Moagem de cana atinge 306 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma queda de 8,6%

Clarisse Sousa – A moagem de cana no Centro-Sul atingiu 306,2 milhões de toneladas no acumulado da safra 2025/2026 até 1º de agosto, ante 335 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo anterior, o que representa uma retração de 8,6%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (15) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

Houve queda também na segunda quinzena de julho, quando as usinas processaram 50,2 milhões de toneladas contra 51,6 milhões da safra 2024/2025 – o que representa um decréscimo de 2,6%. Segundo a Unica, neste período, operaram 257 unidades produtoras na região do Centro-Sul, sendo 237 unidades com processamento de cana, dez empresas que fabricam etanol a partir do milho e dez usinas flex.

No mesmo período, na safra 24/25, operaram 261 unidades produtoras, sendo 241 unidades com processamento de cana, nove empresas que fabricam etanol a partir do milho e 11 usinas flex.

Motores agrícolas mais sustentáveis ganham força e impulsionam inovações

Em relação à qualidade da matéria-prima, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) registrado na segunda quinzena de julho atingiu apenas 139,6 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, contra 147,3 kg por tonelada na safra 2024/2025 – uma queda de 5,2%. No acumulado da safra, o indicador marca 126,8 kg de ATR por tonelada, registrando retração de 4,7% na comparação com o valor observado na mesma posição no ciclo anterior.

O diretor de Inteligência Setorial da UNICA, Luciano Rodrigues, destaca que “o nível de ATR da safra 2025/2026 é o menor observado em 10 anos. Só no ciclo 2015/2016, registramos um indicador qualidade inferior ao contabilizado até o momento no Centro-Sul”.

O executivo esclarece que o setor vive uma situação atípica nesta safra, pois normalmente há uma relação inversa entre produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima.

“Neste ano, o regime de chuvas foi desfavorável em ambas as fases críticas do ciclo da cana-de-açúcar. No verão, a precipitação abaixo do ideal comprometeu o desenvolvimento das lavouras e reduziu a produtividade (TCH). Já durante a colheita, o clima mais úmido prejudicou a concentração de ATR na planta. Como consequência, a safra 2025/2026 apresenta queda simultânea nos indicadores de qualidade (ATR) e de produtividade (TCH)”, explica Rodrigues.

De fato, dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indicam que, no acumulado de abril a julho, a produtividade agrícola registrou queda de 10% na média do Centro-Sul na comparação com o valor observado em igual período do ciclo 2024/2025, atingindo apenas 79,8 toneladas de cana por hectare neste ciclo.

“A queda de 10% no TCH somada à perda de 5% no ATR geraram uma redução próxima a 15% na quantidade de ATR por hectare colhido (TAH), prejudicando a quantidade de produtos extraída por unidade de área. Com exceção do norte do Paraná e da região de Assis em São Paulo, a queda de TAH é generalizada em todo o Centro-Sul, chegando a atingir 18% em Goiás, 18,8% em São José do Rio Preto, 23,4% em Minas Gerais e 25,2% em Ribeirão Preto”, explica Rodrigues.

Produção de açúcar e etanol

A produção de açúcar na segunda quinzena de julho totalizou 3,6 milhões de toneladas, registrando queda de 0,80% na comparação com a quantidade registrada em igual período na safra 2024/2025 (3,6 milhões de toneladas). No acumulado desde o início da safra até 1ª de agosto, a fabricação do adoçante totalizou 19,3 milhões de toneladas, contra 20,9 milhões de toneladas do ciclo anterior – redução expressiva de 7,7%.

Na segunda metade de julho, a fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 2,3 bilhões de litros, sendo 1,4 bilhão de litros de etanol hidratado (-13,5%) e 880,4 milhões de litros de etanol anidro (-6,6%). No acumulado do atual ciclo agrícola, a fabricação do biocombustível totalizou 13,9 bilhões de litros (-12%), sendo 8,8 bilhões de etanol hidratado (-11,8%) e 5 bilhões de anidro (-12,1%).

Do total de etanol obtido na segunda quinzena de julho, 17,2% foram fabricados a partir do milho, registrando produção de 392,4 milhões de litros neste ano, contra 344,8 milhões de litros no mesmo período do ciclo 2024/2025 – aumento de 13,3%. No acumulado desde o início da safra, a produção de etanol de milho atingiu 2,9 bilhões de litros.

Vendas de etanol

As vendas de etanol totalizaram 2,93 bilhões de litros em julho. O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 1,09 bilhão de litros – avanço de 1,06% – enquanto o etanol hidratado registrou venda de 1,8 milhão de litros.

No mercado doméstico, o volume de etanol hidratado vendido pelas unidades do Centro-Sul totalizou 1,7 bilhão de litros, o que representa uma retração de 5,6% em relação ao mesmo período da safra anterior. As vendas de etanol anidro, por sua vez, atingiram a marca de 1,07 bilhão de litros, registrando um avanço de 6%.

No acumulado desde o início da safra até primeiro de agosto, a comercialização de etanol pelas unidades do Centro-Sul somou 11,5 bilhões de litros (-2,73%). O volume acumulado de etanol hidratado totalizou 7,3 bilhões de litros (-5,20%), enquanto o de anidro alcançou 4,2 bilhões de litros (+1,96%).

 

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