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Mercado

Agronegócio inicia ciclo 2025/26 com pressão de custos e câmbio, aponta Itaú BBA

Por Redação 04/07/2025
Escrito por Redação

Agronegócio inicia ciclo 2025/26 com pressão de custos e câmbio, aponta Itaú BBA

O Itaú BBA divulgou nesta sexta-feira (4) a 6ª edição do Visão Agro, relatório anual que traça o panorama do agronegócio brasileiro para o ciclo 2025/26. Pela terceira safra consecutiva, o banco inicia o período com uma mensagem de cautela, diante de um ambiente de maior complexidade para o setor.

O estudo, produzido pela Consultoria Agro do Itaú BBA, aponta que o novo ciclo começa sob efeito de um cenário global adverso. Juros elevados, desaceleração econômica e tensões geopolíticas — com destaque para os conflitos no Mar Negro e no Golfo Pérsico — pressionam os custos de energia e fertilizantes, insumo em que o Brasil é altamente dependente de importações. A situação se agrava diante dos preços em baixa das principais commodities agrícolas, o que exige dos produtores maior atenção à gestão de custos e câmbio.

“Cada cultura convive com nuances distintas, mas o cenário geral tem exigido atenção em todos os cultivos e elos da cadeia. O índice de inadimplência no setor vem aumentando e impactando alguns segmentos de forma mais significativa. Esse movimento, somado aos riscos de deterioração na relação de troca com fertilizantes e aos desafios na gestão cambial, tem pressionado o crédito disponível para o setor”, afirma Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.

O Visão Agro 2025/26 aponta que a formação de custos da próxima safra será mais desafiadora. A alta dos fertilizantes tende a se intensificar com a instabilidade no Oriente Médio, deteriorando as relações de troca para diversas culturas. O milho safrinha é um dos mais impactados, com aquisições atrasadas, mas a pressão também alcança culturas perenes como café, laranja e cana-de-açúcar, que tradicionalmente realizam compras ao longo do segundo semestre.

No mercado de grãos, a valorização recente do real tem incentivado as importações em um momento em que setores como o de arroz precisariam exportar. O produtor de trigo também enfrenta dificuldades para competir com o cereal argentino, o que contribui para a perspectiva de redução da área plantada.

Entre os elos consumidores de grãos, o cenário é mais favorável. De acordo com o relatório, o setor de proteínas animais, especialmente a bovinocultura, deve atravessar um bom momento, impulsionado pela queda no custo da ração, aumento nos confinamentos e firme demanda internacional. A menor produção nos Estados Unidos e os preços elevados da carne norte-americana reforçam a competitividade brasileira no mercado externo.

Para o Itaú BBA, outra oportunidade vem dos mandatos previstos na Lei do Combustível do Futuro que devem ampliar a demanda por biocombustíveis, especialmente aqueles produzidos a partir de soja, milho e cana-de-açúcar, criando oportunidades adicionais para a produção rural. Como consequência, cresce também a oferta de farelo de soja e DDG, que já beneficia o setor de proteínas animais. Essa tendência tende a se consolidar, reforçando a competitividade das cadeias produtivas.

“Enfrentar os desafios estruturais, como infraestrutura, acesso a financiamento e segurança no ambiente de negócios, é condição indispensável para destravar novas oportunidades e garantir a competitividade do setor no longo prazo”, finaliza Alves.

 

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Mercado

Vendas de tratores sobem 22,6% no acumulado do ano até maio

Por Redação 04/07/2025
Escrito por Redação

Vendas de tratores sobem 22,6% no acumulado do ano até maio

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as vendas de tratores registraram alta de 22,6% ante igual intervalo de 2024, enquanto que a comercialização de colheitadeiras recuou 1,2% na mesma base comparativa, indica balanço da Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores -, divulgado nesta quinta-feira (3).

“Vale destacar que o mercado de tratores caiu muito em 2024 e se recupera, agora, em 2025. Também as colheitadeiras tiveram uma recuperação boa no início do ano, em função de alguns grãos, que agora sofrem queda, justificando o resultado negativo do acumulado”, explica o presidente da entidade, Arcelio Junior.

Segundo análise da Fenabrave, o Plano Safra 2025/26 trouxe taxas de juros atrativas para investimentos, de 3% a 5%, para o agricultor familiar. “Para a agricultura empresarial (médios e grandes produtores rurais), as taxas de investimentos estão altas, o que pode comprometer os resultados do ano, para o segmento. Por essa razão, pode ocorrer crescimento de 15% nas vendas de tratores até 100 hp, que representam 70% do mercado”, comenta o dirigente.

Fonte: Datagro

 

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EntrevistaMercado

Novo modelo de seguro rural deve ser apresentado entre agosto e setembro

Por Redação 03/07/2025
Escrito por Redação
Novo modelo de seguro rural deve ser apresentado entre agosto e setembro

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, participou do programa “Bom Dia, Ministro”, da EBC, nesta quinta-feira (3) // Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Clarisse Sousa – Um novo modelo de seguro rural deverá ser apresentado pelo governo entre agosto e setembro – “antes do início da safra de verão”, garantiu o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da EBC, nesta quinta-feira (3).

Lançado nesta semana, o Plano Safra 2025/26 recebeu críticas de entidades do setor, especialmente pela ausência de menção ao seguro rural. Na entrevista, Fávaro reconheceu a importância da pauta e explicou que, de fato, ainda não houve um anúncio oficial sobre o seguro rural no âmbito do plano. No entanto, destacou que esse silêncio não representa desatenção.

“Há muitas pessoas perguntando por que o governo lançou o Plano Safra e não falou de seguro rural. É verdade. Nós ainda não falamos, mas esse é um tema que exige uma análise muito verdadeira. O seguro rural brasileiro precisa de adaptações, precisa de mudanças.”

Ele falou sobre a necessidade de reformulação do sistema mencionando a situação do Rio Grande do Sul, por exemplo, onde muitos produtores enfrentam endividamento. “E qual é o nexo causal? O que gerou esse endividamento? Clima. Foram secas e enchentes. Se o seguro rural funcionasse direito, não teríamos esse endividamento, porque o seguro cobriria os prejuízos climáticos”, afirmou.

Apesar do apoio financeiro já existente de cerca de R$ 1 bilhão por ano para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), para equalização das apólices, ele afirma que “apenas isso não é suficiente”, disse.

“Precisamos, sim, de mais recurso público. Também precisamos discutir o Proagro, que é importante para os pequenos produtores e chega a consumir de R$ 7 a R$ 10 bilhões por ano.”

Segundo ele, um ponto central do debate é a universalização do seguro rural. “Quando você compra um carro financiado, a primeira exigência do banco é o seguro. Com a agricultura deveria ser o mesmo. Quem acessar crédito subsidiado pelo governo deve fazer seguro. Assim, ampliamos a base de contribuintes, melhoramos a cobertura e tornamos o sistema mais eficiente.”

Fávaro defendeu ainda a implementação do seguro paramétrico. Um modelo que permite que o produtor escolha, em acordo com a seguradora, quais eventos climáticos, períodos ou culturas serão protegidos. “Por exemplo: quero proteger minha lavoura de milho no Mato Grosso contra uma seca em abril. Ou quero proteger o mês de maio em Londrina contra geada. O restante do ano não precisa, e isso torna o seguro mais barato”, explicou.

O ministro destacou ainda que, quanto maior o número de produtores segurados e quanto mais o governo contribuir com a equalização, maior será a capacidade das seguradoras e mais abrangente será a proteção oferecida.

Ele lembrou que projetos de lei sobre o tema estão em tramitação no Congresso Nacional. “Já passou pelo Senado e foi para a Câmara. Estamos aguardando o resultado para discutir a participação do governo, criar o seguro paramétrico e garantir avanços.”

Estudos técnicos estão sendo conduzidos pelo Ministério da Agricultura, com previsão de conclusão em 15 a 20 dias, de acordo com o ministro. “A expectativa é que, entre agosto e setembro, pouco antes do início da safra de verão, o governo já possa apresentar aos produtores um novo modelo de seguro rural, mais eficiente e tranquilizador.”

Fávaro ressaltou que, para que tudo isso se concretize, é necessário alterar a legislação atual. “A lei brasileira considerava como venda casada oferecer crédito subsidiado junto com uma apólice de seguro. Mas, na verdade, não é venda casada, são ações complementares. Por isso, precisamos mudar a legislação – e o Congresso está cuidando disso.”

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Mercado

Carlos Fávaro: Plano Safra tem o objetivo de combater a inflação dos alimentos

Por Redação 03/07/2025
Escrito por Redação
Carlos Fávaro: Plano Safra tem o objetivo de combater a inflação dos alimentos

Plano Safra faz alimentos chegarem mais baratos na mesa da população, afirma Carlos Fávaro // Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Com investimento recorde de R$ 516,2 bilhões destinados à agricultura empresarial – um acréscimo de R$ 8 bilhões em relação à safra anterior e de 42% na comparação com o último ano do governo anterior – o Plano Safra 2025/2026 “estimula a agropecuária a produzir mais alimentos e, com isso, combater a inflação”. Foi o que afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, durante entrevista no programa Bom Dia, Ministro desta quinta-feira (3/7), transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Segundo Fávaro, a ampliação do limite de renda para enquadramento no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que passou de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões por ano, permite que mais produtores tenham acesso às condições diferenciadas oferecidas pelo programa, contribuindo para controle da inflação dos alimentos.

Quando a gente aumenta o potencial para o Pronamp, que são os médios produtores, aqueles que produzem o alimento que fica no Brasil, que gera oportunidade de chegar alimento mais barato na mesa da população, quem vai ser beneficiado mesmo é a população brasileira, porque os alimentos tendem a cair de preço”, explicou o ministro

“Nós tivemos em 2025, fruto do Plano Safra do ano passado, um recorde na safra brasileira. E com isso, o preço do arroz caiu, do feijão, da batata, do tomate, da cebola, da carne de frango, da carne de porco. É a população que sai beneficiada. E esse excedente ainda de tão grande que foi a safra brasileira, nós fizemos então o recorde das exportações. Estimular a economia, estimular a agropecuária, crescer, produzir alimentos, combater a inflação, excedentes para exportar. É esse o Plano Safra que nós fizemos com muito orgulho”, afirmou Fávaro.

Do total de recursos anunciado para essa edição, R$ 415 bilhões serão destinados a operações de custeio e comercialização, R$ 13 bilhões a mais que na safra passada. Outros R$ 102 bilhões vão para investimentos em infraestrutura produtiva, o que representa um crescimento de 51% em relação ao volume executado no último ciclo. Cerca de R$ 114 bilhões serão contratados com juros controlados e equalizados, com aumento de 23% em relação ao ano anterior.

Sustentabilidade

O Plano Safra traz estímulo à sustentabilidade e à adaptação às mudanças climáticas. Os financiamentos para sistemas de produção de baixa emissão de carbono seguem como prioridade, por meio do Programa RenovAgro, que passa a permitir também o financiamento de ações para prevenção e combate a incêndios, reflorestamento e recuperação de áreas protegidas.

Além disso, o governo prorrogou, para o período de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026, a aplicação do desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros das operações de crédito rural de custeio. A medida vale para aqueles enquadrados no Pronamp e também para os demais produtores que investirem em atividades sustentáveis, com recursos equalizados e respeitados os limites definidos por cada instituição financeira para o ano agrícola.

Para o ministro, a preservação ambiental é um dos ativos do Brasil para ser um dos grandes produtores e exportadores de alimentos no mundo.

“Nós que já vimos nos outros Planos Safra dando um prêmio de 0,5% de desconto para todos os produtores que tinham boas práticas na sua propriedade, como o Cadastro Ambiental Rural aprovado. E vamos inovar agora. A nossa proposta é que produtores que usam bioinsumos, produtores que fazem plantio direto, produtores que fazem conservação de solo eficiente com matéria orgânica, possam também, atestados num programa estabelecido pela Embrapa, possam também receber esse desconto de 0,5%”, disse.

Novos mercados

As práticas ambientais, somadas às relações do Brasil com outros países, foram destacadas pelo ministro durante o programa. Como resultado, o país já abriu 387 novos mercados para produtos agropecuários desde janeiro de 2023.

“Ao voltar ao comando desse país, o presidente Lula, está se dedicando muito a isso. Veja como foi o G20 aqui no Brasil (em 2024), um sucesso. Também a participação em fóruns internacionais, o Brasil voltou a ser convidado. E ele me pediu: ‘Aproveite essa oportunidade. Viaje pelo mundo. Onde eu restabeleço as boas relações de amizade, você faz boas relações comerciais”. E nós, neste período, já abrimos 387 novos mercados para os produtos da agropecuária brasileira”.

E não é só soja, milho, algodão, carne de frango, bovinas e suínas. Nós abrimos para gergelim, sorgo, frutas. Estamos vendendo fruta para o mundo inteiro”, citou Fávaro.

O ministro citou que no sábado (5/7), o Brasil realiza a primeira exportação de carne bovina para o Vietnã. “Quando nós tivemos, cerca de dois meses atrás, em uma visita com o presidente Lula no Vietnã, abrimos o mercado de carne bovina para aquele país. Um dos mercados mais importantes. O Brasil já vendia carne bovina para 157 países. E quatro grandes países passaram a ser nossa meta: Coreia do Sul, Japão, Vietnã e Turquia. A Coreia do Sul está em andamento. O Japão está com inspeção neste momento no Brasil, fazendo inspeção nas nossas plantas. E o Vietnã já abriu. E no próximo sábado, no porto do Rio de Janeiro, nós estaremos embarcando o primeiro contêiner com cortes de carne de boi para o Vietnã, gerando oportunidades aqui no Brasil, renda, geração de emprego”, afirmou.

Fonte: Agência Gov

 

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03/07/2025 0 Comentários
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Publicada portaria que regulamenta a equalização de juros do Plano Safra 2026/2027
Mercado

Setor de máquinas agrícolas registra alta de 22,8% no ano

Por Redação 02/07/2025
Escrito por Redação

Setor de máquinas surpreende com crescimento anual de 22,8%

Clarisse Sousa – As vendas de máquinas e equipamentos agrícolas cresceram 22,6% em maio, na comparação com abril, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (2) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Em relação a maio de 2024, o setor registrou um avanço de 30,4%. No acumulado do ano, o desempenho tem superado as expectativas: de janeiro a maio, as vendas cresceram 22,8%, totalizando R$ 26,9 bilhões.

Para Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, o crescimento registrado nos primeiros meses do ano pode abrir novas perspectivas para o desempenho total de 2025. Até maio, a previsão da entidade era de uma alta de 8,2%, mas, diante dos resultados atuais, essa estimativa deverá ser revisada para cima.

Com o início do Plano Safra 2025/26, “vamos precisar revisar as estimativas das vendas no ano e avaliar os impactos do novo PAP. Vamos estudar para entender o que está puxando o mercado. Por que o mercado está crescendo tanto? Este ano tem sido bem melhor do que esperávamos”, afirma Estevão.

Exportações em alta

O setor de máquinas para a agricultura também vem apresentando bons resultados nas exportações no acumulado do ano, com alta de 9,8% em relação ao mesmo período de 2024, embora se observe uma queda de 8,3% na comparação com o mês de abril. Segundo a Abimaq, trata-se de um dos poucos setores que registram desempenho positivo de janeiro a maio.

As importações de máquinas agrícolas registraram queda de 10,4% em maio, frente a abril, e de 11,6% ante maio do ano passado. No acumulado do ano, observa-se um recuo de 1,8%.

“Juros mais atrativos do que os oferecidos pelo mercado”

Para o Plano Safra 2025/26, lançado ontem (1º), o governo federal destinou R$ 9,5 bilhões ao Moderfrota – Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas, Implementos Associados e Colheitadeiras –, com taxa de juros de 13,5% ao ano, um aumento de dois pontos percentuais.

Já para o Moderfrota voltado aos médios produtores (Pronamp), os recursos somam R$ 3,08 bilhões, com taxa de juros de 12,5% ao ano, contra R$ 2,8 bilhões com juros de 10,5% ao ano oferecidos na safra passada.

Para o Plano Safra 2025/26, a Abimaq solicitou R$ 21 bilhões para o Moderfrota, o que, na avaliação da Associação, configuraria um Plano Safra robusto.

De acordo com Estevão, apesar do custo elevado, a demanda por linhas de crédito é alta e os recursos disponíveis serão rapidamente utilizados. “O volume de recursos apresentado está muito aquém do que a gente pediu. Esse dinheiro vai acabar muito rápido. Mesmo sendo caro [devido aos juros mais altos], o pessoal vai pegar esse valor disponibilizado.”

No novo Plano Safra, a taxa de juros passou de 11,5% para 13,5% para os grandes produtores; para os produtores médios (Pronamp), os juros aumentaram de 10,5% para 12,5%.

“Não é um juro barato, mas comparado aos juros de mercado, com taxas de 22%, 20%, é uma taxa de juros muito mais atrativa. Está mais barato”, avalia Estevão.

Tratores e colheitadeiras

De acordo com os dados apresentados pela Abimaq, as vendas totais de tratores e colheitadeiras cresceram 17,6% de janeiro a maio, na comparação com o mesmo período do ano passado, somando 22.027 unidades frente às 18.737 comercializadas em 2024.

No mesmo período, as exportações de tratores e colheitadeiras tiveram uma redução de 11,3%, somando 1.914 unidades, em comparação com as 2.157 registradas no mesmo período do ano passado.

 

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Mercado

Agroindústria tem leve alta de 1% em abril, revela pesquisa da FGVAgro

Por Redação 02/07/2025
Escrito por Redação

Agroindústria tem leve alta de 1% em abril, revela FGVAgro

A pesquisa sobre o volume de produção agroindustrial, do FGVAgro, revela que a Agroindústria registrou uma leve alta de 1% em abril ante março (já considerando os ajustes sazonais). Esse resultado foi puxado, principalmente, pelo segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas (1,7%). O segmento de Produtos Não Alimentícios também registrou expansão, mas em um ritmo bem menor: 0,2%.

Em contrapartida, ao analisar a comparação interanual, a Agroindústria, em abril ante o mesmo mês do ano passado, registrou queda (-3,5%). Contudo, é importante ressaltar que tivemos um mês de abril mais curto. Enquanto em 2025 o mês de abril contou com 20 dias úteis, o de 2024 teve 22 dias úteis.

Naturalmente, essa diferença de 10% no número de dias úteis influencia nas variações sem controle do efeito-calendário, tal como a variação interanual. O resultado negativo foi derivado tanto do segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas (-3,7%), quanto de Produtos Não Alimentícios (-3,3%).

No acumulado do ano, a produção agroindustrial teve uma ligeira alta de 0,3% frente ao mesmo período de 2024. Até março, o crescimento acumulado no ano era de 1,7%, ou seja, o crescimento desacelerou de forma significativa entre março e abril de 2025.

Segundo análise do FGVAgro, como a maioria dos setores da agroindústria apresentou o mesmo comportamento, a questão permanece: a Agroindústria está desacelerando, tal qual os demais segmentos da economia brasileira ou houve apenas uma contração decorrente de um mês de abril mais curto (isto é, com menor número de dias úteis)? Apenas os dados do próximo mês poderão responder essa questão.

 

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Mercado

Setor reage ao Plano Safra 2025/26: “não atende a todas as demandas do produtor”

Por Redação 02/07/2025
Escrito por Redação

Setor reage ao Plano Safra 2025/2026: “Não atende totalmente às necessidades do produtor”

Clarisse Sousa – O governo federal lançou, nesta terça-feira (1º), o Plano Safra 2025/2026, com a liberação de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial. O valor representa um acréscimo de R$ 8 bilhões em relação à safra anterior e será destinado a médios e grandes produtores, em operações de custeio, comercialização e investimento. Para entidades do setor, no entanto, o montante não será suficiente para atender às demandas dos produtores. Além disso, preocupam as taxas de juros mais altas e a ausência de menção ao seguro rural no lançamento do novo plano.

Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, o valor anunciado ainda não atende totalmente as necessidades do setor. “É um recurso importante, mas que precisa ser analisado com cautela, principalmente por causa das taxas de juros praticadas. O produtor rural tem convivido com custos de produção elevados, queda no preço das commodities e dificuldades para acessar crédito”, avalia.

No novo plano, as taxas de juros podem variar de 8,5% a 14% ao ano, consideradas elevadas diante do cenário de custos altos e margens apertadas para o produtor rural.

Diante de dificuldades recorrentes, como o congelamento de recursos, a Famato ressalta que, além do anúncio dos valores, é fundamental que os recursos do Plano Safra sejam realmente disponibilizados e aplicados em sua totalidade.

Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), o Plano Safra 2025/26 lançado pelo governo federal, “é mais uma peça de marketing do que uma política efetiva”. Segundo ele, o valor anunciado de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial contém “distorções e omissões” que comprometem a transparência do programa e impõem custos sem precedentes ao setor produtivo.

“O governo anuncia um plano de R$ 516 bilhões, mas só tem controle real sobre 22% disso. O restante é dinheiro dos bancos, a juros de mercado, muitas vezes acima de 2% ao mês. Não se pode vender isso como apoio estatal ao agro”, disse Lupion.

De acordo com o deputado, no ano passado o governo havia prometido R$ 138 bilhões em recursos com juros controlados, mas contingenciamentos reduziram a execução a R$ 92,8 bilhões. Neste ano, o governo anunciou R$ 113,8 bilhões nessa mesma categoria, o que representa aumento frente ao que foi efetivamente executado, mas queda em relação ao valor prometido no ano anterior.

“Quando comparo o que foi anunciado em 2023 com o que está sendo prometido agora, houve recuo. Estão vendendo crescimento onde há perda de ambição”, afirmou.

Lupion também criticou o volume de recursos da União destinados diretamente à agricultura empresarial. Dos R$ 13,5 bilhões previstos para equalização de juros na safra 2025/26, R$ 9,5 bilhões serão para a agricultura familiar e somente R$ 3,9 bilhões para a empresarial.

“Esse é o gasto real do governo com o agro empresarial. Todo o resto é dinheiro de banco, do mercado, emprestado a taxas muitas vezes impagáveis. No fim, o governo gasta pouco e transfere o custo ao produtor”, alertou.

Seguro rural 

Outro ponto de preocupação é o seguro rural. De acordo com Lupion, sua ausência no Plano Safra 2025/26 compromete a segurança da produção. “O governo sequer mencionou o seguro rural no lançamento do plano. É como se fosse algo secundário. Mas sem seguro, o produtor fica exposto e o país termina discutindo dívidas e renegociações”, apontou.

Em nota, o Sistema FAEP manifestou preocupação em relação aos juros mais altos, que podem dificultar ou até inviabilizar o acesso aos recursos, e também alertou sobre o seguro rural.

“Mais uma vez, o setor produtivo e as entidades que representam os produtores rurais não foram ouvidas. A inviabilidade deste canal por parte do governo federal tem dificultado o planejamento da agropecuária, fazendo com que nossos agricultores e pecuaristas convivam com falta de recursos, juros altos que elevam ainda mais o custo de produção e incertezas em diversos pontos, como o seguro rural”, afirma o presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Esse Plano Safra é mais uma prova de como o governo federal não está olhando para o setor agropecuário como deve e merece”, complementa.

Ainda, o Sistema FAEP alerta que os recursos para equalização (destinados a cobrir a diferença entre os juros praticados no mercado e a taxa ofertada nas linhas de financiamento do governo) podem ser insuficientes.

“Na temporada passada, por exemplo, os recursos para equalização das taxas de juros acabaram já no início do ano. Com isso, as entidades financeiras, como bancos e corretoras, não conseguiam oferecer os financiamentos nas taxas de juros previstas no Plano Safra. Na prática, os financiamentos não saíram”, aponta Meneguette. “Ou seja, sem recursos suficientes para a equalização, corre o risco de os produtores rurais não conseguirem acessar as linhas de crédito, mesmo antes do fim da temporada”, reforça.

 

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Redução de áreas de trigo no Sudeste e Sul pode impactar a produção nacional
Mercado

Redução de áreas de trigo no Sudeste e Sul pode impactar a produção nacional

Por Redação 01/07/2025
Escrito por Redação
Redução de áreas de trigo no Sudeste e Sul pode impactar a produção nacional

Colheita de trigo. Pitanga,11/10/2019 Foto: Jaelson Lucas / AEN

A semeadura da safra de trigo 2024/2025 já alcançou aproximadamente 56,6% da área estimada para cultivo no país. No entanto, as projeções mais recentes divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma tendência de redução das áreas cultivadas nas regiões Sudeste e Sul, o que pode impactar negativamente a produção nacional.

No Rio Grande do Sul, as chuvas ocorridas durante o segundo decêndio do mês interromperam temporariamente as atividades de semeadura, que foram retomadas com a estabilização das condições meteorológicas. De modo geral, segundo a Emater/RS, as primeiras lavouras implantadas apresentaram boa emergência e estabelecimento inicial.

Entretanto, em microrregiões como Alto Uruguai e Missões, as interrupções foram mais críticas, resultando em perdas de plântulas e episódios de erosão do solo. Nas áreas recentemente semeadas, foram observadas perdas associadas à erosão superficial, encharcamento e compactação do solo, especialmente em talhões em fase de germinação e emergência, além de solos arenosos severamente afetados pelas chuvas, os quais demandam replantio.

Em lavouras em fase de desenvolvimento vegetativo, foram registrados sintomas de estresse fisiológico, como crescimento reduzido e baixo perfilhamento, atribuídos à combinação de alta umidade do solo e baixa radiação solar. Atualmente, cerca de 39% da área prevista no estado já foi semeada.

No Paraná, aproximadamente 85% da área destinada ao cultivo de trigo já foi implantada, com lavouras em diferentes estágios fenológicos, abrangendo desde a emergência até o florescimento. As temperaturas mais baixas observadas nas últimas semanas têm favorecido o desenvolvimento fisiológico das plantas.

De acordo com o Deral/PR, as lavouras apresentam, em sua maioria, boas condições sanitárias e fisiológicas. Contudo, as geadas ocorridas no final do mês afetaram talhões localizados em estágios sensíveis, como emborrachamento, florescimento e início do enchimento de grãos, aumentando a vulnerabilidade dessas áreas a danos térmicos.

Em Santa Catarina, de acordo com a Epagri/SC, os trabalhos de semeadura tiveram início de forma pontual, com expectativa de intensificação das operações até o final do mês. Observa-se, contudo, uma retração de 5,6% na área total cultivada em relação à safra anterior, refletindo ajustes regionais na estratégia de cultivo.

Nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, beneficiadas pelas condições climáticas amenas predominantes, que têm favorecido tanto a emergência quanto o estabelecimento inicial das plantas.

 

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Produção de cana-de-açúcar deve alcançar 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/26
Mercado

Produtividade da cana no Centro-Sul cai 12% em maio, diz Centro de Tecnologia Canavieira

Por Redação 01/07/2025
Escrito por Redação

Produtividade da cana no Centro-Sul cai 12% em maio, diz Centro de Tecnologia Canavieira

As chuvas irregulares reduziram a média da produtividade dos canaviais em maio no Centro-Sul, de 91 para 80,8 toneladas por hectare (THC), uma queda de 12% em relação ao mesmo mês de 2024.

A maior queda (21,6%) foi registrada na região de Ribeirão Preto (SP), onde a produtividade teve redução de 102,5 toneladas por hectare para 80,4 TCH. Assis foi o destaque positivo, com crescimento de 7,4% (de 88,3 para 89,4 TCH).

As informações são do Boletim De Olho na Safra, produzido com dados da Plataforma de Benchmarking do CTC.

A qualidade da matéria-prima em maio teve uma ligeira redução de 2,1%, de 123,4 quilos por tonelada de cana (kg/tc) para 120,8 kg/tc.

No acumulado abril-maio, a produtividade da cana no Centro-Sul registrou queda de 12% em relação ao mesmo período da safra anterior (de 89,6 toneladas de cana por hectare para 78,8 toneladas de cana por hectare). No acumulado até maio, o ATR caiu 2% (de 120,7 kg/tc para 118,3 kg/tc).

 

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EntrevistaTecnologia

“Pai” do Sistema Plantio Direto no Cerrado aponta rumos para a pesquisa agropecuária

Por Redação 01/07/2025
Escrito por Redação

“Pai” do Sistema Plantio Direto no Cerrado aponta rumos para a pesquisa agropecuária

O agrônomo britânico John Nicholas Landers, de 87 anos, tem uma longa trajetória de disseminação das práticas de agricultura conservacionista no Brasil. Nascido em Watford, no Reino Unido, o bacharel em Agricultura pela Universidade de Reading e mestre em Irrigação pela Universidade da Califórnia chegou ao País em 1966 aos 28 anos, a serviço do IRI Research Institute dos Estados Unidos.

Durante quase seis décadas, Landers vem contribuindo como pesquisador, consultor e produtor rural para o desenvolvimento da agricultura brasileira, sobretudo no Cerrado e na Amazônia. Na década de 1990, fundou a Associação do Plantio Direto no Cerrado (APDC), que contribuiu para a consolidação do Sistema Plantio Direto (SPD) no Cerrado.

Os esforços em mostrar como a agricultura pode conservar os nossos solos lhe renderam diversas homenagens, como o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Goiás, em 2017, pelo pioneirismo no desenvolvimento do SPD na palha.

Nesta entrevista, que teve a participação da pesquisadora da Embrapa Ieda Mendes, Landers fala sobre a carreira no Brasil, os desafios na disseminação do SPD, uma curiosidade surpreendente sobre a pré-história da Embrapa Cerrados, além de apontar rumos para a pesquisa agropecuária.

Como surgiu o interesse do senhor pela agricultura?

Meu avô era gerente de uma série de fazendas que se chamava State, na Inglaterra. Com 10 anos de idade, eu dirigia trator. No meu tempo livre, sempre ficava em fazendas. Então, a única escolha que eu achava que tinha e perseguia era estudar Agricultura, em Reading.

O senhor veio ao Brasil em 1966 para realizar um trabalho pelo IRI Research Institute. Do que se tratava esse trabalho?

Quem me trouxe ao Brasil foi meu tio. Ele veio em 1934 plantar café no Oeste de São Paulo e depois se mudou para Matão (SP). Era um homem inteligente e que me ajudou muito na forma de pensar sobre agricultura. Fiquei um mês em Matão e, como minha especialidade era irrigação, fui enviado a Recife (PE) para começar meu trabalho com o IRI. Comecei junto com a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), principalmente nas estações de Mandacaru e Bebedouro, que estavam desenvolvendo a irrigação para difundir na região.

E o que o fez permanecer no País até hoje?

Continuei com o IRI até 1974 e depois dois anos como especialista. Inclusive, implantei, na Estação Experimental de Brasília (atual Embrapa Cerrados), um experimento irrigado de milho com controles de umidade até 40 cm (de profundidade do solo) por tensiômetros e blocos de gesso. No início de 1968, fui transferido para a Venezuela. O IRI tinha captado um contrato para desenvolver a agricultura no delta do rio Orinoco. Fui como chefe de programa e implantei uma estação experimental na Ilha Iguana.

Voltei para o Brasil em 1972, como chefe do IRI. O IRI havia perdido o contrato com a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e era difícil buscar recursos. Então, começamos a tornar a estação experimental em comercial, vendendo abacaxi e sementes de forrageiras. Depois, em 1974, o projeto de sementes forrageiras foi comprado por uma grande empresa inglesa, a Nickerson Seeds, que me colocou em São Paulo como encarregado do projeto. Eles também investiram em sementes de soja com um programa no Rio Grande do Sul e no Paraná.

Como o senhor via a agricultura do Brasil no final da década de 1960, em especial no Bioma Cerrado?

Obviamente, o Brasil era importador de alimentos naquela época e eu via que faltavam as últimas tecnologias para a agricultura evoluir. No Cerrado, a agricultura era mais pobre ainda, (havia) principalmente arroz de sequeiro, que era um desastre em termos econômicos (risos). Mas o IRI foi pioneiro em resolver os problemas da infertilidade dos solos do Cerrado.

Eu tinha visto as soluções que o IRI preconizava para tornar os solos do Cerrado produtivos. O IRI descobriu a falta de cálcio, de fósforo e de micronutrientes, que foi a base para torná-los produtivos. Então, vi solos e topografia muito bons em termos de mecanização, mas faltava a parte técnica de adubação e correção de solo.

Naquele momento, o que o fazia acreditar que a agricultura brasileira poderia sofrer uma revolução tão profunda a ponto de transformar o País de importador, como o senhor disse, a grande exportador de alimentos algumas décadas depois?

O IRI havia publicado boletins sobre a correção dos solos do Cerrado. Eu tinha lido tudo isso e estava convicto de que havia um grande futuro para o Cerrado em termos de produtividade.

O senhor sempre demonstrou preocupação com a sustentabilidade da agricultura, o que nos dias de hoje é um discurso comum. Como os produtores e o setor agrícola lidavam com a questão no início dos seus trabalhos aqui no Brasil?

O conceito de sustentabilidade em si começou, me parece, há uns 20 anos. Naquela época, o conceito era de conservar o solo para continuar produzindo.

Quanto ao Sistema Plantio Direto (SPD), o senhor é considerado o pai dessa prática de manejo conservacionista do solo no Cerrado. Mas, no passado, foi considerado louco. Havia, de fato, uma resistência à adoção do SPD, mesmo com tantos benefícios demonstráveis?

Os agricultores de Morrinhos (GO), onde eu tinha uma fazenda, davam risadas de mim. E também havia resistência dentro da Embrapa Cerrados. Foram alguns dos pesquisadores menos preconceituosos que se aliaram a nós no início. O primeiro foi o (Eduardo) Assad (atualmente aposentado), que escreveu um capítulo sobre chuvas na publicação “Fascículo de Experiências de Plantio Direto no Cerrado”, de 1995. Foi uma das primeiras colaborações da Embrapa Cerrados com a Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC), porque já estávamos trabalhando com alguns Clubes Amigos da Terra (CATs) (grupos e associações de produtores voltados à difusão do SPD), que haviam sido instalados aqui por gaúchos.

O conceito de CAT foi o berço. O CAT de Jataí (GO), que já estava instalado, foi o modelo. Começamos a trabalhar com eles em 1994 para desenvolver a ideia de CAT para divulgar e também para ajudar a desenvolver o SPD, porque a pesquisa em estação experimental é muito boa, mas a pesquisa em fazenda tem outras dimensões e possibilita a rápida extensão ao produtor. Quando ele vê pequenas parcelas na estação experimental, não acredita. Ele quer ver um agricultor fazendo e ganhando dinheiro. Aí ele acredita.

Os CATs persistiram por muito tempo?

Eles começaram a se expandir muito rapidamente e, no auge, havia uma rede de 49 CATs e outras instituições como cooperativas no Cerrado. Eles perduraram enquanto o SPD foi uma coqueluche. Infelizmente, não vieram outras revoluções iguais para darmos seguimento. Comecei com controles biológicos com a COOPA-DF, mas fomos subvertidos pelos Correios. Estávamos usando os Correios para receber os ovos dos parasitas que estávamos utilizando e houve uma greve. Os agricultores perderam a confiança, e levou mais uns cinco a 10 anos para eles começarem a usar (o controle biológico).

O SPD é uma prática fundamental para a agricultura sustentável, permitindo a conservação do solo e da água, ganhos em produtividade, mitigação de gases de efeito estufa etc. Qual o panorama atual do SPD no Cerrado?

Estimo, por cima, 90% de aceitação do SPD. Então, em termos de expansão, a demanda não é tão grande. O que temos que olhar é a onda da agricultura regenerativa. É um termo que está sendo muito mal empregado, principalmente por empresas de insumos que querem colocar esse nome, sem critérios, aos alimentos produzidos com os seus produtos.

Minha interpretação é a seguinte: sem o SPD, a agricultura regenerativa não vai funcionar! Deixando de revolver o solo, você engatilha a atividade biológica do solo, e isso é o segredo do sucesso do SPD e da agricultura regenerativa. De fato, regenerativo é o melhor adjetivo para descrever o que o SPD faz pelo solo, o resto é elucubração.

Uma crítica que é ouvida com frequência é a de que existem produtores que falam que adotam o SPD, mas que, na verdade, o fazem de forma incompleta ou equivocada. Quais lacunas do manejo o senhor observa?

O principal é a falta de uma maior rotação de plurianual, em que você não repete a mesma cultura na mesma terra no ano seguinte. Bem mais da metade (dos produtores que adotam o SPD) não faz isso. O problema é que, até recentemente, a soja era, de longe, o (cultivo) mais lucrativo. Agora, temos pesquisas que mostram os valores de se manter uma rotação plurianual por vários anos. Por exemplo, o Juca Sá (João Carlos de Moraes Sá), junto com o (Lucien) Seguy fez um estudo em Mato Grosso que é sui generis. Mostra que, a longo prazo, os princípios do SPD trazem lucros acima de coisas feitas pela metade.

E que consequências podem ocorrer para os produtores que adotam o SPD de forma equivocada?

Não gosto do termo “equivocado”. Eles estão seguindo o que eles acham mais produtivo do sistema e deixando de lado a rotação plurianual. Até pouco tempo atrás, faltavam resultados de pesquisa contundentes mostrando o benefício a longo prazo dessas rotações. O problema é que é um pouco complicado a adoção disso.

O agricultor não vai plantar uma cultura que vai produzir 60% do lucro da soja. Isso é o simples fato econômico e são os fatos econômicos que dirigem a forma de tocar as lavouras. Mas temos possibilidades de ir além do SPD como ele está agora e, para isso, precisamos dirigir a pesquisa a esse ponto.

Como ir além do SPD?

Por exemplo, introduzi o SPD na propriedade de um agricultor na Inglaterra 14 anos atrás. Primeiro, ele adotou o SPD e depois ele passou à agricultura regenerativa. Uma das descobertas dele é que se você mantém o pH da seiva da planta em 6.4, os insetos não gostam da seiva, então não há problema com insetos. Esse agricultor está fazendo outros controles que o permitem produzir praticamente sem pesticidas.

Esse é um pioneiro, um homem inteligente que tem uma fazenda lucrativa e dinheiro para investir em pesquisa. Acho que a pesquisa teria que ficar no pé desses agricultores pioneiros, ajudando-os a levar essas tecnologias adiante. Já desafiei vários pesquisadores a encontrar uma tecnologia em que você, com uma pulverização ou de outra forma, modifica o pH da seiva, eliminando os pesticidas. Vai levar umas duas décadas, mas temos que ter isso como alvo.

Inicialmente, pode haver uma certa resistência na pesquisa, demora um tempo até que isso seja absorvido…

Por isso (deve haver) o apoio da pesquisa aos pioneiros, que são tomadores de risco. É fundamental, porque reduz o risco dos produtores.

Em que outras áreas podemos progredir com a pesquisa?

Esse agricultor inglês que mencionei foi aos Estados Unidos e fez dois cursos. A aprendizagem dele é que o agricultor tem uma planta, e essa planta, quando falta alguma coisa, manda uma mensagem ao solo através dos exsudatos da raiz. Esses exsudatos encorajam outras entidades a produzirem o que está faltando na planta.

A doutora Ieda identificou duas dessas substâncias (enzimas arilsulfatase e betaglicosidase) e as usa para caracterizar a atividade biológica do solo. Mas esse agricultor me contou que há 750 dessas substâncias no solo. Imagine a complexidade da pesquisa necessária para explorar tudo isso. Vai levar meio século.

Gostaria de comentar alguma outra questão sobre a pesquisa?

No trabalho de desenvolver um desenho de ensaio de pastoreio com coberturas (vegetais), eu me debrucei com uma série de perguntas para as quais não tinha resposta. Como vou selecionar tratamentos no experimento se não tenho essas respostas? Acho que não deve ser necessário, numa estação experimental, ter um projeto de pesquisa para fazer testes exploratórios que vão nortear o pesquisador em termos de seleção de tratamentos. Vou dar um exemplo. A Manah me financiou, em 1988, um trabalho exploratório para testar diferentes trabalhos de SPD. Selecionei 30 deles para fazer testes exploratórios sem replicação. Se tivesse optado por fazer três replicações, só teria testado 10 trabalhos. E quem iria me dizer que o melhor estava entre esses 10? Você vai colocar uns tratamentos inúteis, e a informação que vai receber será limitada.

O senhor é mestre em irrigação. Como vê esse tema na agricultura brasileira?

No geral, é marcar a garantia dos caudais dos rios pequenos em toda a região, porque a lei manda manter o caudal durante a época seca, em vez de secar e criar problemas para a dessedentação de animais. Outra linha de pensamento tem sido a forma de desenvolver mais a produção de hortaliças na região e, portanto, (gerar) empregos. Acho que o manejo do solo com irrigação, por causa do alto investimento, está sendo forçado a conservar o solo e a água.

Na sua trajetória profissional, o senhor testemunhou o nascimento e o crescimento da Embrapa, que em 2023 completou 50 anos. O que a Empresa, a seu ver, representa para o País?

Primeiro, ela é o esteio da atividade agro. Segundo, é uma apólice de seguro que assegura que as tecnologias sejam as mais produtivas possíveis, e sempre melhorando. Representa uma liderança mundial em termos de sustentabilidade por meio do SPD. É também uma entidade séria, muito respeitada em todo o mundo, e é imprescindível ao País a Embrapa apoiando a agropecuária.

Em 2025, é a Embrapa Cerrados que está completando 50 anos. Você participou, inclusive, da pré-história da nossa Unidade…

Antes, (a Unidade) era o Escritório Técnico de Agricultura (ETA-44) do Ministério da Agricultura. Edson Lobato (pesquisador aposentado) e outros agrônomos que haviam passado no concurso do ministério estavam trabalhando lá com dois técnicos do IRI. Isso era outro programa da USAID. Descobri, no mapa da estação experimental, que a administração de Planaltina-DF havia colocado a sua estação de tratamento de águas dentro da área do Ministério da Agricultura. Pedi uma audiência com o presidente da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) e mostrei a ele. Ele disse: “Bom, o que você quer?”. E eu falei: “Gostaria de aumentar a área da estação experimental para abarcar toda a área de cima, que tem solos diferentes”. No ato, ele cedeu à Embrapa um topógrafo, que ficou três meses lá, medindo tudo. Pouca gente sabe disso.

Então quer dizer que você foi um dos responsáveis pela enorme área que temos hoje na Embrapa Cerrados?

Fui O responsável (risos).

Pensando no futuro, para que direção a Unidade deve apontar as pesquisas?

Para cima! (risos). Penso que a área de agricultura regenerativa real deveria ser reforçada. Existe uma nova espécie de capim braquiária que vem da Namíbia, chamada Brachiaria negropedata. Isso tinha que ser pesquisado, porque a informação que tenho de técnicos da África do Sul é de que ela seria muito bem apropriada aqui.

A área de pastagens consorciadas foi esquecida de tal forma que eu não encontro sementes de leguminosas como siratro, soja perene e tardia e centrosema no mercado. Sumiram. Acho que é preciso persistir na ideia de pastagens consorciadas, porque há varias leguminosas adaptadas à região e ao pastoreio. Soja perene e tardia e os híbridos de centrosema, feitos pelo R.H. MacArthur, um pesquisador australiano enquanto esteve aqui, são muito promissores.

Estou desenhando um experimento junto com a Embrapa Cerrados para testar algumas dessas leguminosas num sistema um pouco diferente, que chamamos de tapete verde, em que usamos a leguminosa como cobertura do solo para receber culturas e o SPD. Quando esse projeto foi desenvolvido, em Morrinhos entre 1988 e 1992, não havia a safrinha.

Então, terá que haver muito trabalho adaptando esse sistema à safrinha, mas é uma forma de também aumentar a oferta de forragens de boa qualidade na época seca, já que a leguminosa tem proteína. A quantidade em que você aumenta a capacidade de carga na época seca equivale ao incremento no rebanho. Isso é um ponto nevrálgico onde acho que deveria se concentrar a pesquisa.

 

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