão, opções de bitolas e maior peso em ordem de marcha. São utilizados no preparo e cultivo do solo, plantio, pulverização, preparação de forragens e tração de carretas transportadoras. “Os modelos mais vendidos, sejam compactos ou convencionais, estão na faixa de 75 cv, com maior demanda para a opção de tração 4×2”, afirma Martins. 

Os modelos médios são adequados para operações em culturas permanentes, plantadas em fileiras ou latada, como uva, café, maçã e citros. Essas máquinas são indicadas para pequenas e médias propriedades, principalmente na agricultura familiar, com áreas inferiores a 100 hectares.

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Entrevista

Stanley Robinson (Embrapa): transformação digital na agricultura

Por redação 30/08/2022
Escrito por redação
por Adriana Gaçava

Stanley Robinson (Embrapa): transformação digital na agricultura

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agropecuária (FAO) estima que, em 2050, a população mundial atinja 9,8 bilhões, o que demandaria crescimento de 70% na produção de alimentos no planeta. Essa alta demanda pode levar o Brasil a ocupar o posto de maior fornecedor agrícola. Nos últimos anos, o País já assistiu a uma inversão em seu perfil de produção e consumo: passou de importador de alimentos na década de 1970, para um dos principais players na produção. Isso foi possível apenas, segundo o chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, o pesquisador Stanley Robinson de Medeiros Oliveira, graças a investimentos em pesquisa e inovação. Na entrevista a seguir, ele destaca agora a transformação digital, a tecnologia, com a evolução das ferramentas digitais na agricultura, o chamado agro 4.0, como o principal driver de mudança. Confira:

Como as ferramentas digitais evoluíram na agricultura nos últimos anos?

Passamos de uma agricultura tradicional, para uma agricultura movida a ciência. Um primeiro aspecto tem a ver com as demandas por aumento da produtividade, que exigem a inserção de tecnologia nesse ambiente. Um segundo ponto passa pela redução de custos com insumos. Com isso, a tecnologia vai ganhando espaço no campo. Outra coisa: como melhorar a tomada de decisão? Muitos dados são gerados por meio da tecnologia. Hoje estamos cercados por dados. Temos dispositivos, equipamentos, sensores, imagens de satélite, que acompanham a evolução da agricultura e isso vai subsidiar os tomadores de decisões com dados.

Qual a importância desses dados?

Esses dados são importantes porque mostram tendências e cenários que podem ser economicamente viáveis e também sinalizam ameaças. Essa é a forma como a tecnologia vem caminhando. Falamos na Embrapa que a tecnologia é o driver de mudança. Fizemos três estudos, nos últimos três censos. Em 1995, a tecnologia respondia por 50,6% da produção. Em 2006, no censo seguinte, ela já respondia por 56,8%. E, em 2017, último censo realizado, a tecnologia já alcançava 60,6% do crescimento bruto da produção. Então essa é a grande evolução. Temos agora um campo mais sustentável, que se tornou mais digital.

E qual é o papel da Embrapa nesse processo?

A Embrapa viabiliza soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para sustentabilidade na agricultura. Com isso, precisa monitorar constantemente sinais e tendências. A Embrapa tem dois escritórios no exterior, sendo um nos EUA e outro na França, em que captamos sinais e tendências, o que precisamos para montar toda nossa programação de pesquisas em cima dos grandes desafios do agro. O que isso traz de implicação? Por exemplo: temos que manter um quadro de empregados atualizado, com programas de pós-graduação, que visam valorizar a capacitação do pesquisador, tanto em nível de mestrado quanto de doutorado. Também temos o Programa Cientista Visitante, que acontece depois do doutorado, em que o pesquisador visita instituições em vários lugares no mundo. A Embrapa faz parte de um ecossistema de inovação forte, que engloba governo, academia e iniciativa privada. Nos aproximamos da iniciativa privada, para que sejam desenvolvidas soluções público-privadas, que são orientadas à inovação. Com isso, conseguimos um cofinanciamento. Não dependemos mais 100% dos projetos financiados só pelo Tesouro Nacional. Temos parceria de empresas do agro, que nos ajudam a pegar tecnologia gerada pela Embrapa e levar essa tecnologia para o mercado. Essa é a grande estratégia da Embrapa: atuar nesse grande ecossistema atual.

Quais as pesquisas em andamento, focadas no desenvolvimento de tecnologia e apoio à agricultura digital?

Temos vários projetos hoje. Só para contextualizar, a Embrapa possui 34 portfólios de pesquisas que vêm de demandas que representam as dores do produtor rural. Monitoramos doenças nas principais culturas, como soja, milho, algodão, feijão, arroz e etc. São cerca de 17 culturas agrícolas. O produtor nos ajuda: ele tira uma foto da folha com a doença, essa folha vem para a Embrapa e é analisada por um fitopatologista, que consegue dizer qual é a doença. Nós treinamos os algoritmos inteligentes e, com esses treinamentos, conseguimos gerar tecnologia que detecta doenças e traz para o produtor uma recomendação sobre o que ele deve fazer naquele momento. Isso é uma tecnologia para classificar e detectar doenças em culturas agrícolas. Outro exemplo: monitoramos áreas grandes, campos experimentais. Temos um campo experimental na Embrapa em Campo Grande, em que temos integração de lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Temos dispositivos instalados no campo, colar em animais, que informa sobre os batimentos cardíacos, frequência respiratória, e, com isso, conseguimos monitorar à distância o bem-estar animal naquela região e dar sinais de alerta em tempo curtos, a cada dez minutos se for preciso, de tal maneira que eles conseguem verificar o manejo do animal dentro daquele campo. Porque os animais passam por balanças, quando vão ao bebedouro, ou quando vão se alimentar, e ali, quando eles pisam, conseguimos inferir o peso do animal e, assim, diariamente conseguimos ver o ganho de produtividade, para estimar a data de abate, por exemplo, desse animal. Outro exemplo: nós temos robôs que passam no meio de uma plantação de uva e sai batendo fotos. Ao final do percurso, no corredor, conseguimos estimar a produtividade, ou seja, quanto tem ali de uva. O mesmo ocorre para a produtividade da laranja. E estamos estendendo isso para a maçã e também para a manga.

Um claro sinal de que a tecnologia pode ter cada vez mais uma forte inserção na agricultura…

Sim. Mais um exemplo: nós fazemos voos de drones por cima de propriedades e nesses voos conseguimos contar os animais. Isso ajuda rapidamente a encontrar animais que estão perdidos, animais que estão presos. Esses animais às vezes caem de penhascos, às vezes são vítimas de roubo. Com essa contagem rápida, conseguimos fazer a gestão da propriedade. É outro exemplo de tecnologia sendo aplicada no campo. Vou citar mais um, que está em evidência nos últimos dias, que é o zoneamento agrícola de risco climático (Zarc). Nós respondemos três perguntas para o produtor: quando plantar, onde plantar e o que plantar. Isso tem um impacto muito grande dentro do programa de seguro rural, do crédito rural e é apoiado pelo Ministério da Agricultura e pelo Banco Central, juntamente com a Embrapa, que trabalha nesse projeto em todo território nacional. O Zarc é uma tecnologia muito forte de ajuda ao pequeno, médio e grande produtor. Esses são apenas alguns exemplos. Existem muitos outros.

De que forma a conectividade no campo impacta na evolução do agro 4.0?

A conectividade tem um impacto forte. De acordo com o último Censo 2017, só 28% das propriedades têm acesso à internet no campo, conforme dados do IBGE. E qual o impacto dessa baixa conectividade? Um arsenal grande de tecnologia gerada pela Embrapa, pela academia e por outras instituições de pesquisa, não chega ao produtor rural, porque ele não tem acesso à internet naquele local. São tecnologias gratuitas, que muitas vezes estão disponíveis na loja do Google. Se a pessoa digita Embrapa, na busca, vai encontrar um arsenal de tecnologias disponíveis para celular ou para acesso pela web. São tecnologias que dão informações diretas ao produtor.

Que tipo de tecnologias o produtor tem à disposição?

Previsão do tempo, estimativa de produtividade, necessidade de água no solo, mapas de solo, todas essas tecnologias estão prontas. Outros exemplos são a recomposição da paisagem do meio ambiente. Temos um sistema online, que é web ambiente, em que o produtor interage com o sistema, faz uma simulação que lhe dá uma sugestão de como ele pode fazer a recomposição dessa paisagem. São muitas tecnologias e, só para enfatizar, o Norte e o Nordeste são as regiões com os maiores vazios de conexão. No Sul e no Sudeste isso é menor. Precisamos avançar urgentemente nesse sentido, com projetos de conectividade, para que os produtores possam se apropriar de tecnologias que já estão disponíveis, com custo zero.

Quais áreas da agricultura poderiam ser beneficiadas pela agricultura digital?

Basicamente todo percurso: desde a pré-produção, passando pela produção, até a pós-produção. A agricultura digital vai desde o escritório, desde a seleção de genes para um determinado experimento, da análise de insumos, de como produzir um antígeno para uma vacina, do planejamento à pré-produção, chega na produção quando está dentro da propriedade, monitora desde o plantio, o crescimento de vários estágios de uma cultura agrícola até a colheita. Depois, na pós-produção, tem questões como logística, para escoar a produção, monitoramento da perda desde a propriedade até à indústria, ou até a exportação. Nós conseguimos usar tecnologia para rastrear, para garantir que todos os padrões de um produto agroindustrial sejam mantidos no momento de exportação.

Que parcerias poderia destacar na área de mecanização?

Na parte de mecanização, a Embrapa trabalha muito em parceria com universidades, porque é uma área em que a Embrapa tem poucos especialistas. Aqui na Unicamp, onde a Embrapa está localizada, temos a universidade de engenharia agrícola, que trabalha com máquinas e implementos, assim como a Esalq/USP e outras universidades. A Embrapa, no Mato Grosso, tem parceria com a Universidade Federal do MT, por exemplo. Há um desenvolvimento muito forte nessa área e essas máquinas e implementos geram dados constantemente, portanto, elas são fundamentais. A geração de dados vai ajudar a detectar os cenários economicamente viáveis, de ameaças e, principalmente, na tomada de decisões estratégicas. Esse maquinário tem GPS e, assim, conseguem rapidamente monitorar, não só o movimento da própria máquina, mas toda a produção no campo.

Como o sr. enxerga o agronegócio do futuro e o papel do Brasil no cenário mundial?

O agro futuro está em franca expansão. No Brasil, só para se ter uma ideia, o agro já representa 27% do PIB nacional. É um valor expressivo. O Brasil produz alimentos suficientes para alimentar mais de 800 milhões de habitantes por ano, ou seja, quatro vezes a  sua população. E essa agricultura tropical, que é o nosso caso, é importante porque, em alguns casos, geramos duas ou três safras no ano. Enquanto outros países, que sofrem com períodos gelados, têm uma ou chegam em duas, no máximo. Os olhos do mundo estão voltados para o Brasil, porque, na grande meta de alimentar mais de 9 bilhões até 2050, a tecnologia se destaca e somos um celeiro na produção de alimentos. Enquanto na década de 1970, o Brasil importava alimentos, hoje ele é um dos maiores exportadores. Houve uma grande inversão. Isso graças à tecnologia, ao alto desempenho e escala e à crescente incorporação de práticas sustentáveis. Hoje o importante não é só produzir, mas produzir preservando o meio ambiente.

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Notícias

Abertura da safra de grãos acentua força da produção brasileira

Por redação 30/08/2022
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Evento de abertura da safra de soja, milho e algodão reafirma papel do agro brasileiro em produzir volume e qualidade, com sustentabilidade, com a perspectiva de colher uma safra de grãos 2022/23 acima de 300 milhões de toneladas

Abertura da safra de grãos acentua força da produção brasileiraA solenidade de início do evento “Abertura de Safra Soja, Milho e Algodão 2022/23” nesta segunda-feira (29), em São Paulo (SP), destacou o potencial do agronegócio brasileiro em assegurar o abastecimento interno e gerar excedentes exportáveis, contribuindo de maneira decisiva para garantir segurança alimentar global em meio a uma série de desafios, entre os quais, eventos climáticos adversos em importantes países produtores agrícolas, efeitos ainda dos desarranjos provocados pela pandemia da covid-19, a eclosão da guerra no Leste Europeu etc.. O “Abertura de Safra Soja, Milho e Algodão 2022/23” é organizado pela DATAGRO.

Compuseram o cerimonial de abertura, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), Guilherme Soria Bastos Filho; o diretor comercial da Koppert, Gustavo Hermann; e a presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Teresa Vendramini. Foram recepcionados pelo anfitrião, o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari.

Em sua exposição, Nastari reafirmou o papel do agro brasileiro em produzir volume e qualidade, com sustentabilidade, com a perspectiva de colher uma safra de grãos 2022/23 acima de 300 milhões de toneladas, montante que se for confirmado representará alta significativa ante o ciclo anterior. “E não estamos falando somente de soja e milho, mas também do algodão, entre outras culturas de grãos, que são a base do enorme sucesso que é a integração das cadeias produtivas do agro nacional, que agrega valor sob a forma de proteína animal, farelo, biocombustíveis, e assim por diante.”

Em nome dos organizadores do Global Agribusiness Forum (GAF), realizado no final de julho e também organizado pela DATAGRO, Nastari homenageou o ministro da Agricultura Marcos Montes e sua antecessora Tereza Cristina, entregando placas comemorativas ao atual secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Soria Bastos Filho. “Ambos foram fundamentais para o arranque e consolidação do RenovaBio.”

Fonte: Uagro
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Opinião

Mudança do Fiagro traz mais incentivo para investimentos no setor

Por redação 30/08/2022
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Em apenas um ano, a movimentação pelo sistema soma mais de R$ 1 bilhão

por Ronnald Loureiro*

Mudança do Fiagro traz mais incentivo para investimentos no setorSancionada em julho deste ano, a Lei 14.421/22 (Lei do Fiagro), pode ser considerada um marco para o financiamento do agronegócio no Brasil. A lei, que recentemente sofreu alterações, irá facilitar a captação de recursos ao expandir o escopo de atuação e poderá funcionar como um verdadeiro fundo multimercado voltado ao agronegócio, pois poderá aplicar seus recursos isolada ou conjuntamente em quaisquer dos ativos ou sociedades mencionados anteriormente.

Fiagros ganharam a denominação de Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (anteriormente Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais). Com essa nova lei, os Fiagros poderão investir recursos não somente na cadeia agroindustrial, mas em todas as frentes do agronegócio.

Essa mudança legislativa proporciona condições de alavancar ainda mais o potencial do Fiagro, produto de alta aceitação mesmo com pouco tempo no mercado, pois foi iniciado neste ano. A captação líquida dos Fiagros atingiu 1 bilhão de reais até junho de 2022, segundo dados divulgados pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

O agronegócio será impactado positivamente porque a nova lei amplia as possibilidades de aplicação dos recursos dos Fiagros, ao substituir a expressão “cadeia produtiva agroindustrial” por “cadeia produtiva do agronegócio”. Isso permitirá que os Fiagros aloquem seus recursos em sociedades que explorem quaisquer atividades integrantes da cadeia produtiva do agronegócio. Os benefícios se estendem aos ativos financeiros, títulos de crédito ou valores mobiliários, sejam eles emitidos por pessoas jurídicas ou físicas. O fundo poderá aplicar seus recursos em integrantes da cadeia que não estejam diretamente vinculados à indústria agropecuária, mas sim a toda a cadeia produtiva do agronegócio. Em um cenário hipotético, com base na Lei 14.421/22, endosso que nada impediria que, atualmente, um Fiagro alocasse parcela de seus recursos em companhias cujas atividades sejam relacionadas à cadeia do agronegócio.

Desse modo, a anterior divisão entre Fiagro Imobiliário (Fiagro-FII), Fiagro em Direitos Creditórios (Fiagro-FIDC) e Fiagro em Participações (Fiagro-FIP) já não é capaz de abarcar as possibilidades oferecidas pela nova lei.
O novo Fiagro não se aplica a limitação de 50% de investimentos em direitos creditórios, o que, na prática fará com que o novo sistema possa ser simultaneamente um FIP, FII e FIDC (Fundo de Investimento em Participações, Fundo de Investimento Imobiliário e Fundo de Investimento em Direitos Creditórios respectivamente).

Exemplo disso foi o recente lançamento de um Fiagro Híbrido, cuja carteira será composta por 83% de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e 17% de imóveis do agronegócio. Além disso, de acordo com a política de investimento do fundo híbrido, os recursos poderão ser alocados em Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), imóveis rurais, sociedades que explorem atividades da cadeia do agronegócio, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e quotas de fundos que estejam relacionadas ao setor do agronegócio. Trata-se de uma amostra inicial de como os novos Fiagros, com o advento da Lei 14.421/22, poderão investir seus recursos e potencializar sua carteira de investimentos.

manutenção do motor - Mudança do Fiagro traz mais incentivo para investimentos no setor

*Ronnald Loureiro, advogado da área de Serviços Financeiros do Martinelli Advogados
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Notícias

Romancini lança Tronco Kids durante a Expointer 2022

Por redação 30/08/2022
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Objetivo é orientar, de forma prática, crianças e adolescentes sobre a seriedade do trabalho desenvolvido para a produção de carne brasileira

Romancini lança Tronco Kids durante a Expointer 2022Iniciativa inédita no mundo, Expointer em Esteio/RS foi escolhida pela Romancini para lançar o Tronco Kid, que será um itinerante e exclusivo para feiras agropecuárias. Objetivo é orientar, de forma prática, crianças e adolescentes sobre a seriedade do trabalho desenvolvido para a produção de carne brasileira.

Após muita pesquisa, a Romancini Troncos e Balanças, empresa 100% brasileira, realiza lançamento com foco na educação infanto-juvenil por meio do primeiro Tronco Kids, iniciativa pioneira lançada nesta segunda-feira 29/08 durante a Expointer 2022, em Esteio/RS.

“Nosso propósito será trabalhar o mindset das crianças e pré-adolescentes para que aprendam, na prática, a seriedade da pecuária brasileira. Acreditamos que, através de simulações reais, as crianças serão impactadas de forma muito positiva, conquistando uma transformação significativa em seu ponto de vista sobre o trabalho realizado no campo”, ressalta Lu Romanini, sucessora e CEO da empresa.

Os troncos atendem propriedades atuantes nos três ciclos pecuários: cria, recria e engorda – desde os bezerros até o boi gordo. Sua função é sinônimo de tecnologia, produtividade, bem-estar animal e segurança do operador, influenciando diretamente na maximização de lucros, tendo em vista que ele atua como um precursor de estabilidade para o manejo do animal, garantindo que o mesmo não sofra escoriações ou acidentes durante processos cotidianos tais como: vacinação, vermifugação e inseminação. O Tronco Kids terá a função de mostrar, de forma prática e clara, como é realizado todo esse trabalho na fazenda.

Por meio de demonstrações realizadas pela equipe veterinária da empresa utilizando um bezerro, a criança e o adolescente que visitar o estande da Romancini poderão compreender como é realizado o manejo dos animais nas fazendas. Assim, compreenderá visualmente e com o uso de exemplos práticos que o trabalho pecuário efetuado nos troncos é seguro tanto para o animal como para o trabalhador do campo.

Sobre a estratégia da educação pecuária por meio do Tronco Kids, a CEO da Romancini explica: “Faremos a experiência do Tronco Kids com a Geração Alpha: nascidos a partir do ano 2010 – crianças que chegaram ao mundo em meio às tecnologias e comunicação digital em plena expansão. Também conhecidos como ‘nativos digitais’, essas crianças e jovens são muito atentas e observadoras e aprendem muito rápido”.

Segundo Lu, o produtor rural e o pecuarista produzem emprego, renda, melhoria da qualidade de vida das famílias envolvidas no trabalho e, acima de tudo, são os grandes responsáveis pela chegada da comida na mesa do brasileiro – e as crianças aprenderão isso na prática.

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Notícias

Safra 2022/23: início da plantação de arroz traz boas expectativas

Por redação 30/08/2022
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Cerealistas, como a Fumacense Alimentos – que produz a Kiarroz, acreditam que não haverá preocupação com a quantidade de arroz produzido nos próximos meses

Safra 2022/23: início da plantação de arroz traz boas expectativas A maioria dos agricultores já começou a semear arroz para a safra 2022/23. Com a fase de plantação de arroz iniciada e seguindo pelos próximos meses, previsões de órgãos oficiais vislumbram bons resultados na colheita do ano que vem. Na indústria, as expectativas para a próxima safra são positivas e cerealistas como a Fumacense Alimentos – que produz a tradicional marca Kiarroz – acreditam que não haverá preocupação com a quantidade de arroz a ser produzida.

Conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgada no fim de agosto, ainda que a área cultivada no Brasil deva apresentar uma nova redução na safra 2022/23, a produção ficará em torno de 11,2 milhões de toneladas no país, com a possibilidade de recuperação na produtividade em relação à 2021/22.

E além da quantidade a ser produzida no Brasil, as indústrias também consideram em suas estimativas, o arroz importado, que é cultivado em países vizinhos. “É por isso que acreditamos que a quantidade de arroz não será uma preocupação para a próxima safra. Além do excedente que colhemos na safra brasileira, existe a oferta de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas que são colhidas no Uruguai, Argentina e Paraguai”, explica o gerente de Suprimentos da Fumacense Alimentos, Gilberto de Moliner Teixeira.

Novas negociações

Mesmo com negociações mais intensas até o fim da colheita, anualmente realizada sempre no primeiro semestre, a Fumacense Alimentos também mantém contato com os produtores durante o período de entressafra e plantação do arroz.
“Temos agricultores parceiros que, há vários anos, comercializam e depositam o cereal conosco, ou que armazenam o arroz nos silos de suas propriedades e comercializam durante o ano. Mas claro que permanecemos abertos para novos contatos.

De forma geral, estamos sempre atentos às movimentações do mercado, buscando as melhores oportunidades de negócios, tanto na compra da matéria-prima quanto na venda do arroz beneficiado”, ressalta o diretor de Operações da Fumacense Alimentos, Jean Alexander Marquardt.

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Expointer: Jacto foca em máquinas com tecnologias digitais

Por redação 30/08/2022
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Máquinas e soluções para pulverização, adubação e plantio que estarão no evento são focadas no mercado da Região Sul, com destaque para as necessidades das culturas de arroz, frutas e grãos

Jacto foca em máquinas com tecnologias digitais embarcadasA Jacto leva para 45ª edição da Expointer máquinas com tecnologias digitais embarcadas e conectadas por meio de softwares, sistemas e equipamentos da marca OTMIS de Agricultura de precisão, capazes de otimizar a produção agrícola, em todas as suas etapas.

Máquinas e softwares integrados são essenciais para uma entrega completa diante da demanda atual da agricultura. Oferta de máquinas, equipamentos e soluções devem atender produtores com diferentes perfis e tamanhos de propriedade.

“Máquinas e softwares integrados são essenciais para uma entrega completa diante da demanda atual da agricultura. Por isso, temos investido no desenvolvimento de soluções com mais conectividade, sustentabilidade e gestão online, de forma a unir todos os participantes do ambiente agrícola: o agricultor, o ecossistema de negócios, os sistemas de informação e todas as ‘coisas’ presentes no campo”, explica Fernando Gonçalves, presidente da Jacto.

Nesse sentido, a empresa mostra o conceito de conectividade também em máquinas das linhas tratorizadas, com o conjunto Omni 700 integrado e sistema de aplicação de insumos Multicontrol, ampliando a oferta para atender produtores com diferentes perfis e tamanhos de propriedade.

“A busca contínua no desenvolvimento de nossos equipamentos é diminuir desperdício, aumentar produtividade na mesma área e reduzir os custos de operação. Com o avanço e a popularização de novas tecnologias em equipamentos agrícolas, todos os produtores têm a possibilidade de produzir mais e melhor. A evolução das tecnologias de aplicação, juntamente com agricultura de precisão da OTMIS e a gestão integrada da plataforma de gestão EKOS, contribui para se alcançar essas vertentes”, avalia Paulo Henrique Bueno, gerente de negócios da linha de pulverizadores tratorizados da Jacto.

Sistema de Pulverização Multicontrol com agricultura de precisão

Entre outras novidades que serão apresentadas aos agricultores está o conceito de telemetria para outros modelos da linha de pulverizadores tratorizados, como o Advance 3000 AM-24 Tandem, equipamento desenvolvido com especificações para a produção de arroz. Ele conta com o Multicontrol, sistema com tecnologias que permitem que a mesma taxa de aplicação de produto seja aplicada em todo o talhão, mesmo com mudanças na velocidade da aplicação. O Multicontrol possui ainda uma interface bastante amigável com os demais sistemas de Agricultura de Precisão, o que potencializa os ganhos de produtividade e reduz ainda mais os custos

Soluções em plantio

Representando a nova linha de plantio da Jacto está a plantadeira tratorizada e auto transportável Meridia 200, disponível no mercado com 11, 13 e 15 linhas. A máquina tem entre outros benefícios uma melhor plantabilidade e um fluxo de palha mais eficiente, possibilitando um plantio ágil, preciso e de qualidade.

Soluções em adubação

Entre as novidades em adubação estão o controle duplo de taxa variável, que aumenta a eficiência no uso dos insumos e explora o potencial produtivo nas diferentes zonas de manejo, e a Comunicação ISOBUS, uma solução “plug and play” para alguns terminais virtuais.

A adubadora Tellus 10.000 NPK agora tem o opcional de rodado para melhor desempenho na cultura de arroz. O cultivo de arroz irrigado por inundação, com a presença de uma lâmina d’água, é a realidade em quase 90% das lavouras de arroz no Brasil, estando presente em grande parte das áreas do estado do Rio Grande do Sul.

Essa prática, além de garantir mais produtividade, traz diversas outras vantagens quando comparada à condição de sequeiro (sem irrigação). Uma solução muito comum para reter a água na lavoura é a delimitação em curvas de nível, construindo assim diques nessas curvas no talhão, mais popularmente conhecidos como taipas. Com o opcional de rodado com pneus mais largos de 14,9X 24 polegadas, a máquina consegue trabalhar nesses talhões sem danificar as taipas.

A Jacto também atualizou a tecnologia SmartSet, que ganhou uma versão mobile. O SmartSet auxilia o agricultor no ajuste da faixa de aplicação das adubadoras Uniport 5030 NPK e Tellus 10.000 NPK. Essa atividade, antes feita de forma manual e por tentativa e erro, exigia bastante tempo e atenção para uma correta regulagem e calibração da máquina.

Soluções para pulverização da Família Uniport

A Família Uniport, de pulverizadores automotrizes da Jacto, reconhecida por trazer soluções inovadoras com mais tecnologia e eficiência, estará representada no evento com os modelos Uniport 2000 Plus, Uniport 2030, Uniport 2530, Uniport 3030 e Uniport 4530. As opções atendem produtores que buscam uma aplicação de qualidade, com precisão, rendimento operacional e economia.

Em especial, a Uniport 3030 possui uma configuração com pneus e barra que atende ao trabalho na cultura de arroz e leva em conjunto toda a tecnologia de pulverização já consagrada na sua versão para cereais, com destaque para o sistema bico a bico de pulverização que permite economia no consumo de defensivos e maior precisão na aplicação de produtos

Entre os pulverizadores Uniport, haverá a demonstração da tecnologia PWM, que permite uma pulverização ainda mais uniforme, mantendo o tamanho das gotas mesmo com variação de velocidade da máquina. Integrada ao sistema bico a bico, essa tecnologia faz a gestão automática da operação, sendo acionada somente quando necessária.

Em conjunto com o sistema de pulverização com controle PWM, a Jacto demonstra também sua tecnologia de aplicação localizada de produtos para combate de plantas daninhas. Essa tecnologia possibilita uma economia na aplicação de produtos e redução da quantidade de água utilizada, pontos extremamente importantes quando falamos em sustentabilidade e aumento de rendimento operacional.

Destaque também nos modelos para o pacote de soluções multimarcas da OTMIS, que reúnem sistemas de orientação por GPS, como barra de luzes, piloto automático Omni 700 nas versões elétrico e hidráulico, telemetria, o exclusivo repetidor de operações, receptores de GPS para correção de sinal e uma série de sensores e dispositivos de automação que ajudam no controle de tráfego, diminuem a área de amassamento da cultura e aplicam insumos em taxas variáveis.

Nova família de bicos Jacto JIC (Jacto Inclinado Cerâmica)

Com foco em desenvolver tecnologias e soluções em pulverização, a Jacto amplia a oferta em seu portfólio de bicos com o lançamento da nova família de bicos Jacto JIC (Jacto Inclined Ceramic / Jacto Inclinado Cerâmica).

Ideal para aplicação de produtos de contato inseticidas e fungicidas, o JIC é fabricado em cerâmica de alta resistência, que confere durabilidade ao componente. O bico está disponível em seis vazões, o que atende perfis diversos de clientes que precisam usar diferentes taxas de aplicação. O formato de jato leque plano padrão de 110° e um ângulo de inclinação de 35° proporciona maior deposição do produto no alvo, com excelente performance na cobertura e pode ser utilizado com a tecnologia PWM da Jacto.

EletroVortex: tecnologias combinadas que elevam o patamar da operação de pulverização

A Família Uniport também estará representada na Expointer com o Uniport 3030 EletroVortex. O pulverizador automotriz é equipado com a tecnologia exclusiva que combina a assistência de ar nas barras de pulverização com o carregamento eletrostático das gotas. O sistema permite que o defensivo atinja as partes mais inferiores das culturas, melhorando a deposição tanto na face superior quanto na inferior das folhas e contribuindo para uma qualidade superior de aplicação.

Com a taxa de aplicação em menor volume, em testes de campo, foi possível fazer aplicações de 40 a 70 L/hectare. Essa característica possibilitou menos parada para abastecimento, pois, devido ao menor volume aplicado, o reservatório permanece cheio por mais tempo. O resultado é uma janela maior de aplicação durante a jornada de trabalho, aumentando o rendimento operacional do pulverizador.

Destaque também para a redução da deriva aerotransportada em até 35% e a melhor qualidade no depósito da pulverização em toda a estrutura da planta. O efeito eletrostático associado à assistência de ar proporciona o deposito de até 2 vezes no terço médio da planta quando comparado a tecnologias convencionais de aplicação.

Outro resultado de aplicações de qualidade superior é o potencial para aumentar a produtividade da área colhida, uma vez que a planta permanece mais tempo isenta de pragas e doenças.

Jacto Next: área de serviços especializados em agricultura 4.0

Com o objetivo de simplificar a adoção de novas tecnologias e ajudar a alcançar elevados níveis de desempenho, qualidade e sustentabilidade dos negócios, a Jacto Next oferece uma ampla gama de serviços. Um dos destaques é a plataforma EKOS, desenvolvida para centralizar a gestão de todas as operações agrícolas presentes nas culturas de cereais, fibras, frutas e setor sucroenergético. Sensores instalados nas máquinas — de qualquer marca, independentemente de ser Jacto ou não — permitem o monitoramento das operações, de forma online. As informações são disponibilizadas pelo aplicativo Jacto Connect, na palma da mão, para decisões rápidas e precisas.

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Notícias

New Holland destaca trator biometano durante a Expointer

Por redação 30/08/2022
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​​​​​​​Entre os destaques do estande da marca estão o primeiro trator do mundo movido a gás metano e a nova linha de colheitadeiras CR Intellisense, que permite ao operador escolher entre diferentes e

Expointer: New Holland destaca trator biometano Após dois anos ausente por causa da pandemia de coronavírus, a New Holland Agriculture marca a sua participação na 45ª edição da Expointer, que ocorre de 27 de agosto a 4 de setembro no Parque Assis Brasil, em Esteio (RS). Trazendo muitas novidades e inovação, a marca da CNH Industrial apresentará durante a feira agropecuária gaúcha o primeiro trator biometano do mundo, lançado comercialmente no país este ano. Outra novidade é a linha de colheitadeiras CR Intellisense™, com tecnologia de inteligência artificial embarcada.

“Estamos muito felizes de poder retomar a participação presencial nas feiras agrícolas neste ano. E na Expointer não poderia ser diferente. Trouxemos o que há de melhor em tecnologia, agricultura digital, inovação e sustentabilidade para o campo, apresentando ao produtor rural a solução ideal, na medida do que ele necessita, independentemente do tamanho da operação”, afirma Rafael Miotto, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina.

T6 Methane Power

Uma das estrelas da Expointer 2022 é o primeiro trator biometano do mundo. Ele inaugura um novo segmento de máquinas agrícolas, por sua inovação no uso de combustíveis alternativos e mais amigáveis ao meio ambiente, e que entregam a mesma eficiência energética e operacional de um trator convencional.

O T6.180 Methane Power pode utilizar o gás proveniente das operações de cana-de-açúcar ou dejetos de animais, por exemplo, como combustível, aproveitando o passivo ambiental e transformando-o em ativo ao gerar o seu próprio combustível e deixando de utilizar o óleo diesel, o que produz uma sensível redução nos custos operacionais.

O trator biometano fez sua estreia no Brasil na Expointer de 2016 e já entrou em testes naquele mesmo ano. Em 2019, uma segunda unidade chegou ao país para contribuir nos testes de campo. Recentemente, já como produto final, foi eleito Trator Sustentável do Ano 2022 durante a EIMA Internacional, feira mundial que expõe novidades em máquinas agrícolas, que ocorreu em outubro de 2021 em Bolonha, na Itália.

“Esse tipo de trator biometano dá ao produtor rural ou à usina a possibilidade de utilizar o biogás gerado dentro da propriedade para abastecer o equipamento, aproveitando o chamado ciclo virtuoso da propriedade, que se torna cada vez mais autossuficiente do ponto de vista energético e ambientalmente correta. E como um extra ainda tem a redução dos seus custos operacionais e tranquilidade no gerenciamento das suas atividades, pois se torna autossuficiente em produção e uso de combustível, ficando livre de todas as incertezas do mercado de combustíveis fósseis”, afirma Cláudio Calaça Júnior, diretor de Marketing de Produto da New Holland Agriculture para a América Latina.

“Desde 2006, quando a New Holland lançou sua estratégia de Líder em Energia Limpa, seguida pelo lançamento em 2013 do primeiro protótipo de trator da série T6 movido a metano, a marca tem repetidamente enfatizado seu compromisso de cumprir suas metas ambientais e contribuir para a redução de CO2”, afirma Paulo Máximo, diretor de Marketing Comercial da New Holland Agriculture para a América Latina.

No caso do trator biometano, as reduções de emissões de material particulado são de mais de 90% e, de modo geral, alcançam até 80% se comparadas a um trator a diesel, mas mantendo o mesmo desempenho de um trator convencional similar.

Nova CR Intellisense™

Outra novidade que a New Holland vai mostrar na Expointer é a linha de colheitadeiras CR Intellisense™, com tecnologia de inteligência artificial, que permite ao operador escolher entre diferentes estratégias de colheita conforme as condições da lavoura e o objetivo que se quer atingir. A inteligência artificial do Intellisense™, junto com a tomada de decisão do operador, é o sistema de colheita mais sofisticado disponível no mundo, e ao mesmo tempo é simples de operar.

O Intellisense™ apresenta um novo conceito de colheita, ainda mais precisa e perfeita, que ajuda a aumentar a eficiência das lavouras. Além disso, a nova CR traz de série uma cabine maior e mais confortável, iluminação com luzes de LED, telemetria embarcada e um novíssimo sistema de detecção de “pedras”, entre outras melhorias.

A tecnologia Intellisense™ é aplicada nas colheitadeiras produzidas pela New Holland na Europa desde 2018 e tornou-se um grande sucesso naquele continente pela facilidade de operação e precisão que traz embarcada. O sistema vem de fábrica embarcado nas novas máquinas CR 10.90 e CR 9.90, e está disponível como opcional nas CR 7.90 e CR 8.90.

“Além de todos os benefícios da inteligência artificial, as novas colheitadeiras CR também trazem uma nova cabine, maior, mais ampla, com novas forrações em tecido mais escuro, novos assentos de operador, novo refrigerador portátil, nova luz de LED portátil, novo conjunto ótico de LED como opcional, possibilidade de instalação de um display duplo, também opcional, tal como o ajuste da máscara frontal de dentro de cabines”, enumera Calaça.

A nova tecnologia da linha CR, premiada internacionalmente, realiza de maneira automática diversas regulagens da máquina, aumentando a eficiência e a produtividade em tempo real. “Essa tecnologia não vem para substituir o operador, mas sim para somar a experiência e percepção humana a rapidez nos ajustes e entendimento das transições de condição, formando um time imbatível na colheita. Com isso, é possível obter a capacidade máxima de colheita de acordo com a condição da lavoura”, pontua.

T5.110 S: versátil, compacto e potente

A New Holland também apresentará na 45ª Expointer o novo T5.110 S, trator de média potência que agora está disponível para os produtores brasileiros. “Esse trator é um sucesso de vendas nos países onde foi lançado. Ele vem para ampliar o nosso portfólio com base em diferencias como tecnologia, força, robustez, confiabilidade, conforto e simplicidade de operação, juntamente com características técnicas que permitem atender aos mais diversos tipos de implementos”, explica Calaça.

Segundo ele, o objetivo da marca é ampliar ainda mais a oferta de tratores de média potência no país. Em linhas gerais, o T5.110 S apresenta um melhor desempenho e eficiência de transmissão, hidráulica e tomada de força, tornando-se bastante competitivo num mercado voltado a pequenos e médios agricultores profissionais.

O T5.110 S agrega ainda destaques em sua configuração que o fazem um dos tratores mais completos e potentes da categoria, equipado com motor FPT S8000 TIER 3, de 4 cilindros e 111cv de potência nominal. Com uma transmissão denominada de Electro Command™, de 16×16, do tipo Semi Automática (Semi PowerShift), com 4 velocidades e 4 gamas, aliado com um sistema de reversor eletro-hidráulico, trocas de marchas suaves e o conforto de uma cabine espaçosa e silenciosa, é o trator perfeito para o agricultor que passa longas horas em operação no campo. As opções de tomada de força 540/540E/1000 e capacidade de levante de hidráulico de 5200 kg permitem trabalhos com diferentes tipos de implementos e condições de operação.

Espaço de agricultura digital

Quem visitar o estande da New Holland na Expointer vai poder conferir de parto um espaço totalmente dedicado a soluções voltadas para a agricultura digital, onde é possível conhecer as mais modernas ferramentas de precisão e controle de dados.No Espaço de Agricultura Digital, os visitantes poderão ver o funcionamento da Central de Inteligência de Serviços (Control Room), destinado ao monitoramento a distância das máquinas agrícolas em campo, antecipando eventuais problemas que possam ocorrer nos equipamentos e fazer atualizações de softwares sem a necessidade de deslocamentos. A Central de Inteligência de Serviços suportará o cliente no dia a dia, otimizando a operação e reduzindo o tempo de máquina parada.

O espaço também irá apresentar soluções conectadas para a gestão da fazenda, juntamente com os portais de telemetria, suporte e treinamento da New Holland – o MYPLMCONNECT e o MYNEWHOLLAND, respectivamente. Essas ferramentas possibilitam ao produtor monitorar a frota, gerenciar os dados agronômicos, dar suporte às operações agrícolas e aprimorar a gestão da propriedade, com dados que podem ser acessados da própria máquina, do escritório ou da tela do smartphone.

30/08/2022 0 Comentários
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