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Notícias

Cresce a participação feminina em cargos de liderança

Por redação 08/03/2021
Escrito por redação
- Cresce a participação feminina em cargos de liderança

Ana Maria Primaves tornou-se conhecida por sua atuação na área da agricultura sustentável

Presença de mulheres no comando de negócios rurais supera setores como o da indústria ou da tecnologia

 

Por Viviane Taguchi

Nos anos 1960, a engenheira agrônoma Ana Maria Primavesi começou a escrever seus primeiros artigos científicos sobre agricultura sustentável. Primavesi, de origem austríaca, veio para o Brasil após a Segunda Guerra, em 1949, e de imediato, não entendeu porque as técnicas agrícolas aplicadas em solos brasileiros eram todas importadas da Europa, em que o clima e os solos são diferentes. Embrenhou-se na causa, e em 1980, seu trabalho de pesquisa já era referência. O livro (uma de suas sete obras publicadas), “Manejo ecológico do solo: agricultura em regiões tropicais” tornou-se uma espécie de bíblia para a agricultura tropical sustentável. 

Primavesi morreu em janeiro do ano passado, aos 100 anos de idade. Oito anos antes, em 2012, ela recebeu o prêmio One World Award, considerado o Nobel da agricultura orgânica, concedido pelo International Federation of Organic Agriculture Movements (Ifoam). Foi a primeira mulher a receber a honraria no planeta, aos 92 anos de idade. À época, vivendo em Itaí, cidade do interior paulista, era ela que ainda comandava a propriedade rural da família. 

O protagonismo de Ana Primavesi, conquistado durante períodos em que o papel feminino no mercado de trabalho ficava em segundo plano, já mostrava que o setor agropecuário brasileiro tem muito espaço para as mulheres.

Hoje, elas são mais de 1 milhão ocupando cargos de liderança. “Sempre existiu aquela imagem de que o homem é que manda na fazenda, mas há inúmeros casos no nosso país rural em que a mulher é quem comanda”, comentou a Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias. “Essa é a minha história: uma mulher jovem, grávida, subindo no trator e lidando com os peões da fazenda o dia todo”. 

Tereza Cristina é hoje uma das mulheres mais poderosas do País e a segunda a assumir um dos ministérios mais importantes do governo (antes dela, a senadora Kátia Abreu comandou a pasta). Ministra de Estado, Tereza transita empoderada entre o Palácio do Planalto, o Itamaraty, a bancada ruralista, grupo da qual já foi líder, e costura acordos internacionais de peso. “Quando uma mulher assume as rédeas de um negócio e está focada, não tem o que a tire do prumo”, afirmou. “No campo, existem os olhares desconfiados, atravessados, para a mulher gestora. Na política, tem o preconceito em sua forma mais cruel”. 

A ministra, de 66 anos, tem uma história parecida com a de cerca de 1 milhão de mulheres gestoras de propriedades rurais no Brasil, dado revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o último censo. “Eu era a filha mais velha, precisava assumir o negócio e passei por inúmeras situações, como funcionário que tirava peça da plantadeira só pra eu ter problemas, e por aí vai. Eu fui testada por homens o tempo todo, mas respirava fundo e continuava”, lembra Tereza. “O segredo foi não baixar a cabeça”.

- Cresce a participação feminina em cargos de liderança

Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina,

Elas no comando

Uma pesquisa realizada pelo International Business Report, da Grant Thronton, com 4.812 empresas, em 32 países revelou que no Brasil, em 2020, pelo menos 34% dos cargos de liderança sênior (diretoria executiva) foram ocupados por mulheres. Esse percentual coloca o País na 8º colocação no ranking dos 32 países, que é liderado pelas Filipinas (43%) e seguido pela África do Sul (40%), Polônia (38%), México (37%), Indonésia (37%), Nigéria (36%) e Turquia (36%). Em 2019, o índice brasileiro era de 25%, abaixo da média global, 29%. 

O avanço das mulheres brasileiras em liderança sênior foi de 9%, mas quando o assunto é a presidência (CEO), houve um salto de 32% em 2020 (contra 27% no ano anterior), índice muito superior à média global, de 20%. Na contramão, a contratação de mulheres para os cargos de diretor de operações (COO) caiu de 21% em 2019 para 16% em 2020, abaixo da média global.

No agronegócio, oficialmente, o número de mulheres gestoras de empreendimentos agrícolas no País, é baseado no censo do IBGE: 947 mil se declararam como a principal gestora do negócio e 19% delas, proprietárias das terras, enquanto o restante, 81% ocupa cargos de confiança. Já uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), realizada com 300 mulheres que atuam no mercado de trabalho agrícola apontou que 30% delas ocupam cargos de gestão, um índice bem mais elevado do que em setores como o industrial (22%) e o de tecnologia (20%). 

Exemplo global

Em agosto do ano passado, a multinacional Bayer fez um anúncio inédito: a divisão agrícola da companhia no Brasil apresentou uma mulher, a paulista Malu Nachreiner, 41 anos, como sua nova principal gestora. Malu é a primeira a assumir o mais alto posto na divisão mais importante da companhia, que, por sua vez, foi a primeira empresa do setor a posicionar uma mulher no comando. “A gente vinha se preparando para buscar novos cargos executivos na companhia e tudo convergiu no momento em que estamos vivendo”, disse a executiva, que traz na carteira uma carreira de 17 anos na empresa.

- Cresce a participação feminina em cargos de liderança

Malu Nachreiner, foi a primeira mulher a assumir o mais alto posto na divisão mais importante da Bayer no Brasil: a agrícola

Malu começou na Monsanto (empresa adquirida pela Bayer em 2016) como trainee. Formada agrônoma, partiu para o Rio Grande do Sul. “Atuava diretamente no campo, lado a lado com os produtores rurais e ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não houve uma resistência pelo fato de eu ser mulher”, afirma. “As pessoas do campo te acolhem como parte da família delas, é uma característica delas”. 

Do sul para o sudeste, ela conta que se preparou para os cargos executivos com o incentivo da empresa. “Gênero nunca foi uma condição, mas temos consicência de que é preciso abrir essa porta da inclusão porque há um viés inconsciente que deixou barreiras”, disse. Não por acaso, quase um mês depois de assumir o comando da divisão agrícola da Bayer, a companhia fez um anúncio ousado: um programa voltado para a contratação exclusiva de trainees pretos ou pardos, com salário inicial de R$ 6.900,00. “Se continuarmos trabalhando com os funis de sempre, a inclusão não vai acontecer”.

No dia em que Malu Nachreiner foi anunciada pela companhia como sua nova líder, outra Malu, a Weber, também assumia o posto de diretora global de comunicação da empresa. “Inclusão e diversidade são pilares estratégicos que impulsionam o jeito Bayer de fazer negócios”, disse Marc Reichardt, presidente global da Bayer. 

Em 2017, a Bayer tornou-se signatária dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs – Women Empowerment Principles) promovidas pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global das Nações Unidas, além de ser signatária do movimento He for She, por iniciativas para a busca de equidade de gênero no mercado de trabalho. 

Tradição de um século

Em fevereiro de 2020, uma mulher quebrou, no agronegócio, uma tradição de 100 anos: a pecuarista e socióloga Teresa Vendramini, 61 anos, foi eleita presidente da Sociedade Rural Brasileira. O posto, antes só ocupado por homens, deu à Teka, como é conhecida no meio agropecuário, poder para tornar a entidade mais tradicional do agro, mais inclusiva. “As mulheres estão criando correntes sólidas em torno dos sindicados rurais, cooperativas ou mesmo, grupos independentes. Uma característica em todas elas é a busca constante por conhecimento”, comentou. 

Antes de ser escolhida para comandar a SRB, Teka já atuava na defesa das mulheres no agronegócio, incentivando as mulheres a assumirem os negócios no campo. “Foi desafiador apresentar uma legião de mulheres prontas para reivindicar sua liderança no agronegócio, mostrando o que pensam, o que temem e de que maneira trabalham”, disse ela, que em setembro, mais uma vez, quebrou uma tradição e foi eleita a primeira mulher presidente da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM). 

Pesquisa e ciência 

Apesar de ser sempre representado no imaginário popular pela figura masculina, o setor de pesquisa e ciência também tem na linha de frente mais mulheres. Somente em São Paulo, as pesquisadoras ocupam 50% dos cargos científicos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), de acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, que possui seis institutos de pesquisa. Três deles são comandados por elas.

No Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), todos os seis centros técnicos são dirigidos por mulheres. Pesquisadora da entidade há mais de 35 anos, Eloísa Garcia encara como um grande satisfação o desafio de ser a primeira mulher a estar no posto de diretora-geral do Instituto, cargo que ocupa desde 2019. “A presença feminina é muito forte na pesquisa porque há mentes mais abertas, pessoas com visão mais inovadora”, afirma. Segundo dados do Instituto de Estatística da Unesco, no mundo apenas 28% dos pesquisadores são mulheres, que continuam sub-representadas nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. 

A bióloga Ana Eugênia de Carvalho Campos, diretora do Instituto Biológico de São Paulo, considera importante a participação cada vez maior das mulheres em profissões estratégicas. “Dizem que as mulheres possuem a capacidade de fazer diversas coisas ao mesmo tempo. Que estamos sempre atentas, que somos curiosas e que conseguimos tomar decisões com rapidez. Todas essas características são importantíssimas para um gestor e para um cientista”, diz.

A visão é compartilhada por Priscilla Rocha Silva Fagundes, diretora do Instituto de Economia Agrícola (IEA). “O campo sempre foi visto como um ambiente masculino, apesar da mulher sempre ter uma participação importante dentro das propriedades rurais. Estamos, porém, ocupando cada vez mais lugar no setor dos agronegócios e na pesquisa científica”, conclui.

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Revista

Como o uso de drones revolucionou o agronegócio

Por redação 05/03/2021
Escrito por redação
Por Viviane Taguchi

- Como o uso de drones revolucionou o agronegócio

Mercado de drones cresce exponencialmente em todo o mundo, e a agricultura representará a maior parte das vendas nos próximos anos

O Brasil está na lista de pessoas que mais consomem drones no mundo, mas ainda longe dos Estados Unidos que, em 2021 devem comercializar quatro milhões de unidades de drones e movimentar cerca de US$ 82 bilhões até 2025, segundo estimativas da Federal Aviation Administration (FAA). A instituição também estima que será a agricultura o setor responsável por 80% das vendas de drones na América do Norte. Por aqui, as vendas de drones devem atingir 400 mil unidades neste ano, o que representa um aumento considerável em relação a 2019, quando foram comercializadas 71 mil unidades.  

Mas na era das fazendas conectadas, a tendência é seguir o caminho dos americanos. No campo, os drones estão gerando milhares de informações, de forma rápida e assertiva, com sensores inteligentes que cumprem tarefas no dia-a-dia, na agricultura e na pecuária. “O drone é uma ferramenta auxiliar, mas muito importante para a tomada de decisões”, afirma o pesquisador Lúcio André de Castro Jorge, da Embrapa Instrumentação, de São Carlos, interior de São Paulo. “Com a tecnologia embarcada nesses equipamentos, é possível obter informações precisas e adotar manejos mais eficientes com a agricultura de precisão”.

- Como o uso de drones revolucionou o agronegócio

Um levantamento realizado pela consultoria McKinsey&Company, mostra que a aplicação de insumos em taxa variável (VRA) e os drones foram as tecnologias mais adotadas pelos produtores rurais brasileiros em 2020. A empresa ouviu 750 produtores em 11 Estados e 53% deles afirmaram que já utilizaram pelo menos uma tecnologia ou estão dispostos a adotar pelo menos uma nas próximas duas safras. “É um segmento que vai crescer muito, tem demanda enorme e são esperados ganhos de produtividade, redução de custos, mudanças gerenciais da fazenda com o uso de drones. A tecnologia está em todas as áreas”, afirmou Jorge, que atualmente coordena um estudo com “enxames de drones” no campo.

A demanda por drones tem sido tão crescente que na segunda semana de janeiro, uma startup mineira que utiliza drones, satélites e análises de solo para mapeamento de propriedades recebeu o aporte de R$ 1 milhão, em uma rodada liderada pela Domo Invest e Silver Angels. Através de dados coletados pelo drone, cruzados com uma rede de dados e informações, especialistas realizam análises capazes de identificar a variabilidade do estado nutricional da plantação, mapear a fertilidade do solo, quantificar a população de plantas, detectar plantas daninhas e pontos de incidência de pragas ou doenças e identificar áreas mais produtivas que outras. A startup atende hoje grandes empresas do agronegócio, como a Raízen, Philip Morris International, Algar Farming, Bayer, Sumitomo Chemical e Pedra Agroindustrial. 

- Como o uso de drones revolucionou o agronegócio

“Zangão”

Drones, que em inglês quer dizer Zangão, são veículos aéreos não tripulados (VANT) regulamentados pela Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC), que estabelece regras para seu uso de acordo com modelos, finalidade, peso. No campo, esse pequeno robô voador capaz de enxergar o que o olho humano jamais conseguiria tem feito um trabalho incrível: sobrevoos de áreas plantadas, mapas topográficos, mensuração, divisão de talhões, planejamento de curvas de nível. Mas especialistas apontam que são atividades como controle biológico de pragas e pulverizações que mais movimentam o mercado. “Com os veículos de pequeno porte é possível sobrevoar áreas de difícil acesso, realizar a pulverização localizada em locais com falha de controle, não causar o amassamento da cultura”, diz Jorge.

Veículo não tripulado e a AP 

- Como o uso de drones revolucionou o agronegócio

O sobrevoo do drone em uma lavoura permite que o equipamento envie para o sistema da fazenda, informações completas sobre toda a área produtiva e também, sobre rebanhos de criação. O aparelho, que tem um sensor poderoso, protegido por uma plataforma, normalmente utiliza câmeras RGB, que captura imagens de espectro visível, e NIR (Near Infrared), que captura informações na banda infravermelho próxima, invisível aos olhos humanos. Operações realizadas com essas duas câmeras podem realizar um “checkup” completo da lavoura.

Auxílio na gestão da fazenda

Análise da lavoura: podem analisar a plantação inteira, detectar pragas e doenças, falhas de plantio, excesso de áreas irrigadas, entre outros. Podem contar com softwares para análises de imagens e, do alto, é possível analisar até a coloração da planta para detectar presença de fungos, por exemplo. 

Demarcação de plantio: são ideais para apontar áreas boas para o plantio, pois proporcionam uma visão aérea completa da área e podem analisar, de acordo com as imagens captadas, quais áreas da fazenda estão mais propícias para a semeadura.

Acompanhar o desenvolvimento da safra:  para saber se a lavoura está desenvolvendo como o esperado, o “piloto” pode sobrevoar a plantação com a frequência desejada (a cada semana, por exemplo), captar as imagens e depois analisá-las cronologicamente no computador. Utilizando as informações da rede, tomar as decisões mais assertivas.

Pulverização: alguns protótipos conseguem embarcar até 18 litros de defensivos e a aplicação feita pelo drone pode ser mais eficiente pela proximidade das plantas (não há o risco de pulverizar lugares proibidos) e mais segura por não ter um piloto embarcado na aeronave. 

Monitoramento de pastagem: do alto, é possível saber quais pastos devem ser reformados e quais estão bons para uso. Se precisar de uma análise detalhada, é possível escolher pontos estratégicos da fazenda para coleta de solo, que será enviada para laboratórios.

Monitoramento de desmatamento: o sobrevoo oferece uma visão ampla de lugares distantes e de difícil acesso. Com essas pequenas máquinas, é possível ir a lugares onde estejam ocorrendo desmatamentos e, com localização precisa, combatê-los.

Achar nascentes de água: como algumas nascentes podem estar em matas fechadas, os drones podem ir a lugares de difícil acesso e encontrar a origem da água.

Localizar áreas propícias para abertura de estradas: também driblando o problema da mata fechada, é possível determinar do alto quais as melhores coordenadas para abrir estradas e vias na fazenda.

Vigilância: pequenos e ágeis, foram criados para vigilância em guerras pelos governos, e também para a proteção de áreas vulneráveis como fronteiras. O mesmo uso pode ser adotado na fazenda para vigiar as divisas da propriedade.

Localizar focos de incêndio: drones conseguem sobrevoar incêndios para descobrir os focos do fogo e, consequentemente, controlá-los. 

Telemetria: é possível medir propriedades usando as imagens de alta qualidade do drone.

Contar a boiada: com as imagens aéreas, é possível contar o rebanho 

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Revista

Telemetria torna cultivo mais produtivo, preciso e inteligente

Por redação 05/03/2021
Escrito por redação
Por Leonardo Gottems

 

- Telemetria torna cultivo mais produtivo, preciso e inteligente

Tecnologia permite automatizar processos e acessar informações remotamente

A agricultura foi inventada e reinventada inúmeras vezes durante a história da humanidade e, agora, tem um novo capítulo revolucionário sendo escrito. A arte de plantar e colher vem sendo acompanhada de perto pela tecnologia e também pela transformação digital.

- Telemetria torna cultivo mais produtivo, preciso e inteligente

“Hoje já não existe mais separação entre os mundos físico e virtual, conectados para facilitar a vida das pessoas. Por trás dessa ideia está o conceito da Agricultura 4.0, também chamada de agricultura digital, uma clara referência à Indústria 4.0, inovação que teve início na indústria automobilística alemã e que agora conquista fábricas de diversos segmentos devido à completa automatização nos processos produtivos”, explicam as pesquisadoras Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá e Maria Angelica de Andrade Leite, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Umas destas “tecnologias” é a telemetria, que consiste na coleta e no compartilhamento remoto de dados sobre equipamentos, veículos e máquinas. De acordo com a Jacto, empresa brasileira referência na fabricação de implementos agrícolas, o uso da telemetria na agricultura de precisão consiste em um conjunto de hardware conectado a sensores embarcados nas máquinas, como sensores indutivos, capacitivos, de temperatura, de umidade relativa, de pressão de óleo e GPS.

 “Esse recurso ajuda o produtor a fazer um diagnóstico completo da lavoura e a implementar ações que otimizem as operações. Dessa forma, o sistema pode aumentar a produção e a produtividade e gerar uma redução de custos de 3% a 15%. Isso é possível graças às informações retiradas do campo, como dados sobre o maquinário e as condições do solo e clima, que são monitoradas a todo o momento, servindo de base para a tomada de decisão”, diz a empresa. 

Um exemplo disso é o processo de pulverização. Nele, é possível promover uma aplicação homogênea e em condições que favoreçam o controle. “O gasto de combustível dos veículos também pode ser gerenciado. Caso ocorra um uso além da média, o equipamento deve ser enviado para manutenção a fim de evitar desperdícios”, completa a Jacto.

A empresa lembra que a telemetria pode ser utilizada para monitorar dados operacionais da máquina, que vão desde saber qual a uniformidade da aplicação do defensivo até a quantidade da área sobreposta, as condições climáticas no momento da pulverização.

- Telemetria torna cultivo mais produtivo, preciso e inteligente

“As informações coletadas do campo por meio de componentes de hardware precisam de uma ferramenta eletrônica para serem armazenadas, analisadas e visualizadas. Então, se deseja utilizar telemetria em seu negócio, será necessário contar com uma plataforma de gerenciamento”, complementa a Jacto.

Como todas as tecnologias que surgem, a telemetria também levanta suspeitas sobre o seu uso, sua necessidade e também os seus pontos positivos e negativos. Nesse cenário, a empresa Datatem, que surgiu em 2012 para atuar com telemetria e Internet das Coisas (IoT), listou uma série de vantagens e desvantagens sobre o tema. 

Vantagens x desvantagens

- Telemetria torna cultivo mais produtivo, preciso e inteligente

O principal empecilho citado pela Datatem é o alto custo dos equipamentos e softwares, que exigem um grande investimento e pessoas qualificadas para operar os sistemas. Além de possuir conectividade, o agricultor terá de instalar diversos equipamentos necessários e também tera que aprender a operá-los, o que pode ser mais difícil para pessoas com menos instrução escolar e também tecnológica. “Entretanto, o retorno que se tem sobre o investimento é muito grande, visto que a telemetria aumenta a produtividade e reduz os custos de diversas operações”, pondera a empresa.

- Telemetria torna cultivo mais produtivo, preciso e inteligente

Além disso, outro ponto negativo é a conectividade nas áreas rurais brasileiras, que é inexistente em grande parte do País. “Boa parte da comunicação entre máquinas que acontece na lavoura se dá através da rede GPRS (2G, 3G e 4G), com chips M2M instalados nos sensores e máquinas. A rede GPRS nada mais é do que a rede de telefonia celular móvel do Brasil. Então, ela costuma ser a escolha mais comum para a telemetria na agricultura, devido a sua cobertura nacional e seu baixo custo em relação a outros tipos de conectividade. Entretanto, dependendo da operadora, o nível de sinal em regiões rurais muitas vezes acaba não sendo bom, o que pode comprometer a automatização dos processos agrícolas”, explica.

As pesquisadoras da Embrapa explicam que “a dificuldade para acessar a Internet ainda é um dos limitantes para o avanço dos aplicativos móveis no meio rural. Entretanto, os indicadores de uso vêm melhorando ao longo dos anos. A pesquisa TIC Domicílios 2015, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), apontou avanço do uso dos telefones celulares para acessar a Internet tanto no meio rural quanto no meio urbano. De acordo com a pesquisa, em 2015, a proporção de indivíduos que possuiam telefone celular na região urbana era de 86%, e na rural, de 71%. Destes, 90% já acessaram a Internet na região urbana e 85% na região rural”, complementam.

O meio ambiente, segundo elas, também não fica de lado com o surgimento da telemetria, já que com “a telemetria incorporada nos processos de produção agrícola, há uma gestão melhor dos recursos utilizados, como água e fertilizantes. Então, os desperdícios são minimizados e o impacto que a agricultura causa no meio ambiente também. Sem contar que, com as máquinas conectadas a um único sistema, é possível saber por onde cada uma passou e evitar a aplicação desnecessária de insumos e defensivos em uma mesma área. Além de economizar recursos, isso contribui para uma maior longevidade do solo”.

 “A telemetria na agricultura torna o processo de cultivo muito mais produtivo, preciso e inteligente, elevando todos os resultados da produção”, completam.

- Telemetria torna cultivo mais produtivo, preciso e inteligente

Como a telemetria consegue recolher imensas quantidades de dados de uma lavoura, a técnica utiliza a Big Data para interpretar esses dados. Big Data nada mais é do que a interpretação de grandes volumes de dados, segundo a engenheira agrônoma Ana Lígia Giraldeli, que é mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar), Doutora em Fitotecnia (Esalq-USP) e especialista em Agronegócios, além de professora da UNIFEOB.  “Os principais aspectos do Big Data são definidos pelos 5 Vs: Volume, Variedade, Velocidade, Veracidade e Valor. Os aspectos de Volume, Variedade e Velocidade, referem-se à grande quantidade de dados não-estruturados. Estes dados precisam ser analisados com as soluções de Big Data em grande velocidade e, em sua maioria, em tempo real. A Veracidade nos diz que as fontes e a qualidade dos dados precisam ser confiáveis. O V de Valor se refere aos benefícios que essas soluções de Big Data vão trazer para sua empresa”, conceitua ela.

Na agricultura, explica a especialista, o Big Data pode auxiliar na interpretação dos dados meteorológicos: “Com a interpretação correta de dados sobre a previsão meteorológica, o agricultor consegue administrar outras operações como a semeadura, a colheita, a irrigação e as aplicações de defensivos agrícolas. Outro exemplo que podemos citar da agricultura digital são as tecnologias que garantem o ajuste das doses de fertilizantes que são aplicados, o que reduz custos e perdas”.

 “Com a correta interpretação dos dados levantados é possível otimizar processos na lavoura, reduzir custos e tomar decisões mais assertivas sobre os manejos. Também vimos que com o aplicativo de controle e gestão agrícola, consegue-se gerenciar diversos dados coletados do campo”, conclui.

 

Revolução agrícola

- Telemetria torna cultivo mais produtivo, preciso e inteligente

De acordo com Benjamin Cusit, gerente Geral do Colven Brasil, assim como inicialmente a mecanização revolucionou o agronegócio mundial, nos dias de hoje a Telemetria vem para revolucionar a máquina e a produção. “Uma atividade agrícola, seja plantio, pulverização ou colheita, todas estão sujeitos a muitas variáveis, trazendo muitos custos, ocultos ou conhecidos, mas sem a ferramenta para realizar a gestão certa da atividade”, aponta ele.

 “É aí que aparecem as verdadeiras vantagens que a Telemetria traz para a agricultura mecanizada atual. Facilita o gerenciamento dos dados das atividades que acontecem no campo (em tempo real ou em alguns casos informações após dos trabalhos realizados), permitindo estes dados realizar, e ter precisão nos ajustes, alguns até em tempo real. Com isso se consegue o controle total da operação, fator clima, máquina ou humano, e assim focar os esforços em melhorar a qualidade das operações, realizar um trabalho com maior eficiência e isto se transforme no resultado final de maior produtividade, não só da produção em quilos, mas também da atividade realizada”, explica. 

“Com a instalação de produtos e serviços nossos parceiros têm experiências únicas de baixa nas manutenções, aumento da produtividade e gestão total das atividades”, garante o gerente. De acordo com ele, a Colven Brasil prepara mais dois lançamentos: “O principal é o novo portal agrícola de telemetria GESTYA. Maiores informações, simplificação dos processos de gerenciamento de todas as unidades dentro da fazenda, controle total das manutenções, dashboards customizados para cada cliente, e muito mais. Também, estamos trabalhando em conjunto com uma empresa parceira, para o lançamento de um sistema de telemetria por sinal de rádio, para levarmos nossas tecnólogas até aquelas fazendas que hoje não tem conectividade no momento. Um processo interno que chamamos de democratização da telemetria”, conclui Benjamin Cusit.

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Revista

Práticas conservacionistas são usadas para resgatar solo

Por redação 05/03/2021
Escrito por redação
Por Gustavo Paes

- Práticas conservacionistas são usadas para resgatar solo

 

Para resgatar a fertilidade do solo, produtores investem em técnicas como semeadura em contorno, diversificação de culturas e terraceamento

O ano agrícola de 2020 foi marcado pelo fenômeno climático La Niña, que provoca estiagens na Região Sul do Brasil. Apesar da seca prolongada em alguns municípios, ocorreram temporais, que carregaram sementes, fertilizantes, restos de cultura, matéria orgânica e agroquímicos, causando prejuízos econômicos e ambientais. Para resgatar a fertilidade do solo e a produtividade, os produtores decidiram retomar práticas conservacionistas, como diversificação de culturas, semeadura em contorno e terraceamento.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) está retomando essa prática de conservação no estado, onde o número de produtores rurais interessados vem aumentando. Na região Oeste, mais de 1.100 hectares utilizam a tecnologia dentro do projeto “Manejo e conservação de solo e água”. O destaque da iniciativa, que beneficia 80 famílias em 25 municípios, é Xaxim, que conta com terraceamento em 176 hectares, e Caxambu do Sul, que possui 92 hectares terraceados.

A metodologia introduzida pela Epagri é conhecida como Terraço for Windows. Ela foi desenvolvida pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e validada pela Embrapa Trigo, de Passo Fundo (RS), pela empresa Sementes Falcão, de Sarandi (RS), e agora também pelo grupo de trabalho da Epagri. “Essa tecnologia mudou a forma como se trabalha com terraços”, destaca o Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski.  

O engenheiro agrônomo Marcelo Henrique Bassani, da Gerência Regional de Xanxerê (SC) da Epagri, explica que o método tem como base a declividade do terreno, a infiltração de água no solo e o histórico de chuvas da região. “A tecnologia visa captar e armazenar água no solo e evitar a erosão e a degradação do terreno, com o objetivo de obter maiores ganhos de produtividade e rentabilidade das lavouras, além dos ganhos ambientais e sociais”, salienta. 

Os terraços agrícolas são estruturas mecânicas ou obras hidráulicas constituídos por um camalhão (crista de terra) e um canal, construídos transversalmente ao plano de declive do terreno, de modo a estabelecer obstáculo físico ao escoamento superficial das águas que não se infiltram no solo durante a ocorrência das chuvas. 

Essas estruturas dividem o plano de declive do terreno em faixas horizontais. Eles têm por objetivo auxiliar os processos de conservação do solo e da água, pois reduzem a velocidade da enxurrada, transportando-a para fora da lavoura ou armazenando-a para que se infiltre no solo após a chuva cessar. O tamanho do camalhão é calculado para que cada metro linear de terraço seja capaz de receber até 2 mil litros de água, em média e – e cerca de 30% dela pode ser usada pelas plantas em época de seca. “Um terraço de 100 metros lineares tem capacidade para armazenar 250 mil litros de água”, explica.

Maior produtividade

- Práticas conservacionistas são usadas para resgatar solo

- Práticas conservacionistas são usadas para resgatar solo

 O efeito na produtividade é melhor observado durante os períodos de estiagem. Lavouras de soja com terraceamento na região de Passo Fundo, onde a prática foi validada, produziram 50 sacas por hectare na safra 2013/14, em uma temporada marcada por estiagem. Na mesma região, lavouras sem terraceamento produziram, em média, 30 sacas por hectare. Outra vantagem é a economia de adubo. Os terraços de base larga evitam que a água escoe pela lavoura, carregando adubo e matéria orgânica. Nas propriedades onde o sistema está consolidado, os estudos mostraram que os nutrientes ficam seis vezes mais concentrados no solo. 

Mas não foi exatamente isso que ocorreu nos últimos 20 anos nas lavouras da Região Sul. Especialistas apontam que houve um retrocesso, pelo manejo inadequado do solo, compactação e redução da infiltração de água. Com isso, a erosão acabou aumentando em muitas lavouras, levando a parte fértil do solo, além de fertilizantes, inseticidas e herbicidas. Isso provocou prejuízo aos agricultores e poluiu os rios. 

“A falta de qualidade do plantio direto praticado, resultante da baixa cobertura do solo com palha, a falta de rotação de culturas e o manejo inadequado de máquinas e animais em sistemas integrados de produção provocaram o aparecimento da camada compactada, a diminuição da infiltração e o consequente aumento do escoamento de água sobre a superfície do solo, fazendo ressuscitar a erosão nas lavouras”, diz o agrônomo Juliano Gonçalves Garcez, extensionista da Epagri de Caxambu do Sul.

Agricultura ultrapassada 

- Práticas conservacionistas são usadas para resgatar solo

A prática, no entanto, não é nova. Nas décadas de 1980 e 1990, a Epagri realizou um trabalho pioneiro em Santa Catarina e na Região Oeste do Estado. Mas, com o advento do plantio direto na palha, o terraceamento foi praticamente abandonado. Os agricultores acreditavam que o plantio direto, com a manutenção da palhada das lavouras sobre o solo, bastaria para controlar a erosão.

E os terraços agrícolas passaram a ser considerados símbolos de uma agricultura ultrapassada. Construídos nas décadas de 1970, 1980 e 1990 como única prática de conservação, eles acabaram desmontados porque dificultavam a operação das máquinas nas lavouras. Mas estão retornando com uma nova concepção de demarcação, construção e manutenção.

- Práticas conservacionistas são usadas para resgatar solo

 A metodologia Terraço for Windows foi desenvolvida pelo professor Fernando Pruski, da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e testada e aprovada pela Embrapa Trigo e pela Emater do Rio Grande do Sul em lavouras gaúchas. Ela leva em consideração as maiores chuvas do local, a capacidade de infiltração de água e a inclinação dos solos da propriedade. Dessa forma, os terraços podem ser construídos bem mais espaçados.

 Os especialistas em conservação do solo se esforçam para demonstrar e convencer técnicos e produtores rurais de que a simples adoção do sistema de plantio direto nas regiões de clima subtropical não é suficiente para controlar a erosão. Diante do regime de chuvas, do relevo, das classes de solo e dos sistemas agrícolas produtivos predominantes na Região Sul, além da cobertura de solo, as lavouras requerem também tecnologias para o manejo das enxurradas. 

A cobertura de solo via plantio direto, com plantas vivas ou com resíduos de plantas, dissipa somente a energia de impacto das gotas de chuva, não sendo eficaz para reduzir a energia de arraste provocada pelo excesso de água. 

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Revista

Aplicação de adubos e defensivos na medida exata

Por redação 05/03/2021
Escrito por redação
Por Gustavo Paes 

- Aplicação de adubos e defensivos na medida exata

Vantagens da AP  incluem a preservação do solo

A Agricultura de Precisão (AP) já é realidade para muitos produtores brasileiros. A estimativa é de que 20% da área agrícola do Brasil, de 10 a 12 milhões de hectares, já teve ou tem algum elemento de AP, conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A técnica começou com as tecnologias das máquinas dotadas de receptores GPS e geração de mapas de produtividade. Mas avançou nos últimos anos e hoje vai além dos equipamentos e das culturas de milho, soja e algodão, sendo usada em todas as cadeias produtivas do setor agropecuário. 

Por meio de sensores, drones e ferramentas de análise, decisões podem ser tomadas sem intervenção humana. As informações coletadas, por sua vez, permitem a tomada estratégica de medidas que visam a preservar os recursos e tornar o agronegócio ainda mais competitivo. E uma das principais vantagens da AP é a redução dos gastos com insumos, como adubo ou defensivos aplicados na lavoura. “Com a Agricultura de Precisão, o agricultor faz a gestão das diferenças da lavoura e pode reduzir os custos com a aplicação otimizada de insumos e aumentar a produtividade”, salienta o engenheiro Marcio Albuquerque, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão (AsBraAP).  

Antes, no caso da fertilização, por exemplo, todos os pedaços de terra recebiam o adubo por igual. A quantidade era calculada com base em uma pequena amostra e replicada, então, por todo o campo. Assim, uma parte que não necessitava tanto de adubagem recebia a mesma quantidade de outra que apresentava carências nutricionais. Com o uso de mapas e amostras de solo, é possível saber exatamente a quantidade de insumo a ser aplicada em cada pedaço do terreno. 

O mesmo ocorre na questão do plantio: analisando as condições climáticas e da terra, pode-se chegar ao aperfeiçoamento das sementes, uma vez que são cultivadas no clima ideal. Assim, reduz-se consideravelmente o desperdício e contribui-se para a qualidade da safra. 

Outro benefício é a preservação do solo. O manejo diferenciado da terra, que dá a ela os nutrientes certos e na quantidade exata, ajuda a manter o solo saudável e fértil. E a redução do uso de defensivos agrícolas também tem papel significativo na longevidade do campo. 

 A Otmis, marca de produtos e soluções tecnológicas da Jacto para AP, possui tecnologia  para aplicação otimizada de insumos. Entre os hardwares estão GPS – barra de luzes, controle automático de seções, piloto elétrico, piloto hidráulico e receptores GPS. Entre os softwares, correções de sinais de GPS, telemetria e taxa variável. 

A intensificação na aplicação de insumos pode ser encontrada no Arbus 4000 JAV, que combina um sistema de multiventiladores com o sistema de pulverização Multicontrol, com o corte de seções inteligente. A máquina traz embarcada uma tecnologia de pulverização que, ao utilizar um sistema de escaneamento a laser para avaliar a massa foliar da planta, consegue identificar o tamanho e proporção da planta, assim como onde existe massa verde. 

Estas informações servem de entrada para o controle do sistema de pulverização, que, por meio de um conjunto individual de válvulas integrada ao sistema de multiventiladores, funciona de forma independente por meio de motores elétricos. “Isso permite uma pulverização de qualidade diferenciada com corte inteligente de seções, entregando a quantidade exata de produto e volume de ar ideal em cada parte da planta, evitando desperdícios de produto e energia”, afirma o gerente de negócios Otmis, Cristiano Pontelli.

A jornada de trabalho de cada equipamento pode ser configurada individualmente, por operação, sendo todos os sistemas interligados para maximizar o trabalho na cultura, incluindo a função de retorno automático para o ponto de abastecimento. Com a função ‘Siga o líder’, as máquinas deslocam-se interligadas virtualmente. O monitoramento remoto da operação na função comboio utiliza o conceito de comunicação entre máquinas. “Outra função importante é o gerenciamento de controle de obstáculos inteligente, que possibilita que o veículo pare automaticamente quando identifica um obstáculo, além do gerenciador do veículo poder decidir quais ações tomará”, explica Pontelli.

Sistema automático

- Aplicação de adubos e defensivos na medida exata

Já as adubadoras Uniport 5030 NPK e Tellus 10.000 NPK são equipadas com o Sistema PrecisionWay, tecnologia utilizada para controlar a dosagem, ponto de queda do fertilizante nos discos e formato das pás, que permite distribuir os insumos na dose certa, em ampla faixa, com qualidade e uniformidade. A faixa de aplicação é regulada por meio de um sistema automático que varia o ponto de queda do fertilizante nos discos de distribuição, conforme o gerente de negócio adubação da Jacto, Gustavo Micheli. Os discos e pás oferecem maior uniformidade em toda a faixa de aplicação. “O produtor precisa ajustar somente o ponto de queda do fertilizante no disco para que se obtenha a regulagem da faixa de aplicação. É um processo que pode ser feito automaticamente, pelo display que fica dentro da cabine”, sublinha.

- Aplicação de adubos e defensivos na medida exata

Outro destaque da Otmis é o SmartSet, um website que contém um banco de dados para auxiliar no ajuste da faixa de aplicação. É uma ferramenta prática e que acelera o tempo de calibração da máquina pelo operador, permitindo uma aplicação de maior qualidade. O SmartSet contém um software com um banco de dados com mais de 1 mil fertilizantes testados. 

“Basta que o agricultor entre com informações do seu fertilizante, equipamento e a largura da faixa de aplicação que deseja, e o site retorna com a indicação de regulagem do ponto de queda do fertilizante no disco”, esclarece Pontelli.

O controle de bordadura é uma função que ajuda a reduzir erros de aplicação nessas operações, evitando aplicar fertilizantes em áreas não desejadas pelo produtor, como carreadores e áreas de preservação. 

O sistema consiste em uma pá, com formato diferenciado para as operações que não estão no centro do talhão. Esta função possibilita modificar o perfil de distribuição para a borda, permitindo uma maior qualidade de aplicação, economia de fertilizantes e proteção ambiental. 

Até então, as adubadoras a lanço não ofereciam precisão em termos de adubação nas bordaduras do talhão e, geralmente, o agricultor precisa escolher desperdiçar muito fertilizante para os carreadores ou áreas de preservação, se quiser ter a dose correta na borda, ou se vai prejudicar a aplicação na borda, com dose menor, para não desperdiçar fertilizante. Isso acontece porque as máquinas mais comuns não possuem um controle de bordadura, que altera o perfil da distribuição do fertilizante lançado para a borda. O problema é minimizado com a ferramenta, que está disponível nos dois modelos.

A empresa trabalha no desenvolvimento do controle automático de seções, que deve ser liberado ainda este ano. A tecnologia permite a segmentação da faixa de aplicação em até 12 seções, controladas automaticamente. Trata-se de um sistema que traz para a operação de adubação uma importante redução no custo de aplicação. Ao fechar e abrir as diferentes seções, o equipamento minimiza as sobreposições nas entradas e saídas da bordadura. “Com esta tecnologia, a redução do consumo de fertilizantes pode chegar a 15%”, completa Micheli. 

 

Aplicação no sulco 

- Aplicação de adubos e defensivos na medida exata

A aplicação de produtos biológicos e naturais com jato dirigido no sulco de plantio vem crescendo no Brasil. A estimativa é que, considerando as lavouras de soja e milho, a tecnologia é utilizada em cerca de 10 milhões de hectares. “Essa aplicação dirigida tem crescido consistentemente ao longo dos anos”, ressalta o CEO e diretor de Pesquisas e Desenvolvimento da Orion, Ricardo Rodrigues da Cunha.

A aplicação no sulco do plantio é indicada para várias culturas, mas o maior índice de adoção ocorre nas lavouras de soja e milho. Existem testes de campo para várias outras culturas, como arroz, feijão, amendoim e algodão, entre outras. 

“Bradyrhizobium e Azospirillum são os inoculantes mais utilizados atualmente e têm garantido consideráveis ganhos de produtividade às lavouras nas mais diversas regiões do Brasil onde temos conduzido testes e acompanhado as lavouras de nossos clientes”, destaca o engenheiro agrônomo José Tonon Júnior, que é diretor de Marketing da empresa.  

O CEO da Orion explica que, quando a aplicação é feita ‘dentro’ do sulco de plantio existem vários benefícios, que vão desde o menor dano físico às sementes (que podem ocorrer por ocasião do tratamento no sulco) até uma maior precisão do tratamento, pois, além da semente, todo o microambiente envolto a ela será tratado.  

Porém, para que aplicação seja efetiva existe uma série de fatores que precisam ser observados, uma vez que deve haver uma garantia que os bioprodutos possam expressar todo seu potencial. “O nosso grande objetivo como fabricante de máquinas é aplicar os produtos de maneira correta, uma vez que são vários os fatores que inviabilizam a ação das bactérias, dentre elas destaco a pressão errada de aplicação, que levam as bactérias à morte, além da temperatura e o pH da água onde o produto é misturado”, explica Cunha.

A Orion tem no portfólio uma gama de equipamentos para plantio no sulco e fabrica desde tanques para plantadoras de cinco a sete linhas como para máquinas de maior porte. O Hunter 220 CSH é indicado para plantadora de 45 a 60 linhas. Possui tanque de PEMB – UV8, com capacidade para 2.200 litros, possui autonomia operacional com vazão de 40 litros por hectare. Já o H1500 EL é utilizado por plantadoras que vão de 24 a 36 linhas. 

O equipamento se destaca pela excelência de 98% na aplicação de produtos líquidos dentro do solo. O reservatório principal, feito em PEMB – UV8, tem capacidade para 1500 litros. A autonomia operacional é de 37,5 litros por hectare. 

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Revista

Agricultura de precisão promove diálogo entre as máquinas

Por redação 05/03/2021
Escrito por redação
Por Viviane Taguchi

- Agricultura de precisão promove diálogo entre as máquinas

Inovação tecnológica de máquinas e equipamentos transformou o manejo das fazendas em uma realidade virtual, mas esse ainda é só o começo de uma nova era no agro

Em 2002, a rotina na fazenda Terra Boa, de Guararapes, interior de São Paulo, era totalmente diferente. O proprietário, José Luiz Niemeyer dos Santos, nessa época, plantava milho e cana-de-açúcar em boa parte da fazenda, e na outra, criava gado Nelore, Angus e Brangus. O manejo da área agrícola era intenso, lhe tirava o sono, e Santos chegou a cogitar arrendar toda a área agrícola para uma usina da região para se livrar do gerenciamento, dos custos e dores de cabeça. “Pensei nessa possibilidade por algum tempo até que a adoção de novas tecnologias começou a facilitar o manejo e a reduzir os custos”, contou. “Optei por esperar e ver no que essas ferramentas novas iam dar”.

- Agricultura de precisão promove diálogo entre as máquinas

Santos encontrou na tecnologia a solução para muitos de seus problemas: além de facilitar o gerenciamento da área agrícola da fazenda, uma área de 1600 hectares que tem no currículo vários prêmios de sustentabilidade, ele passou a utilizar menos agroquímicos, óleo diesel e sementes e aumentou as produtividades das lavouras. “Antes, a gente aplicava defensivos químicos duas, três vezes na mesma área, o desperdício era enorme. Não tínhamos controle nem do uso de óleo diesel nos tratores e nos caminhões”, lembra. “Essas ferramentas, que chegaram até mim por um amigo usineiro, começaram a avisar que ali não precisava nem pulverizar ou que em outro canto, precisava pulverizar mais ou que era um problema no motor que aumentava o consumo de combustível”.

A adoção da Agricultura de Precisão (AP) na Terra Boa (e posteriormente, também a Zootecnia de Precisão) revolucionou o gerenciamento da propriedade e hoje, quase tudo por lá utiliza tecnologia e a rede de dados para as tomadas de decisões. “Funciona muito bem porque a fazenda é próxima da cidade, tem conexão com a internet da cidade, e a usina também é próxima. Eu sei até se o motorista do caminhão desviou o caminho dele”, diz. “Eu fico aqui sentado só olhando o celular”.

Agricultura do futuro 

A Agricultura de Precisão (AP) é uma estratégia de gestão que utiliza um conjunto de ferramentas e tecnologias aplicadas para adotar um sistema de gerenciamento agrícola baseado na variabilidade espacial e temporal da unidade produtiva. 

O conceito tem, por princípio, que a propriedade agrícola não é uniforme, e cada área da fazenda é diferente. Por isso, também precisa ser manejada de forma distinta e controlada. “Essa estratégia possibilita o uso racional de insumos, aplicação na quantidade certa, local e tempo adequado para maximizar a produtividade, qualidade, rentabilidade, evitar desperdícios e reduzir os impactados ambientais”, explica Marcos Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão (AsBrAP). 

Para Ferraz, a imagem do produtor rural, sentado no conforto de sua casa, como Santos, lá em Guararapes, no controle do celular, representa perfeitamente o futuro da agricultura. “Em 10 anos, acredito que esse será o cotidiano do produtor rural moderno, que terá à sua disposição o controle da propriedade na palma da mão. Alguns já o têm, mas para que o Brasil possa dar um salto na produtividade, a adoção da AP precisa expandir”, afirma. “O que depende do avanço da conectividade”.

Para ele, mais do que o controle humano nas tarefas do dia-a-dia, a adoção da AP no campo permitirá a comunicação “máquina a máquina”, a chamada Internet das Coisas (IoT). “Com a conectividade e redes de dados expandidas para o interior do Brasil, nem esse acompanhamento no computador ou no celular será mais necessário porque uma máquina será capaz de enviar a informação para outra, executará o trabalho e assim por diante”.

Global Position System 

- Agricultura de precisão promove diálogo entre as máquinas

Os primeiros relatos acadêmicos de técnicas que trabalhavam com a variabilidade espacial dos atributos do solo datam da década de 1920. No Brasil, a AP foi introduzida em meados da década de 1990, mas os avanços significativos aconteceram a partir de maio de 2000, quando o Sistema de Posicionamento Global (GPS, sigla em inglês de Global Position System), que é de propriedade do Departamento de Defesa dos EUA  para uso militar, eliminou um erro proposital no sinal, diminuindo as incertezas no posicionamento, de 45 metros para seis metros.

No meio acadêmico, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (Esalq/Usp) foi uma das pioneiras no setor, organizando, em 1996, o primeiro Simpósio sobre AP e, e em 2000, no Rio Grande do Sul, surgiu o Projeto Aquarius, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e muitos produtores da região ofereceram suas propriedades para as experiências. 

A Embrapa também contribuiu com o desenvolvimento da AP no Brasil organizando uma rede de pesquisa com cerca de 200 pesquisadores e 19 unidades de pesquisa. Hoje, a Rede Agricultura de Precisão tem 15 áreas experimentais distribuídas no Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul do país, cobrindo culturas anuais (milho, soja, trigo, arroz irrigado e algodão), culturas perenes (eucalipto, uva, pastagem, cana-de-açúcar, laranja, maçã e pêssego), além de experimentos na área da Zootecnia de Precisão.

No início dos anos 2000, segundo a AsBrAP, já existiam consultorias especializadas e equipamentos nacionais para a aplicação em doses variáveis de insumos com base em mapas e, em 2004, aconteceu o primeiro Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão (ConBAP). “Desde então, novos negócios surgiram, tanto com o objetivo de fornecer as tecnologias quanto de prestar serviços e consultorias para a sua utilização”, disse Ferraz. “Das análises de solo, que eram comuns para as tomadas de decisões, o setor evoluiu para mapeamentos de fertilidade, taxas variáveis e dados de clima, meteorologia e uma série de ferramentas facilitadoras. Hoje, os drones estão no processo e substituem aeronaves. Temos sistemas em nuvens para fornecer dados, previsibilidades, modelagens assertivas”.

Segundo Ferraz, o que aconteceu é que a agricultura ganhou um novo tipo de insumo, a tecnologia, e também, de profissionais, que são fundamentais para expandir o conhecimento acerca da Agricultura de Precisão, principalmente para os pequenos e médios produtores rurais. “Com essa nova realidade surgiu uma demanda por uma estruturação em torno deste novo paradigma, tanto no aspecto científico quanto no de mercado. É necessário que a pesquisa acadêmica explique os reais benefícios destas novas técnicas, que os profissionais sejam capacitados e treinados para levar o conhecimento aos pequenos e médios produtores. A sociedade também tem que ser bem informada”. 

Se, por um lado, a Agricultura de Precisão possibilita o gerenciamento inteligente da fazenda, a estratégia também vai de encontro à demanda global: alimentos produzidos com sustentabilidade. “As ferramentas de gerenciamento mostraram áreas da fazenda que não precisavam de defensivos e outras áreas, não precisavam de tanta água (da irrigação). Toda a área produtiva da fazenda começou a receber apenas o que precisava”, destacou Santos, da Terra Boa. “Hoje fazemos uso eficaz da água, dos defensivos, de todos os insumos, economia de combustível e um drone vai à lavoura soltar insetos para combater a broca da cana”.

Desafios high-tech

- Agricultura de precisão promove diálogo entre as máquinas

Dados publicados pela Secretaria Executiva da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP) indicam que pelo menos 67% das propriedades rurais do país já utiliza algum tipo de tecnologia que ajuda o agricultor a reduzir os custos das lavouras. No entanto, o último censo agropecuário, de 2017, revelou que dos mais de cinco milhões de estabelecimentos rurais, apenas 1,4 milhão possui um ponto de internet na fazenda. “O Brasil é muito extenso e nas regiões onde há uma concentração grande de fazendas, ainda falta conectividade”, afirmou Ferraz.  “As diferenças regionais são discrepantes”.

De acordo com o executivo, para ser utilizada, a Agricultura de Precisão (AP) não exige maquinário de última geração, mas uma rede de dados capaz de tornar mais eficazes essas ferramentas. “Precisamos desmistificar a Agricultura de Precisão: máquinas e equipamentos não precisam ser os mais modernos ou caros, o que precisamos para adotar a AP são redes de dados, a conectividade, pois a estratégia é baseada em dados, e não necessariamente em alta tecnologia”, afirma. “O mapeamento que as máquinas e os equipamentos oferecem e as informações que estão na rede é que vão guiar as tomadas de decisões”.

Informações de um estudo encomendado pela Secretaria de Inovação do Ministério da Agricultura à Esalq/Usp, no ano passado, revelou que o Brasil tem 5.604 torres instaladas na zona rural que poderiam ser aproveitadas para a instalação de novas antenas de telecomunicações. Nas áreas urbanas, as torres somam 86 mil. “Falta banda larga mesmo em áreas rurais com alta renda. O campo não tem conexão, fixa ou móvel e isso dificulta sobremaneira a agricultura digital”, ressaltou Fernando Camargo, Secretário de Inovação do Ministério da Agricultura (MAPA).

Novas leis das telecomunicações

- Agricultura de precisão promove diálogo entre as máquinas

Números da Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO) apontam que, em 2050 a população mundial chegará a 10 bilhões de pessoas e, para atender esse contingente, a produção de alimentos terá que aumentar pelo menos 70%. Nesse cenário, para que o Brasil possa dar um salto de produtividade, a adoção da AP torna-se indispensável. 

E o avanço, aguarda o setor, pode ser marcante nos próximos dois anos. No final do ano passado, dois importantes projetos de lei foram aprovados: o PL 6549/19, que altera as leis 12.715/12 e 9.472/97 e incentiva investimentos na expansão das redes de telecomunicações, com isenções de taxas específicas, e o 172/2020, a “nova lei do Fust”, de autoria da Senadora Daniella Ribeiro (PP/PB), já sancionada, que atualiza o uso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para permitir que as políticas governamentais de telecomunicações possam ser financiadas com esses recursos. 

O senador Izalci Lucas (PSDB/DF) explicou que o projeto 6549/19 incentiva a Internet das Coisas (IC), com a redução das taxas de fiscalização de instalação e das taxas de fiscalização de funcionamento dos sistemas de comunicação máquina a máquina por um prazo de cinco anos e a dispensa da licença de funcionamento dos equipamentos. “A Internet das Coisas será mais impactante para a economia do que foi a telefonia móvel, que transformou a maneira das pessoas se comunicam”, afirmou o senador. “Já na agricultura, os sensores nas máquinas podem transmitir para um computador informações sobre o solo, orientando as ações, correções, irrigações. A mesma Internet das Coisas permitirá que a geladeira da sua casa envie imagens para um celular que mostrará o que comprar no supermercado. Vai facilitar a vida de todas as pessoas”.

O Fundo, poderá ser usado não apenas na melhoria da qualidade das redes e serviços, mas na redução de desigualdades regionais em telecomunicações e na promoção do uso de novas tecnologias de conectividade. Serviços prestados em regume público ou privado poderão receber recursos do fundo. “O Fust poderá levar internet aos produtores que estão em regiões distantes dos grandes centros urbanos e criar fazendas inteligentes, com o uso de tratores autônomos, drones e colhedoras interligados a redes sem fio”, declarou o ministro das Comunicações, Fábio Faria.

O Fust arrecada R$ 1 bilhão anualmente e já tem acumulados R$ 21,8 bilhões, mas pouco foi utilizado para investimentos no setor de telecomunicações. “Com as novas regras, haverá recurso para os investimentos por parte das companhias telefônicas, que precisam olhar para o campo, mas já há alguma movimentação no mercado”, afirmou Ferraz, da AsBrAP.

Interesse empresarial

De olho nesse mercado, algumas companhias telefônicas estão se unindo a multinacionais do agro para ampliar a rede de dados no meio rural. Em dezembro, a operadora Claro e a John Deere lançaram o Campo Conectado, um projeto que pretende conectar 15 milhões de hectares já em 2021. A Claro entrou na parceria com a missão de ampliar os 85 milhões de hectares em zonas rurais que já atende atualmente em todo o país por meio da rede 4G, além da tecnologia que permite maior expansão de sinal por antena. 

A Tim fez uma parceria com o hub de startup Agtech Garage, de Piracicaba, interior de São Paulo, para ampliar seu programa Tim4G no Campo. Uma destas startups é a AgroSmart, especializada em soluções que coletam dados de diferentes fontes, como estações meteorológicas conectadas na rede NB-IoT, sensores A operadora atenderá grandes grupos agrícolas por meio de parcerias com empresas líderes do mercado e o segundo passo será ampliar o pacote tecnológico, atingindo integralmente produtores de todos os tamanhos, culturas e segmentos.

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Revista

Piloto automático se tornou essencial nas fazendas

Por redação 05/03/2021
Escrito por redação
Por Viviane Taguchi

- Piloto automático se tornou essencial nas fazendas

Ferramenta mais usual da agricultura de precisão tem papel de destaque nos esforços de automação do campo

As vendas de máquinas agrícolas, em 2020, cresceram 7,3% em relação ao ano anterior. Isso, em um cenário bastante complicado para a economia, a pandemia do novo coronavírus que provocou a paralisação das fábricas do setor por alguns meses e reduziu a produção do setor em 10%. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automores (Anfavea), divulgados em janeiro deste ano. 

Para 2021, a entidade projetou a expectativa de aumento de pelo menos 7% nas vendas, 9% nas exportações e 23% na produção do segmento. E boa parte dessas máquinas já sairá das fábricas com uma ferramenta que hoje em dia, é prioridade para o produtor rural: o piloto automático, que pode ser abarcado em tratores, pulverizadores e colhedoras para otimizar as operações em uma lavoura, reduzir os custos e, consequentemente, aumentar a produtividade.

- Piloto automático se tornou essencial nas fazendas

O piloto automático é sinônimo de automação das máquinas agrícolas que, quando possuem essa tecnologia (que podem ser itens de fábrica ou agregados posteriormente), movimentam-se pela propriedade e realizam manobras com o mínimo de intervenção de um operador.  É uma das principais ferramentas da Agricultura de Precisão (AP) e baseia-se na utilização de um dispositivo GNSS (receptor) para enviar informações de posicionamento georreferenciadas ao sistema de direção da máquina ou dos implementos, fazendo com que ela siga um caminho pré-determinado ou realize uma operação deixando o operador livre para outras atividades. 

Cristiano Pontelli, gerente de negócios da Otmis, divisão de agricultura de precisão da Jacto, explica que o piloto automático representa a base para qualquer projeto de tecnologia de agricultura de precisão. “O piloto automático aliado aos softwares e sensores pode reduzir em até 15% o desperdício em uma lavoura e o produtor rural já entendeu que vale a pena investir em tecnologia”, afirmou. “Se falávamos em piloto automático há dez anos, apenas 20% dos produtores conheciam a tecnologia. Hoje, 100% sabem dos benefícios de ter um piloto automático”.

Como o veículo é orientado pelo GPS, é possível realizar operações em horários em que os veículos estariam parados, reduzindo a ociosidade das máquinas, o tempo de operação, a fadiga do operador e outros custos em geral, o que implica aumento de produtividade. Por essa razão a demanda por pilotos aumotáticos tem sido cada vez maior. “O piloto automático conduz máquinas e implementos com uma precisão impossível a um condutor humano”, explica Adriano Naspolini, CTO da divisão agrícola da Hexagon, empresa nacional fabricante de pilotos automáticos. 

Segundo Naspolini, a precisão de um piloto automático, no alinhamento, pode chegar a dois centímetros, por exemplo. “A demanda é alta porque é uma ferramenta que maximiza os recursos de campo, diminui significativamente a compactação do solo e aumenta os tempos produtivos. Os pilotos automáticos usados na agricultura brasileira em nada diferem da tecnologia aplicada em outros países, o nível de inovação é o mesmo”. 

Sem comparação

- Piloto automático se tornou essencial nas fazendas

Pontelli, da Jacto, diz que a cada safra, mais sensores e softwares avançados podem ser aliados do piloto automático para otimizar as operações agrícolas. “A cada geração de máquinas, elas já vêm com mais avanços, mais sensores que podem ser acoplados ao piloto para aumentar a eficiência da operação”.

Com a agricultura 4.0, as montadoras estão investindo cada vez mais em ferramentas inteligentes. Assim como as vendas de máquinas agrícolas aumentaram no período, as montadoras aproveitaram para investir pesado em tecnologia embutida nos veículos novos. Todos os anos, as principais novidades tecnológicas são exibidas nas feiras agrícolas. Com o cancelamento dos eventos, a saída foi investir em lançamentos digitais. 

A Case IH anunciou novas séries de colhedoras, plantadoras e pulverizadores. Todos, com alta tecnologia para automatizar as operações agrícolas. “A tecnologia tem como objetivo auxiliar o produtor a otimizar as operações, em diferentes culturas, em qualquer condição e sempre buscando o equilíbrio entre a produtividade, qualidade e minimizando perdas”, afirmou Eduardo Junior, gerente de Marketing de Produto da Case IH. Outro gigante do setor, a Valtra, também apresentou nova tecnologia para pilotos automáticos voltados para os tratores que priorizam até a ergonomia do assento do operador. O sistema, chamado Valtra Guide by Trimble permite acesso remoto para suporte, alta precisão de manobras e funções de tráfego controladas. Segundo a empresa, é recomendado para todos os tipos de cultivo, de ponta a ponta. “São tecnologias que trazem benefícios que vão desde a ergonomia do operador, priorizando a segurança e seu conforto durante a execução das operações, até o aperfeiçoamento do trabalho em campo”, destacou Victor Cavassini, coordenador de marketing de tecnologia da AGCO América do Sul, dona da marca. 

Com uma visão futurista, a Jacto apresentou máquinas em 2020 que podem representar o “agro do futuro”. Em um evento virtual e 3D, a montadora que fabrica 100% de suas máquinas automotrizes com piloto automático, lançou uma plantadora automotriz (que não precisa ser acoplada em um trator), uma colhedora para o mercado de cana-de-açúcar “desenvolvida sob encomenda” e um pulverizador autônomo que deve ser lançado neste ano. 

O produto, de acordo com Pontelli, dispensa totalmente o operador e vem acoplado com sensores capazes de guiar a máquina com laser, gravar a operação para repeti-la posteriormente e será a “nova geração” das máquinas. “Acreditamos que, em cinco ou sete anos, tenhamos muitas máquinas autônomas no campo, sem a necessidade do operador. Aliás, essas máquinas não têm cabine”, conclui.

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Notícias

Arrecadação com concessão florestal cresceu 60% em 2020

Por redação 05/03/2021
Escrito por redação

- Arrecadação com concessão florestal cresceu 60% em 2020

As concessões florestais do Governo Federal arrecadaram R$102 milhões até fevereiro deste ano. O montante considera a soma de todos os pagamentos recebidos das empresas concessionárias desde o início do programa, em 2010, e se refere aos 15 contratos ativos. O programa é coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), que é vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O ano de 2020 obteve o melhor resultado até o momento, com quase R$ 28 milhões de arrecadação. Esse valor representa um aumento de quase 60% em relação a 2019. Segundo do diretor de Concessão Florestal e Monitoramento do SFB, Paulo Carneiro, os elevados valores de arrecadação em 2020 são resultado de medidas adotadas para minimizar a inadimplência.

“Desde 2019, o Serviço Florestal Brasileiro vem desenvolvendo ações para a redução da inadimplência dos concessionários e para ter um maior acompanhamento dos pagamentos. Foram assinados termos de parcelamentos dos débitos existentes, o que permitiu aos concessionários retornarem às suas atividades normais resultando no aumento da produção e na recuperação dos recursos devidos”, afirmou Paulo Carneiro.

Pagamentos

As empresas concessionárias fazem pagamentos trimestrais ao SFB, referentes à produção de madeira e demais produtos florestais. O valor do pagamento trimestral de madeira e material lenhoso depende do preço contratado e do montante produzido.

No momento da assinatura do contrato, é calculado o Valor de Referência do Contrato (VRC). O VRC é uma estimativa do valor da produção anual para a área contratada, baseado no preço da proposta vencedora.

- Arrecadação com concessão florestal cresceu 60% em 2020

Os pagamentos recebidos das concessões em Florestas Nacionais da União são divididos em pagamentos de Valor Mínimo Anual (VMA) e pagamentos de Demais Valores (DV).

O VMA é um percentual do VRC, determinado no edital de licitação. O Valor Mínimo Anual representa o montante mínimo a ser recolhido anualmente pelo concessionário, mesmo que naquele ano não haja produção. Quando a concessão estiver em Floresta Nacional da União, este valor é destinado ao SFB, que o utiliza para financiar diversas ações.

Todo valor recolhido acima do VMA é partilhado entre os estados (20%), municípios onde estão localizados os lotes de concessão florestal (20%), o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF – 20%) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio – 40%).  Esse montante pode ser chamado de Demais Valores.

- Arrecadação com concessão florestal cresceu 60% em 2020

Negociação

Além das ações para minimizar a inadimplência contratual, o SFB adotou também medidas para minimizar os impactos econômicos provocados pela pandemia de Covid-19 nos contratos de concessões florestais, que estão sob sua gestão.

O diretor Paulo Carneiro ressalta que o isolamento social e a quarentena impactaram no comércio dos produtos processados no mercado interno e também nos principais mercados externos, como a Europa e os Estados Unidos.

Dessa forma, o SFB adiou o vencimento das parcelas referentes à produção florestal dos dois primeiros trimestres de 2020 para dezembro. O objetivo principal dessa ação foi garantir a manutenção dos empregos e a saúde financeira das empresas concessionárias. Além disso, foram apresentadas aos concessionários, em conjunto com o BNDES, as principais linhas de créditos emergenciais criadas pelo Governo Federal para apoiar pequenas e médias empresas a superarem a crise econômica causada pela pandemia do coronavírus.

 

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
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Notícias

Jacto anuncia construção de fábrica em Pompeia (SP)

Por redação 05/03/2021
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- Jacto anuncia construção de fábrica em Pompeia (SP)

Vista área da fábrica da Jacto, em Pompeia-SP: planta atual

Para atender o aumento da demanda dos produtos atuais e dos novos lançados em 2020, a Jacto anuncia a construção de uma nova fábrica na cidade de Pompéia, interior de São Paulo, com previsão de término em março de 2023.

A nova planta terá uma área construída de 96 mil m², com implantação de tecnologias e instalações que atendem aos conceitos de Indústria 4.0, como um sistema automatizado de pintura com tecnologia de vanguarda, movimentação de materiais por veículos autônomos, sistema automatizado de armazenagem, além de um centro avançado de treinamentos.

A unidade fabril também empregará conceitos de sustentabilidade, como reuso de água, manufatura sem papel e painéis solares que irão gerar energia equivalente a todo o consumo da fábrica.

“Este projeto faz parte de um conjunto de ações que tem como principal objetivo oferecer excelência na experiência do agricultor. Lançamos uma nova linha de produtos em agosto do ano passado com três modelos de plantadeiras, uma colhedora de cana-de-açúcar e um pulverizador autônomo. Agora, estamos dando mais um grande passo, investindo em uma fábrica moderna para sustentar o crescimento previsto para os próximos anos.”, afirma Fernando Gonçalves Neto, diretor presidente da Jacto.

A Jacto possui uma história de mais de 70 anos, que começou com o seu fundador Shunji Nishimura, e hoje está presente em mais de 100 países com fábricas no Brasil, na Argentina e na Tailândia e escritório comercial no México.

Possui uma linha ampla de produtos e serviços de alta tecnologia, oferecendo soluções inovadoras para pulverização, adubação, plantio, colheita de café, colheita de cana-de-açúcar, equipamentos portáteis manuais e à bateria, além de produtos e sistemas para agricultura de precisão.

“A nova fábrica dará base para a evolução de novas tecnologias e junto com nossos valores e filosofia empresarial será alicerce para o nosso propósito rumo aos 100 anos com o mesmo espírito inovador e resiliência que nos trouxeram até aqui, mantendo renovada nossa visão otimista e mais sustentável do futuro”, comenta Ricardo Nishimura, acionista e presidente do conselho de administração do Grupo Jacto, que ainda acrescenta: “o agronegócio brasileiro continuará avançando e ganhará cada vez mais relevância na produção global de alimentos e na formação do PIB nacional”.

Com a nova planta, a empresa fortalece ainda mais o seu propósito de servir ao agricultor com as melhores soluções, entregando equipamentos de qualidade, alto nível tecnológico, para atender as demandas atuais e futuras dos produtores no Brasil e no exterior.

Fonte: Jacto
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Notícias

Estudo aponta que agro brasileiro alimenta 800 milhões de pessoas

Por redação 04/03/2021
Escrito por redação

- Estudo aponta que agro brasileiro alimenta 800 milhões de pessoas

A participação do Brasil no mercado mundial de alimentos saltou de 20,6 bilhões para 100 bilhões de dólares, nos últimos dez anos, com destaque para carne, soja, milho, algodão e produtos florestais. Segundo especialistas da Embrapa, os dados indicam que a contribuição do Brasil para o abastecimento mundial deverá aumentar ainda mais nos próximos anos.

A informação faz parte do mais recente estudo de autoria de Elisio Contini e Adalberto Aragão,  da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa (Sire) sob o título “O Agro brasileiro alimenta 800 milhões de pessoas”.  O estudo completo  encontra-se disponível no Sistema Agropensa.

“É importante conhecer a contribuição do Agro Brasileiro na disponibilidade de alimentos para a sociedade brasileira e para o mundo. Em termos de pessoas alimentadas, em manifestações de autoridades e trabalhos técnicos os números  variavam de 1 a 1,5 bilhões de pessoas. Decidimos checar estes números, partindo da produção de grãos e oleaginosas do Brasil em relação à mundial”, explica o pesquisador Elísio Contini.

Nessa direção, o estudo  adotou um método que considera a produção de grãos e oleaginosas – alimentos básicos de amplas populações no mundo e também considerados básicos para a produção de proteína animal-, para quantificar quanto o agro brasileiro contirbui para a alimentação de pessoas no Brasil e no mundo.

“A hipótese é de que os grãos e as oleaginosas vêm sendo a base   da alimentação humana, para consumo direto das pessoas, alimentos processados ou como insumo para ração para a produção das principais carnes”, afirmam os autores do trabalho que adotaram para a exeução do cálculo a classificação de “alimentos” utilizada pelo Banco Mundial para a elaboração do  Food Price Index.

O indexador “Food Price Index” considera os seguintes  cereais: arroz, trigo, milho e cevada; óleos vegetais e tortas: soja, óleo de soja, torta de soja, óleo de dendê, de coco e de amendoim; além de outros alimentos: açúcar, banana, carne de boi, de aves e laranja.

Dois caminhos

Os autores do estudo realizaram dois cálculos para se chegar a quantidade de pessoas que o Brasil pode alimentar no mundo. O primeiro é baseado na produção física de grãos e o segundo agrega à esta produção física o seu respectivo valor monetário, a partir de preços internacionais.

Outra inovação do trabalho é a conversão da carne bovina exportada.“Como a carne bovina brasileira exportada é produzida a pasto, convertemos esta exportação para equivalente grãos e quantificamos quantas pessoas são alimentadas por esta carne. Esta é a segunda alternativa do estudo”, esclarece Contini.

Para as duas alternativas, calculou-se o número de pessoas que a produção brasileira pode alimentar no mundo, incluindo o Brasil. Para os autores, a segunda alternativa aproxima-se mais da resposta esperada.

“Na primeira alternativa, baseada na produção física, utilizaram-se dados do International Grains Council (IGC), subtraindo-se as importações de grãos feitas pelo Brasil. A partir dos dados de produção, estabeleceu-se o percentual da produção brasileira destes grãos em relação à mundial. Com dados da população mundial, foi possível quantificar o número de pessoas que o Brasil pode alimentar, com base na sua participação na produção mundial de grãos e oleaginosas”, detalham os autores do estudo.

Como resultado deste primeiro cálculo chegou-se à seguinte conclusão: no período considerado, a participação do Brasil na produção mundial de grãos cresceu de 6% em 2011 para 8% em 2020.

“Assim, as pessoas alimentadas pelo Brasil no ano de 2020 são a população brasileira de 212,235 milhões de pessoas e mais 424,687 milhões de pessoas em outros países, pelas suas exportações de grãos, oleaginosas e carnes de aves e suínos”, explicam  Contini e Aragão.

Para a segunda estimativa, os autores utilizaram o seguinte método: estimou-se a população alimentada pelo Brasil não mais na quantidade de produção, mas a partir dos preços internacionais dos produtos, estabelecidos pelo FMI, multiplicados pela produção física, a cada ano. À esta alternativa, transformou-se a carne bovina exportada em equivalente grãos. Em seguida, fez-se a sua proporção em relação ao total, como realizado anteriormente.

“Os dados mostraram que o Brasil, em 2020, forneceu alimentos para 772,600 milhões de pessoas, sendo 212,235 da população brasileira e mais 560,365 milhões de outros países, por meio da exportação de grãos e da carne bovina convertida em grãos. A variação da população total alimentada pelo Brasil em 2019 de 809,472 milhões em relação a 2020 deve-se à variação de preços dos produtos nos dois anos considerados. Assim, pode-se afirmar que ao redor de 800 milhões de pessoas são alimentadas pelo Brasil, incluindo a população brasileira”, afirmam os autores.

Fonte: Embrapa

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